História De Corações, Papel. - Park Jimin e Min Yoongi - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Visualizações 20
Palavras 3.209
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 3 - A inveja é sórdida.


CAPITULO TRÊS

 

Sentia as vibrações de passos contra o piso, meu olhar corria todo o lugar em profunda análise e meus ouvidos se encontravam aguçados o ponto de escutar o tilintar do relógio. E, claro, minha bunda doía por conta da cadeira de má qualidade.

Situações novas me deixavam assim, principalmente quando se tratava do meu local de trabalho e envolvia uma reclamação que teria de fazer em meu primeiro dia.

Continuava na minha tentativa de imergir em pensamentos e esquecer por um momento onde estava, mas era quase impossível.

— Ei! — Beatrice chamou a minha atenção, colocando a mão em meu ombro e apertando levemente. — Fique calma, vai dar tudo certo.

— Não vai, não. — Deixei cair os ombros e coloquei a cabeça entre os joelhos. Ela apenas riu e me ajudou a sentar direito novamente.

— Pare de ser infantil. — Começou, ainda um pouco risonha. — Você é uma ótima escritora, Moon. Você consegue fazer o que quiser, até mesmo um romance.

Assenti com a cabeça, mas logo me toquei, arregalando os olhos e virando na direção do rosto dela.

 — Como você sabe? — Perguntei em tom desconfiado.

— Fui eu. — Ela respondeu de maneira simplória, dando de ombros logo após.

Respirei profundamente uma, duas... Mil vezes. Quando finalmente abri a boca para falar, fui interrompida.

— Senhorita Bryce? — A mulher, que julguei ser a secretária, chamou-me, pedindo para eu a acompanhasse e levasse minha acompanhante, Rachel, aquela que eu já havia ofendido de todas as formas possíveis e inimagináveis.

 

 

A reunião era estressante e frustrante de um jeito que me deixava com vontade de gritar. Eu indaguei e tento colocar os meus motivos para revogar a ideia, mas Beatrice simplesmente distorceu tudo que eu falei para um lado bom, colocando minha insegurança para debaixo dos panos. Ela explicou os planos para a bienal e tudo que envolveu, sendo eu a responsável pela escrita, enredo e revisão do trabalho, mostrando todas as vantagens de me ter como uma escritora de romance, agradando os superiores com a ideia, sem se quer se importar com a minha opinião. Eles falavam e falavam, mas não se deram ao trabalho de sequer escutar o que a maior envolvida no projeto tinha a dizer. As bocas se movimentavam, as mãos gesticulavam e as cabeças balançavam em sinal positivo em alguns momentos. Eu estava ali, mas não exatamente ali.

E até mesmo no momento em que eu deveria ser protagonista, me contentei com o papel de um mero figurante. Nada incomum. Não para mim.

E, sim, eu assinei o maldito contrato.

 

 

Saí com uma raiva impossível de conter, bufando com frequência e desnecessariamente. Assim que vou de encontro à rua, vi o céu limpo e bufei mais uma vez. Comecei a andar a passos rápidos pela calçada, mesmo não sabendo o rumo que estava a tomar.

Pelo menos o vento continuava frio.

— Moon! — Continuei andando, mas agora com Beatrice em meu encalço.

Eu precisava me distrair.

A calçada é de concreto puro, sem detalhes. Alguns prédios tem a estrutura moderna e outras mais costumeiras em seus famosos tijolinhos. As pessoas...

— Moonie! — Ela me chamou novamente, mas eu não podia encará-la agora. Ela encostou a mão em meu ombro, mas eu apenas me desvencilhei e passei a dar passos mais largos, ocasionando na pequena corrida da outra.

Céus, eu vou perder o controle.

... Usam roupas de maioria preta e andam com uma pressa desnecessária, além da... — Droga, eu não consigo mais! — preocupação estampada em suas faces... Eu estou descrevendo as outras pessoas? ou é apenas a mim?

— Moonie Bryce! — Beatrice me chamou pelo nome composto em um tom duro, me fazendo hesitar por um momento, tempo suficiente para alcançar-me e agarrar meus cotovelos, me forçando a olhar para ela.

— VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO! — Gritei a plenos pulmões, já exaurida de ter que guardar tudo, absolutamente tudo, dentro de mim. — NÃO ME DEIXARAM PARTICIPAR! — A empurrei, mas ela apenas se aproximou novamente e me deu um abraço apertado. Eu desabei de vez. — Nunca me deixam participar... — Minha indignação saiu em um murmúrio estrangulado.

Eu comecei a estremecer em seus braços, derrubando lágrimas que há tempos não sentia rolarem por meu rosto, tentando entender o porquê do afastamento de todos, tentando entender em qual ponto sou inferior. E, ainda sim, conseguia sentir todos os olhares de estranhamento, devido a cena um tanto inusitada.

— Chega... — Resmunguei, me afastando de seus braços. — Você acabou com tudo.

Para a minha surpresa, ela sorriu e balançou a cabeça em negação.

— Se tivesse sido clara como neste momento, nada disso teria acontecido. Vem! — Ela guiou-me pelas calçadas, até pararmos em uma cafeteria um tanto peculiar: Hard Rock. Queria não aceitar o seu convite, mas estava fraca demais para negar algo.

Mas a raiva continuava presente.

Assim que entramos, fomos até a fila que há no balcão para fazer os pedidos. O lugar era todo composto por decorações amadeiradas, decorações de grandes bandas e paredes em tons de azul e vermelho. As pessoas, apesar de curtirem ao som de U2, não pareciam nada com o tipo de gente que era acostumada frequentar aquele lugar. Uma mistura do comum com o peculiar. Eu realmente gostei.

— Você já veio aqui antes? — Perguntei, sabendo que nossa vez estava próxima.

— Ontem, assim que cheguei em Dublin. — Beatrice sorriu. — Aqui tem boas bebidas. — Ela termina de falar e pisca para mim.

Como se eu fosse aceitar o ato de ingerir de álcool, pff.

Então, somente neste momento, percebi que o estabelecimento era dividido em dois. O lado em que estava era uma cafeteria e o outro, bem, um espécime de bar vinculado à um palco, um pub, para ser mais exata. Corri os meus olhos pelo outro lado, mais curiosa do que deveria, confesso. Vi alguns homens jogando sinuca enquanto falavam de assuntos banais, outros escolhendo uma nova música no jukebox e observei um homem solitário, perdido em algum lugar na tela de seu notebook, digitando rapidamente e deixando sua cerveja esquentar.

Não sei ao certo o que me fez analisar mais atentamente o garoto solitário, mas fiz. Comecei pelos seus dedos magros e grandes a praticamente voar pelo teclado, então subi um pouco mais minha visão, vendo seu moletom em um vermelho vinho. Quando finalmente cheguei a seu rosto, me surpreendi com seus lábios finos, quem formavam um coração; suas bochechas eram um pouco cheias e coradas demais, talvez devido ao frio e ao seu tom alvo de pele. Seus olhos? Bem, seus olhos tinham traços orientais, delicados a ponto de dissolver no mais sutil dos toques.

Então ele me olhou, e, céus, eu senti minha bochecha queimar. Desviei de imediato, fazendo a minha visão voltar a pairar sobre minha amiga.

— Um mocha e uma água, por favor. — Mesmo estando a olhar a situação, só saí de meus devaneios quando Bea pediu algo completamente absurdo.

— Não! — Neguei com pressa. — Um mocha e um expresso, por favor. — Sorri para atendente, que nos entregou a nota e apontou uma mesa para que eu e Beatrice pudéssemos sentar.

— Agradecemos a preferencia! — A atendente sorriu de modo acolhedor e voltou aos seus afazeres.

— Mas você ainda está tremendo, Moon! — Minha colega repreendeu.

Dou de ombros.

 

 

Assim que nos sentamos, tratei de olhar para minhas unhas, na tentativa de esperar minha bebida sem surtar.

— Foi proposital, Moonie. — Beatrice disse em meio a suspiros, me fazendo voltar a atenção para a mesma.  — Deveria ter deixado em claro as tuas intenções.

— Pelo menos você assume. — Rebati em um tom emburrado. — Ainda mais claro que aquilo?! Eu falei, falei e falei, mas ninguém me escutou realmente! — Sinto toda a mina indignação voltando.

— Você não tem firmeza! — Ela acusou. — Em nenhum momento, eu digo, em nenhum momento, você falou alto e claramente a sua decisão. Estou errada? — Ela perguntou, me fazendo ponderar por um momento suas palavras, então ela continuou. — Você falou sobre como não é adepta à escrita de romances, mas não falou que não queria escrever um. — Ela acusou novamente.

Merda, ela tem razão.

— Sim... — Soltei em um murmúrio derrotado. — Mas eu não sei ser direta, Bea. Eu fico dando voltas e mais voltas em todas as minhas ações. — Desvio o olhar do dela e viro minha cabeça para o outro lado de onde ela se encontrava, em um claro sinal de vergonha. Então me deparei com algo que me deixa ainda mais sem graça, o olhar penetrante e inabalável do homem no meu olhar vacilante.

— Ah, você sabe ser direta, sim! — Ela exclamou, me fazendo ter um mini susto e voltar minha atenção em si. — Olha como foi fácil negar a água para atendente! E, olhe, quando você gritou comigo lá na rua, eu me arrepiei toda. Sério, em TODOS os lugares! — Ela arregalou os olhos e gesticulou, dando intensidade à sua fala.

— Maneire nos detalhes, por favor. — Revirei os olhos e me permiti gargalhar, mas eu sentia cada célula do meu corpo incomodada com olhar que ainda permanecia fincado em minhas costas.

Eu me sentia em brasas. E isso era errado.

— Eu só quero dizer que você é capaz, Moonie Bryce. Acho que sou a pessoa mais próxima de ser sua amiga, então confie um pouco mais em mim. — Ela indagou.

— Eu confio. — Falei, por fim.

As bebidas finalmente chegaram, então fico ali um tempo, com meu café, minha amiga tagarelando e um olhar intenso demais sob minha pele para ser ignorado.

Cerca de quinze minutos se passam e, bem, ainda sinto-me arrepiar por conta do homem à minha espreita.

— Eu acho que você escreverá bem esse romance. — Beatrice recomeçou o assunto. Ela sempre foi assim, tagarela, extrovertida e linda. Não havia nenhum par de calças – às vezes, saias também. – que resistia aos cabelos loiros e olhar claro e sensual de Bea.

— Isso será impossível. Vai dar merda. — Falei e, então, dei uma pausa para respirar profundamente. — Eu não falar ou escrever sobre o amor, Bea.

— Claro que sabe. Você é dramática, senhorita Bryce. — Ela disse. — Você só não quer sair da zona de conforto. — Concluiu.

— Eu não posso falar de romance, principalmente quando nunca vivi um.

— Então faça ser possível. Viva um romance. — Ela falou simplóriamente.

— Certeza que esse mocha não tem algum teor alcoólico? Só pode estar muito louca para aconselhar algo assim. — Fiz careta e bebi o último gole do meu expresso. — Eu queria encarar a vida da mesma maneira que você. — Suspirei ao mesmo que coloquei minha xicara sob a mesa, me deixando relaxar na cadeira logo após.

— Você que complica tudo. Quer explicações para coisas simples, mas com um significado grande demais. — Ela explicou. — Eu sou tão sábia.

— E convencida. — complementei debochadamente, fazendo-a rir. Nenhuma novidade, já que Beatrice que tem um sorriso fácil demais. Vive estampado no rosto.

— É isso que conquista os homens! — Ela exclamou. — Essa amostra de confiança os deixa loucos.

— É isso que os faz fugir também. — Dou de ombros, chamando a garçonete e pedindo um novo expresso.

— Espero que você saiba o quão acelerado o coração fica por conta da cafeína. — Ela repreendeu mais uma vez. — E, bem, o comissário de bordo não fugiu! — Ela gargalhou de um jeito sacana.

— Oh, meu deus! Você não... — Tentei falar, completamente desacreditada das ações da garota.

— Fiz! — Ela falou completamente animada com o seu feito, mas logo armou uma careta quando viu a minha indignação estampada na face. — Ah, qual é! Eu estava entediada!

Ela começou a falar, falar e falar sobre a sua aventura no ar, dando detalhes demasiadamente sórdidos para serem contados. E eu? Bem, apenas forjei dar ouvidos ao que ela contava ao mesmo que bebia mais alguns goles do liquido negro em minhas mãos.

Não sentia mais nenhum incômodo causado pelo homem, provavelmente por que já foi embora. Mas... Será?

— Bea. — Chamei ela, interrompendo o seu dialogo – que mais parecia um monologo – e tive sua atenção.

— Uh?

— Você pode fazer algo por mim?

— Ao seu dispor, madama — Ela brincou, mas eu estava tão envergonhada com a situação que só conseguia sorrir meio torto.

— À esquerda, no pub. Atrás de mim. — Bea ousou levantar da mesa, mas eu a puxei de volta. — Aja com circunspeção! — Falei baixinho com o maxilar travado. Então ela apenas levantou os olhos e procurou, mas sua visão não o encontrou.

— Um barbudo?

— Não! Ele tem cabelos platinados e é branquinho. Estava olhando para mim poucos minutos atrás. — Descrevi o garoto. — Moletom vermelho!

— Hm... — Ela olhou mais analiticamente o lugar, logo sentando devidamente a mesa e me olhando estranho.

— Ele está lá? — Coloquei expectativa em minha pergunta, me repreendendo internamente logo depois.

— Não... E sabe o que eu acho?

— Uh?

— Que colocaram álcool no seu expresso. — Ela concluiu brincalhona. — Sério, nunca que um bebê desses que você me descreveu, frequentaria um lugar como esse.

— Mas...

— O mundo dá voltas, né? Antes eu era a bêbada-zero-álcool, agora é você. — Ela debochou, pegando o ultimo gole do meu expresso e tomando. — É forte! — Ela faz uma careta e aponta para o meu café.

Suspirei profundamente.

Só posso estar paranóica.

 

 

— Eu não quero ir! aqui é tão bom! — Beatrice se jogou sobre mim e falou dramaticamente, como se não estivéssemos no meio de um aeroporto lotado.

— Você virá mensalmente, Bea. Olha o drama. — Me desenrosquei de seu abraço.

— Você é uma insensível. — Ela simulou aborrecimento.

— Eu não falei que não irei sentir tua falta. — Revirei os olhos, mas o sorriso continuou querendo aparecer em meus lábios.

— Você me tratou como se eu fosse uma conta de luz! 

— O quê?

— É. Sabe, o negócio do "mensalmente". — Ela falou falsamente emburrada, com os braços cruzados.

Não consegui evitar a gargalhada. A abraço fortemente.

— Eu vou sentir sua falta, bobinha. — Confessei. Ela retribuiu fortemente.

— Eu sei. — Ela falou de maneira arrogante, mas eu senti o seu sorriso em meu ombro.

O interfone avisara a próxima viagem a ser feita, nos obrigando a soltar do abraço. Peguei sua mala – grande demais para quem veio apenas para uma reunião – e a entreguei. Então ela começou a caminhar em direção ao voo.

Assim que entregou sua documentação, ela gritou:

— NÃO SE ESQUEÇA DE MIM!

— ATÉ NUNCA MAIS! — Gritei de volta, gargalhando e começando a andar para fora do aeroporto.

Eu nunca, repito, nunca tive coragem de gritar em público. Seria um indicio de coragem? ­— Sorri satisfeita com o pensamento.

 

 

Cheguei no meu apartamento completamente acabada. Apesar de gostar muito de Beatrice, estar com ela e sua animação infinita me deixa sem forças para fazer outras coisas.

Liguei as luzes da casa e o rádio, que começou a tocar U2, me fazendo relembrar a música que tocava na cafeteria.

No fim, sair fez bem para mim.

Caminhava pela casa cantarolando trechos da música, pegando mantimentos e começando a preparação do jantar. Enquanto fazia, lembrei-me do estranho que, por me observar tanto tempo, não parecia mais um estranho; a única estranheza que me percorreu foi de ter me encontrado naqueles olhos, de ter sentido o nervosismo e a calmaria em sua dualidade, em níveis exorbitantes demais para serem ignorados.

Lembrei-me de cada detalhe e me repreendi por repreender-me pelo fato de não ter ido falar com ele. Sua ida foi um alivio, mas também foi uma perda, confesso.

Saí de meus devaneios graças à risada alta que sobressaiu o som do rádio, me deixando em alerta. Abaixei o som e fui até o meu quarto, abrindo as cortinas e vendo uma cena que me deixou incomodada, e eu sequer sabia o motivo.

O garoto da janela ao lado estava gargalhando junto a uma garota. Ela tinha olhos castanhos e o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo, seu macacão estilo jardineira parecia cair perfeitamente bem nela, a cor de pele é levemente bronzeada e a fofura e felicidade estampada no rosto dela fazia combinar com a felicidade do garoto. Mas... Eu não quero essa felicidade toda incomodando meu vazio. Devo me repreender?

Eles estavam abraçados e seguravam um gatinho branco muito fofo. Uma música tocava baixinho dentro do outro apartamento, que dava uma harmonia quase perfeita ao momento. E o quase só era usado por conta do meu desconforto, tão intenso que chegava a ser palpável.

Fiquei ali, observando os dois em seu ato de amor genuíno e tentando desvendar o que sinto. Até que consegui descobrir que o que me afligia era a inveja, o mais puro e sórdido dos sentimentos me atingiu de maneira lasciva.

Saí dali a passos brutos, morrendo de raiva deste sentimento que parecia me corroer, me exaurindo. Completamente impaciente, fui à cozinha e guardei todos os ingredientes, eu havia perdido completamente a fome. Tomei um banho rápido, me vesti, desliguei as luzes e joguei-me na cama.

E, quando finalmente achei que estava pronta para dormir, um gemido alto e manhoso invadiu a minha audição, para diversos outros aparecerem em seguida, além arfares e outros sons impróprios.

Só podia ser sacanagem com a minha cara.

Abafei um grito no travesseiro e o moldei de maneira a tampar meus ouvidos, a noite seria longa, com toda certeza.

 

 

            Acordei irritada, sem a menor condição de falar com alguém sem discutir. Na hora do lanche, tomei quase uma garrafa inteira de café, tentando derrubar – em vão – o meu sono, porque eu sequer dormi na noite passada.

Eu não passarei por uma situação dessas novamente — Foi o que eu pensei após um banho. Futuramente, poderei até contar aos meus filhos que dormi no vaso por conta de uma noite de caos.

Peguei na estante do quarto, com rapidez, um durex, caderno e uma caneta. Escrevi um bilhete, rasguei aquela página e fui até a minha janela, me inclinando e grudando o papel na janela do – agora – casal que morava ao meu lado. Aquela era minha esperança de conseguir paz para os meus ouvidos – e mente.

 

“Isto é para você, vizinho(a).

Desculpe invadir sua privacidade com este bilhete, mas preciso fazer uma reclamação quando aos sons constantemente altos de madrugada, tenho certeza que não apenas eu, mas boa parte da vizinhança se sente incomodada com a falta de silêncio noturna. Será que é possível fazer menos barulho? Tenho certeza que, se isso acontecer, será satisfatório para todos.

Agradeço desde já.”

 

◊◊◊

 

Muitos dias se discorreram como naquela noite, para o meu desprazer. Desde o afloramento daquele sentimento indevido em meu âmago, pude concluir que algo mudou, mas não sei exatamente o quê. Eu já estava acostumando-me com tantas sensações e emoções surgindo sem minha permissão.

E quanto ao bilhete? A resposta demorou dias e, quando veio, ofendeu-me verdadeiramente, além de tornarem os barulhos ainda mais constantes apenas para me provocar. Um ultraje, pois agora eu tinha que lidar, por vezes, com esses sons desrespeitosos durante o dia também.

“Isto é para você, vizinho(a).

Sinto dizer, mas você invadiu minha privacidade, sim. Eu não tenho a obrigação de conter-me, pois estou na minha casa, além do fato de apenas VOCÊ ter se queixado, então o incômodo é apenas seu, obviamente. Aconselho-te a procurar alguém que te ajude a superar esse incomodo na cama, pois é isso que te falta.

Agradeço desde já. ”



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