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História DarkOut - (Imagine J-Hope) - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite manas (os).

Espero que estejam bem. Segue mais um capítulo, espero que gostem.



Boa leitura á todos!

Capítulo 13 - Power


Fanfic / Fanfiction DarkOut - (Imagine J-Hope) - Capítulo 13 - Power

‘Se para cada ação havia de fato uma reação, eu estava realmente perdida. Entendia que para se ter coragem, o medo é necessário. Ninguém jamais pensaria em levantar se não tivesse medo de cair. Era tão óbvio que nem sei por que perdi tanto tempo lutando comigo mesma.

Se eu pensava em ir para o céu? Quem nunca!

Mas para o número de regras, havia muitas limitações. Eu jamais poderia ser limitada! Ou pelo menos lutaria com todas as minhas forças para não ser. Não tive culpa de nada, não rompi nenhum acordo entre o céu e o inferno. Se quisessem me condenar, que o fizessem pelo motivo o qual eu merecia sentença.

De toda forma, eu cheguei á conclusão de que realmente  era amor quando depois que ele me deu boa noite, senti uma vontade incontrolável de dizer: eu te amo.

Naquele exato momento, eu descobri muito mais do que o simples fato de que o amava. Percebi que estava condenada.’

- Nana

 

- Sua definição de ‘dia lindo’ precisa ser atualizada! – So Yun sorriu amável.

Nana encarou o céu e suspirou.

- Tudo parece lindo para mim agora.

- Sei como é isso, não sabe como fiquei surpresa quando cortei o dedo pela primeira vez. Pensei que estivesse morrendo! – Riu. – E você?

- O espelho. Quando me olhei no espelho.

- Isso também.

- So Yun peço desculpas por como agi com você aquele dia. Eu estava assustada e queria correr para o mais longe possível.

- Não tem problema Nana, foi difícil para mim também... Digo, no começo. Você ainda foi trazida até aqui, fez amizade com eles, viu e ouviu coisas. Eu não. Conhecia apenas o Jin, Jimin e o Jungkook.

- O Kookie? – Nana pensou por um momento. Se as coisas aconteciam de fato como explicaram, não fazia sentido ela conhecer Jungkook.

- Sim! – Arrumou-se no sofá. – Me apaixonei por ele á primeira vista. Eu senti que ele e o Jin estavam me seguindo, fiquei assustada no início, mas depois... – Suspirou. – Eu abordei os dois, e eles ficaram sem saber o que fazer.

- É apaixonada pelo Kookie?

- Não, claro que não! Meu coração pertence ao Jin... Aos poucos ele foi se aproximando e todo meu carinho se transformou em amor. Deve imaginar como eu me senti quando fui toca-lo e ele não permitiu.

- Sei bem como é isso. – Riu soprado. – Eu ficava super constrangida.

- Eu também. – So Yun concordou. – Você é realmente linda, assim como dizem os livros.

- Livros? – Nana sentiu a saliva descendo estranha pela garganta.

- Sobre o que estão falando? – Ani entrou saltitante.

- Ani! – Nana sorriu afastando no sofá para que a garota sentasse. Viu So Yun encarar silenciosa, parecia tímida. – Estamos falando sobre as consequências do selo... Ou retirada dele, claro.

- Ah sim, ouvi que estavam aqui e vim correndo antes que algum deles me pegasse no caminho.

- Entendi... – Nana tornou a encarar So Yun. – Vocês já se conheciam?

- Não. – Ani quem respondeu. –Não tivemos tempo de conversar.

- Foi tudo muito rápido. – So Yun sorriu fraco e levantou. – Vou procurar o Jin.

- O Jin saiu com o Namjoon eu acho... – Ani começou rápido. – Foram resolver as coisas das corridas.

- Vocês realmente correm? – Nana inquietou-se.

- Corremos, temos que ter alguma atividade para explicar de onde vem o dinheiro.

- Ani, podemos sair dar uma volta?

- Volta?

- Sim! – Nana encarou So Yun pedindo apoio.

- Podemos fazer compras... – So Yun sorriu. – Nós podemos cozinhar, o que acha?

- Cozinhar? – Ani perguntou séria. – Quando você diz ‘nós’, está se referindo a quem exatamente?

Nana não conseguia identificar qual era a entonação de Ani. Não era gentil como costumava ser, se não tivesse acabado de ouvir que elas não se conheciam ainda, poderia jurar que Ani não gostava de So Yun.

Tinha que intervir.

- Nós Ani, nunca cozinhou na vida?

- Claro que não Nana... – Respondeu sorrindo com o tom completamente diferente.

O que estava acontecendo?

- Vamos te mostrar como se faz então, o que acha? Eu acho que vai ser legal.

- E pra isso precisamos sair? – Ani levantou puxando o celular do bolso.

So Yun também estava em pé e ao comparar, Ani parecia uma super modelo ao seu lado. Apesar de linda, So Yun era pequena e delicada.

- Podemos decidir o que querem comer, verificar o que tem na cozinha e comprar o resto. – Nana concluiu e Ani pareceu concordar.

- Vamos então.

Minutos depois estavam as três fuçando nos armários.

- Não tem nada aqui!!! – Ani se alarmou por um momento. – Nossa!

- Bom, pelo visto vamos ter que comprar tudo! – So Yun soltou pensativa e pulou de susto em seguida.

- Comprar o que? – Jungkook soltou alto entrando na cozinha.

Nana o encarou por um momento: jeans escuro, coturno, moletom vermelho, cabelo preto caído nos olhos...

Entendia So Yun, teve a mesma reação ao vê-lo entrando em seu consultório dias atrás. Ouviu o sorrisinho dele e de Ani e só então lembrou que os dois também podiam ler seus pensamentos.

- Saiam da minha cabeça! – Falou firme e os dois arregalaram os olhos ao mesmo tempo. – Adoro vocês, mas odeio isso.

- Não é nossa culpa Nana! – Jungkook aproximou-se. – E também não é sempre que conseguimos.

- Sei, percebo por esse sorriso cínico que está me enganando.

- Jamais te enganaria. – Piscou inocente. – Mas concordo com seu pensamento sobre a combinação do preto, vermelho e eu.

- Ai nossa, credo! Que tipo de anjos vocês são? Estou decepcionada.

- Somos os piores possíveis! – Yoongi entrou seguido por Jimin. – Ai ops... Foi o Jimin que me induziu a dizer isso.

- Ah pronto, agora toda gracinha que você fizer é culpa minha?- Jimin tentou se defender e So Yun riu.

- Claro que não, sou bem mais educado que você. Sou condescendente e sei o momento certo para brincadeira.

- Ah é mesmo. – Jimin passou a mão pelo cabelo inspirando profundamente. – Eu só gosto do caos.

- Vocês são muito errados. – Nana comentou e todos riram. – Nós vamos ao supermercado comprar coisas, querem ir?

- Comprar coisas? Que tipo de coisas? – Yoongi parecia curioso.

- Vamos cozinhar. – So Yun respondeu atraindo a atenção deles, mas exceto Jimin, ninguém mais parecia ter apreço pela garota.

Nana cruzou os braços e suspirou. Queria tentar...

Pensou.

‘Por que estão agindo friamente com So Yun?’ – Encarou Jungkook e Ani ao mesmo tempo e os dois a olharam apreensivos. Continuou. – ‘Não finjam, estão me ouvindo que eu sei. Por que todos estão agindo assim?’

- Elas vão fazer comida pra gente. – Jungkook encarou Yoongi disfarçando. – Nana e So Yun vão estrear nossa cozinha.

- Estão brincando? – Yoongi cruzou os braços. – Podemos escolher o que queremos comer e vocês vão fazer aqui?

- Em que mundo vocês estão vivendo? – Nana interrompeu.

- O Jin me disse que tem uma pessoa específica que faz tudo para eles Nana, e quando não compram, essa pessoa faz. – So Yun explicou e todos eles encararam.

- Folgados. – Suspirou. – E então, quem vai se aventurar com a gente?

- Eu vou! – Ani levantou a mão sorridente.

- Vou também. – Jungkook soltou rapidamente.

- Vamos ver... – Yoongi se afastou até ficar rente á porta. – Ficar andando atrás de garotas, com todo respeito Kookie, enquanto selecionam alimentos, num lugar barulhento, cheio de pessoas, crianças e tals? Noup. Serei apenas um apreciador dos seus dotes quando eles estiverem prontos. – Saiu.

- Eu vou ficar perto dele porque o safado está denegrindo minha imagem, vejo vocês mais tarde. – Jimin saiu antes que Jungkook pudesse questionar.

- Vou chamar o Tae. – Ani saiu num vulto.

- Vai demorar muito? – Jungkook perguntou á Nana e ela encarou So Yun.

- O que acha? Aliás, o que vamos fazer?

- Acho que vamos ter que decidir na hora. – So Yun sorriu e encarou Jungkook. – O que vocês costumam comer?

- Comemos qualquer coisa. O que gosta de comer Nana?

- Eu não sei, também como qualquer coisa... Acho que na hora decidimos.

- Também acho, vou avisar o Jin. – So Yun puxou o celular do bolso e disparou a digitar.

Nana saiu na frente e logo sentiu a pressão no cabelo. Tinha prendido-o num rabo de cavalo e Jungkook parecia segurar.

- E aí? – Nana o encarou de lado. – Controlado?

- Controlado. – O garoto respondeu sorrindo.

Nana sentia-o brincando com seu cabelo e vez ou outra notava So Yun encará-los curiosa. Quando desceram para o autódromo, Ani já esperava com Taehyung.

Saíram para a oficina e pouco antes de chegarem ao carro de Ani, Hoseok entrou na garagem praticamente cantando pneu, estacionando próximo. O olhar cravou no gesto de Jungkook e por um momento Nana sentiu-se incomodada.

De qualquer forma, não estava tocando o garoto. Pelo contrário, Jungkook quem brincava com seu cabelo.

- Hyung! – Jungkook falou mais alto já explicando. – Vamos sair comprar algumas coisas, vamos estrear nossa cozinha hoje.

Hoseok caminhou sério na direção deles e Nana sentiu um frio percorrer sua espinha. Tinha essa mesma sensação todas as vezes que o via.

- Entendi. – Falou ao primo e encarou Nana. – Posso falar com você um instante?

- Claro.

Viu o rapaz olhar os outros três por alguns segundos.

- Nana, vamos esperar no DarkOut está bem? – Ani falou rápido e partiu em direção ao carro acompanhada por Jungkook, Taehyung e So Yun.

Hoseok deu alguns passos para dentro da oficina e encostou-se ao capô de um dos carros. Nana aproximou-se lentamente. Estava curiosa sobre o que ele queria dizer.

Tentava em vão controlar o coração.

- O que vão comprar? – Perguntou tirando-a dos seus devaneios.

- Vamos comprar algumas coisas para cozinhar, mas ainda não sei dizer o que. – Sorriu. – So Yun e eu não teremos muito que fazer por aqui, então vamos cozinhar para vocês.

- Não precisa fazer isso, nós pagamos a uma pessoa...

- Sei disso, Ani me disse... Mas vamos fazer mais pela diversão do que obrigação.

- Entendi... Vão apenas ao... Ao supermercado?

- Sim...

- Precisa de ajuda com alguma coisa?

- Não, acho que não. – Encarou a porta da oficina. – Inclusive ouvi alguém falando que o Namjoon estava te procurando. Não se preocupe comigo Hoseok, eu estou bem. Estarei com Ani e Jungkook.

- Sei... Sei disso. Então está bem, te vejo depois.

Nana sorriu involuntariamente. Não queria mais ter que ir a supermercado nenhum, queria ficar ali conversando com ele.

- Se me ensinar a dirigir posso entrar para sua equipe. Assim não me sentirei inútil! Estou de férias, lembra?

Viu o rapaz encarar o chão e sorrir minimamente.

- Sua tentativa com Taehyung foi o bastante, não acha?

- Eu não desisto tão fácil assim. – Mordeu o próprio lábio para não falar mais do que deveria. – Talvez haja algum professor melhor. – Tapou a boca. – Oh Deus, ele ouviu? Sabe se ele ouviu?

- Não. Eles estão no DarkOut, da mesma forma que não ouvimos lá, não ouvem aqui.

- Foi brincadeira viu? Taehyung é um ótimo professor, eu que sou péssima aluna.

Hoseok riu e Nana não conseguiu evitar.

- Vai... Eles estão esperando. - Falou ainda sorrindo.

- Claro.

Nana correu animada até o carro. Parecia uma adolescente apaixonada pela primeira vez, sentindo todas as emoções ao mesmo tempo. Entrou atrás com So Yun que estava no meio e Jungkook na outra ponta.

Conversavam abertamente, exceto So Yun que parecia um passarinho acuado. Nana não entendia a situação no geral. Eram simpáticos e amáveis...

Ao descerem no supermercado, Nana aproximou-se de Ani e a puxou de lado.

- Ani, por que estão tratando a So Yun dessa maneira?

- Que maneira Nana? – Respondeu confusa.

- Não sei, vocês não falam com ela direito e quando falam são secos.

- Nem notei.

- É diferente comigo. – Nana colocou a mão na cintura e viu Taehyung chegando rápido.

- Nós só gostamos de você, é por isso.

- O que disse? – Nana virou para encarar o garoto. – Como assim só gostam de mim?

- Não gostamos de mais ninguém Nana, não pegamos apreço por nenhum ser humano. Simples assim! Vocês morrem rápido e nós sofremos.

- Vou morrer rápido também. – Respondeu entre dentes.

- Vai, mas foi inevitável. – O garoto respondeu dando de ombros.

- Ani, por favor! – Nana pediu e a garota encarou So Yun que estava distraída com uma lata de milho.

- Ah não Nana, eu não quero outra amiga.

- Gente pelo amor de Deus! – Falou baixo. – Kookie! – Chamou mais alto e o garoto correu. – Parem com isso! Está difícil pra ela também ok? Não é culpa nossa que alguém lá no passado pisou na bola.

Viu os três confusos.

- Pelo visto ela vai continuar com a gente. – Nana continuou. – Tratem-na assim como fazem comigo. – Pressionou os lábios, mas nenhum deles disse nada. – Prometam tentar?

- Sim... – Jungkook respondeu rápido. – Vamos tentar.

- Ela é legal, vocês vão ver.

- Ela é frágil demais, isso sim! – Taehyung encarou a menina suspirando.

- E eu sou o que?

- Você é forte. – Ani respondeu, mas logo fez uma careta arrependida. – Deixa isso pra lá, vamos tentar Nana. De verdade... Vamos fazer amizade com ela.

- Você começa então, vai lá... Ela está sozinha! – Nana apontou e Ani saiu arrastando Taehyung.

- Nunca imaginei que fôssemos acatar ordens de uma humana.

- Devo me sentir ofendida com esse seu comentário? – Nana arqueou uma sobrancelha a Jungkook.

O garoto riu e puxou o lacinho roxo do cabelo de Nana.

- Não?!

- Mentiroso. – Empurrou Jungkook e viu quando ele colocou o lacinho no pulso.

Continuaram fazendo as compras e assim que terminaram voltaram para o DarkOut rapidamente. Já era tarde e elas precisariam de tempo para fazer tudo que queriam.

...

Todos conversavam animados em volta da grande mesa redonda. Nana observava um a um atentamente, exceto So Yun que estava ao seu lado em silêncio, todos os outros pareciam animados com o fato de que as corridas começariam em uma semana.

- Eles são sempre assim? – So Yun perguntou baixinho.

- Eu não sei, não faz muito tempo que estou aqui. Pensei que soubesse mais sobre eles do que eu.

- Não...

- É divertido né?

- É sim, principalmente para nós que nunca tivemos amigos. – So Yun respondeu e Nana viu quando Jin esticou a mão por baixo da mesa e segurou na sua.

Seus olhos imediatamente pousaram em Hoseok, mas o rapaz olhava atento para o celular. Ainda não tinha conseguido decifrá-lo. Já tinha parado pelo menos alguns minutos para analisar um a um dos amigos, o que não era muito difícil. Poderia traçar o perfil de cada um em apenas uma página. Os dois mis difíceis eram Jungkook e Hoseok, este ultimo ocupando o topo da lista.

Jungkook tinha um lado mais fechado, parecia escolher qual personalidade usar em cada momento. Nana entendia que tratava-se de um mecanismo de defesa apenas.

No entanto Hoseok... Era um mistério completo!

Viu Jungkook brincando com Jimin e sorrindo, o lacinho de pelúcia roxo de repente chamou sua atenção. Ainda estava no pulso dele.

O que era aquilo?

Seu olhar instantaneamente cruzou com o de Hoseok e congelou. O coração acelerou tanto que Nana precisou desviar o olhar que voltou para o lacinho. Hoseok acompanhou para onde Nana olhava e parou encarando o ponto roxo que agora mexia no ar tentando segurar Jimin.

Afastou a cadeira e levantou atraindo a atenção de todos.

- Nós trouxemos sorvete. – Soltou animada. – Vou pegar.

- Eu te ajudo! – Jungkook saltou da mesa abandonando Jimin no mesmo momento. – O que eu faço?

- Procure alguns potinhos que dê pra por o... – Nana sentiu um solavanco no corpo, como se tivesse sido empurrada para trás e sido salva bruscamente no último momento. Um incômodo insuportável se apossou de cada célula do seu corpo. Sentia como se uma camada de fogo cobrisse seu corpo todo e estava tão desesperada que mal conseguia respirar para pedir ajuda.

Por Deus, o que estava acontecendo?

Fechou os olhos e se concentrou por um momento. Orou em pensamento e pediu que aquilo passasse, mesmo sem saber o que era. Sentia as unhas cravarem nas palmas das mãos, mas não conseguia abri-las. Respirou profundamente e aos poucos aquela sensação horrorosa foi passando.

Virou de frente para onde estavam sentados e viu Hoseok agachado em cima da mesa, a boca entreaberta ofegante. Parecia pronto para chegar até ela a qualquer momento. Todos os outros também estavam em pé, os olhos arregalados, apreensivos.

Jungkook segurava os potes, petrificado.

- Oh Deus, o que foi isso... – Sussurrou sentindo as pernas ficarem fracas.

O pote de sorvete foi para o chão e antes que Nana tivesse o mesmo destino, Jungkook a segurou contra o peito.

- Fique em pé Nana! – Pediu apavorado. – Não feche os olhos, não se entregue!

- Ho... – Nana queria chamar Hoseok, mas as palavras não saíam. Ia apagar, estava sentindo.

- Solte-a. – Ouviu a voz de Hoseok ao fundo. – Yanna! – Chamou. Nana queria acordar, queria responder, queria olhar para ele, mas uma mão invisível a puxava para o fundo do que quer que fosse. – Nana... – Ouviu baixinho e então respirou fundo com o último resquício de fora que possuía.

Despertou.

Estava entre Jungkook e Hoseok que a seguravam.

- Nana você está bem? – Ani já estava em sua frente. – Nana, fala comigo.

- Eu acho que sim... Só não me soltem. – Encarou os dois. – Eu acho que tive uma queda de pressão... Uma queda de pressão muito estranha, mas ainda assim...

Viu Jin se aproximar e levar a mão para sua testa, como se tivesse se certificando sobre a temperatura.

- Ela vai entrar em choque se não fizermos nada. Já te alertei sobre isso! – Falou firme á Hoseok. - Quatro gerações sem nenhum indício... Estava demorando mesmo.

- Yanna, pode ficar em pé? – Hoseok perguntou firme e Nana assentiu.

Nana segurou-se no balcão e de novo sentiu um arrepio subindo. Seria outra crise daquilo? Encarou Hoseok desesperada. Queria dizer que ia passar mal de novo, queria pedir que a deitassem em algum lugar... Mas alguma coisa ecoava em sua mente.

- Estamos em perigo! – Foi o que disse. Viu a ruga entre as sobrancelhas do rapaz e pressionou os lábios. Era quase como se uma Nana dentro dela tivesse dito sem sua permissão. – HOSEOK ESTAMOS EM PERIGO!

Viu o rapaz encarar Jungkook.

- Vai. – Olhou para trás. – Jin, leve So Yun para o porão com Namjoon. O restante siga Jungkook.

Nana viu um a um saindo sem questionar.

- E-eu não sei por que falei isso... – Riu, mas a sensação estava voltando. – Vou passar mal de novo... Era isso o que eu queria dizer na verdade.

- Vou te sentar aqui, tudo bem? – Nana assentiu. – Fique acordada e olhando para mim. Converse comigo.

- O que está havendo?

Nana viu Hoseok pressionar os lábios. Tinha alguma coisa errada com ela, sentia que tinha. Estavam privando-a de sofrer por antecipação. Sentia que algo estava próximo.

Iria morrer?

- Você não vai morrer! – Falou rápido. – Não vou deixar isso acontecer.

Nana sentiu os olhos marejarem, era a primeira vez na vida que ouvia algo semelhante. Desde que nasceu, sempre se sentiu sozinha. Perdeu os pais cedo demais e logo em seguida sua avó, talvez agora entendesse o porquê de tudo isso.

Ainda assim, tinha plena consciência de que o ser humano é movido pelo afeto, pelo carinho, pela proteção. Nunca se sentiu amada de verdade, nunca se sentiu protegida de verdade e isso era triste demais. A solidão é triste demais, nos faz pensar que não somos merecedores de nada bom.

E quando conquistamos alguma coisa, sempre pensamos que aquilo não vai durar. No fim das contas, ninguém ganha um jogo contra a vida e o destino. Ninguém, nem mesmo anjos expulsos do céu injustamente.

Enquanto encarava as orbes castanhas apreensivas, tentava absorver aquela falsa sensação de segurança. Numa tentativa vã de preencher seu coração de algo que nunca teria de fato.

Reciprocidade.

- Eu queria muito saber o que você pensa quando me olha. – Nana levou as duas mãos para o estômago. – Não é justo que só você consiga ler meus pensamentos.

- Não acho que iria gostar do que veria. – Respondeu baixo.

- Não pode ter certeza. – Apertou a blusa de lã com força.

- O que está fazendo? – O garoto encarou o gesto e umedeceu os lábios lentamente.

- Me certificando de que minhas mãos ficarão aqui.

- Pensei que tivesse total controle Yanna.

- Não agora. – Sorriu amarga.

- Não agora?

- Não com você. – Confessou soltando todo o ar, estava bem difícil. – Você está muito perto!

- Sei que estou.

- Não acha melhor se afastar? – Nana esfregou as mãos no jeans e apoiou no balcão de mármore. Sentia a superfície congelante nas palmas quentes.

- Eu acho, mas não consigo.

- Para alguém que não pode correr perigo, você se arrisca demais Hoseok.

- Eu acho que não. Não corro perigo nenhum aqui.

- Não? – Nana ofegou. – Afaste-se!

- Não.

- Hoseok afaste-se, estou pedindo educadamente. Você precisa ver se eles estão bem. Por que não voltaram ainda? Aliás, o que foi tudo isso?

Nana o viu semicerrar os olhos e pressionar os lábios.

Droga!  Pensou e ele sorriu malicioso.

- Vocês são péssimos anjos. – Empurrou-o bruscamente pulando do balcão. Sentiu a vertigem passear por sua cabeça. – Que droga! – Partiu em direção á porta, mas sentiu a mão firme segurando seu pulso.

Puxou-a de volta e antes que batesse as costas no balcão, levantou-a colocando-a na mesma posição de antes.

- Para quem teme ao inferno, você gosta mesmo de brincar com o fogo. – Falou seca.

- Quem disse que eu temo alguma coisa? – Perguntou baixo e Nana soltou o ar rindo.

Só podia ser brincadeira.

- Está me provocando?

- Talvez.

O que era aquilo? Um flerte?

- Quer que eu tome a iniciativa para depois me culpar por sua descida de tobogã ao fogo eterno?

- Talvez.

- Não vou te corromper Jung Hoseok, pode esquecer. Por mais que isso seja tentador.

Nana viu o garoto apoiar as duas mãos no balcão, uma de cada lado de seu corpo e se aproximar lentamente. Não parecia hesitante ou apreensivo. Fechou os olhos instintivamente e logo sentiu o roçar dos lábios frios nos seus.

O que ele estava fazendo?

Não sentia parte alguma do seu corpo tocar o dele, apenas os lábios, e nem tinha certeza se ele estava realmente fazendo aquilo. Poderia facilmente estar mexendo com sua mente.

- Pare Hoseok, o que quer que esteja fazendo.

- Nana... – Falou baixinho inspirando profundamente. – Perdoe-me.

- Eu quem peço perdão. – Falou seca se arrastando até a ponta do balcão e viu os olhos do garoto arregalarem minimamente ao grudar na camisa social e puxá-lo para perto. – Falei para se afastar. Isso é tudo culpa sua!

Nana cruzou as pernas atrás do quadril do garoto prendendo-o a si e sem pudor algum, colou os lábios nos seus, mas Hoseok afastou rápido, antes que Nana pudesse chamar aquilo de beijo.

Quase...

- Nana... – Passou as duas mãos pelo cabelo e saiu da sua prisão imaginária.

- Eu vou... Vou dormir. – Nana pulou do balcão novamente e saiu praticamente correndo para o quarto de Ani.

A amiga ainda não havia voltado. Já passava das duas da manhã, onde Ani poderia estar? O que poderia ter acontecido?

Colocou-se embaixo das cobertas e sufocou a cabeça no travesseiro. Queria chorar desesperadamente. Onde estava com a cabeça? E Hoseok, o que estava pensando?

Era apaixonado por Ani, o mais correto dentre os oito. O único que realmente queria voltar, por que estava agindo daquela maneira? Estaria querendo provocar Ani?

Estaria usando Nana?

Ofegou. O coração apertou.

Estava apaixonada por ele?

Lógico que estava. Não seria hipócrita, não tentaria negar. No entanto sabia que além de não ser correspondida, ainda haveria o fato de que ele não cederia. Não optaria ir para o inferno apenas para poder ficar com ela.

E ela iria para onde?

O corpo queimava! Nunca havia sentido aquilo antes. Talvez fosse a falta do tal selo.

Levantou.

Tomou um banho rápido e colocou um dos seus pijamas curtos para contrastar o calor que sentia por dentro.

Deitou.

Levantou.

Iria contar até dez apenas, se Ani voltasse, ficaria na cama e tentaria dormir. Caso contrário...

1, 2, 3...

Encarou a porta, nada...

4, 5, 6, 7...

- Onde você está Ani, pelo amor de Deus!

8, 9, 10...

Viu a porta se abrindo e Ani entrou silenciosa.

- Você chegou no número 11! – Nana falou baixinho para a amiga.

- O que? – Ani encarou apática. Parecia extremamente cansada, mas Nana sequer conseguiu dar atenção a esse detalhe.

- No 11... – Nana levantou e antes que perdesse a coragem saiu pelo corredor em direção á última porta.

Abriu-a lentamente e fechou da mesma maneira encarando o quarto.

Hoseok usava apenas uma calça moletom, as duas mãos estavam apoiadas na parede e ele encarava o chão fixamente.

- Ela chegou no 12. – Comentou sem encará-la.

- Oi?

- Ani chegou no 12, não no 11... – Respirava fundo.

- Sempre tem um segundo de hesitação. – Falou sem muita certeza e viu Hoseok encará-la da cabeça aos pés.

- O que faz aqui?- Perguntou caminhando em direção a ela.

- Eu não sei. - Levou uma mão ao peito. - Oh Deus eu não sei! - Agachou choramingando. - Eu vou direto para o inferno... Ai não, estou tentando corromper um anjo! Senhor me perdoe... - Tapou o rosto com as duas mãos.

- Nana está chorando? - Hoseok agachou de frente para ela.

Nana suspirou. A quem queria enganar? Não sentia um pingo de peso na consciência pelo que estava prestes a fazer.

- Apenas garotas boas vão para o céu? - Falou firme encarando-o nos olhos. - É assim mesmo que as coisas funcionam?

- Em tese.

- Em tese? Nada é certo então? - Sorriu. - Dizem que as más vão para onde quiserem.

- Dizem isso? - Hoseok observou Nana levantar e a acompanhou.

Respirou fundo sem pensar em nada para que ele não pudesse prever seus pensamentos, puxou-o pelo pulso até próximo a sua cama.

- Deita. - Pediu firme.

- Yanna!

-Tá bom, tá bom... Só... Senta então.

- O que vai fazer?

- Eu vou acabar com essa sua graça Jung Hoseok.

- Nana, essa não é você. - Sentou sem desviar os olhos dos de Nana.

- Parece que sou sim. - Ajoelhou na cama de frente para ele sentando nos próprios pés. - Confie em mim.

- O que pretende Yanna?

- Eu pretendo confirmar se está me testando, já você, aproveita e sana a curiosidade que tem.

- Que curiosidade garota. - Sorriu. - Pelo que percebi, não consegue me analisar.

Nana sentiu o sangue borbulhar de raiva.

Sem aviso prévio apoiou as mãos no lençol de cetim e colou os lábios nos dele. Aos poucos sentiu o garoto acompanhar seus gestos e seu beijo delicado se tornava intenso. As línguas travavam uma batalha silenciosamente deliciosa e Nana sentiu novamente seu corpo pega fogo.

Hoseok a puxou pela cintura e Nana sentiu seu quadril se encaixando no dele, enquanto o rapaz apenas gemia em seu ouvido.

Ouviu um ruído estrondoso, de algo como se fosse uma fera grotesca. Quando olhou para o lado viu um grande animal negro a encarando com os olhos vermelhos flamejantes.

Nana tentou se mover, mas quanto mais se mexia, mais afundava uma flecha no peito de Hoseok.

- Parabéns Yanna, cumpriu sua missão. Nos trouxe a alma de um dos anjos mais poderosos do céu! Estamos orgulhosos de você.

Hoseok a encarava com os olhos inteiramente negros.

Essa não é você.

Essa não é você.

Não deixe que o mal que habita em você desperte!

Nana pulou no lugar gritando e levou a mão á boca para conter o grito se localizando.

Ainda estava no quarto de Ani, ainda estava de jeans, tênis e sua blusa de lã favorita.

- NANA!!!

Viu a porta do quarto abrindo bruscamente e Hoseok passando por ela seguindo por Jungkook e Yoongi.

- O que... Meu Deus... O que... Hobie... - Caiu de joelhos. Quando o rapaz aproximou-se, lembrou dos olhos inteiro negros e a flecha dilacerando seu coração. - Não... NÃO!!! - Gritou.

Yoongi praticamente voou por cima da cama e levantou Nana do chão.

- Foi apenas um pesadelo Nana! Apenas um pesadelo. Vamos resolver isso, vamos tirar isso de você se quiser.

- O...O q-que?


Notas Finais


~Kisses


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