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História De novo você - Capítulo 3


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Capítulo 3 - O papel pardo com letras vermelhas


-- Sasuke-kun. – sussurrando pausadamente esse nome, Sakura sentiu suas bochechas esquentarem enquanto tinha a impressão que as pupilas de Sasuke se dilatavam. Difícil dizer com certeza, já que os olhos que a fitavam eram extremamente negros. Ela engoliu em seco enquanto se amaldiçoava mentalmente por estar agindo como uma colegial.

            -- Ei! Eu também estou aqui! – foram interrompidos por um Naruto já de pé, segurando o nariz com uma mão e abanando a outra perto do rosto de Sasuke que, assim que ouviu o amigo, soltou bruscamente os braços de Sakura, empurrando-a com certa força, ao que ela cambaleou para trás.

            -- Calma, teme, vai derrubar a Sakura-chan!

            Em alguns instantes, Sakura já se via envolvida num abraço apertado dado pelo amigo loiro. Não pode deixar de pensar na diferença entre os dois homens ali, sol e lua, verão e inverno. Conforme o aperto do abraço aumentava, ela foi voltando à situação e logo usou sua força para se livrar dos braços que literalmente a amassavam.

            -- Ai! Você consegue ser mais grossa que o teme quando quer, Sakura-chan...

            O comentário de Naruto fez seu sangue borbulhar ao ponto de sentir o olho esquerdo piscando num tique nervoso. Mirou aquele rosto de nariz inchado e olhos arregalados, o que lhe lembrou um cachorro pidão, mas assim que Naruto começou a sorrir foi logo contagiada pelo calor daquele sorriso, sempre muito aberto. Não pode evitar, sorriu de volta e o sopapo que planejava lhe dar no meio da cara se transformou num singelo soquinho no braço.

            -- Ai! – reclamou o loiro mais uma vez – vocês dois tem uma forma muito estranha de demonstrar amor... nunca pensei que você combinasse tanto com o Sasuke!

            E novamente ela sentiu as bochechas em chamas. O que só piorou quando ouviu a voz do outro perto de si:

            -- Chega, baka. Pensei que seu nariz estivesse quebrado.

            -- Quase! Foi por pouco, hein, Sakura... eu já tinha conversado com você sobre ser mais delicada de vez em quando...

            -- Chega! Naruto! – foi a vez dela se pronunciar. Sem querer dar chance para mais comentários do tipo, emendou uma série de questões, o mais rápido que conseguiu formular – O que vocês estão fazendo aqui? Que história é essa de perseguir jovens inocentes na rua? Vocês estão me procurando? Como invadiram o hospital? Você cortou o cabelo, Naruto?

            Satisfeita, contemplou os dois homens parados, mudos. Demorou um tempo até Sasuke se manifestar:

            -- Tsc... irritante...

            -- O que foi que disse? – Sakura sentiu uma certa nostalgia, era assim que ele se referia a ela nos tempos de colégio, de um jeito que sempre conseguia a incomodar e, pelo visto, Sasuke lembrava. Tomando fôlego, ele respondeu:

            -- Estamos aqui a trabalho, estamos te procurando, não invadimos o hospital, Naruto cortou o cabelo mais curto e estávamos perseguindo um pivete que parecia estar violando uma propriedade privada.

            Foi a deixa para Naruto quebrar seu silêncio e se dirigir a ela, passando os braços por seus ombros de um jeito camarada, conseguindo arrancar uma leve careta de Sasuke.

            -- Sakura-chan, estamos procurando uma médica promissora, muito elogiada por seus superiores, prodígio nos estudos acadêmicos sobre venenos e antídotos!

            Sakura não pode deixar de sorrir com a fala do loiro. Então era isso que sabiam sobre ela? Contudo, sua expressão logo murchou quando o amigo continuou:

            -- Não esperávamos te encontrar toda desleixada, esgueirando-se pelas ruas e tentando trepar em árvores! Nós somos agentes da lei, fomos treinados para averiguar suspeitos! Você parece um moleque mal intencionado com essas roupas... por acaso está escondendo alguma coisa?

            Ótimo! Como poderia explicar isso agora? Dizer que se disfarçava para comer luosifen no restaurante do ex? Naquele momento parecia o cúmulo do absurdo. Resolveu voltar ao modo agressivo e, novamente afastando-se dos braços de Naruto, reuniu toda a dignidade e seriedade que conseguiu para responder:

            -- Não é da conta de vocês! Essa é a minha área de trabalho, estou circulando por um local que conheço bem e.. e... se gosto de me vestir de modo diferente de vez em quando é problema meu! Você sabe como é difícil caminhar pelas ruas sendo uma mulher bonita como eu? Eu tenho todo o direito de me vestir como quiser!

            De canto, pode reparar num discreto meio sorriso de Sasuke. Já Naruto pareceu se compadecer e logo buscou se redimir:

            -- Desculpe, Sakura-chan, não queríamos te ofender. Mas agora que nos encontramos, vamos sentar e conversar? Temos um assunto para tratar com você. Tem um restaurante umas duas quadras para baixo, que tal jantarmos todos juntos?

            Um restaurante a duas quadras? Só podia ser onde Kiba trabalhava! Estava pensando em como se livrar do convite, quando ouviu Sasuke lhe salvar:

            -- Não precisa, dobe. Deixa a diretora falar com ela primeiro. Depois conversamos. Vamos embora, ainda temos uma tarefa para terminar.

            Naruto pareceu estar em dúvida, mas, após olhar Sakura de cima a baixo, resolveu dar o braço a torcer:

            -- Claro. Sakura, que saudade! Nós vamos nos ver novamente em breve, sim? Você vai entender logo o que está acontecendo, tenha paciência. Fora o chute no nariz, foi muito bom te ver.

            -- Vamos logo, dobe! – Sasuke já se virava e ia em direção a um carro preto estacionado perto da esquina.

            Sentindo-se aliviada e também bastante curiosa, Sakura apenas acenou enquanto observava os dois partindo. Antes de entrarem no carro, ainda pode ouvi-los conversando:

            -- Espera! Sasuke! Nem parece aquele cara impaciente que foi procurar a Sakura direto no hospital ontem...

            -- Cala boca, baka!

            E assim, os dois partiram enquanto Sakura pegava o boné e a peruca do chão, juntamente com o resto de sua dignidade. Não podia nem pensar no luosifen, só queria voltar para casa e assaltar qualquer besteira que encontrasse na geladeira. E assim, Sakura partiu rumo à casa, torcendo para encontrar algo no freezer que não fosse feijão disfarçado no pote de sorvete como da última vez.

 

 

Acordou cedo no outro dia. Se havia algo que a diretora do hospital abominava eram atrasos. Sentia-se insegura quanto ao que lhe esperava e isso a motivou a caprichar um pouco mais em seu visual. Apesar de ser um pedido de sua chefe, não estava indo ao hospital propriamente a trabalho, então uniformes eram desnecessários. Mesmo assim, deveria estar em um bom traje social. Optou por um vestido vermelho simples, porém elegante, com um ótimo corte que parecia abraçar suas curvas. Um bom perfume de notas florais frescas e estava pronta.

Ao chegar no hospital foi diretamente à sala de sua superiora. Não demorou muito para ser recebida, Tsunade já a aguardava. Ambas haviam se conhecido na universidade. A mais velha fora professora de Sakura e também sua orientadora num projeto sobre venenos e antídotos, o qual ainda mantinham ativo, apesar do ritmo de trabalho nessa área ter diminuído após Sakura se aproximar do fim da residência e Tsunade assumir a diretoria do hospital. Como a pesquisa havia sido muito promissora, alcançado resultados inéditos, as duas decidiram não finalizar o projeto, apenas desacelerar o processo.

Encontrou Tsunade debruçada sobre a mesa, em meio a uma pilha de livros e papéis. Era uma mulher loira, bem conservada e em forma, inclusive com uma “comissão de frente” que intimidava qualquer um, sobretudo Sakura, já que ela sentia que mal preenchia o próprio sutiã.

Tsunade nem ao menos lhe cumprimentou, apenas levantou o olhar e principiou:

-- Sakura. Sente-se. Vou ser direta. Lembra que lhe contei sobre eu ter passado um tempo servindo às forças especiais antes de virar professora?

Sakura ia abrir a boca para responder, porém Tsunade não lhe deu chances e logo emendou:

-- Lembra, sim. Pois bem, eu aprendi bastante, foi ótimo e agora você terá a mesma oportunidade!

Dessa vez Sakura foi mais rápida, interrompendo a superiora:

-- O quê? Como assim, eu não sei nada sobre isso, não conheço nenhuma história, você só me disse que prestou serviço militar há um tempo, mas eu não faço ideia de como ou por que ou quando exatamente, eu só quero terminar minha residência e me especializar, o que é isso...

-- Silêncio! – o grito de Tsunade acompanhado por um forte tapa na mesa fez alguns papéis caírem no chão e o sangue de Sakura gelar, congelando seus movimentos instantaneamente. Satisfeita, a loira continuou – Pode considerar a residência finalizada. Nós duas sabemos da sua capacidade. Eu vou providenciar toda a burocracia. Pode fazer a especialização dentro das forças especiais quando terminar a missão, eles têm estrutura para isso. Você vai ganhar bem, aprender muito e ainda prestar um serviço valioso ao seu país. Eu já tive a experiência, sei do que estou falando. Vai trabalhar com os melhores de lá, o comandante da missão é muito competente, também é lindo, cheio de homens lindos lá, aliás, mas não se deixe enganar, o Kakashi é um falastrão, até hoje eu devo para ele e você vai quitar esse meu débito... – Tsunade se deu conta que estava começando a divagar quando notou as sombrancelhas de Sakura se arqueando e sua feição ficando rubra. Não perdeu tempo e logo mudou o rumo do diálogo – Enfim! – e mais um tapa forte em cima da mesa, dessa vez acompanhado por um pequeno pulo de Sakura – É uma oportunidade única você ser convidado, é extremamente difícil entrar para as forças especiais, não sei como aquele loiro idiota conseguiu e, por falar em idiotas, você, pelo visto, já tem dois amigos lá o que vai facilitar muito a adaptação. Uma maravilha, um desafio gigante que vai consagrar a sua carreira, acredite!

E lá estavam as palavras mágicas: desafio e carreira. Nos últimos anos essas perspectivas tinham impulsionado sua luta. Não podia negar, queria crescer e ser reconhecida. Sabia sobre a fama das forças especiais e a dificuldade em ser admitido. Sabia que Tsunade podia ter motivos escusos para lhe envolver nisso, mas jamais a prejudicaria, além do que valorizava a trajetória profissional de Sakura praticamente como a dela própria, visto serem mestre e pupila. Sua intuição gritava que, sim, era uma oportunidade única. Além disso, entendia que podia confiar na superiora. Mesmo sem saber praticamente nada sobre o porquê de ter sido chamada ou com o que trabalharia, estava muito tentada a aceitar. Até ouvir as próximas palavras da loira:

-- Será uma missão em equipe, eles escalaram os melhores agentes para te proteger: Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto. Não se deixe enganar pelo loiro parvo, eles são bons, confio na palavra do Kakashi quanto a isso.

-- Uchiha Sasuke? – novamente Sakura balbuciava aquele nome. Então era por isso que estavam atrás dela? Teriam que trabalhar juntos? Ela tinha lutado para construir uma vida bem sucedida que a afastasse de sua juventude emotiva e em apenas dois dias a simples presença de Sasuke perto dela já tinha gerado tanta confusão... Em meio a esses pensamentos, viu-se encerrando a conversa com Tsunade com uma rápida mesura – Obrigada, sensei! Sei que quer o melhor para mim! Eu... eu... preciso pensar.

-- Claro, peça para a secretária Shizune te entregar o envelope sobre a missão. Está tudo explicado detalhadamente ali. E... bem, considere como um pedido pessoal meu. Está na hora de superar algumas coisas, não é?

Essa frase fez Sakura arregalar os olhos e crispar os lábios. Tsunade a conhecia bem demais. A loira não esperou a resposta de Sakura, tratou de se debruçar novamente sobre os papéis. Foi a deixa para a reunião terminar.

 

 

O sol do meio-dia estava escaldante, contudo a sombra das árvores estava boa. Sakura estava sentada na grama, embaixo de um pessegueiro, observando um balanço solitário de uma pequena praça localizada perto da universidade. Quando estudava lá, aquele era um de seus lugares favoritos para relaxar. A praça era pouco movimentada e observar o balanço isolado lhe trazia alento. Talvez lembrasse de Naruto na infância, ele costumava brincar sozinho no balanço. Era melancólico, mas a melancolia lembrava Sasuke e ao invés de sentir tristeza, acabava sentindo conforto. Era algo conhecido e também reconhecido pelo seu coração.

Nas suas mãos segurava o envelope  pardo contendo o selo do governo e letras vermelhas garrafais que formavam a palavra “CONFIDENCIAL”. Havia lido e relido cinco vezes. Aparentemente uma organização criminosa conhecida como Akatsuki estava contrabandeando novas drogas de alto potencial destrutivo. Não havia muita informação sobre, mas era sabido que as drogas agiam como um veneno que, além de viciar, ia aos poucos intoxicando o organismo. Ministrada em altas doses funcionava como um veneno letal cujo antídoto era desconhecido. Seis agentes já haviam perdido a vida. Seu trabalho seria comandar uma equipe que iria estudar a substância e procurar por possíveis antídotos, além de acompanhar e auxiliar a equipe de campo cuja missão era prender os membros da organização criminosa. Os agentes também seriam responsáveis pela segurança dos pesquisadores. Antes de iniciarem a missão passariam por algumas semanas de treinamento no centro de operações das forças especiais. Ficariam isolados no local e durante o desenrolar da missão o contato com pessoas próximas seria restrito. A previsão era que tudo se resolvesse logo, já que a Akatsuki tinha sido aos poucos desmantelada, restando agora desfazer a cúpula de comando composta por mais quatro membros.

Após completada a missão, ela poderia fazer a especialização no principal hospital do país, mantido pelo governo. Já estaria aprovada para o processo. Também continuaria recebendo auxílio para levar adiante sua pesquisa, ganhando o merecido reconhecimento pelos seus esforços. Não se envolveria diretamente com os criminosos, o que fazia o risco de tudo parecer baixo. A proposta mostrava-se muito tentadora mesmo. Além disso, já estava na hora de superar suas emoções juvenis. Para isso acontecer, nada melhor do que encarar o problema de frente.

Estava perdida em seus pensamentos quando o toque estridente do seu celular a assustou, fazendo-a praguejar vários palavrões enquanto procurava o bendito aparelho na bolsa. Era uma ligação de Ino.

-- Fala, porquinha...

-- Testa, pare tudo o que está fazendo! Sabe que dia é hoje?

-- Seis de setembro?

-- Sexta, minha linda, sexta! Eu e você de folga neste fim de semana, eu com convites para a inauguração de uma churrascaria, eu e você ficando lindas, enchendo a pança e depois indo para uma festa queimar as calorias e fazer descarrego numa pista de dança, dançando até os problemas se exorcizarem por conta, reta final para o fim da residência!

Sakura não pode deixar de sorrir. Ino era tão animada, em comparação com a amiga ela se sentia uma velha antipática. Mas jamais ficaria para trás! De repente, aquele convite pareceu vir a calhar. Comemorar com sua melhor amiga o fim de um ciclo para abrir um novo exorcizando os fantasmas do passado. Olhando para o balanço, Sakura sorriu:

-- Ino, você sempre me convida para essas coisas e eu... – foi interrompida pela amiga:

-- Você recusa! Eu já disse que você precisa se divertir também...

            -- Eu vou, porca! – foi a vez de Sakura interromper. Por um instante a ligação ficou muda, mas logo foi tomada pelos gritos estridentes de uma Ino extremamente animada:

            -- Por Kami, Kami é pai! Testuda do meu coração! Vamos, vamos com tudo! Vem logo pra casa, vamos começar a produção já!

            -- Para de gritar, porca, vai acabar com meu tímpano! Já tô indo, daqui meia hora tô aí.

            -- Sakura, hoje eu vou fazer o imenso favor de te produzir, eu quero arrasar muito, não posso ser acompanhada por qualquer coisa!

            -- Qualquer coisa o cacete, Ino! Eu tenho meus atributos!

            -- Ai, Sakura, que atributo né... Mas o que não tem em cima, embaixo compensa, até eu olho de vez em quando...

            -- Ino! Tchau!

            Desligou o telefone com as bochechas em fogo. Quantas vezes já tinha corado desse jeito desde ontem? Inferno! Estava mesmo na hora de relaxar e reunir forças para o desafio que viria.

 

 

            -- Para de puxar esse vestido para baixo, Sakura! Ele vai rasgar e o que você não quer mostrar de pernas vai mostrar de outras partes!

            Estavam na porta da churrascaria. Era relativamente cedo, porém o local já estava bem movimentado. Sakura usava um vestido branco com estampa de flores vermelhas. Era justo no busto e solto na saia. A sensação que ela tinha era de que a saia subiria a qualquer ventinho que passasse por ali:

            -- Você não tinha outro vestido para me emprestar? Esse aqui tá muito curto! Eu não me importei na hora, mas já tô começando a ficar desconfortável...

            Ino revirou os olhos e mirou Sakura com cara de tédio:

            -- Já disse que o nosso corpo é diferente, eu sou mais magra e você tem um bundão que tá fazendo a saia subir...

            -- Tá! Tá bom! Amanhã vou direto para uma loja comprar roupas!

             A conversa das duas foi interrompida quando Sakura fez menção de entrar no restaurante. Ino segurou a mão dela e, olhando para os pés, sussurrou:

            -- Espera, eu preciso te avisar de uma coisa.

            Sakura achou a atitude de Ino muito suspeita. Ergueu uma sobrancelha e balançou a cabeça, fazendo sinal para que a outra continuasse.

            -- Então, ontem, antes de sair do hospital, eu encontrei com o Naruto, ele estava esperando para falar com a Tsunade, a gente conversou, coisa mais querida esse loirinho, né? Foi ele quem me deu os convites para inauguração da churrascaria, é de um amigo dele, Neji... eu não podia recusar, ele me pediu para te convidar, eu queria muito vir, eu não sabia se você aceitaria, mas a gente já está aqui né, eu quero muito que a gente se divirta, Sakura, desculpe ter te contado agora, eu fiquei com receio que você fosse simplesmente recusar e...

            -- Ino. Você sabe. Eu não fujo mais. Poderia ter me contado, eu não recusaria. Vamos.

            Demorou alguns segundos para Ino responder. Inicialmente sua expressão era de receio, mas logo foi substituída por um sorriso tímido:

            -- Desculpe.

            Sakura apenas sorriu e virou as costas para entrar na churrascaria. Mas antes fez uma breve pausa e, olhando para Ino por cima do ombro, sentenciou:

            -- Me deve uma.

            A loira apenas abaixou a cabeça e concordou, rezando para que Sakura não usasse sua criatividade na hora de acertar as contas entre elas, o que certamente aconteceria. As duas entraram no local e não demorou muito para serem avistados por Naruto que prontamente se levantou. Abanando os braços ele as chamou, como um verdadeiro cavalheiro, muito discreto e comedido (só que não):

            -- Ino! Sakura-chan, aqui!

Lá estavam, o loiro cabeça oca vestido com uma camisa branca de algodão, as mangas dobradas, calças de linho também claras. Uma combinação que estava favorecendo o conjunto cabelos loiros, olhos azuis e pele levemente bronzeada. O tempo tinha feito bem para Naruto, Sakura admitiu para si. Do lado direito dele, duas mulheres – uma loira e outra morena, pareciam ser água e vinho, tamanha a diferença entre elas. A loira possuía uma beleza incisiva enquanto a morena com seus longos cabelos e olhos muito claros parecia uma boneca de porcelana. Ao lado da loira, um homem de estatura mediana, com o cabelo amarrado em um coque no topo da cabeça, ele parecia bastante entediado.

Do lado esquerdo de Naruto, Sasuke. Sasuke, Sasuke, Sasuke. Os cotovelos apoiados na mesa e as mãos cruzadas embaixo do rosto. O olhar indecifrável, mirando o copo com vinho sobre a mesa. O perfil como de uma pintura, um terno simples, completamente negro. Belo anjo negro.

Sakura respirou fundo, ergueu o rosto e tratou de sorrir da melhor maneira que conseguia. Estava na hora enfrentar esse demônio!  



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