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História Darkcop, os guardiões do ExtraMundo. - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Em São Paulo, a agente Lynux e Renato investigam, tentando reconstituir todos os acontecimentos envolvendo o Dr. Garcez na cidade que nunca para. Um complexo e perigoso quebra cabeça vai sendo montado, na busca pela verdade. Mas em seu caminho está Creonte, que nesse momento, pressionado, inicia uma verdadeira caçada aos nossos heróis. Confira agora o décimo capítulo de Darkcop!

Capítulo 10 - Uma Rainha enterrada lá?


Fanfic / Fanfiction Darkcop, os guardiões do ExtraMundo. - Capítulo 10 - Uma Rainha enterrada lá?


Prelado Onida caminhava com passos firmes em direção à sala do Bispo Medina. Ele estava decidido a pôr um ponto final naquela situação. Certamente que o bom senso lhe dizia para não se precipitar, que seria melhor esperar pelo cardeal, mas seu coração não estava disposto a ouvir a razão. Ele jamais aceitaria novamente assistir aquele anjo ser submetido àquele abuso terrível, não mais!
Parado diante da sala fechada, ele respirou fundo, finalmente chegou a hora. Já não havia mais tempo para vacilar, não havia mais tempo para dúvidas, medos, incertezas. Não mais.
Enfim, entrou. Seja lá o que acontecesse dali em diante, somente Deus poderia dizer. Mas uma coisa era certa: o Bispo Medina tomaria conhecimento da gravidade da situação e certamente seria forçado a agir em favor da jovem, mesmo que isso lhe custasse ficar sem a sua tão querida santa durante um bom tempo, se fosse pelo gosto do jovem, esse tempo seria em definitivo.
-Bispo Medina, com sua licença, reverendíssimo, mas há assuntos urgentes os quais não posso tardar em tratar consigo.
Bispo Medina estava ajoelhado diante da cruz de cristo, e sem se virar para ele, disse:
-Veio juntar-se a mim, Prelado Onida, nesta prece?
-Na verdade, há questões que gostaria de tratar sem demora, se o senhor me permite.
-E que assuntos são esses assim tão urgentes que não podem esperar que eu termine as minhas orações? - Bispo Medina levantou-se visivelmente contrariado, indo direto à sua mesa.
-Trata-se de Bernadete... Digo, a SANTA, senhor. Acabei de vir com ela da clínica, onde ela fez seus exames.
-Espero que esteja tudo bem com nossa amada e veneranda santa.
-Infelizmente não sou portador de boas notícias quanto a isso, Vossa reverendíssima bem sabe, a santa há algum tempo não tem se sentido muito bem, conforme venho relatando à vossa reverendíssima, gostaria que lesse por obséquio os resultados dos exames médicos.
Ele estendeu o envelope ao bispo, que o pegou e leu atentamente. Enfim, ao final da leitura, cerrou o cenho, levanta-se preocupado, e pôs-se a andar pela sala bastante aflito:
-Alguém mais... Teve acesso a estes resultados?
-Não senhor.
-Menos mal! - Suspirou aliviado, para a surpresa do rapaz - Se algo assim chegar aos ouvidos da imprensa...
-Com todo respeito, creio que se trata de um caso cuja gravidade é imensurável. Trata-se da saúde de uma pessoa querida por todos nós que está em jogo aqui. Surpreende-me a reação de vossa reverendíssima.
-Por acaso o senhor está me censurando, Prelado Onida? Está insinuando que eu não estou preocupado com a saúde e o bem estar de nossa amada e venerada santa?
-Lamento, senhor, não tive essa intenção, mas peço que considere, não se trata somente da credibilidade da nossa igreja, trata-se da vida de um ser humano!
-Bernardete não é uma pessoa comum, Prelado Onida. Ela é uma santa, uma predestinada, ela foi enviada por Deus como um símbolo de nossa igreja, ela é o pilar máximo de tudo que foi construído aqui! Há muito mais em jogo do que somente sua saúde. Se a imprensa sensacionalista souber disso, vão acabar com a nossa reputação! Por todos estes anos, temos cercado Bernardete de toda segurança possível, justamente para evitar expor nossa santa! Ela é um patrimônio que precisamos proteger!
-Senhor, o senhor mesmo leu o diagnóstico! Se Bernardete não parar com as curas imediatamente, ela não vai aguentar, ela pode morrer!
-Já basta, Prelado Onida! - Cortou o bispo, colérico batendo na mesa com violência - Saiba que o senhor está cometendo o pecado da insubordinação! - Ele então, sentou-se mais calmo e passou a falar com um tom mais ameno, quase paternal - Claro que a vida de Bernadete é preciosa para nós, não pense que estou sendo insensível... Mas considere o fato de que precisamos proteger também nossa instituição! Embora o caso seja grave, devemos manter este assunto restrito ao nosso meio, concorda? Imagine uma exposição de algo assim, isso poderia complicar até mesmo a recuperação de nossa querida santa. Creio que o momento seja para resguardarmos a saúde e o bem estar de nossa amada protegida. 
-Não discordo do senhor, reverendíssima. Eu apenas me espantei com sua reação inicial. Só isso, eu peço perdão se pareci rude ou indelicado.
-Está perdoado, meu rapaz. - Ele levantou-se e colocou as mãos sobre os ombros do jovem, carinhosamente - Compreendo sua preocupação e sei que deseja o melhor para ela. Nós também desejamos o mesmo, não?
-É claro...
-Não se preocupe. Recomendarei você no próximo encontro da cúpula. 
-Então o senhor compreende que Bernardete precisa estar afastada das atividades de cura, não?
-Quem recomendou isto? - Disse o Bispo, tentando manter-se calmo.
-Por recomendações médicas visando o bem estar de nossa protegida, foi por meu intermédio solicitado à vossa reverendíssima o afastamento de Bernadete de suas funções como santa. Ela deve se retirar de qualquer atividade de cura durante o período de tratamento, devido à gravidade do estado de saúde dela. E além disso, a médica pediu que localizemos a família da moça, para a possibilidade de conseguirmos um doador compatível de medula óssea.
O bispo Medina engoliu em seco. Bernadete fora dos seus serviços de cura?
Sua expressão tornou-se mais séria, quase sinistra.
-A própria médica que acompanha o quadro clínico de Bernadete, e avaliou seu estado de saúde com base nos exames realizados.
-Isso é uma provação. - O bispo deixou-se cair na cadeira, por esta ele não esperava - Uma provação, sem dúvida. Bernadete afastada do seu trabalho divino de cura... Meu Deus, que coisa terrível!
-Podemos dizer as pessoas que Bernadete se encontra em retiro espiritual. Se  é para o seu próprio bem...
-Esse diagnóstico só pode estar errado! Não, não posso crer! 
-A médica já fez o encaminhamento a um oncologista, senhor. Ela iniciará o tratamento já essa semana.
-Não, não não não não... Ela se consultará com o NOSSO ESPECIALISTA! Pedirei a Cúpula que traga de São Paulo um especialista de confiança!
-E o oncologista que já foi marcado? E o tratamento?
-Meu filho, não podemos entregar uma jovem escolhida e pura nas mãos de um mundano! O que um médico sem fé conhece das forças divinas? Ele vai entupi-la de drogas, quando Bernadete nasceu com um DOM DE CURAR pessoas!!! Imagine como isso desmoralizaria a nossa fé! Não podemos nos precipitar! Tomarei providências, tenho certeza que os prognósticos que nos aguardam serão muito mais positivos. Vá em paz, e Deus te abençoe, filho.
O bispo então conduz o jovem para fora, antes mesmo que este possa argumentar mais alguma coisa. Em seguida, ele fecha porta e sua expressão tão serena e confiante, muda. Doente? E se ela depender de um transplante, como fazer? A única pessoa da família que está viva é... Não, definitivamente aquela pessoa não pode saber que Bernadete está viva! Isso arruinaria tudo! Ela representa um grave perigo... Ele está desesperado e preocupado. Aquilo não estava em seus planos, não mesmo! E ao que parece, aquele prelado anda muito estranho, Prelado Onida certamente anda passando tempo demais em companhia da jovem santa. Uma preocupação a mais. Ele anda protetor demais, perto demais... Será preciso arranjar um jeito de tirar o rapaz do caminho. Será preciso remanejá-lo para que Bernadete possa ficar com uma pessoa de sua confiança. Não pode se dar ao luxo de se arriscar a deixá-la mais em companhia dele, não mesmo!
Sua cabeça já estava um turbilhão, mal sabia ele que naquele momento, que o tocar do telefone lhe anunciaria novos e maiores problemas ainda...
Enquanto isso, já nas estradas paulistanas...
Já era noite alta. Lynux já estava dirigindo há horas, e parecia cansada. Renato resolveu então falar com ela:
-Porque não me deixa tomar o volante agora? Temos ainda mais algumas horas até chegarmos ao centro da capital.
-Nem pensar! - Ela respondeu - Eu não vou te deixar dirigir o meu carro!
-Eu tenho habilitação.  
-Ninguém toca no meu carro.
-São apenas algumas horas! Você dorme um pouco, eu já estou descansado. Você dorme, de manhã, eu te acordo e a gente troca de lugar, que tal?
Lynux pensou bem, e então decidiu:
-Tudo bem, vou encostar.
Ela encosta o carro e eles trocam de lugar, ela porém, vai para o banco de trás do carro e se deita. Renato então a cobre com sua jaqueta, e liga o carro, partindo dali, dando prosseguimento a viagem.
Lynux então começa a sonhar.
Seu espírito é então projetado ao mausoléu onde está enterrado o Doutor Garcez. Ela está no cemitério. Ela caminha em direção ao mausoléu, como se estivesse sendo conduzida até ali. Ao chegar diante do túmulo, vê uma figura horripilante, com um capuz negro, foice, a personificação da morte diante dela, com sua face descarnada, ela fica parada diante do mausoléu. Então ela lê os números que estão escritos em cima da lápide: 
347668722-0
A figura macabra diante dela lhe mostra esses números e em seguida, levanta a foice pronta para atacá-la...
Lynux acorda assustada, e quase provoca um acidente na estrada. Renato freia o carro e olha pra ela assustado:
-Pelo amor de Deus, quer nos matar, sua maluca?
Lynux não diz nada, apressadamente, pula para o banco da frente, e abre o porta-luvas, e tira uma caneta e papel, escreve os números que acabara de sonhar e fica olhando fixamente para eles.
-O que é isso?
-É que eu vi esses números num sonho que tive agora. Preciso anotá-los enquanto ainda me lembro do sonho. Eu vou verificar se há alguma relação.
Os primeiros raios de sol despontavam no horizonte quando eles trocaram de lugar novamente.
Ela liga seu celular, e do outro lado, a Agente Delph atende:
-Delph falando.-Anunciou a DARKCOP.
-Delph, preciso que você e o Excell verifiquem um número para mim.-Disse Lynux ao telefone. Eles pararam próximo de um restaurante de beira de estrada, já em São Paulo. Ela pegou o papel e foi verificando com atenção, enquanto Renato ia buscar o almoço num restaurante na estrada.
-Ok, manda aí.
-347668722-0. Preciso saber desse número ainda hoje.
-Lynux, Abdul quer falar com você.
Abdul tomou o telefone da mão de Delph e muito serio, falou com ela:
-Agente Lynux, ontem de manhã, foi pedida a prisão preventiva de Renato. Também nos obrigaram a entregar o rapaz para a polícia federal. Já sabem que ele está sob nossa custódia. 
-Não posso entregá-lo. - Ela disse - Ele é a chave deste mistério todo, precisamos dele, e além disso, nós sabemos que ele é inocente.
-Vamos ganhar tempo. Agora tem uns agentes da polícia atrás de vocês, e eles tem ordem de prendê-la também, caso se recuse a entregar o Renato. Tomem cuidado.
-Tomarei. Agora façam o que pedi, ligo depois, tchau.
Renato trouxe a comida e as bebidas para eles .
-Algum problema?
-Não, está tudo bem. Vamos almoçar.
Após o almoço, continuaram seguindo viagem, até o centro da cidade. Chegaram enfim ao bairro da liberdade, onde saltaram, e ficaram andando pelas ruas, até que Renato enfim, achou a lavanderia que Delph viu em visão.
-Acho que encontramos.
-E o restaurante fica bem em frente. - Ela se animou - Bom, vamos entrar no restaurante.
Ao chegarem no restaurante, foram recebidos por um garçom:
-Boa tarde, senhor, madame... Gostariam de ver nosso cardápio? Hoje temos lagarto ao molho madeira, que está uma delícia.
-Fica pra outra vez. - Respondeu Lynux - Na verdade, queremos informações.
-De que natureza?
Renato mostrou uma foto do Dr. Garcez ao garçom:
-O senhor já viu este homem antes aqui?
-Não, não me lembro. Desculpe, mas se ele fosse cliente nosso, certamente me lembraria.
-Ele esteve aqui há cerca de um mês, mais ou menos. - Disse Lynux - Ele sentou-se naquela mesa que fica de frente à porta, e esperava uma pessoa.
-Bom, eu estou trabalhando de dia há uma semana somente. Eu trabalhava no turno da noite, mas geralmente quem serve naquela mesa, é o Edson. Hei Edson, querem falar com você!
O garçom Edson aproximou-se dos dois, e eles lhe fizeram as mesmas perguntas. O homem olhou para a foto, tentando lembrar-se, até que sorriu e disse:
-Ah! Agora eu me lembro! Sim, ele esteve aqui uma vez. Não comeu muito, só quis mesmo uma tônica, mas deu uma boa gorjeta. Ele estava esperando uma senhora, e ficaram conversando ali naquela mesa, a dezesseis. Ela era estrangeira.
-Estrangeira?
-Sim, ele falava com ela em inglês, acho que era americana, não sei. Mas tinha uma pose...
Lynux num estalo, mostrou ao garçom a foto dos cientistas ao rapaz. Ele olhou para a foto, e identificou a mulher na foto:
-É essa aqui a senhora que esteve com ele. Era uma senhora de seus sessenta, setenta anos, mas bem conservada. Quem olhava para ela, diria que parecia a rainha da Inglaterra...
-Lembra o que eles conversaram?
-Ah, não... Só sei que ela entregou a ele um envelope, uma caixa de madeira e foi embora. Ele pagou a conta e saiu em seguida.
Lynux e Renato se olharam. Aos poucos, aquele quebra-cabeça estava se juntando, fazendo sentido.
Ao saírem do restaurante, o telefone de Lynux voltou a tocar:
-Lynux, é a Delph. Você não vai acreditar, mas sabe aquele número?
-Sim, o que tem ele?
-É de uma sepultura... Mas não uma sepultura qualquer... Sabia que tem uma rainha enterrada lá?
-Dá pra ser mais clara, por favor?
-Trata-se de um cemitério de animais, que fica no Morumbi. O primeiro em São Paulo, e o primeiro também a ter um crematório para animais. A família leva o bichinho de estimação morto pra lá, incineram, e sepultam as cinzas em caixas de madeira numeradas em gavetinhas no próprio cemitério!
-E que animal está enterrado lá?
-Uma gata. Rainha vitória. Espera aí que to mandando o endereço pra vocês.
O “Cemitério Parque Bicho Feliz” parecia um parque ao ar livre. Um gramado muito bem cuidado, árvores frondosas, as sepulturas eram identificáveis por plaquinhas de bronze no chão, com o nome do animalzinho, às vezes, vinham com foto também. Renato e Lynux cruzaram o cemitério para chegar na administração, onde foram recebidos por uma jovem, que estava com fones de ouvido e assistia vídeos no you tube:
-Boa tarde - Disse Renato - Eu precisava falar com a administração.
A moça tirou os fones e foi até eles, sorrindo, dava pra ver o aparelho ortodôntico que usava:
-Pois não, o que desejam?
-Há um mês, enterraram aqui uma gatinha.
-Aqui enterramos gatos, cachorros, até um preá já foi enterrado aqui.
-Moça, falo de uma gatinha muito especial - Disse Lynux, que em seguida, começou a chorar copiosamente - Ela era muito especial para mim. Ela... Ela me acompanhava desde que eu era criança, e... Meu deus, faz um mês hoje, e eu ainda não consegui superar... – Ela soluçava entre as frases, e abraçou Renato, que não entendeu nada. A mocinha ficou com dó e confusa vendo aquela bela mulher loira chorando feito criancinha.
-Ai meu amor, não sei se conseguirei viver sem a minha rainha vitória...
Renato entendeu que se tratava de uma farsa, e entrou na brincadeira também:
-Sabe, a minha esposa...
-NAMORADA! - Corrigiu Lynux bruscamente.
-É... NAMORADA QUASE NOIVA, ela estava fora do país, quando a gatinha morreu e ela se sente muito culpada de não ter estado perto dela... Então, meu tio a trouxe aqui para que se cumprisse a sua última vontade...
-Sua última vontade? - A moça não entendeu nada...  - A gata tinha última vontade?
-A vontade da minha querida “quase” noiva, moça... Então, ela voltou ao Brasil, para pegar de volta sua gatinha querida, era uma gata angorá, e ela quer levar seus restos mortais para serem enterrados em sua terra natal.
-Ela era inglesa, sabe?
-Vocês tem a data do sepultamento e o número da gaveta?
-Claro. - Renato passou-lhe a data e o número, com os documentos dele. A jovem foi até uma sala e verificou na administração, voltando em seguida.
-Bom, já solicitei a liberação das cinzas. Aguardem um pouco, por favor.
Pouco depois, ela trouxe uma caixinha com as cinzas. Minutos mais tarde, numa praça em frente ao cemitério de animais, Linux e Renato estavam sentados num dos banquinhos, olhando para a caixa.
-Bela encenação. - Disse. – Devia fazer carreira no teatro!
-Detesto teatro, como diz o Casseta&Planeta, vá ao teatro, mas não me convide. - Disse ela secamente.
-Tem um lenço aí? - Ele pediu, completando em tom de gozação – Um que você não tenha emporcalhado na sua “grande cena”, é claro.
Ela estendeu um grande lenço e Renato jogou as cinzas sobre ele.
-Para alguém com os seus dons, você deveria ter mais respeito com os mortos! – Ela protestou.
-A Rainha Vitória não vai se importar. Além disso, ela nos deixou um presente. - Respondeu ele tirando uma chave lá de dentro da caixa.
-Sua última refeição?
-Só se foi após a cremação. -Renato respondeu entregando a chave a Lynux.
Ela examinou a chave, e em seguida, disse:
-Isso é uma chave de cofre de banco. Alguns bancos possuem um serviço de cofre para clientes que quiserem guardar jóias, documentos, etc. agora precisamos saber a que agência esta chave pertence.
-Poderia ser aquela ali em frente? - Disse ele apontando para uma agência que ficava próxima dali.
-Você tá indo no chutômetro? - Respondeu.
-Bom, se você estivesse de posse de um segredo que coloca a sua vida em risco, sabendo que a qualquer momento podem te matar, e você tem pouco tempo pra agir, não é conveniente que um banco com serviço de guarda de cofre e penhor esteja justamente de frente a um cemitério de animais? - Disse Renato triunfante.
-Ou seja, você foi no chutômetro. - Sentenciou ela.
-Sim! - Respondeu ele resignado.
Na agência, foram ao gerente que olhou para a chave, e sorrindo, disse:
-Sim, esta chave pertence a esta agência. Um senhor há um mês, solicitou o nosso serviço de cofre... Deixe-me verificar...
-Gooooooollll... - Renato fez baixinho no ouvido da agente.
Ele verificou no computador, e viu o nome do Dr. Garcez. Em seguida, sorriu para os dois sentados a sua frente:
-Poderiam me mostrar seus documentos, por favor?
Renato e Lynux apresentaram seus documentos, e o gerente franziu a testa. Em seguida, devolveu-os, dizendo:
-O doutor Garcez lhes avisou para virem aqui hoje?
-Porque pergunta? - Lynux ficou intrigada com aquilo.
-Porque ele disse e registrou em cartório que entregasse o conteúdo do cofre exclusivamente a vocês dois! Ele até me deu seus nomes! Por isso, quis verificar.
Lynux e Renato se entreolharam surpresos! Como o Doutor Garcez sabia disso UM MÊS ANTES DE ACONTECER?
O gerente pediu a um guarda que os conduzisse ao cofre. O guarda abriu a cela que separava os cofres, e então, Lynux e Renato foram até a gaveta do cofre, onde estava a numeração da chave.
-Esperarei aqui fora. - Disse o guarda.
Enquanto isso, na sala da gerência, o homem que atendera Renato e Lynux recebia uma visita nada agradável:
-Boa tarde, senhor. Em que podemos servi-lo?
-Boa tarde, polícia federal. - Disse Creonte se apresentando mostrando seu distintivo, acompanhado de dois outros policiais - Eu estou à procura de dois suspeitos de um homicídio. Estas são as duas pessoas que procuro. - Ele estende sua mão, mostrando em seu celular as fotos de Renato e Lynux - Fontes me informaram que eles estariam aqui nesta agência... Por acaso sabe onde eles estão? - Disse Creonte entrando na sala da gerência, com outros dois homens.
-Desculpe, senhor. Não sei do que está falando...
-Eu vou facilitar pro senhor, amigo... – Disse ele estendendo o celular mais pra perto do rosto do gerente com a foto dos dois - Esses dois estão foragidos da justiça, são acusados de homicídio, a chave que eles trouxeram pertence a pessoa que eles mataram. Eu sou da polícia federal, portanto, estou solicitando a sua colaboração para prender dois assassinos.
-Desculpe senhor - Respondeu o gerente - Mas eles já eram aguardados aqui, e nossa política de proteção ao cliente não nos permite...
Creonte chegou bem perto dele com um tom ameaçador,  o gerente suava frio: amigão, temos duas formas de resolver isso. Uma, é o jeito fácil, a outra é eu encher essa agência de policiais e te levar preso como cúmplice e por obstrução de justiça, isso pegaria muito mal pro seu banco, e ficaria ainda pior pra você, porque bonitinho do jeito que você é, essa sua bundinha vai fazer o maior sucesso na cadeia. Então eu vou perguntar educadamente só esta vez: onde fica a porra do cofre?
-Na última... Sala do corredor... À esquerda.
-Vão! - Ordenou aos agentes federais.
Enquanto isso, Lynux e Renato examinam a grossa pasta de documentos que estavam dentro do cofre. Surpresos com todas as revelações ali contidas.
-As coisas que tem nessa pasta... - Disse Renato examinando os documentos junto de Lynux.
-E imaginar que isso custou a vida de várias pessoas! - Disse Lynux- Inclusive as de minha família.
-Temos de voltar rápido pro Rio.
De repente, Lynux faz sinal de silencio para Renato e se concentra.
-Eles estão aqui. Já nos encontraram.
-Quem?
-Escuta aqui, temos de nos separar. Mas você tem de fazer exatamente tudo que eu disser a você, entendeu?
Ela olha de soslaio para o guarda do lado de fora, que fala no walkie-talkie, e Renato sem entender nada, fala com ela.
-O que aconteceu?
Sem dizer nada, dá um tremendo beijo na boca de Renato, um beijo demorado, quente. Em seguida, ela se afasta dele.
-Agora estamos conectados.
-Oi? - Disse ele surpreso sem entender nada.
-Vou resumir pra você: Creonte e os agentes federais já nos acharam. Estão vindo pra cá nesse momento, então, se quisermos escapar daqui, precisamos nos separar e nos comunicar telepaticamente. Quando eu te beijei foi para estabelecer uma ligação mental com você, agora vamos cair fora daqui.
-Uma ligação... Não era mais fácil me seguir no instangram? 
Lynux desaparecera de sua vista. De onde então ele ouvira a voz dela:
-O guarda vai amarrar o coturno. Aproveite esse momento, você tem cinco segundos para passar para a outra sala entendeu?- Renato ouvia a voz dela, mas não sabia de onde vinha. Será que ela estava falando dentro de sua cabeça?
Sem pensar duas vezes, Renato esperou o homem abaixar para amarrar o coturno, e Renato passou como um raio. Conseguiu!
-Tá, e agora? - Falou.
-Não fale, pense! Quer que te escutem?
-Tá, tá bom, e agora?
-Espere os agentes chegarem. Eles vão falar com o guarda primeiro. Espere-os entrar no cofre, e saia rápido daí.
Renato ficou observando os agentes chegarem e falarem com o guarda assim como ela havia lhe “dito”, e logo que entraram, ele saiu correndo dali.
Na sala da gerência, Creonte já estava ficando impaciente:
-Não estou gostando dessa demora. Tem alguém lá com eles? - Perguntou ao gerente.
-Sim, sempre vai um guarda acompanhar o cliente até o cofre, questões de segurança.
Nisso, o rádio de Creonte toca. Ele atende.
-Como é, como assim não estão no cofre? - Olhando para o gerente com raiva - O guardinha não viu nenhum dos dois sair do cofre? Eles não podem ter ido longe.
Desligou e foi até o gerente:
-Onde fica a sala da segurança? Quero olhar os monitores das câmeras de segurança.
-Eu... Eu não posso...
Creonte então, pega o gerente pelos cabelos com muita raiva:
-ONDE FICAM AS PORRAS DOS MONITORES DAS PORRAS DAS CÂMERAS DE SEGURANÇA?
Sem ter outro jeito, o gerente leva Creonte e os agentes até a sala da segurança, onde ele então tenta localizar Lynux e Renato pelas câmeras de segurança.
-Vamos, meus coelhinhos, vamos! Ah, achei você!
Lynux aparece na imagem olhando para a câmera. Ela olha para a câmera e ele sorri sarcasticamente:
-Cadê seu namoradinho, hein?
Lynux aponta o dedo médio para a câmera fazendo um gesto obsceno.
-Que deselegante... – Pega o rádio e alerta os colegas -Atenção, a mulher está no corredor à direita de vocês. Perto dos banheiros.
Os dois agentes federais chegam armados, procurando. Lynux está bem atrás deles. Creonte sorri feliz da vida.
-Ela está bem atrás de vocês dois.
Os policiais se viram ao mesmo tempo em que Lynux, que passa a milímetros deles, que não conseguem vê-la. Creonte não acredita no que vê.
-Prestem atenção, ela acabou de passar perto de vocês!
-Onde? - Os dois agentes ficaram confusos. Passaram de novo, e Lynux passou por eles, que sincronizadamente estavam de costas para ela no momento em que passava. Parecia um balé! Enquanto um estava de costas ela passava tranquilamente. O outro se virava na direção dela, mas ela já estava atrás dele. Creonte tirou os óculos escuros e bateu na mesa com raiva e frustração. Começou a gritar no rádio:
-Estão cegos, porra? Essa vadia está brincando com vocês!
Mas já era tarde. Lynux passou incólume pelos policiais que não entendiam nada. Creonte passou para o outro monitor, lá estava Renato esperando numa esquina de sala.
Um dos policiais passa por ali e não o vê. Ele espera o policial passar e vai rapidamente para o outro lado. Creonte fica surpreso.
-Eles são bons.
Renato ficava concentrado para ouvir as dicas que Lynux lhe passava telepaticamente, pois só assim, conseguiria furar o cerco dos policiais no banco.
Ele foi ao banheiro, e ficou preocupado. Lynux já fazia um tempo não dizia nada.
-Lynux, pelamordedeus, onde é que você está? Está comigo ainda?
-Calma, preste atenção: vá numa das cabines do banheiro e fique aguardando. Um senhor de idade vai entrar e vai pra segunda cabine. Ele vai deixar o chapéu dele em cima da pia, pegue o chapéu, tire o casaco e saia com o chapéu, entendido?- Disse a voz de Lynux na sua mente.
Renato fez o que ela pediu, e esperou. Assim como ela tinha previsto, um senhor entrou, largou o chapéu sobre a pia e foi para uma das privadas. Renato tirou a jaqueta, e colocou na pia, pegou o chapéu e saiu. Dois policiais passaram por ele sem o reconhecerem.
Creonte olhava para os monitores e não acreditava, eles tinham sumido! 
-Aquela vadiazinha deve ter adivinhado onde estão as câmeras e agora está procurando um ponto cego, bom... Como dizia meu pai: Quem quer faz, quem não quer, manda!
Então, ele saiu dali.
Renato passou por outro corredor, e então, Lynux o orientou mais uma vez:
-Pegue a segunda porta. Ela te levará a um lance de escadas que vai dar no estacionamento um. Rápido!
Ele assim o fez, e chegou até o estacionamento. Tirou o chapéu e ficou escondido. De repente, seus sentidos ficaram em alerta. Sentiu uma mão por trás dele, e rapidamente, girou e pegou o pretenso agressor, pronto para desferir um soco, quando viu que era Lynux!
-Droga Lynux, que susto! 
-Vamos cair fora daqui, rápido! - Ordenou.
De repente, eles ouviram um clique. Ao se virarem, viram Creonte com a pistola apontada para os dois.
-Chega de pique esconde. Acabou o recreio! - Anunciou Creonte, apontando a arma para os dois. 
 


Notas Finais


A caçada começou! Creonte ao que parece, está em vantagem, será o fim da linha para Renato e Lynux? Quais serão os desdobramentos desse encontro, que promete ser explosivo? Continuem acompanhando, não se esqueçam de comentar, compartilhar, favoritar, é muito imprtante para estimular a gente a prosseguir com este trabalho, que é feito com todo carinho pra vcs.


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