História Dead Inside (Em Revisão) - Capítulo 21


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys, J-hope, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Min Yoongi, Taehyung, Vhope
Visualizações 2.283
Palavras 8.404
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


É SAUDADE QUE FALA???? SIM, É SAUDADE SIM!!!!

Não é uma miragem, realmente estou voltando depois de 86 anos e 24 dias :').
KRL, VIADO DO CÉU, EU NÃO ESTAVA MAIS AGUENTANDO DE SAUDADES DE VOCÊS.

Quero falar muitas coisas? Quero, mas infelizmente a nota inicial vai ficar muito cansativa, então deixo vocês com esse capítulo cheiroso.

(Perdão por fazer vocês terem que reler a fanfic pra se lembrar das coisas :'). Fighting guerreiros ♡. O capítulo tá enorme, espero que compense. E só pra vocês não se perderem ainda mais, esse capítulo se inicia em um flashback que o Jungkook tá tendo, referente a discussão dele com o Taehyung no capítulo 19)

LEIA DEVAGAR E DEPOIS LEIA A NOTA FINAL QUE EU DEIXEI UMA SURPRESA PRA VOCÊ LÁ ♡.

LEIA A NOTA FINAL!!!!! ♡

Capítulo 21 - Favor


Fanfic / Fanfiction Dead Inside (Em Revisão) - Capítulo 21 - Favor

— Acredito porque estou muito apaixonado por ele!

 

Eu tinha acabado de confessar em voz alta?

 

— Apaixonado? — Tae  questiona enquanto senta na minha cama novamente.

Ele me encara com seu semblante assustado. O que tem de tão errado nisso?

— Sim! — afirmo ainda tremendo pela raiva repentina.

— O que você está fazendo, Jungkook-ah? — ele nega com a cabeça antes de continuar — Esqueceu o que te contei sobre ele? Esqueceu o que ele fez com o meu amigo?

Eu não tinha esquecido, até porque não tinha como esquecer. Mas se ele está irritado por causa disso… Não faz muito sentido, já que são situações completamente diferentes.

— Eu não esqueci — sussurro — Mas isso não muda em nada o que está acontecendo agora. Nós estamos muito apaixonados um pelo outro.

E mais uma vez ele começa a rir como se tivesse acabado de escutar a piada mais engraçada do mundo.

— Senta aqui Jungkook — pede batendo no colchão para que eu sente ao seu lado — Como sabe que ele é apaixonado por você?

O que exatamente Taehyung está querendo? Por que estamos tendo esse tipo de conversa?

— Porque ele disse isso pra mim — solto a informação com um suspiro baixo e abaixo a cabeça assim que ele se vira para me encarar.

— Droga Jungkook! Por que você é tão ingênuo? Olha pra mim! — ele segura em meus ombros, me obrigando a encara-lo — Palavras… Jimin joga essas palavras aos ventos, palavras não tem um significado maior pra ele, falar todo mundo pode falar qualquer merda. Ele é um mentiroso.

Por que Taehyung está me encarando como se eu merecesse algum tipo de piedade? Eu realmente queria entender.

— Não é só isso, você não entende — murmuro sentindo minha voz falhar, enquanto tento pensar em como explicar para ele todos os sentimentos e sensações que só Jimin consegue me fazer sentir.

— O que eu não entendo? — questiona de alguma forma parecendo bastante chateado e até mesmo frustrado.

— Não é só o que ele diz — sussurro envergonhado.

— Como?

Se Taehyung não estava entendo, eu iria fazer questão de explicar.

— Não é só o que ele diz, Tae. Também sinto na forma como me abraça, me beija… Como me toca e… — fecho os olhos e suspiro profundamente antes de continuar — Tudo, tudo nele, tudo o que ele faz por mim, a forma como me olha e como me protege. Tudo nele grita por mim assim como…

— Para!

Ele interrompe furiosamente, me encara por alguns segundos e em seguida começar a rir com um desprezo que eu nunca havia visto em todos esses anos da nossa amizade, mas o que acontece em seguida é pior. Ele vira para frente novamente e solta uma gargalhada. Uma gargalhada tão alta e forçada que faz seu rosto se tornar vermelho.

Eu sei que deveria ficar irritado ou alguma coisa do tipo, mas o susto tinha tomado uma proporção bem maior dentro de mim.

O que estava acontecendo com ele?

— Tae… — sussurro hesitando ao tentar tocar em seu ombro.

— Você o ama — ele afirma.

Meu cérebro trava por alguns segundos. De repente todos os meus músculos ficam rijos e simplesmente não consigo processar o que ele disse.

— O quê? — solto um riso nervoso enquanto me afasto e nego com a cabeça.

Que besteira ele está dizendo?

— Como pôde Jungkook?!

Eu realmente estava tentando pensar em alguma resposta para debater, mas o timbre da sua voz tirou toda minha atenção. E assim que ele ergueu o rosto, eu pude me deixar ficar perplexo de vez. Seus olhos vermelhos como se estivesse prestes a chorar, e seu semblante? Decepcionado.

— Como pode amar um cara tão falso, sujo e mentiroso como ele?! Jimin é um lixo, ele não presta, é inescrupuloso, frio e calculista. Ele não vai saber te amar de volta.

— Cala a boca! Cala a merda da sua boca, Kim Taehyung!

Naquele momento toda a vontade de bater nele tinha voltado à tona. Eu só queria xingar e mandar ele ficar calado.

— Não posso afirmar sobre ama-lo… Mas posso te confirmar que ele não é nada disso que você tá dizendo, e eu não admito que fale mentiras de uma pessoa que você nem sequer é próximo. Jimin tem seus defeitos, disso você pode ter certeza, mas não é nada do que falou! Ele é uma pessoa maravilhosa e eu sou apaixonado por tudo nele!

Realmente não sei de onde estava tirando tanta coragem para defender Jimin, mas não deixaria que Taehyung falasse mal dele na minha frente. Não na minha frente.

— Vocês transaram…?

Sua voz por um momento se tornou mais calma, mas o questionamento com ar de afirmação foi tão invasivo que ficar desconfortável foi quase que inevitável pra mim.

— Quê?!... É claro que não! — nego veemente enquanto sinto meu rosto esquentar.

Taehyung estava ficando doido, era quase uma certeza pra mim.

— Então é isso… — ele solta um suspiro enquanto volta a encarar o nada — Ele está mantendo essa brincadeira porque ainda não conseguiu dormir com você. Ele só está esperando por isso.

 

 ♦♦♦

 

 

 

 

Faz três dias que Tae e eu discutimos no meu quarto, e há três dias que não nos falamos mais.

Para falar a verdade, eu tenho evitado falar com ele quando estamos na escola, acabei trocando de mesa também. Talvez seja melhor assim. Talvez seja melhor dar um tempo em todas suas acusações sem motivos.

Só que a cada dia venho ficando cada vez mais aflito em pensar nas últimas palavras que ele jogou na minha cara: “Ele só está esperando por isso”.

Como assim Jimin só está esperando por algo?

Eu não queria pensar tanto sobre isso. E apesar dos meus questionamentos internos, eu não poderia me afastar de Jimin, até porque não tem como parar de uma hora pra outra todos os sentimentos que descobri ter por ele. Então nos últimos três dias, após nossas aulas, Jimin passou às tardes todas comigo, me abraçando, me beijando e me tocando.

 

— Por que você não avisou ao Tae que viria hoje?

Jin hyung questiona enquanto prende as luvas em meus pulsos.

— Estamos afastados.

Respondo sacudindo meu corpo, tentando afastar todo o nervosismo para bem longe da luta.

— Brigaram? — seu semblante se torna confuso.

— Mais ou menos… Ele está ficando louco — sussurro a última parte, torcendo para que ele não tenha escutado.

— Vocês vão se acertar logo, logo, tenho certeza — diz bagunçando meus cabelos — Eu realmente não gosto quando você luta, mas já que estou aqui, tenho que ver. Vou voltar lá pra plateia… É sua vez, não é?

— Sim — confirmo com um sorriso amigável.

— Boa sorte.

— Obrigado hyung — agradeço e logo o vejo ir em direção à porta de saída do vestiário.

 

Consigo ouvir o grito abafado das pessoas. Estão me chamando do outro lado da porta. Mas antes de respirar fundo e decidir subir no ringue, meu estômago se torna pesado em uma sensação nada agradável. Como um pressentimento ruim. Logo tento afastar todo e qualquer tipo de pensamento negativo.

Imortal!

O locutor grita, fazendo várias pessoas iniciarem um tipo de coro organizado. Por fim subo no ringue e encaro meu adversário. O barulho parece mais alto do que das últimas noites.

 

Assim que me coloco em posição para lutar, meus olhos percorrem a multidão para encontrar Jin hyung, mas acabo levando um susto enorme ao ver mais do que deveria…

Jimin? Sim, é o Jimin! E ele está bem próximo à grade, me encarando de volta.

O susto é tão grande que eu acabo cambaleando levemente para trás. Meu coração está batendo tão rápido que sinto como se ele fosse rasgar meu peito de uma só vez.

Recupero as sentidos assim que o meu adversário acerta um soco certeiro na minha mandíbula. De relance consigo ver Jimin tentando chegar mais perto, e ele está gritando. Gritando algo que eu não sei, parece irritado. Alguns homens que estão próximos a ele, o seguraram pela camiseta, impedindo que suba pela grade do ringue.

Balanço minha cabeça negativamente e logo volto à atenção ao meu adversário. Meu coração está batendo furiosamente contra meu peito. Só quero finalizar logo a luta e correr para bem longe de todos. Fingir que Jimin e eu não vimos um ao outro. Talvez seja só uma alucinação da minha parte. Talvez… Não, não é! Ele ainda está ali sendo contido por uns dois caras e… Jay?

— Parece que você não é tão imortal como dizem, não é mesmo? — meu adversário solta sarcasticamente enquanto toca em seu próprio queixo.

Só aí que me dou conta de que estou sangrando. Sangue escorre dos meus lábios. Então eu concluo que Jimin deve estar irritado por isso. Ah mas não vai ficar assim! Não enquanto os olhos de Jimin ainda estiverem sobre mim e o sangue dos meus lábios ainda estiver escorrendo sobre o meu queixo.

— Pode comemorar, comemora bastante porque essa é a última vez que você me bate.

Confidencio acertando seu queixo com um soco cruzado. Não demora muito para que ele caia no chão e eu monte em cima do mesmo, e enfim o finalize com vários outros socos diretos no rosto.

— Nocauteado!

O locutor anuncia. Depois de alguns segundos recobro os sentidos e me levanto de cima do corpo inerte do outro. Assim que o apresentador levanta minha mão direita, anunciando minha vitória, meus olhos se focam em Jimin. Ele aparece assustado enquanto encara meu adversário inconsciente no chão, e tudo o que eu quero fazer é correr para bem longe.

E é exatamente isso o que eu faço… Ou quase isso.

Assim que desço do ringue, tento mover minhas pernas o mais rápido possível em direção à sala do organizador de lutas para pegar meu dinheiro. Mas antes de praticamente correr até lá, mãos conhecidas agarram minha cintura e me arrastam para um canto mais afastado no corredor.

— Por um acaso você perdeu seu juízo de vez?!

Jimin está gritando e ele parece bastante irritado. Meu rosto está quente, minha mandíbula dói e perto da minha boca ainda deve haver sangue.

— Ji-Jimin… — viro o rosto para o lado contrário, tentando evitar seus olhos acusadores.

— Seu lábio está sangrando!

Ele exclama passando suas mãos nervosamente por todo meu rosto. Sua voz está trêmula e sua expressão não é nada amigável.

— Eu preciso ir pegar meu dinheiro — sussurro tentando empurra-lo pelos ombros, mas seu corpo está muito perto para que eu o faça com sucesso, e se aproveitando da nossa proximidade, ele cola nossas testas.

— Que merda você está fazendo aqui, Jeon?! — questiona segurando meu rosto entre suas mãos.

— Eu te explico tudo depois, só preciso pegar meu dinheiro agora. Me espera aqui — peço finalmente conseguindo me afastar de seu corpo.

— Não mesmo! Eu vou com você.

Então ele segura na minha mão, com seus dedos entrelaçando-se aos meus.

— Jimin! — o repreendo enquanto tento soltar nossas mãos, mas sem sucesso novamente.

— “Jimin” nada! Uma porra que eu vou deixar você ir sozinho! Sua boca está sangrando! Não ouviu o que eu disse não?!

 

 Bufo irritado, mas por fim acabo cedendo quando o levo comigo.

 


Os minutos seguintes foram realmente algo assustador, ainda mais quando Jimin continuou a se manifestar em momentos impróprios.

 


— O senhor não acha que isso é muito pouco para uma pessoa que vem aqui só para sair sangrando?! Deveria pagar o dobro pra ele!

Que merda Park Jimin tem na cabeça para pedir uma coisa dessas?

— Calado! — peço soltando um riso sem graça.

Aperto sua mão fortemente assim que vejo dois dos grandes seguranças se aproximando.

— Calado nada! — Jimin revida.

— Aqui, me coloque para o próximo sábado — peço enquanto coloco as notas de dinheiro sobre a mesa do organizador — Desculpa qualquer coisa.

 

Logo puxo Jimin para fora da sala e por fim saio do galpão. Respiro fundo a brisa suave da noite e olho ao redor, bufando irritado por tudo o que se passou.

 

— O que diabos você está fazendo aqui?! — exclamo totalmente sem jeito.

— Sou eu quem pergunta — ele nega com a cabeça e me encara seriamente — Você é um mentiroso!

Mentiroso? Mas eu não menti em nada.

— Não sou não! — nego.

— Todo esse tempo você poderia ter me matado com um soco e eu aqui achando que você era a criatura mais indefesa e inocente desse planeta.

Mas do que exatamente ele está falando? Sempre fui a mesma coisa com ele, desde o começo.

— Quando nos conhecemos você ameaçava me bater de uma forma tão fofa que fazia todo meu corpo querer te abraçar — ele se vira de costas para mim e prossegue — Mas não! Você vem pra cá arrebentar a cara das pessoas até elas morrerem de hemorragia.

— Do que você está falando?

Pergunto já rindo enquanto tento tocar em seus braços, mas ele se afasta. Me deixando um tanto desolado.

— Não me toca, estou chateado! Não quero falar com você!

Então meu peito aperta e de repente o sentimento de sufoco se entala na minha garganta, junto com uma estranha vontade de chorar.

—… Jimin — murmuro tentando toca-lo novamente, mas sou afastado mais uma vez — Não se afasta de mim — peço sentindo minha voz tremular.

— Como não quer que eu me afaste de você, Jungkook?!

— Não fala assim — sussurro sentindo meu peito apertar um pouco mais.

Alguns minutos se passam sem que ele me responda e eu não consigo parar a sensação ruim que se alojou na boca do meu estômago, seguido pelo entalo estranho na minha garganta, parecido mais com uma vontade reprimida de chorar.

— Por que caralhos nunca contou que fazia isso?

— Porque... Porque eu achei que não era tão importante.

— Pois você achou errado!

Ele exclama. Minha garganta fecha de vez e meus olhos ardem. Ele está brigando comigo? Sei que fiz errado em não contar, mas...

— Não fala assim comigo — peço de novo com a voz já trêmula.

— Falo sim! Falo porque estou chateado e…

Ele não termina de falar, apenas se cala quando me escuta soluçar.


Que droga! Por que estou chorando?!


— J-Jungkook... — ele me encara com seu semblante assustado — Você está chorando?

— Não, não estou!

Nego assim que afasto as mãos dele que estavam tentando se aproximar do meu rosto.

— Não afasta minhas mãos! — ele repreende enquanto tenta se aproximar novamente.

— Eu afasto!... Afasto porque foi você quem falou sobre se afastar primeiro, então não tem mais direito de tentar enxugar minhas lágrimas!

Exclamo enquanto limpo meu rosto. Jimin está me encarando com sua expressão incrédula, ele abre a boca algumas vezes, parecendo muito mesmo com um peixinho fora d’água.

— Agora você está irritado? Tá irritado comigo?!

Respiro fundo com sua pergunta, ao mesmo tempo em que disfarçadamente tento acalmar meu coração agitado.

— Sim! Ou eu não posso mais ficar irritado com você?!

Exclamo em um tom que assustaria qualquer um, mas Jimin não parece assustado ou intimidado. Ele parece mais alguma coisa próxima a: ‘irritado e totalmente enfurecido’.

— Não, você não pode! — ele grita com sua voz um tanto rouca.

Park Jimin realmente acabou de gritar comigo?

— Por que não posso?!

Ok. Agora quem está gritando sou eu.

— Porque não! É você quem está errado!... E não grita comigo! — pede tudo isso enquanto continua gritando.

O que é totalmente estranho é o fato de que eu realmente também quero continuar gritando com ele, mas ao mesmo tempo só quero parar e chorar toda essa vontade desgraçada que sei que está alojada na minha garganta. Esse choro causado pela vergonha dele ter descoberto sobre minhas lutas. Que tipo de sentimento é esse? Nós estamos mesmo brigando?

— Eu grito sim! Eu grito porque você também tá gritando!... E não diz o que eu devo fazer!

— Então só cala a boca, Jeon!

O quê?!

— Não me manda calar a boca! Cala a boca você! — grito exasperado.

— Não! Eu não vou! — ele revida.

— Então não cala, idiota!

No último nível de estresse total, eu grito mais uma vez e soco o peito dele fortemente. O curioso é que depois disso sua expressão suaviza e ele não grita em resposta como eu estava esperando.

—… Você me bateu?

Consigo escutar sua voz. É um sussurro baixo e rouco, seu timbre está tranquilo. Não é como se ele estivesse irritado, a pergunta não parece rude. Não sei que expressão é essa em seu rosto, mas é diferente. Até mesmo parecida com a expressão que faz quando... Nos beijamos?

— Sim, eu bati sim! O que é que tem?! — grito a pergunta com toda indignação contida na minha voz.

 

E de repente meu coração acelera fortemente e eu sei que essa tremedeira em minhas pernas não é uma coisa normal.

Jimin foi tão rápido que não me dei conta de quando ele se aproximou o suficiente e tomou meus lábios. Mas o fato é que agora ele está me beijando. É tudo muito confuso, meu cérebro parece travado em algum tipo de sensação que não consigo identificar. As mãos dele me empurram gentilmente em direção à parede do beco que dá acesso ao fundo do galpão, e seu corpo se gruda no meu assim que ele nos sente totalmente apoiados.

Depois de muito tempo confuso e parado nos meus próprios pensamentos, eu finalmente correspondo aos movimentos de seus lábios. Suas mãos que estavam em meus ombros, descem até minhas coxas e ele as aperta por cima do short de pano mole. É um toque diferente, as sensações são novas. Ele nunca havia me tocado nessa parte do corpo. É certo que tinha beijado minha barriga e meu pescoço algumas vezes, mas nunca tinha tocado nas minhas coxas. E o mais estranho de tudo é que eu gosto, eu gosto muito, não consigo parar de pensar que a sensação é realmente muito gostosa. Ofego um pouco mais alto assim que sua mão direita pressiona a lateral da minha coxa, apertando com vontade. Já sua mão esquerda tenta entrar por dentro da minha blusa... E eu não consigo me assustar com isso. Não mais. Não porque é muito bom e eu quero que ele me toque cada vez mais.

Deslizo minhas mãos por suas costas e o puxo, puxo fazendo seu corpo se grudar totalmente ao meu. Sua língua entra e sai da minha boca com uma avidez impressionante, tenho certeza que estaria envergonhado se não estivesse gostando tanto. E o que mais gosto é que com tudo isso eu aprendi a ter confiança nessas coisas, em tocar nele e me deixar ser tocado por ele.

Respiro fundo e tomo toda a coragem que preciso, meu peito formiga com o pensamento na próxima ação ousada que farei.

Rodeio a cintura dele com minhas mãos e puxo seu quadril, fazendo automaticamente nossas pélvis entrarem em contato, e a sensação é tão incrível que eu simplesmente não consigo conter um gemido rouco e intenso. Jimin está duro. A vergonha é muito grande para que eu não tenha um pouco de receio, mas acabo deixando toda a insegurança de lado assim que ele passa a mover o quadril em direção ao meu, fazendo minha quase ereção se tornar uma ereção verdadeira, tão dura quanto a dele. É a primeira vez que fazemos isso. Jimin está gemendo contra meus lábios e suas mãos continuam me tocando.

Um choque se passa por todo o meu corpo assim que suas mãos seguram minha cintura possessivamente e seu quadril se move um pouco mais rápido, com movimentos fixos de ida e vinda. Essa é a primeira vez que sinto seu membro contra o meu. É como se eu estivesse nadando em um mar de sensações novas. E confesso que adoraria me afogar em todas elas.

Me pergunto se Jimin consegue sentir o mesmo que eu, se seu corpo está tão quente quanto o meu. De repente uma vontade de me unir a ele bate forte no meu peito. Não sei exatamente como classificar o que sinto, não consigo explicar, mas é tão forte e bom que me deixa até um pouco zonzo. Eu só quero unir meu corpo com o dele.

— Você gosta assim?

Ele questiona com seus lábios rentes aos meus, enquanto sua rigidez se esfrega um pouco mais forte contra a minha. É totalmente vergonhoso quando abro minha boca para responder, mas o que sai é apenas um ar profundo, seguido de um gemido caloroso.

— Ah… S-Sim… Eu gosto!

Quase exclamo alto demais quando sua boca desce sobre meu pescoço e ele chupa minha pele com força.

Por um breve momento da minha vida era como se eu realmente me considerasse assexuado como Somi e eu costumávamos conversar, mas Jimin me provou que posso ser tudo, menos assexuado.

Levo minhas mãos até os seus fios de cabelo e puxo, puxo fazendo sua cabeça pender levemente para trás. E mesmo que sem planejar muito bem, eu acabo me aproveitando totalmente da posição, passando a beijar seus lábios mais uma vez. É um beijo rude, sua língua está com o gosto um tanto estranho de ferro. E aí eu me lembro de que estava sangrando anteriormente, e que talvez o gosto de ferro seja só o meu sangue passando entre nossas bocas. Mas não me importo realmente. Não quando estamos tão próximos e meu corpo tão quente.

— Desculpa… Desculpa.

Jimin pede enquanto ofega profundamente sobre meus lábios. Um sentimento totalmente solitário se apossa de mim assim que seu corpo se afasta minimamente do meu.

Por que ele está se desculpando?

— Hm?  — murmuro tentando controlar minha repentina falta de ar.

— Eu não deveria te agarrar assim. Não aqui… Não desse jeito e não nesse lugar estranho.

Eu queria muito pensar em alguma coisa para respondê-lo. Mas não poderia fazer muito se minha atenção voltou-se inteiramente para o seu rosto corado e seus cabelos levemente bagunçados. Meu coração continua agitado, meu corpo ainda treme e a ereção entre minhas pernas só piora a situação.

— Não tem problema, Jimin… Eu só quero beijar você.

Era vergonhoso admitir, mas eu realmente só queria que ele colasse o quadril no meu mais uma vez.

— Eu também quero beijar você… Mas ainda consigo sentir gosto de sangue.

— Eu também — concordo de imediato.

Então nós rimos um para o outro como se estivéssemos compartilhando um segredo nosso. O certo é que a situação tinha se tornado um tanto confortável porque nós realmente estávamos brigando antes, mesmo que não parecesse realmente.

— Só mais um.

Ele sussurra antes de voltar a me beijar. Mas é um beijo terno, lento demais para o que eu ainda estou sentindo. Mas é bom. É bom porque eu realmente gosto de ter o corpo dele perto do meu.

 

Jungkook?

 

Instintivamente meu corpo e o de Jimin se tornam rígidos. Reconheço a voz, meus olhos estão fechados e eu realmente não quero abri-los. Não quando sei que terei que encarar Jin hyung. Mas Jimin se afasta antes mesmo que eu consiga pensar em qualquer outra coisa.

— Oi, Jin.

Jimin o cumprimenta como se não tivesse nada de errado na situação. Meu rosto esquenta e eu sinto como se estivesse prestes a derreter diante da vergonha assim que Jin hyung me encara diretamente.

— Hyung, eu…

— Eu vou pra casa… Hm, te espero lá.

Ele me interrompe com seu semblante sério, e depois de alguns segundos eu o vejo ir embora pela porta que provavelmente entrou.

— Tudo bem? — Jimin questiona se aproximando de mim novamente.

— Sim, tá tudo bem — sorrio fazendo-o sorrir também.

— Vamos — ele diz entendo sua mão em minha direção.

— Vamos pra onde?  — questiono.

— Preciso dar um jeito nesse seu machucado.

 

 

Ainda era muito estranho admitir estar apaixonado por ele. Mas de algum jeito a situação toda estava começando a me deixar confiante. Jimin me deixa seguro.

 

Por alguns minutos eu subi naquela moto dele e me deixei apreciar o vento batendo contra o meu rosto assim que ele deu partida. Talvez fosse uma questão de confiança, mas eu sabia que enquanto estivesse com ele, eu iria estar feliz e seguro.

Foi uma surpresa quando sua moto parou na frente de uma farmácia qualquer e ele comprou band-aid, cotonete e algum tipo de remédio que eu não soube identificar. Ele cuidou do meu machucado e me repreendeu, mas surpreendentemente não disse mais nada depois que eu confessei que luto por dinheiro. Mas estava nítido em seus olhos o descontentamento.

 

Depois ficamos rodando em sua moto por mais algumas horas. Mas dessa vez eu me deixei apoiar minha cabeça em suas costas. Estas que incrivelmente estavam mais confortáveis que o normal.

— Sou apaixonado por você — ele diz, repentinamente em meio ao trânsito.

Queria dizer que meu coração não estava aquecido e tocado, mas Jimin sempre tinha um jeito de fazer meus batimentos acelerarem rudemente.

— Eu também sou apaixonado por você.

Minha resposta saiu no tom mais seguro que eu poderia usar.

 

 

 

Entregue.

Ele diz com um sorriso brilhante assim que saio de sua moto. Suspiro fundo e apenas sorrio timidamente, mas não passa despercebido por mim que de algum jeito ele chegou até a casa de Jin hyung sem precisar que eu dissesse o endereço. Eu poderia perguntar. Só não queria.

— Obrigado.

Entrego seu capacete e fico encarando seu rosto por um bom tempo, até ele começar a rir e questionar.

— O que foi?... Está me achando bonito?

Então uma vergonha desconhecida sobe até meu peito, me fazendo rir de nervoso.

— Não é isso, seu idiota — nego ainda rindo.

— Então o que é?

Ele sorrateiramente se aproxima e passa seus braços ao redor do meu corpo. Me abraçando sem vergonha alguma.

— Amanhã é domingo… — abraço seu corpo também antes de continuar meu pedido vergonhoso e indireto — E eu não vou fazer nada. Sério, só vou ficar em casa…

Então eu percebi que deveria criar um pouco mais de coragem se queria pedir aquilo mesmo.

— Jimin, eu quero que você passe à tarde lá em casa e… Err, pode vir cedinho mesmo. Aí nós podemos almoçar juntos.

 Ele está rindo. Esse idiota está rindo como se eu tivesse acabado de falar alguma coisa engraçada. Mas nada se compara ao selinho que ele dá em meus lábios logo depois que para de rir.

— Ok. Eu só vou porque você pediu muito.

E então eu também começo a rir porque ele é muito idiota.

— Eu vou te esperar — falo beijando seus lábios rapidamente — Preciso entrar.

— Ah não, não vai — ele pede fazendo um bico emburrado que, pra mim, é extremamente fofo.

— Eu preciso. Tá ficando tarde e eu não vou dormir aqui, só preciso conversar com o Jin e depois vou pra casa.

— Ah sim. Então se for assim eu te deixo ir.

Ele se afasta sorrindo com aquele sorriso bonito que só ele consegue dar. Assim que sobe na moto e me encara, eu sinto um aperto estranho no peito, parecido com saudade. Ele sorri novamente e me chama com uma das mãos.

— O quê? — murmuro divertido.

— Vem aqui. Quero te contar uma coisa.

Solto um suspiro profundo e caminho em sua direção. Assim que me aproximo, eu abaixo meu rosto o suficiente para ficarmos cara a cara. Ele me encara profundamente, mas não diz nada. Quando menos espero seus lábios se grudam no meu. É muito rápido.

 

Em um piscar de olhos ele já havia ido embora e eu acabei entrando.

 

Agora estou aqui sentado na cama de Jin hyung, com seu olhar mortalmente sério em minha direção.

 

— Desde quando?

Sua voz é calma. Ele não parece irritado, seus olhos assumiram um ar curioso. Eu sei sobre o que sua pergunta se refere, mas prefiro me fazer de desentendido.

— Desde quando o quê?

— Desde quando você e o Jimin ficam se agarrando daquele jeito?

Era vergonhoso tê-lo como hyung. Se bem que por um lado poderia ser maravilhoso ter uma pessoa cem por cento sincera como Seokjin. Mas acho que eu ainda não estava totalmente acostumado com sua sinceridade.

— Hyung! Não é bem assim — sussurro envergonhado.

— Claro que sim! Vocês estavam se roçando e se beijando como se não houvesse amanhã… Jungkook, o que deu em você?

Por que de repente todos meus amigos estão me fazendo sentir tão errado?!

— Eu gosto dele, hyung. Eu gosto muito, muito… De verdade, muito mesmo.

Então seus olhos se arregalam e ele se senta ao meu lado, com uma mão na minha coxa e a outra na própria cabeça. Ele parece assustado.

— O Jimin é a primeira pessoa que você gosta… Ele é a primeira pessoa que você beija… Você parece gostar muito dele…

Prendo a respiração, esperando suas próximas palavras. Já me preparando mentalmente para ser repreendido por palavras duras assim como eu ouvi vindo de Taehyung... Mas não acontece... Não como eu esperava.

Ao invés de uma reação negativa, ele sorri e me abraça.

 — H-Hyung…

— Eu estou muito feliz por você, Jungkookie!

Eu definitivamente não estava esperando.

E devo ser muito idiota, porque depois ele ficou me encarando por vários minutos, já que eu simplesmente não conseguia dizer mais nada.

— Eu não sei o que dizer hyung.

E era nada menos do que a verdade porque as palavras realmente haviam fugido. Talvez fosse o susto. Sim, só devo estar muito surpreso.

— Nada. Você não precisa dizer nada.

Desastroso. Hyung tinha me explicado o significado dessa palavra e eu acho que era exatamente essa a sensação, porque estou com muita vergonha mesmo.

— Foi sem querer hyung, sério. Ele que começou tudo isso, eu nem queria, Juro! Tentei dizer pra ele que o que eu sentia não era igual, mas aí eu não podia mentir porque já estava sentindo alguma coisa diferente sim, porque um dia antes ele me beijou. Mas não foi minha culpa.

Então é isso? Estou automaticamente pedindo desculpas por algo que eu não sei se é totalmente errado. Do que estou com medo?

— Tudo bem, eu não estou te culpando. Fica calmo, não precisa se explicar.

Ele ri. Seokjin ri do meu desespero.

— Mas é constrangedor — murmuro.

— Sim, é um pouco, mas vai dar tudo certo, eu acho. Na verdade… Eu espero que dê tudo certo.

É um sussurro baixo, mas audível. Meu rosto esquenta um pouco, mas não posso deixar de questionar.

— Por que não ficou irritado?

— Eu? Por que eu ficaria? — questiona.

— Porque Taehyung ficou.

Ele aperta os lábios e olha para um ponto qualquer na cama.

— Ele ficou? — murmura.

Seu rosto se torna levemente vermelho enquanto suas mãos mexem nas mangas de sua camisa. Parece nervoso.

— Aham. E ainda me falou mais uma vez sobre aquele tal amigo dele que o Jimin magoou.

— Ah, sim, entendo… Mas eu e Tae somos totalmente diferentes. Eu acho que as pessoas mudam com o tempo, já ele não acha isso... Não liga para as coisas que ele disse.

Suspiro fundo com suas palavras. Elas realmente vieram em uma boa hora e confortaram meu coração.

— Obrigado hyung.

Eu o braço apertado enquanto suas mãos acariciam meus cabelos. Seu riso nasalado faz cócegas na minha nuca.

— Eu estou namorando… Namorando com o Namjoon — ele conta.

De todas as novidades que eu poderia esperar saindo da boca dele… Essa definitivamente não era uma delas. Não consigo acreditar ou pensar em alguma boa palavra para parabeniza-lo.

— Isso é verdade? — o afasto para encarar seu rosto animado.

— Claro que sim!

— Como?

 

E então para me explicar, ele nos faz deitar em seu colchão macio. Ainda era muito fora da realidade para fazer algum sentido. Eu nunca poderia imaginar. Mas depois de um tempo pensei comigo mesmo; Parando para analisar calmamente todos os olhares e palavras que eles dois trocavam… Estava na cara!

 

Eu sou um lerdo! Jeon Jungkook é o mais disléxico e lerdo desse mundo.

 

O que mais pode estar se passando bem diante dos meus olhos que eu ainda não consigo ver?

 

 

 

{...}

 

— Mãe, eu posso dormir aqui hoje?

 

Infelizmente quando cheguei ela ainda estava acordada, me esperando na sala. Não era frequente, mas acho que talvez algum sentido tenha sido ativado dentro dela. É claro que ela brigou por ser tão tarde e por ter notado o band-aid no meu lábio, mas não questionou sobre, apenas me mandou ir tomar banho. E agora estou aqui batendo na porta de seu quarto, pedindo para que me deixe dormir em sua cama.

— Vem logo. Está tarde.

 Respiro profundamente, me aproximo da cama ainda hesitante e em seguida deito ao seu lado. Suas mãos me cobrem com o cobertor e seu corpo se aconchega no meu.

— Desculpa — peço.

— Tudo bem… Só não quero que volte tão tarde. Está fazendo isso com cada vez mais frequência.

Ela tem toda razão. Suspiro pesadamente e abraço seu corpo. A respiração dela está calma, não parece irritada.

— Eu saí com uma pessoa e depois fui pra casa do Jin — sussurro.

— Ah, sim.

O silêncio se estende por alguns minutos. Mas ela ainda não está dormindo.

— Essa pessoa que você saiu… É a pessoa que você gosta?

Prendo o fôlego por um segundo. Penso seriamente se devo omitir a resposta pra sua pergunta, mas meu peito aperta e eu concluo que devo contar a verdade.

— Sim. É a pessoa que eu gosto.

— Que bom… Acho que irei adorar conhecer essa pessoa quando você quiser me apresentar.

Ela já conhece. Será que ainda adoraria se soubesse que essa pessoa é o Jimin? Acho que não. De repente a novidade de Jin vem a minha mente.

— Jin hyung está namorando — sussurro fazendo-a sorrir.

— Que ótimo… Namorando mesmo? Ou como da última vez?

Minha mãe sabia que Jin gostava de homens, sabia também que ele sempre dizia “namorar”, mas não era nada oficial porque os pais dele nunca souberam que era homossexual. Ela sabia e não tinha nada contra.

— Não, dessa vez é de verdade. O garoto pediu para os pais dele e tudo mais…

Talvez esse sentimento no meu peito fosse um pouco de inveja mascarado por atrás da felicidade por eles. Os pais de Jin aceitaram, minha mãe aceitaria se soubesse que eu gosto de garotos, ou que esse garoto é o Jimin?

— Estou muito feliz por ele! — ela diz.

— Mãe… — chamo sua atenção, ainda um pouco hesitante.

— Sim?

Eu queria perguntar de forma direta, mas o batimento acelerado do meu coração não deixou que eu fizesse a pergunta exata.

— Se… Se eu também gostasse de uma pessoa que nem eu, o que a senhora acharia?

— Como? — ela parece confusa.

— Sabe... Eu, Jeon Jungkook. Se eu gostasse de alguém do meu tipo?

Ela me encara com seu semblante confuso por alguns segundos, mas logo suas bochechas se tornam visivelmente vermelhas, até mesmo no suave escuro do quarto. Aí eu me dou conta de que ela entendeu o que eu quis dizer.

— Se gostasse de meninos... É isso que quer dizer?

Agora as bochechas que provavelmente estão vermelhas, são as minhas. Pisco algumas vezes antes de finalmente criar coragem para responder.

— Sim. Era isso o que eu queria perguntar… Não que seja o caso — emendo antes de continuar — Mas eu queria saber.

Alguns minutos de silêncio se estendem antes de ela sorrir e me abraçar.

— Eu acharia que não tem problema. Se você estiver feliz, eu também vou estar. Não importa de quem você gosta, o coração é seu e a vontade é sua… Eu vou estar sempre aqui, você é a pessoa que eu mais amo nessa vida e eu só quero que você seja feliz. Independente de todas as escolhas que fizer.

Chorar. Essa é minha vontade. Apesar desse sentimento estranho no meu coração não ter uma definição, eu estou feliz. Talvez seja só isso mesmo: Felicidade.

— Eu te amo muito.

Falo enquanto a aperto um pouco mais. Eu só quero sorrir, abraçar ela e sorrir mais um pouco. Talvez chamar o Jimin e abraçar os dois ao mesmo tempo.

 — Meus Deus! Você é muito forte. Está me sufocando — ela diz, me fazendo rir.

Solto seu corpo e me viro para encarar o teto, ainda com um grande sorriso estampado no rosto. Aposto que Jimin ficaria tão feliz…

— Mãe — chamo.

— Hm?

— Jimin vem almoçar aqui amanhã, tudo bem?

Seus lábios se curvam e ela abre um sorriso completamente encantador.

— Sim! Será ótimo! — ela responde animada.

É muito bom ver que os dois se dão bem. Ainda mais quando não fiz nem um esforço para tal. Minha mãe apenas gostou dele e ele dela... Talvez seja o destino. Eu poderia listar todos os momentos legais e especiais que nós três já tivemos juntos, mesmo que em tão pouco tempo. Se continuar assim, talvez não demore tanto para que eu conte que a pessoa que gosto, é ele.

 

 

 

 

.

 

.

 

{...}

A manhã começou com um clima incrível. O sol se escondeu e o vento deu o ar de sua graça assim que abri as janelas. Eu estava animado. Talvez por ainda estar pensando na conversa que tive com minha mãe na madrugada, ou talvez por estar ansioso à espera de Jimin.

Tinham muitas coisas boas acumuladas dentro de mim. Eu só queria compartilhar tudo com ele.

.

Minha mãe e eu tomamos café, arrumamos a casa e fomos assistir a um programa de culinária qualquer que estava passando na televisão. Fizemos algumas receitas que a apresentadora ensinou, e o almoço finalmente ficou pronto. Jimin ainda não havia chego e eu impressionantemente estava sem fome.

 

— Ele ainda vai vir?

Pergunto a mim mesmo enquanto vejo minha mãe subir as escadas, provavelmente indo para o seu quarto. Penso em ligar para ele, mas aí lembro que deixei meu celular em cima do meu travesseiro, no quarto.

— Ok. Eu vou lá — suspiro pesadamente antes de levantar do sofá.

Caminho até as escadas, mas paro no começo dela assim que escuto batidas na porta. Meu coração acelera e eu sei que só pode ser ele. Praticamente corro até a porta, mas me contenho assim que chego até lá. Respiro fundo, arrumo minha blusa e abro a porta.

— Meu estômago vai comer minha barriga.

Jimin diz, me fazendo rir assim que abro a porta para que entre.

— Você demorou — falo fechando a porta em seguida.

— É verdade. Eu demorei porque tive que levar o Adidas no veterinário — explica beijando meu rosto em seguida.

— Não faz isso — repreendo enquanto sinto meu coração acelerar uma batida.

— Desculpa — pede rindo.

— Tudo bem. Vamos para o meu quarto, preciso te contar uma coisa — murmuro animado, segurando sua mão e logo o puxando para perto de mim.

— Também tenho uma coisa pra te contar.

Paro no caminho e viro meu corpo para encara-lo.

— O que é? — questiono curioso.

— Lá em cima eu te conto.

Ele responde piscando um dos olhos na minha direção, me fazendo rir como um idiota. Eu apenas concordo e subo com ele.

Não sei se já era sua intenção, mas assim que entramos no quarto, ele me beija. Park Jimin me beija sem anúncio ou indício de que iria me beijar. Ele apenas faz.

 

— Você é um idiota — sussurro assim que nos afastamos.

— Eu sei que sou — admite com um sorriso convencido — Mas você também é um idiota.

— Ok, eu também sou, admito. Senta aqui — peço rindo, enquanto sento na cama e o puxo para sentar ao meu lado — O que queria me contar?

— Não! Primeiro você conta, já que falou primeiro.

Ele tem razão. E não tem por que esperar, já que fiquei ansioso a madrugada e a manhã toda para contar pra ele. Então eu apenas concordo e continuo.

— Ok, eu conto — respiro fundo e prossigo — Ontem perguntei pra minha mãe o que ela acharia se eu gostasse de meninos — sussurro um pouco constrangido.

— E…? — ele questiona com seu semblante parecendo um pouco surpreso.

— Ela disse que não tinha problema… Eu não falei de você, mas agora já sei que posso gostar de quem eu quiser. Eu posso gostar de você sem medo.

Nossos olhos se mantêm conectados um ao outro. É difícil explicar todas as expressões que se passam pelo rosto dele assim que eu termino de falar. Mas aquece meu coração e acelera meus batimentos assim que ele abre seu sorriso, que é mais brilhando que qualquer uma das estrelas que ficam no céu à noite.

— Eu adoro a sua mãe.

Ele confessa antes de voltar a me beijar, mas dessa vez meu corpo automaticamente se deita no colchão, o fazendo cair por cima de mim. Suas mãos apertam meus braços, enquanto as minhas deslizam sobre sua cintura. Tento mover meus lábios de acordo com os seus, mas confesso que no momento meu maior interesse é gravar com minhas mãos todas as suas curvas suaves.

— Estou ficando sem ar — ele confessa assim que se afasta e se deita ao meu lado — Isso é muito bom pra nós dois, Jungkook-ah.

— Aham — concordo com um sorriso bobo no rosto — E o que é que você tinha pra me contar?

Viro meu corpo e deito minha cabeça em seu peito, conseguindo enxergar seus olhos fechados e sua expressão serena. Ele me encara assim que escuta minha pergunta.

— Ah, é verdade — concorda e beija minha testa gentilmente — Eu tava pensando comigo mesmo lá em casa nos últimos dias e… Você quer encontrar seu pai, não é?

Meu pai? Respiro fundo e sento na cama novamente, ele faz o mesmo. Nossos olhos se cruzam e ele sorri.

— Sim, é claro que eu quero! É tudo o que mais quero — respondo sentindo um estranha queimação no peito.

— Que bom! Então eu vou te ajudar. Conheço um cara que é um dos melhores investigadores do país e…

— Para! — interrompo já sentindo aquele pequeno desconforto, seguido de uma irritação repentina.

“Investigador”? “Ajuda”? É claro que eu já tinha ido atrás de investigadores antes. E é claro que eles não são baratos.

— Jimin, esses investigadores são muito caros. Eu não preciso que você gaste dinheiro!

— Mas é uma ideia ótima, você vai achar seu pai mais rápido. Eu vou lá e contrato ele…

— Não! Eu não preciso que gaste seu dinheiro comigo! Eu não quero que gaste seu dinheiro com isso!

Interrompo mais uma vez. Me sinto irritado, totalmente frustrado e com uma vontade enorme de manda-lo ir embora.

— “Dinheiro”? Não é questão de dinheiro, Jungkook! Não tem nada a ver com a droga do dinheiro! Eu quero ajudar você… Por que não me deixa fazer nada por você?!

Agora quem parece frustrado é ele. Seus olhos estão sérios e parece bastante ofendido. Não sei se fui muito duro, mas por incrível que parece, comecei a me arrepender por ter sido ignorante.

— Desculpa… Eu sinto muito.

Peço enquanto enlaço seu pescoço com minhas mãos. Aproximo meu nariz de sua pele e inalo seu perfume.

— Tudo bem. Mas me chateia ver que você não aceita minha ajuda. Eu não estou jogando dinheiro na sua cara, tô oferecendo ajuda. Lembra de uma coisa; antes de estarmos juntos, eu sou seu amigo.

Realmente paro pra pensar nas palavras dele. Jimin é a pessoa que eu gosto e é super normal que ele queira me ajudar. Então o que custa aceitar a ajuda dele?

— Vai ficar feliz se eu aceitar? — sussurro beijando o canto de seus lábios.

— Você vai aceitar?

— Bom, se eu conseguir encontrar meu pai e se me ajudar é uma coisa que te deixa tão feliz assim… — deixo minha frase em aberto enquanto o abraço apertado.

— É claro que vamos encontrar ele, agora mais do que nunca... Você aceita?

Durante todos esses anos meu maior desejo sempre foi encontrar meu pai, então...

— Sim, eu aceito.

Se eu conseguir encontra-lo, ou se ao menos conseguir falar com ele... É claro que todas as lacunas vazias da minha vida serão preenchidas.

— Jungkook...

— Hm?

Seus braços me afastam e seu semblante se torna sério.

— Tenho mais uma coisa pra te contar.

Suas mãos se juntam as minhas e seus olhos se direcionam diretamente sobre elas, encarando como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Aí tem coisa.

— O quê? O que foi?

— Hm, lembra daquele dia em que meu pai me bateu?

Eu sinto que é difícil pra ele falar sobre. Parece extremamente desconfortável.

— Lembro — respondo pressionando suas mãos com as minhas.

— Então... Naquele dia eu disse pra ele que gosto de homens também.

Não faço ideia do que dizer. Se fosse em outro momento, se ele estivesse com outro tipo de expressão, eu poderia estar feliz e comemorando. Mas ele parece constrangido com o que está dizendo.

— Por isso ele te bateu?

Minha garganta seca enquanto pergunto. Não sei como foi que aconteceu, mas eu desejaria estar lá para protegê-lo.

— Hm, err... Em parte foi por isso.

“Em parte”? O que ele quer dizer? É impressão minha ou seu rosto ficou corado?

— Como assim?

Não é como se ele quisesse me responder realmente, mas sua boca se abre e fecha como se fosse dizer algo.

— Ele descobriu sobre um garoto que...

Então sua fala é interrompida pelo toque do seu próprio celular. Ele olha para o bolso da jaqueta e bufa irritado.

— Pode atender —sussurro.

— Tem certeza? — ele hesite.

— Tenho — respondo abrindo um sorriso terno.

Ele hesita mais um pouco, mas por fim acaba atendendo na minha frente. Sua expressão escurece quase que de imediato antes de começar a falar.

Não... Saí, não sei que horas volto — ele suspira profundamente contra o celular — Não é da sua conta!

Me sinto desconfortável. Tento agir naturalmente, como se ele não estivesse na minha frente, mas é inevitável ignorar quando sei que está discutindo com a pessoa que está do outro lado da linha. Mas aí ele se levanta. Se levanta e vira de costas pra mim.

Eu não vou nesse encontro... Ela vai ficar esperando o dia todo!

Essa é a última coisa que ele diz antes de desligar o telefone.

— Encontro? — murmuro baixinho.

“Encontro”? Talvez seja um encontro com a avó, ou talvez com a mãe a até mesmo com o próprio pai. Mas o mais importante é que logo depois de ouvir mais algumas palavras pelo telefone, ele desligou e se virou para me encarar.

— Eu tenho que ir.

Essas são suas palavras. Estou ouvindo atentamente a tudo que diz, e consigo ver perfeitamente que sua expressão não é exatamente a de alguém que quer ir embora.

— Tá tudo bem?

Me sinto no direito de perguntar, estou preocupado e curioso.

Seu rosto suaviza imediatamente e em poucos segundos abre seu sorriso tranquilizador.

— Sim, meu pai só é muito chato e é melhor não contrariar ele.

— Ah sim... Então você já vai mesmo?

— Sim, eu preciso — sussurra me abraçando suavemente.

Eu realmente não queria que fosse embora, mas me conformei por ser um assunto de família. Descemos as escadas de mãos dadas, mesmo que ele estivesse vindo atrás de mim. Um sentimento reconfortante acariciou meu peito quando paramos na porta aberta e ele segurou meu rosto e beijou meus lábios.

— Queria ter visto sua mãe — comenta enquanto acaricia meus cabelos.

— Ah, então você pode ver ela amanhã quando voltarmos da escola.

Nós dois ficamos em silêncio. Ele provavelmente entendeu meu pedido para que venha pra minha casa amanhã depois das aulas. Suas bochechas assumem um tom rosado muito bonito. Ele todo é muito bonito.

— Ok. Eu venho pra sua casa amanhã.

É um sussurro suave, meu peito se aquece. Eu realmente não queria que ele fosse embora agora. Mas como algumas coisas não são tão perfeitas, ele me abraça uma última vez antes de finalmente ir.

 

Um sentimento de algo vazio se instala no meu corpo assim que sento no sofá e ligo a televisão. Paro pra pensar em todos os momentos que tive com Jimin. É confuso, estou confuso. Por que gosto tanto dele? Não é como se eu o amasse realmente, não é? Ou será que Tae tinha certeza quando afirmou que o amo?

 

Meus pensamentos são interrompidos quando escuto a campainha da porta tocar. Meu coração acelera e um sorriso se abre involuntariamente no meu rosto.

Será se Jimin resolveu ficar?

Abro a porta e não consigo evitar ficar decepcionado ao ver Jay.

— Oi? — ele cumprimenta.

Por que ele está aqui?

Como sabia onde eu moro?

— Oi — cumprimento de volta.

— Posso entrar?

O silêncio se instala entre nós, mas logo dou espaço para que entre na minha casa. Ele se senta no sofá enquanto eu fecho a porta.

Respiro profundamente antes de virar para encara-lo.

— O que você...

— Podemos conversar?

Ele me interrompe. Por alguns segundos fico sem saber o que responder, mas acabo concordando com um aceno positivo e me sento no sofá também.

— Sobre o quê quer conversar? — questiono baixo, mas audível.

— Quero te pedir um favor.

Eu o encaro por longos segundos antes de decidir algo. Apesar de não gostar dele, Jay ainda é amigo de Jimin.

— Que favor? — sussurro.

Quero que deixe o Jimin.


Notas Finais


Eu adoro um Jungkook evoluindo como um pokémon sentimental *////*. Espero que tenham entendido todos os sentimentos que ele está descobrindo ter atualmente, mas qualquer dúvida é só me questionar que eu irei responder com todo amor e carinho ♡

Pra quem não sabe, antes de ter dado essa pausa eu postei um jornal no meu perfil. Confesso que eu não estava tão bem psicologicamente e fisicamente. Mas com a ajuda das pessoas do meu convívio e com as mensagens maravilhosas de vocês, eu consegui me recuperar. Então mais uma vez eu agradeço a todos do fundo do meu coração por não terem desistido de mim e nem das minhas fanfics, vocês são maravilhosos, os melhores leitores que alguém poderia ter ♡

Mas essa nota não é só para agradecer, eu também queria compartilhar o perfil de Dead Inside com vocês.

Bom, fazer perfis e roteiros é uma coisa íntima minha que me mantém ainda mais próxima das minhas fanfics e permite que eu não me perca na estória, e por isso eu tinha vergonha de até mesmo PENSAR em divulgar os perfis com vocês, mas hoje eu me sinto bem mais segura pra me permitir fazer isso.
Se lembram que eu contei que tinha perdido todos meus roteiros e perfis no docs? Eu consegui refazê-los com ajuda da minha agenda (eu anotava tudo lá).
E como um presente em agradecimento aos 4k de seguidores, eu vou compartilhar o perfil da minha fanfic com vocês ---> https://drive.google.com/file/d/1EnkjIQ0XvBNFvyrtnXxXgqG9VuXJSIhI/view?usp=sharing
Tentei fazer tudo com carinho, é simples, mas é assim que são os meus perfis, espero que tenham gostado ♡ (se quiseram comentar o que acharam do perfil, fiquem a vontade).

Qualquer coisa, se você quiser ver o perfil das minhas outras fics que estão em andamento, é só vir no meu jornal --> https://www.spiritfanfiction.com/jornais/gift-profiles-13888099 e acessar os links.

(Como vocês podem ver no título, Dead Inside ainda está sendo revisada, então qualquer erro que você achar nela, não hesite em me mostrar ^•^)

♡ Beijos, senti muitas saudades ♡ ♡

Até a próxima atualização ♡


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