História De outro mundo - Capítulo 13


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Bertolt Hoover, Connie Springer, Dot Pixis, Eld Jinn, Eren Jaeger, Erwin Smith, Hange Zoë, Historia Reiss, Jean Kirschtein, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Oluo Bozado, Personagens Originais, Petra Ral, Reiner Braun, Sasha Braus, Ymir
Tags Drama, Eren Jaeger, Ereri, Levi Ackerman, Magia, Mistério, Riren, Romance, Yaoi
Visualizações 62
Palavras 5.327
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oláaa, leitoress!
Desculpem pela demora ao postar, estou na correria da faculdade e acabei ficando sem tempo, mas agora venho com um capítulo grande para recompensar.
Cuidarei para não demorar tanto para postar.
Espero que gosteeem! <3

Capítulo 13 - Sonho


Fanfic / Fanfiction De outro mundo - Capítulo 13 - Sonho

Eren

- Desculpe, tomarei mais cuidado da próxima vez.

- É bom mesmo. Francamente, você não me escuta. – Heichou comentava mal-humorado enquanto cuidava do meu tornozelo.

Estávamos voltando de nosso treinamento e quando saímos da floresta e chegamos ao topo de uma colina, conseguíamos avistar o castelo ao longe. Eu não via a hora de voltar logo e poder descansar e comer algo, então resolvi descer a colina correndo. Obviamente minha ideia tinha tudo para dar errado, como Levi heichou alertou, e foi o que aconteceu. Tropecei no meu pé e desci a colina rolando. Digamos que eu não havia pensado na possibilidade de algo dar errado. Heichou veio logo em seguida, ele estava em cima de seu cavalo enquanto segurava as rédeas do meu cavalo. Ele me olhava com desaprovação. Talvez eu merecesse esse olhar.

- Sorte a minha que o senhor estava comigo. Minha lesão curou-se rapidamente. – Eu achava seu poder curativo impressionante. Assisti atentamente enquanto ele curava meu tornozelo lesionado. A dor desapareceu em segundos. Por precaução, ele ainda enfaixou meu pé, dando um nó apertado no fim. – Ai. – Reclamei.

- Vamos descansar por cinco minutos. Voltaremos em seguida. - Ele permaneceu sentado no chão e pegou a mochila que sempre trazíamos junto conosco, enquanto eu permaneci sentado na pedra, calçando novamente minha bota. Após isso, escorreguei e sentei-me ao seu lado, apoiando as costas na pedra. Ele pegou uma garrafa de água e começou a beber. Olhando de soslaio, acompanhei enquanto ele lentamente levava a garrafa até seus lábios e bebericava com calma o líquido. Um filete de água escorreu pelo canto de sua boca e por algum motivo senti vontade de limpar com a... minha língua?

Mas que tipo de pensamento era esse para com meu superior? Desviei o olhar rapidamente. Porque havia pensado isso? E porque sentia meu coração e estômago agitados?

Espera, deve ser o calor. Isso! Eu devo estar com muito calor e começando a delirar, só pode. Tentei acalmar minha respiração o máximo que pude.

- Quer um pouco? – Ele ofereceu-me água.

- Sim. Obrigado. – Peguei a garrafa de sua mão e tomei o líquido. De novo olhei de esguelha para ele, que novamente procurava distraidamente por algo a mais na mochila. Parei para analisá-lo com mais atenção e notei o cordão que agora estava sempre em seu pescoço. Senti-me feliz por vê-lo usar o que havia dado a ele, mesmo que não passasse de um simples acessório. Levei minha mão direita até meu peito e segurei por cima da minha camiseta o colar que ele havia me dado logo depois que descobri meus poderes. Ambos usávamos o mesmo acessório em nossos pescoços... de certa forma, isso me deixava animado.

“Heichou...”. Chamei seu nome em pensamento, segurando o colar contra o meu peito.

- O que foi? – Ele perguntou, deixando a mochila de lado.

- Hã? – Perguntei confuso.

- Porque me chamou usando o colar? Eu estou bem aqui ao seu lado.

- Que? – Não estava entendendo. Eu não havia pronunciado seu nome em voz alta, mas mesmo assim ele havia ouvido.

Ele revirou os olhos.

- Você esqueceu como o colar funciona? – Como ele não obteve resposta, continuou. – Segure contra o seu peito e chame pelo meu nome, assim conseguirei lhe ouvir.

Agora eu lembrava. Eu me sentia bem e seguro usando o colar, e quando o aproximei e chamei o nome, ele acabou me ouvindo. Era a primeira vez que havia visto como o objeto mágico funcionava, e era impressionante. De fato... estávamos conectados. Ele havia me dito que conseguiria ouvir minha voz o chamando mesmo que estivéssemos a quilômetros de distância. Era incrível, mas me senti encabulado por ele ter me ouvido. E eu havia pronunciado seu nome de forma tão... manhosa? Que vergonha!

- Desculpe, heichou. Eu havia esquecido. – Soltei o colar. Era bom que não me esquecesse disso novamente.

- Você tem estado muito distraído, garoto. Há algo lhe preocupando? Está doente, por acaso? – Dito isso ele levou uma de suas mãos até minha testa e depois a desceu até minha bochecha, verificando minha temperatura. Seu toque sem aviso prévio me desconcertou e meu coração voltou a acelerar. – Está com o rosto corado. – Com certeza não tinha nada a ver com estar doente!

- H-Heichou... – Tentei falar, pedir para ele afastar sua mão, mas ele permaneceu imóvel.

- O que foi? Não está se sentindo bem? – Ele foi se aproximando cada vez mais. Instintivamente recuei e bati de costas na pedra. Não havia para onde escapar.

- E-Eu estou bem, sim. Estou ótimo! – Menti descaradamente. Só faltava meu coração pular pela boca. Seu polegar fazia um leve carinho em minha bochecha, sem querer fechei meus olhos e aproveitei o toque. Eu estava me deixando levar.

- És um péssimo mentiroso. – Senti sua respiração bater contra o meu rosto quando ele soltou uma breve risada, segundos antes de seus lábios tocarem os meus.

 

Acordei dando um grito de surpresa e um pulo de cama. Ainda atordoado, notei meu corpo encharcado e  imediatamente comecei a sentir muito frio.

- Finalmente acordou, garoto. – Heichou disse ao pé da minha cama. Ele estava segurando um balde.

- V-Você... Me acordou com um balde de água fria? – Perguntei incrédulo enquanto eu mesmo me abraçava.

- Era o único jeito. Eu lhe chamei três vezes e você nem havia se mexido. Por um segundo cogitei a ideia de você estar em um coma, ou morto. Agora vamos treinar.

- Que horas são?

- 5h50min da manhã.

- O quê? Porque tão cedo? – Perguntei quase choramingando. Sentia que havia dormido pouco e tudo o que eu queria eram mais algumas horas de sono.

- Porque eu determinei assim. – Limitou-se a responder.

Bufei enquanto levantava da cama. Precisaria trocar a roupa de cama e depois estender os lençóis, mas antes, precisava trocar de roupa.

Fui até o armário que havia em meu quarto e o abri. Como sempre, não havia muita variedade de roupa, apenas o uniforme de sempre. Enquanto separava minha roupa, heichou foi até a porta do quarto que estava fechada e se encostou nela, esperando.

- Er... Eu vou me trocar agora. – Permaneci de costas mas virei minha cabeça para avisá-lo que deveria sair. Um pouco de privacidade seria bom, no momento.

- Pois vá logo, está se arrastando muito. – Cruzou os braços. – Esperarei aqui.

Como é que é?

- V-Você não vai sair?

- Seu eu sair é capaz de você continuar enrolando. Permanecendo aqui posso monitorá-lo.

Não, não, não. Com certeza não era uma boa ideia. Eu havia acabado de acordar de um sonho em que estava beijando o meu superior! E o pior, eu havia gostado! No sonho, enquanto nos beijávamos, eu não achava estranho. E agora, acordado, eu continuava não achando caso pensasse nessa possibilidade, mas estava totalmente sem jeito. Meus pensamentos estavam muito além de confusos!

- P-Pode pelo menos s-se virar para eu me trocar? – Pedi corado e com a voz falhando um pouco.

Ele arqueou uma das sobrancelhas, mas depois fez o que pedi.

Ainda um pouco encabulado com a situação, despi-me o mais rápido que pude. Retirei a calça e a camisa de manga curta que usava. Apenas minha camiseta parecia estar mais molhada, minha calça e roupa de baixo estavam apenas um pouco úmidas. Olhando rapidamente em direção a heichou, terminei de me vestir. E, é claro, eu não havia percebido que ele me olhava discretamente enquanto me vestia.

- E-Estou pronto! – Chamei sua atenção e ele virou novamente para mim, analisando-me de cima a baixo.

- Ótimo. Vamos.

Andamos praticamente todo o caminho em silêncio. Normalmente eu puxava algum assunto, mas dessa vez resolvi ficar calado. O sonho ainda estava me incomodando.

Depois de 10 minutos em silêncio:

- Acordei você cedo porque não iremos ficar tanto tempo treinando hoje, no máximo até o meio da tarde. Após, retornaremos e eu irei me preparar para partir. – Sua voz grossa ecoava pelos corredores ainda vazios e escuros devido a pouca luminosidade.

- Partir? O senhor vai participar de alguma reunião com o comandante?

- Não. Eu, Erwin e mais alguns soldados partiremos em uma missão, no início da noite.

- Porque tão tarde? Achei que as missões normalmente ocorriam durante o dia.

- E ocorrem. Mas precisamos verificar um chamado que recebemos de um vilarejo um pouco distante. Como os titãs não se locomovem durante a noite, podemos viajar rapidamente, chegar ainda de madrugada e logo depois voltar.

- Entendi. Será mais rápido assim. Mas nenhum superior ficará encarregado do QG?

- Não deixaremos os pivetes sem supervisão. O que precisar, fale com Hanji. Ela ficará. E tente não se meter em encrenca.

- Certo! – Então ele passaria o resto da tarde ocupado e eu só o veria de novo provavelmente no final do dia de manhã. Por algum motivo, queria ter mais tempo com ele...

Espere. O que estou pensando?

Mas mesmo que não quisesse, aquela parte específica do sonho não parava de se repetir em meus pensamentos.

Já do lado de fora do castelo, pegamos a direção da esquerda e começamos a nos dirigir até o estábulo para buscar nossos cavalos. Ao longe, o sol estava começando a aparecer. Pensei que era apenas eu e heichou acordados, mas já havia uma pequena movimentação do lado de fora. O que estariam fazendo tão cedo de manhã? Provavelmente se preparando para a missão de mais tarde?

Dei um longo bocejo e parei por um momento para me espreguiçar. Ainda não estava cem por cento acordado. Acredito que quando começássemos a cavalgar eu acordaria definitivamente.

Visto que heichou não havia me esperado e já estava a uma boa distância de mim, retomei meus passos, mas logo depois senti uma mão em meu ombro.

- Annie? – Olhei para ela surpreso. Não esperava encontrar algum conhecido a essa hora da manhã. – O que faz acordada tão cedo?

- Estou indo treinar. E parece que estão indo fazer o mesmo. – Sua atenção saiu de mim e foi até heichou, que estava mais a frente.

- Estamos sim. E preciso ir rápido antes de ser repreendido... – Respondi, já me virando.

- Espere. – Olhei para ela. – Tenho algo para entregar à você. – Ela tirou um pequeno papel dobrado de seu bolso e me entregou. Olhei o que estava escrito. – Armin pediu para entregar isto a você. Bem, vou indo. – Ela se despediu e depois entrou novamente no castelo.

Olhei novamente para o bilhete. Armin havia escrito e pedido para encontrá-lo mais tarde, após a janta no refeitório, em um horário e local específico. Explicou que repassou o bilhete pois passaria o dia inteiro ocupado, praticamente. Pensaria nisso mais tarde.

Guardei o recado e corri rapidamente para os estábulos. Cheguei a tempo de ver heichou saindo do recinto, montado já em seu cavalo, enquanto segurava as rédeas do meu.

- O-Obrigado por ter preparado o cavalo para mim, senhor. – Agradeci, ele não precisava ter colocado os equipamentos necessários, mas assim o fez.

- Se eu não tivesse feito, demoraríamos muito mais para partir. – Comentou simplesmente.

Talvez fosse verdade mesmo.

[...]

- O que faremos hoje? – Perguntei enquanto seguia mentalmente a lista de alongamentos diários que já havia decorado.

Eu não sabia exatamente que horas eram, mas agora o dia já estava totalmente claro e com um clima muito agradável. Pelo menos parecia que o dia não seria tão quente.

- Iniciaremos combate corporal e mais tarde quero ver como está sua transformação, irei analisar seu auto controle.

- Se irei me transformar Hanji-san não precisa estar conosco? – Ela normalmente nos acompanhava nessas ocasiões.

- Tendo em vista que será breve, não é necessário que ela esteja presente.

- Entendido.

Com nossos pertences já organizados e deixados de lado, ele veio em minha direção, ficando em minha frente. Logo, nos ajeitamos na posição inicial de combate. Sem avisar, ele iniciou seus movimentos de ataque contra mim. Eu não sabia exatamente o porquê mas, inicialmente, quando meu físico não era bom e eu nada sabia sobre combate, ele costumava pegar pesado comigo. Derrubava-me no chão, desferia socos, rasteiras, enquanto eu era acertado por todas as suas investidas sem aviso prévio. Agora, com o devido conhecimento, dificilmente seus movimentos me acertavam. Quando ele achava alguma brecha, utilizando eventualmente algum soco ou chute contra mim, ele realizava o movimento, mas parava a centímetros de mim. Ele vinha parando seus movimentos na metade, para não acertar-me diretamente. Quando eu percebia que havia "perdido" recomeçávamos do início, com ele repetindo o mesmo ato.

Em determinado momento, ele avançou na intenção de acertar um soco, mas consegui prever o que ele faria e desviei rapidamente, logo segurando seu pulso e o abaixando. Tal movimento fez com que ele ficasse mais próximo a mim, e não pude deixar de fitar seu rosto por alguns segundos, alternando o olhar entre seus olhos e seus lábios. Novamente, a cena do meu sonho em que nos beijamos veio com tudo, me desconcentrando. Ele, percebendo minha distração, puxou seu braço de volta e me deu uma rasteira.

- Você está um pouco avoado hoje, está com várias aberturas. O que anda pela sua cabeça? – Ele comentou quando fui ao chão mais uma vez. Seu joelho estava em cima do meu peito.

- N-Nada!

- Concentre-se mais! – Estendeu a mão para me ajudar a levantar. – De novo.

E passamos o resto das próximas horas treinando. Entre pausas para descanso e refresco, o tempo passou voando. Tentei me concentrar, como ele havia solicitado, e digamos que eu consegui fazê-lo, em parte. Ainda deixava algumas aberturas para ele conseguir acertar algum golpe, apesar de nunca chegar até o fim. E, apesar de difícil, eu conseguia acompanhá-lo e realizar movimentos quase certeiros, recebendo comentários positivos de meus movimentos. Depois de mais algum tempo com o treinamento físico, ele comentou:

- Encerraremos a parte física por hoje. Agora, antes de voltarmos: a transformação.

Eu sempre sentia um pouco de receio no início da cada transformação minha. Pensava se conseguiria ou não manter o controle. Até então eu estava tendo progresso. No início eu costumava perder o controle, não tinha consciência e só parava de me debater quando heichou cortava a nuca e me tirava lá de dentro. E eu nunca lembrava o que havia acontecido. Atualmente, tornaram-se cada vez menos frequentes as vezes em que perdia a consciência, eu conseguia manter a calma, ouvir e seguir ordens. E cada vez mais eu me forçava a melhorar, queria adquirir o controle total e ser útil para ajudar a todos. De qualquer forma, eu estava a recém dominando quase que completamente meu controle durante minha transformação, mas será que, enquanto transformado, eu possuía algum outro poder? Isso era algo que Hanji-san sempre se perguntava e era algo que eu também não fazia ideia.

Olhei ao redor. Os cavalos estavam com as rédeas amarradas às árvores, mais afastados de nós. Eu e heichou nos encontrávamos em um campo aberto com algumas pedras ao redor. Dessa forma, eu poderia me transformar sem problemas e não acabaria por destruir alguma árvore ou de certa forma machucar algum dos cavalos. Heichou havia dito que eu não precisava trazer o meu DMT, apesar dele estar equipado com o seu. Ele veio até onde eu estava.

- Muito bem. Irei lhe dar o espaço necessário. Quando eu notar que está tudo sob controle, me aproximarei de você. – Ele comentou enquanto passava a mão em seus cabelos, deixando-os levemente bagunçados. Sua respiração estava se recuperando, devido ao treinamento, e ele estava um pouco suado. Engoli em seco, nervoso. – E concentre-se em sua transformação.

- Sim, senhor. – Ele virou de costas e manteve uma distância segura de mim. Ao seu sinal, respirei fundo, enquanto fechava os olhos e com calma levava minha mão esquerda em direção à minha boca. Depois, veio a sensação a qual já estava acostumado.

Abrindo os olhos, conseguia ter uma visão perfeita de tudo. Atrás de mim, estava o campo. À minha frente, estava a floresta. E, abaixo, podia ver heichou ao longe, perto dos cavalos. Ele permaneceu um minuto esperando, analisando a situação. Tentei falar para ele que estava tudo bem, à princípio, mas como não conseguia me comunicar, apenas balancei minha cabeça. Parecendo entender, ele começou a andar em minha direção.

Acompanhando-o enquanto ele vinha até mim, pensei no quão pequenino ele estava, mais do que o normal, agora que eu estava muito maior que ele. A minha sorte é que ele nunca descobriria que eu estava achando-o fofo vendo-o daqui – e como isso era engraçado.

Desviando um pouco minha atenção dele, ao longe, vi vários pássaros saindo da floresta, como se tivessem sido espantados. Voavam alto, mantendo sua distância. Olhei para os cavalos, eles pareciam normais, tranquilos. Olhei ao meu redor, nada.

- O que foi? – A voz era baixa, mas consegui ouvir lá de baixo heichou perguntando. Olhei para ele. Ele ainda se aproximava, mas já estava a uma boa distância da floresta. Ele sabia que não receberia resposta da minha parte, mas mesmo assim tentei falar e algum som esquisito saiu da minha boca, mas não podia nem ser considerado fala.

Resolvi deixar de lado essa sensação, mas apenas por precaução olhei novamente para a floresta, e foi ai que eu vi. Três titãs saíram da floresta, dois de sete metros e um de quinze. Ignorando a presença do cavalos, continuaram caminhando, mas quando avistaram heichou de longe, foi provavelmente aí que começaram a correr. Só quando eles começaram a correr foi que escutamos algum barulho, porque até então eles estavam silenciosos. Foi por isso que não havia notado a presença deles enquanto vinham pela floresta.

Ao mesmo tempo em que heichou olhava para trás e notava a presença dos três titãs, eu também agi. Percorri a pequena distância que nos afastava e levei minhas mãos até ele, o colocando em minha mão e o erguendo com cuidado. Eu sabia que ele era totalmente capaz de acabar com os três titãs sozinho, mas ainda assim, senti que não deveria – e não queria – deixa-lo lá embaixo, no chão, lutando. Queria ele ao meu lado. Ele me olhou com uma expressão confusa e eu percebi isso. O coloquei em meu ombro e para ele se equilibrar, segurou uma mecha do meu cabelo comprido.

Corri em direção aos três, que já estavam bem perto de nós. Sem precisarmos nos comunicar, decidimos que eu cuidaria do maior, enquanto ele cuidaria dos dois menores. Antes que eu pudesse surpreender o titã maior com um soco, segundos antes, heichou usou seu DMT e saltou do meu ombro, indo em direção aos dois menores.

Devido ao impacto, o titã caiu no chão, mas logo se levantou. Eu precisava imobilizá-lo e lhe cortar um pedaço da nuca. Fui em direção a ele e o derrubei novamente, virando-o de costas e mordendo sua nuca, arrancando uma parte. Ele não se movia mais. Como eles não possuíam inteligência, normalmente não revidavam nossos ataques. Era mais fácil.

Tirando-me de meus pensamentos, senti uma leve beliscada no meu ombro. Era heichou usando seu DMT. Ele não parecia nem um pouco cansado, como se matar dois titãs não fosse nada para ele. Havia um pouco de sangue em sua bochecha. Inconscientemente, levei meu dedo até seu rosto e, com calma, limpei o sangue dos titãs que havia ali. Ele pareceu um pouco desconcertado com meu gesto. Fiquei da mesma forma quando percebi o que havia feito.

- Vou lhe tirar daí, entendido? – Confirmei com a cabeça e sentei no chão, esperando.

 

- Eu achei que não houvesse titãs nessa área. – Comentei já de volta ao normal. Estávamos andando em direção aos cavalos. Devido ao ocorrido agora a pouco, ele havia resolvido encerrar nosso treino por hoje.

- Não deveria haver. – Ele comentou com poucas palavras. Sua cara não estava nada boa, mas eu o entendia. Com o pouco de possibilidades que possuíam na Terra 2, eles pelo menos conseguiam monitorar a área ao redor do castelo, principalmente as áreas que usávamos para treinar e, caso houvesse algum sinal de titã seríamos avisados por sinalizadores. Mas o céu estava limpo, não havia sinal. – Verei pessoalmente o que aconteceu. Caso haja algo fora do normal, reportarei ao Erwin. Vamos voltar.

- Sim, senhor!

Diferente da ida, a nossa volta ao QG fora completamente em silêncio. Um silêncio bem desconfortável. Eu queria muito saber o que ele estava pensando, mas sentia que não deveria perguntar isso no momento.

[...]

No fim da tarde, me encontrei pela última vez com heichou antes dele ir se preparar para a missão. Ele havia me dito que a falha em nos avisar sobre a aproximação de titãs fora devido a um soldado que estava fora de seu posto no momento em que devia estar realizando a vigia. Com certeza Levi heichou diria poucas e boas para ele, podia sentir que ele estava de mau humor. No entanto, como não havia encontrado o soldado no momento, resolveu deixar o castigo para quando retornasse. Além disso, ele frisou que, enquanto não retornasse, minhas transformações em titã estavam vedadas, mas eu poderia continuar com o treinamento, caso eu quisesse. Apenas respondi “entendido, senhor!”, mas obviamente não falaria para ele que, em sua ausência, pretendia dar-me um belo e merecido descanso. Não que eu fosse um folgado, mas comparado ao sedentário Eren de três meses atrás, eu diria que um pequeno descanso não faria mal. No entanto, tinha a sensação de que se o soldado Eren me chamaria de insubordinado por pensar dessa forma, mas de nada eu podia fazer. Apesar de idênticos fisicamente, no quesito personalidade, éramos completos opostos. Por tudo o que já ouvi dele por aqui, ele realmente aparentava ser um soldado exemplar.

A primeira coisa que fiz quando retornei foi ir tomar um banho e depois trocar de roupa. Estava um pouco sujo e suado. Dirigi-me ao banheiro e por ali fiquei. Retirando minhas roupas, notei o quanto meu físico havia mudado, e eu me senti muito bem com isso. Não que eu tenha me tornado um fã de exercícios, mas era bom ver que eu definitivamente estava fora da minha vida de sedentário. Agradecia aos treinos pesados de heichou.

Falando nele, eu não o veria mais por hoje – e talvez seja melhor assim. Até onde eu o conhecia, sabia o quão observador ele era e também sabia que ele já havia notado meu comportamento estranho, apesar de não ter entendido o motivo. De forma alguma eu contaria a ele sobre meu sonho e sobre como eu estava desconcertado com isso. Devia ser apenas algo da minha cabeça. Isso! Pensando melhor, desde que vim para cá, eu apenas foquei em um único objetivo. Fazia muito tempo que eu não saía com alguém. Acho que era isso... né?

Depois de devidamente limpo e vestido, rumei ao refeitório. Como eu não pretendia mais fazer exercício algum hoje, resolvi vestir apenas metade do uniforme, deixando-me de forma mais confortável. Estava apenas com a calça que normalmente usavam e uma camiseta que não precisava estar colada em meu corpo.

Chegando ao recinto, procurei por algum conhecido. Avistei ao longe Jean e Marco. Apesar de não conversar muito com Marco, ainda sim passava bastante tempo com Jean, juntamente com Armin. Sentia-me mais confortável perto dos dois por não precisar fingir toda a hora que era um soldado.

- Você vai ver como é simples, eu jogo desde criança. Se eu te ensinar, você aprenderá facilmente. – Chegando mais perto percebi o quanto conversavam alto. – Professor melhor não há!

- Fale mais baixo, cara de cavalo. Todos do refeitório conseguem lhe ouvir. – Digamos que eu não me sentia totalmente confortável por chamá-lo dessa forma. Eu estava acostumado a falar desse jeito com o Jean da Terra 1, meu amigo de anos! Esse apelido eu havia inventado para ele quando tínhamos quinze anos. Mas com esse Jean... apenas esperava que ele não ficasse chateado. Na verdade, acho que ele entendia. Ele comentou comigo no início sobre a relação que ele e o soldado Eren possuíam. Apesar de se darem bem, adoravam trocar farpas e discutir. Imagine minha cara de surpresa quando descobri que o apelido que usava com meu amigo da Terra 1, era o mesmo usado com esse Jean. A coincidência de alguma forma era assustadora. Eu ainda não entendia a coincidência e divergência do multiverso.

- Cala a boca, Jaeger. Não se meta em meus assuntos. – Eu também sabia que sua resposta era simplesmente atuação. Tudo porque Marco estava ali conosco.

- Não comecem com mais uma discussão. Tentem agir de forma civilizada pelo menos enquanto estou aqui, ok?

- Você viu, Marco, eu estava na minha. – Falou na defensiva.

- Sobre o que estavam conversando? – Perguntei, sentando-me ao lado de Jean, de frente para Marco.

- Jean falou que me ensinaria a jogar cartas, mas um tipo de jogo diferente que ele jogava desde pirralho.

- Sim, eu até ensinei para o loirinho e ele gostou. Falando nisso, meu baralho deve estar com ele. Eu não lembro bem onde o deixei por último... – Jean falava pensativo consigo mesmo enquanto Marco puxava assunto comigo.

- E o que aconteceu hoje durante seu treinamento? Eu peguei a história pela metade.

- Ah. Estava treinando com heichou quando avistamos três titãs vindo em nossa direção. Não tivemos dificuldade alguma, mas estranhamos por eles aparecerem naquela área, ainda mais com ela sendo vigiada.

- Sim, soube depois que o soldado responsável estava fora do posto de vigia. Como sabe, temos uma lista de soldados que a cada dia se revezam para passar o dia de vigia. Eu não lembro o nome do garoto responsável, mas soube que ele realmente não estava lá. Na verdade, não o viram o dia inteiro. De qualquer forma, não quero nem saber o que acontecerá com ele. Você viu a cara do heichou quando retornaram? Ele parecia estar com fumaça saindo de seus ouvidos e prestes a soltar fogo pela boca.

- Pobre soldado... – Jean comentou de forma cautelosa, olhando para os lados, antes de continuar. - Ele enfrentará a fúria do anãozinho.

Continuamos conversando animadamente. Nesse meio tempo, passei a conhecer mais o jeito de Marco. Obviamente minhas perguntas e assuntos para com ele eram cautelosos, afinal, precisava fingir que já o conhecia. Descobri que ele, juntamente com Armin e Jean, eram amigos de infância também e andavam sempre juntos. Por um momento lembrei-me dos meus amigos da Terra 1... Queria saber como eles estavam.

Em determinado momento, o assunto mudou e ambos começaram a conversar... sobre garotas. Surpreendi-me por ter sido Marco a iniciar a conversa, ele parecia tão tímido e reservado, não achei que conseguiria falar naturalmente sobre isso com qualquer um.

- Você provavelmente não viu pois estava treinamento, Eren, - começou falando, olhado para mim, mas depois virou para Jean. - Mas Jean, você viu como a Annie estava hoje?

- Não vi. O que aconteceu? – Estava curioso também.

- Nada demais. Ela apenas estava espetacular. – Ele deu um sorriso e involuntariamente fiz o mesmo. – Ela e Sasha estavam treinando juntas, e eu só consegui ficar olhando de longe. – Ele parecia estar sonhando acordado.

- Você gosta da Annie? – Perguntei.

- Ué. Você esqueceu? Eu havia lhe contado já. – Ele fez uma expressão de confusão. Que bola fora...

- Claro! Lembrei agora. Apenas havia esquecido... – Tentei disfarçar. – E você não foi falar com ela, por acaso?

- Você também sabe que eu nunca consegui falar diretamente com ela. Ela é sempre tão reservada, e parece que ela vai se sentir entediada com qualquer coisa que eu falar.

- De fato, ela é tão misteriosa. – Digo isso de forma verdadeira, pois desde que cheguei aqui ela havia se mostrado bem reservada. Além disso, há boatos de que poucos sabem qual seu poder mágico. Em questão de personalidade, ela era bem diferente de sua sósia da Terra 1.

- Mesmo sendo misteriosa, você nunca a conhecerá melhor se não chegar nela. – Jean incentivou. – E acho que você devia fazer isso mesmo.

Marco pensou por um momento.

- Acho que você está certo, mas não faço ideia do que conversar com ela. Sei lá, todo o mistério, maturidade e habilidades que possui só a tornam mais... sensual.

Eu não esperava que ele fosse falar da Annie daquela forma, tão abertamente, mas pelo menos ele se sentia confortável por se abrir conosco. Mas o pior foi que, só de ouvir Marco falando esta palavra, o sonho sensual imediatamente voltou com tudo em meus pensamentos, deixando-me agitado. A palavra não parava de ressoar em minha mente.

- Como é que é? – Do nada, Jean começara a rir. – Sonho sensual, Eren, é isso mesmo? E com quem? – Quase dei um pulo da cadeira.

- De que merda você está fal... – De repente, lembrei do poder de Jean: ele conseguia ler mentes. Merda! Pensando rapidamente, não havia tanto problema, afinal, eu havia me lembrado do sonho erótico, mas em nenhum momento falei o nome da pessoa presente no sonho para que ele pudesse saber quem é. Eu estava seguro, em parte.

- Oh. Revelações... – Marco disse, curioso.

- Você esqueceu que eu consigo saber o que está pensando? – Dizia com um sorriso sacana. – Para eu descobrir algo, preciso concentrar-me e usar meus poderes. No entanto, quando as emoções das pessoas encontram-se agitadas, consigo ouvir seus pensamentos sem fazer muito esforço. Parece que as palavras vêm dançando e gritando em direção aos meus ouvidos. Isso de certa forma é incômodo, às vezes, mas o que eu já ouvi de pensamento merda e indecente de todos aqui... – Nessa hora ele olhou rapidamente ao redor e depois sentiu um calafrio.

- Por um momento eu esqueci que seus poderes funcionavam dessa forma. – Na verdade, eu não fazia ideia, mas havia ficado impressionado em como eles funcionavam!

- E então, Jean, conte-me quem estava presente no sonho erótico de Eren? – Marco dizia, provocando-me.

- Infelizmente, em nenhum momento ele pronunciou o nome da pessoa. Eu sei apenas que ele teve um sonho, mas não sei com quem ou como foi, detalhadamente. Ainda bem! Se a pessoa não falar o nome em pensamento ou a visualizar, não consigo saber. Não sei se é mulher... ou homem. – Falou divertido, olhando para mim. Ocorre que, quando ele falou homem, minhas emoções agitaram-se novamente. Ele se surpreendeu com isso. – Oh. Bem, melhor mudarmos de assunto. Não quero saber com quem o Jaeger sonha. – É, ele sabia que eu havia sonhado com um homem. MERDA!

- O que você sonhou? – Perguntou Mikasa, chegando na mesa em que estávamos e sentando ao meu lado.

- Nada! – Respondi, com o objetivo de dar um fim aquela conversa. Ela pareceu entender.

- Acabei de vir da entrada do QG. O comandante e os outros acabaram de sair. – Mikasa informou. Olhei para a enorme janela do refeitório e nem havia percebido que já era noite. Perdi a noção do tempo enquanto conversávamos.

Permanecemos conversando e depois todos fomos para perto da cozinha, pegar a janta que já estava pronta. Cada um pegou um prato e depois formamos uma fila indiana para esperar nossa vez. Ainda tentando me recuperar da conversa de agora pouco, de repente lembrei-me que havia recebido o bilhete de Armin. Quase que havia me esquecido! Ele havia pedido para encontrá-lo na torre de vigia, duas horas depois da janta, pois ele iria mostrar-me o que deveria ser feito. Provavelmente eu seria um dos próximos na lista de soldados a realizar a vigia e, como nunca havia feito, estava na hora de aprender.

Suspirei. Não deveria haver muito que fosse explicado, mas mesmo assim eu iria.

Marco, motivado por nossa conversa de mais cedo, terminou rapidamente de comer e avisou que precisava encontrar alguém. Ele sorriu discretamente para mim e Jean e fizemos o mesmo, transmitindo apoio de forma silenciosa. Aproveitando sua saída, resolvi fazer o mesmo, avisando o pessoal que também encontraria alguém. Como não havia visto Armin o dia todo, exclui a hipótese de irmos juntos, eu apenas o encontraria no horário combinado daqui duas horas.


Notas Finais


O que acharam do capítuloo?
E o que será que vem a seguir? Alguma ideia?
Até a próximaaa o/


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