História De Mal a Pior - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Do Kyung-soo (D.O), Kim Jong-in (Kai)
Tags Clichê, Colegial, Kaido, Kaisoo, Long-fic, Sookai
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Palavras 2.438
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Segundo Capítulo


Kyungsoo se sentou no canto mais afastado da sala de aula, observando uma mosca solitária se lançar contra a janela repetidamente, ignorando o fato de que todos ainda o olhavam, como se ele acidentalmente tivesse ido para a escola pelado.

Sete anos!

Ele havia mantido aquilo em segredo por sete anos!

E então a maldita imbecil decidiu “apostar mais alto” (palavras de sua mãe) e mandou fazer alguns folhetos. Ele jogara no lixo alguns que havia encontrado pela casa na semana anterior, mas ela devia ter mandado fazer mais. E agora todos sabiam; ela poderia ter mandado imprimir tambem aqueles cartõezinhos oferecendo serviços de acompanhante e os colado nas cabines telefônicas. Oficialmente, sua mãe vivia de programa assistencial. Extraoficialmente, ela se apresentava em pubs e boates com a porcaria de sua performance vertiginosa: “Charlotte Devine – Tributo à Lady Gaga”. O nome dela não era realmente Charlotte. Era um nome artístico para “aumentar a magia e o glamour” (palavras de sua mãe), mas também para manter os fiscais do trabalho longe de suas atividades. Até então, ela só havia se apresentado em cidades maiores da região e em alguns acampamentos de férias no litoral, o que significava que o verdadeiro horror do que ela fazia continuava sendo desconhecido pelos moradores locais. Mas, em uma tentativa equivocada de penetrar no mercado de Incheon, ela havia mandado imprimir dez mil folhetos tamanho A5 e, por motivos conhecidos apenas por sua pessoa idiota, claramente tinha deixado um monte deles na recepção em frente ao ginásio de esportes, e a maioria deles agora estava espalhada pela escola. Sua mãe, usando um collant catastrófico, fazendo beicinho diante da câmera, como se fosse de fato uma grande estrela aclamada internacionalmente.

Ele teria se safado, já que mal dava para reconhecê-la com os cílios postiços e a peruca, se não fossem as informações no canto inferior direito do folheto:

Para agendamento de shows, entre em contato com Do Weejin.

E pela pequena biografia pessoal que ela acrescentara em uma tentativa de melhorar sua imagem:

Weejin tem se apresentado em muitos dos maiores e mais glamourosos estabelecimentos há mais de duas décadas. Mãe orgulhosa de Kyungsoo, ela divide seu tempo entre Seul e Incheon.

Nada daquilo era remotamente verdade.

Ela nunca havia estado em Seul, e ainda por cima mãe orgulhosa?! Será que ela estava se divertindo? Kyungsoo cerrou os pulsos, as unhas se enfiando nas palmas das mãos. Por que ela era totalmente incapaz de ser uma mãe normal? Por que não podia ser uma advogada ou executiva de respeito ou apenas receber o auxílio do governo tranquila e discretamente? No mínimo, por que ela não podia tentar, nem que fosse uma vez ao menos, não o envergonhar totalmente e arruinar sua já patética vida?

E o deboche na escola havia sido do seguinte nível:

– Tudo bem, Kyungsoo? Quanto sua mãe cobraria para viver um romance malvado comigo?

Aquele havia sido o dia mais humilhante de todos.

Pior do que aquela vez que sua mãe havia dito em voz alta que ele ficava “brincando com seu brinquedinho” na fila do banco local, quando, na verdade, ele não estava fazendo aquilo – ÀS VEZES ERA PRECISO DAR UMA AJEITADA NAS COISAS, CERTO?!

Do jeito que as coisas iam, Kyungsoo agora tinha noventa e oito por cento de certeza de que Deus não existia. Deus devia recompensar os bons e punir os maus; era assim que Kyungsoo sempre achou que as coisas funcionassem. Mas ele não tinha sido mau. Pelo menos, não mau no sentido de ser um déspota maligno responsável por crimes de guerra. A lista de coisas ruins que ele tinha feito era verdadeiramente boba. Na verdade, os três principais itens seriam que ele havia:

1. Enfiado no bolso uma camisinha extra na aula de Ciências e Saúde, para o caso de se dar bem (mas que agora já havia passado do prazo de validade);

2. Sabotado a torta de maçã de Kim Dahyun na aula de Tecnologia de Alimentos, aumentando a temperatura do forno, quando ela não estava olhando, fazendo com que a torta queimasse e garantindo, assim, sua própria vitória no Concurso de Melhor Torta de Maçã do nono ano;

3. Falsificado vários bilhetes de dispensa com a assinatura de sua mãe para os jogos de futebol nos meses de inverno (o que era mais do que justo, já que a professora usava dez camadas de roupas quentes e um kit de sobrevivência com revestimento de pele, que poderia ser usado para escalar o Everest, enquanto os alunos vestiam apenas um short fino de náilon e uma camiseta surrada. Era uma questão de direitos humanos, certo?!).

Então, as coisas ruins que ele havia feito não eram tão ruins assim no fim das contas. Sem dúvida, um ser todo-poderoso devia dar um desconto em algum momento, não?

Aparentemente, não.  

– E aí, Kyung-Soo? – Disse a voz pretensamente sensual.

Im Nayeon jogou para trás seu cabelo tingido de castanho claro, sorriu maliciosamente e sentou no assento vazio ao lado dele.

Kyungsoo gelou de pavor.

Ela estava tão perto que ele sentia o cheiro de seu bronzeador artificial e de seu perfume doce barato.

Todos os garotos sonhavam com a Nayeon.

Cada centímetro dela era alisado, embelezado e pintado, com maquiagem pesada e rósea nos olhos e sobrancelhas austeras. Os outros garotos pareciam gostar daquilo, mas Kyungsoo achava que ela estava mais para um palhaço demente saído de um filme de terror. Com sua saia acima dos joelhos, ela também ignorava descaradamente as regras sobre uniforme de um jeito totalmente inaceitável.

Nayeon significava problemas.

No quinto ano, ela havia levado o hamster da classe para casa na Páscoa – e ele voltara morto. No sétimo ano, ela havia jogado um KitKat para um cisne em uma excursão a campo para a aula de Geografia – fazendo com que o animal atacasse uma criancinha que estava por perto. No oitavo ano, ela claramente havia fingido uma convulsão após um evento escolar sobre epilepsia e, de algum modo, conseguira dispensa escolar; no nono ano, ela havia roubado um cavalo; no décimo, atirado uma baqueta na sra. Butcher e a polícia fora chamada. E esses eram apenas os casos que Kyungsoo conhecia.

– O que você quer, Nayeon? – Ele baixou os olhos para sua carteira, fazendo o possível para soar forte e controlado.

– Eu estava pensando, sua mãe faz outras performances além da Lady Gaga?

– Não.

– Ela não faz Beyoncé?

– Nao.

– Ela dança “Alejandro” bem, Kyungsoo? Ela faz todos os passos?  

– Não, não faz.

Respostas diretas. Diretas. Não diga nada que possa ser usado contra você.

– Você está ficando vermelho. É porque está ficando excitado, pensando em sua mãe dançando eróticamente uma dança homossexualista?

Ele engoliu em seco. Ignore. Não reaja.

– Está todo mundo fazendo o dever? – A srta. Sooyoung disse, inspecionando a sala. – Nayeon?

– Estou discutindo com Kyungsoo, professora, a respeito de uma das perguntas, mas ele não sabe a resposta! Tem certeza de que ele é bom em tudo?

– Vá à merda! – Kyungsoo sibilou. Como essa total imbecil ousava questionar seu sucesso acadêmico conquistado a duras penas!

– Oh, Kyungsoo, olha só, quem está ficando ejasperado!

Ele se encolheu.

– É exasperado. Olha só quem está ficando exasperado!

Não havia nada mais irritante para ele do que erro gramatical, mas ou Nayeon não tinha entendido ou estava deliberadamente provocando ainda mais.

– Não sou eu quem está com raiva, Kyungsoo! Você é um doido batido!

– Cale a boca!

– Você está tão preturbado!

– PELO AMOR DE DEUS!

– Você está amargorado! Você está ranziza! Você…

– Cale a boca. Apenas CALE A BOCA! – Ele gritou. Silêncio.

A turma toda parou o que estava fazendo para olhá-lo. A srta. Sooyoung cruzou os braços e lançou um olhar de censura em sua direção. O garoto sentiu o sangue sumir de suas bochechas. Ele havia deixado Nayeon atingi-lo.

Você não responde a gente como ela.

É melhor só ouvir a provocação e não lhes dar munição.

Quando é que ele aprenderia?

– Babaca – Nayeon disse, levantando-se tão bruscamente que a cadeira tombou para trás. – Bela barraca.

Vendo pelo lado positivo, ver sua mãe de collant pelo menos acabava com qualquer problema de garotos.

– Eu não…

– Oh, sim. Pessoal! Kyungsoo armou a barraca porque está pensando em sua mãe pop star! – Ela gritou, para alegria do resto da turma.

– Nayeon! Já chega! – gritou a srta. Sooyoung. Nayeon foi gingando até sua carteira enquanto o barulho morria. Ele cerrou os dentes e considerou seriamente atirar seu lápis no chão com toda força, ou talvez quebrá-lo no meio ou algo do gênero. Mas era um lápis Mirado Black Warrior da Paper Mate com grafite de dureza média e corpo de cedro fechado por pressão envolvendo um núcleo muito macio. E havia acabado de ser apontado. Ele não estava preparado para estragar um material de papelaria tão bom por causa dela. O garoto suspirou. Ele nunca havia feito nada contra Nayeon. Por que ela não podia continuar levando sua vida inútil e deixá-lo em paz para levar a dele? Por que o dia tinha que piorar cada vez mais? Ele olhou discretamente para o outro lado da sala, para ver se Mina também estava se divertindo à custa dele.

Não.

É claro que ela não estava.

Porque Mina era amável e sempre fantástica e não faria algo do tipo.

Ela estava apenas terminando seu trabalho em silêncio – com todas as respostas corretas e sua caligrafia perfeita, Kyungsoo imaginou.

Mina perfeita.

Mina perfeita, inteligente e que dava duro, mas ainda assim era popular, mesmo que não ligasse para popularidade.

Se ao menos ele pudesse ser um pouco mais como ela.

Por que sua carga de azar tinha de ser tão grande?

Droga.

Agora ele estava noventa e oito vírgula cinco por cento certo de que Deus não existia.

Noventa e oito vírgula cinco por cento certo de que não podia ser uma força totalmente maligna e cruel em ação.

A vida não era um milagre realizado por um ser superior; era apenas falta de sorte.

E ainda assim…

E se, na verdade, seu quase-ateísmo tivesse irritado um Deus bem real e vingativo, que agora estava determinado a transformar sua vida num inferno devido à sua falta de fé?

O que fazer?

Bem, Deus, se você existe, ele pensou, a hora é agora. Esta é sua última chance. Você tem uma chance de exatamente um vírgula cinco por cento de provar sua existência para mim. Faça algo de bom acontecer. Só uma coisinha. Prove. Prove até a hora que o sinal tocar no fim da aula e eu reconsiderarei minha posição.  

– Ok, pessoal! – disse a srta. Sooyoung, arrastando se até a frente da sala.

Kyungsoo olhou para cima, recusando-se deliberadamente a dar seu usual sorriso encorajador, já que a srta. Jung não conseguira repreender Nayeon de forma aceitável.

– Ouçam: aqui está o que quero que todos vocês preparem no fim de semana para a aula de segunda-feira…

– Segunda-feira?! – disse Nayeon, levantando os olhos das unhas que estava lixando.

– Sim, segunda. Vou dividi-los em grupos de três e definir aqueles que serão “a favor” ou “contra” a construção de um novo supermercado fictício em Incheon. Vocês terão que imaginar que estamos em uma grande assembléia do conselho municipal e terão que apresentar seus pontos de vista. Todo mundo entendeu?

Houve murmúrios de descontentamento geral por parte dos alunos descolados, que não queriam que o fim de semana, geralmente dedicado à bebedeira ilícita e ao exercício de sua popularidade, fosse prejudicado. Kyungsoo pegou sua melhor caneta-tinteiro e abriu a agenda de tarefas escolares numa página em branco, pronto para fazer anotações. Haveria tempo para se divertir quando ele fosse milionário. E estava tudo bem. Sério, estava mesmo.

– Certo! – A srta. Sooyoung analisou a sala, formando os grupos. – Nayeon com Chanyeol e Jongdae…Momo com Tzuyu e Baekhyun…

– Jesus… – Murmurou Momo.

– Mina, você pode ficar com…

Kyungsoo prendeu a respiração e olhou para cima como um suricato animado, esperando chamar a atenção da srta. Sooyoung para que ela o escolhesse. Estar no mesmo grupo que Mina podia resolver tudo! Graças à sua mãe, sua popularidade estava em baixa, mas Mina podia ajudá-lo a melhorar sua imagem aos olhos dos outros; seu estilo enigmático passaria para ele! Não apenas isso, já que ela era um par cuja inteligência estava no mesmo nível que o seu, então seria ótimo tê-la no projeto, e assim ele não teria de fazer o trabalho inteiro sozinho enquanto outra pessoa levava todo o crédito. – Você pode ficar com Minseok e Yixing…

Kyungsoo afundou na cadeira.

Noventa e nove vírgula noventa e quatro por cento. 

Pra que tudo aquilo?

As coisas estavam péssimas e sempre estariam péssimas.

Ele chafurdou na autopiedade enquanto a srta. Sooyoung continuava formando grupos com o restante da classe, com sua porcentagem de certeza ateísta aumentando como o mostrador de um cronômetro.

Noventa e nove vírgula noventa e cinco por cento.

Noventa e nove vírgula noventa e seis por cento.

O Ser Todo-Poderoso tivera a oportunidade perfeita de provar sua existência e a perdera. Apenas quando a srta. Sooyoung começava a explicar no que exatamente consistia o projeto foi que ele se deu conta de que não fazia parte de nenhum grupo, com ou sem a melhor garota da turma.

Kyungsoo entrou em pânico.

Todos os outros tinham grupo.

Por que ele havia sido deixado de fora?

Então ergueu a mão.

– Responderei as perguntas no fim, Kyungsoo.

Obviamente, então seria tarde demais. Se ele esperasse até o fim, o sinal tocaria e todos sairiam da sala, e ele ficaria sem nenhum grupo. Ele teria de fazer o exercício sozinho, sem ajuda. O que significava que não teria as melhores notas.

Inaceitável!

Noventa e nove vírgula noventa e sete por cento.

– Kyungsoo ainda está com a mão levantada! – Nayeon disse com prazer.

– Responderei as perguntas no fim!

Noventa e nove vírgula noventa e oito por cento.

– Talvez ele precise ir ao banheiro, professora – Sugeriu Momo.

Oh, lá vamos nós! Kyungsoo pensou, sabendo bem o que viria em seguida.

– Ele pode mijar nas calças de novo, professora, como naquela excursão do nono ano à Ilha de Jeju, – Nayeon acrescentou.

– O que foi, Kyungsoo? – Suspirou a srta. Sooyoung.

Noventa e nove vírgula noventa e nove por cento.

Ele baixou a mão.

– Ainda não tenho grupo, professora – Murmurou.

– Certo. Por que não disse nada?

– Ninguém vai querer ficar no mesmo grupo que ele – Disse Nayeon.

O sinal tocou.

Era o fim.

Término da aula.

Fim da oportunidade do Ser Todo-Poderoso provar sua existência.

Tudo acabado.

E então as nuvens se abriram, os anjos cantaram, uma luz ofuscante brilhou enquanto a terra tremia e um milhão de querubins lançavam flechas de felicidade no ar alegre… 

E o maior milagre de todos os milagres aconteceu.



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