História De volta para casa - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Casamento, Drama, Novela, Romance
Visualizações 20
Palavras 4.845
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Cicatrizes


Já amanheceu e continuamos na sala de espera do hospital, Emma entrou com Parker assim que chegamos ao pronto-socorro e, desde então não a vimos mais. Estou encolhida na cadeira e deito a cabeça no ombro de Adam, que se sentou ao meu lado.

Meus pais e meu irmão chegam com os Faris, eles se juntam a nós na agonia, esperando por notícias que só chegam algumas horas depois, quando uma enfermeira nos conduz até o quarto de Parker. Quando entramos, Emma está ao lado da cama, pede silêncio e nos acompanha para fora, fechando a porta atrás de si.

- Querida, o que houve, a Parker está bem? - Pergunta, Janis.

- Ela conseguiu dormir um pouco, deram soro e medicamentos. Parece que a febre cedeu um pouco e eles conseguiram conter o sangramento. - Seus olhos estão inchados e se enchem de lágrimas novamente.

- Mas o que aconteceu, querida? - O Sr. Faris insiste.

- Ela… - Emma começa a chorar novamente. - Pai, a Parker está com leucemia. - Todos ficamos chocados e minha mãe, assim como a Sra. Faris, começam a chorar na hora.

- O que podemos fazer, o que precisamos fazer, Emma? - Meu pai interfere.

- Os médicos estão avaliando o caso ainda, eles disseram que provavelmente ela não sobreviveria a tratamentos de quimio ou radioterapia, que a melhor chance seria um transplante de medula óssea, eles vão me testar para a compatibilidade mais tarde e, se não for o caso, vão procurar no banco de doadores.

- Querida, nós vamos rezar, estamos aqui para apoiá-la, tudo vai dar certo. - Minha mãe segura suas mãos e eu vejo Tom desnorteado do outro lado do corredor.

****

Todos plantados no hospital não ia ajudar em nada, a não ser a deixar Emma mais desesperada, então o Sr. Faris agradeceu por tudo, mas lembrou ao meu irmão que ele estava no meio dos preparativos para seu casamento e nos mandou para casa, prometendo dar notícias a todo momento.

Meus pais e Tom se sentaram no banco de trás da caminhonete, meu irmão desolado e perdido em pensamentos, olhando para fora da janela, meus pais igualmente, aninhados um ao outro. Me virei no banco do passageiro, tentando ser o mais discreta possível, coloquei a mão sobre a mão de Adam no câmbio e ele segurou minha mão, apertando-a e olhando para o pessoal no banco de trás, pelo retrovisor.

Quando chegamos em casa, Kelly, Terry e Coco estavam do lado de fora, Kelly com seu roupão cor de rosa e pantufas de coelhinhos felpudos batendo no chão da varanda da frente. Ela foi em direção ao meu irmão, questionando onde ele estava, meus pais foram atrás para conter os ânimos. Abri a porta, mas antes que eu pudesse saltar do carro Adam segurou minha mão.

- Nós vamos falar sobre isso, eventualmente? - Olho para a situação na frente de casa e vejo que todos já entraram. Então volto a me ajeitar no assento, seguro seu rosto e lhe dou um beijo, que ele retribui com alegria.

- Pode apostar que vamos. - Dou mais um selinho antes de sair do carro e o vejo sorrindo. Ele leva mais um tempo para sair do carro.

Quando entramos em casa Tom está explicando para Kelly o que tinha acontecido, ela escuta, mas parece que não absorve nenhuma palavra e, como se fosse uma coisa qualquer, passa rapidamente do tópico “uma criança está doente” para “os preparativos do casamento”. Eu juro, juro que quanto mais fico perto dela, mais me esforço para tentar aceitar que o meu irmão possa se casar com alguém assim.

Não muito tempo depois, mesmo que todos nós estejamos abatidos pela situação dos Faris, Coco coloca todos para trabalhar nos preparativos do casamento, já que ele trouxe apenas dois assistentes para ajudar em toda a decoração. Ele não para de dizer como o cenário que eles escolheram é “pitoresco”, mas ele usa o termo de um jeito meio pejorativo, como se tivesse um grande desafio de transformar uma casa de campo em um lugar luxuoso para um casamento em dois dias.

Adam ficou responsável por ajudar com a organização do jardim em que serão arrumadas as mesas, Coco está cobrindo todo o gramado com placas de acrílico e ele está ajudando nesse trabalho. Eu e Terry estamos montando os arranjos de flores para as mesas e ela parece estar aproveitando seu tempo longe de Kelly, que agora está se dedicando a atormentar minha mãe e uma das assistentes de Coco que a ajudam com as provas do vestido.

Vejo Adam do outro lado do jardim, ele veste uma calça jeans e o sol do meio dia parece tornar o trabalho de pregar as placas no gramado muito pesado, então ele tira a camiseta e atraí os olhares de todas nós, pobres mortais, para seu peitoral musculoso e perfeitamente desenhado.

Uma das assistentes, o próprio Coco e até mesmo Terry erguem os olhos e dão uma boa olhada em Adam, cada um soltando um pequeno suspiro antes de voltar ao trabalho, assim como eu. Só que diferente deles, cravo meus olhos em Adam e ele me olha de volta e sorri, retribuo seu sorriso e ficamos feito dois adolescentes trocando olhares, até sermos interrompidos por um grito agudo de Coco.

- Oh Deus! Por quê? Por quê coisas ruins acontecem com pessoas boas? - Coco pragueja para os céus no melhor estilo shakespeariano.

- O que aconteceu? - Terry pergunta.

- O fornecedor de bebidas que contratei em Utah só enviou metade do pedido e disse que não tem ninguém que possa fazer a viagem até aqui para entregar o restante até amanhã. Preciso que alguém vá até lá buscar o resto. Oh Deeeeus! Eu detesto tanto cidades pequenas, por que minha querida Kelly não podia fazer o casamento em Nova York, com todas as suas facilidades, ela precisava escolher esse fim de mundo?

- Ei Coco, você está falando de nossa cidade, cara. - Adam diz, ameaçadora e amigavelmente e olhar para seu peitoral nu faz com que Coco se recomponha um pouco.

- Oh Adam, seja meu herói aqui… - Coco quase se atira em cima dele. - Pegue aquela caminhonete e busque o resto das bebidas para mim. Por favooor!

- Você não pode comprar o restante das bebidas de um fornecedor daqui?

- Não! O pedido foi integralmente pago, só que o imbecil do fornecedor só enviou metade do que eu encomendei. A Kelly não pode saber disso, mas o pai dela me proibiu terminantemente de estourar o orçamento. Não tenho como solicitar outro fornecedor. Além disso, esse era o único fornecedor que tinha algumas bebidas exclusivas que Kelly fez questão de servir. Por favorzinho! - Adam me lança um olhar atrevido.

- Está bem, mas precisarei de companhia.

- Querido, não posso ficar mais desfalcado do que já estou aqui.

- Bem Coco, eu e Terry já terminamos com os arranjos, acredito que o problema das bebidas é prioridade agora, não? - Intervenho. - Imagine só se a Kelly souber que seus convidados não terão o que beber no casamento… - Sussurro ameaçadoramente para ele. - Eu nem quero pensar. - Coco treme, afastando o pensamento da noivazila que a Kelly pode se tornar.

- Está bem, vão… mas por favor, voltem com todas as bebidas, senão eu terei um colapso. - Sorrio com cumplicidade para o Adam.

******

Duas horas depois estamos há quase meio caminho de Utah e já começa a escurecer, eu fiquei feliz em poder sair de toda aquela atmosfera pesada, ficar com a Kelly pegando no pé de todo mundo por causa desse bendito casamento, definitivamente não era o que eu queria. Estou preocupada com a Parker, mas minha mãe prometeu que me ligará assim que tiver novidades.

Então estou feliz de estar aqui com o Adam e ele parece igualmente feliz de ter vindo comigo. Ele segura minha mão, passa a mão nos meus cabelos ou coloca a mão na minha perna, mas não passa muito tempo sem me tocar e meu coração salta feito um louco cada vez que ele faz isso. Estou me perguntando se alguma vez já desejei alguém tanto assim. Acho que não.

- Preciso ir ao banheiro. - Ele anuncia, estacionando o carro em um posto. - Você vai?

- Não, estou bem. Mas estou com fome, acho que vou na loja de conveniência pegar algo.

- Te encontro lá. - Ele segue para o banheiro e vou até a minúscula loja de conveniência do posto.

Está tudo vazio, com exceção de um rapaz cheio de espinhas que parece mais interessado em jogar no celular do que em prestar atenção em que entra ou sai. Sigo pelo corredor da geladeira, pego e coloco duas garrafas de água na cesta, vou para o corredor de guloseimas, pego alguns salgadinhos e balas e paro diante da prateleira de chocolates.

Fico um tempo parada ali, tentando tomar a difícil decisão sobre qual sabor quero levar. Sou interrompida por um par de braços fortes que envolvem minha cintura por trás. Adam afunda o nariz no meu pescoço e planta um beijo estratégico atrás da minha orelha, me fazendo tremer.

- O que você está fazendo?

- Tentando escolher qual chocolate levar.

- Sério? Essa é sua dúvida? - Ele ri um pouco.

- Sim! E é uma dúvida muito séria. Veja, eu poderia levar esse recheado com creme de limão e pimenta rosa, uma mistura cítrica e apimentada e eu gosto como essa mistura desce pela garganta, um pouco picante e doce ao mesmo tempo. Mas também adoro o doce dessa daqui recheada de caramelo e jeito como o gosto envolve minha língua.

- Meu Deus… - Ele se mexe um pouco atrás de mim. - Por favor, por favor leve os dois sabores. - Ele diz, bem perto do meu ouvido.

- Os dois? Por quê?

- Porque eu nunca senti tanto tesão na minha vida ouvindo alguém falar de comida. - Eu dou um cutucão em suas costelas com o cotovelo e me solto do seu abraço, rindo em seguida. Ele também ri e coloca uma barra de cada sabor na cesta.

- Melhor irmos para pegar as tais bebidas… não quero a Kelly e o tal do Coco no meu pé o resto do final de semana. - Voltamos à estrada e eu abro a primeira barra de chocolate, coloco um pedaço na boca e ofereço ao Adam.

- Você vai mesmo me fazer ter ideias com esse chocolate?

- Só você para ficar com tesão pensando em chocolate… seu esquisito. - Digo, me divertindo com ele.

- Não é o chocolate que me deixa com tesão, Mia. - Sua voz fica rouca e sai quase em um sussurro. Fico envergonhada demais para responder, embora meu corpo tenha se acendido só de pensar nisso, então continuo comendo e olhando para a estrada, fingindo que não ouvi.

- Você devia provar. - Estico a barra em sua direção.

- Eu vou provar. - Ele passa uma mão atrás do meu pescoço e me dá um intenso beijo, sua língua explora todos os cantos da minha boca, misturando gosto de Adam e do chocolate de limão. - Hum… Delicioso! - Ele passa a língua nos lábios quando se afasta de mim, como se absorvendo o sabor.

O resto do caminho é tranquilo, ainda não conseguimos manter as mãos longe um do outro e o Adam que estou conhecendo agora é um cara incrível, muito diferente do que eu idealizei sobre ele durante todo esse tempo. Ele me olha de um jeito que me faz querer simplesmente tirar a roupa e implorar para que ele me possua aqui mesmo, mas estou querendo manter algum controle e não ir com sede demais ao pote, afinal, não posso esquecer que ontem eu nem gostava desse cara e apenas tolerava a presença dele.

Quando chegamos ao endereço do fornecedor já era bem tarde e a loja estava fechada, ligamos ao Coco para pedir algum contato, ir até a casa do cara ou algo assim, mas ele não tinha nada que pudesse nos ajudar, o que o fez começar um novo drama por telefone. O Adam propôs que fiquemos aqui até amanhã, um aviso na porta diz que o horário de funcionamento da loja é das nove às dezenove horas, então pegamos as bebidas bem cedo e amanhã mesmo estaremos de volta, bem a tempo para o casamento. Coco choramingou um pouco mais, praguejou um pouco mais, mas logo se acalmou e cedeu.

- Parece que precisamos achar um hotel, srta. Harris. - Ele sobe e desce as sobrancelhas algumas vezes, demonstrando segundas intenções.

- Oh sr. Foster, que ultraje! - Me finjo de ofendida. - O senhor sequer me pagou um jantar e já quer me levar para um hotel? - Ele ri.

- Boa ideia, venha, vi um restaurante legal há alguns quarteirões.

*****

Se há dois dias alguém me dissesse que eu estaria parecendo uma boba apaixonada por Adam Foster, eu riria histericamente na cara dessa pessoa e diria que preferia comer cocô antes disso acontecer. No entanto, aqui estou, em um quarto de um hotel muito bacana que ele pegou perto da loja das bebidas. Embora a cidade seja pequena, o hotel é bem turístico e o quarto é até um pouco mais luxuoso do que eu esperava. Ficamos por alguns minutos sem saber direito o que fazer.

- Mia, eu não quero te pressionar a nada… eu estava brincando. Se você não quiser que nada aconteça, eu respeitarei totalmente, eu posso dormir no chão sem problema algum.

- Hmm… não sei… - Eu tiro os tênis e as meias e jogo para um lado, na tentativa nada sensual de fazer um striptease. - Você pode dormir no chão… - tiro a camiseta e desabotoo a calça jeans bem devagar e olhando para ele. Embora eu não ache que essa é a coisa mais sensual do mundo, parece estar funcionando, porque seus olhos sobem e descem pelo meu corpo, lascivos. - Se quiser… - Tiro a calça e dou graças a todos os santos por estar usando uma lingerie decente e não um dos meus conjuntos confortáveis em tons de bege, que só cogitei ter vestido depois que comecei com isso. - Eu vou tomar um banho enquanto você decide… - Baixo as alças do sutiã, desabotoo e o deixo cair no chão antes de fechar a porta do banheiro atrás de mim.

Fico alguns segundos parada atrás da porta fechada, sorrindo feito uma idiota, tentando imaginar qual será sua reação. Eu acho que nunca estive tão excitada, nunca tive coragem de jogar esse tipo de joguinho sensual com ninguém antes, mas o Adam parece despertar todos os meus sentidos de um jeito único.

Tiro a calcinha e entro debaixo do chuveiro, deixo a água morna escorrer do topo da cabeça até os pés e aquilo é refrescante e relaxante. Escuto o barulho da porta se abrindo, mas não me viro, em seguida a porta do box se abre e fecha e logo sinto as mãos do Adam nos meus ombros, descendo delicadamente por minhas costas e fazendo minha pele toda se arrepiar.

Ele fica longe de mim, mas posso sentir sua respiração pesada enquanto suas mãos massageiam minhas costas com uma esponja. Me viro de frente para ele e seus olhos envolvem cada milímetro do meu corpo com admiração, desejo, quase devoção. Ele parece um garoto que acabou de ganhar um presente que queria muito e isso me excita de um jeito que eu nem consigo explicar, estou usando toda a minha força de vontade para manter a calma.

Passo o sabonete em seu peito e o sinto segurar a respiração e afundar ainda mais seus olhos nos meus, quando desço pela barriga e chego perigosamente perto de sua bem notável ereção, ele solta um gemido rouco, do fundo da garganta. Largo o sabonete e o puxo pela nuca, em direção à minha boca. Tudo o que eu quero é me perder nele.

Ele se junta a mim e ficamos os dois debaixo da ducha d’água, a água se misturando com nossa saliva em um beijo no mínimo indecente, estou tão pronta e ele também, posso sentir o quanto bem no meio das minhas pernas.

- Meu Deus, Mia… você me deixa maluco… - Isso só me incentiva a tentar deixá-lo um pouco mais excitado, então desço com minha boca pelo seu queixo e começo a beijar seu pescoço, seu corpo treme junto ao meu e ele geme ainda mais profundamente. Sigo meu caminho por seus ombros, o peito e quando chego na barriga, vejo que ele está apertando tanto a parte de cima do box, que os nós dos seus dedos estão esbranquiçados. Sorrio, maliciosamente e dou suaves beijos abaixo do umbigo. - Pare! - Ele me segura pelos ombros e me puxa para cima. - Eu não quero gozar ainda e desse jeito não vou conseguir evitar, você não está me dando muita chance aqui. - Ele me beija profundamente. - Venha!

Nos secamos, me envolvo em uma toalha e vamos para a cama e, tenho que dizer, ele parece bem disposto a me excitar também, tanto quanto eu a ele. Me deito de costas e abro a toalha, como um convite silencioso que ele entende perfeitamente. Ele se aproxima e começa a beijar meus pés, subindo lentamente pelos tornozelos, panturrilhas, coxas… A lentidão é quase dolorosa, uma tortura absolutamente excitante e deliciosa. Ele beija minha barriga, meus seios, meu pescoço, minha boca, dá uma pequena mordida no lóbulo da minha orelha e, antes de se afastar, sussurra…

- Primeiro as damas.

Em seguida sinto meus joelhos se dobrarem, me expondo totalmente, estou à sua mercê e extremamente pronta. Quando sinto aquela língua macia e tão familiar me beijando de um jeito diferente e em um lugar tão íntimo, um choque percorre todo o meu corpo e eu já estou prestes a chegar ao êxtase com esse simples toque.

Preciso me concentrar e tento adiar o orgasmo o máximo que posso, deixando-o aguardar bem na superfície, pronto para explodir, isso está me matando. Nunca senti tanto tesão. Ele aumenta um pouco mais a velocidade e a intensidade dos movimentos e não consigo mais suportar, arqueio minhas costas e dou um gemido profundo quando sinto minhas pernas amolecerem.

Preciso de alguns minutos para retomar o fôlego, ele se deitou ao meu lado, acariciando meus cabelos e plantando delicados beijos no meu rosto, pescoço e ombros. Depois de recobrar um pouco a consciência e voltar a sentir a cama debaixo de mim, me viro para ele e seus olhos estão de um azul escuro, sua expressão guarda desejo e diversão, ele está sorrindo.

- Eu nunca imaginei… não, não é verdade, na verdade eu imaginei isso muitas vezes, muitas… mas eu nunca acreditei que isso pudesse acontecer de verdade, Mia. - Ele acaricia meu rosto, parecendo realmente tentando acreditar que aquilo não é um sonho.

- Posso dizer o mesmo. - Aproximo minha cabeça dele e lhe dou um beijo. - Quer dizer que você imaginou isso é? - Ele acena com a cabeça. - Muito? - Ele acena novamente. - E foi bom? Quero dizer, na sua imaginação?

- Nada comparado ao que está acontecendo agora.

- Espere para tirar suas conclusões, afinal... - Me aproximo ainda mais, encosto meus lábios em seu ouvido. - Ainda nem começamos. - Me afasto e me ergo da cama, colocando uma mão em seu peito para mantê-lo deitado. - Minha vez.

Durante uma boa parte da noite parecíamos dois adolescentes descobrindo o sexo pela primeira vez, eu explorei seu corpo e ele o meu, exploramos os pontos de prazer um do outro e nunca senti uma sensação tão extasiante quanto quando o senti dentro de mim. Foi como a adrenalina de pular de paraquedas, misturada com a alegria de, sei lá… comer um chocolate quando se está na TPM. Foi inexplicável.

Era bem tarde quando a exaustão nos consumiu, me senti pegar no sono com a cabeça apoiada em seu peito, enquanto sentia suas mãos acariciarem meus cabelos. Eu me sentia leve e relaxada, parece que toda a tensão que eu vinha carregando no último ano tinha simplesmente desaparecido.

****

Desperto com a luminosidade fraca entrando pela janela do quarto, jogo preguiçosamente o braço para o lado da cama, esperando me deparar com os músculos de Adam, mas meu braço vai de encontro ao colchão vazio, ele não está. Quando percebo que estou sozinha, abro os olhos, firmo as vistas para desembaçá-las e apuro os ouvidos, escuto uma voz vinda do banheiro.

Eu sei que não devia, mas me aproximo nas pontas dos pés da porta do banheiro, tentando ficar o mais alerta possível e em uma posição fácil de disfarçar, para ele não me pegar no pulo.

- Eu sei… eu sei… - Escuto ele dizendo, sua voz está grave e séria, ele parece nervoso. - Eu disse que não tenho como fazer isso agora, eu simplesmente não consigo… Eu sei, eu entendi suas explicações, mas acredite, isso não é algo com que eu posso lidar nesse momento. - Ele para um pouco, escuta e dá um longo suspiro. - Eu entrarei em contato com você quando puder te ver, agora, por favor, não me ligue mais nesse telefone.

Quando percebo que ele desligou, corro para voltar para meu lugar na cama, mas quando estou me aproximando, bato o joelho com tudo no criado mudo, fazendo um grande estrondo que o faz sair do banheiro assustado.

- Tudo bem? - Ele pergunta, ainda com o telefone na mão, com uma toalha deliciosamente enrolada na cintura, o que quase me faz perder a concentração e esquecer meu joelho latejante.

- Sim, sim… eu… acordei agora e bati o joelho quando estava levantando. - Me jogo desajeitadamente na cama, tentando disfarçar. - Tudo bem com você?

- Tudo. - Ele parece desanimado e preocupado, eu queria muito saber quem está do outro lado da linha, mas não quero ser chata ou insistente, nem quero parecer impertinente.

Descemos para tomar o café da manhã, arrumamos nossas coisas, fechamos a conta e partimos para a loja de bebidas, que encontramos aberta, finalmente. Conseguimos resolver o problema, depois do Adam colocar o Coco diretamente com o dono da loja, pegamos o restante da remessa, o que lotou o porta-malas e o banco traseiro da caminhonete. O Adam disse que teremos que voltar em uma velocidade menor, devido ao peso que estamos carregando.

A viagem é tranquila e estamos evitando de fazer paradas para chegar o quanto antes em casa, ter metade das bebidas de um casamento que acontecerá em menos de 24 horas te deixa mais preocupado do que eu imaginei. Noto que o Adam não está tão empolgado quanto antes, ele está apreensivo e alguma coisa o está incomodando, então seguimos quase metade do caminho praticamente calados.

- Tem certeza que está tudo bem? - Arrisco a pergunta.

- Sim… sim, está. - Parece que o tirei de um devaneio.

- Sabe… tudo isso que aconteceu entre nós, eu estava pensando. - Ele volta sua atenção para mim, me escuta e lança olhares em dúvida para mim. - Foi tudo tão repentino, quer dizer, eu não sei se você já tem alguém…

- Mia… por quê isso agora?

- Há… não sei, é que nem chegamos a falar sobre isso e agora, depois da nossa noite juntos você ficou meio estranho… - Encolho os ombros.

- Mia… - Ele envolve minha mão na sua e alterna os olhos da estrada para mim. - Isso não tem nada a ver com você, por favor, me desculpe por ter ficado assim. - Ele beija minha mão com carinho. - E respondendo à sua pergunta, não, eu não tenho ninguém, estou completamente livre e desimpedido, e você? Isso é algo com que eu deva me preocupar?

- Não… - Penso em Kevin e em nosso rompimento pouco antes de eu vir pra cá. - Não tenho ninguém. - Não vejo necessidade de falar sobre algo que já ficou para trás. - Eu estou preocupada com você… você pareceu tão desanimado hoje de manhã… - Passo a mão em seus cabelos e ele respira fundo ao meu toque.

- Me desculpe se eu me fiz entender mal, eu juro que essa foi a melhor noite da minha vida e eu estou aqui, agindo feito um idiota… Mas… As coisas estão meio complicadas agora. Não tem nada a ver com você, eu juro.

- É algo em que eu possa ajudar?

- Não… acho que não.

- E você não está afim nem de compartilhar. - Ele me olha em dúvida. - Eu prometo que não vou julgar! - Beijo meus dedos em cruz, em sinal de promessa. Ele sorri, suspira e volta a ficar sério.

- Meu pai têm me ligado nos últimos dias… - Ele solta, depois de alguns minutos de silêncio. O olho um pouco perplexa. - Eu perdi totalmente o contato com ele antes de ir para a faculdade e, depois que saí do Colorado, nunca mais falei, vi ou ouvi falar dele. Mas parece que ele soube que estou aqui e quer me ver.

- E você não quer?

- Mia, é complicado… eu nunca tive uma relação com o meu pai. Ele sempre me culpou pela morte da minha mãe, eu nem sei como sobrevivi até conseguir me virar sozinho, porque não me lembro de ele ter feito nada por mim. Desde que eu me conheço por gente eu me lembro de estar sozinho, pois mesmo quando ele estava em casa, ele se largava na frente da TV com umas latas de cerveja e um pacote de salgadinhos e mal lembrava da minha existência. Exceto quando ele bebia demais e inventava alguma desculpa para me esmurrar. Quebrar um prato, derramar tinta na garagem, eram falhas graves pra ele.

- Adam… - Engulo seco. - Sinto muito.

- Tudo bem. Isso já passou, eu deixei meu pai para trás assim que consegui descobrir que a melhor forma de lidar com ele era estar bem longe sempre que ele estivesse em casa. Quando o Tommy resolveu ser meu amigo, foi como se eu tivesse ganho na loteria. Uma família de verdade que me recebia em casa e me tratava como uma pessoa, ao invés de um estorvo ou um garoto problemático que você só ajuda pra fazer caridade… Enfim… Quando eu pude ir para a faculdade e sair de uma vez por todas de casa, eu simplesmente deixei para trás a vida que eu tive ali, assim como o meu pai, alguém que eu não quero mais ver.

- Eu entendo. - Não consigo romper o contato com ele, seguro sua mão, que está fria e passo a outra mão em seu rosto, tentando confortá-lo.

- Só que agora ele me liga, está internado em uma clínica de reabilitação na avenida principal. Ele disse que está com cirrose hepática em estágio terminal, têm me ligado porque disse que está morrendo e gostaria de me ver mais uma vez antes de partir. - Vejo seu pomo de Adão subir e descer quando ele engole o que parece ser um grande nó que se formou em sua garganta. Seus olhos parecem marejar. - Isso traz toda a merda que eu quis evitar durante anos, de volta pra minha vida.

- Caramba, Adam… eu nem sei o que dizer. Sinto muito que isso esteja acontecendo. - Fico realmente tocada e alarmada com tudo isso.

- O que você faria? - Olho para ele, surpresa. - Se fosse você no meu lugar, o que você faria?

- Eu não sei… eu acho que iria vê-lo. Eu sei que é difícil falar assim, sem ter passado por todo o sofrimento que você passou. Eu honestamente acho que você é um cara extremamente forte e corajoso por ter lidado com tudo isso sozinho e eu certamente não teria te julgado tão mal, todos esses anos, se soubesse da sua história. Eu entendo como pode ser difícil deixar para trás esses sentimentos e perdoá-lo em seu leito de morte, parece até injusto que ele se safe assim tão fácil de ter sido negligente com você. Mas acho que ir vê-lo e, talvez, se seu coração mandar, perdoá-lo, seria uma coisa positiva para você, assim você poderia deixar essa história para trás, mas sem ficar carregando mágoas e rancores em relação à ela. - Ele parece um pouco estupefato.

- Uau! De onde saiu essa mulher tão madura?

- Eu venho dizendo há anos que não sou nenhuma criancinha, Adam. - Mostro a língua, tentando descontrair um pouco o clima.

- Droga!

- O que?

- Isso não ajuda em nada, Mia… em nada… - Ele balança a cabeça em negativa.

- No que?

- No fato de eu estar completamente louco por você. - Coro um pouco e não consigo evitar um sorriso que surge em meus lábios.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...