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História Darling - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 1 - Introdução


Naquela manhã, que poderia ser considerada mais uma manhã comum, fiz todos os procedimentos costumeiros. Me levantei as 06h:20min, depois do terceiro alarme soneca. Tomei banho e realizei toda minha higiene matinal, coloquei as primeiras peças de roupa que vi e bebi um copo cheio de água, hábito adquirido após morar com minha melhor amiga. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo alto e deixei o apartamento do sétimo andar. Naquele dia, olhei para a chave do meu carro bem encima da ilha da cozinha, mas hesitei e a deixei lá. Muitos diriam que esse foi o principal motivo da minha vida ter tomado o rumo que tomou. Eu, não. Naquele momento, eu não sabia que deixar aquela chave ali e decidir ir a pé, mudaria tudo. Me levaria aonde cheguei e todas as decisões contrárias que tomei. Talvez, se eu pudesse voltar no tempo, se existisse a tal maquininha que me fizesse viajar de volta àquela manhã de segunda feira, eu hesitasse em pegar a chave e colocá-la na bolsa Valentino azul. Mas não o fiz e isso será uma consequência que levarei por minha vida. E eu nem me dei conta, mesmo quando tranquei a porta do apartamento 702.

 

A caminho do trabalho, compro um capuccino, outro hábito que adquiri nesses últimos meses.

À rua movimentada levava o grande fluxo de pessoas andando e atravessando na faixa de pedestres, distraídas em seus aparelhos eletrônicos; algumas outras conversavam aleatoriamente. No céu, o sol já brilhava em seus primeiros raios, iluminando a cidade de Toronto.

O meu destino chegou após 15 minutos de caminhada. A essa altura, meu capuccino já havia acabado. Puxei meu crachá para fora da blusa e entrei no prédio. Tudo estava tão normal quanto nos outros dias. Caminhando até o elevador, deixo alguns acenos simpáticos para os funcionários do térreo. Não tenho intimidade com nenhum deles, mas manter a boa convivência no ambiente de trabalho é, e sempre foi essencial para mim. À porta do elevador se abre quando estou há alguns metros, entretanto, ninguém entra e está prestes a se fechar - isso faz com que eu dê uma pequena corrida até ela, que é interrompida de fechar pelo braço de algum homem que eu nunca reparei antes. Ele usa roupa social preta, e observo que também há um crachá suspenso em seu pescoço, o que me faz perceber que ele também é funcionário daqui.

- Obrigada. – agradeço imediatamente, entrando, em seguida, no elevador. Não consigo ver seu rosto antes da porta se fechar, e me encontro sozinha naquele cubículo claustrofóbico. Eu odeio elevadores, sempre odiei. Lembro-me de, a cada oportunidade, deixar minha mãe ir nele e optar pela boa e velha escada. São seguras, oras.

Minha sala está localizada no décimo segundo andar. É pequena, porém aconchegante e fiz dela minha segunda casa. Tinha toda a decoração feita por mim, em tons claros e modernos. Também havia uma extensa janela com uma vista privilegiada. Ino dizia que esse privilégio todo era por ser afilhada da dona da empresa, mas eu e somente eu sei meus méritos, o quanto batalhei para estar aqui. Meu setor é o de finanças, lido com a parte temida, os números. Modéstia à parte, sou muito boa com eles. Ainda me lembro, no colegial, meus “colegas de classe” adoravam fazer trabalhos e testes em dupla comigo, até pediam-me aulas particulares. Ino, no entanto, trabalhava na parte de marketing. Ela é muito boa no que faz, mas não gosto de ficar elogiando-a - ela acaba ficando muito convencida.

Deixo minha bolsa na alça da cadeira e me sento, me preparando psicologicamente para mais um dia de trabalho e estresse.

 

O tempo passa em um sopro, mal tive tempo de terminar tudo que programei para hoje, até mesmo meu almoço foi uma marmita que praticamente engoli. Olho para fora do prédio e não há qualquer sinal dos raios de sol que brilhavam mais cedo.

Suspiro, cansada.

Meu celular vibra sobre a mesa, ascendendo. É Ino. Ela está perguntando se cheguei bem em casa. Minha amiga é um amor, sempre preocupada comigo. Meus lábios se repuxam em um pequeno sorriso. Rapidamente, digito que estou saindo agora da empresa, e ela logo me responde, perguntando-me o que ainda estou fazendo aqui. Meu sorriso se alarga. Começo a digitar que acabei perdendo a hora, mas sou interrompida pelo toque do celular.

- O que a senhorita ainda está fazendo aí?

- Estava digitando que acabei perdendo a hora e já estou de saída. 

- Vá logo embora, chame um táxi.

- Eu já vou, porquinha. Pode ficar tranquila, te aviso assim que chegar.

- Vou ficar esperando. Te amo.

- Também.

E a ligação encerra.

Olho para o papel de parede do meu celular, a foto de duas mulheres abraçadas e sorrindo para a câmera. Duas mulheres tão diferentes fisicamente, mas com sonhos tão parecidos. Acho que perco bons dois minutos olhando aquela foto antes de guardar o celular na bolsa, reunir toda a papelada e deixar à sala, sendo recebida pelo silêncio do corredor. Meus saltos fazem eco até que eu chegue ao elevador, e isso me incomoda e me faz pensar naqueles filmes de terror assustadores. Sou fã de terror, mas sou medrosa ao extremo. Aperto freneticamente o botão e só relaxo, ou nem tanto, quando entro na caixa de metal. Meu reflexo me mostra que há olheiras sob meus olhos, meu cabelo um pouco desgrenhado. Ajeito-os com os dedos, suspirando e saindo do elevador assim que a porta se abre.

No térreo, também não há muitas pessoas além de dois funcionários que conversam próximos à porta, e eu. Caminho na direção deles, mas não os olho até que passo por eles e empurro a porta. A paisagem é totalmente o oposto de mais cedo. O que antes era uma rua movimentada, agora não havia uma viva alma para contar história. Olho para o relógio que marca 20h49.min.

Suspiro.

Preciso de um táxi, mas meu celular não aguenta e me deixa na mão, apagando com a mensagem de *bateria fraca*. Tudo de ruim realmente acontece nos momentos que mais precisamos.

Novamente, olho para a rua, criando coragem para ir embora, mas a porta se fecha atrás de mim com um baque suave, e sou surpreendida pelo homem que passa ao meu lado, ascende um cigarro e começa a caminhar pela direção que também devo seguir. É o mesmo cara que estava conversando com outro minutos atrás. Também percebo ser o mesmo homem que segurou o elevador pra mim mais cedo. Talvez eu possa aproveitar sua companhia até uma rua mais movimentada...

Mal paro para pensar e já estou correndo até ele.

– Boa noite... – ele me olha da cabeça aos pés enquanto traga seu cigarro. – Será que eu posso ir com você? Está deserto e-

- Já está vindo. – ele me corta e me sinto estúpida por perguntar algo assim. Olho para trás enquanto caminho ao lado dele, e percebo que já avançamos alguns bons metros. – Pode. – sua voz me chama a atenção e percebo, um pouco tarde demais, que ele respondeu à minha pergunta.

- Obrigada. – agradeço quase num sussurro rouco.

Enquanto caminhamos, noto seus passos longos e tenho que acelerar meus passos para acompanhar seu ritmo. Ele é alto, claro, e parece despreocupado com à rua deserta. Seu cabelo é preto, despenteado, e parece ter alguma tatuagem atrás da orelha. Não consigo ver seu rosto muito bem. Desvio meu olhar ao notar que ele me olha de soslaio. Com um pouco de vergonha por ter sido pega analisando-o, tento puxar assunto.

- Então... Você também trabalha na Senju? – a pergunta foi bem idiota, eu sei, é o sinto revirar os olhos. Aperto a alça da bolsa em meu ombro, constrangida com seu gesto.

- Sim. – novamente, sua resposta me surpreende e me sinto mais a vontade para continuar puxando assunto enquanto caminhamos. Já havíamos dobrado a primeira esquina e nos aproximávamos da estação de trem do bairro.

- Eu sou a Sakura, funcionária do setor de finanças. – acho que me apresentar pode ser legal, afinal, ele está me deixando segui-lo. Sei que minhas palavras soam um pouco hesitantes e também sei que ele percebe. Ele joga a bituca de cigarro fora.

Quando acho que ele irá falar algo, ele faz exatamente o oposto. Muda de caminho, indo até a escadaria da estação de trem. Tenho uma rápida reação de perguntar um pouco mais alto do que deveria aonde ele está indo.

- Eu uso o trem. – é sua resposta. Simples assim. Acho que ele percebeu a surpresa em meu rosto, até mesmo a hesitação ao olhar para frente e encarar a rua deserta com pouquíssimo fluxo de carros. Olho para ele de novo enquanto mordo o lábio inferior.

- Ok... – é a única palavra que sai da minha boca. E, porra, eu não sou de xingar, mas eu queria xingar todos os palavrões possíveis por ter deixado a hora passar mais do que deveria e, mais ainda, por meu celular ter descarregado justamente quando eu mais precisava. Mas faço exatamente o oposto que tenho vontade, dando meia volta e tornando a andar, agora ainda mais rápido que antes. Agarro minha bolsa ainda mais e abaixo a cabeça, me xingando mentalmente. Sou tão idiota...

Meu coração acelera quando percebo uma sombra aproximando-se por trás e não consigo pensar em nada, minha mente fica vazia. E então, aqui está ele, novamente. O estranho que trabalha no mesmo prédio que eu, e que eu nunca notei. Deixo um longo suspiro escapar dos lábios e percebo-o sorrir de canto.

- Você me assustou. – confesso. – O que está fazendo aqui? Não deveria pegar o trem?

- Vou te levar. – seu tom é firme e, não sei porque Diabos, me sinto segura novamente.

O resto do caminho é silencioso, mas não me desagrada. Faltando uma rua para meu prédio, o agradeço por me acompanhar. Eu poderia deixá-lo saber onde moro, mas veja bem, não o conheço e não confio em estranhos, por mais que me sinta agradecida por ele ter me acompanhado até aqui.

- Obrigada, eu fico por aqui. – e paro ao falar, encarando-o. Posso dizer que só agora o notei. Ele tinha os olhos tão escuros quanto o cabelo. Seu rosto era bonito, com traços masculinos e maduros, ainda que não parecesse ter mais que trinta, e combinavam com seu tom de pele clara.

Ele assente, pegando no bolso o maço de cigarros, tirando um, ascendendo-o.

- Nos vemos depois. – digo, mas sinto que falta algo e não consigo perceber o quê até que chego ao meu apartamento. O nome dele. Ele não falou e eu tampouco lembrei de perguntar.

Chegar ao meu apartamento me trouxe o sentimento de segurança. Acho que nunca me senti tão bem ao chegar em casa. Me jogo no sofá e coloco o celular para carregar, que não demora a ligar e me mostrar algumas chamadas não atendidas. Sorrio, pensando em Ino e Kakashi. No entanto, me sinto triste quando vejo que somente há chamadas perdidas da Ino. Retorno, avisando que cheguei bem e preciso dormir boas horas de sono. Mas o sono não vem, mesmo quando o relógio sobre o criado-mudo mostra 00h. Ele não ligou, e isso já vem acontecendo há algum tempo. Eu espero, fantasio, mas a real é que Kakashi não liga, e não é só ligação pelo celular. Ele não se importa como antes, ou não demonstra mais.

Crio coragem e pego o celular, apertando o contato salvo como favorito. Chama até cair na caixa postal. Deixo o aparelho sob o travesseiro e deito de barriga para cima encarando o teto. Havia alguns dias que ele não vinha para casa. Aqui era o meu apartamento, mas Kakashi, meu noivo, costumava ficar mais aqui do que em qualquer outro lugar. Ino até brincava que comprei o apartamento no momento perfeito, que agora só faltava nos casarmos para oficializar de vez nossa união. Mas as coisas de uns meses para cá começaram a mudar, a esfriar. Até o sexo, que era bom, se tornou escasso e frio. Eu já não me sentia uma mulher amada, desejada. Pensar nessas coisas me dá medo; não quero acabar nosso relacionamento de cinco anos assim...

 

 

 

Pego no sono depois de um longo tempo de martírio e lágrimas.


Notas Finais


Nos vemos no próximo capítulo.


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