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História Dear Diary: Tempos Sombrios - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O Anjo e o Demônio


Um milhão de pensamentos, um milhão de histórias para contar, um milhão de lágrimas que derramei e nenhum um pouco de piedade em mim. Já se fazem três semanas desde que eu descobri que o garoto que eu mais amei nessa vida, a pessoa pela qual eu entregaria minha vida, o motivo que eu acordava sorrindo todos os dias me traiu, me usou, me manipulou.
Agora o ódio e a tristeza invadem meu coração. Aquela paz que eu sentira quando eu estava ao lado dele já não existe mais.

Ele é um anjo, um nefilim, metade anjo metade mortal. E o simples fato de ele ter se relacionado comigo só para conseguir o que queria me destrói por dentro. Me corrompe.
Hoje sou um lamaçal de desgraça e escuridão. Meu sangue está correndo em círculos como um trem de brinquedo. Agora eu sou como uma foto perfeita em uma moldura quebrada e eu sei exatamente a quem culpar.

Eu nunca pensei em mim mesmo como vilão, eu sempre achei que eu fosse ser o mocinho. Mas agora não há meio termo. Por que se eu quero eu vou ter isso, eu quero vingança e eu a terei. Agora há um diabo em meu ombro onde um anjo costumava ficar.
Meu antigo eu costumava ser bonzinho, mas me usaram pela última vez. E agora eu prometo a mim mesmo que ninguém nunca mais irá tirar vantagem de mim. Se eles querem um vilão como rei, então eu serei algo que eles nunca virão antes.
Aqui no meu quarto, eu planejo cada detalhe, contemplo cada derrota, invento cada momento.
Noah Urrea vai pagar com o sangue dele. E isso qualquer um daria para ter.

E principalmente, não. Eu não faço questão de ter alguém do meu lado, depois do Noah eu nunca mais vou conseguir me entregar à um relacionamento e muito menos confiar.
Beijos de ficção já não valem nada. Eu prefiro estar sozinho do que estar mal acompanhado.
Minha mãe bate na porta e abre.
Mamãe p.v.o
- Filho? Você não vem para o café? Não vai a aula hoje de novo?
Eu me levanto, sentando na cama.
Rick p.v.o
- Sim, eu já desço. E sim, vou a aula dessa vez.
Mamãe p.v.o
- Deus seja louvado. Você já perdeu três semanas de aula, filho.
Rick p.v.o
- Eu sei. Mas a senhora sabe que vai doer muito pisar naquele lugar.
Ela vem até mim e me abraça.
Mamãe p.v.o
- Sim, eu sei que tudo isso te fere muito, mas, você precisa dar a volta por cima, você precisa mostrar para ele que você só ficou mais forte. Você não pode se dar por vencido. Você precisa ser forte agora, tudo bem? Eu prometo estar aqui sempre e sempre que você precisar...
Ela me beija na testa.
Rick p.v.o
- Eu sei. Eu te amo, obrigado por ser a melhor mãe do mundo.
Ela sorri e fecha a porta. 

Entro numa ducha gelada e deixo que a água me purifique limpe não apenas meu corpo físico, mas meu espírito também. Uma lágrima cai e se perde em meio a tantas outras gotas de água caindo na laje do banheiro.
Eu me sinto renovado, me sinto pronto para suportar todo essa tormenta que vem pela frente. Toda essa tempestade de decepção e mágoa.
Eu sei exatamente o que dizer para ele,  sei exatamente o que fazer. Eu me isolei em casa por três semanas por um algum motivo. Felizmente, meus amigos vieram me visitar, estavam preocupados comigo mas a visita deles foi reconfortante para mim. Huggie e Saby são os melhores amigos que eu já tive, eles sim merecem meu amor e amizade. Eles são o maior e real motivo de eu estar voltado para aquela prisão infernal.

Termino no banho e escovo meus dentes. Encaro meu reflexo por alguns segundos no espelho. Visto a roupa mais gótica possível. Minha calça rasgada PRETA, minha camisa de caveira PRETA, meu All Stars PRETO e coloco um casaco PRETO na mochila.
Pego um pouco de óleo de coco e penteio meu cabelo para trás. Passo meu perfume mais azedo, meu creme de pele apenas nos braços e desodorante nas axilas.

Desço até a cozinha e minha mãe dez waffles. Waffles com mel. Assim como os de Noah. (Como eu disse tudo me lembra ele).
Respiro fundo, me sento a mesa e como os waffles devagar enquanto bebo chocolate quente. Mergulho u mirtilo no creme de leite e levo até a boca.
Mamãe p.v.o
- Então, como está?
Rick p.v.o
- Falta um pouco mais de melado.

Me estico para pegar um spray de mel. Por falar em mel onde está Melanie?
Mamãe respira baixo...

Mamãe p.v.o

- Me refiro à você, não aos waffles.
Rick p.v.o
- Sendo assim, muito bem.
Eu sorrio falsamente para ela.
Mamãe p.v.o
- Tem certeza de que quer ir hoje?
Rick p.v.o
- Sim, eu consigo...

Pego minha mochila em cima da mesa, coloco meu celular no bolso e pego o lanche. Dou um beijo em minha mãe.
Mamãe p.v.o
- Tchau, filho.
Rick p.v.o
- Adeus.

Eu acordei cedo então meu pai poderia nos levar à escola. Ele ia ficar fazendo milhares de perguntas sobre basquete e outros esportes, mas tudo bem. Eu já passei por coisas piores. Ele já está lá no carro me esperando. Entro e Melanie entra logo em seguida.
Papai p.v.o
- Prontos?
Eu e Melanie balançamos a cabeça no mesmo instante.
Chego a escola e aceno para meu pai.

Pelo simples fato de eu estar pisando no lugar onde tudo começou minhas mãos soam frias como neve, meu coração bate rápido como se fosse explodir, sinto um arrepio subir pela minha espinha. É a mesma sensação que eu sentia ao lado de Noah, mas dessa vez eu não sentia amor e sim dor. Eu torcia muito para ele não existir lá, para ele não vir a aula hoje, para ele mudar de escola e ao mesmo tempo eu queria que estivesse, eu o queria.
Mas algo em mim reprimia esse desejo. Se eu não consigo controlar nem o que penso e o que sinto. Quem dirá aquilo que faço ou digo. Eu tinha medo, medo de falhar, medo da minha voz falhar na frente dele, medo de gaguejar ou não conseguir conter o choro. Eu não quero passar a impressão para ele de que eu sou fraco, de que ainda sofro por ele.

Entro na escola e vou direto para o pátio. Tem poucas pessoas lá, então me sento num banco, num banco que eu não estava acostumado a me sentar com Noah. Quero evitar qualquer coisa que me lembre ele, mesmo que alguém faça isso despropósitalmente.
Pego meus airpods e coloco uma Playlist calma no Spotify.

Não demora muito e Huggie se aproxima de mim com a mão na boca, descrente de que voltei. Eu tiro os airpods me levantando.
Huggie p.v.o.
- Eu não acredito! Você voltou, quantas saudades.
Ele me abraça. Eu sorrio.
Rick p.v.o
- Eu fiz tanta falta assim aqui na escola?
Huggie p.v.o
- E como! Isso aqui tava parecendo um cemitério sem você. Ah, tô feliz por você estar de volta. Por que não me avisou que voltaria hoje. - Ele fala sentando-se no banco e eu me senti também.
Rick p.v.o
- Eu queria fazer uma surpresa. Cadê a Saby?
Huggie p.v.o
- Ela não vem hoje. Ela está fazendo os preparativos para a festa dela amanhã.
(Eu levanto a sobrancelha como quem não entendeu nada)
Rick p.v.o
- Festa?
Huggie p.v.o
- Amanhã é aniversário dela, lembra? Fomos na sua casa para te entregar o convite, mas você disse que não estava a fim de sair.
Rick p.v.o
- Mm-hmm, é claro que me lembro. Talvez eu vá sim...

Huggie pega um livro da mochila para ler.
Rick p.v.o
- E como vão as coisas aqui na escola?
Huggie p.v.o
- Muito bem, para ser sincero. As coisas estão mais pacíficas que o normal, chega a ser até agoniante.
Chegaram alguns alunos novos.
Os irmãos gêmeos cairam na nossa sala. E tem mais outra que se juntou as Skin's, mas ela parece ser legal. Só anda com elas por que é prima da Diarra.
Rick p.v.o
- Entendi...

O sinal toca e nós vamos para a aula. Meu coração dispara novamente com o receio de encontrar o Noah. Por alguma conspiração do universo ao meu favor eu não o encontro no corredor principal. Mas eu me lembro que somos da mesma turma na aula de biologia que por coincidência é nessa aula. Eu e Huggie somos os últimos a entrar na sala, e quando entramos todos ficam nos encarando. Ou melhor encarando a mim. Eu avisto Noah no fundo da sala, ele olha para mim fixamente. Meu coração quase para, tudo isso é demais para mim. Eu desvio o olhar de todos eles bem debochado. Me sento na cadeira discretamente e Huggie na minha frente. Ele se vira para mim e pega na minha mão.
Huggie p.v.o
- Você tá bem? Quer ir embora?
Eu respiro e inspiro.
Rick p.v.o
- Não. Eu vim até aqui e vou conseguir até o final.
Huggie p.v.o
- OK, se precisar de mim eu estou aqui.
Eu balanço a cabeça ainda.
Pego meus materiais e começo a escrever o que a professora passa no quadro.



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