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História De tudo, ao meu amor serei atento - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo Único


 

“- O Alberto não vai gostar nada disso.

- O Alberto não é um homem ciumento, graças a Deus.

- Mas é um homem, com sangue nas veias. Eu acho que por ele ser um homem calmo faz com que você se engane muito com ele, cuidado.”

 

Estela ainda remoía a conversa do café da manhã, ainda não acreditava que o Ismael tivesse  tido a coragem de enviar aquele presente para ela. Não sabia se deveria ou não contar a Alberto sobre isso, ele tinha tantas preocupações, o consultório, o hospital, as reuniões, a dona Maroca que não largava do pé dele; não poderia mais dar outro problema para ele, ela já o preocupava tanto; além do mais ele era seguro demais para sentir ciúmes , ele mesmo já tinha dito que a relação madura, não havia razão para aborrecê-los com uma bobagem. 

 

- Isso mesmo, uma tremenda bobagem. - Pensou em voz alta enquanto Dinah voltava a sala. 

 

- O que é uma bobagem minha irmã ? 

 

- Não é nada Dinah, eu só estava pensando em voz alta.

 

- E o Alberto ? 

 

- Deve estar chegando, ele me prometeu que subiria a serra antes do anoitecer. 


 

- Mas vocês nem vão conseguir passar algum tempo juntos antes do jantar.


 

- Ah Dinah, o que eu posso fazer ? O Alberto vive para o trabalho. 


 

- Bom, então eu acho que ele deveria tirar um tempinho pra viver pra você , ou melhor pra vocês. 

 

- Falar é fácil minha irmã, você esqueceu que ele é médico ? A vida dele é cuidar da vida dos outros. 


 

- Nesse momento, Alberto já estava na porta e perguntou : 

 

- Quem vai cuidar da vida dos outros ?

 

- Meu amor, que bom que você chegou. - Estela correu para os braços de Alberto, sonhava com isso desde o interlúdio no café da manhã, precisava se sentir forte pra aguentar as loucuras do Ismael e a indiferença da filha, desejava tanto a sua menina junto com ela mas sabia que não era possível. 


 

Dinah se aproximou para cumprimentar o cunhado e aproveitou para pedir-lhe suas coisas que ela providenciará sua acomodação, estava decidida a dar algum tempo sozinhos para sua irmã e seu amado antes e depois do jantar. Levou as coisas dele para o quarto da irmã e bisbilhotou um pouco as coisas de Estela, ficou um um pouco surpresa ao encontrar uma camisola muito bonita: 

 

- Quer dizer que a santinha já pretendia passar a noite com o namorado? Interessante - Dinah estava muito feliz pela irmã , ela era tão fechada, tão cheia de inseguranças mas Alberto estava conseguindo libertá-la de cada prisão que a vida já havia lhe imposto.

 

Na sala, uma Estela manhosa, ainda aferrada ao corpo do namorado, recebia todos os carinhos e declarações que ele guardou todo o dia e agora lhe entregava ao pé do ouvido enquanto ela sorria boba em seus braços, era o primeiro aniversário que ela podia finalmente estar com seu amor.

 

- Para, Alberto ! - Ela repetiu sem realmente querer que o namorado parasse, estava aproveitando cada segundo dos carinhos que ele fazia, e das promessas que ele fazia baixinho, que ela se envergonhava só de imaginar a mãe ou a irmã ouvindo.


 

- Estela - ele começou enquanto deixava um beijo casto na sua nuca - Você veio pro Rio há três dias, nós não nos vemos desde que eu te deixei em casa quando voltamos da fazenda. Além do mais é o seu aniversário e eu consegui o direito de te mimar hoje por todos os dias que passamos separados.


 

-  E é doutor ? - Ela até tentou, mas a voz saiu num tom baixo e muito sensual aos ouvidos do médico apaixonado, que não pode resistir a outro beijo molhado. 

 

O  chamego dos dois foi interrompido por dona Maroca que insistia para que Estela verificasse as coisas na cozinha, pelo menos essa cozinheira a senhora ranzinza não poderia demitir.

Já era noite quando Raul chegou a casa em Itatiaia, a lembrança de Alexandre ainda era presente na conversa da familia, mas Alberto insistiu que a presença dele naquele momento não era necessária. O que não foi entendido por eles, mas a chegada de Otávio interrompeu o momento estranho que se formava.

 

- Por falar em presente . - Alberto começou já que todos já estavam ali, era o momento ideal para fazer de Estela sua noiva, por isso comprou pra ela um anel. Tirou do bolso e completou já colocando no seu dedo - Não sei se você gosta

 

- Alberto isso é um anel de noivado? 

- É um anel de noivado - Raul disse, mas eles já estavam no mundo só deles e trocavam um beijo casto e tímido.

 

Todos comemoraram a noticia, Estela estava entre a surpresa e o acanhamento, não esperava isso do seu agora noivo . 

 

- Eu me sinto uma menina. 

- A Bia que não ia gostar - Disse dona Maroca tocando num assunto sensível.

- Eu queria tanto a minha filha aqui, mas ela ainda está iludida com a presença do pai. 

- E o pai tá mais focado em convencer a mãe do que agradar a filha.

- Dinah, não é o momento.

- Mas Estela

- Eu achei muito romântico. - Interrompeu dona Maroca com um ar sonhador. Alberto apenas ouvia mas não conseguia entender nada e perguntou a noiva: 

- Estela ? 

- Depois meu bem, eu te explico. Dinah, mamãe, por favor. 

Apesar de assentir, a irmã fez cara de quem não acreditava que ela ainda não havia contado. Estela apenas abaixou o olhar como quem diz não é a hora, e um Alberto queria entender tudo que havia se passado e o que tão romântico Ismael havia feito pra dona Maroca ficar tão estonteante , e o mais importante: Por que Estela havia escondido dele? 


 


 


 

A noite seguiu amena, Alberto até tentou se concentrar na conversa com Raul, em vão , ele precisava saber o que Ismael havia feito, aquele homem lhe enojava, era vil e sórdido além disso, o olhar que ele lançava a Estela era pura lascívia, que o irritava profundamente. Ainda lembrava do dia que ele tentou agarrar Estela, embora ela não tenha contado tudo que ocorrera, mas o olhar de pânico e o desespero que ela demonstrou só havia aumentado a raiva dele. Estava tão absorto nos seus pensamentos que não ouviu quando dona Maroca se despediu, somente quando Estela o chamou de novo e pousou a mão no seu rosto que ele reparou na sogra já de pé.

 

- Alberto, você estava sonhando acordado, e nem viu quando Raul foi embora. 

- Eu estava pensando em algo que aconteceu hoje dona Maroca, nada importante, boa noite! 

- Ah bom ! Boa noite Alberto, Dr Otávio , boa noite filhinhas ! 

- Boa noite mamãe ! - Disseram as duas juntas, estirando a língua uma para a outra fazendo os dois homens rirem e a mãe revirar os olhos da infantilidade das filhas e murmurar algo sobre a telepatia é uma sociedade esotérica que arrancou mais risos dos quatro. 

 

Quando Dinah saiu para acompanhar Otávio até a porta, Estela encostou no noivo e deitou a cabeça no seu ombro, e se dirigiu a ele que ainda parecia aéreo. 

 

- Meu bem, vamos descobrir onde a Dinah deixou as suas coisas, estou tão cansada. 

Mas Alberto não respondeu de pronto e ela tentou outra vez. 

 

- Alberto ! - Ele despertou com a voz firme da mulher, que continuou - Vamos meu amor, você precisa de cama. 

 

Estela sabia onde Dinah deixara as coisas de Alberto, afinal, era sua irmã, tinha certeza que ela daria um jeitinho para que ela pudesse dormir nos braços do noivo “Dormir , Estela ?” era a voz da sua consciência que não a impediu de ficar um pouco corada. 

Quando entraram no quarto, Alberto se dirigiu a janela enquanto Estela murmurou algo sobre se trocar no banheiro.

A camisola branca de seda foi escolhida meticulosamente para uma noite especial, era adornada com uma renda delicada no colo e descia até os quadris, revelava mais do que escondia; tinha uma fenda que subia quase a metade das coxas e um robe que acompanhava mas, por hora ela resolveu dispensar. Estava linda, e se sentia assim , esperava que Alberto gostasse da surpresa assim como ela tinha gostado do anel de noivado que ele surpreendeu mais cedo. Nunca duvidou que amava Alberto, mas hoje sabia que o amava um pouco mais. 

Quando saiu do banheiro, Alberto ainda se encontrava no mesmo lugar apenas tinha tirado o casaco e deixado na poltrona, e olhava pela janela, ela se aproximou abraçando suas costas e deixando um beijo nas suas omoplatas, ficaram assim alguns minutos, ela apoiada em suas costas enquanto sentia os batimentos cardíacos dele na mão que envolvia seu tórax, Alberto parecia pensar em como iniciar aquela conversa e resolveu ser direto. 

 

- Estela, eu preciso saber o que o Ismael fez pra você hoje. 

- Meu amor, ele não merece que a gente desperdice o nosso tempo falando dele.

- Eu preciso saber Estela, eu conheço muito bem você e a sua irmã para entender que a sua cara quando a Dinah tocou no assunto e a sua resposta silenciosa advertindo-a para que ela não tivesse falado.

- Alberto - ela tentou interromper mas ele continuou 

- Ah e eu não posso esquecer da sua mãe com o olhar sonhador dizendo que havia achado muito romântico ? Então Estela me diz agora eu preciso saber. 

- Ele me mandou um presente - Ela respondeu um tanto exasperada 

- Que tipo de presente Estela ? 

 

Alberto estava irredutível, a raiva saltava dos seus olhos que eram tão bondosos normalmente, ela não sabia como agir ou a razão ter escondido dele. Seu olhar era inquiridor e ela começou com incerteza. 

 

- Era uma camisola - Agora entendia o que Dinah havia dito, ele era um homem e ela havia se enganado um pouco com ele. 

- Ele disse que havia guardado há muito tempo, junto a camisola veio um cartão, dizendo que não conseguia esquecer aquela noite, cínico. 

- Uma camisola, Estela ? Uma camisola que ele guardou de uma noite que teve com você ? 

 

A raiva que Alberto sentia era quase palpável, ele estava irado, nunca fora um homem ciumento mas amar Estela lhe despertou emoções desconhecidas. Sentia que o amor deles era um reencontro de almas, por ela caminhou milhas infinitas e caminharia quantas mais fossem necessárias somente para vê-la sorrir. O ciúme e a posse eram sentimentos menos nobres, mas ela também fora capaz de despertar, agora esses corriam por suas veias e corroíam seu coração. 

 

- Alberto, eu abri a caixa pois imaginava que era um presente seu, a mamãe ficou estonteante, é verdade, mas você sabe como ela é. A Maria devolveu logo em seguida, a única coisa que eu vou aceitar do Ismael é o divórcio. 

- A Maria devolveu ? Eu ficaria muito feliz em devolver, em rasgar em pedacinhos a camisola, o bilhete, assim como eu queria rasgar as lembranças dele. 

- Alberto, é um pedaço de pano e renda, que ficou no passado , assim como o meu casamento com ele. 

- E por que você não me contou? 

- Eu não queria dar outro problema pra você meu amor, você já tem tantas coisas, seus pacientes, o hospital, o consultório e ainda resolve pedir em casamento a mulher mais problemática do planeta . - Completou com um riso nervoso mas não disse que tinha medo de perdê-lo - Eu não queria que você se preocupasse com isso. 

- Meu amor - Ela se sentiu aliviada quando ele a chamou assim, estava com medo. Alberto continuou  - Você, os seus medos, as suas inseguranças, a sua felicidade, são mais importantes do que qualquer coisa na minha vida, você, Estela é o mais importante. 

Ela não esperava que ele lhe respondesse assim, ainda estava atordoada com a conversa que tiveram. Ismael lhe dava medo, é verdade, os abusos que ele cometeu ainda lhe atormentavam e as vezes se culpava também. Saber que Alberto a compreendia e sempre seria o lugar seguro para onde ela poderia se abrigar dava a ela uma sensação de proteção e segurança que nunca havia sentido na vida. Ver que Alberto tinha ciúmes lhe embevecia, e secretamente apreciou a sensação de ser amada, desejada e cuidada. 

Por isso correu pro seu abraço tão desejado e encontrou no seu ombro mais do que seu cheiro gostoso, era seu lugar de descanso. 

 

- Alberto - Ele ronronou em resposta e ela completou - Me perdoa por não ter contado antes. 

- “De tudo, ao meu amor, serei atento, e com tal zelo, e sempre, e tanto...” 

 

O  poema foi interrompido por um beijo calmo , lento e apaixonado que Estela iniciou, nunca seria suficiente agradecer por ter Alberto em sua vida e por ele ser o homem mais gentil e romântico do mundo (agora sabia que poderia acrescentar ciumento a lista de predicados).

Quando terminaram o beijo, voltaram ao lugar que Alberto estava inicialmente e obeservavam a noite pela janela. 

 

- Eu achei que essa noite nós discutiríamos sobre outra camisola. - Ela disse um tanto divertida, um tanto envergonhada de ter se vestido daquele jeito e ele não ter reparado. 

Alberto só agora parecia notar o contorno dos seios sob a renda delicada, a seda que se agarrava ao quadril e a fenda que revelava uma de suas pernas, estava embasbacado, não imaginava que a sua mulher poderia ser mais sensual, e ela conseguiu. Foi desperto dos seus devaneios pela voz da noiva. 

 

- Vou vestir meu pijama e já volto pra gente dormir. 

 

Alberto puxou-a pra outro beijo, diferente do que trocaram anteriormente, esse era sôfrego, quente e molhado. Suas mãos deslizavam deliciosamente pela lateral dos seios e seguiam até os quadris. Somente quando as mãos alcançaram sua bunda forçando-a para cima e colocando-a em seu colo que ele desgrudou dos lábios dela dizendo: 

 

- Meu amor você ficou linda nessa camisola mas acho que você não vai precisar dela essa noite. 

 

E atacou o vale dos seios que agora estavam na altura do seu rosto, Estela ria e chamá-lo de “cachorro” foi inevitável enquanto era levada para a cama que dividiriam. 

 

 


Notas Finais


Não custa sonhar né ? Kkkk
Até logo 😘


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