História Dasein - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lésbico, Lgbtq, Mistério, Originais, Suspense, Tragedia, Yuri
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Palavras 1.101
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Científica, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Flor de Cerejeira


Fanfic / Fanfiction Dasein - Capítulo 7 - Flor de Cerejeira

Existem certos erros que nem o tempo é capaz de apagar. Hiroshi, soube disso horas depois de expulsar sua filha pequena, quando ela tinha 14 anos. Uma bela garota assim como a flor de cerejeira que tanto fez parte da sua família. E embora Sakura fosse um grande símbolo no Japão, demonstrando o poder samurai, no Brasil se mostrou algo extremamente desagradável.

Quando seus pais se mudaram do Japão e vieram ao Brasil, chegaram em busca de um sonho. O sonho de fazer o nome Sakura, algo grandioso. E o sonho se realizou. Anos depois da chegada, a família Sakura, era a família japonesa mais próspera em São Paulo e em todo Brasil. Os produtos Sakura, começaram em pouco tempo a serem vendidos em outros países, incluindo o próprio Japão. A família Sakura que veio pobre, se tornou milionária.

Hiroshi era pequeno quando o pai fez fortuna e quando o mesmo morreu, Hiroshi soube comandar a empresa com a mesma inteligência. "Família é tudo!" Era o lema dos Sakura. "Nunca abandone a família"… "família sempre em primeiro lugar"… essas palavras ditas pelo pai não foram ouvidas 10 anos atrás…

Numa manhã, uma frase tinha chegado nos seus ouvidos e como para confirmar, um vídeo também. O vídeo mostrava o que sempre temeu, sua pequena filha era lésbica e no mesmo vídeo, ela revelava seu amor para uma garota. Tudo sem nem perceber que era filmada. A garota que ouvi as palavras, riu. Seguido por todos os alunos próximo. Enquanto a filha tentativa fugir, ouvia gritos de "sapatona", falado por vários alunos.

Hiroshi sentiu raiva pela filha. Não por ela estar sendo humilhada, mas pela família correr o risco de não ter a chance de um bom casamento. A filha poderia se casar com um rapaz decente e aumentar o poder da família, mas sendo lésbica, o que poderia conseguir?

Quando a menina chegou em casa, as malas já estavam prontas. Ela não podia mais permanecer no mesmo local que Hiroshi. Dez anos se passaram e ele não tinha visto a filha ainda. Quando soube que a filha era prostituta, e o que a mesma passou. Sentiu o que nunca tinha sentido, arrependimento. Por dois anos, uma prostituta alimentou sua filha, por dois anos ela tinha passado fome e roubado comida e por seis, era prostituta. O nome Sakura, tinha perdido a fragrância e a ligação com os samurais…

Três anos antes, tinha se convertido para uma Igreja Cristã. Embora as pregações sempre fosssm voltadas para o perdão e aceitação, Hiroshi temia aceitar que tinha errado. Na cultura dele, se alguém errasse, deveria cometer suicídio. E era o que ele estava pretendendo fazer. Já que o suicídio parecia melhor que pedir perdão pra filha. Luciano, o pastor da igreja, dedicou muito do seu tempo para explicar ao Hiroshi, quem era Cristo.

- Cristo morreu pela minha filha? Será que ela poderá ser salva? - Era a pergunta que Hiroshi se fazia constantemente.

- Hiroshi, eu não conheço tua filha. Não sei o que se passa. Se Cristo morreu por ela? Sim morreu. Morreu por todos. Até por ti.

- Por mim? Eu não preciso, sou uma pessoa boa.

- Pessoas boas não abandonam os filhos.

Hiroshi iria protestar pela insolência do pastor, porém ficou quieto por um tempo.

- Quer que eu faça o quê? Peça perdão? Eu tava fazendo o que achava certo.

- Nadabe e Abiú também. E eles foram mortos. Olha, não importa qual é a intenção ou que você pensava antes. O que importa é o que aconteceu. Tua filha roubou e se prostituiu por tua causa. Todo o sofrimento e dor que ela sentiu foi pelos teus erros.

- Então por que Deus não impediu?

- Porque é o melhor mundo que ele poderia ter criado. Só nesse mundo, tu acerta, erra e muda. Sem erro não há aprendizado. Não tem arrependimento nem crescimento. Quando aprendemos a andar de bicicleta, muitas vezes caímos. São os tombos que nos ensinam como permanecer sem cair. Errar é humano, Hiroshi. Mas continuar errando… o que escolhe? Errar sempre a mesma coisa? Ou fazer o que é certo, uma vez pelo menos?

- O pai quer falar com você... Se acertar... Ele disse que se arrepende e deseja mudar. - Sakura ouvia as palavras dita pelo irmão. Mas sua mente estava longe dali. Voltou dez anos no passado, numa época em que roubava para poder se alimentar. As palavras sobre arrependimento e perdão não fazia parte da vida da família Sakura.

Arrependimento e perdão… entre mudar uma opinião ou cometer o seppuku, era provavelmente preferível o seppuku. Já que a dor de uma espada sendo enterrada no ventre, era menor que a desonra de ter errado. Seu pai não era um samurai e a prática do seppuku, foi proibida centenas de anos atrás. Mas o nome "Sakura", apontava justamente para isso. A honra era extremamente importante.

Com seu pai pedindo perdão, ele assumia a maior vergonha entre seus ancestrais. Algo que era impensável até para imaginar. Talvez algo tinha acontecido. O que era, Sakura não sabia.

Esperou Nathália chegar para perguntar o que deveria fazer. Aquilo, seu pai pedir perdão, não era algo que estava previsto ou imaginado. Era algo impossível.

- Já ouviu falar em milagres? - Perguntou Nathália.

- Milagres não acontecem na minha família.

- Algumas vezes pode acontecer… eu não vim de uma família rica, nem tive tanta coisa. Esse mundo é tudo que conheço e talvez não irei conhecer algo diferente ou viver algo diferente... Tenho vinte e seis anos, sendo quatorze anos dedicado para essa vida… não fique chocada! Você lutou desde o primeiro momento. Eu não. Eu me rendi. Talvez seja por isso que nunca vi um milagre realmente. Mas com certeza, nesse teu caso, é um milagre. Não jogue fora a chance. Mas se quiser, eu tenho uma espada.

Sakura chorava enquanto Nathália falava. Em lágrimas falou:

- Não sou samurai…

- Não. Você é uma deusa… A deusa do Monte Fuji…

- Se eu sou a deusa do Monte Fuji, quem é Ninigi? Onde está esse deus maravilhoso?

- Precisa ser um deus?

As duas se encararam. Um clima desconfortante atravessou o ar. Sakura estava envergonhada, mas Nathália olhava firme. Um carro buzinou na rua. O clima para Sakura mudou. De repente estava mais calma e feliz.

- Então vou ligar para o meu irmão e avisar que eu vou.

- Qual o nome dele?

- Allan.

- Japoneses usando nomes ocidentais… não são raiz…

- Sakura é japonês…

- Emma, não.

- Tá bom, Madoka mágica!

- Não sou bruxa…

- Ela se torna uma deusa no final…

- Ei, estou no episódio 6 ainda

Emma Sakura, descia as escadas correndo e rindo enquanto Nathália xingava ela. Apesar dos problemas, as duas eram amigas e uma família.


Notas Finais


Nathália faz referência a deusa Konohana Sakuya Hime, a deusa do Monte Fuji, cujo símbolo é a Sakura (Flor de Cerejeira). Ninigi é o deus que se apaixonou por Konohana. A história dos dois é linda... Talvez um dia eu escreva mais...

Konohana Sakuya Hime, ilustra esse capítulo


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