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História De repente, amor. - Min Yoongi. - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Dividir? Eu acho que não.


Em uma mesa do outro lado do salão abarrotado de gente, há uma mulher fazendo sua refeição sozinha. É loira, tem cabelos longos, ondulados, a pele bem cuidada e é muito bonita e elegante. Tenho a impressão de que já vi o rosto dela em algum lugar, mas não recordo aonde.

Não sei se é impressão minha, ou se ela está me observando, com olhos atentos, desde que chegou ao estabelecimento. Talvez esteja apenas admirando a família feliz que parecemos ser, enquanto permanece mergulhada na sua triste solidão.

Eu não me importaria nem um pouco em trocar de lugar com ela.

Se eu tinha alguma dúvida de que ela esteve me observando, essa se dissipa quando entrego Gabriel a Tati e vou ao banheiro examinar como esta minha cara pós foda. Encontro-me diante do espelho, quando levo um susto ao ver o reflexo dela, em pé, atrás de mim, fitando-me fixamente, com um olhar tão diabólico que causa-me um calafrio na espinha.

— Eu te conheço? — Pergunto, meus instintos me alertando de que não devo ficar de costas para ela.

Quando me viro na sua direção, subitamente, suas feições suavizam, sua expressão maquiavélica desaparecendo, seus olhos verdes se tornando neutros.

— Talvez sim. — Ela abre uma das torneiras e lava as mãos, seus movimentos tão elegantes e sofisticados quanto sua aparência. — Sou modelo. Muitas pessoas conhecem meu rosto.

— Ah, isso explica porque tenho a impressão de que já vi você antes. Está de férias em Quixadá? — Só perguntei para parecer simpática, mas de repente me sinto indiscreta.

— Só de passagem. Indo para outra cidade.

Quero perguntar qual cidade, mas me detenho, afim de evitar parecer ainda mais intrometida.

— Bonita família a sua. — Ela fala.

— Obrigada. — “Se quiser o marido, pode ficar com ele.

Ela seca as mãos com a toalha de papel e lança-me um sorrisinho, visivelmente forçado, antes de deixar o banheiro.

Quando volto à mesa, ela não está mais lá e esqueço rapidamente o acontecido.

Após o almoço, Namjoon nos deixa na porta de casa e segue direto para sua padaria. Gabriel já está sonolento e tenho tempo apenas de trocar sua fralda antes que ele pegue no sono.

Em seguida, tomo um demorado banho frio e deito-me ao seu lado na minha cama, o ar condicionado ligado na última potência.

No instante em que fecho os olhos, encontro Yoongi em meus pensamentos, lindo! Sua boquinha deliciosa colada à minha, num beijo que me deixa sem fôlego. Ah se fosse ele o homem a me levar ao restaurante, a viver sob o mesmo teto que eu, aí sim, aquela loira poderia sentir inveja de mim.

Os pensamentos me agradam e ao mesmo tempo me assustam. Jamais cogitei ter um relacionamento sério com um homem e agora me pego sonhando com isso. Só mesmo Yoongi para me fazer perder a cabeça de forma tão desmazelada.

Visualizo, mentalmente, o momento tórrido que vivi em seus braços hoje, na sua sala e o calor do desejo, subitamente, passeia pelo meu corpo.

Como aquilo foi bom! Pena que não se repetirá, pois não quero me tornar um empecilho no relacionamento dele com a loira oxigenada. Talvez ela consiga fazê-lo esquecer sua ex e o torne um homem feliz, afinal, mesmo que ele me quisesse, eu não poderia ser sua, já que estou enterrada em meus problemas até a raiz dos cabelos e em breve partirei da cidade para nunca mais voltar.

Fazer o quê? A felicidade não existe para todos.

Estou quase dormindo, quando o toque do celular ecoa pelo aposento e meu coração dá um salto no peito, por saber que é Yoongi, pois apenas ele conhece esse número.

— Oi. — Atendo.

Estou aqui de pau duro, pensando em você. — Sua voz é rouca, sensual e me desperta um tesão louco.

— Nossa, como você é romântico!

Ele sorri alto.

— Desculpe, baby, mas não sou mais o mesmo homem depois que te conheci.

— Você era menos pervertido antes?

Antes eu não passava a maior parte do meu tempo pensando em sexo. — Faz uma pausa antes de continuar. — O que você está fazendo?

— Deitada, com Gabriel.

Deitada... huuummm. O que eu não daria pra estar no lugar de Gabriel agora. — Ele sibila, puxando o ar pela boca, deixando claro que realmente está excitado. — Como você está vestida?

— Estou com uma calcinha preta, transparente, fio dental. O calor está muito grande. — Mentira, estou usando uma camisola de algodão folgadona.

— Aí... delicia. Fecha seus olhos e imagina que estou tirando essa calcinha com os dentes.

Não seria uma má ideia, se ele não estivesse saindo com aquela loira oxigenada.

— Se você quer fazer sexo por telefone, acho melhor ligar para aquela loira de farmácia que está com você.

A Camila? — Ele sabe que estou falando dela, isso confirma que realmente estão juntos. Merda! — Você nos viu conversando hoje?

— Pois é, eu vi. Acho que você devia ter ligado pra ela e não pra mim.

— Mas não é ela que eu quero e sim você.

— Acontece que é com ela que você está.

— Eu não estou com ela.

— Vai me dizer que você nunca transou com ela?

Ele demora para responder e tenho a sensação que acabo de levar um soco no estomago. Caralho! Ele transa com nós duas ao mesmo tempo. Filho da puta!

— Não vou dizer que nunca aconteceu. Mas não é sério o que tenho com ela.

— Quando aconteceu?

— Quando você me deu um fora. Mas foram poucas vezes.

— Nesse caso, acho melhor você ficar com ela. Adeus! Não volte a me ligar. — Assim, encerro a ligação.

Dois segundos depois, e telefone toca novamente. Ignoro-o, um misto de raiva e tristeza consumindo-me, dolorosamente.

O telefone continua tocando, por um longo tempo, até que a melodia estridente é substituída por outra, o aviso de mensagem, eu suponho.

Seguro o aparelho e leio a mensagem na tela:

Você não tem o direito de sentir ciúmes de mim, pois também tem outra pessoa.

“Eu não tenho relações com Namjoon, seu bastardo!”

A voz grita em minha mente, sua afirmação deixando-me furiosa. Penso em respondê-lo com isso, mas me ocorre que não devo repetir algo que ele já sabe, então decido apenas ignorá-lo.

Minutos depois, chega outra mensagem:

Conversamos sobre isso amanhã durante o intervalo. Te espero na minha sala e nem pense em não aparecer.

“Vai pro inferno babaca!”

Afastando todos os pensamentos, consigo dormir um pouco e acordo antes de Gabriel, esperando-o despertar para fazermos nosso lanche juntos.

É o melhor momento do meu dia, quando finalmente, estou sozinha com meu filho em casa, tranquila, em paz, como era antes de todo esse inferno começar.

Faço uma salada de frutas para nós dois e nos sentamos na sala, diante da televisão ligada enquanto comemos, Gabriel no carpete, como gosta, e eu no sofá.

Ainda estou na frente da televisão quando Tati chega do colégio e senta-se no sofá ao lado, observando-me, enquanto a ignoro completamente.

— Precisamos conversar, Sophia. — Ela fala, hesitante.

— Pode falar, estou ouvindo. — Retruco, sem olhar para ela.

— Por que você está agindo assim? Por que está diferente comigo?

— Impressão sua. Continuo a mesma. — Limito-me a dizer.

— Você sabe que não. É porque estou apoiando seu relacionamento com Namjoon?

Finalmente viro-me para fitá-la no rosto.

— Qual relacionamento? De chantagista e chantageada?

— Eu sei que ele agiu errado nesse ponto, mas será que você não consegue enxergar que é pro seu bem? Você agora tem alguém pra cuidar de você e de Gabriel, sem precisar se preocupar com as despesas da casa, em trabalhar, em passar sono.

— Desculpa, mas eu prefiro minha liberdade.

Ela estreita seus olhos sobre os meus.

— É por causa daquele professor, não é? Você gosta dele e está bolada porque não pode mais ficar com ele.

— E quem disse que eu não posso?

Seu olhar fica atônito.

— Você ainda está se encontrando com ele?

— Pra que você quer saber? Pra ir correndo contar pro Namjoon?

— Para com isso Sophia. Eu sou sua amiga. Não faria algo pra te prejudicar. — Ela faz uma pausa, esperando alguma reação da minha parte, como não obtém, continua: — E é por ser sua amiga, que te aconselho a ficar longe desse professor. Todos na cidade estão comentando que foi mesmo ele quem matou o André. Estão dizendo que a discussão dos dois foi feia durante o show. E isso é porque ninguém sabe ainda que o amante da ex-mulher dele também foi assassinado.

— Eu não acho que ele seja capaz de matar alguém.

— Acorda mulher! Você está apaixonada e por isso está cega a ponto de não ver a verdade que está bem diante de você. Lembre-se do quanto você se enganou com o pai do Gabriel. Está acontecendo de novo, só que dessa vez é pior.

As palavras dela me irritam.

— Já chega Tati. Vai procurar o que fazer e me deixa em paz.

Ela parece contrariada.

— Está bem, vou te deixar em paz. Mas um dia você vai ver que tenho razão.

Não sei se é impressão minha, ou se ela tem os olhos marejados de lagrimas quando deixa a sala.

É lamentável que nossa amizade esteja abalada, pois gosto de Tati como se fosse minha irmã, todavia, foi ela quem escolheu ficar do lado errado.

O restante do dia transcorre sem novidades. Quando a noite cai, Namjoon aparece para se trocar rapidamente e ir à faculdade. Ao retornar, aproveita que estou sozinha com Gabriel, para agir como se fôssemos uma família feliz e mais uma vez destruo seus planos ao trancar-me em meu quarto com meu pequenino, onde permaneço até o dia seguinte.

Finalmente é manhã e vou rever meu gostoso, embora pretenda apenas olhar para ele. Não irei à sua sala durante o intervalo, como ele espera, pois sou egoísta demais para dividir aquilo que gosto. Ele que fique com aquela oxigenada e faça bom proveito.

Ainda assim, vale à pena ir à aula, não para aprender, já que não ouço uma palavra do que ele diz sobre a disciplina, mas apenas para vê-lo, apreciar seu rosto lindo e seu corpo delicioso, recordar todas as emoções que vivi em seus braços e sonhar em um dia vivê-las com outro homem, quando conseguir me livrar de Namjoon.

Como fez ontem, o cangaceiro me leva de carro para o campus, fazendo questão de me deixar diante dos portões de entrada, onde a multidão de estudantes pode nos ver juntos.

Ou não passa pela cabeça desequilibrada dele que, da mesma forma que o falecido e seu amigo Tiago me viram na boate, pode haver outros, entre aqueles estudantes, que também foram lá e o estão julgando agora por estar na minha companhia, ou ele não se importa tanto com o preconceito das pessoas, quanto demonstrou se importar antes.

Nunca vou saber.

Encontro Rita e Solange no pátio, jogando conversa fora antes que toque o sinal anunciando o início da aula.

Vamos juntas para a sala, onde Yoongi já se encontra, sentado atrás da sua mesa, lindo como sempre, irresistível como água no deserto, compenetrado, analisando alguns papeis. Usa camisa social branca e calça caqui, os cabelos curtos, contribuindo para seu charme incomparável.

Como se fosse capaz de sentir o peso do meu olhar, ele ergue seu rosto, fitando-me fixamente, por um breve momento, seus olhos castanhos reluzindo paixão e é suficiente para que eu fique sem chão, minhas pernas trêmulas, meu coração trabalhando mais depressa.

Já não sei mais quem sou ou que vim fazer aqui, sei apenas que quero aquele homem, com todas as forças da minha alma, embora, meu lado racional não me permitirá chegar perto dele novamente, porque ele tem outra.

A cena dos dois juntos, conversando animados, logo depois de ele ter me possuído, ainda está gravada em minha mente, impedindo que a raiva se esvaia do meu sangue. Ele devia ao menos ter sido discreto e a encontrado em outro lugar, onde eu não poderia vê-los. Ou mentido, no telefone, dizendo que nunca a tocou. Isso só prova que não tem consideração alguma por mim.

Como aconteceu ontem, passo as duas horas do primeiro tempo da aula, observando-o, admirando sua postura imponente, seus movimentos elegantes e ao mesmo tempo másculos. Relembro cada instante que passei em seus braços, o desejo me incendiando por dentro, minha calcinha ficando cada vez mais molhada.

Apesar de tudo o que sinto, me recuso a ir encontrá-lo durante o intervalo.

Deixarei que fique me esperando até se cansar.

Todavia, quando o sinal toca, anunciando o intervalo, sua voz alta, áspera, autoritária e máscula, soa como uma trovoada em um dia de tempestade:

— Sophia. Na minha sala. Imediatamente! — Sem esperar resposta, ele deixa o recinto apressadamente.

De repente, sou o centro das atenções de todos os alunos. Certamente estão acreditando que existe alguma picuinha entre mim e Yoongi, pela forma ríspida como ele falou e foi exatamente essa a intenção dele: me colocar em uma situação que não posso deixar de ir à sua sala sem parecer uma aluna indisciplinada diante de todos.

Puta merda! Que safado! Mas se ele está pensando que vai conseguir alguma coisa comigo, está redondamente enganado.

— Fico indignada com a forma como esse idiota te trata. — Rita fala, zangada.

— Você quer que eu vá lá com você? — Solange pergunta. — Se eu disser a ele que você é uma pessoa boa, talvez ele largue do seu pé.

— Não precisa, amiga. Eu me viro. Mas agradeço.

Caminho lado a lado com as duas até a lanchonete no pátio, deixando-as para entrar na ala administrativa, averiguando se alguém está me vigiando, apesar do que, se houver pelo menos um amigo de Namjoon na minha turma, tenho certeza de que logo ele saberá que fui convocada por Yoongi a comparecer na sua sala por dois dias consecutivos e o resto ele deduzirá sozinho.

Atravesso o longo corredor e entro, sem bater, na sala em que há o nome de Yoongi na porta.

Encontro-o sentando atrás da sua mesa de mogno, sério, pensativo, seus olhos castanhos buscando os meus, perturbadoramente.



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