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História Daryl, is it love? - Dangerous Romance - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Demorei uns quinhentos anos, mas voltei, queridos e queridas!🤣💙
Desculpem pela demora. Eu estou tendo uma semana bem corrida, cheia de trabalhos e atividades para fazer! 😥 E, esse capítulo ficou maior do que eu esperava, então...
Espero que não tenha ficado chato e cansativo!😯

Queria agradecer pelos comentários de incentivo de todos até agora na fic!💙 São muito importantes para mim!😄

Um beijão e boa leitura, anjinhos!🌹😇

Capítulo 8 - 08. Hora de carregar o fardo


Fanfic / Fanfiction Daryl, is it love? - Dangerous Romance - Capítulo 8 - 08. Hora de carregar o fardo

Narrado por Alexa

Meu corpo relaxado e pesado não esconde como dormi bem esta noite. Não me lembro da última vez que minha cama foi tão gostosa e macia. Contorço-me entre tanto conforto e aproveito o toque dos meus delicados lençóis de seda.

Espera… Eu não tenho lençóis de seda!

Abro os olhos e levanto-me rapidamente. Sentada em uma cama desconhecida, observo com estranheza o quarto que também não reconheço.

Os acontecimento da noite passada me voltam a memória. Ai, droga… Não acredito que dormi na casa do Daryl! Que vergonha.

Passo a mão pelo rosto e me jogo de novo na cama.

"Eu sou um desastre! Depois de toda a cena que eu fiz, ainda tinha que pegar no sono, não é? Mas, é claro… ", ironizo nos meus pensamentos.

O ambiente escuro e a maciez impecável do colchão me fazem querer fechar as pálpebras novamente. Viro-me de lado para apreciar a suavidade da fronha do travesseiro. Como eu achei que estava em casa? Se eu estivesse em casa, além da roupa de cama não ser lá essas coisas, meu despertador já estaria gritando na minha cabeça. Falando nisso... Que horas são?!

Pulo da cama e procuro meu celular. Depois de correr meus olhos por todo o cômodo, finalmente encontro minha bolsa em cima de uma mesinha.

Abro o zíper rapidamente, pegando o telefone na mão. Acendo a tela de início e vejo que já são mais de oito horas horas!

— Merda! — reclamo em voz alta. Estou muito atrasada! Até chegar no trabalho… Que porcaria! Preciso me apressar e sair logo daqui!

Olho para os meus pés e noto que estou descalça. O Daryl tirou meus sapatos? Eu até a acharia fofo, mas estou com muita pressa para isso no momento.

Calço meu salto cano grosso com a maior rapidez possível e pego minhas coisas, saindo do quarto. Olho para um lado e para o outro, não fazendo a mínima ideia para onde seguir.

Não penso muito e apenas começo a caminhar para qualquer direção. Eu dobro o corredor extenso umas duas vezes, mas não acho nenhuma saída.

“Isso por acaso é um labirinto?!”, começo a ficar desesperada.

Dou meia volta, pretendendo retornar à minha origem, pois minha jornada só me trouxe à uma parede sem saída. No entanto, sou surpreendida, quando bato brutalmente contra um peitoral rígido e acabo soltando um gritinho de susto.

— Estava tentando fugir, princesa? O quarto de hóspedes estava ruim assim? — Daryl brinca com uma expressão divertida, enquanto me segura pela cintura para evitar o baque.

— Oh… — balbucio, arrumamdo meu cabelo que deve estar uma bagunça. — Daryl! — excalmo, um pouco costrangida pela situação em que me encontro. — É… Não! Claro que não! — O moreno latino parece achar graça da minha falta de jeito. — É só que eu não pretendia dormir aqui.

— Sério? Para mim pareceu tudo bem premeditado! — ele tira sarro me olhando com uma cara de idiota.

— Ah, tá! — ironizo levantando uma sobrancelha. — Aposto que você que colocou algum tipo de sonífero na água que me ofereceu, só para que eu não visse o placar da nossa partida! — alego, entrando na brincadeira.

— Não adianta jogar a culpa para mim, mocinha! Até porque, sabemos muito bem quem foi e sempre será o único vencedor! — o porto-riquenho faz uma cara de metido.

— Ah, é mesmo? E, quem venceu? — indago com a testa franzida curiosa. Seu olhar desvia e ele faz uma careta, deixando a resposta bem clara. Eu sorrio e arqueio a sobrancelha convencida. — Eu já sabia! E, talvez você devesse começar a aceitar o fato de que existe alguém melhor que você! — provoco, fazendo-o rir.

— Isso é impossível! Você só teve sorte! — Daryl determina e eu balanço a cabeça negativamente.

— Que teimosia… — murmuro, revirando os olhos de forma brincalhona e logo depois me volto à ele, percebendo seu sorriso de canto.

— Não é teimosia. É apenas a verdade! — o moreno rebate. — Mas, admito que você é uma boa jogadora! — ele acaba confessando.

— É o melhor que consegue fazer? — questiono, insatisfeita com essa declaração.

— Sim. — ele responde, depois de pensar por um instante. Eu caio na gargalhada. É muito engraçado ver ele se esforçando para não ferir o próprio ego.

De repente, sinto o toque suave de seu dedo no meu rosto, movendo uma mecha de meu cabelo para atrás da orelha. Isso parece ser um costusme que o moreno tem a cada vez que estamos mais próximos. Não poso mentir... Até que gosto disso.

— Bem… Apesar de ainda achar que tudo isso foi um plano seu, eu não estou reclamando! Não é nada mal amanhecer e encontrar um rostinho tão bonitinho passeando pela minha casa. — Daryl comenta intensificando o olhar sobre mim.

Eu acabo deixando um sorriso tímido escapar, enquanto encaro suas íris cor de mel e hipnotizantes. (Gif nas notas finais| Imagem 1) Entretanto, logo me recomponho. Qual e a minha? Não sou tão fácil assim!

— Que pena! — dou um tapinha suave no seu ombro e afasto sua mão ligeiramente. — Saiba que isso não irá se repetir! — pondero e o empurro de leve, abrindo caminho para o corredor. Noto seu olhar perplexo e divertido por minha atitude, o que me deixa satisfeita. — Agora, me diz como faço para sair daqui, porque eu não posso perder mais nenhum minuto! — exclamo e desbloqueio meu celular. — Ai, droga… eu vou ser demitida! — choramingo, suspirando. — E, eu ainda tenho que trocar de roupa! — bufo ao ver o estado deplorável da minha blusa suja de sangue, esquecida por um instante que Daryl está logo atrás de mim.

— Não se preocupe. Eu posso levar você até sua casa e depois ao trabalho. — ele se oferece, me fazendo voltar os olhos ao moreno.

— Ah… Não mesmo! — nego fazendo um gesto com a mão. — Eu já te enchi o saco demais! Obrigada mesmo, mas eu não quero incomodar.

— Não será incômodo nenhum. — Daryl responde, vindo em minha direção e começando a me guiar pelo corredor.

— Realmemte não precisa! — insisto. — Não vai dar tempo mesmo. Até chegar ao meu apê e ir à empresa, já estarei ferrada! — declaro, passando a mão pelo rosto.

— Okay… — o moreno latino para para pensar. Eu fico intrigada e não disfarço minha curiosidade, gesticulando com as mãos para que ele continue falando. — Venha comigo. — ele determina e eu faço o que pede.

"Espero que seja uma solução para meu problema!", torço esperançosa.

Andamos pouco, até que o moreno pare diante de uma porta bem discreta. Ele a abre com facilidade e liga um interruptor no canto da parede, fazendo com que se revele uma pequena “despensa” aos meus olhos.

Existem várias prateleiras organizadas com muitas caixas, todas em seu devido lugar, chega ser prazeroso ver a arrumação impecável do lugar.

Daryl se volta para uma de tantas caixas e começa a vasculhá-la. Eu fico apenas observando atentamente.

— Deve ter algo que te sirva aqui... — o moreno murmura, enquanto procura no meio de coisas que se parecem com roupas. — Talvez esse. — ele levanta uma peça de roupa minúscula à altura dos meus olhos.

Santo Díos… O que é isso?! — indago, pegando o tecido e o analisando. Parece ser um micro-vestido preto bem maleável. — Olha… Sinceramente, eu estaria mais apresentável para ir trabalhar se fosse usando só um sutiã do que isso aqui! — declaro e jogo de volta a roupa para Daryl que sorri com meu comentário de forma maliciosa.

— Se eu fosse seu chefe, não me incomodaria com nenhuma das duas opções! — ele pondera,e eu lhe mostro a língua debochadamente. — Procure algo nessa outra caixa. — o porto-riquenho aponta para o objeto ao seu lado e eu levanto as sobrancelhas incrédula.

— Quantas caixas você tem disso? — indago e começo a procurar também. — Ou melhor… Por que você tem isso?!

— Bom… Algumas visitantes às vezes esquecem suas coisas aqui. — ele responde.

— Tá de brincadeira…? — fico atônita. — Primeiramente, eu não vou usar nada que suas peguetes tenham esquecido na sua casa! — deixo bem claro, enquanto ele me observa, sorrindo com minha reação. — Segundo! Como que a pessoa esqueceu o vestido?! Ela foi embora pelada? — Não posso evitar que esse pensamento escape em voz alta. Daryl se acaba de rir diante minha cara de perplexidade.

— Isso eu não sei… — ele diz entre risos e tentando recuperar o fôlego. — Nem todas são minhas peguetes, princesa! Eu dou muitas festas aqui! — Daryl explica, me fazendo revirar os olhos, quando ele diz que nem todas são suas peguetes. Mas também, assinto sem dar tanta importância, pois estou com os olhos vidrados em outra caixa.

Quando me dou conta, ela já está aberta e meus dedos curiosos correm por todas as vestimentas.

— Essa caixa é doações, princesa… Não achará nada aí! — o moreno latino adverte. No entanto, já é tarde demais. Achei algo perfeito.

— Isso está de ótimo tamanho. — estico uma bela camiseta preta com a estampa da banda AC/DC. Eu confesso que me apaixonei pela camiseta. Amo essa banda! — Então... Gosta de Rock, hein?— questiono, fazendo Daryl soltar uma risadinha.

— É. Algumas bandas... Algumas músicas. — ele responde com um sorriso um pouco contido.

— Já estou vendo que terei que te ensinar muita coisa também sobre música boa. Ai, ai…— murmuro, escutando o moreno rir. — Mas, vamos deixar isso para quando eu tiver tempo! — exclamo, focando no que preciso fazer. — O que acha? — estendo a peça de roupa sobre meu corpo e me volto à Daryl. O traje é um pouco grande para mim, mas acho que vestirá bem.

— Ficará melhor em você do que em mim. — ele dá de ombros e sorri de canto. — Agora, vá trocar de roupa e eu te levo até a empresa. — o moreno elucida me empurrando gentilmente para fora do pequeno cômodo.

Não faz parte do meu plano que ele me dê uma carona, mas não retruco. Não quero mesmo ser mais chata e pé no saco do que já fui noite passada, então mando mensagem para uma amigo, pedindo que venha me buscar aqui.

[…]

Eu já estava pronta para ir o mais rápido que pudesse para a Carter. Já seria a terceira vez na semana que chegaria atrasada! E, do jeito que a vaca da Cassidy, gerente do RH na Carter, é intrometida e fuxiqueira, daria um jeito para me queimar com os superiores.

Daryl me deixou super a vontade no quarto de hóspedes e eu dei um pequeno tapa no visual. Arrumei o cabelo e passei um corretivo de forma desejeitada, por conta da pressa, apenas para esconder os olhos inchados. Também me livrei de minha blusa suja e vesti a que o moreno emprestou. Pode ser até para doação, mas consigo sentir o cheiro dele. É bom…

Para dar um ar de estilo e não ficar muito esquisito, coloquei a camiseta por debaixo da minha calça de cós alto. Aproveitei para escovar os dentes também, com o meu kit de higiene bucal que nunca tiro da bolsa.

Antes de sair do quarto, pego meu celular novamemte e observo que ainda tenho tempo de chegar na empresa. Não possso evitar notar algumas mensagens de Lisa na barra de notificação. Eu capotei ontem e nem tive chance de responder minha amiga. Bom… Falo com ela na Carter.

Saio de dentro do quarto e de cara me deparo com Daryl encostado na parede do corredor. Seus olhos antes vidrados na tela do telefone, agora se voltam à mim.

O moreno me analisa por inteira, e, sinceramente, não acho isso ruim… Aos poucos um sorriso bem atrevido torneia seus lábios.

— Está linda, princesa... — seu comentário me faz corar. — Realmente, essa camiseta ficou ótima em você!

— Obrigada! — respondo, um pouco intimidada, enquanto me aproximo.

— Vamos descer. — Daryl faz um sinal para que eu o siga.

— Que bom que você está aqui para me mostrar o caminho. São tantos corredores e portas! Não sei como você não se perde… — declaro, fazendo o moreno latino rir.

— Na próxima vez que você vier eu mesmo me encarrego de fazer um tour por toda a casa. — ele sugere.

— Isso seria ótimo… — solto uma risadinha. Descemos as escadas, entrando no que parece ser sua sala de estar. Agora estou reconhecendo o cômodo...

— Você ainda tem tempo de tomar o café da manhã? — Daryl indaga, parando de andar e se voltando à mim.

Estou prestes a responder, mas o som da notificação que ascende meu celular chama a minha atenção:

• Michael: Já cheguei.

— Bom… Na verdade, eu já vou ter que ir. Pedi para o Michael me buscar. Não quero mais abusar da sua boa vontade! — exclamo.

— Mas, eu já tinha dito que não seria problema te levar!

— Obrigada de verdade! — respondo e sorrio. — Só que você já fez o bastante! Já fui muito chata invadindo a sua casa, chorando e dormindo no seu sofá! — brinco e Daryl inclina a cabeça, me lança um olhar profundo, como se fosse óbvio que não era um incômodo.

— Pode fazer isso mais vezes se quiser! — ele oferece.

— É tentador! — levanto as sobrancelhas, brincalhona. Aproximo-me rapidamente do moreno, ficando nas pontas dos pés para dar um beijo na sua bochecha. Tenho a sensação de sentir Daryl inspirando meu perfume, mas acho que é só coisa da minha cabeça. — Obrigada por tudo. — digo em um tom mais baixo. Nossos olhos se cruzam por um instante e sinto, mesmo que breve, um tipo de faísca saindo disso. É estranho.

— Não foi nada. — sorri de canto. Percebo que as mãos deles ainda estão na minha cintura e pigarreio, voltando a realidade.

— Bom… Eu te devolvo a blusa depois. — passo a mão pelo cabelo, colocando algumas mechas para trás do ombro.

— Okay. Mas, terá um juros! — o moreno enfatiza e eu levanto uma sobrancelha curiosa. — Só aceito a camiseta de volta se você vier junto como brinde! Nada mais! É a condição... — quando ele diz isso, sinto o meu rosto pegando fogo e começo a rir, desconcertado. Finalmente me afasto de Daryl que se diverte muito com minha timidez.

— Vai se ferrar... — é a única coisa que consigo declarar. O moreno latino me leva até a saída, enquanto cai na risada. Ele abre a porta e de longe consigo avistar o carto de Mike estacionado.

— Olha, Alex… — Daryl chama minha atenção e passa a língua entre os lábios antes de continuar a falar. Parece ser um um ato não intencionado, mas não consigo evitar achar sexy… — Se alguma coisa acontecer… Se tiver algum problema, pode ligar para mim! Talvez eu possa te ajudar.

Eu compreendo que quando ele oferece isso, está se referindo à Maccini. Eu assinto com a cabeça e agradeço por tudo mais uma vez. Depois que me despeço, caminho até minha carona, deixando Daryl para trás.

Entro no carro de Michael e forço um sorriso para ele.

— Obrigada por ter vindo. — declaro um pouco sem jeito. Não nos falamos desde o final de semana. Eu tinha ficado realmente chateada.

— Sem problemas! Estou aqui só para ajudar… — ele pondera e eu assinto com a cabeça. Mike não perde mais tempo e começa a andar com o carro. O silêncio acaba se instalando entre nós. Acho que ele também está meio desconfortável. — Olha, me desculpe mesmo pelo o que hove… — Michael balbucia. — Eu só queria dar uma força para o seu irmão... Sabe, ele não tinha escolha e…

— Tudo bem. — interrompo-o. — Eu já entendi o seu lado. E, agradeço por não ter deixado Miguel sozinho. — sou totalmente sincera. — Mas, seria melhor se tivesse me contado tudo antes. Eu preferia ter descoberto pela boca de um dos dois e não daquela forma. — pondero.

— Eu sei… Foi mancada. — ele admite. — Mas, vamos sair dessa.

— Eu espero. — suspiro um pouco ansiosa e preocupada.

— Bom… Agora que sei que não está mais brava comigo, eu preciso comentar… — Michael tira os olhos da estrada por um momento e os volta para mim, com um ar malicioso. — Passou a noite na casa do Ortega, hein? Depois vem dizer que minhas evidências estão equivocados! — ele provoca rindo.

Eu sinto, no mesmo instante, o rubor tomando conta de minhas bochechas.

— Não enche, Michael! Não aconteceu nada do que você está pensando! — esclareço, virando o rosto para o outro lado, exasperada.

— Você não me engana, García! De santa só tem a cara mesmo! — Mike declara e eu me viro para encará-lo na hora.

— Você me respeita, seu pendejo! — cada silaba é um tapa em seu braço, enfatizando o xingamento em espanhol que usei com ele.

— Ai! — Michael grune. — Para com isso! Vou bater o carro por sua culpa! — ele exclama, me fazendo parar finalmente. — E, o que é pendejo?

— Você! Você é a pura definição de pendejo! — disparo lhe lançado um olhar sínico.

— Não deve ser coisa boa… — Mike balança a cabeça, achando graça. — Eu procuro no Google depois!

— Faça isso. Está precisando se informar mesmo! — determino e faço uma cara feia para ele. — Mas, vamos mudar de assunto.

— Muito conveniente fugir da conversa, não é? Quem não deve, não teme, Alexa! — meu amigo irritante provoca mais uma vez. No entanto, ignoro seu comentário:

— Miguel contou sobre a corrida de sábado. — isso cala Mike imediatemente ao meu lado. — Suponho que vai estar lá, certo? — indago mesmo sabendo o que ele dirá.

— Sim, eu vou. — Mike afrima um pouco receoso.

— Ótimo. — declaro, me voltando á ele. — Vou precisar de sua ajuda, Michael. Tenho estar presente nessa corrida! — anuncio para o gângster que me encara sem entender minha intenção.

O apoio dele vai ser muito importante para o que pretendo fazer neste sábado. Se é loucura, eu não sei. A única certeza que tenho é de que não posso ficar de braços cruzados.

□■Quebra de tempo□■

Cheguei à Carter em cima da hora. Um minuto a mais e eu estaria com a cabeça na guilhotina. Ser pontual sempre foi uma de minhas qualidades, porém, nos últimos dias tenho dormido mal e deixado a desejar pelos meus atrasos.

Nem pude dar um “Oi!” decente para Lisa. Apenas um aceno com a cabeça, e eu já estava na correria para pegar o elevador.

Felizmente, o resto da tarde correu super bem e calma. Na hora do almoço conversei melhor com minha amiga loira que, à propósito, estava bem curiosa para saber o que Tyler havia feito dessa vez. Bem… eu descobrirei isso daqui a pouco.

Meu turno já acabou e neste momento estou do lado de fora da empresa, conversando com Lisa e Matt. A pauta do nosso assunto é sobre a inauguração de uma academia filiada da qual o moreno trabalha. Ian, o dono do centro de educação física e chefe de Matt, quis expandir para um local mais afastado do Brooklin, com a intenção de aumentar a renda.

Estão todos animados, pois é um projeto que levou muito tempo e, pelo o que parece, o novo prédio da academia ficou incrível!

— Então, você vai deixar de aular na academia do Brooklin? — Lisa indaga para o moreno.

— Claro que não! — ele respode com o se fosse óbvio. E, é mesmo. É evidente que Matt dá aula pelo carinho e identificação que sente por todos aqueles garotos. Se ele desistisse deles, não sei o que aconteceria. — Sempre darei aula no Brooklin! Apenas estarei na inauguração para dar uma força.

— Sei… — Lisa espreita os olhos de forma brincalhona. — Só vai para ver se alguma pretendente, não é?

— Na verdade, Lisa, é para atrair mais alunas e alunos! — também entro na brincadeira, apontando para os músculos aparentes so moreno  e lançando uma piscadela para minha amiga loira.

— É um pouco dos dois! — ele retribui a piscadinha e sorri travesso, nos fazendo rir. — Aliás... O Ian já te disse que vai precisar do seu dom fotográfico, Alexa? — Matt se volta para mim.

— Já sim! E, já confirmo minha presença na inauguração! — respondo animada.

Na minha adolescência, sempre me ocupava com algum tipo de atividade aleatória. Qualquer curso que surgia na escola, eu me inscrevia. Não gostava muito de voltar para casa…

No final, acabei me identificando só com poucas coisas, como o clube de música, que é uma das coisas que mais gosto, o clube de dança e o de fotografia. Para ser sincera, não sou tão boa assim com as fotos, mas quebro um galho. Já com a dança, é uma coisa meio que de família. O sangue cubano correndo pelas minhas veias não aguenta ouvir nenhuma batida sem mandar impulsos nervosos mexerem meus quadris. Confesso que era um jeito de lembrar de minha mãe. Ela adorava dançar!

Esses momentos passando pela minha cabeça me deixam nostalgica e com muita saudade. Logo, me lembro de um amigo muito próximo que tive nessa época. Ele era meu porto-seguro, mas acabamos nos asfastando, o que me entristece. Seu nome é Cole, passamos por muita coisa um ao lado do outro. Ele foi um anjo em minha vida.

Antes que eu fique deprê, afasto todos esses pensamentos de minha mente e checo a hora no meu celular. Estou cada vez mais ansiosa. Daqui alguns minutos encontrarei Lydia para falarmos sobre Tyler.

Estou com medo! Antes nem dei tanta importância, mas agora que a hora está chegando… Eu só não quero me decepcionar de novo!

Lisa percebe meu desconforto e, imaginando do que ele de trata, passa a mão pelas as minhas costas. A loira me olha de forma reconfortante, como se dissesse “Estou com você!”. Agradeço esse gesto com um sorriso.

— O papo está ótimo, gente! Mas, preciso ir agora. — lamento com uma cara de cachorro abandonado e me despeço de meus amigos.

— Nos vemos mais tarde no treino hoje, Alex? — Matt indaga após me dar um abraço de despedida.

— Claro! — comfirmo sem nem ao certo se terei ânimo para isso.

Antes de partir, me volto para Lisa que me observa com preocupação.

— Amiga, me deixe informada de tudo. Se precisar, eu te ajudo a dar uma surra no Tyler! — a loira fala em um tom mais baixo para que Matt não escute. Eu rio com sua oferta.

— Obrigada, Lisa! Te contarei tudo, assim que souber o que está havendo! — declaro, e ela sorri para mim. Nos abraçamos brevemente e eu respiro fundo, tentando ganhar fôlego para o que está por vim.

Sinto que tudo pode mudar agora…

[…]

Estou há quase cinco minutos esperando Lydia chegar ao local em que combinamos. Eu pedi um café expresso para acalmar os nervos e conter a ansiedade o que, no entanto, é totalmente inútil!

Batuco com as unhas na mesa de madeira, olhando de um lado para o outro à procura da colega de trabalho do meu possível futuro ex-namorado.

Eu tenho tantas duvidas, tantas hipóteses... Isso está me matando!

Mas, para o meu alívio ou meu desepero, avisto a mulher de pele negra e cabelos compridos chegando apressadamente na cafeteira.

— Oi, Alexa! — ela se aproxima de mim. — Desculpe pelo atraso! Está sendo um dia corrido! — Lydia declara me dando um beijo de cumprimento na bochecha.

— Tudo bem! Sente-se. — sugestiono, me endireitando na cadeira. Ela faz o que digo e olha para mim, parecendo meio sem graça.

— Olha, Alexa… Não quero tomar muita parte do seu tempo, até porque eu também não tenho tanto… — ela sorri gentilmente, tentando aliviar o clima. — Então, vou ser o mais direta possível, tudo bem?

— Por favor, só me diga logo sobre o que Tyler está mentindo e acabe com essa agônia. — peço com aflição e ela suspira profundamente.

— Eu não quero ser uma intrometida… Sabe? — Lydia faz uma pausa. — Só que eu não me sentia confortável com o que o Tyler estava fazendo. Eu sei que é um assunto de vocês dois. O Tyler é um grande amigo. Mas, Alex… — ela segura a minha mão gentilmente. — Você não merece der feita de boba, querida. — meu coração pula no peito à cada palavra que ela pronuncia. Meu olhar insistente e questionativo fazem-a dizer de uma vez: — O pai dele não está doente!

— C-Como tem certeza disso? E, como sabe que… — eu balbucio sem entender.

— Querida... Sou amiga dele há muito tempo. Tyler me conta tudo. Ele disse que teve medo de que você terminasse tudo e inventou essa desculpa. — sua declaração não me surpreende tanto, mas machuca. — Ele até me pediu para falsificar alguns documentos para que pudesse te fazer acreditar! Sinto muito, Alexa. Eu nem acredito que estou me envolvendo nisso… — Lydia desvia o olhar, como se estivesse se sentindo mal por estar me contando tudo. Depois de inspirar forte, ela pega o telefone e desliza o dedo sobre a tela até me mostrá-lo. — Aqui estão algumas conversas que tivemos sobre o assunto.

Eu pego o aparelho na mão sem hesitar. Meus olhos correm por cada linha, por cada palavra das mensagens de texto. Eu sinto a raiva invadir o meu peito. Fui feita de idiota mais uma vez! Acreditei no patife e me ferrei de novo!

Com dificuldade de conter minha irritação, devolvo o celular para Lydia e me levanto bruscamente da cadeira.

— Obrigada por me contar, Lydia! Você não fez mal! — pego minha bolsa e meu café. — E, fique tranquila, pois não direi que foi você quem revelou isso.— tranquilizo-a e vejo sua tentativa de me reconfortar com um sorriso triste.

Eu não espero mais nem um segundo e saio de lá furiosa. Agora esse idiota acabou com minha paciência!

□■Quebra de tempo□■

Chego ao apartamento de Tyler o mais rápido que foi possível. Bato na porta de forma insistente e agressiva. Não demora muito e ele surge diante dos meus olhos, abrindo a única coisa que podia me barrar de pular em seu pescoço.

— Alexa? O que está fazendo aqui? — o mentiroso indaga surpreso.

— Posso entrar ou não? — questiono secamente, sem dar à mínima para sua curiosidade.

— Claro… — ele me dá espaço, e eu entro detetminada. Tyler fecha a porta atrás de mim. Mal consigo olhar para seu rosto. — E, então? Agora você quer conversar? — ele indaga ironicamente. — Eu te deixei varias mensagens! Te liguei várias vezes!

— Dói ser jogado para escanteio, não é?! — viro-me abrutaptamente para encará-lo. — Não é legal ser ignorado. — jogo as palavras em cima dele, enquanto me aproximo. — Você me fez passar por isso nos últimos 9 meses! — alego, batendo o dedo contra seu peito. — Eu também te ligava! Te deixava inúmeras mensagens! E, você nunca retornava! Sempre com uma desculpinha esfarrapada! — solto uma risada extremamente forçada. Tyler me olha perplexo.

— Ale…

— Não! — impesso que ele diga qualquer coisa. — É minha vez de falar! Estou cansada de engolir sapo! Já fiz isso por tempo de mais! — esbravejo sem me importar com quão louca eu esteja parecendo. — Eu sou tão idiota de pensar que você podia mudar!

— Do que você está falando? — ele respira fundo. — Eu estou tentando! Mas, você não me dá oportunidade! Você mal me deixa te tocar! — Tyler aumenta o tom.

— É porque eu não sinto mais a mesma coisa por você! — vocifero, mesmo que as palavras doam. — Eu me cansei, Tyler! Cansei de tentar tantas vezes! Cansei de ser a segunda opção! E, só para piorar… Você mentiu para mim!

— Do que você está falando?! — ele parece ficar intrigado e preocupado.

— Seu pai não está doente coisa nenhuma, não é? — vejo seu olhar escurecer, enquanto ele engole seco.

— Você está ficando louca? — Tyler balbucia. — É claro que está! Eu não mentiria sobre isso. — ele dá meia volta e começa a mexer em uma gaveta da estante. — Eu tenho os exames que ele fez…

— Ah… Claro! — debocho. — Aqueles que você pediu para falsificar?

— Como você pode duvidar de mim? Eu…

— Ai, meu Deus! — berro, esfregando o rosto. — Para de mentir, Tyler! Já chega! Não seja um babaca comigo pelo menos uma vez na vida!

Ele se cala por um momento e suspira profundamente.

— Eu só fiz isso, porque não podia te perder, Alexa!

— Mas, já perdeu... Faz muito tempo! — sinto as lágrimas surgindo nos meus olhos. — E, saber que você mentiu só comprova que eu sou só uma segunda opção para você! Eu mereço mais que isso!

— Sim! Você merece… — Tyler se aproxima ligeiramente de mim e tenta me tocar, mas eu recuo com medo de me ferir ainda mais. — E, eu vou te dar o que merece! Por favor, me deixe provar! Me dê uma segunda chance!

— Segunda chance? Eu te dei milhares de chances, mas você desperdiçou todas! — declaro dando vários passos para trás, já que ele continua tentando se aproximar.

— Não, Alex… Eu amo você! E, vou mudar de verdade! — Tyler me encurrala, quando bato as costas contra a parede. Apenas olho para o chão, sem conseguir acreditar em suas palavras. — Eu ia te procurar amanhã na sua casa, te levaria para aquele parque que você tanto adora… Nós íamos nos entender. Depois voltariamos para meu apê e teríamos uma bela noite juntos... — ele declara, chegando mais perto e plantando um beijo no meu pescoço. — E, eu ainda estou disposto a fazer isso. — sua mão desce ao meu quadril, enquanto ele espalha mais beijos sobre minha pele.

— Não, Tyler! — nego, mas ele não escuta. — Não deixe tudo mais difícil! — desvencilho-me de seu toque. — Não dá mais! Eu não acredito mais em você! Não confio mais em você! Eu… — luto contra mim mesma para dizer isso em voz alta, para acabar logo com toda essa palhaçada. Pelo olhar triste de Tyler, suponho que já saiba o que sinto. — … não te amo. — sei que as minhas palavras o ferem. Ele engole seco e desvia o olhar. — Então, não dá mais para mentirmos um para o outro! Essa relação não é mais saudável. Tudo o que a gente era… Não existe mais!

— Não acredito que está desistindo de nós assim… — Tyler murmura balançando a cabeça. Eu enxugo uma lágrima fujona de meu rosto e me aproximo dele. Pego seu rosto em minhas mãos, o obrigando à me encarar.

— Tivemos ótimos momentos, Tyler. Lindas lembranças que eu vou guardar para sempre aqui. — aponto para o coração. — E, eu sempre terei um carinho especial por você... Mas, não consigo continuar com isso. Não podemos…

— Dói em mim mais do que você pensa, Alexandra! — ele tira minhas mãos de cima dele e vira as costas para mim.

— Eu digo o mesmo! — completo, colocando um ponto final na nossa história. Eu fico esperando qualquer tipo de reação que Tyler possa ter, mas ele não ousa nem olhar para mim. — Não é uma coisa repentina... você sabe! — enfatizo sem receber uma resposta. — É só que depois de descobrir sua mentira, eu finalmente pude tomar coragem para fazer o que eu queria há meses! — espero que as palavras doam nele, como tudo o que ele fez dói em mim. — Cansei de você...

Sem ter mais nada à dizer, eu recuo com o olhar baixo. Tiro minha aliança e sinto-me arrancado todos os nossos momentos de minha alma. Sinto tristeza e libertação ao mesmo tempo.

Sei que estou virando uma página da minha vida. Só espero que as novas linhas que escreverei sejam melhores… Abandono o simbolo de nossa união em cima da uma mesinha e saio de lá sem ser impedida.

[…]

Quando já estou na calçada em frente ao edifício, pego meu celular e disco o número de Lisa.

Nem dois toques se completam direito, e eu já recebo uma resposta de minha amiga:

Ligação ON

— Oi, Alex! — ela atende com expectativa. — E, aí? Tudo bem?

Eu abro minha boca para responder. No entanto, nenhuma palavra sai. Fico paralisada. Acho que a ficha acabou de cair…

— Alexa? Você está aí? — a loira questiona preocupada.

— Eu… terminei com o Tyler. — anuncio em voz alta.

— Oh! — Lisa demonstra sua surpresa. — Alexa… Eu sinto muito. — eu não sei como respondê-la, então permaneço em silêncio, digerindo o que acabei de fazer. — Onde você está, amiga?

— Estou em frente ao prédio dele… — suspiro e fecho os olhos, deixando algumas lágrimas escorrerem. — Posso ir para sua casa? — peço com expectativa à minha amiga.

— Claro que pode! Venha neste mesmo instante!

— Obrigada, Lisa... — balbucio. — Estou indo.

— Estou te esperando.

Eu fico mais aliviada por saber que posso contar com Lisa. Nesse momento, eu só preciso de sua compreensão e seu reconforto.

Ligação OFF

Narrado por Tyler

Não acredito que acabou. Não acredito que ela foi embora mesmo! Infelizmente quando olhei para trás, Alexa não estava mais aqui.

Eu sou um idiota mesmo! Não posso aceitar que à deixei escapar entre meus dedos! E, eu sei bem quem é a culpada disso!

Pego meu celular furioso e procuro o número da minha delatora.

…………………………………………………………………..

Lydia

ONLINE

[Você deve estar bem satisfeita agora, não é?]>

[ACABOU COM MEU RELACIONAMENTO!]>

<[Aaaa, amorzinho...]

<[Pensei que ia gostar do que fiz por nós!]

[Vc é muito sínica, Lydia!]>

[Não quero ver sua cara nunca mais! Vc não tinha direito de se meter na minha vida assim!]>

<[Qual é, Tyler?]

<[Poderia ter sido bem pior…]

<[Eu podia muito bem ter contado para aquela                 sua namoradinha idiota de todas as noites que               passamos juntos...]

<[E, de como você gostava!]

[Tudo o que aconteceu entre a gente foi um erro!]>

[Eu me arrependo de tudo]>

[E, não ouse chegar perto da Alexa outra vez!]>

<[Não seja tão agressivo…]

<[(っ˘̩╭╮˘̩)っ ]

<[Vc vai voltar como um cachorrinho para mim,              quando menos esperar, meu bem!]

<[Grave minhas palavras!]

…………………………………………………………………..

Desligo o telefone e o jogo contra a parede de tanta raiva. Eu não vou desistir da Alexa! Eu ainda vou fazê-la me amar! Custe o que custar…

Narrado por Alexa

Quando chego ao apartamento de Lisa, respiro fundo e bato na porta com desânimo. Ela a abre rapidamente e me encara com os olhos cheios de preocupação.

A única coisa que consigo fazer é abraça-la, em prantos.

— Por que nada dá certo para mim, Lisa? — indago, enquanto minha amiga afaga minhas costas.

— Calma, Alexa… Estou aqui com você! Pode desabafar, pode chorar e desabar o quanto quiser! Estou com você! — suas poucas palavras preenchem profundamente meu peito.

— Ai, amiga… — me afasto um pouco e enxugo o rosto molhado. — Eu sou tão idiota!

— Claro que não é! — Lisa bate o pé. — Você é maravilhosa! O que aquele babaca fez dessa vez?! — minha amiga me guia até o sofá e fecha a cara.

— A Isabela tinha razão... A história que ele me contou era mais uma mentira! Eu acreditei naquele mentiroso! — eu cerro os punhos, cravando as unhas nas palmas da mão devido à minha imensa fúria.

— Que filho da puta! — Lisa esbraveja. — Se ele estivesse na minha frente, eu juro que lhe daria uma bela surra!

— Você não faz ideia de como eu quero isso também! — passo a mão pelo rosto. — Eu nem estou triste sabe… Eu só sinto puro ódio! Odeio ser feita de trouxa! E, ele sempre conseguiu fazer isso comigo!

— Mas, não vai mais! — a loira segura minha mão e me olha com determinação. — O Tyler é passado agora! Você finalmente colocou um ponto final nessa história! Finalmente se livrou daquele tóxico que não te trata do jeito que você merece! — Lisa segura meu rosto e termina de limpa-lo. — Você é incrível, Alexa! E, é como você me diz todas as vezes em que me encontra mal por conta de algum cara idiota… — ela ri fraco. — Um dia você vai encontrar alguém que te valorize, como a mulher incrível você é, que te fará sorrir nos momentos em que o mundo pareça estar desabando, que te amará infinitamente! Tudo que é bom demora para chegar...

Sorrio genuínamente para minha amiga.

— Obrigada por tudo… — lhe dou um abraço apertado.

— Que nada… Estou aqui para isso. — ela retribui meu gesto. — Só estou roubando seu discurso! — seu comentário me faz rir. — Como que era aquela frase que você falou aquele dia… — Lisa faz uma pausa para pensar. — Era de um tal Alejandro Zebra...

— Zambra, Lisa! — solto uma gargalhada. — “Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda a sua vida?” — cito uma das frases do escritor Alejandro Zambra.

— É! Era isso que eu queria dizer! — Lisa disfarça e se levanta. Eu suspiro, me sentindo um pouco melhor. — Bom… Agora eu iniciarei a programação de cura dos corações partidos! Método criado por mim mesma! — ela faz uma reverência, tentando descontrair. — Ainda ficarei rica com isso!

Começo a rir diante de sua brincadeira.

— Ah, é mesmo? E, eu receberia uma parte, por ser cobaia de seu experimento? — pergunto em um tom mais alto, pois a loira some para a cozinha.

— Claro que sim! Toda colaboração será remunerada com potes de sorvetes deliciosos. — ela volta com duas embalagens da mimha sobremesa gelada preferida.

— Ai, que maravilha! Não vejo a hora de receber o resto! — tiro sarro, enquanto minha amiga se senta ao meu lado.

Que sorte eu tenho de tê-la comigo...

[…]

Narrado por Daryl

Mais uma de minhas tradicionais festas já havia começado. As pessoas se divertem loucamente ao redor da piscina, bebendo e dançando ao ritmo das batidas envolventes da música alta.

Estou com um copo de rum na mão, apenas observando a multidão que aproveita a agitação. Dou um gole em minha bebida e me acabo voltando meus pensamentos à Alexa. Me pergunto se ela virá hoje… Até procuro com os olhos em meio a aglomeração de pessoas, mas não a encontro.

Solto o ar pela boca em frustração. Aquela garota é realmente um enigma. Ao mesmo tempo que acho que estou fazendo algum avanço, parece que não estou. Não consigo ter certeza se ela está afim ou não...e isso está me deixando cada vez mais curioso.

“Bom… Até que é divertido!"

Eu gostaria muito de saber o que ela está fazendo agora, e até poderia… Tenho que confessar que acabei colocando um de meus homens para ficar de olho. Eu imagino que o pai dela deve ter feito isso também. No entanto, percebi que Alexa e Esteban têm uma relação complicada, e como todo cuidado é pouco, quando se trata de Maccini, não pude evitar.

Sou tirado de meus pensamentos, quando um de meus seguranças se aproxima e me chama a atenção:

— Senhor Ortega… Temos um problema.

— Que problema, Hoper? — indago, levantando uma sobrancelha.

— O Ethan, da gangue dos Rivera, está aí e veio acompanhado! — ele declara.

— Droga… — bufo impaciente.

— Nós tentamos tirá-los daqui a força, mas você sabe como são as coisas com os Rivera…

— Sei, Hoper! — viro meu copo e suspiro profundamente. — Deixa esse assunto comigo. — determino e o homem assente.

“Era só o que me faltava mesmo…”

Adentro na minha casa até a porta de entrada, onde encontro todos os gangsters à minha espera, todos armados.

— Ortega! — Ethan é o que se pronuncia. — Olhem só pessoal! O anfitrião finalmente veio nos atender!

— O que quer, Rivera? Cansou de dar voltas com os seu cachorrinhos pelos subúrbios de Bronx? — questiono com sarcasmo. Ethan força uma risada escandalosa.

— Na verdade, Ortega… Eu não queria estar aqui! Mas, sabe como é, né? — ele fala, enquanto dá mais um passo a frente. — Às vezes aparecem uns problemas, como você, que eu preciso resolver… Entende?

— E, desde quando eu sou um problema?

— Desde que resolveu me irritar naquele racha! — Ethan engrossa o tom, como se estivesse metendo medo em alguém.

— Por que está forçando a voz? — debocho levando a mão à um de meus ouvidos, fingindo que isso me incomoda. — Cuidado para não estourar oa tímpanos de alguém com essa voz estridente de um garoto que está passando pela puberdade. — Não posso evitar de tirar sarro. Ethan é um moleque que se acha de mais!

— Você está abusando da minha paciência, Ortega! — ele vocifera.

— Sério, Ethan… Acho melhor ir embora agora da minha casa, ou mando meus homens cuidarem disso! — fico sem saco para aturar esse idiota.

— Mande! Todos eles e inclusive você vão levar bala!

— Ah, claro… E, o que você acha que seu chefe vai achar disso? Todo o assunto que eu tive com os Rivera já foi resolvido! Temos um acordo! E, realizar um capricho seu para alimentar seu ego ferido não faz parte desse acordo. — elucido, enfiando a mão no bolso.

— É aí que você se engana, Daryl! — ele alega. — As coisas mudaram! E, agora sou eu quem dita as ordens.

— Do que você está falando? — franzo a testa sem entender.

— Você vai entender em breve! — Ethan solta uma risada e recua. — Só queria te avisar para ficar esperto! A gente se esbarra em breve.

Assim, aquele mané e os outros pau mandados vão embora, me deixando confuso. Ele dita as ordens agora? Essa história está muito mal contada! E, já imagino que ainda vai me dar muita dor de cabeça…

Narrado por Alexa

□■Quebra de tempo□■

Durante toda a noite de domingo, recebi a ajuda da minha incrível amiga Lisa. Eu desabafei, gritei e até fingimos que a cara do Tyler era uma almofada para ficarmos socando! Tudo isso me ajudou a descontar toda a raiva que havia se acomulado no meu peito.

No final, eu entendi que o fim desse relacionamento não me deixou nem um pouco triste. Mas sim, me fez sentir um grande alívio e me trouxe essa liberdade outra vez! Fazia tanto tempo que eu não me sentia assim…

Apenas me senti mal por ter sido uma extrema idiota e uma completa burra, por ter confiado naquele mentiroso mais uma vez. Mas também, agradeço por ter tomado coragem e terminado, finalmente, com aquele relacionamento. Porque, infelizmente, mesmo que eu tente milhares de vezes, Tyler nunca vai ser alguém por quem eu possa sentir amor.

Eu acabei passando a noite na casa de Lisa, e o sábado todo passeando pela cidade com a loira. Isso tudo me distraiu e me renovou. Sinto-me revigorada!

☆Neste momento☆

Já está anoitecendo e eu estou voltando à pé com Lisa para seu apartamento. Nós jogamos papo fora, até que sinto meu celular vibrar. Desbloqueio a tela e leio a seguinte mensagem que recebo de Michael:

• Preciso te buscar agora. Está em casa?

— Uuhhh…. Quem é?! — Lisa gruda em mim com os olhos fixados no meu telefone. Começo a rir.

— É um amigo. — afirmo, enquanto respondo Mike, mandando minha localização.

— Amigo… Sei! — ela murmura, sem acreditar. — Ou possível futuro contatinho?

— Ai, credo! Dios no lo quiera! — exagero, fazendo um sinal da cruz.

— Nossa, miga... O cara é tão ruim assim? — Lisa solta uma gargalhada.

— Não... Só que não dá para me imaginar com ele! Não dá mesmo! — exclamo, torcendo o nariz ao imaginar como seria.

— Então, por que está vindo te buscar? — ela fica curiosa.

— Ele vai me ajudar à resolver alguns assuntos sobre meu irmão… — declaro, vagamente.

— Ah, sim. — minha amiga concorda. Ela compreende que estou passando por um momento compicado com Miguel, então não diz nada.

De repente, recebo mais uma mensagem inusitada. E, é claro que a loira não perde a oportunidade de espiar.

• Daryl: Oi, nervosinha!

• Daryl: Só queria saber se você está bem, já que não apareceu na minha festa…

• Daryl: E, também te lembrar daquele juros que você tem que pagar, quando for devolver a minha camiseta…

— QUE ISSO?! — Lisa praticamente berra no meio da rua. — Alexa! — ela me olha com espanto. — Menina… Sua safada!

— Que?! Não é nada disso… não é… Ai, meu Deus! — tenho vontade de enfiar o rosto debaixo da terra agora mesmo!

— Que juros é esse, Alexa?! E, você está com a camiseta dele?! — minha amiga sorri de orelha a orelha. Eu começo a rir desesperadamente.  — Te ensinei direitinho… — ela dá um tapa no meu ombro.

— Para com isso! Você está pensando besteira! — digo entre risos.

— Espera… Esse o Daryl, irmão do Matt?! — a loira indaga.

— É, mas... — tento explicar.

— Para tudo, amiga! Esse babado é forte! —  Lisa respira fundo. — Você ia me contar quando que está pegando o irmão do nosso amigo?!

— Eu não tô! Lisa! Terminei meu namoro ontem! — rebato, incrédula por ela achar isso.

— Ah… Sei lá, né? — balbucia. — O Tyler foi um tremendo idiota com você. Não te julgaria se tivesse dado uma escapadinha. — Lisa me dá uma cotovelada de leve e uma piscadela.

— Okay… Mas, não aconteceu nada! — enfatizo.

— Então me explica isso aí! Porque ficou meio estranho...

Suspiro nervosa e invento uma historia qualquer:

— Bom… Depois que você me obrigou a falar com ele na academia, acabamos trocamos nossos números. Aí, começamos a conversar… — a loira levanta uma sobrancelha maliciosa. — Como amigos! — deixo claro. — Então, ontem eu estava passando por perto da casa dele e resolvi fazer uma pequena visitinha... Mas, no final, ele me chamou para fazer um lanche e…

— Acabou lanchando você? — Lisa me corta e tenta completar minha frase, cheia de gracinha.

— Não! — começo a rir escandalosamente. Preciso de um tempinho para respirar e continuar contando: — Bom… Como eu estava falando… — lanço um olhar repreendedor para Lisa que faz cara de santa. — Fomos fazer um lanche, mas eu derrubei suco na minha blusa, então ele me emprestou uma.

— Sei… — ela aperta os olhos. — E, o tal juros?

“Merda… isso eu não sei explicar. ”

— Isso não importa… O que importa é que não está acontecendo nada entre a gente! — tento fugir da pergunta

— Hmm. — ela murmura. — Então, vocês estão conversando há um tempinho, não é?

— Sim… — respondo com medo do que Lisa vai querer questionar agora.

— Posso ver? — ela pisca os olhos como um cachorrinho.

Até que não é tão ruim… pelo menos não foi uma pergunta que eu tenha que responder diretamente! Sou péssima em criar desculpas. Além disso, não conversei sobre nada demais com Daryl, então não há problema que ela veja.

Assinto com a cabeça e lhe entrego o celular.

— Eba! —  minha amiga comemora e começa a deslizar o dedo por nossa conversa. Ela fica bem concentrada, analisanso cada palavra. De repente, a loira começa a digitar alguma coisa.

— O que você está fazendo? — questiono preocupada.

— Te dando uma pequena ajudinha…

— Não! Espera! — tento pegar meu celular de volta, mas ela foge de mim. — Lisa! Pelo amor de Deus… — imploro à minha amiga.

Fico em cima dela para lhe arrancar o aparelho de um lado para o outro na calçada. As pessoas que passam nos lançam olhares tortos.

Parecemos duas malucas!

— E, enviado! — ela conclui, me fazendo entrar em desespero.

— QUE?! — tomo finalmente meu telefone de volta lendo o que Lisa escreveu para Daryl.

…………………………………………………………………..

[Oii, moreno lindo! Estou bem melhor agora recebendo sua mensagem... E, eu pago o que você quiser na devolução da camiseta! ]>

…………………………………………………………………..

— Lisa! Eu não acredito! — esbravejo.

— Calma, Alex! — ela caí na gargalhada com minha reação. — É só apagar! — a loira se dobra de tanto rir e pega o celular das minhas mãos.

Solto todo o ar que havia prendido de uma vez só.

— Nossa… Quase tive um treco! — ponho a mão no coração. Lisa ri mais um pouco. No entanto, seu sorriso vai desaparecendo até dar lugar à uma cara nada boa. — O que foi? — indago.

— Não fica brava… — só essa frase já fez meus nervos explodirem. — Mas, eu acabei apertando em “Apagar só para mim…” — ela me olha com desepero e medo.

— Eu… — fico paralisada.

— Alexa… — ela contorce o rosto em uma careta medrosa.

— … vou te matar! — vocifero e começo a correr atrás dela.

— Ai, socorro! — Lisa foge de mim. Agora sim, parecemos duas malucas! Entro no meio de várias pessoas, na tentiva de alcançar a loira. 

Eu não acredito que ela fez isso! Vou matá-la!

Quando, me dou conta, já estamos em frente ao condomínio da loira. Corremos quase um quarteirão!

Cansada de mais, eu me apoio nos meus joelhos para respirar.

— Desculpa, amiga! — Lisa diz com a voz ofegante.

— Quando eu tiver fôlego, Lisa… vou arrancar sua cabeça fora! — ameaço exasperada.

— Foi mal mesmo... Foi sem querer!

Subitamente, Michael para o carro bem na minha frente, me chamando atenção. Agora tenho assuntos mais importantes para resolver, então decido perdoar isso.

— Tudo bem! — inspiro fundo e pego meu telefone novamente. — Eu tento explicar para ele depois! — digo e começo a rir. — Só você mesmo, hein? — dou abraço na minha amiga.

— Ai, que medo… — ela balbucia. — Não ia me matar?

— Faço isso depois! — lanço um olhar assassino. — Até mais, sua desastrada! — me despeço e me aproximo do carro.

— Foi mal! — ela lamenta mais uma vez, gritando. Dou um tchauzinho para a loira e me junto à Mike.

Não acreito que Lisa fez mesmo isso! Onde vou enfiar a mimha cara, quando eu ver Daryl pessoalmente de novo? Ai, Jesus…

Era só o que me faltava! Eu ainda mato essa Lisa!

— E, aí, García? Está bem? — Michael me tira desses devaneios. Bom… posso lidar com esse pequeno incidente depois.

— Estou! — afirmo e olho para minha roupa. Estou usando um vestido preto que vai até as canelas e é aberto nas laterais, com um tênis preto da Vans (Imagem no incio do capítulo). É um look bem despojado. Eu iria trocar, mas não esperava demorar tanto no passeio com Lisa.

Bom… Mas, não me importo muito. O que prende meus pensamentos é o que vai acontecer hoje, daqui uns instantes...

— Pronta para seu primeiro racha oficial? — Mike indaga novamente, me fazendo voltar os olhos para ele.

— Espero que sim!

"É hora de carregar o fardo!"


Notas Finais


Imagem 1: https://pin.it/4g7wMIH
E, aí, anjinhos? O que acharam?
Me perodem qualquer erro de digitação! Vocês não fazem ideia do tamanho do meu sono agora... kkk
Espero que tenham gostado!💙
Beijosss!😘


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