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História De Carta em Carta - Capítulo 2


Escrita por: Jubemcursi

Notas do Autor


Oi oi, voltei com mais um!!
Saibam que eu fiquei muito feliz com os comentários do outro cap e isso me motiva a continuar pq eu sei que gostaram!!

Queria avisar que eu tomei vergonha na cara e comecei a ler o livro que recomendei aqui, então terão algumas partes parecidas no decorrer dos capítulos.
Outra coisa é que essa fic não vai ser tão longa, vou desenvolver como puder, mas provavelmente vai ficar menor que a outra!!

Chega de rodeios, desculpem qualquer erro e espero que gostem :)
Boa leitura!

Capítulo 2 - Sonhos destruídos


Uma das vantagens que essa mentira me proporcionou foi que mamãe não tocou mais no nome do Joaquim, muito menos o convidou para jantar aqui em casa. Ela deve ter percebido, com tantas cartas já escritas, que Vicenzo e eu estamos apaixonados, também não fez mais perguntas sobre ele, o que me ajudou bastante. Todos os dias, antes de ir para a faculdade, eu passava no correio deixar uma carta sem endereço, apenas com a minha assinatura no envelope, nelas eu escrevia como tinha sido meu dia, minhas frustrações, meus gostos, meus livros e comidas favoritos, enfim, era como se fosse meu diário. Escrever para Vicenzo está sendo meu refúgio, como se ele fosse o único que me compreendia de que eu não queria me casar e meus outros diversos assuntos.

Um belo fim de tarde, estava voltando da faculdade, quando vi um carro parado em frente à minha casa. Os carros eram o luxo de pessoas com bastante dinheiro, famílias ricas, banqueiros e... donos de hotéis. Meu corpo gelou na mesma hora, não podia ficar na rua para sempre, então com muito contragosto, entrei em casa e me preparei para o que vinha. Confirmei minhas suspeitas e vi Joaquim e minha mãe tomando chá na sala.


B- Mamãe, senhor De Queiroz. – ambos levantaram quando falei.

J- Minha filha, como foi seu dia? – ela estava mais animada que o normal.

B- Bem, muito bem. – a olhei desconfiada.

Jo- Beatriz! – beijou o dorso da minha mão – Que prazer revê-la! – sorriu.


Queria poder dizer o mesmo, mas não! Então apenas forcei um sorriso.


B- O que traz o senhor aqui?

J- Ele estava de passagem e resolveu vir nos visitar, não é um cavalheiro?

B- Ah... é sim.

J- Então, começamos a conversar e o convidei para jantar. Não é ótimo? – Joaquim sorriu.


O QUE?


B- Ah... é. – sorri amarelo.

Jo- Betty! – quem esse abusado pensa que é para me chamar de Betty? – Isso é para você. – me entregou uma caixinha azul – Abra! – era uma correntinha de ouro com um pontinho de luz como pingente.

J- É linda!

B- Muito obrigada, senhor De Queiroz.

Jo- Deixa de formalidades, pode me chamar de Joaquim. – Ah claro, como se fossemos íntimos para eu lhe chamar pelo primeiro nome.

B- Claro. Mamãe, vou para o meu quarto guardar as minhas coisas e já desço para o jantar.

J- Tudo bem, minha filha!


Subi as escadas rapidamente e me tranquei no quarto. O que esse velho quer aqui? Mamãe já tinha parado de falar dele, será que ela esqueceu que eu já tenho um pretendente? Aquele, o qual escrevo todos os dias uma carta? O máximo que eu posso fazer é me esconder aqui até o jantar.

Não demorou muito e o jantar ficou pronto, para o meu azar. Desci lentamente tentando postergar o máximo meu reencontro com Joaquim, mas ele estava me esperando no pé da escada, me acompanhou até à mesa, puxou a cadeira para mim e se sentou do outro lado.

Sempre amei a comida de dona Júlia, mas hoje, ela parecia um pouco mais amarga. Deve ser pelo fato desse velho estar presente e meu corpo não reagir positivamente com isso. Fiquei calada na tentativa de esquecerem que eu estava ali, por um momento funcionou, pois o velho e minha mãe estavam numa conversa profunda sobre o hotel dele. Ameacei de levantar e eles viraram o olhar para mim.


J- Minha filha, não se levante ainda. Joaquim tem uma coisa importante para te falar.

Jo- Isso mesmo, dona Júlia. – ele se levantou e caminhou até mim. Ai Deus, o que ele quer? – Betty, eu sei que sou um pouco mais velho do que você – UM POUCO? JURA? – e que não começamos de um jeito legal, mas eu quero me redimir e fazer tudo certo. Por isso vim aqui hoje, conversei com a sua mãe e ela me pareceu animada com a ideia. – olhei para minha mãe e ela realmente parecia animada – Beatriz, você aceita se casar comigo?


O QUE? EU NÃO VOU CASAR COM ESSE VELHO!


Estava em choque olhando para um anel que ele tirou do bolso, eu não posso me casar com ele, não quero viver com um velho para o resto da minha vida. Eu tenho sonhos para conquistar, quero me casar por amor e não porque fui obrigada, e tenho certeza que passarei o resto da minha vida infeliz se aceitar essa proposta. Resta-me apenas colocar o Vicenzo em jogo.


B- Senhor De Queiroz, – ele fez uma careta – Joaquim. – ele sorriu – Eu agradeço o pedido, mas não posso aceitar.

J- O que?

Jo- Como?

B- Isso mesmo. Não posso me casar com o senhor.

Jo- Mas por que? Eu sou um bom partido, tenho dinheiro, um hotel. Do que mais precisa?

B- Preciso de amor. E já encontrei um homem que me demonstra todos os dias que me ama.

J- Não está falando do rapaz das cartas, está? – assenti – Ah minha filha, você só viu esse moço algumas vezes, como pode ter certeza que ele a ama? Vocês apenas se comunicam por cartas, não conhecem a família um do outro, você não sabe se ele realmente é um bom partido. Repense na proposta do Joaquim!

B- Desculpe mamãe, mas não posso aceitar. Senhor De Queiroz, agradeceria muito se o senhor não insistisse mais. Eu amo o Vicenzo e estamos noivos. – Essa última afirmação deixou minha mãe de queixo caído.

J- Noivos?

B- Sim. Eu não tenho dúvidas de que Vicenzo me fará muito feliz e ainda estaria cumprindo o acordo que fiz com a senhora.

Jo- Desculpa, mas quem é Vicenzo?

J- Um rapaz que minha filha conheceu na faculdade e agora trocam cartas todos os dias. Eu sabia que se davam bem, mas não a ponto de se tornarem noivos. Achei que fosse um capricho apenas.

B- Não é um capricho. Eu o amo! – subi um pouco o tom da voz.

J- E ele te pediu em casamento por uma carta? Que falta de cavalheirismo! O Joaquim pelo menos teve a decência de mostrar as caras.

B- Mas eu não o amo, não quero me casar com ele. Vicenzo me faz feliz e é com ele que vou ficar!

J- Senhor De Queiroz, me desculpe por esse show, vou conversar com Beatriz e fazê-la repensar em sua tentadora proposta.

Jo- Espero ansiosamente dona Júlia. É melhor eu ir, não quero problemas para a minha futura noiva. – riu e revirei os olhos.

J- É assim que se fala! Eu te acompanho.

Jo- Adeus Betty. – beijou minha mão – Em breve nos veremos. – saiu com minha mãe.


Subi diretamente para o quarto, não acredito que dona Júlia vai mesmo me jogar para esse velho! Não basta as cartas comprovando que eu tenho um pretendente? Agora mais do que nunca tenho que continuar com isso, preciso fazer minha mãe acreditar que estou realmente noiva. Noiva. A palavra que mais me amedronta está sendo minha escapatória de um casamento fajuto. Agora, como vou continuar com isso? Dona Júlia vai querer conhecer Vicenzo depois dessa bomba. O que faço?

Como um raio, ela adentrou meu quarto abismada.


J- Como assim está noiva, Beatriz? – chegou gritando.

B- Isso mesmo que a senhora ouviu. Vicenzo me pediu em casamento por carta, porque não podia vir para cá, e eu aceitei.

J- Aceitar se casar com um rapaz que não conhece sua família? E se ele não for bom sujeito?

B- É claro que ele é. Eu o conheci e trocamos cartas todos os dias! A senhora vai ter que aceitar esse casamento, estou cumprindo com o seu trato.

J- O trato dizia que eu tinha que conhecê-lo. Estou esperando ele vir.

B- Não é assim tão fácil! Ele não pode vir agora, está viajando com o seu pai a negócios. – disse nervosa.

J- Então diga a ele que quando voltar, é para ele se apresentar urgentemente nesta casa. E só então, vou dizer se você pode ou não se casar com ele! Caso contrário, ficará com o Joaquim! – disse gritando.

B- Isso não é justo! – ela saiu.


Não era justo dona Júlia rejeitar qualquer rapaz que eu traga para ela conhecer, ela dirá não para todos, só para eu me casar com o velho do Joaquim! É um absurdo! Peguei um papel e escrevi uma carta para Vicenzo, meu porto seguro dos últimos tempos.


“Querido,

Hoje, meu dia começou muito bem, as aulas foram maravilhosas e terminei aquele livro que estava lendo. Assim que cheguei em casa, meu sorriso desapareceu. O tal do Joaquim estava aqui em casa tomando chá com a minha mãe como se fossem amigos íntimos. Ele ficou para o jantar, claro. Dona Júlia fez questão de convidá-lo, mas o que me deixou perplexa foi que aquele velho teve a audácia de me pedir em casamento, com direito a anel e tudo!

É claro que eu não aceitei, disse que já havia outro homem em minha vida. Você. Disse que nos amávamos verdadeiramente e quando me vi sem saída, disse que estávamos noivos! Pois é, ironia não? Eu não quero me casar, mas inventei estar noiva de um homem imaginário! Só assim para eles ficarem quietos.

Mas minha mãe não engoliu muito a história, disse que queria te conhecer para ver se você é um bom moço. Inventei mais uma mentira de que você estava viajando com seu pai a negócios, mas mesmo assim, ela quer vê-lo urgentemente!

Quando me sinto sozinha, ou triste por algo sei que posso sempre contar com você, assim como você também pode contar comigo, além de noivos somos amigos e ótimos amigos.

Com amor,

Beatriz"


Minha rotina nos dias que se seguiram era a mesma, levantar, fazer higienes, tomar café, escutar um pouco das reclamações de dona Júlia, ir ao correio, faculdade, voltar para casa, jantar, escrever para Vicenzo e dormir. Isso se sucedeu por algumas semanas, não sei como mantive a compostura e de onde nasceram mentiras novas para enrolar minha mãe, só sei que funcionou.

Eu tinha uma amizade com Nicolás, ele estava na minha classe e fazíamos quase todas as matérias juntos. Contei para ele sobre o acordo, os pretendentes, Joaquim e as cartas para Vicenzo. Ele também não apoiava que minha mãe me empurrasse para o velho Joaquim de Queiroz, e tampouco a mentira sobre as cartas. Ele sempre dizia que a mentira tem perna curta e uma hora eu ia cair, me fazendo casar com o velho. Hoje não foi diferente.


N- Betty, você não tem noção não?

B- Nico, eu vou continuar com isso até não der mais! Preciso postergar esse maldito casamento.

N- Mas e se sua mãe descobrir? Ela não vai te dar uma nova chance!

B- Eu sei que não, mas preciso tentar.

N- Eu sinto muito não poder ter te ajudado, até que não seria tão mal ser casado com você. – ele deu sua típica gargalhada. Nico foi o primeiro pretendente rejeitado.

B- Deixa de ser besta. – também ri.

N- O que vai fazer?

B- Vou continuar. Preciso fazer minha mãe acreditar que estou noiva do Vicenzo.

N- De alguém imaginário?

B- Ela não precisa saber.

N- E quanto tempo mais vai esconder isso? Porque dona Júlia só vai deixar você se casar quando conhecer esse tal Vicenzo aí.

B- Ainda não sei, mas vou arrumar um jeito.

N- De preferência logo!

B- Assim espero.


Cheguei em casa com um envelope na mão, fingindo ser uma carta de Vicenzo. Iria subir guardar rapidamente, mas minha mãe foi mais rápida e me perguntou sobre o conteúdo do papel.


B- Ah mãe, são pessoais.

J- E sua mãe não pode saber o que tanto vocês conversam? – entrei em pânico.

B- Bom, ele me contou, basicamente, sua viagem, sua rotina, seus gostos, e eu faço o mesmo. Hoje, ele me disse que sente saudades!

J- Hmm sei. Falando nisso, Joaquim disse que sente saudades de você. E que espera uma resposta da proposta de casamento.

B- De novo esse senhor? E ele já tem uma resposta!

J- Betty, minha filha, pense com carinho. Joaquim é um bom moço, – moço kkkk há 30 anos podia até ser – quer o seu bem e de nossa família. Ele tem condições de te dar uma vida melhor.

B- Quantas vezes eu tenho que dizer que eu não quero me casar com ele? Joaquim tem idade para ser meu pai e tenho certeza que seu Deme não iria apoiar uma coisa dessa!

J- Não coloque seu falecido pai nessa conversa. E ele também gostaria de te ver bem, em condições melhores. – levantou a voz.

B- Ele era o único que me entendia, o único que apoiou minhas decisões. E depois que ele se foi, que a senhora inventou esse maldito acordo. – me exaltei também.

J- Não é bem assim. Eu só quero o seu bem, filha!

B- Meu bem? Me jogando para um velho? Eu tenho sonhos, sabia?

J- Sonhos? Que tipo de sonhos? – debochou.

B- Eu sonho em exercer minha profissão e me casar por AMOR. – enfatizei bem a última palavra.

J- E acha que esse Vicenzo vai te proporcionar isso?

B- Sim, eu acho. Ele foi um cavalheiro comigo quando nos conhecemos e é sempre muito gentil nas cartas. E tão sim, eu acho que ele me fará feliz!

J- Ninguém te fará feliz como o Joaquim!

B- Já chega! Não aguento mais isso! Com licença! – saí e me tranquei no quarto.


Estava tremendo de raiva, não tinha uma crise dessas a muito tempo. A única coisa que me acalmaria era escrever para Vicenzo. Mas não adiantou, enquanto escrevia, minha mão não parava quieta e minha letra saiu toda tremida.


“Querido,

Aqui estou eu mais uma vez, reclamando de dona Júlia e sua obsessão pelo Joaquim. Ela diz que quer meu bem, mas como se não me apoia em minhas decisões? Já cansei dela querer me jogar para alguém que não quero, mesmo dizendo que estou noiva de você! Ai Vicenzo, estou tão nervosa que minha letra está toda tremida devido ao meu nervosismo. Me perdoa por isso!

Nosso amor é especial porque você torna tudo melhor e até os momentos mais normais são uma aventura ao seu lado!

Com amor,

Beatriz”


Eu não saberia como manter essa mentira por muito mais, meu tempo estava se esgotando e se ele chegasse ao fim, adeus sonhos e olá casamento infeliz!



Notas Finais




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