História De Repente, o Amor - Capítulo 3


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Categorias Camila Mendes, Cole Sprouse, KJ Apa, Lili Reinhart, Riverdale
Personagens Camila Mendes, Cole Sprouse, KJ Apa, Lili Reinhart
Visualizações 24
Palavras 3.362
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capítulo 3


CAPÍTULO III

Meia hora depois, chego em casa, o melhor momento do meu dia, quando encontro meu pequeno príncipe.

Estaciono a moto na pequena varanda, cercada por grades de ferro pretas, tiro o capacete e entro, o cheirinho de comida caseira alcançando-me, dando-me água na boca.

A casa em que moro é grande e confortável, composta por uma sala ampla, três quartos, uma cozinha bem equipada, área de serviço e um grande quintal onde Gabriel gosta de brincar. Para quem nasceu e cresceu num casebre de barro em meio ao sertão, isso aqui é uma mansão.

Encontro meu pequenino sentado em sua cadeira de refeições, a mesa com tampo de mármore da cozinha, com Cami tentando empurrar-lhe a sopa de legumes.

— Mamãe! — Ele grita eufórico ao me ver entrar.

Pego-o em meus braços e rodopio com ele no ar, antes de abraçá-lo com força, aspirando seu cheiro gosto, reconfortante, amado.

São momentos como esse que me fazem acreditar que todo o meu sacrifício vale à pena, quando percebo que apesar de não me sentir feliz o tempo todo, tenho essa parcela de felicidade em minha vida que compensa todo o resto.

— Dando trabalho à tia Cami pra comer?

Ele balbucia algumas palavras incompreensíveis, gesticulando para a comida com cara de nojo, o que serve para me fazer sorrir.

— Ele encheu a barriga de salgadinho e agora fica falando mal da minha comida. — Cami contesta, brincalhona.

Como é bom estar aqui! Em paz, tranqüila, feliz. Longe da boate escura e barulhenta e da sala de aula abarrotada de gente.

— Ele dormiu bem Cami? — Pergunto, sentando-me a mesa com Gabriel em meu colo, disposta a fazê-lo comer.

— Bem, como sempre. E sua noite como foi? — Ela ajeita-se na cadeira diante de mim.

Cami tem a minha idade. É morena, magrinha, dona de uma disposição invejável para o trabalho doméstico. É sobrinha da mulher que me acolheu em sua casa quando eu morava nas ruas, a pedido de quem dei-lhe o emprego na minha casa quando veio do sertão, há quase dois anos, com o objetivo de continuar seus estudos na cidade, já que não há escolas secundárias onde morava. Ainda está cursando o Ensino Médio e estuda à tarde, quando sempre estou em casa para ficar com Gabriel.

Ela é minha válvula de escape, com quem divido todos os meus segredos.

— Aff! Nem me lembre. Transei como o novo professor de antropologia. Foi terrível.

Ela arregala os olhos, mostrando-se mais interessada.

— Como assim? Ele é muito ruim de cama?

— Não. Pelo contrario. É maravilhoso. Me deu o melhor momento que já tive com um homem. — Minha voz treme brevemente e Cami fica séria, prevendo o que falarei em seguida. — Mas depois ele saiu apressado e me tratou super mal hoje na aula.

— Que pena amiga. Eu queria tanto que você encontrasse alguém e fosse feliz.

Ela acredita que a única felicidade consiste em ter um namorado, como ela tem Um o Kj, o policial militar com quem namora há um ano. Os dois estão sempre juntinhos, na escola, nas noites em que estou em casa. Parecem um casal de pombinhos.

— Há! É piada. Eu nunca tive sorte no amor. Não é a partir de agora que vou ter.

— Você só precisa dar uma chance a alguém. — Lembro-me daqueles otários da boate que tentam conseguir mais que uma transa comigo, convidando-me a os acompanhar a outros lugares. Acho-os todos patéticos, por acreditarem que há algo neles, além da carteira, que desperte meu interesse. — O que você sentiu com esse professor foi carência afetiva. Falta de alguém que te dê amor.

— Sempre que um homem tenta conquistar meu amor, tenho a impressão de que quer apenas suscitar meu interesse pelo sexo e tornar as coisas mais gostosas pra ele.

— Eu não to falando dos homens que você conhece na boate. Um cara que precisa pagar por sexo não tem a mínima dignidade e não merece o amor de uma mulher. — Nisso tenho que concordar com ela.

— Então quem? Aqueles mauricinhos imaturos da faculdade?

— Não precisa ser um deles. — Ela reflete por um instante. — Você se lembra no mês passado quando o Guilherme da padaria me pediu pra te dar o numero do telefone dele e você rasgou o papel?

— Sim.

— Eu salvei o numero antes de te dar. Por que você não liga pra ele? O cara é um gato. Trabalhador, honesto, não sabe o que você faz e daria um ótimo marido.

Esse é o sonho da maioria das garotas de programa que conheço: arrumar um bom marido que as sustente e as tire dessa vida, mas definitivamente não é o meu. Prefiro estudar e arranjar um emprego que me pague o suficiente para sustentar meu filho. Não suportaria viver à custa de um homem. Sou esquentada demais para isso. Na primeira briga ele me jogaria na cara que me sustenta e eu teria que escutar calada para não perder o teto e a comida. Nem morta eu caio nessa.

— Não to precisando de um marido, nem Gabriel de um pai.

— Mas ta precisando de um namorado pra te dar carinho de verdade. Pra fazer você sentir todo dia o que esse professor fez.

Poxa, ter aquela experiência todos os dias seria tudo de bom. Mas isso é possível? Um homem que não estivesse me pagando pelo sexo me daria tanto prazer? Talvez fosse isso que me encantou no professor, ele não estava me pagando pelo sexo, eu fiz porque quis. Cami pode estar certa.

— Mas já tem um mês que ele mandou o numero. Não é tarde pra ligar?

Cami abre um largo sorriso vitorioso. Desde que veio morar comigo ela insiste nessa ladainha de que devo arrumar um namorado. Eu nunca tinha concordado antes. E ainda estou meio em duvida.

— Claro que não. — Ela tira seu celular do bolso do short, digita os números e entrega-me o aparelho. — Toma, já liguei.

Mas já? Eu nem estava preparada ainda. Não vou saber o que dizer ao cara. Para falar a verdade, sequer me lembro direito do rosto dele.

— Alô. — Atende a voz masculina do outro lado da linha.

— Olá. É Guilherme? — Pergunto, muito sem jeito.

— Sim. Quem ta falando?

— Oi Guilherme, aqui é Lili, da rua sete.

Espero para saber se ele se lembrará de mim.

— Oi Lili. Tudo bem? Te mandei meu numero faz tempo. Que bom que você ligou.

Pronto! Agora é que não sei mesmo o que dizer. Não estou acostumada com isso. Meus diálogos com as pessoas do sexo oposto consistem basicamente em:

“Quanto você cobra?” “Duzentos”. “O que você faz?” “Tudo, desde que seja de camisinha”. “Quanto tempo posso ficar com você por esses duzentos?” E daí por diante.

— Eu estava pensando se você ainda... Bem, eu... — Não consigo continuar e ele percebe minha falta de jeito.

— Você gostaria de ir comigo à festa dos calouros hoje na faculdade? — Ele é direto e seguro, o que me agrada. Eu acho.

— Tem festa hoje na facu? Eu não estava sabendo. — Poxa, dei uma bola fora. Acho que uma garota normal não comentaria isso, apenas concordaria para parecer bem informada.

— Não na faculdade em que você estuda. Na UFC, onde eu estudo.

Caraca! O cara estuda numa Universidade Federal! Deve ser bastante inteligente.

— Ah, ta. Entendi. Quero sim.

— Que horas te pego na sua casa?

Como ele sabe onde é minha casa?

— Sei lá. Você quem sabe. — Acho que essa não foi uma resposta adequada para a situação.

— Às nove está bom pra você?

— Sim.

— Então até mais tarde. Fiquei muito feliz que você tenha ligado. — Até que isso não soou tão falso quanto quando os homens da boate falam algo do gênero.

— Até mais tarde. — E desligo o aparelho, devolvendo-o a Cami.

— Yes! Você terá seu primeiro encontro. Preciso estar aqui pra ver isso! — Cami exclama, exultante.

— Aff! Não acredito que deixei você me convencer a fazer isso.

Após o almoço, quando lCami vai para a escola, tomo um banho demorado, dou banho em Gabriel, visto uma confortável camisola de algodão e deito-me com meu filho ao meu lado na grande cama de casal em meu quarto, um cômodo amplo, com paredes em marfim, cortinas salmão, mobiliado por uma escrivaninha com computador, os dois criados mudos, cômoda com maquiagens e espelho, cujas gavetas estão abarrotadas de livros e apostilas da faculdade, dois grandes guardas roupas e o ar condicionado, que, ligado na máxima potência, ameniza o calor intenso desta tarde de terça feira, me permitindo relaxar gostosamente, ao lado do pequeno Gabriel, que pega no sono rapidamente.

Apesar do cansaço, demoro mais que o de costume para adormecer, aquele tirano povoando meus pensamentos, mais especificamente o momento que passei em seus braços durante a madrugada, que para ele nada significou, mas que para mim foi inesquecível.

Gostaria de reviver tudo aquilo e já que não será com ele, vai ser com outro. Quem sabe com o tal do Guilherme da padaria.

Estou tentando me recordar do rosto dele, quando minhas pálpebras ficam cada vez mais pesadas, até que adormeço.

Durmo praticamente durante toda a tarde, como costumo fazer nos dias posteriores às minhas noites de trabalho. Gabriel já está acordado quando desperto, quietinho e silencioso, como se fosse capaz de compreender o quanto preciso dessas horas de sono.

Como Cami ainda não chegou da escola, preparo um lanchinho para nós dois e me afundo no sofá da sala, diante da televisão ligada, enquanto Gabriel brinca com seus bonecos de super heróis sobre o carpete.

São momentos como esse, de paz e tranqüilidade, que fazem a vida valer à pena.

É noite quando Cami chega. Ainda estou no sofá, lendo uma apostila da disciplina ministrada pelo tirano.

— Caraca! Você ainda está assim? — Ela fala alarmada.

Do que está falando?

— Assim como?

— O encontro com o Guilherme está marcado para nove horas. Já são oito e meia e você ainda nem começou a se arrumar.

Putz! Tinha me esquecido disso.

— Vixe! Agora é tarde. Não vai dar tempo. — Sinto como se acabasse de tirar um peso das minhas costas.

— Você não vai escapar dessa, Lili. Vem aqui que vou dar um jeito nisso.

Ela me segura pelo braço e, apesar dos meus protestos, sai me puxando para o quarto, com Gabriel nos seguindo, sorrindo, achando que a situação é uma brincadeira.

É serio que vou ter que deixar meu filho tão lindinho pra ir me encontrar com um marmanjo que provavelmente tentará me levar para um motel depois de me pagar algumas cervejas?

— Pensando bem não to muito afim de ir não Cami.

— Não ta mais vai. — Ela começa a vasculhar um dos guardas roupas. — Você precisa sair dessa carência, mulher. Colocar mais emoção na sua vida.

“Fala a voz da experiência!”

— Se ele tentar me comer, vou dar na cara dele.

— Ele não vai fazer isso. Ele gosta de você. — Depois de fuçar os dois guardas roupas, ela vira-se para mim segurando um vestidinho preto de seda, curto, meio folgadinho, com lantejoulas no decote em renda. — Esse é perfeito para a ocasião. Vamos lá. Tira essa camisola e se veste.

Simplesmente não estou com disposição para sair de casa, já bastam as noites que passo acordada na boate. Prefiro ficar aqui com meu filho. Porém, não posso voltar atrás depois de ter ligado para o cara. Vou a esse encontro pelo menos para dizer a ele que não vai rolar nada entre nós.

Preguiçosamente, troco a camisola pelo vestido. Calço uma sandália se salto alto, da mesma cor, escovo os cabelos logos, deixando as madeixas castanhas cascateando pelas costas e faço uma maquiagem discreta. 

Estou diante do espelho, examinando o resultado, aprovando como a cor do vestido combinou com minha pele morena clara e a maquiagem escura ressaltou o castanho dos meus olhos. Não é um visual com o qual costumo sair a noite.

Este está mais comportado, apesar de o vestido ser curto.

— Você ta linda. — mCami fala. Abro a boca para agradecer o elogio, quando a campainha toca. — É ele! — Cami se mostra eufórica, como se o encontro fosse dela.

Pego a bolsinha de mão, beijo o rosto do meu bebê, deixando uma marca de batom na sua bochecha rosada, despeço-me de Tati com uma piscadela e vou abrir a porta.

Ao fazê-lo, deparo-me com um cara alto, cujos lábios estão curvados num largo sorriso, revelando uma fileira de dentes brancos e perfeitos. Tem um físico atlético que não passa despercebido sob o jeans e camiseta de malha que usa.

Seus cabelos são louros, meio espetadinhos, os olhos esverdeados e há um furinho em seu queixo que lhe confere um charme todo especial. Tem mais ou menos a minha idade e não posso negar: é muito bonito, embora isso não signifique muito para mim, pelo contrario, é uma característica que torna um homem abominável, por fazê-lo se achar o gostosão.

— Você é o Guilherme? — Pergunto, apenas para ter certeza, quando então vejo o sorriso se desfazer dos seus lábios, a decepção surgir nos seus olhos, certamente desapontado por não me recordar dele.

O que posso fazer? Não fico olhando para a cara do padeiro quando vou comprar pão.

— Sim, eu mesmo. — A voz dele é muito máscula para a sua idade.

— Você quer entrar e beber alguma coisa, ou prefere ir logo?

— Vamos logo. A festa já deve estar começando.

Melhor assim. Quanto antes isso começar, antes termina.

Saio, deixando a porta encostada e me surpreendo ao vê-lo se dirigir ao Audi conversível branco que está estacionado diante da casa.

— Uau! O salário de padeiro deve ser muito bom! — Exclamo.

— Na verdade, sou o dono da padaria. — Ele fala, abrindo a porta do carona

para mim, surpreendendo-me com a atitude.

Nos acomodamos em nossos assentos e ele dá a partida, seguindo em baixa velocidade pela rua movimentada.

— Como alguém tão jovem como você pode ser dono de uma padaria? — Eu sei que estou sendo indiscreta, mas a curiosidade está me corroendo por dentro.

Ele sorri antes de responder.

— É uma longa história.

— Você dirige devagar. Dá tempo de me contar até chegarmos lá.

— Eu ganhei uma bezerra do meu padrinho quando tinha cinco anos de idade. Meu pai a colocou em outra fazenda, para procriar, no sistema de meia. Você conhece?

— Sim.

— A bezerra era fértil e a maioria das suas crias eram fêmeas. Acho que dei sorte. Quando completei dezoito anos, já tinha bastante gado. Vendi tudo de uma vez e abri a padaria. Em três anos consegui quintuplicar o negócio.

— Estou impressionada. Algumas pessoas realmente nascem com sorte. — Ou com cabeça para os negócios, o que não é o meu caso.

Chegamos ao campus da UFC e Guilherme encontra dificuldade para estacionar no espaço abarrotado de carros. Do interior da imensa construção, dois prédios de dois andares, pintados de branco, parte a batida alta da musica agitada, incomodando meus ouvidos. Posso imaginar como será quando estivermos lá dentro.

Enfim saltamos, passamos por dentro de um dos prédios, onde há muitas portas fechadas e alcançamos um imenso pátio ao ar livre, com chão de cimento grosso e espaço reservado para grama, coqueiros e outras plantas, onde a festa acontece.

O lugar está abarrotado de pessoas que se deliciam ao sabor da musica ensurdecedora, jovens, em sua maioria. A um canto estão as imensas caixas de som e um JD que comanda os remixes. Do outro lado há um bar diante do qual se forma uma pequena fila. Há ainda mesas com cadeiras, em sua maioria vazias, já que as pessoas parecem preferir permanecer em pé, o que me parece no mínimo estranho.

Definitivamente não estou familiarizada com esse tipo de evento. Quando morava no sertão, meus pais não me deixavam freqüentar festas, depois que conquistei minha independência tenho dedicado minhas noites ao trabalho. Isso tudo aqui é muito novo para mim.

— Você quer beber alguma coisa? — Guilherme precisa gritar para que eu o ouça, por causa da musica excessivamente alta. Como alguém pode considerar algo assim divertido?

— Sim. Martine, se tiver.

— Você prefere esperar aqui ou quer sentar-se numa mesa?

— Aqui está bom.

Ele desaparece na direção do bar, voltando tão depressa com as bebidas que me espanto. Deve ser amigo do balconista e furou a fila. Só pode. Ele bebe cerveja direto de uma latina, enquanto eu ingiro o Martine de um copo grande, sem sofisticação alguma. De quando em quando, algumas pessoas param para falar com ele, demonstrando intimidade, às quais sou apresentada como sua amiga.

A única coisa que se pode fazer aqui é ficar em pé, olhando as pessoas dançarem, já que o som ensurdecedor da musica nos impede de conversarmos.

Daqui a pouco meus pés estarão doendo por causa das sandálias altas.

— Você quer dançar? — Ele pergunta, ao me ver terminar minha bebida.

É, há uma segunda coisa que se pode fazer aqui.

— Quero.

Nos colocamos no centro do pátio, balançando nossos corpos de acordo com o ritmo agitado da musica internacional.

Pouco a pouco isso vai se tornando tão divertido que não consigo mais parar.

Quanto mais danço, mais quero dançar. Meu corpo está leve, meu sangue agitado. É realmente uma boa experiência.

Logo, outras pessoas juntam-se a nós, amigos de Guilherme e formamos uma grande roda no centro da festa.

Percebo que uma das garotas da roda, uma morena de cabelos longos, não tira os olhos de Guilherme, embora ele atribua toda a sua atenção a mim, dançando ao meu lado, tocando seu corpo no meu sempre que tem uma oportunidade. Não posso dizer que o contato com ele é desagradável, como também não é nada de tão extraordinário.

O tempo passa e estou me divertindo como nunca me diverti antes. Embora sejam muito parecidas, cada musica tem um ritmo diferente e exige movimentos de acordo. Não sei de onde tirei a habilidade para fazer os passos, só sei que os faço, com tanta precisão que de vez em quando flagro uma das meninas da roda tentando me imitar.

Embora o calor seja escaldante, intensificado pelos movimentos, Guilherme não me deixa ficar com sede. A todo momento vai ao bar, trazendo-me água mineral ou Martine e as latinhas de cerveja para si próprio.

Paro por um instante para ingerir um grande gole de água, quando, subitamente, sinto o peso de um olhar sobre mim e viro-me naquela direção, deparando-me com o professor Cole, em pé, a certa distancia de onde estamos, imóvel, em meio aos agitados dançarinos, segurando um copo, com.seus olhos fixos em mim.

A reação do meu corpo é imediata e inesperada. Logo minhas pernas ficam trêmulas, meu coração está mais agitado no peito e minha respiração irregular,.sem que eu compreenda o motivo de tamanho alvoroço do meu organismo por causa de um tirano que passou toda a manhã me tratando com grosseria.

Tento ignorá-lo e voltar à dança, mas é impossível, minha mente está completamente tomada pela presença dele, incapaz de processar qualquer outra informação, inclusive o ritmo da musica.

Já não consigo me concentrar na dança, nem me lembro mais de como fazer.os passos. Estou tensa, movendo-me mecanicamente, sem conseguir conter o.impulso de a todo instante me virar na direção do professor para observá-lo,.notando que há uma loura dançando muito próxima a ele. Certamente sua acompanhante.

E eu não sou a única observá-lo, muitos olhos se voltam na sua direção, principalmente olhares femininos.

Embora ele seja o único aqui a usar roupas sociais e ter mais que vinte e cinco.anos de idade, não consegue parecer ridículo em meio à juventude descolada, pelo contrário, é atraente como um oásis no deserto e eu não sou a única a perceber isso.



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