História Dark Werewolf - Capítulo 14


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Categorias Fairy Tail
Personagens Grandeeney, Gray Fullbuster, Igneel, Jude Heartfilia, Lucy Heartfilia, Mavis Vermilion, Natsu Dragneel, Wendy Marvell, Zeref
Tags Drama, Novela, Romance, Romantico, Zerlu
Visualizações 55
Palavras 3.738
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Depois de cinquenta vidas, ela volta: Barthoviche, a demorada!

Leiam e se angustiem comigo, porque prometo recompesar!

Boa semana!

Capítulo 14 - Encantadora!


Fanfic / Fanfiction Dark Werewolf - Capítulo 14 - Encantadora!

[Mansão de Primavera dos Dragneel]

[Inicio do Ano 3410]

 

 

 

Quando acordou, Lord Dragneel notou que a esposa já estava acordada a muito tempo, já vestida e lavada – o aroma de lavanda no ar mostrava que havia se perfumado também. Depois de pedir o sangue de alguns humanos para saciar a fome da esposa, Zeref viu-se praticamente obrigado a leva-la consigo para o interior do pais. Lucy implorou para que ele a levasse.

 

E, isso revelou-se uma das melhores decisões que tinha tomado na vida. Lucy, resguardada do sol abrasivo por um guarda-sol vermelho segurado por Levy, vinha anotando todos os problemas dos inquilinos e dos comerciantes a serviço da Família Dragneel.  Ela os ouvia a todos e estava sempre rodeada de gente alegre, todos os humanos desejosos de ficarem mais próximos dela.

 

Dragneel via-se fascinado ao observá-la rodeada de aldeãs. Lucy sugeria receitas para melhor aproveitar os nabos colhidos e surpreendeu a todos ao ir para a cozinha de um dos arrendatários para fazer pães.

 

Era doce, espontânea e ao mesmo tempo graciosa. Todos estavam encantados. Foi difícil cumprir o que haviam planejado para aquele dia, pois todos desejavam passar mais tempo com a Princesa Drácula - mesmo que ela tivesse de negar os legumes de vez enquanto. Teriam que dividir as visitas em quatro dias, para dar conta de atender as centenas de inquilinos que habitavam a grande extensão de terra.

 

Já era tarde quando chegaram a mansão, vazia apenas porque a família doou-a para a Lua de mel. Apesar de não a ouvir queixar-se, Zeref podia ver o cansaço no rosto da esposa. Uma nova dose de sangue a revigoraria: a loira não gostava de beber o líquido rubro que saiu de um corpo cheio de vida, mas era lhe essencial para se manter de pé.

 

— Sra. Obaba, prepare um banho para lady Dragneel e peça que lhe sirvam o jantar em seus aposentos.

 

— Milord, está muito tarde para lady Dragneel se banhar.

 

Lucy revirou os olhos, sem forças para contestar. Na verdade, queria chutar a maldita velha para longe de si: a própria desgraça do momento que passava com Zeref. Queria saber como Zeref tivera a coragem de contratar alguém tão incapaz.

 

— Então peça a Levy que prepare um banho para mim e para lady Dragneel. Tenho certeza de que não irá se opor se eu resolver tomar banho com minha esposa.

 

Lucy deu um sorriso contido. Zeref a defendeu.

 

— Mas, lorde Drag... — a camareira tentou retrucar.

 

— Peça jantar para dois. Está dispensada por hoje. — De longe Zeref avistou a sua prima e camareira de Lucy, a maldita odalisca anã — Ah! Levy, prepare um banho para mim e para lady Dragneel, vamos jantar no quarto.

 

— Por favor, Levy... — pediu Lucy docemente. — Uma garrafa de brandy e dois cálices.

 

— Com prazer, minha senhora.

 

Levy piscou cúmplice e Lucy deixou a sala com um sorriso bobo nos lábios. Zeref a defendera da bruxa megera e ainda passaria mais tempo com ela. Ao longo do dia, havia percebido os olhares de admiração do marido. Não era tão invisível a ele quanto achava.

 

Dois dias de casados, tinham feito amor três vezes.

 

Será que teria uma quarta naquela noite?

 

Queria sentir o corpo de Zeref sobre o seu, deliciar-se com as mãos dele sobre seu corpo e, mesmo que ele terminasse o ato conjugal antes dela, como ocorrera duas vezes, não importava, só queria tê-lo. As mãos enormes e quentes que aqueciam a sua pele – nos últimos tempos mais fria do que o normal – e aquele corpo firme que a suportava. O cabelo do lobisomem ficara mais espesso e o seu cheiro mais marcante, deixando-a entorpecida durante a viagem na larga, mas insuficiente, carruagem.

 

Ao chegar ao quarto, tentou desvencilhar-se das roupas. Esqueceu-se de que a bruxa Obaba, quase cega, amarrou os cordões do vestido a torto e a direito. Se ao menos tivesse uma criada decente.

 

— Espere, vou ajudá-la. — Lucy não tinha percebido que Zeref havia entrado no quarto. Logo ele estava às suas costas, desfazendo os laços do espartilho habilidosamente. — Todos ficaram encantados com a Princesa Drácula Que Não Se Queima De Dia.

 

Ela se virou, teve vontade de dizer que o único encantamento que ansiava era o dele. Pôde perceber em seus olhos a mesma admiração que presenciara mais cedo, o rosto de Zeref estava mais sereno, livre dos vincos de preocupação costumeiros e, longe dos cuidadores, ate tinha uma aura mais leve.

 

— Devo confessar que o casamento é bem mais agradável do que supus. — Ele pegou sua mão e a levou aos lábios, omitindo o fato de pensar que ela seria mimada e infantil, como a viu crescer — De alguma forma, Lucy, consegues deixar as coisas mais leves. Foi uma tarde adorável.

 

Ela enrubesceu envergonhada. Diante de tamanho carinho, sentiu as bochechas arderem e, fitando o chão, tentou buscar o controle que lhe escapava a cada palavra doce.

 

“Dráculas não coram.”

 

— Gosto de quando está assim. — Acariciou-lhe a face com as costas dos dedos, ergueu o queixo da esposa e a beijou suavemente.

 

Com um sorriso galanteador, deixou-a para se despir no próprio quarto. Na lua de mel e com quartos separados! Zeref deixava claro que não era um marido convencional. O moreno queria manter uma distância quase enlouquecedora dela, separando quartos (por uma porta basculante de madeira) e camas.

 

Lucy terminou de se despir e, quando Zeref a chamou, seguiu para o quarto dele para se banhar. Juntos entraram na banheira. Trocando carícias, ele a ajudou a se lavar. Naqueles momentos não pareciam um homem cheio de luxuria, era apenas um curioso nas varias curvas sensuais da sua esposa. Mexer no longo cabelo loiro da Heartfilia era deveras uma experiência suave e rica. Ao contrário de Mavis, Lucy tinha sempre o cabelo preso e, por isso, ver aqueles fios de ouro escorrendo pelas costas desnudas era exasperante e excitante ao mesmo tempo.

 

— O Hibiki da Pegasus Hausen, famoso engenheiro, parece ter desenvolvido algumas engenhocas para ajudar no plantio. — Lucy contou enquanto lavava os cabelos do marido, fios finos como os de um bebê — Pelo que vi em seus livros contábeis, o aumento da produção foi de quase 40%.

 

— Lates? Hibiki Lates? — Zeref perguntou incrédulo.

 

Se Lucy conheceu Hibiki e depois o elogiou, então deveria assumir que ele não conseguiu entrar nas saias dela. Porque todas as relações passadas do ruivo só sabiam rebaixa-lo: era apenas um conquistador barato, um Casa Nova.

 

— Sim, Papa me contou que vários arrendatários querem aderir ao maquinário, mas lhe faltam recursos. Talvez, se o trouxéssemos para Springham, ele poderia visitar algumas fábricas e aprimorar seus projetos. Acredito que, se investirmos dois mil jewels, em menos de um ano teremos um retorno considerável.

 

— Isso parece promissor. — Zeref se levantou e estendeu a mão para ajudá-la. Eram essas conversas que a faziam ser tão cobiçada — O que me preocupa é o cultivo excessivo de nabos. Tenho o esboço de um projeto e, com a drenagem adequada, podemos diversificar a produção. — ele a envolveu no roupão, escondendo o corpo curvilíneo dos seus olhos — O problema é: como faremos isso sem que o marquês Dragneel saiba? Temo que, com mais um ano nessas condições, essas terras logo estarão improdutivas.

 

— Talvez seu avô possa intervir. Quem sabe, se ele falar com seu pai...

 

— Achei que soubesse que os dois não mantêm um relacionamento cortês. Natsu e eu somos os únicos que temos a atenção de lorde Dreyar.

 

— Lorde Dreyar... — sentou-se na cama do marido. — Ele não parece se importar com ninguém.

 

E falava por experiência própria. Makarov nunca se interessou por ela ou por Sting, os mais próximos de se tratar por netos. Que tipo de avô era aquele?

 

— Isso não é verdade. — Zeref se sentou ao lado de Lucy, defendendo o ancião.

 

— Ah! Claro que não, ele se importa muito com você. — Balançou a mão no ar em descaso, impaciente apenas por falar sobre o velho — Sobre o projeto, talvez Lates e o seu professor, Ichiya Wanderley possa tomar a frente. Nós o ajudamos com recursos e instruções, ele fica responsável pelo processo; assim seu pai não desconfiaria e ficaria feliz com o aumento da produção.

 

Zeref coçou o queixo ponderando sobre a sugestão de Lucy.

 

— Tenho uma modesta faixa de terra vizinha a Crocus, uma ruína que ganhamos do meu avô, de presente de casamento.

 

— Lorde Dreyar é muito generoso com o senhor. — não conseguiu esconder o ressentimento na voz. Nunca se importou com ela, e não seria depois do casamento com o seu neto favorito que isso ia mudar… ela faria questão.

 

— Lucy, não faça julgamentos precipitados, Makarov é um bom homem e muito generoso. — tocou-lhe a mão com carinho, desejando acordar a parte doce de Lucy Heartfilia que ele via. Ela podia ser uma tigresa nos negócios, mas ainda assim era uma mulher com sentimentos — Ele investiu parte da fortuna emprestando dinheiro para nobres falidos, tem cobrado as dívidas e adquirido muitas propriedades. Oferecia recursos próprios quando o Conselho do banco recusava os créditos. — acariciou-lhe a mão com o polegar, sorrindo quando ela corou com isso — É um grande aliado e reivindicou essa propriedade para que possamos fazer algo pelo marquesado. Terras as quais meu pai insiste em negligenciar.

 

— Quanta generosidade... — ela se deteve para não rodar os olhos.

 

— Entendo suas reservas, querida. Mas ele a quer bem. Pensei que talvez pudéssemos construir um galpão e fabricar o maquinário lá. Poderíamos alugar aos arrendatários, assim não precisariam investir e não perderíamos dinheiro.

 

— O retorno será lento... — ponderou, não querendo voltar ao assunto de Makarov.

 

— Mas garantido, podemos fornecer a maquinaria agrícola para toda a região. Tenho certeza de que vários senhores irão se interessar em adquirir os equipamentos. — agora tentava melhorar o humor da esposa, que despencou mais rápido que uma bigorna.

 

— Assim, entre vendas e locações, teremos retorno do dinheiro antes mesmo de você herdar as terras de seu pai. — Ela sorriu.

 

— Exatamente. Quem sabe podemos fornecer para todo o Reino?

 

A felicidade invadiu o coração de Lucy, ele fazia planos e a incluía. Uma pequena lágrima escapou de seus olhos e ela passou a mão no rosto para esconder. Isso significa que ele faria questão de continuar casado com ela, que queria que ela continuasse ao lado dele e que ele a considerava mais do que a simples “princesinha do Rei Jude”.

 

— Parece cansada. Venha, vamos jantar. — Levantou-se e estendeu a mão para Lucy.

 

— Zeref Dragneel... posso lhe fazer um pedido?

 

— A senhora tem muitos créditos, lady Dragneel.

 

— Deixe-me dormir consigo outra vez? Pelo menos enquanto estivermos em lua de mel.

 

Zeref paralisou por alguns instantes e ponderou; estar ao lado dela dava-lhe uma sensação plena, reconfortante. Ela lhe fazia tão bem que era um sacrilégio negar-lhe qualquer coisa; alem disso, eram marido e mulher numa lua de mel… talvez devesse começar bem essa etapa da vida com ela.

 

— Claro, querida. Enquanto estivermos aqui, dormiremos juntos.

 

 

 

 

 

[Semanas depois…]

 

 

A caminho de Fiore, Lucy refletia sobre sua lua de mel. Tinha vivido um sonho ao lado de Zeref. Ele fora carinhoso, atencioso e juntos desfrutaram momentos de pura luxúria. Passaram grande parte do tempo dedicados aos projetos de planejamento agrícola, assim como nos planos da fábrica de maquinários. Hibiki Lates aceitara a sociedade satisfeito e apresentara novos projetos, que revolucionariam a agricultura de Fiore.

 

Em perfeita harmonia, Zeref e Lucy passaram uma semana surpreendente, nem mesmo em seus sonhos poderia imaginar que estar casada fosse tão perfeito. Seu marido resolvera viajar durante a madrugada queria que chegassem a casa a tempo para o café da manhã. Lucy estava ansiosa para conhecer o novo lar – que, a mando do Rei, haveria de ser longe da Casa dos Dragneel.

 

Zeref estava adormecido com os projetos de Hibiki no colo. Ela os recolheu com cuidado e apagou lamparina da carruagem – usava uma fada de luz como alimentação – quando os primeiros raios da manhã entraram pela janela.

 

— Acorde, querido, estamos chegando.

 

Os odores de Fiore invadiram o ambiente e, à medida que a diligência avançava pelas ruas, a ansiedade de Lucy aumentava; estava prestes a iniciar uma nova vida. Ao abrir os olhos, Zeref bocejou, vendo que ela refazia o nó de sua gravata com os olhos postos no horizonte. Ainda havia uma leve neblina no ar, cortando parte da vista colorida do outro lado do parque. A lady franziu o cenho ao perceber que a carruagem não parou em OrcTown e que, em vez disso, seguia direto, afastando-se do Parque Sakura.

 

— Não aluguei uma casa em OrcTown. — Tocou a mão da esposa. — Pensei que, quando me tornasse Duque, tu, assim como eu, não gostarias de viver em Dragneel House. Espero que não se incomode de não ter a vista do Parque Sakura, pois terá seu próprio jardim.

 

Apesar do alívio, Lucy ainda estava confusa. Zeref continuava a acariciar seus dedos com um sorriso travesso. Nunca o vira daquela maneira. Parecia preste a pregar uma partida, mas que a deixaria bem feliz.

 

Recostou-se no ombro dele enquanto observava as ruas de OrcTown – zona no bairro VIP de Fiore – coberta pela neblina. Logo que a carruagem entrou pelos portões que davam acesso a um enorme jardim, ele bateu no teto da carruagem. Ajudou Lucy a descer e jogou o xale em seus ombros. Era primavera e, apesar do frio, as cores coloriam toda a paisagem. De onde estavam era possível avistar uma imponente construção ao fundo, mas os arcos de folhas e flores impediam a visão da casa.

 

— Espero que não se incomode de caminhar um pouco, lady Dragneel. — Tomou-lhe a mão com carinho. — Quero lhe apresentar seu novo lar.

 

— Zeref, isso é incrível. — Sentiu-se tomada por uma emoção esmagadora.

 

Os pássaros pareciam saudar os novos moradores e o aromas das flores lembravam os jardins de Palácio do Rei.

 

— Temos um lago que congela no inverno, podemos patinar. — Ele a abraçou enquanto caminhavam. — Este é o presente de casamento de lorde Dreyar.

 

— Ele realmente tem muito apreço pelo senhor.

 

— Não, querida. Este é o presente dele para si. — Abraçou-a. — Ele sabia que não seríamos felizes em Dragneel House e nos presenteou com uma casa onde podemos construir nossa própria história. Bem-vinda a Fairy Tail.

 

Omitiu o pedido do rei, ou Lucy ficaria aborrecida.

 

— Seremos muito felizes aqui, meu amor. Tenho certeza de que será capaz de me amar e corresponder aos meus sentimentos. Nossa lua de mel...

 

Zeref se afastou e Lucy pôde perceber seus ombros tensos.

 

— Não sou dado a sentimentos, lady Dragneel. Mas acredito que passaremos momentos agradáveis aqui.

 

Lucy se arrependeu do comentário que fizera. Seu marido se transformara novamente, perdera toda leveza que desfrutaram após o casamento. Ele estendeu o braço para que ela segurasse, mas não a encarou. Apesar do olhar contemplativo, admirava a paisagem sem dizer nenhuma palavra.

 

Talvez não devesse tê-lo pressionado daquela maneira. Zeref parecia mais receptivo quando não se apercebia das carícias e confidências que trocavam, refletiu ela. Ele parecia aceitar tudo, desde que ela não lhe lembrasse de estar à espera de uma retribuição de sentimentos.

 

As noites de ‘amor’ foram apenas puro gozo?

 

Quando Lucy pôde ver a casa, parou para contemplá-la. Zeref não a esperou, continuou caminhando distraído, mergulhado em um mundo ao qual ela não pertencia. Na grande varanda que contornava o andar inferior, os criados estavam posicionados para receber lorde e lady Dragneel. Ainda distante, observou que ele passou por eles cumprimentando brevemente.

 

— Lady Dragneel. — Lucy foi atraída por uma voz familiar.

 

— Sra. Spetto. — Não conseguiu conter a felicidade ao vê-la. A sua amiga e professora de tudo o que envolvia culinária e bordados, alem de como encontrar alguns livros ‘proibidos’ pela coroa.

 

— Bem-vinda a Fairy Tail, lady Dragneel. — Com um sorriso nos lábios, Spetto lhe apresentou todos os criados.

 

Ela tinha ouvido falar da pequena e rica vila que Makarov desenvolveu e desenhou ao longo dos anos. Nunca pensou que o ancião fosse capaz de lhe doar o seu bem mais precioso. Lucy apenas ouvira sobre o lugar, não haviam livros e nem mapas – nem como o seu poder de Princesa do Reino conseguira alguma coisa.

 

Se isso fosse um suborno para aceita-lo, ela não estava a venda!

 

Uma farta mesa de café da manhã a aguardava, mas Zeref não estava lá. Tomou a refeição sozinha e logo em seguida Spetto lhe mostrou a mansão. Em seguida, foi para o quarto descansar e, quando acordou, o sol já se punha.

 

Procurou Zeref por toda a casa e não o encontrou. Michelle, filha da Spetto, lhe informou que lorde Dragneel havia saído ainda de manhã e não retornara. Ela resolveu jantar no quarto. Deixou a porta de ligação entre os quartos aberta para que pudesse vê-lo quando ele chegasse. Tentou conter o sono o máximo possível, mas, por fim, rendeu-se a um sonho perturbador.

 

 

 

 

Zeref se sentia exausto e inquieto, passara a noite na casa de hóspedes, evadindo. Não sabia ao certo do que fugia, a única certeza que tinha era de que os sentimentos que experimentara na lua de mel não podiam permanecer. Estava a um pequeno passo de perder a razão, de ceder a sentimentos egoístas e traiçoeiros.

 

Tinha consciência das armadilhas do amor; embevecia-o com uma euforia hipnotizante para logo passar-lhe a rasteira e devastar-lhe a vida. Sentimentos eram como uma epidemia; uma vez que se permitisse, tomariam conta e o arrastariam para o abismo. Pior ainda se fossem sentimentos por Lucy Heartfilia, a pequena e inteligente vampirina de Jude.

 

Seria fácil envolver-se e viciar-se nos carinhos e cuidados da esposa, seus beijos doces, o toque ousado porém inocente. O corpo corando sob o dele, a inteligência e a sensatez de Lucy, enquanto discutiam negócios, eram escandalosamente excitantes. Tudo nela lhe despertava desejo.

 

Era necessário afastar-se para que pudesse recobrar o juízo. Talvez tivesse lhe dado atenção demais, estava certo de que esse era seu erro.

 

Viu a carruagem de Lucy passar pelos portões e respirou aliviado.

 

Poderia voltar para a casa sem se encontrar com a esposa.

 

— Que o Grande Lobo me acuda!

 

 

 

 

 

 

Por pior que tivesse se sentindo, ela não ficaria em casa esperando por Zeref e vendo o olhar de compaixão dos criados. Já estava acostumada a ser ignorada pelo marido, mas, depois da semana que passaram em Fiore, imaginara que tudo podia ser diferente. Entretanto não seria possível controlar a dor da solidão. Uma companheira antiga. O vazio que preenchia debruçando-se em estudos, o abandono que supria tentando se tornar a dama perfeita.

 

Preferia acreditar que a reação de Zeref era somente o reflexo de um mau momento e que, se contivesse as palavras, poderiam voltar a viver na mesma harmonia de antes.

 

Lucy passou quase todo o dia fora fazendo compras para a casa. Apesar do agradável tempo com Levy, ainda se sentia solitária. Jamais poderia compartilhar suas inseguranças e problemas conjugais com quem quer que fosse. Depois de muito ponderar, chegou à conclusão de que a única solução era continuar a ocupar o tempo para evitar pensar profundamente sobre seus sentimentos.

 

Havia muito trabalho a ser feito, e não só com os livros contábeis de Natsu; sua casa também precisava de atenção. Passara quase toda a vida se preparando para ser a esposa de Zeref e não poderia abandonar aquela responsabilidade por um reles capricho. Sim, aquela angústia e a melancolia que a acometiam deveriam ser tratadas como um capricho tolo.

 

Sentia-se culpada pelo afastamento do marido; coagira-o e, pelo que parecia, Zeref não era um homem que suportava pressões. Precisaria mudar a abordagem, mas, antes de pensar na melhor maneira de agir, tinha que preservar os próprios sentimentos; era isso ou enlouqueceria. Sim, sentia-se à beira de um ataque de histeria. O que mudara em tão pouco tempo?

 

Quando a carruagem parou na entrada de Fairy Tail, um lacaio a ajudou a descer e carregou seus embrulhos. Freed, o mordomo, aguardava sua senhora com um porte elegante, mas, apesar de estar bem-vestido, algo a incomodou. Na gola do paletó havia um discreto cerzido.

 

— Lady Dragneel. — Ele fez uma mesura polida.

 

— Boa noite, Freed. Por gentileza, poderia pedir à Sra. Spetto que me encontre no escritório?

 

— Certamente, senhora.

 

Lucy seguiu para o escritório de Zeref, que estava vazio. Colocou os livros de Natsu sobre uma pequena mesa redonda e caminhou pelo cômodo.

 

— Senhora — a governanta anunciou sua entrada.

 

— Spetto! — Lucy se sentou, avaliando a vestimenta da funcionária. — Quero que providencie tecidos de qualidade para confecionarmos uniformes para os criados. Quero o brasão dos Dragneel e dos Heartfilia em todos que trabalharão em Fairy Tail.

 

— Perfeitamente, senhora.

 

— Precisamos que tudo seja agilizado. Pretendo enviar os cartões na próxima semana informando o dia em que receberemos visitas.

 

— Mais alguma coisa, senhora?

 

— Quem é o novo cozinheiro?

 

— Estou treinando uma cozinheira do jeito que a senhora gosta — respondeu orgulhosa.

 

— Precisamos de um chefe francês. — Lucy coçou o queixo. — Alguém de temperamento moderado e que permita minhas intervenções na cozinha.

 

— Se me permite, acho que um francês com essas características será impossível de encontrar, minha senhora.

 

— Não me incomodo se for uma mulher. — Piscou sorrindo. — Na verdade, a ideia de termos uma cozinheira francesa me agrada.

 

— Isso será mais fácil de encontrar, milady, e, certamente, vantajoso.

 

Lucy se levantou e caminhou pelo cômodo.

 

— Em breve vou precisar de uma nova camareira, de preferência alguém que não se arraste pela casa, que não faça objeções a banhos noturnos e que consiga ouvir; ou que não se finja de surda.

 

Spetto fez uma reverência e se retirou. Lucy pensou em perguntar pelo marido, mas se conteve. Sentou junto à mesa de Zeref e verificou seus livros de contas. As anotações eram ainda mais desordenadas que as de Natsu. Surpreendeu-se ao constatar que a herança que lorde Makarov lhe antecipara o deixara satisfatoriamente rico e com muito potencial para investimentos. Perdeu a noção do tempo fazendo anotações e passando as contas a limpo.

 


Notas Finais


Proximo: aparição de Gray!


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