1. Spirit Fanfics >
  2. Death and Tasks >
  3. Task 05

História Death and Tasks - Capítulo 5


Escrita por:


Capítulo 5 - Task 05


A sala só tinha a iluminação de uma lâmpada central. O ambiente todo foi feito para intimidar. Os espelhos também servem para os criminosos olharem para si mesmos. Talvez sintam culpa enquanto estão sendo interrogados. Olhei para o meu reflexo no espelho. Será que o meu crime foi tentar ajudar uma criança? Em que mundo ajudar os outros te arrasta para isso? Se você se dá mal prejudicando os outros e também ajudando os outros, então talvez a história sobre a indiferença ser o pior crime devia estar errada, ou só servia para casos específicos.

Fiquei mexendo meus dedos nervosamente, quando Cheolmin-ssi chamou minha atenção.

— Senhorita Choi? Senhorita Choi?

Olhei para ele.

— Vamos começar. — respondi.

Ele franziu a testa e disse um ok. Ele tirou fotos das pastas.

— Esse bilhete foi encontrado e esse livro…

— Sim. Esse livro é meu e o bilhete é pra mim. — disse cortando ele.

— Você pode esclarecer o que isso significa?

— Sim. — peguei a foto do bilhete e mostrei pra ele. — Essa pessoa disse que era tio postiço do Mingyu, provavelmente vocês devem estar investigando ele agora. Eu pedi para esse homem conversar com os pais do garoto. Pois eu percebi que ele estava sendo negligenciado pelos dois. Então, ele fez algo mesmo. Por esse bilhete, ele planejava fazer isso há algum tempo. Como eu apareci e meio que estava quase atrapalhando seus planos — já que eu poderia envolver a polícia nisso — ele teve que matar os pais do Mingyu o mais rápido possível. Você sabe quando eles foram mortos?

— Aparentemente na terça-feira. — ele respondeu me olhando surpreso.

— Isso bate. A única vez que falei com Jang Dongyoon foi na segunda-feira. Foi no mesmo dia que emprestei esse livro a Mingyu. Ele aparentemente ia trabalhar naquele dia. Na mesma transportadora das caixas dos dois últimos crimes que abalaram o país. Eu percebi isso ontem a noite, antes de dormir, porém pensei que fosse uma simplesmente coincidência. — sorri. — Acho que não... — peguei a foto da graphic novel de Metamorfose. — Esse livro parece com a vida de Mingyu. Foi uma das razões por eu querer ajudar ele. Mas acho que tinha  alguém muito mais perigoso por perto.

— Você é mesmo irmã de Joohyun-ssi. — o homem riu sem graça. — Você pode contar tudo desde o começo? Por favor. — me olhou de cara feia.

— Tudo bem. — cocei o pescoço. — Mas antes lembrei de uma coisa, Mingyu tem meu número de telefone. Isso pode ser importante. — arqueei a sobrancelha.

***

Estava sentada na cadeira de espera, de frente para a sala de interrogatório.

Uma porta auxiliar foi aberta. Jonghoon oppa apareceu. Estava com cara de surpreso.

— Joohyun-ssi, sua irmã parece uma policial. — sorriu. — Ela está engolindo o líder de equipe. Parece que ela está interrogando ele.

— Se você saiu é porque precisa fazer alguma coisa importante não? — cruzei as pernas.

— Ah é! — disse sem graça. — Sua irmã falou sobre a última vez que viu Mingyu, vou pesquisar sobre isso. — começou a sair do local. Mas depois voltou. — Que pena que o pessoal de cima te tirou da investigação.

— Tudo bem, eu sabia que isso ia acontecer. Agora vai logo! — balancei a mão direita.

Depois que ele foi embora. Olhei para o meu braço, ainda estava cicatrizando. Respirei fundo e encostei minha cabeça na parede. Fiquei pelo menos uma hora esperando o interrogatório terminar.

A porta foi aberta e vi Jisu sair. Ela se aproximou de mim.

— O detetive disse que quer me interrogar novamente mais tarde. Algumas testemunhas vão vir depor.

— Melhor você ficar na delegacia até o próximo interrogatório. — uma mulher se aproximou de nós.

Olhei para a credencial dela. Era a nova delegada. Me curvei imediatamente.
— Você é a delegada? — Jisu perguntou apertando os olhos. — Você é nova, né?
— Comecei hoje? — ela sorriu. — Mas de qualquer jeito, há uma multidão lá fora querendo arrancar nossas cabeças. O que você acha de aguardar aqui até o próximo interrogatório?
— Eu devo estar na provável lista de suspeitos. Então não precisa pedir. — sorriu. — Mas a minha irmã vai ficar comigo, né? Eu sei que vocês já tiraram ela da investigação, mas ela é a única parente que tenho. Vocês não podem chutá-la daqui, né? Isso seria errado. — falou de forma provocativa.

Bati no braço de Jisu. A menina era muito inconveniente quando queria.
— Ah! — fingiu cara de dor. — Não precisa me bater. — arqueou a sobrancelha direita.

— Claro que não. — a mulher sorriu.

A nova delegada de nome Park Jinhee era muito bonita e exalava competência.

— Unnie, você não lembra dela? — Jisu me olhou surpresa.

— Lembrar? — olhei pra ela de forma estranha.

— Ela foi uma das policiais que interrogou a gente quando nossos pais morreram.

— Você lembra disso Jisu-ssi? — a mulher disse surpresa.

— Sim. Eu tenho uma ótima memória. — sorriu.

Quando ela disse isso, não deixei de sentir um aperto no peito. Encarei a mulher na minha frente. Ela definitivamente foi a pessoa que me ajudou na época. Fiquei envergonhada de não lembrar dela. Não sabia como reagir no momento.

— Obrigada por nos ajudar naquela época e agora delegada! — me curvei o máximo que pude.

— Tudo bem. — a delegada sorriu. — Isso já faz muito tempo. Joohyun-ssi leve sua irmã para algum lugar confortável. Provavelmente não existe, mas... — sorriu. — Quero conversar com você líder de equipe Cheolmin-ssi. — olhou seria para o homem. — depois andou até a escadas e começou a subi-las.

— Eu já vou indo. No próximo interrogatório fale mais devagar Jisu-ssi. — apertou os olhos com dor. — E tente responder as perguntas somente. — andou depressa até as escadas.

— Você esqueceu dela mesmo unnie? — Jisu me olhou surpresa.

— Não. Só que fiquei muito focada na situação de agora. Mas eu lembro de tudo.

— Que bom. — sorriu.

— Vamos. Vou te levar pra alguma sala. — peguei a mochila dela de cima da cadeira. — Por que você não me mostra a delegacia?

— Não acha que agora é um péssimo momento pra isso?

— É mesmo... — ela fez careta e coçou a testa.

***

Levei ela até uma sala do segundo andar. Ela entrou e colocou sua mochila em cima da mesa de forma apressada. Tirou um caderno azul pequeno de capa dura da mochila. Depois se sentou numa das cadeiras.

— O que você está fazendo? — liguei a televisão.

— Organizando as informações. Unnie, os corpos foram achados na mesma posição do professor da minha faculdade?

— Jisu, eu não posso dar esse tipo de informação. E o que é isso? — puxei o caderno de cima mesa.

Comecei a folhear o conteúdo. Ela estava fazendo uma investigação por conta própria. Jisu tinha a mania de pesquisar sobre crimes e anotar tudo como se ela fosse uma investigadora de verdade. Ela queria ser jornalista investigativa, o que me deixava muito preocupada.

— Essas fotos... São daquele vídeo vazado?

— Sim. — respondeu de cabeça abaixa.

Tive vontade de rasgar aquilo tudo, mas seria uma péssima maneira de enfrentar a situação.

— Eu sei que sua amiga ficou chocada com tudo aquilo e que você quis fazer algo. Mas isso aqui não é brincadeira Jisu. A polícia está encarregada de investigar os crimes. Você também não pode querer bancar a justiceira. Já não basta esse homem! — Você quer dizer esses. — me olhou.

— Como você sabe disso? — perguntei assustada. Tentei recobrar minha postura. Eu não devia ter me assustado com as habilidades dela. Mas foi impossível.

— Eu pensei uma pessoa sozinha pode fazer esse estrago todo, mas por que não duas pessoas? Mover aquelas caixas com corpos é uma tarefa difícil para uma pessoa só. Provavelmente mais uma pessoa está envolvida. E pela sua expressão acho que tenho razão. — disse colocando a mão sobre o queixo. — Dongyoon deve ter um motivo pessoal para ter matado os pais de Mingyu. Já os outros dois crimes... podem ser motivações de outra pessoa. O fato das caixas serem da mesma empresa, de alguma forma conecta Dongyoon aos três crimes. Porém nesse, ele deixou um bilhete pra mim. Isso não foge totalmente do padrão? Uma outra hipótese é que o serial killer é outro funcionário da transportadora. Enfim, se trata de duas pessoas diferentes. Eu sei que você deve ter mais alguma informação, uma mais contundente que mostre se tratar de dois criminosos. Como imagens de câmera se segurança... — ela me olhou tentando pescar alguma coisa.

— De qualquer maneira... — fechei o caderno. — É melhor você esquecer disso.

— Não posso unnie. — ela olhou para a parede a frente dela. — Esse homem está com uma criança. Eu prometi a mim mesma que ia ajudar ele. Não vou desistir agora.— Jisu... — sentei na cadeira de frente pra ela e segurei sua mão. — Você já está ajudando dando seu depoimento, o resto é com a polícia. Você precisa aceitar isso. E esse caderno fica comigo... — balancei o objeto. — Você ainda tem outros desses?

— Muitos. — desviou o olhar.

— Você precisa parar. Você quer ser jornalista, mas isso não é um pouco demais…

— Teoricamente… — começou a justificar.

— Você entendeu o que eu quis dizer.

— Você pode ficar com meu caderno, mas não pode parar minha mente. — olhou para a televisão.

— Jisu…

A garota levantou e aumentou o volume manualmente e trocou de canal. Respirei fundo. Ela ainda parecia uma adolescente.

— Você quer comer alguma coisa? — perguntei, mudando de assunto.

Ela assentiu com a cabeça ainda de costas.

— Eu já volto. Não saía daqui.

Levantei e fui embora levando o caderno. Havia uma cantina no segundo andar. Fui até lá e pedi chocolate quente, café, torradas e algumas frutas. Fiquei esperando o pedido no balcão de atendimento.

— Joohyun unnie! — olhei para trás e vi Seulgi. Estava com um copo de café na mão.— Eu soube da sua irmã.

— É, é uma longa história. Agora eu virei babá de uma criança de 21 anos. — ri.
— Ela tá bem?

— Eu não sei. Acho que não. Você sabe eu não sou muito boa em expressar meus sentimentos e ela também não. Eu não consigo saber o que se passa na cabeça dela.
— Você só precisa ser sincera unnie! — empurrou meu ombro.

Sorri sem graça.

— Esse caderno... — reparou.

— É dela. Uma das amigas dela a garota que viu o corpo esquartejado do professor. Jisu começou a fazer uma pesquisa.

— Você quer que eu fique com o caderno?

— Eu ia jogar fora... Mas já que você se ofereceu. — dei o objeto para Seulgi.
— Eu preciso ir agora. Estou monitorando as câmeras de segurança. — se despediu indo embora.

Levei tudo até a sala. Lia estava mexendo no celular quando cheguei.

— Não estou fazendo nenhuma investigação. — disse revirando os olhos.

— Que bom... — coloquei a bandeja em cima da mesa.

— Por que você trouxe chocolate quente?

— Eu sei que você bebê muito café. Você quer ficar com gastrite igual a mim? — perguntei me sentando.

— Então, por que você está bebendo? — me olhou de cara feia.

— Eu preciso ficar acordada. — peguei o copo e tomei um gole.

— Há quantos dias você não dorme? — perguntou pegando seu chocolate.

— Não sei, três dias? — coloquei a mão no queixo.

— Eu só vou tomar menos café, quando você parar de beber também. — bebeu o chocolate.

— Acho que nós duas vamos ficar com o estômago ferrado, então.

— É, fazer o quê? — sorriu.

Comecei prestar atenção na tv. Jisu também. Depois de um tempo, a coletiva de impressa começou. A delegada e o líder de equipe estavam em uma sala do primeiro andar dando a entrevista. Eu conseguia ver nitidamente o nervosismo de Cheolmin sunbae. A investigação tinha caído literalmente no colo dele. Era uma grande pressão.

E eu não podia ajudar com nada. Isso era muito decepcionante.

 

— Temos uma testemunha muito importante que conversou com o criminoso dias antes do assassinato. Ele até endereçou um bilhete especialmente a essa pessoa. — a delegada explicou.

— O que dizia nesse bilhete? — alguém perguntou.

— Por se tratar de uma prova e envolver um cidadão nisso. Não podemos revelar o seu conteúdo.

— Quem bom, as pessoas iam começar a me linchar. Iam dizer que eu mandei matar os pais de Mingyu. Elas sempre querem achar algum culpado pra tudo. Até para as atitudes erradas de outras pessoas. — Jisu comentou.

— Ainda bem que você não está se culpando por isso.

— Eu não disse isso. Eu me acho um pouco responsável por isso. Mas ao mesmo tempo não. Não sei... — disse confusa. — Não sei se minhas ações foram boas ou ruins. Só sei que geraram consequências ruins, no final das contas. Eu fui como um gatilho. Talvez eu me sinta mais culpada  quando eu parar de pensar racionalmente. Quando a ficha cair... — disse terminando de tomar o chocolate.

Ficamos assistindo TV até o final da entrevista.

— Até que o seu sunbae não foi tão ruim.

— É. — cruzei os braços.

— Por que eles não disseram sobre os dois criminosos? Isso é uma informação importante.
— Provavelmente não querem alarmar a população. — reparei que Jisu estava com sono também.

— Isso pode dar errado depois. — ela apoiou a cabeça sobre a mesa.
— Você dormiu tarde ontem, não foi?

— Quando você chegou eu tinha acabado de dormir.

— Por que você não dorme no sofá agora? — perguntei.

— Pode ser... — levantou e deitou no sofá.

***

Tinha colocado a televisão no volume mais baixo possível. Jisu dormia em um sofá desconfortável. Peguei meu coberto no vestiário e trouxe pra ela. Eram onze e alguma coisa da manhã. Kiwoong oppa veio me dizer que o próximo interrogatório só seria depois das três da tarde, pois existiam muitas pessoas para serem ouvidas ainda.
Fiquei pensando no que aconteceu desde o dia em que nossos pais foram assassinados e no meu caso um deles se matou.

Eu pensei que precisava ser forte por ela. Porém desde aquele evento, ela tentou ser o mais independente possível. Uma vez ela disse que não queria ser um fardo pra mim.

Ela estudou por si própria e se inscreveu como bolsista em uma das melhores escolas de Gangnam. Depois conseguiu uma vaga na universidade, e participa de vários programas e projetos. Uma vez ela deu uma entrevista em uma tv local. Algumas emissoras ficaram impressionadas com ela e suas habilidades de comunicação, além de suas habilidades de dedução.

Depois que nossos pais morreram, ficamos morando na casa de uma de nossas tias maternas. Porém, eu quis ir para a faculdade e acabei me mudando. Já Jisu, começou a morar comigo quando foi para Ensino Médio. E depois quis alugar um apartamento quando entrou na faculdade. Ela falou que trabalharia para pagar sua moradia. Mas com muito esforço e ajuda dos meus tios, consegui convencê-la, a não fazer isso, e me deixar pagar sua parte, pelo menos nos primeiros anos da faculdade. Só moramos sozinhas por três anos, mas pareceu bem menos, pois eu estava no começo da minha carreira e Jisu ficava o dia inteiro na escola e estudando. Mesmo existindo essa distância entres nós, acho que foi uma boa experiência. Mesmo estando perto dela por pouco tempo, eu podia ver ela crescendo como pessoa.
Porém, as vezes tive a impressão de que ela não queria ficar perto de mim. Ela sempre tentou se afastar quando eu tocava no nome dos nossos pais. Nós nunca conversamos de verdade sobre isso, desde que ela cresceu. Quando ela era criança, era mais fácil tocar no assunto, mas quando ela começou a crescer, ela me pediu pra eu nunca mais falar sobre isso.

Eu sempre tentei o meu melhor para ela não se sentir muito revoltada com o que aconteceu conosco. Foi um dos motivos de eu ter entrado pra polícia, queria mostrar pra ela e pra mim mesmo, que o melhor caminho é seguir a lei e não prejudicar e fazer mal aos outros. Eu não queria que ela se tornasse uma assassina no futuro. Esse sempre foi o meu maior medo. Eu sempre tentei tirar todos esses pensamentos da mente dela. Ela até me deu o apelido de “santa lei” por causa disso. Por eu ser tão devotada a praticar a lei.

De repente percebi que Jisu estava se mexendo muito. Depois ela levantou de supetão e apoiou a cabeça sobre o sofá. Era um pesadelo.

— Tudo bem? — perguntei levantado da cadeira. Me aproximei dela. Estava com o rosto cansado e assustado. — Um pesadelo? — sentei do lado dela e acariciei seu cabelo.

Ela acenou. Se aproximou de mim e deitou a cabeça no meu colo. Continuei acariciando o cabelo dela. Eu já estava acostumada a essa situação. Então, só deixava ela se deitar e com o tempo se acalmar. Jisu não gosta de muito contato físico, assim como eu. Mas quando ela está triste, ela costuma se aproximar um pouco.

— Unnie, quando vai ser o próximo interrogatório?

— Depois das 3 da tarde, por quê?

— Eu quero ir pra casa, preciso estudar.

Não sabia se ela precisava estudar mesmo ou só usava os estudos como uma válvula de escape. Provavelmente a última opção.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...