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História Dark Syncretism - Capítulo 8


Escrita por: grandmagus

Notas do Autor


Sem muito o que dizer, espero que gostem!

Capítulo 8 - Fuel


Fanfic / Fanfiction Dark Syncretism - Capítulo 8 - Fuel

Fazia frio aquela manhã. O casaco azul claro quase não dera conta de esquentar a garota por todo o trajeto, mesmo dentro do carro do pai. Hinata entrou na sala de aula com pressa, assoprando as mãos cobertas por luvas. Era o inverno mais frio desde muito tempo, ouvira sua mãe comentar.
Faltava pouco para as férias, e agora no auge de seus dezesseis anos, a jovem só queria um pouco de descanso de tudo aquilo.
A Hyuuga calmamente começou a retirar o material da mochila. Um livro de física, dois cadernos, um estojo laranja cheio de canetas... Parecia absorta em pensamentos.
Rabiscando umas palavras na última folha de um caderno, não percebeu a dupla de garotas a encarando aos risos frente à lousa. Foi só quando outras pessoas começaram a rir que ela, sem entender, procurou por toda a sala pelo motivo de tamanha algazarra.
No quadro negro, entre rabiscos, o desenho de duas pessoas. Algo que imaginava ser Naruto parecia olhar algo que com toda certeza era ela, Hinata, sentada de pernas abertas chamando pelo garoto. Acima de sua cabeça, a frase “a santinha quer ser a puta do revoltado” foi a cereja no bolo de merda. Hinata apertou os punhos em ódio, desde quando alguém percebeu seus sentimentos por Naruto aquelas “brincadeiras” ficavam cada vez mais frequentes. Estava insuportável. Seus olhos arderam numa mistura de ódio e tristeza.
Sem conseguir ignorar os olhares e as risadas que preenchiam todo o ambiente, a garota se levantou enfiando o material na bolsa. Vira com o canto dos olhos Shino apagar o desenho da lousa, mas o estrago já estava feito.
Hinata correu passando pela sala no qual o loiro estava, sem sequer imaginar tudo o que acontecia. Trancou-se então em uma cabine do banheiro, escondendo o rosto molhado com as mãos. Não aguentava mais.

(...)

Shino terminava de preparar o chá enquanto Hinata olhava mensagens pelo notebook do amigo. Ao fundo, um locutor anunciava uma música em um programa de rádio que o Aburame adorava.
- Viu? Tenho recebido várias mensagens dessas desde a entrevista. –Disse enquanto colocava a xícara no balcão. A Hyuuga o encarou, espantada.
- É como o Gaara disse, o público gosta de entrevistas assim... –Respondeu antes de tomar um gole da bebida. – Olha essa aqui, “achei que a banda ia acabar, mas agora tô feliz de gostar de vocês”.
- Até eu tô espantado, parece que essa edição bateu picos de download e audição bem altos. Mas tem um problema... –O Aburame pausou enquanto preparava sanduiches. Hinata o olhava com curiosidade. – Pelo que venho notando, muitas dessas pessoas estavam esperando uma resposta nossa ao que aconteceu depois daquele festival, logo...
- Estão alimentando uma rivalidade entre a gente e a Dark Passion. –Completou Hinata, e Shino acenou positivamente. Ela então revirou os olhos. – Muita gente adora isso.
- E agora eles são os famosos, é como se nós fossemos uma resistência a eles.
O silêncio reinou entre a dupla por alguns instantes. Agora Hinata entendia Shino tê-la chamado tão cedo numa manhã de quarta. O sol mal saíra quando a mulher tocou o interfone. E ainda tinha que ir pro trabalho...
- O problema Shino, é que ficamos atrelados a eles. Eu não queria isso, mesmo que seja como uma rivalidade.
- Mas não tem o que fazer. –Interveio Kankuro, entrando na cozinha. O beijo em Shino veio antes que o fotógrafo continuasse. – É como uma foto... Veja, eu posso usar todas as técnicas pra trazer uma ideia através de uma imagem, mas muitas vezes as pessoas verão algo completamente diferente. Então tenho dois caminhos. –Fez uma pausa, mordendo uma fatia de mussarela. - Posso explicar que não era minha intenção, mas que toda interpretação é válida. Ou, posso ficar brigando com cada um que ver o que eu não quero naquela foto.
- Nesse caso, também temos duas opções... –Dizia Hinata pensativa.
- Podemos brigar contra essa narrativa, ou seguir em frente independente dela. –Completou Shino.
- Acho que vocês deveriam aproveitar a situação. Não que devam alimentar essa coisa toda, mas é uma forma de atrair mais público. Vocês estão pra Dark Passion o que o Metal é pra música pop convencional, um contraponto, e isso movimenta pessoas. –Argumentou Kankuro, e Shino sorriu.
- Acho que você tem razão, mas eu não sei como fazer isso. – Replicou o guitarrista. – Sinceramente, há algum tempo venho pensando... Acho que precisamos de um empresário, ou sei lá... Alguém que nos ajude a gerenciar a carreira.
- Não temos grana pra isso, Shino. –Interveio Hinata. – Mas eu concordo. Acho que você tá carregando muita coisa nas costas, eu e Kiba não sabemos muito bem o que fazer sobre essas partes burocráticas...
- Por falar no Kiba, ele não deveria estar aqui também, discutindo com vocês? –Perguntou Kankuro.

Mal sabia ele que não muito distante dali o Inuzuka delirava na cama de seu apartamento, arfando em puro êxtase. Sobre si, Ino rebolava lasciva entre gemidos. O sorriso no rosto da loira o deixava satisfeito pelo trabalho que entregava naquele começo de manhã.
O quarto parecia de ponta cabeça. As roupas que vestiam estavam espalhadas por cada canto, alguns objetos derrubados do criado-mudo que por um momento serviu de apoio para a foda da dupla. Garrafas de vinho barato tombadas mancharam o carpete próximo da bateria eletrônica que Kiba usava para praticar em casa. Viraram a noite aproveitando juntos, ignorando o cansaço e o fato de que ainda teriam que ir trabalhar.
- Caralho, Kiba... – Disse a loira entre gemidos enquanto apertada os próprios seios. Ino se deliciava com o membro do homem dentro de si, preenchendo-a. Tudo havia começado com um convite para beber e agora ela estava ali, rebolando gostoso sem qualquer pudor.
- Gostosa! –Soltou Kiba, puxando-a para mais perto. Beijou-a apertando a cintura da mulher com tesão, sentindo estar muito próximo do orgasmo.

- Ainda não acredito que dei pra você. –Disse a Yamanaka com certo tom de indignação, agora deitada e completamente suada, ainda recuperava o fôlego. Todavia um sorriso surgiu em seu rosto.
- Admite vai, você tava doidinha por isso. –Kiba respondeu do banheiro, rindo em seguida. – Mas se quer saber, foi incrível. –Completou voltando ao quarto.
Nesse momento a tela do celular do baterista acendeu, chamando sua atenção. Era Shino, dizia o visor, e as notificações mostravam que não era a primeira tentativa de ligação.
- Fala cara. –Atendeu por fim.
- Tava dentro de quem dessa vez? Quer saber, esquece, tô te ligando desde cedo. Hinata tá aqui.
- Desculpa. Sério. Esqueci de tirar o celular do silencioso. Se eu tivesse visto você sabe que...
- Relaxa, já foi. O importante é que eu e a Hinata conversamos sobre aquilo, da rivalidade que estão alimentando entre a gente e aquela banda lá, e chegamos a duas decisões, queremos saber se você aprova.
- Fala. –Kiba terminava de vestir uma calça jeans, quase caindo por estar com a atenção completamente voltada à ligação.
- Primeiro, vamos aproveitar esse clima na publicidade da banda. Mas claro, sem escrotice. Não somos Uchiha.
- Concordo, acho que é o melhor. Não tem como fugir né...
- Sim. E também decidimos procurar um empresário, dentro das nossas limitações financeiras... Ou um produtor, sei lá. Alguém pra gerenciar melhor nossa carreira.
- Empresário, é... Bom, acho que é uma boa, mas vai ser difícil.
- É, vamos discutir melhor mais tarde. Encontra a gente naquela lanchonete, na hora do almoço.
- Ok, a gente se fala então.
Kiba desligou o celular um tanto pensativo. Com a grana que havia conseguido com a família conseguiriam manter as contas com estúdio e equipamentos em dia, mas adicionar outro profissional nessa matemática seria complicado demais.
- Tava falando com a sua banda é? –Perguntou Ino enquanto colocava o sutiã. Kiba imediatamente virou-se a ela, ajudando com o fecho.
- É, estão querendo arranjar um empresário, ou algo do tipo... –Respondeu com certa preocupação na voz. Ino pareceu lembrar-se de algo, virando-se de frente a ele.
- Eu conheço uma pessoa que trabalha com música.

(...)

Já passava das 8h quando Sakura terminava de se vestir em seu novo apartamento. O ambiente ainda fedia a novo, e o eco a cada passo incomodava, mas era uma conquista e tanto.
A mulher retocou o batom rosa uma última vez, encarando-se frente ao espelho.
- Agora sim está apresentável! –Concluiu em pensamentos, satisfeita. A noite não havia sido agitada, mal dormira.
Respirou fundo, guardando o batom na bolsa. O espartilho preto, apesar de lindo, apertava suas costelas. A saia de cintura alta a fazia parecer uma secretária, mas por sorte teria que vestir uma blusinha com a logo da banda, o que quebraria um pouco essa aparência formal.
Não tinha mais descanso desde quando alcançaram o mainstream. A agenda agora estava lotada de shows e entrevistas, e a escolha do novo guitarrista apenas ampliou isso, afinal, teriam que fazer uma apresentação dessa nova figura. Para tanto, Orochimaru preparou um evento de perguntas e respostas com o recém-formado fã-clube em um enorme e famoso café no centro da cidade. Era muita coisa.
Trancando a porta, Sakura rumou ao elevador. Cinco andares até o estacionamento, a Haruno pensava em todas essas coisas que agora tomavam toda sua rotina. Não a toa, já há algum tempo não dormia com Sasuke. Diria até que nunca mais o viu fora das atividades da banda. Sentia falta disso. Nunca escondeu de ninguém o quanto era louca pelo Uchiha, desde os tempos de colégio. Ao longo do tempo, uma relação sexual se iniciou, mas nunca evoluiu para além disso. Não poderia reclamar, todavia. Sasuke nunca prometera qualquer coisa além de uma foda esporádica.
Sakura entrou no carro que havia alugado, atirando a bolsa no banco do carona. Soltou o ar antes de verificar os espelhos. Estava esgotada, e o que tinha feito aquela noite não ajudava.
Porém, da mesma forma que não poderia cobrar nada de Sasuke, ele também não poderia esperar qualquer coisa dela.
Ainda sim se sentia culpada.
Antes de partir, precisando de alguma energia para encarar a rotina estafante, a cantora organizou o pó branco que aprendeu a apreciar com o Uchiha. Sobre a capa dura de uma agenda, aspirou tão rápido quanto poderia, coçando o nariz em seguida.
- Que se foda! –Concluiu em pensamentos, já dando partida no carro. Não saberia dizer como aconteceu, mas também não poderia negar... Foder com o novo guitarrista acabou sendo uma experiência verdadeiramente deliciosa.

(...)

Com o carregamento já despachado, Naruto podia finalmente tomar água e relaxar por alguns minutos, até outro caminhão aparecer exigindo mais de seus músculos cansados.
Sentado sobre um caixote de madeira, o Uzumaki pegou o celular que vibrava enlouquecido. Não deveria estar com o celular no bolso em horário de serviço, mas quem se importa?
Discretamente, caminhou até um local sem movimento, atendendo a ligação.
- Eu tô trabalhando, Jiraiya. –Soltou logo de cara, o homem do outro lado riu.
- Tudo bem, proletário. Serei rápido. –Brincou o padrinho rico. – Já me instalei no novo apartamento, amanhã chegam minhas coisas. Gostaria que você viesse visitar. Vou mandar o endereço.
- Você podia ter avisado isso tudo por mensagem. –Ralhou Naruto, mas desistiu ao fim. – Tudo bem, mas pode ser no fim de semana?
- Claro, quando quiser. Sem pressão.
Após desligar, Naruto riu. Aquele era um homem sem noção, com toda certeza.
Aproveitando o momento, resolveu dar uma olhada nos resultados de sua nova empreitada. Não que esperasse algo estrondoso, mas era o que estava mantendo sua mente ocupada no momento.
Alguns milhares de views a mais no último vídeo, um crescimento considerável. Era um cover de Holy Wars... The Punishment Due do Megadeth, que ele tirou em um único take.
- Oh Naruto, preciso da conferência! –A voz firme de Anko, sua supervisora, o tirou de seus pensamentos. Rapidamente a entregou o papel que estava dobrado em seu bolso, recebendo outro em troca. – Tem outro carregamento chegando, melhor ir lá pra frente. Vou deixar passar que estava no celular em horário de serviço.
Apesar do tom firme, Anko não era uma pessoa ruim. Havia algum nível de confiança entre os dois no espaço de trabalho.
- Valeu. Tô indo lá então. –Respondeu o loiro, e a mulher deu uma risadinha vendo-o se afastar.
De canto de olho, o Uzumaki percebeu o olhar da mulher sobre si. Respirou fundo, surpreso. Não estava com cabeça para isso agora, embora não pudesse negar a beleza de Anko por trás do uniforme verde horroroso da empresa. A mulher, mais velha que ele pelo menos uma década, se estivesse interessada em si escolheu o pior momento possível para isso.
- O velho ficaria puto se me visse dispensar uma oportunidade dessas... –Pensou imaginando a face espantada e desapontada de Jiraiya. Mas nesse momento Naruto só conseguia pensar naquilo que perdeu, e nunca fora o tipo que acreditava em curar um amor com casos e transas sem sentido. Felizmente, por trás do sorriso largo e da agitação costumeira, havia uma mente bastante madura.

(...)

A lanchonete estava lotada, e de cara Shino percebeu que não havia sido uma boa ideia marcar o almoço ali. Puxou o capuz um pouco constrangido, vendo tantos jovens passarem em grupo com aquelas camisetas. Logos, trechos de música, até mesmo os rotos daquelas figuras que agora geravam apenas uma profunda ojeriza. Era como estar no show de uma banda grande, mas era apenas a lanchonete de frente a um café onde, descobriu apenas agora, a Dark Passion apresentaria o novo guitarrista ao fã clube.
- Como cacete já arranjaram tantos fãs alucinados? –Perguntou Kiba, se atirando na cadeira de frente ao amigo.
- Orochimaru... Não sei como ele consegue essas coisas. –Respondeu o Aburame antes de se virar vendo que Hinata acabara de entrar no estabelecimento.
- Então Kiba, quem é a azarada da vez? –Foram as primeiras palavras da Hyuuga, que já se sentava com os amigos. O Inuzuka riu sem graça.
- É uma companheira de trabalho, se chama Ino. Mas não é nada sério.
- Pra você, mas já avisou pra ela? –Atravessou Shino, lembrando-se de todas as vezes em que o baterista agiu feito um cafajeste.
- Não precisou, ela avisou antes e depois da transa. Quis deixar muito claro inclusive, o que partiu meu coração. –Brincou, rindo sozinho. – Poxa gente, é sério, ela disse que não quer relacionamento nem nada. A gente só bebeu e rolou, relaxem.
Hinata soltou o ar, vencida. Depois de Naruto não poderia cobrar nada do amigo canalha.
- Bom, vamos ao que interessa. –Voltou a falar o Inuzuka. Shino assentiu, e Hinata pediu três lanches simples a uma garçonete. – A verdade é que sair com a Ino acabou sendo bem útil pra gente.
Kiba sem qualquer explicação passou um pedaço de papel para o companheiro guitarrista, que o pegou sem entender. Havia ali um número de telefone e um nome anotados.
- E isso seria...? –Perguntou confuso.
- Uma empresária. –Revelou Kiba, o que espantou os demais. – Pra ser mais específico, Ino a definiu como uma profissional da música.
- Mas ai pode ser qualquer coisa, Kiba. –Retrucou Hinata, mas Kiba parecia seguro.
- Eu pesquisei o nome, ela trabalha como produtora e gerencia bandas. Não tem muito tempo que começou a carreira, mas já tem alguns trabalhos.
- Bom, não é como se pudéssemos escolher demais... –Ponderou Shino, discando o número. A lanchonete nesse momento começa a esvaziar, parecia que o café do outro lado da rua já liberava o acesso.
- Olá, falo com... É... Kurenai Yuhi? –Começou Shino assim que alguém atendeu. – Oh, é a assistente dela. Sim, somos uma banda interessada, o nome é Syncretism... S-Y-N-C-R-E-T-I-S-M. –O Aburame soletrou antes de retirar uma caneta do bolso da camisa com pressa, anotando algo no verso do pedaço de papel. – Ok, estaremos lá.
Hinata olhava para o amigo com expectativa no olhar. – E então? –Perguntou apressada.
- Ela estava em estúdio, mas a assistente dela perguntou se estávamos disponíveis para encontrá-la nesse local às 19h. –Respondeu, apontado a anotação que havia feito.
- Eu não vou poder, pessoal. Tenho que ir pra clínica da minha família, vocês sabem. –Justificou Kiba. – Mas podem ir, eu confio na decisão de vocês.
Hinata sorriu terna ao amigo, tinha certeza de que ele adoraria participar disso, mas o que fez pela banda já valia cada ausência involuntária.
- Então acho melhor você ir lá pra casa depois do trabalho, Hinata. –Disse Shino, e a mulher assentiu. – Vamos discutir muito bem isso, tem que ser vantajoso pra todos.

(...)

No café, muitos jovens se reuniam de frente a uma grande mesa onde vários pôsteres estavam dispostos, todos assinados. Kabuto organizava a entrada com cara de poucos amigos, verificando rosto e foto em cada carteirinha de filiação do fã-clube oficial.
Não demorou muito, a banda começou a entrar, um após o outro. Os gritos que isso gerou incomodaram os ouvidos de Sasuke, mas ele nada expressou, mantendo a postura.
Orochimaru, em pé ao lado da mesa, esperou até que pudesse ser ouvido.
- Faremos assim, primeiro a parte gravada da apresentação do novo guitarrista. Depois, sem câmeras, uma sessão exclusiva de perguntas e respostas. E ao fim, os pôsteres assinados serão distribuídos. Peço a colaboração de todos.
O sorriso no rosto do homem fez algumas jovens se arrepiarem, o empresário da Dark Passion era realmente sinistro.
Com as câmeras ligadas, Sasori finalmente entrou no espaço, sentando ao lado esquerdo de Sasuke no centro da mesa, com Sakura do seu outro lado. A mulher sorriu de canto, tentando afastar algumas lembranças, o que não passou despercebido a olhares mais atentos.
Sasori, apesar de ser o mais velho da banda por muito, tinha aquela aparência juvenil que aliada ao charme da maturidade conquistou muitos corações de fãs naquele grande salão. Sua recepção não poderia ser melhor, ainda que os fãs que acompanharam a Dark Passion desde o underground sentissem falta de Naruto.
Ao fim, as câmeras foram desligadas. A sessão seria gravada apenas em áudio para que tivessem material para algum lançamento futuro.
As perguntas eram feitas de forma aleatória. Muitas fãs gaguejavam, principalmente ao questionarem Sasuke. Perguntas banais, alguns se arriscavam sobre temas de letras, o clima começava a ficar mais natural aos poucos, a banda como um todo era receptiva, gerando segurança nos jovens presentes.
Foi quando alguém resolveu tocar feridas.
- Olá, me chamo Kyoko, tenho 17 anos. –Apresentou-se uma garota de cabelos verdes e expressão segura. - Acompanho a banda desde quando tocavam na Black Room, e não poderia vir aqui e não perguntar sobre a saída do Naruto. Poderiam nos explicar melhor? -Pediu, sentando-se em seguida. Os membros da banda se entreolharam, Sasuke já parecendo incomodado.
- Sendo prima do Naruto, acho que cabe a mim explicar. –Tomou a frente Karin, temendo uma resposta atravessada do Uchiha. – Naruto é um estupendo guitarrista, ninguém nega isso. Sempre contribuiu muito, mas em algum momento isso aqui deixou de fazer sentido pra ele.
A autora da pergunta assentia em sinal de entendimento. Karin então continuou.
- Ele teve alguns problemas pessoais que acabaram resvalando na banda. Ao mesmo tempo em que ele parecia querer fazer outro tipo de música... Enfim, não havia mais encaixe. Por isso, pelo bem de todos, o melhor foi que ele saísse mesmo. E agora temos um novo guitarrista, tão bom quanto.
A resposta de Karin fora suficiente para os fãs presentes, porém uma dúvida pairava no ar. Outra jovem logo ergueu o braço, iniciando sua pergunta.
- Me chamo Kimiko, tenho 16 anos. E quero saber se vocês estão acompanhando um clima de rivalidade que vem surgindo entre nós e os fãs da banda Syncretism nas redes sociais. E se sim, o que pensam sobre isso.
A pergunta pegou a todos de surpresa. Sasuke logo tomou a frente.
- Já mostramos o quão melhores somos chegando a um patamar acima deles tão rápido. Não temos qualquer relação ou interesse neles, então não estávamos sabendo sobre isso. Mas se vocês querem rivalizar, espero que façam como nós e os esmaguem com nossos resultados. –Respondeu de uma vez.
Era uma resposta explosiva, que se caísse nas mãos da imprensa com toda certeza renderia grandes chamadas.
Apesar da sinceridade, muitos dos presentes estranharam por um momento. Mesmo em um ambiente controlado, não era comum artistas alimentarem esse tipo de rivalidade, mesmo quando envolvia questões pessoais complexas e delicadas.
- Acho que nem o Dave Mustaine falaria algo assim pros fãs sobre o Metallica... –Sussurrou a autora da pergunta para uma amiga, que concordou.
Ali ficou claro que havia algo muito maior na relação entre as bandas, e muitos desses jovens terminaram a sessão com um forte sentimento de superioridade. A rivalidade, antes algo natural, agora se tornava uma combustível que colocaria fogo nas redes sociais.

(...)

De banho tomado, Naruto se atirou na cama vestindo apenas a cueca box preta. Estava completamente destruído, seus ombros latejavam de dor pelo dia de trabalho mais cansativo que o habitual.
- Ela arrancou meu couro. –Resmungou em pensamentos, imaginando o que motivou Anko a pegar tão pesado com ele durante toda a tarde. Rapidamente concluiu o óbvio, era uma retaliação por ter ignorado os olhares lascivos da mulher. – Aquela maluca, eu devia era meter um processo!
Respirando fundo, o loiro se levantou, vestindo uma regata branca que estava jogada no encosto de uma cadeira. – Acho que vou pedir uma pizza... –Pensou encarando a geladeira que provavelmente estaria vazia. – Mas antes, música!
Naruto tentava manter a mente sã. Rapidamente escolheu um CD e colocou no aparelho de som, porém antes que a música iniciasse, viu de relance uma camiseta no topo do cesto de roupas limpas.
Não pôde evitar a lembrança, Hinata o olhando por cima do ombro com um sorrisinho lindo no rosto, vestindo apenas aquela camiseta do Megadeth. As pernas nuas, a expressão, o brilho nos olhos, uma visão sexy e ao mesmo tempo feliz de uma manhã mágica. Como se por destino, o CD colocado por Naruto era o Holy Land, do Angra, o exato CD que ela segurava naquele momento.
O loiro respirou fundo, engolindo o nó que já se formava na garganta. Foi quando ouviu o celular tocar, a notificação de uma mensagem, mas não em um aplicativo de conversa.
No Facebook, a mensagem direta logo o surpreendeu. Era uma multi-instrumentista que assim como ele fazia covers no Youtube, porém seu canal tinha uma quantidade exorbitante de seguidores.
Naruto passou a ler com atenção.
(...) e gostaria de saber se tem interesse em fazer uma colab. Vi shows da Dark Passion quando ainda estava lá, tô acompanhando seu canal agora, acho que seria interessante pra nós dois.” Era o final da mensagem, e o Uzumaki sorriu. Isso o ajudaria bastante. Logo respondeu positivamente, aguardando informações sobre como aconteceria.
Motivado pela inesperada oportunidade, Naruto desligou o som, puxou a guitarra e posicionou a câmera, daria tempo de tentar gravar algo enquanto esperava a pizza.
Já pronto para começar, uma ideia estranha lhe passou pela mente. Seria estranho, talvez, mas quem o impediria?
- Que se foda! –Concluiu iniciando o riff que agora já sabia de cor.

(...)

O local indicado pela assistente de Kurenai era uma loja de discos, a única que se mantinha ativa em toda a cidade.
Os discos e CDs dispostos em cada canto daquele ambiente mal permitiam aos visitantes perceberem nos fundos uma porta de vidro que levava a um pequeno barzinho temático. Shino e Hinata logo entraram no local, estavam cansados, mas motivados.
Não demoraram a encontrar a mulher, sentada a uma mesa nos fundos, de frente a enorme janela que dava para a rua. Hinata se impressionou, ela era mais bonita pessoalmente. A mulher vestia um short de couro e uma blusinha regata preta. Os cabelos negros armados como se fizesse parte de alguma banda de Hard Rock dos anos oitenta. As pernas estavam cobertas por uma meia arrastão, e o par de coturnos completavam o visual.
- Olá, então vocês são a banda... –Kurenai se levantou, cumprimentando Shino e Hinata com apertos de mão.
- Na verdade falta um integrante, somos em três. –Respondeu o Aburame, e a mulher assentiu.
- Sim, eu sei. –A Yuhi chamou o garçom, um rapaz com camiseta do Iron Maiden e cabelos longos amarrados em um coque. Todo aquele ambiente tinha o tema certo para uma reunião entre banda de metal e jovem produtora igualmente headbanger. – Três cervejas e uma porção grande de batata frita. –Pediu, sem permitir objeções. Shino logo concluiu que teria que pedir para Kankuro buscá-lo, não poderia dirigir afinal.
- Acho muito legal o som de vocês. É complexo, mas é agradável. Valorizo isso. –Prosseguiu Kurenai. – Syncretism... É a banda que foi massacrada pela imprensa há algum tempo, não é?
A pergunta pegou a dupla de surpresa.
- Sim, somos nós. –Respondeu Hinata. – Aquilo foi...
- É eu imagino. –Atravessou a produtora. – Mas pra sorte de vocês eu estava naquele festival. –Revelou, e a dupla mais uma vez foi pega de surpresa.
- E então? –Shino sentiu que aquilo não era tudo. Kurenai sorriu.
- Estava atrás de alguma banda promissora pra gerenciar, e sai daquele festival com a certeza de que seriam vocês. –Soltou, os encarando com olhar firme e sorriso seguro. – Mas logo soube por várias fontes o que fariam com vocês, então decidi esperar.
- Quem assumiria o trabalho de reerguer uma banda no meio da implosão... –Contrapôs Shino enquanto recebia as cervejas.
- A questão não é essa. –Kurenai começou seu argumento, pausando para bebericar um pouco da cerveja e morder algumas batatas. – Isso que aconteceu com vocês é bem comum no meio musical, e quase sempre resulta em desistência. O que eu esperei foi a certeza de que vocês não desistiriam. –Mais uma resposta surpreendente. Hinata sorriu com isso, se tinha algo que compunha a Syncretism era fibra, jamais desistiriam.
- Mas é claro que jamais esperaria que vocês viriam atrás de mim. Por isso minha assistente quis marcar esse encontro o quanto antes, vocês já eram meu alvo desde o início!


Notas Finais


Músicas do capítulo:

Título
Fuel - Metallica
https://www.youtube.com/watch?v=G1cjHbXdU0s

Holy Wars...The Punishment Due - Megadeth
https://www.youtube.com/watch?v=9d4ui9q7eDM


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