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História Daughter of Green Gables - Capítulo 3


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Notas do Autor


Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
tudo bem? Como vão?
Recentemente comecei a ler as Crônicas de Gelo e Fogo e assistir GoT, viciei e sim, teremos mais esses personagens maravilhosos nessa fic
Catelyn Stark roubou meu coração ss, vcs que lutem
Boa leitura e espero que gostem! Tem mta revelação nesse capitulo!

Capítulo 3 - Espíritos Irmãos


William despertou ao sentir a falta de um corpo menor próximo ao seu. Ao olhar para os lados, viu que Elishia não se encontrava mais na cama. Sonolento, esticou o braço e pegou o celular, temendo estar mais do que atrasado para o trabalho, mas surpreendeu-se ao descobrir que eram apenas cinco e meia da manhã e o sol mal começava a nascer.

Olhou em volta, na esperança de encontrar a esposa. Quando seus olhos chegaram a janela, a viu, sentada na janela, as pernas penduradas para fora e os cabelos loiros esvoaçando ao vento forte da manhã. Levantou-se lentamente e caminhou até ela, pensando em como se aproximar sem assustá-la.

-Ellie? - chamou baixinho, tocando o ombro dela de leve e se preparando caso tivesse que impedi-la de cair. Porém, Elishia apenas olhou-o, seu rosto denunciava que não tinha dormido nada bem noite passada. - O que foi, meu amor?

-O mesmo de sempre. - ela explicou, dando os ombros e voltando a encarar o céu. - As lembranças me assombraram a noite inteira, mas não quis te acordar. Deus, será que um dia ficará mais fácil?

-Talvez Anne ajude. - ele roçou com o polegar uma cicatriz no braço dela, lembrando de como ela sangrou em seus braços na frente das Industrias Farmacéuticas Noregard e ele apenas abraçou-a, sem saber o que fazer. Pelo pouco que ele se lembrava, chovia muito naquele dia, Charlie tinha sido baleado e James correu ajudar o amigo, enquanto William procurava desesperadamente a amada. 

-No que você está pensando? - ela perguntou, virando-se novamente para ele, curiosa.

-Naquele dia, na frente da Noregard. - ele explicou, sentindo um aperto no peito e uma vontade imensa de chorar, mas controlou como da última vez. - Você parecia tão pequena, parecia que todo o sangue ia acabar deixando seu corpo. E no hospital, deitada naquela cama, você estava ligada a mais fios do que eu podia contar.

-Não me lembro dessa parte. - ela comentou, pensativa. - Lembro apenas de sentir muito frio e que você estava me abraçando. E que quando acordei, a primeira coisa que vi foi você quase dormindo. Mudando de assunto, irei mostrar a casa para Anne quando ela acordar e a propriedade, em seguida levá-la para a cidade, comprar roupas e matriculá-la na escola. A tarde infelizmente a clínica me espera.

-Acha que vai ter muitos pacientes? 

-Creio que não, pelo menos em Yoorana nessa época do ano não tinha tantos, apenas alguns casos de viroses ou acidentes caseiros, como uma queimadura ou um braço quebrado. Talvez amanhã eu precise ir até Correrrio, mais especificamente em Riverrun, creio que o senhor Tully não conseguirá vir até a clínica.

-O que ele têm?

-Câncer, num estágio avançado, mas se recusa a ser internado. Mora com o filho mais novo nessa propriedade e a filha mais velha é esposa do prefeito de Winterfell, uma das cidades vizinhas.

-Compreendo. - disse William, sem compreender nada. Sabia que Avonlea ficava literalmente na divisa entre o Canadá e Westeros, e que diferente do que muitos pensavam, o vilarejo não se encontrava no primeiro. Não tinha aprendido o nome de todos os estados do país, apesar do país só possuir sete. Elishia, por sua vez, se debruçou sobre um mapa logo que chegaram a casa e decorou cada cidade, as famílias de maior importância e suas capitais. - Quer voltar a dormir?

-Não! - ela lhe respondeu de prontidão. - Prefiro aproveitar esses momentos para tomar um banho e arrumar algumas coisas. Me acompanha?

-Se você me prometer que vai tomar mais cuidado quando subir em janelas. - ele provocou, puxando-a de cima da janela como se a loira fosse uma criança travessa e a colocando em cima de seu ombro, arrancando-lhe uma risada alta.

-Me coloca no chão! - Elishia exigiu, fingindo estar brava.

-Qual as três palavras mágicas?

-Expulso da cama. - ela brincou. - Por uma semana. - acrescentou.

Imediatamente, William moveu-a, para que ela continuasse em seu colo, porém dessa vez ela pode passar os braços em torno dos ombros dele e se beijaram, rindo.

******

Anne foi despertada por um cheiro de algo queimando. Imediatamente, levantou-se e correu, todos os seus sentidos alerta para apagar o fogo.

Mas ao chegar na cozinha, se deparou apenas com uma Elishia em pé em frente ao fogão, com uma frigideira em mãos, que espalhava fumaça pela casa toda, enquanto William tentava sem sucesso convencê-la a não tentar cozinhar.

-Eu posso fazer as panquecas! - Anne se voluntariou, animada, indo até a mulher mais velha e, sem permissão, começou a preparar a massa. - Sabe, quando eu morava com a senhora Thomas, tive que aprender a cozinhar. Não creio que seja tão boa quanto as cozinheiras dos livros ou daqueles programas de televisão, mas acredito que o que eu faço seja comestível e bom em certas partes, mas com certeza não delicioso. A senhorita pode se sentar, logo levo as panquecas…

-Anne! - Imediatamente, William moveu-se e agarrou a menina pela cintura.

Num momento de distração, a criança deixou o pano que segurava entrar em contato com o fogo. Imediatamente, William colocou Anne sentada em uma cadeira, antes de se voltar para o pano e apagar o fogo. Por sua vez, Elishia tinha subido alguns segundos atrás, resmungando algo sobre procurar alguns papéis.

Depois de apagar o fogo, William aproximou-se de Anne e colocou as mãos nos ombros da criança, perguntando:

-Você está bem? 

-Estou sim, o senhor me salvou a tempo. - a ruiva murmurou, tremendo pelo susto. - Oh, eu sinto tanto…

-Não precisa se desculpar. - ele garantiu, voltando para o balcão e procurando a caixa de cereais que comprou uns dias atrás. - Apenas não me chame de “senhor” e não chame a Ellie de “senhorita.”

-Então como devo chamá-los?

-Como preferir. - Elishia garantiu, saltando os últimos degraus da escada e indo até a cozinha. - Apenas corte todas as formalidades. E me responda uma coisa, Anne: você sabe quem são seus pais?

-Eles eram professores. - a criança explicou, rapidamente. - Moravam em Correrrio, em uma casinha pequena. Pelo que fiquei sabendo, o pai de minha mãe não queria que eles se casassem, por isso ela fugiu, mantendo contato apenas com uma tia por alguns anos.

-Compreendo. - Elishia murmurou, voltando a se questionar onde já tinha visto aqueles cabelos ruivos e grandes olhos azuis.

*****

Depois de um café da manhã bastante desastroso que resultou em os três sentados ao redor da mesa com uma tigela de cereais, Elishia analisou as roupas de Anne e terminou por pedir que Jenny emprestasse um de seus vestidos para a ruiva.

-Você está linda. - Elishia elogiou, enquanto as duas entravam no carro, depois de uma rápida volta na fazenda.

-Oh, por favor, não minta. - Anne pediu, colocando o cinto de segurança. - Sei que nunca serei bonita. Onde iremos, Elishia? 

-Comprar roupas para você e fazer sua matrícula na escola. - a loira explicou, enquanto ligava o carro e começava a dirigir. - Você já foi a escola, Anne?

-Durante algum tempo, mas no orfanato tínhamos aulas lá mesmo. Eu gostava das aulas, mas as outras crianças não gostavam de mim, talvez pelo fato de eu ser ruiva. Elishia, aqui perto moram outras crianças?

-Bem, Ava e Sara têm uma filha que têm mais ou menos a sua idade e moram numa fazenda aqui perto. A irmã de Sara, Laurel, e a esposa Nyssa, também tem uma menininha de cinco anos. 

-Ah, não sabe como é delicioso ouvir isso! Sempre sonhei em ter uma amiga do peito! A filha da senhorita Sharp deve ser encantadora!

-Você não me deixou terminar. A filha de um de meus pacientes mora na cidade ao lado, porém a propriedade é próxima a Green Gables e você consegue ir andando. As duas meninas dela têm uma idade próxima a sua e creio que o menino mais velho também, mas os outros dois meninos são mais jovens. Amigos é o que não lhe faltará, prometo isso a você.

-Você não imagina o tamanho da minha felicidade ao ouvir isso! Sempre sonhei com isso! Essa nova vida que vocês me proporcionaram é tão agradável! Acredito que daqui em diante, só coisas boas irão acontecer! A maldade ficou toda no passado, assim como nos livros. - a ruiva falava aquilo com um encantamento que chegou a causar arrepios em Elishia, que tentava se concentrar em não bater o carro. - A senhora têm boas recordações de sua infância? Eu mesma, apesar de todo o sofrimento, sei que terei tantas coisas lindas a contar para meus futuros filhos e netos. Acho que não contarei a parte em que fui obrigada a trabalhar, apenas a partir de quando vocês me adotaram. 

Anne continuou a tagarelar pelo resto do caminho. Por sua vez, Elishia não podia deixar de observar as flores que cresciam à beira da estrada, perguntando a si mesma se um dia voltaria a enxergar o mundo da mesma maneira doce que a menina enxergava.

-Está feito. - a loira declarou, largando o equipamento e se sentando de pernas cruzadas em cima de um dos túmulos. Ela não sabia a quem pertencia, já que o tempo fez com que as letras se desgastam, tornando a leitura impossível, mas pelo pouco que conseguiu identificar, pertencia a alguém que morreu muito jovem. - Se tudo correu bem, a fronteira não existe mais.

-Ótimo. - a morena ao seu lado murmurou, indo em direção o carro. - Temos um acordo, vamos.

-Espere. Preciso me despedir…

-Sem despedidas. Eles não ligam para você, agora que provavelmente não é mais útil para eles.

Sabendo que não adiantava discutir e que Heysen provavelmente estava certa, entrou no carro e fechou a porta com mais força do que era necessário.. Encostou a cabeça contra a janela, vestindo uma máscara sem expressão em seu rosto pálido. Nem se deu conta que tinha adormecido, os últimos dias tinham exigido demais dela, mas quando acordou, estava deitada em uma cama branca, aparelhos e objetos cortantes espalhados ao seu redor. O quarto era pintado de um azul tão claro quanto os olhos de um cego. Levantou um pouco o corpo e descobriu que estava vestida apenas com uma camisola branca. 

Sentiu uma dor no braço esquerdo e descobriu que estava ligada a uma máquina que recolhe amostras de seu sangue. Fechou os olhos e, mais do que nunca, desejou morrer.

Balançando a cabeça para afastar aqueles pensamentos, estacionou o carro na primeira vaga que viu, em frente a biblioteca da cidade - um prédio muito antigo e mal cuidado, que infelizmente não era tão visitado pela população - e não pode evitar um sorriso.

-Acho que você está prestes a conhecer as irmãs Stark. - disse a Anne, saindo do carro e sendo seguida pela menina.

Caminharam em direção a duas garotas. Uma delas, ruiva como Anne e com grandes olhos azulados, mais alta que as outras garotas de sua idade. A outra, mais baixa, com cabelos castanhos e olhos cinzentos.

-A mamãe iria gostar se comprássemos doces para ela. - a menor protestou, cruzando os braços e encarando a irmã mais velha. - Ela está chorando muito.

-Pela última vez, Arya, não temos dinheiro! - a ruiva explicou, visivelmente já estressada. - A quantia que papai nos deu foi apenas para pagar as contas de casa e fazer as compras no mercado, e lembre que foi ideia sua gastar o troco em balas! E além do mais, não creio que algum doce possa ajudá-la muito. 

-Arya? Sansa? - Elishia chamou num tom de voz quase alto, para atrair a atenção das meninas. Uma das primeiras pessoas que Elishia conheceu ao chegar em Avonlea foi justamente a mãe delas, quando a mesma a procurou por conta de fortes dores que sentia no estômago e temia que, assim como o pai, estivesse com câncer. Mas a médica a tranquilizou, alegando que os exames não apontaram  para um tumor e lhe receitou alguns calmantes, não podendo deixar de conter um riso baixinho quando ela lhe afirmou que as chances de seu marido precisar obrigá-la a tomar os remédios eram grandes. E naquele pequeno riso, uma amizade foi selada, através de uma troca de números de celular e mais tarde, mensagens de texto. Em poucos dias, pareciam que se conheciam a uma vida toda. 

-Tia Ellie! - Arya exclamou, abraçando a loira. Sansa imitou seu movimento, ficando extremamente corada quando a irmã mais nova perguntou: - Quem é ela?

-Eu sou a Anne! - Anne apressou-se em se apresentar, sentindo o coração apertar ao ver que Sansa era ruiva, porém era uma das pessoas mais lindas que já tinha visto. - Anne com um “E”. - acrescentou. - Elishia e William me adotaram, apesar de eu não ser um menino! E vocês devem ser as irmãs Stark. Elishia me falou sobre vocês, não sabem a honra que é conhecê-las.

-O prazer é nosso, Anne. - a ruiva abraçou-a rapidamente. - Meu nome é Sansa, e essa é minha irmã mais nova, Arya.

-Quantos anos você têm? - Arya perguntou, olhando a menina a sua frente de cima a baixo.

-Onze. - a ruiva respondeu, orgulhosa. - E você? - perguntou, vendo que a outra ruiva iria repreender a irmã por ser intrometida.

-Dez. - respondeu de imediato. - Sansa tem treze. - aproximou sua boca do ouvido de Anne e murmurou: - Não dê ouvidos a ela, algumas coisas ruins estão acontecendo lá em casa e isso a deixou mais chata que o normal.

-Que coisas ruins? - Anne perguntou, com uma voz baixa e trêmula.

-Nosso avô está com câncer em fase terminal. - Sansa explicou, provando que a outra não falou tão baixo assim. - E nosso irmão Bran caiu de uma janela a alguns meses e perdeu o movimento das pernas.

-Sinto muito… 

-Tudo bem. - Arya no mesmo segundo tirou do bolso uma bala e colocou na mão da nova amiga. - Pena que não poderemos estudar na mesma sala, você é a menina mais legal que já conheci.

Envergonhada, Anne beijou a face da criança mais jovem, sorrindo.

Deixando as duas tagarelando, Arya contando animada para Anne todas as suas aventuras, Elishia puxou Sansa para um canto mais afastado, sabia que podia tratar de assuntos mais sérios com ela.

-Irei ver seu avô hoje. - contou, não podendo deixar de ficar espantada do quanto aquela menina ficava cada dia mais bonita, além de ser extremamente parecida mãe. - Você tem falado com ele?

-Conversamos um pouco semana passada. - Sansa explicou, dando os ombros. - Ele disse para mim ficar tranquila e ser forte por Arya. Também disse que sempre cuidará de mim. Tia Ellie, ele vai morrer logo?

-Receio que sim, criança. - Elishia murmurou, segurando a mão da menina. - Ele sente muita dor, será um alívio para todos. O senhor Tully se recusou a ser internado, disse que queria passar o tempo que lhe restava em casa, com a família. Como seus pais estão?

-Mamãe não quer admitir, mas está mal com tudo o que está acontecendo, a doença do vovô e o acidente de Bran. A escutei chorar de madrugada e acidentalmente meu pai descobriu que eu estava acordada ouvindo tudo, e prometeu que estava cuidando dela. Está cada dia mais difícil, tia. 

-Vai passar. - a loira prometeu, abraçando a menina. - Agora, creio que Anne já deu alguma ideia de como animar sua mãe, ela parece ser muito criativa. Diga a Cat que mandei um abraço e peça para que ela deixe você, Arya e seus outros irmãos irem até Green Gables de vez em quando.

-Ok. - Sansa retribuiu o abraço e correu para onde a irmã estava, animada com a ideia de passar um tempo com a nova amiga.

Elishia encarou as crianças, admirada. Mal se conheciam, e pareciam já ter uma amizade de anos.

Depois de terem feito tudo o que precisavam no centro da cidade, Anne ficou maravilhada ao tomar sorvete e escutar a história de como Elishia e Catelyn se conheceram.

-Oh, a senhorita e ela são espíritos irmãos! - Anne disse, encantada, enquanto voltavam para Green Gables. - Assim como Arya e eu! Ela me contou que adora espadas, cavalgar e lutar! O pai dela não gostou muito a princípio, mas a mãe dela o convenceu a colocá-la para fazer vários cursos depois da escola! Não vejo a hora que a aulas iniciem, Arya prometeu que irá me ajudar nos primeiros dias e poderemos nos sentar juntas na hora do lanche! Isso não é incrível? Ela também me contou que além de Sansa têm mais três irmãos e um sobrinho do pai dela que passa mais tempo com eles do que em casa! Combinamos de irmos ao lago um dia desses, além de fazer muitas outras coisas. Eles têm seis cachorros, você acredita nisso? Podemos ter um cachorro um dia? Eu me responsabilizaria por cuidar dele! A senhorita viu os cabelos de Sansa? São tão ruivos quanto os meus! Ela é tão linda, a senhorita não acha? Espero que com o tempo me torne tão bonita quanto ela!. Arya também me contou que é a única que têm os cabelos castanhos como o pai, seus irmãos têm os cabelos cor de cobre como a mãe. Ela falou que adora bolos de limão! Nunca comi um bolo de limão, mas sei que sou capaz de imaginar como é…

-Anne, se você ficar cinco minutos em silêncio, hoje a tarde quando eu sair do serviço passo em alguma padaria e compro um bolo de limão para você, combinado?

-Claro, irei ser tão muda quanto as árvores a partir de agora.

A loira não pode deixar de rir daquela situação. E riu mais alto quando, exatamente cinco minutos depois, Anne voltou a tagarelar sobre como Arya vivia metida em encrencas, assim como a própria Anne.

*****

Elishia foi até a fazenda dos Tully naquela tarde e examinou o paciente. Depois disso, puxou o filho mais velho dele, Edmure, para um canto e explicou:

-O seu pai é um velho teimoso, o melhor seria interná-lo, mas ele se recusa. Receio que ele não tenha muito tempo.

Despediu-se e voltou para a clínica, com o coração na mão ao pensar na perda que a amiga estava prestes a enfrentar. Depois de comprar o doce que prometeu a Anne, voltou para casa e se divertiu vendo a criança e o marido com a boca suja de glacê.

-As vezes eu acho que tenho duas crianças em casa. - não pode deixar de comentar.

Pela primeira vez em muito tempo, estava dormindo tranquilamente, com a cabeça apoiada no ombro do marido, quando seu celular começou a tocar.

-Já é de manhã? - um sonolento William perguntou, apertando a cintura da loira.

-Não. - Elishia respondeu, se livrando das cobertas e pulando da cama. Ao ver que era o número da clínica, já soube do que se tratava. - Alô?

-Doutora McKellar. - do outro lado da linha, encontrava-se uma sonolenta enfermeira chamada Beth, que não era conhecida por enrolar ao dar notícias complicadas. - É o senhor Tully, teve uma parada cardíaca e o filho trouxe-o para cá. O homem está quase morto.

-Estou indo. - encerrou a chamada e voltou-se para William, pedindo: - Por favor, tente se comunicar com Ned e ver se ele prefere que cuidemos das crianças.

-Certo. - William concordou, ajudando a esposa a se arrumar. - Acha que ele vai viver?

-Não. - a sinceridade da loira não era um traço de sua personalidade, porém naquele momento ela sabia que não adiantava mentir. - Está no prontuário, em caso de parada cardíaca não reanimar. Ah, avise a Anne, creio que Arya gostou muito dela e talvez sua presença a ajude a passar por esse momento difícil.

Depois de alguns minutos, Elishia estava vestida com calças jeans simples e uma blusa preta, dirigindo o mais depressa que podia em direção a clínica. O caminho verde iluminado apenas pela lua e as estrelas pela primeira vez não roubou sua atenção, seus olhos e pensamentos estavam todos focados que seria o primeiro paciente que perdia desde que começou a trabalhar em Avonlea.

Chegou a clínica e estacionou no primeiro lugar que encontrou. Saltou para fora do carro e entrou correndo, olhando em volta para ver se encontrava algum dos Tully ou dos Stark além de Edmure, que estava andando de um lado para o outro na sala de espera, com um copo de água na mão.

Vestiu-se e correu verificar o paciente, que estava deitado em uma maca num quarto branco, que tinha um quadro de flores pendurado na parede. O barulho do monitor e as enfermeiras a cumprimentaram, mas Elishia não conseguia encontrar palavras para lhe responder. Uma das enfermeiras explicou que ele chegou naquela situação a alguns minutos atrás e que pensava que a loira tinha asas, já que veio tão rápido.

-Não devemos tentar reanimar? - uma das enfermeiras perguntou, provavelmente a mais jovem delas.

-Mentiras precisam ser contadas de vez em quando. - Elishia explicou, começando a trabalhar. - E está no prontuário dele para que isso não seja feito.

-O que quis dizer com “mentiras precisam ser contadas?” - a mesma jovem perguntou, encarando a loira.

-Quis dizer que daqui a pouco irei olhar nos olhos do filho dele e falar: “sinto muito, fizemos tudo o que era possível mas ele acabou falecendo”.

Depois de examiná-lo várias vezes, respirou pesadamente, afastou a manga do jaleco branco revelando o relógio e declarou:

-Hora da morte, três e catorze.

Sabia que seu dever estava praticamente cumprido, mas agora que viria a pior parte: contar para a família.

Saiu do quarto e foi em direção a sala de espera, sentindo o coração apertar. Edmure continuava inquieto, andando de um lado para o outro, a mulher que trabalhava com a família a anos tricotava e um homem de mais ou menos quarenta anos abraçava uma mulher de longos cabelos vermelhos, muito menor que ele.

-Sinto muito. - a loira disse baixinho, indo até Edmure e colocando a mão em seu ombro. - Ele…

-Ellie… - ao ouvir a voz de Catelyn Tully Stark, Elishia virou-se e viu que ela estava em pé agora e tremia muito. Ao seu lado estava seu marido, Ned Stark, que segurava ambas as mãos da esposa. - Ele vai ficar bem?

-Ele está em paz, Cat. - foram as únicas palavras que a loira conseguiu pronunciar, nunca iria se adaptar em informar algo assim. - Sinto muito… Fizemos tudo o que era possível mas ele não resistiu. - Parabéns, Elishia McKellar, você acaba de mentir para sua amiga, pensou, um sentimento de culpa a dominando. 

Os olhos de Catelyn se encheram de lágrimas e ela teria caído se Ned não a tivesse segurado a tempo, envolvendo-a num abraço apertado.

E foi então que Elishia percebeu onde já tinha visto alguém tão semelhante a Anne.

 


Notas Finais


Quem entendeu a referencia a Grey's Anatomy???????????????????????????
Comentem oq acharam por favor! To cheia de ideias pra essa fic e quanto mais comentários mais rápido posto os capítulos!


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