História Dear Sammy, - Capítulo 31


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Categorias Malhação
Tags Giovanna Grigio, Griperti, Limantha, Manoela Aliperti
Visualizações 124
Palavras 3.808
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi amigos! Desculpem a demora... Capítulo triste + Eu na TPM... não tava dando muito certo rs...

Não sei se esse capítulo ta mt confuso, mas a partir do diário, a narração é da Lica. A Samantha vai imaginar o que aconteceu apartir do que ela lê no diário, então imaginem que a Lica está conversando com a Samantha...
É isso, Boa leitura.

Capítulo 31 - Rotina.


Samantha suspira devagar. Relê a página outra vez, conseguindo finalmente encaixar a única peça que faltava no quebra-cabeças que foi aquele dia.

Por 3 anos ficou se questionando o que teria acontecido para Heloísa lhe expulsar do quarto daquela forma. Porquê chorava daquele jeito. Samantha sabe o quanto aquela escola é importante para a ex-namorada. Lica não aceitaria dinheiro do colégio nem se fosse oferecido pelo avô, quem dirá pelo pai.

Para Samantha, saber que Edgar usava dinheiro da escola explicava muita coisa. Malu traindo seu pai? Isso era uma surpresa. Mas também explicava muita coisa.

A Lambertini sente um calafrio percorrer pelo corpo só de lembrar tudo o que aconteceu depois que Heloísa fechou a porta na sua cara. Como Samantha queria voltar no tempo. Faria tanta coisa diferente naquele dia. Tinha tantas saídas. Se ela não tivesse…

O celular da Lambertini toca, tirando ela de seus devaneios. É uma mensagem de Marina, avisando que passará para pega-la em 10 minutos. Samantha logo se apressa. Arruma o cabelo, escova os dentes, pega sua mochila.

Antes de sair, ela olha para o diário abandonado na mesinha de centro. Não hesita em pega-lo. Ela desce para a portaria. Senta na calçada para esperar por Marina. Olha para o diário, sentindo uma ansiedade estranha...

Foi bom relembrar todos os momentos incríveis com Lica. Mas agora vem a parte ruim de tudo isso.

Agora, ela está entrando em um mundo desconhecido...



Novembro de 2017.

Querida Samantha,

Já fazem duas semanas que você foi embora...

Eu estive relendo meu diário, procurando por alguma pista, algum segredo seu que eu tenha guardado aqui. Algo que pudesse me ajudar a descobrir onde você está, mas infelizmente… Não consegui nada.

Eu estive conversando com a Dóris sobre como você está me fazendo falta, e ela me disse que escrever para você poderia ajudar a me sentir melhor.

Bom, então… essas duas semanas foram meio complicadas. Vou te contar um pouco sobre como tem sido...



Eu acordei com o despertador tocando. Senti arranhões leves no rosto, antes dos latidos ensurdecedores. Abri os olhos lentamente, e me deparei com Arya segurando a coleira entre os dentes.

Resmunguei exageradamente.

Era sábado, e como você costumava levar ela pra correr aos sábados, essa função passou a ser minha.

Soltei um longo suspiro, cocei os olhos, e me sentei na borda da cama. Chequei meu celular, tinha inúmeras mensagens, mas nenhuma era sua.

– Bom dia, amor. — Beijei o porta retrato com sua foto, aquela que você me deu quando a gente completou um mês de namoro. — Bom dia, filha!

Acariciei os pelos do nosso bebê e me levantei.

Tomei um banho longo. Coloquei uma daquelas roupas ridículas de ginástica e preparei aquela vitamina horrorosa que você me obrigava a tomar.

Sério, Samantha, aquilo é ruim demais.

Tapei o nariz e tomei tudo num gole só. Arrumei a coleira na Arya, e nós saímos de casa pra encontrar com Benê no galpão.

– Como você está, Lica? — Ela me perguntou com aquela vozinha doce.

Eu soltei um longo suspiro antes de responder.

– To com fome, Benê. — Fugi do significado real da pergunta. — Que graça vocês vêem em correr, hein? — resmunguei enquanto alongava o corpo.

– Correr faz bem pro corpo, Lica. — Ela disse calmamente. — Correr ajuda a diminuir o estresse, e melhora a depressão. — Mordi os lábios desviando o olhar. — E tem inúmeros outros benefícios. — Eu apenas assenti.

Nós três começamos a correr, e vez ou outra eu tentava iniciar uma conversa com Benê, mas ela disse que não gostava de correr e conversar ao mesmo tempo. Mas... você me conhece, não é Sammy? Sabe que eu não aguento correr nem meio quilômetro...

– Vamos descansar, Benê. — Pedi, sentindo minhas pernas começarem a falhar.

– Ainda faltam 4 quilômetros, Lica. — Ela disse num tom repreensivo.

– Mas eu já to cansada. — Reclamei. Meu corpo todo já estava queimando. — Benê… Eu... não vou... aguentar. — Disse entre um suspiro e outro. — Vai você… Eu... te alcanço depois. — Parei no meio do caminho, me apoiando nos joelhos e tentando desesperadamente puxar o ar. Benê sumiu das minhas vistas sem nem se importar com o fato de que eu estava prestes a ter um ataque cardíaco.

Me recostei numa árvore. Arya deitou ao meu lado, descansou a cabeça na minha coxa e eu aproveitei pra fazer um carinho nela.

Ela estava sentindo muito sua falta, Sammy... Clara e Antônia estavam preocupadas com ela. E bom… Eu também estava.

Nós ficamos ali, encostadas na árvore, uma na companhia da outra. A manhã estava bonita. Ensolarada. A grama verdinha. O sol queimando nossos corpos na medida certa. Algumas pessoas estavam praticando suas atividades físicas. Outras estavam sentadas, apenas aproveitando o clima.

Eu soltei um último suspiro exagerado, conseguindo finalmente normalizar minha respiração.

Acariciei os pelos da Arya novamente, tentando passar algum conforto pra ela, quando uma lembrança me veio a cabeça.

Você consegue se lembrar da primeira vez que fomos correr juntas?


FLASHBACK.

Heloísa e Samantha corriam lado a lado. Arya corria na frente, apenas o tanto que a coleira lhe permitia. Não faziam nem cinco minutos que estavam no exercício e Lica já estava sentindo o cansaço bater.

– Sammy, Sammy! — Heloísa foi diminuindo os passos, ficando para trás.

– Não para, Lica! — Samantha reclamou, mas Heloísa parou no meio do caminho, sentindo as pernas fraquejar.

– Amor... eu… Eu não aguento. — Choraminguou ofegante.

– Heloísa! A gente não correu nem 1 quilômetro. — Samantha riu, enquanto corria no lugar.

– Eu não aguento nem mais 1 metro. — Heloísa choraminguou novamente. Arya latiu chamando a atenção da morena, enquanto pulava de um lado para outro. — Ai, filha, a mamãe ta cansada. — Lica disse num suspiro, encostando numa árvore. Samantha arregalou os olhos.

– Filha? — Perguntou surpresa.

– É, ué… — Heloísa arregalou os olhos, olhando para os lados. — Nós somos namoradas, né? — Samantha assentiu. — E nós vamos… nos casar… não é?

– Vamos… — Disse com cautela.

– Então! Eu sou a mãe dela também. — Samantha gargalhou, sentando ao lado da namorada. Arya latiu, pulando freneticamente.

– Calma, bebê. Eu e a mamãe estamos discutindo a maternidade aqui. — Heloísa gargalhou. A Lambertini puxou sua cachorra, liberando-a da coleira. — Pronto, voa gazela. — Mas ao invés de voltar a correr, o pet simplesmente descansou a cabeça sobre as pernas de Heloísa.

– Já da até pra ver de qual mãe ela gosta mais.

– Cala a boca! — Samantha empurrou os ombros da menina, mas sorriu com a interação das duas.

– Quantos anos ela tem? — Lica questionou.

– 3 anos!

– Só 3 aninhos, meu bebê? — A Gutierrez imitou voz de criança. — Que coisinha mais gostosinha, iti malia. — Samantha sorriu grande.

– Ela gosta de muito de você. — Comentou com um sorriso bobo.

– Você gosta de mim, menina? — Heloísa manteve a voz de criança, fazendo um carinho exagerado no corpo do pet. — Gosta? Gosta?

Samantha não conseguia tirar o sorriso bobo do rosto. Descansou sobre o ombro de Heloísa, observando a namorada brincar com sua fiel companheira. Tinha ali seus dois amores. O sentimento gostoso de conforto lhe atingiu em cheio.

– Ai, Heloísa... — Samantha suspirou apaixonada. — Se com a Arya você é assim, imagina quando a gente tiver filhos.

Heloísa arregalou os olhos assustada.

– Você já está pensando nisso?

– Não! — Samantha riu. — Mas não vou negar, te ver assim com ela me enche de vontade. — Heloísa sorriu.

– E quantos filhos você quer?

– Hum… Não sei. — Samantha estreitou os olhos pensativa. — Acho que três ta bom, né.

– Nossa casa vai ter que ser grande, hein. — Avisou. — Porque… abrigar três cachorros não é mole não. — Samantha abriu a boca, indignada.

– Eu estou falando de crianças, sua idiota. — Deu um tapa no braço de Heloísa que gargalhou. — E a Arya não vai ter filhotes.

– O quê? — Foi a vez de Heloísa se indignar. — Samantha, a Arya é uma das cachorras mais lindas do mundo. Você não pode privar ela de ter filhotes. — Disse indignada. — A gente vai procurar outro cachorro da mesma raça e cruzar os dois. — Cruzou os braços. Samantha negou sorrindo.

– E os filhotes vão ser todos nossos? — Heloísa assentiu. — E se ela der 6? — A Gutierrez mordeu os lábios, mas se manteve firme.

– Serão todos nossos!

– Ta! — Samantha recostou na árvore novamente, fechou os olhos, aproveitando o sol. — Mas vai ser você que vai pagar nossa casa.

– O quê?

– Imagina só, três crianças, seis cachorros, dois carros... — Ia contando nos dedos tranquilamente. — Vai ter que ter muitos quartos, uma garagem grande, um quintal enorme. A casa vai ter que ser maior que a das Kardashians. — Heloísa estava boquiaberta.

– D-dois carros? — Samantha assentiu.

– Um meu e um seu, ué.

– Ok… Vamos negociar isso ai. — Heloísa mordeu os lábios pensativa. — Então… A gente vai ter três menininhas. Um quarto só ta bom, elas dividem...

– Eu quero um menino. — Interrompeu.

– Duas meninas e um menino então. — Se manteve pensativa. — Uma casa com 3 quartos...

– Aposto que você vai querer um ateliê... — A Lambertini comentou despretensiosamente.

– Sim, claro… — Heloísa pôs a mão no queixo. — Uma casa com 3 quartos… Um ateliê… Uma piscina seria legal, né? — Samantha assentiu. — Quintal grande pras crianças e pros cachorros... Tem que ter uma churrasqueira né? Pra gente convidar os amigos no fim de semana. — Samantha assentiu novamente. — Ok… Garagem pra dois carros… Quem sabe a gente não construa uma casinha na árvore pras crianças.

– Elas iriam adorar.

– É… Imagina só… Nossa casa vai ser perfeita, amor...

Heloísa encostou na árvore. Ergueu a cabeça sentindo o sol queimar sua pele e a paz de espírito alcançar seu corpo.

Imaginou um dia perfeito. Acordando ao lado de Samantha. Deixando um beijo na esposa. Indo no quarto ao lado acordar as crianças. A bagunça no café da manhã. A tarde toda assistindo filme com os três filhos. É… O sofá teria que ser bem grande pra caber as crianças confortavelmente, porque ela mesma era espaçosa. E a mesa da sala de jantar? Teria que ter uns 8 lugares. Três quartos… Um ateliê… Uma sala de estar e outra de Jantar… Garagem pra dois carros? Piscina e churrasqueira? E um escritório pra cuidar das coisas do Colégio Grupo?

Heloísa abriu os olhos assustada. Começou a contar nos dedos os cômodos da casa.

3 quartos.

Sala de estar.

Sala de jantar.

Cozinha.

Banheiro.

Um dos quartos teria que ser uma suíte, pra ela e sua futura esposa terem privacidade.

Escritório.

Ateliê.

Garagem pra dois carros.

Quintal grande...

– Samantha! — Chamou, um tanto apavorada. — Quanto vai custar uma casa dessas? — A namorada deu de ombros, ainda de olhos fechados, aproveitando o sol. — Eu não vou ter condições de pagar a casa sozinha.

– Da seus pulos. — Samantha disse tranquilamente. — Já pode começar a vender sua arte na praia.

– Não, não! — Disse indignada. — Você vai ter que me ajudar.

– Eu vou estar gestando seus filhos, ou de licença maternidade.

– Haha. Engraçadinha. — Debochou. — Não, não… Vamos ter que rever isso ai.

– Ok. — Riu.

– Vamos ter uma casa simples. — começou. — Duas crianças, a Joanne e o Alejandro. — Samantha fez careta. — A gente adota outro animalzinho, um gato talvez, não da tanto trabalho... Um quintal simples, com uma rede, já ta ótimo... Nada de piscina, nem churrasqueira. A gente vai pra casa do MB no fim de semana... Eu faço meus quadros no quintal mesmo... Uma garagem pequena pro seu carro e pra minha moto…

Samantha arregalou os olhos.

– O QUÊ? — Deu um pulo. — Você não vai ter uma moto.

– Por que não? É mais econômica. Cabe no quintal...

– É perigosa. — Acrescentou.

– Ai, amor, claro que não...

– Claro que sim. — Revidou. — Tem muito acidente com moto. Você não vai ter uma.

– Mas eu vou comprar com meu dinheiro, ué.

– Heloísa, entenda uma coisa, moto é um passaporte pro caixão. — Disse irritada. — Uma batidinha atoa e pronto, foi embora uma perna, um braço, ou até mesmo a cabeça. Você não vai ter uma moto.

– Mas eu não vou dirigir igual uma louca, né, Sammy. — Disse calmamente.

– Não vai mesmo, porque não vai nem dirigir moto.

– Samantha…

– Eu estou avisando, Heloísa Gutierrez. Pode ir tirando sua motinha da chuva. — Heloísa gargalhou. — O carro é bem mais seguro!

– Ta bom! — Suspirou, revirando os olhos.

– E, já vou avisando, meus filhos não vão ter nome de música da Lady Gaga!

– Ué, por que não? O Joanne tem grammy! — Deu de ombros. Samantha lhe encarou embasbacada.

– É sério isso?

– Sim! Grammy de melhor performance solo, e... — Samantha negou sorrindo.

– Onde eu fui arranjar essa little monster, meu Deus?! — Fez drama, encarando o céu. — Vem cá… — A Lambertini puxou Heloísa pros teus braços, beijando os lábios demoradamente.

– Vamos casar na praia, amor? — Heloísa propôs no meio do beijo.

– Vamos! Vou amar ver você num vestido soltinho. — Heloísa fez careta.

– Ih… Então… — Coçou a nuca. — Eu não gosto de vestido. Prefiro um terninho. — Samantha emburrou no mesmo instante.

– Mas nem pensar! — Se exaltou. — Eu não caso se você aparecer lá de terno. Um pernão desses pra ficar escondido em calça social? Jamais, Heloísa!

– Sammy...

– Já estou avisando! Se aparecer de terno, eu não caso! — Samantha cruzou os braços, e Heloísa acompanhou o gesto.

– O Samantha, você ta achando que eu sou sua cadelinha, por acaso?! Eu vou ter que pagar nossa casa sozinha. Você não quer deixar eu escolher o nome das crianças. Não quer deixar eu ter uma moto. E ainda quer escolher a roupa que eu vou usar no casamento! Desse jeito eu vou ter que pedir o divórcio antes mesmo da gente casar. — Samantha gargalhou.

– Desculpa! Você tem razão... — Puxou Lica pros teus braços. — Vamos deixar essa discussão pra daqui uns anos... por enquanto vamos só aproveitar nossa filha única. — Heloísa se aconchegou nos braços da Lambertini, suspirando satisfeita. Arya se ajeitou entre o casal, ganhando um carinho duplo. — Mas já vou avisando: Moto, nem pensar!

– Ta booom… — Heloísa resmungou, sorrindo em seguida. — Mas, Sammy… Se a gente tiver uma menininha, o nome dela pode ser Stefani? — Samantha negou sorrindo.

– Você não tem jeito, Lica…



Quando dei por mim, eu estava com a cabeça entre as pernas, chorando copiosamente, ali mesmo, encostada numa árvore do parque.

Esse era o meu maior problema nessas últimas semanas. Eu não podia nem pensar em você, porquê eu não conseguia segurar o choro, e acabava desabando em qualquer lugar, em frente de qualquer pessoa. E eu já estava até me acostumando com essa fragilidade toda.

Eu me permiti chorar. Chorei de saudade, de preocupação, e principalmente de culpa. Culpa por ter te expulsado do quarto daquele jeito, sem te dar nenhuma explicação.

Eu já nem tentava lutar contra as lágrimas porque quantos mais eu tentava não chorar, mais eu chorava. Acho que até a Arya acabou chorando comigo.

Ficamos um bom tempo ali. Bom tempo mesmo. O sol já estava mais forte quando eu decidi levantar e ir para casa. Tive que carregar Arya no colo porque fiquei com medo de queimar as patinhas dela. E olha, nossa criança é muito pesada...

Assim que entrei no meu quarto, eu ouvi meu celular tocando. Corri até ele, esperando que fosse uma ligação sua.

Mas era só a Tina.

– Oi, Tina! — Resmunguei na ligação.

– Oi, Lica… — Ela começou com a voz cautelosa que estava usando comigo nas últimas semanas. — Tudo bem? Benê comentou que você não aguentou acompanhar ela na corrida.

– É, eu… eu não to muito acostumada a correr. — Dei de ombros.

– Entendi… — Ouvi seu suspiro do outro lado da linha. — Ta fazendo o que? Não quer vir pro galpão? A gente ta aqui jogando conversa fora...

Eu suspirei pesadamente. Olhei pra minha cama e ela parecia bem mais atrativa do que uma tarde com as meninas. Olhei para Arya, que mal adentrou o quarto e já estava acuada no tapete. Eu senti um aperto no peito. Eu não queria que ela ficasse a tarde toda trancada no quarto, só me ouvindo reclamar. Eu também não podia me render facilmente ao cansaço mental que estava sentindo, então acabei aceitando o convite de Tina. Tomei um banho, alimentei a Arya e segui com ela para o galpão. E como o sol estava forte, eu tive que levá-la no colo outra vez.

Quando cheguei no galpão, as meninas estavam dispersas. Benê estava no piano. Ellen estava lendo um livro. A postura desleixada da morena me fez pensar em você, que não conseguia ficar parada nem pra ler um livro. Tina e Keyla estavam trabalhando em algumas roupas... Todas me saudaram mansamente e então voltaram para o que estavam fazendo.

Keyla questionou sobre minha alimentação e logo tratou de me arranjar um lanche. As meninas estavam preocupadas comigo. Toda hora elas me mandavam mensagem perguntando se eu estava comendo direito, se tinha tomado banho, se precisava de companhia... Pareciam minhas mães. E eu as entendia, e agradecia mentalmente pela preocupação.

Nós ficamos um bom tempo ali, conversando sobre bobagens. Falar sobre você estava fora de cogitação porque isso podia despertar uma crise de choro em mim, e ai, a tarde seria desperdiçada em consolos... Mas conversamos sobre bastante coisa. O assunto principal foi Taís Dayane. Aparentemente a morena estava desaparecida já tinha uns 4 dias. A última vez que ela foi vista foi no colégio, depois disso ninguém tinha informação. O pior de tudo é que a menina cuidava de dois irmãozinhos. Ela não tinha pai, e a mãe trabalhava dobrado no hospital. As duas crianças estavam ficando com a avó da Ellen, que estava super preocupada com a amiga, e com razão. Parece que já tinham passado até em necrotérios atrás da menina, e nada.

Eu fiz o que estava ao meu alcance, compartilhei o post que informava sobre o desaparecimento dela. Depois disso, Benê tocou no assunto proibido.

– Será que o desaparecimento da Taís tem alguma ligação com o da Samantha?

As meninas trataram logo de repreender a menina. Eu suspirei devagar, sentindo uma dor no peito.

– Não tem ligação, Benê. — Eu disse calmamente. — A Samantha não está desaparecida. O pai dela sabe onde ela está. Já a Taís Dayane, ninguém sabe. — Expliquei, suspirando devagar.

– Você ainda não conseguiu falar com o Alexandre? — Ellen questionou. Eu neguei, mordendo os lábios.

– Nem a Antônia tem noticias dela? — Neguei outra vez.

– O Alexandre não falou pra ninguém onde ela está. Nem o porquê de ter mandado ela, seja lá pra onde tenha mandado... — Suspirei, engolindo o seco. — Tudo o que eu sei é que ele foi até a escola, pegou ela e levou pro aeroporto. Acho que… — Suspirei lentamente. — Acho que ele mandou ela pra Itália. Mas o porquê da urgência, ou o porquê dela não tentar nem falar comigo, ai eu já não sei.

Eu senti a mão da Tina apertando meu ombro e engoli o seco, desejando desesperadamente que ela não me abraçasse. Eu não queria cair no choro de novo.

– Amiga… — Keyla começou. — Talvez ele tenha mandado ela pra passar as férias lá. Ela deve voltar no ano que vem.

– Mas porque ele não contou pra ninguém, Keyla? E porque a Samantha simplesmente não tentou falar comigo ainda? Será que ela está muito magoada por eu ter expulsado ela do meu quarto?

– Eu não sei, Lica. — Keyla suspirou.

– Você ainda não contou o porquê de ter expulsado ela de la. — Tina comentou.

Eu suspirei. Eu não tinha contado pra ninguém sobre as coisas que ouvi naquele dia. Nem sobre meu pai usando dinheiro da escola, muito menos sobre Malu dormindo com investidores. Ela até veio me pedir pra guardar segredo, mas sinceramente, eu não estava dando a mínima pra isso. Eu só queria saber de você.

– Eu briguei com meu pai. — Contei. — E a Sammy apareceu lá, me viu chorando. Eu só queria ficar sozinha um pouco... E ai, aconteceu tudo o aconteceu... — Engoli o seco.

– Vocês brigaram por que? — Tina insistiu.

– Tina! — Keyla repreendeu a curiosidade da menina.

– Por nada, Tina. Coisa boba! — Desviei o olhar. A japonesa pareceu entender que eu não queria falar sobre aquilo.

O silêncio que seguiu quando o assunto acabou foi tão incômodo. Eu comecei a fazer carinho na Arya, que ficou o tempo todo agarrada as minhas pernas.

As memórias do dia em que você foi embora começaram a surgir do nada. Eu empurrando você. Eu gritando irritada. Era tudo minha culpa. Eu devia ter deixado você entrar. Devia ter explicado o que aconteceu. Você iria me abraçar e me confortar, e não teria ido embora...

Deus do céu, como eu sou idiota!

E como você pode imaginar, ficar pensando em você e em tudo isso me fez ficar estranha. A dificuldade pra engolir o seco. Os olhos ardendo. A respiração forte. Eu estava prestes a chorar de novo.

Me levantei rapidamente, puxando Arya pela coleira.

– Onde você vai, Lica? — Ellen questionou. — Fica ai...

– E-eu… — Minha voz falhou. Eu limpei o rosto rapidamente. Respirei fundo e dei as costas. — O-obrigada pela tarde meninas. Espero que encontrem sua amiga, Ellen.

E então eu corri pra casa.

Meu quarto estava sendo meu maior refúgio nessas duas semanas. E assim que cheguei em casa eu corri pra la. Me joguei na cama, abracei o travesseiro e comecei a chorar. Arya deitou ao meu lado pra me confortar ou, simplesmente, chorar junto comigo.

Eu peguei meu celular, procurei seu contato e te liguei. E como nas últimas duas semanas, foi direto pra caixa postal. Então eu abri sua conversa no whatsapp e te mandei mais uma mensagem.

“Amor, onde você está? To preocupada! Me liga...”

Enviei, mas não fiquei esperando sua resposta.

Eu abri minha galeria e passei o resto do dia vendo vídeos seus. Ainda não era nem seis horas, mas o dia já tinha acabado pra mim...


… E essa é minha rotina, amor. Nas sextas eu passo na sua casa pra pegar a Arya. Devolvo ela só na segunda a tarde. Eu vou pra escola e depois passo o resto do dia trancada no quarto. Não tem muito o que fazer sem você aqui.

Tudo o que eu sei é que seu pai te mandou para algum lugar. Pra onde eu não sei. Nem o porque dele ter feito isso... só sei que eu to morrendo de saudades.

Volta logo, por favor…


Notas Finais


É isto!

Nós entramos na reta final. Na minha conta são só 10 capítulos apartir daqui.
Lembrando vcs... Aqui na fic é quinta. A Lica vai voltar pra casa no domingo. E a Lica está com a madrasta da Sam, que está indo pra faculdade...
Só mais uns 3 capítulos até vcs saberem o que fez a Sam ir embora...

Obg pelos comentários e favoritos, vcs são um amor <3
Nos vemos no próximo, beijão :*


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