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História Dear Insanity - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoal
Queria agradecer o carinho de vocês comigo e com a estória. Vocês são uns bolinhos.
Sem mais delongas, vamos lá.


Música: Ocean eyes - Billie Eilish

Capítulo 2 - Ocean eyes


Eu tinha mais uma aula naquele dia. Filosofia II. Um homem não muito mais velho que nós, com cabelo cacheado e que parecia um tanto assustado falava que a importância da filosofia está em sua inutilidade.

- A filosofia não nos ajuda no trabalho, ou em outros estudos, nem se quer podemos ganhar dinheiro com ela. Aí é que está. - Ele dizia. - A filosofia é importante por ser um momento no qual saímos da loucura e do stress do dia-a-dia e simplesmente refletimos. As coisas ‘inúteis’ existem para não permitir que sejamos levados à loucura pela nossa rotina.

Isso foi tudo que assimilei da aula de filosofia. Não anotei nada, nem sequer soube do nome do cara assustado de cachinhos. Não que a teoria dele não fosse interessante. Ele era uma daquelas pessoas que não aceitam a sociedade e o modo de vida que ela impõe. Mas em algum momento minha mente vagou para a aula anterior. Para ela.

Aqueles olhos escuros eram tão profundos que se alguém se fixasse neles por muito tempo poderia cair num abismo sem fim de onde nunca mais sairia. Aqueles lábios tão atraentes cobertos por um batom que parecia feito do mais vermelho sangue. Aquela voz rouca cujo timbre ecoava em minha mente como a mais bela e devastadora música, na qual eu sabia que me viciaria. Antes que eu pudesse perceber, a aula foi encerrada e meus colegas estavam se levantando e saindo.

Peguei minha mochila e esperei por Ruby e August, eles estavam guardando seu material, o meu nem tinha saído da mochila devido a uma morena que não saía do meu pensamento. Por fim, saímos da sala. Segui pelo hall com August e Ruby, e eles pararam para se despedir de mim.

- Tome cuidado loira. - Ruby sussurrou me abraçando, ela era sempre tão protetora comigo. Me tratava como uma irmã mais nova e frágil, como se eu fosse partir em um milhão de pedaços se ela não estivesse ali. E, sinceramente, a realidade não era muito diferente disso. Rubs era meu porto seguro. Sem ela, eu provavelmente não estaria aqui.

Acenei para August e enquanto eles foram para a saída principal, eu fui pro estacionamento. Subi em minha moto, coloquei o capacete e dei a partida. O vento frio da noite batia em meu rosto. Sentimentos confusos tomavam conta de mim, e embaralhavam meus pensamentos a cada quilômetro percorrido. No decorrer do caminho, o que era um sentimento de admiração se tornou um aperto em meu peito. Medo misturado com expectativa. A incerteza mesclada na esperança. Era isso que eram as famosas borboletas no estômago? Droga Emma, o que está havendo com você?

Vinte minutos depois, eu estava estacionando na garagem do meu prédio e subindo as escadas. O prédio tem elevador, eu só não gosto muito deles. Entrei no apartamento e joguei a mochila em algum lugar qualquer. Meu corpo, por outro lado, foi jogado no sofá.

Eu precisava pensar. Precisava me acalmar. O silêncio da noite e a solidão da minha casa eram coisas que eu amava. Apesar de ter apenas 19 anos, eu morava sozinha. Meus pais faleceram num acidente de carro há três anos. Eu estava saindo da escola com Ruby quando fomos abordadas pelos policiais. Eles não sabiam exatamente como me contar, mas eu era a única parente das vítimas que morava neste estado e teria que ser eu a identificar os corpos.

Foi a época mais difícil em toda a minha vida, apesar da minha amiga sempre estar comigo, a dor e a solidão eram devastadoras no início. Era como se uma parte de mim tivesse sido brutalmente arrancada e queimada. O que restou de meus pais foi uma casa enorme, uma gorda conta bancária e milhares de lembranças que traziam um vazio grande demais para preencher. E eu quis, acredite, eu quis usar todo e qualquer recurso para fazer aquilo parar. Eu quis beber, eu quis fumar, usar coisas que a internet dizia anular qualquer dor. Mas sabia que meus pais não iriam querer isso. E honrá-los, era a única coisa que eu poderia fazer. Ser a filha que eles esperavam que eu fosse.

Então eu me concentrei e me viciei em tudo e qualquer coisa que poderia me fazer parar de pensar. Livros, séries, conversas, filmes, eu precisava me manter ocupada, o tempo todo, só assim podia suportar. Era difícil dormir, os pesadelos me assombravam, me acordavam durante a noite, e pela manhã, eu estava mais cansada do que na noite anterior. A fome de leão que meus pais sempre descreviam desapareceu, por dois anos, Granny, a avó de Ruby e dona da melhor lanchonete da cidade, inventava os mais diversos pratos na esperança de que algum deles me chamasse a atenção. Eu comia pouco, me esforçava para agradá-la, era grata por todo aquele esforço, mas você também não iria conseguir comer se sentisse um redemoinho constante no estômago que pegava toda comida que entrava e mandava de volta para sua garganta.

Como disse antes, Ruby me salvava, todos os dias. Ela estava ali, ela me consolava quando eu queria chorar, me acalmava quando não haviam mais lágrimas e a dor se transformava em desespero e sempre, sempre me fazia rir. Era meu anjo da guarda.

Quando nos formamos no ensino médio, Ruby iria para Boston fazer faculdade, seus pais tinham um apartamento na cidade. E como eu não tinha mais nada e cada dia naquela casa era uma tortura, eu resolvi vir com ela. Comprei esse apartamento, relativamente perto do de Ruby, e entramos na universidade. Nós poderíamos morar juntas, eu sei, mas não posso ficar dependente dela assim, Ruby tem sua vida, não quero ser um fardo para ela. Me lembro de quando entramos na Universidade, Ruby queria medicina tanto quanto eu, mas Granny não poderia bancar todo o curso, então como agradecimento por cuidarem de mim, eu investiria no futuro da minha melhor amiga.

Não foi uma ideia bem aceita.

- VOCÊ NÃO VAI GASTAR SEU DINHEIRO COMIGO EMMA SWAN!

Mas eu era boa em argumentar.

- Eu só estou investindo em você, para que no futuro, eu tenha uma doutora particular cuidando de mim. Sabe que vou precisar de um psiquiatra. – E entre risadas e palavrões, ela acabou aceitando. Afinal, nós éramos uma família, e família ajuda uns aos outros.

Mas lembrar da faculdade me fazia lembrar de lábios vermelhos e olhos escuros que faziam as borboletas começarem um clube da luta no meu estômago. Ao olhar para o relógio, vejo que são quase meia noite e meus pensamentos começam a tomar uma velocidade incontrolável, bocas vermelhas e cabelos escuros não saem da minha cabeça, girando e se misturando àquela voz grave, não vou conseguir dormir assim. O chuveiro foi o escolhido para lavar Regina Mills de mim. A água escorria por meu corpo e eu esperava que Ela escorresse junto.

Ao sair do banho eu me sentia mais relaxada. Vesti uma calcinha e uma blusa grande e me deitei na esperança de que pelo menos dormindo, não pensasse nela. Depois de muito rolar na cama, adormeci. E para minha decepção, meus sonhos foram repletos e situações ilusórias onde eu estava num lugar apertado e não conseguia respirar, e Regina estava lá, apenas olhando. Por que ela não me ajudava? Não me tirava dali? Eu gritava por ela. Regina. Droga.

Acordei de um pulo, sem ar, meu corpo coberto de suor. O sol entrava pela janela enquanto eu enchia os pulmões com o ar que tinha me sido privado no sonho. Tomei outro banho tentando relaxar novamente. Essa morena vai ser meu fim.

Durante o dia seguinte, fiz o possível para manter minha mente ocupada. Organizei meus livros, as folhas e cadernos que eu usaria no semestre. Limpei o apartamento. Joguei videogames. Li livros. Tentei de tudo para não pensar um minuto sequer. Eu era boa em me distrair, mas o meu primeiro horário era dela hoje e meu estômago doía de ansiedade.

Me arrumei melhor naquele dia. Passei perfume até demais. Eu sei que ela provavelmente nem vai chegar perto de mim, mas é só uma precaução. O caminho até a faculdade foi feito tão rápido que me surpreendi por nenhum carro de polícia me mandar parar. Chegando na sala vejo pessoas que nunca vi ocupando os lugares em que eu costumava me sentar com meus amigos. Uma Ruby desconcertada acena para mim lá de trás.

Hey Em. – Me sento atrás dela depois de lhe dar um beijo na bochecha e August se senta ao meu lado, fazendo o mesmo com Ruby.

Regina inicia a aula, mas para por um instante olhando diretamente para mim.

- Miss Swan vai se sentar aí atrás? É claustrofóbica, certo? Não prefere colocar uma cadeira aqui na frente?

Meu queixo caiu e meu rosto esquentou, eu sabia que estava corando violentamente. Ótimo Emma, seja lembrada como a claustrofóbica.

- Na-não, tudo bem professora Mills, aqui está bom. - Eu consegui dizer miseravelmente.

- Certo, qualquer coisa me avise. - Ela respondeu e eu me derreti novamente.

Ninguém além de Ruby mostrava tanta preocupação comigo, não deste jeito. A aula se seguiu com a luta entre anotar o que aquela voz rouca e sensual dizia, olhar para os slides, e ignorar meus pensamentos em relação a ela. Eu descobri que eu me concentrava bem melhor se apenas olhasse para o caderno e anotasse. Assim a beleza dela não me distraía. Reuni o máximo de informação que pude.

E no fim da aula, fomos para o nosso amado telhado. Eu estava abrindo uma embalagem de chocolate quando ouço meu amigo.

- Encontrei a professora Mills na rede social. - Ao ouvir as palavras de August meu coração disparou como uma manada em fuga e um grito escapou da minha boca.

- Você o que?!

- Olha, o perfil dela. - Ele me entrega o celular e analiso o aparelho.

Que idiota que sou, por que não pensei nisso? A internet nos mostra quase tudo de todo mundo. Eu estive tão absorta em meus pensamentos que nem sequer pensei em conhecê-la melhor. Um desejo muito forte tomou conta de mim, e vi um universo de possibilidades se expandir a minha frente. Minha mente se bombardeou com perguntas. Eu queria saber tudo sobre aquela mulher. Qual sua cor favorita? Ela gosta de animais? Será que ela gosta de café tanto quanto eu? Que tipo de música ela ouve? De que filmes gosta? O que gosta de comer? Qual seu cheiro favorito? Por que ela era tão elegante o tempo todo? Ela tinha namorado?

Passei a aula seguinte, novamente do cara assustado de cachinhos, questionando e tentando adivinhar tudo sobre a minha professora. Enquanto eu pensava em qual seria a cor da escova de dentes da professora, o cara dos cachinhos encerrou a aula. Era sexta à noite e todos saíam apressados, se atropelando para os bares, que, por sinal, estavam lotados. Eu não sei como conseguiam, uma vez que todos que estudavam a noite tinham aula no sábado de manhã e teriam apenas algumas horas de sono.

- Vai comigo Ruby? - Eu perguntei a ela, tínhamos esse ritual de sexta ela dormir na minha casa e eu a trazia para a aula no sábado, afinal meu apartamento era mais perto do que o dela. Meu interior torcia para que ela aceitasse, eu precisava de distração.

- Vou sim Emma, só preciso ir no banheiro. – Ela disse me olhando através das mechas coloridas.

Fiquei no hall com August enquanto esperava por Ruby. Não me pergunte sobre o que August falava, pois no momento em que Ruby saiu para o banheiro, eu vi a Mills saindo da sala dos professores, desfilando sua beleza como sempre, indo para a saída principal e andando pela rua.  Como assim ela vai a pé? Ela não tem carro? Será que mora por aqui?  E minha mente foi novamente bombardeada com perguntas. Aquilo já estava me irritando, que obsessão é essa?

- Vamos Em? - Nem percebi minha amiga voltar. Ela saiu me puxando pelo braço e só consegui acenar para August.

- Tá legal, Emma. O que você tem? - Já estávamos no estacionamento e eu subia na moto enquanto ela colocava o capacete.

- Como assim? Nada Rubs, estou bem.

 

- Para loira, eu te conheço, você tá voando.

- Sobe logo lobinha. – Desconversei e ofereci a mão para ela subir.

- Huumm, tem coisa errada aí. - Ela disse, mas não insistiu. Se agarrou à minha cintura e saímos dali.

Ao chegarmos Ruby tomou banho e se deitou no sofá enquanto eu tomava o meu. Quando saí ela já cochilava em frente à TV ligada.

- Hey Rubs acorda.

- Hmm. - Ela só resmungou.

- Vai pro quarto, se não, quero ver você levantar amanhã toda torta assim. Vem. - A ajudei a levantar e a levei pro quarto de hóspedes. Fui pro meu quarto e me deitei, não consegui evitar os pensamentos me invadindo novamente. Que droga Ruby, era pra você me distrair.



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