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História De Corpo e Alma - Jikook - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


socorro, minha "primeira" fanfic aqui kksk.
Depois de muito tempo enrolando e algumas contas apagadas por insegurança, (pela última vez) lá vou eu de novo tentar postar minhas fanfics! Deem amor a essa estória, cada capítulo está sendo feito com muito carinho, vou fazer o possível para não demorar muito para atualizar.
OBS: não é uma sad fic, mas eu adoro um drama.

Não foi revisado!
Boa leitura!

Capa e banner feitos por @hobixx através do @MyeonDesign

Capítulo 1 - Me Sinto Romper


Fanfic / Fanfiction De Corpo e Alma - Jikook - Capítulo 1 - Me Sinto Romper

“Mas o paraíso está trancado e enclausurado…

precisamos fazer a jornada ao redor do mundo

para ver se uma porta dos fundos talvez esteja aberta.”

— Heinrich Von Kleist, “On the Puppet Theater”

 

Meu corpo tremia por completo, dos pés a cabeça, à beira de perder todos os sentidos, de pé na borda do precipício, frias e grandes mãos circulavam meu pescoço e apertavam com força. Todo o sangue que corria desesperadamente pelo meu corpo inesperadamente parou de ser levado ao meu cérebro e logo em seguida o ar faltou em meus pulmões, presumi que ali mesmo poderia desfalecer... Estava tonto e agoniado, perdido e desamparado; tentava com todas as minhas forças me livrar do aperto buscando ar para viver, mas era quase impossível dado em vista que aquilo poderia ser mil vezes mais forte que eu. Minha cabeça pendeu para o lado, em meio de tanta aflição pude ver meu próprio corpo magrelo refletido no espelho rachado, moribundo, cada dia mais debilitado, eu podia observar meu corpo e ver quase todos os meus ossos bem aparentes cobertos pelos tecidos querendo saltar para fora como se estivesse prestes a rasgar minha pele.

Logo, cada minuto que passava eu facilmente poderia confundir com horas, em um tempo que passava muito lento, por fora eu me torturava em busca de ter quem sabe uma salvação daquilo que me enlouquecia por dentro. Não podia negar, naquele ponto, em um nível tão alto de dor e sofrimento, falhando miseravelmente na busca da minha própria paz, eu achava mesmo que Deus havia abandonado um de seus  filhos... — Eu. Um pobre pecador que ainda não sabia o tamanho de seus próprios erros e nem conseguia imaginar o peso de seus pecados.

Ou talvez pudesse...  E era exatamente esse “talvez” que me fazia entrar em conflito comigo mesmo, porque eu podia até sentir o peso dos meus pecados, todos os dias, todas às horas que uma noite durava, sem nenhuma exceção, mas não saberia o tamanho do erro que eu havia cometido para receber esse penitência. Jurava por Deus que a dor que eu sentia não poderia ser comparada há nenhuma outra, era uma dor qual eu não desejaria nem para há mais miserável alma existente nesse mundo. Queimava de dentro para fora, todavia não havia sinal de fogo e a fumaça que se expandia era apenas dentro da minha cabeça. 

A tormenta dentro de mim; eu sabia muito bem que era imbatível, sem mais forças, cansado de lutar pela vida eu fechei meus olhos — não aguentava mais olhar para meu corpo e ver somente o que restava de um antigo eu que há muito tempo não vira, apenas em uma época quando recebia sorrisos calorosos e podia sentir o cheiro de biscoitos saindo do forno ao invés de enxofre. —, naquele momento tentei esquecer de tudo e desejei apenas partir sem dor, mas aquilo era o desejo mais impossível de todos, uma vez que as condições que eu mesmo havia me proporcionado eram terríveis. Ainda escutava vozes ao pé do ouvido, pedindo perdão por seus erros, implorando (quem sabe) pela misericórdia divina. Era no meu ouvido que elas sussurravam, contudo aquele perdão não podia ser concedido por mim, afinal eu também era uma alma perdida que assim como eles da mesma forma rezava pedindo paz.

Quando percebi que estava perto de dar meu último suspiro, mesmo sentindo que ainda não estava pronto para ser beijado e abraçado pelas asas negras daquele que iria me levar ao tão almejado descanso, senti o toque desesperado sobre meu braço esquerdo, eram mãos delicadas, como as de uma moça. Senti unhas grandes percorrerem ligeiramente minha pele alva deixando vergões por todo o caminho que faziam. 

Um grito alto foi ouvido, eu abri meus olhos, já não enxergava apenas o preto. 

Era uma mulher, chorava alto, os cabelos desalinhados do coque, o óculos quebrados e o batom rosa preenchendo seus lábios finos. Usava roupas velhas, parecia cansada e nem um pouco ternurosa, mas ainda assim muito parecida com uma dona de casa, só que um pouco descuidada. Ela me encarou, não parecia ter medo, preocupação, surpresa ou algo familiar há ternura, mas seu olhar carregava mais fúria de que qualquer outro, tinha olheiras abaixo dos olhos amendoados e rugas que vinham junto com a idade.

— Eu não acredito nisso! Juro por Deus que não acredito que você tentou de novo! — ela berrou cuspindo todas as palavras na minha cara. Do que ela falava? O que eu tentei novamente? Eu realmente não sabia, mas ela não deveria fazer juramentos em nome de Deus, seria uma pena que uma mulher tão bonita mesma cheia de raiva sentisse o que eu sinto sendo castigada. — Você quer me ver morta? É isso? Por que você faz isso, Jungkook?! Quer ver sua mãe morta, hein?!

Jungkook, meu nome era Jungkook, Jeon Jungkook, certo, disso eu sabia bem. E ela era minha mãe… Eu estava confuso, mas não pude deixar de notar minhas mãos presas ao redor do meu pescoço, bruscamente as tirei dali e olhei no olhos da minha mãe. 

O choque de ser trazido de volta a realidade foi impactante, minhas mãos formigaram e eu respirei fundo umas três ou quatro vezes antes de sentir o nó se formar na garganta e tossir fortemente. As coisa transcorriam bem rápido naquele instante, então fiz há única coisa que era capaz de fazer no momento: chorar. 

O terror havia passado, eu não escutava mais os sussurros e nem o ar me faltava. Todavia eu continuava apavorado. Olhei ao redor e de imediato soube que estava em meu quarto. Não era algo muito grande, as paredes eram mofadas e não tinha uma janela para ver o sol — e agradecia há isso, porque ver o sol se pôr não era uma das minhas visões prediletas para contemplar. — Havia papéis espalhados por todos os cantos e até mesmo restos de comida. Um arrepio passou por minha espinha. As lágrimas escorreram pelo meu rosto e eu tentei segurar o grito preso na garganta, mas então minha mãe berrou alto mais uma vez com o rosto vermelho de raiva em meu lugar. Suas mãos apertaram meu braço com mais força, tentei me soltar, mas seu aperto era mais forte. 

— E-eu juro mamãe… Não fui eu, foi ele! E-eles, você sabe que foram eles, sempre são…! Acredite em mim, por favor, você tem que acreditar em mim! Acredite! — clamei. Ela parecia impassível segundos depois.

— Não, Jungkook, não existe “eles”, é apenas você e suas alucinações, garoto, já chega dessa brincadeira, eu não aguento isso! Não, está na hora de mudar, Jungkook!

Com as mãos trêmulas ele pegou o braço que estava livre do seu aperto e meu rosto se contorceu em uma expressão de dor quando senti suas unhas grandes se firmarem em minha pele, soltei um gemido pela dor e bruscamente minha mãe se levantou e me arrastou pelos cômodos da nossa casa até o lado de fora. Era um lugar muito pequeno, e, diferente de qualquer outro espaço caseiro, ali não era nada aconchegante. Particularmente, eu achava fedorento e úmido demais. Direcionei meu olhar para ela, captei seus movimentos atrapalhados ao tentar abrir a porta de seu Opala.

— Aonde estamos indo, mamãe? 

— Vai para um lugar muito bom, meu anjo, vai ficar tudo bem, você vai ficar bem! — ela exclamou em um misto de sua raiva e ao mesmo tempo carinho ao tentar me passar tranquilidade com estranhas expressões. — Vamos, vamos! Eles estão nos esperando, Jungkook.

— Eles quem, mamãe? Quem está nos esperando?

— Vai saber quando chegarmos, meu anjo.

— Não quero ir, estou com medo. 

— Não precisa, anjo, são pessoas boa, vão ajudar você. — ela se virou para mim e passou suas mãos sobre meu rosto até chegar nos ombros, ela sorriu gentilmente e entrou no carro.

Mamãe tinha o costume de me chamar de anjo, mesmo eu estando longe de ser um deles, não era sempre que ela me chamava de Jungkook, porém eu havia me acostumado com o apelido de anjo, pelo menos na minha cabeça ela me chamava assim porque ainda me via como sua criancinha pura, ou talvez apenas queria continuar alimentando sua fantasiosa ilusão de que tudo estava bem. Pois bem, aos olhos do anjo, eu estava com medo.

Eu confiava na minha mãe, com certeza, mas seu sorriso não passava tranquilidade alguma, nem o seu afeto momentaneamente forçado, mesmo assim aceitei o seu estranho gesto de carinho e entrei no Opala quando ela pediu sem ao menos saber para onde estávamos indo. 

Eu não escutava sussurros, não sentia meu corpo queimar, não estava com falta de ar e nem me sentia tão confuso quanto antes, entretanto eu ainda estava com medo porque minha tormenta não iria embora tão rápido, ao saber disso imaginei que as portas peroladas do paraíso não iriam abrir tão cedo para esse pobre homem.

 


Notas Finais


por favor, se tiver gostado comente e favorite, isso é muito importante para mim.
Até logo!


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