História Deception Point - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Jungwoo, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, XiaoJun, YangYang
Tags Adaptação, Bangtan Boys (BTS), Morte, Nct, Taegi, Yoonseok
Visualizações 13
Palavras 2.421
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção Científica, LGBT, Survival, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capítulo Um


Local predileto para o mais refinado café-da-manhã dos executivos e políticos de Washington, o restaurante Toulos, próximo ao Capitol Hil, ostenta, com um toque de ironia, um menu politicamente incorreto que inclui até carpaccio de cavalo. Naquela manhã o Toulos estava movimentado - uma cacofonia de prataria sendo remexida, máquinas de café expresso em ação e pessoas falando em seus celulares. O maítre estava bebericando disfarçadamente seu Bloody Mary matinal quando o homem entrou. Ele se virou, com um sorriso profissional.

ー Bom dia. Posso ajudá-lo?

Era um homem atraente, dos seus vinte e poucos anos, usando uma calça jeans preta, blusa de grife marfim e discretos sapatos sociais. Tinha uma postura alinhada e o queixo e o nariz levemente levantado - o suficiente para demonstrar força sem, contudo, ser arrogante. Seu cabelo era verde-claro, com uma hidratação impecável. Sedoso o bastante para parecer sensual, curto o suficiente para transmitir a quem olhasse a nítida impressão de que o mais inteligente ali era ele.

ー Estou um pouco atrasado ー disse o homem, usando seu inglês com sotaque coreano. ー Marquei um café-da-manhã com o senador Jeon.

O maítre sentiu um frio na espinha. O senador Jeon Jungkook era um cliente habitual da casa e, naquele momento, um dos homens mais famosos do país. Na semana anterior, após ter levado a melhor em todas as 12 eleições primárias dos republicanos, o senador havia praticamente garantido sua indicação pelo partido para presidente dos Estados Unidos. Muitos acreditavam que, nas próximas eleições, ele tinha uma ótima chance de vencer a disputa pela Casa Branca contra o atual presidente. Ultimamente o rosto de Jeon parecia estar em todas as revistas, e seu slogan de campanha estava espalhado por todo o país: "Chega de gastar, é hora de reformar."

ー O senador Jeon está em seu reservado ー disse o maítre. ー A quem devo anunciar?

ー Min Yoongi. Sou filho dele.

Mas que burrice a minha, ele pensou. As semelhanças eram evidentes. O homem tinha os mesmos olhos penetrantes do senador e a mesma altivez - aquele ar polido de uma nobreza jovial. Era óbvio que a beleza clássica do senador havia sido transmitida à geração seguinte, ainda que Min Yoongi não tivesse seu sobrenome e parecesse lidar com a graça natural que lhe havia sido concedida com uma dignidade recatada que seu pai não possuía.

ー É um prazer recebê-lo, senhor Min.

O maítre acompanhou o filho do senador através do salão, um pouco incomodado com o fogo cruzado de olhares masculinos que o seguiam, com maior ou menor discrição. Poucas mulheres frequentavam o Toulos, e raramente se via um homem tão belo como Yoongi.

ー Belas curvas ー sussurrou um cliente. ー Será que Jeon finalmente conseguiu arrumar um parceiro e se assumiu?

ー Aquele é o filho dele, seu idiota ー respondeu um outro.

O primeiro homem deu uma risadinha e completou:

ー Se conheço Jeon, ele provavelmente transaria com ele mesmo assim. Mas disseram que a ex-mulher dele é gostosa também.

Quando Yoongi chegou à mesa de seu pai, o senador estava falando em seu celular, bem alto, sobre mais um de seus recentes sucessos. Olhou para ele brevemente, apenas o suficiente para dar um tapinha em seu relógio Cartier, lembrando-o de que estava atrasado. Também senti sua falta, pensou Min.

O nome de seu pai era Jungkook, mas há muito tempo que ele optara por usar apenas seu sobrenome. Yoongi achava que ele gostava da aliteração Senador Jeon Jungkook, mas que todos iriam lembrar mais se o chamassem apenas pelo segundo nome. Era um político profissional de cabelos tingidos e fala macia que havia sido agraciado com a aparência de um astro de seriado de televisão, o que parecia bastante adequado, considerando seu talento para disfarces e artimanhas.

ー Yoongi! ー seu pai finalmente desligou o telefone e levantou-se para lhe dar um beijo na bochecha.

ー Oi, pai ー ele não retornou o beijo.

ー Você parece exausto.

Lá vamos nós de novo, pensou ele.

ー Recebi seu recado. Aconteceu alguma coisa? ー Aproveitou para se sentar de frente ao homem.

ー Puxa! Agora preciso de uma razão para chamar meu filho para tomar café comigo?

O coreano aprendera desde cedo que seu pai raramente o chamava, a não ser que tivesse algo específico em mente. O senador tomou um gole de café.

ー Então, como vai sua vida?

ー Ando ocupado. Vejo que sua campanha está indo bem.

ー Ah, não vamos falar de negócios. ー Jeon inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, baixando o tom de voz. ー Como vai aquele rapaz do Departamento de Estado que eu lhe apresentei?

Yoongi respirou fundo, já se controlando para não olhar para o relógio. A manhã prometia ser longa. O pai sempre soube de sua sexualidade e isso não foi, de alguma forma, um problema para eles. Min se orgulhava, pelo menos disso.

ー Pai, definitivamente não tenho tempo de ligar para ele. E eu gostaria muito que você parasse de tentar...

ー Você precisa encontrar tempo para as coisas que realmente importam, querido. Sem amor, tudo mais perde o sentido.

Uma enorme quantidade de respostas veio à sua mente, mas ele preferiu se manter em silêncio.

ー Você queria me ver? Você disse que era importante.

ー De fato é ー ele estudou o rosto do filho atentamente.

Min sentiu parte de suas defesas se desfazer diante daquele exame minucioso e amaldiçoou o poder daquele homem. O olhar do senador era a sua maior dádiva - grande o suficiente para levá-lo até à Casa Branca. Seu domínio era tamanho que conseguia ficar com os olhos cheios de lágrimas quando desejava e, um instante depois, exibir um olhar límpido, como se estivesse abrindo uma janela para sua alma apaixonada, fortalecendo seus laços de boa-fé com os outros. "Confiança é tudo", seu pai sempre lhe dissera. Embora ele houvesse perdido a confiança de Yoongi há anos, agora estava ganhando a de toda uma nação.

ー Queria lhe propor uma coisa ー disse o senador.

ー Deixe-me adivinhar ー respondeu, tentando retomar sua vantagem. ー Alguma divorciada de grande prestígio à procura de um jovem esposo?

ー Não se iluda, querido. Você já não é assim tão jovem.

Ele teve a sensação de estar diminuindo, o que muitas vezes acontecia em seus encontros com o pai.

ー Quero lhe dar uma chance, quero lhe oferecer um porto seguro ー ele disse.

ー Há alguma tempestade vindo na minha direção?

ー Na sua, não. Mas no caminho do presidente, sim. E acho melhor você se afastar dele enquanto há tempo.

ー Acho que já tivemos essa conversa, não é?

ー Pense em seu futuro, Yoon. Venha trabalhar comigo.

ー Espero que não tenha me chamado aqui só por causa disso.

O verniz da calma aparente do senador se desfez quase imperceptivelmente.

ー Yoongi, você não vê o quanto o fato de estar trabalhando para ele repercute negativamente para mim e para minha campanha?

Ele suspirou. Os dois já haviam conversado sobre aquilo.

ー Pai, eu não trabalho para o presidente. Eu nunca encontrei o presidente. Eu nem trabalho em Washington, você sabe disso!

ー Política é a arte da percepção, filho. Para quem olha, parece que você trabalha para o presidente.

Ele respirou fundo, tentando manter a calma.

ー Pai, dei duro para conseguir esse emprego e não vou pedir demissão.

Os olhos do senador se fixaram nele.

ー Você sabe, tem horas em que sua atitude egoísta é realmente...

ー Senador Jeon? ー um repórter apareceu do nada e estava agora de pé ao lado da mesa.

A postura de Jungkook abrandou-se rapidamente. Yoongi resmungou algo e pegou um croissant da cestinha em cima da mesa.

ー Xiao Dejun, do Washington Post ー disse o repórter. ー Posso lhe fazer algumas perguntas?

O senador sorriu, limpando gentilmente a boca com um guardanapo.

ー É um prazer, Dejun. Mas, por favor, não demore. Não quero que meu café esfrie.

O repórter riu, como previa o script.

ー Claro, senhor. ー ele tirou do bolso um minigravador e ligou-o. ーSenador, sua propaganda na televisão diz que são necessárias leis para garantir igualdade salarial para as mulheres no mercado de trabalho, assim como cortes nos impostos para as famílias recém-formadas. O senhor pode explicar o que pretende com essas propostas?

ー Claro. Sou um grande fã de mulheres fortes e de famílias fortes.

Yoongi quase se engasgou com o croissant.

ー Ainda a respeito das famílias ー prosseguiu o repórter ー, o senhor tem falado muito sobre a importância da educação e até propôs alguns cortes orçamentários polêmicos para que mais recursos sejam destinados às escolas.

ー Acredito que nosso futuro está nas crianças de hoje.

O coreano não podia acreditar que seu pai estivesse recorrendo àquele tipo de lugar-comum.

ー Uma última pergunta, senhor ー disse o repórter. ー Os resultados das pesquisas indicam um enorme avanço de sua candidatura nas últimas semanas. O presidente deve estar preocupado. Algo a dizer sobre esse recente sucesso?

ー Acredito que tenha a ver com confiança. Os americanos estão começando a perceber que o presidente não é confiável o bastante para tomar as duras decisões necessárias para garantir o futuro desta nação. Os gastos descontrolados do governo estão afundando o país em uma dívida cada vez maior, e o povo parece ter compreendido que chega de gastar, é hora de reformar.

O alarme do pager de Yoongi disparou, interrompendo providencialmente a retórica do pai. O irritante bipe eletrônico que sempre o perturbava soava agora quase como uma melodia. O senador lançou-lhe um olhar de indignação por ter sido interrompido. Yoongi pegou rapidamente o pager em sua bolsa e digitou a sequência de cinco teclas que confirmava sua identidade. O ruído eletrônico cessou e a pequena tela começou a piscar. Em 15 segundos ela iria receber uma mensagem de texto codificada. Dejun sorriu para o senador.

ー Seu filho é obviamente um homem ocupado. É reconfortante ver que vocês ainda conseguem encontrar tempo para tomar um café-da-manhã juntos.

ー Como eu disse, a família está sempre em primeiro lugar.

Dejun assentiu e, em seguida, ficou sério, fitando Jeon com um olhar duro.

ー Posso perguntar-lhe, senador, como o senhor e seu filho gerenciam seus conflitos de interesses?

ー Que conflitos? ー O senador inclinou a cabeça em um gesto inocente de aparente perplexidade. ー A que você se refere?

Yoongi olhou para cima, fazendo uma careta diante da atuação teatral de seu pai. Ele sabia muito bem onde aquilo iria parar. Malditos repórteres, pensou. Metade deles estava na folha de pagamento de algum político. Aquela era uma armação; a pergunta parecia ser dura, mas na verdade era formulada de maneira a favorecer o senador. Uma bola lenta jogada no ponto exato para que seu pai pudesse acertar uma tacada em cheio, marcando um belo ponto e esclarecendo algumas coisas no meio tempo.

ー Bem, senhor... ー o repórter tossiu, querendo mostrar-se pouco à vontade. ー O conflito diz respeito ao fato de seu filho trabalhar para seu oponente.

O senador Jeon deu uma gargalhada, retirando instantaneamente toda a tensão da pergunta.

ー Dejun, em primeiro lugar, eu e o presidente não somos oponentes. Somos apenas dois patriotas que possuem ideias divergentes sobre como administrar o país que amamos.

O repórter abriu um largo sorriso. Tinha conseguido chegar aonde queria.

ー E em segundo lugar?

ー Em segundo lugar, meu filho não trabalha para o presidente. Ele trabalha para a comunidade de inteligência. Analisa relatórios de inteligência e os envia para a Casa Branca. É uma posição relativamente baixa na hierarquia. ー Fez uma pausa e olhou para Yoongi. ー Na verdade, querido, acho que você nem mesmo chegou a se encontrar pessoalmente com o presidente, não é?

Yoongi encarou-o, soltando faíscas pelos olhos. Seu bipe emitiu um outro som e ele olhou para a tela.

─RPRT DIR NRO IMED─ Ele decifrou mentalmente a mensagem abreviada e franziu a testa. A mensagem era inesperada e provavelmente traria más notícias.
Bem, pelo menos tinha um motivo para sair dali.

ー Senhores, lamento profundamente, mas preciso ir embora. Estou atrasado para o trabalho.

ー Senhor Min ー atalhou o repórter rapidamente ー, antes de sair, será que você
poderia responder a uma pergunta? Há rumores de que esta reunião matinal era para discutir a possibilidade de que você deixasse seu cargo para trabalhar na campanha de seu pai. É verdade?

O garoto sentiu seu rosto pegando fogo como se tivesse sido atingido por uma xícara de café quente. A pergunta pegou-o totalmente desprevenido. Ele olhou para o pai e percebeu, por trás de seu sorriso forçado, que a pergunta havia sido previamente combinada. Teve vontade de subir na mesa e atacá-lo com um garfo. O repórter enfiou o gravador na cara dele.

ー Senhor Min?

Ele olhou firme para o repórter, furioso.

ー Dejun, ou seja lá quem você for, preste atenção: não tenho a menor intenção de abandonar meu cargo para trabalhar para o senador Jeon. Se você publicar algo diferente, irá precisar de ajuda médica para tirar esse gravador de onde vou enfiá-lo.

O repórter arregalou os olhos, espantado, e desligou o gravador, escondendo um risinho.

ー Agradeço a ambos ー disse, sumindo de vista.

Yoongi arrependeu-se logo de seu acesso de raiva. Havia herdado o temperamento do pai e odiava isso. Calma, Yoon. Muita calma. Seu pai lançou-lhe um olhar de desaprovação.

ー Seria bom se você aprendesse a manter a calma.

Ele começou a pegar suas coisas.

ー Nossa reunião está terminada.

O senador parecia também não ter mais nada a dizer e puxou seu celular para fazer uma chamada.

ー Adeus, querido. Dê uma passada no escritório um dia desses para me dizer "oi". E encontre um homem ou uma mulher para se casar, pelo amor de Deus. Você já está com vinte e três anos.

ー Vinte e quatro ー respondeu, ríspido. ー Sua secretária me enviou um cartão.

Ele balançou a cabeça, contrariado.

ー Vinte e quatro. Um balzaquiano solteirão. Você sabe, aos vinte e quatro anos, eu já tinha...

ー Casado com minha mãe e ido para a cama com a vizinha? ー As palavras saíram num tom um pouco mais alto do que ele pretendia, num sincronismo absolutamente perfeito e desafortunado com uma daquelas pausas que costumam ocorrer no burburinho dos restaurantes. Parecia que ele estava
falando sozinho para todo o salão. As pessoas se viraram para olhá-lo.

O senador Jeon o encarou com um olhar gélido.

ー Tome cuidado com o que diz, meu jovem.

Min não respondeu, apenas dirigiu-se para a saída.

Não, você é quem deve tomar cuidado, senador.


Notas Finais


Opa, oi


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...