História De novo não - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Angst, Ansiedade, Drama, Ily, Voiced Out
Visualizações 12
Palavras 510
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - ;como todas as outras vezes.


Mais uma vez eu vejo você caminhar pra longe.

 

Dessa vez eu digo a mim mesma para não chorar. Te ver indo embora faz meu coração apertar e todo o ar ficar preso em meus pulmões. 

 

 

Você vai voltar logo, não é?

 

 

A porta entreaberta deixa a música baixinha escapar da casa velha. Se eu chegar um pouco mais perto, posso até sentir o teu perfume impregnado por toda parte.

Mas meus pés não se movem, como todas as outras vezes.

Você se afasta aos poucos, sem olhar para trás, e não pode me ver segurar o sorriso forçado e acenar em sua direção.

A minha respiração está acelerando, por mais que eu tente normaliza-la. A sensação já conhecida me faz ficar com raiva, não quero que tudo se repita outra vez.

 

Agora você virou a esquina e eu posso relaxar os músculos travados. O sorriso se esvai aos poucos, ao que minhas mãos vão em direção ao abdômen tentando inutilmente manter minha respiração regular.

Eu não quero mais olhar o caminho que você fez, mas não consigo fechar os olhos. 

Consigo sentir o vento reverberando em meus ouvidos, me fazendo ficar atordoada.

 

 

De novo não. De novo não.

 

 

Minhas pernas tremem, reclamando do peso. Minha alma treme, reclamando da dor.

Minha mente frustrada tenta conter aquilo, mas minhas mãos já suadas tateiam em busca de um apoio inexistente. Sei que vou cair, como nas outras vezes, então apenas jogo meus joelhos no tapete marrom.

 

Você já deve ter chegado na estação, mas meu peito ainda treme em busca de ar.

O ar que você me tirou.

E eu me martirizo por, mais uma vez, permitir isso. Por, mais uma vez, me iludir achando que hoje seria o dia em que eu iria apenas acenar e sorrir, te vendo partir. Eu me martirizo por mais uma vez não me controlar e perder o maldito ar que insiste em fugir dos meus pulmões.

 

Minhas mãos trêmulas alcançam a maçaneta da porta. Não escuto mais música. Tento me por de pé, mas a cabeça pesa e gira, me deixando tonta.

Você já deve estar no trem agora, indo em direção a casa branca feita de tijolos, que sua família construiu alguns anos atrás. Você provavelmente não sabe que, nesse exato momento, eu estou desejando não sentir o seu cheiro quando entrar na minha casa.

 

Consigo levantar, com dificuldade. Passo as mãos desajeitadamente pelo meu rosto, falhando em limpar as poucas lágrimas que caíram.

Meu celular vibrou no bolso.

Você já deve ter chegado, pelo visto. Abro sua mensagem e era apenas um "to vivo", como sempre, junto a uma foto do gatinho manchado que vive na frente da sua casa.

Fechei a porta de madeira, sem força, me escorando nela. A respiração levemente acelerada diminuía o ritmo aos poucos.

 

Contei até dez e me desencostei.

 

O aparelho na minha mão vibrou outra vez.

 

 

Você quer vir pra cá próximo sábado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O problema é que gente ansiosa também ama.

Mas não sabe identificar o que significa sua falta de ar.”

João Doederlein (@akapoeta)



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