História Décimo Primeiro Andar - Capítulo 11


Escrita por:

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Flex!yoonmin, Menção Hopekook, Menção Namjin, Sugamin, Suji, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 1.392
Palavras 5.076
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Muito obrigada pelos favoritos e comentários, minha vontade é de colocar todo mundo num potinho pra dar amor, sério. <3 <3
Perdoem qualquer erro que eu possa ter deixado passar e boa leitura!

Capítulo 11 - Preocupação


De volta à Seul, a relação de Yoongi e Jimin voltou ao normal também.

Quando levou o homem mais novo em casa na volta do aeroporto, Yoongi apenas o desejou um bom resto de dia e disse que o veria no escritório na manhã seguinte. Jimin não estava chateado porque já sabia que aquilo aconteceria – Busan ficaria em sua memória como dias que passou no paraíso, apesar de ter sido apenas uma viagem de negócios. Ele sabia que passaria o resto de sua semana distraído, pensando em como Yoongi ficava bonito embaixo dele, como cada toque da última noite deles havia sido diferente, mas ao mesmo tempo a mesma coisa de sempre.

Jimin queria acreditar que os momentos de quietude pelas manhãs, o ritmo mais devagar do sexo, e até o simples toque de conforto entre ele dois havia significado alguma coisa, mas no fundo ele sabia que não era bem assim. Se Yoongi não estava namorando, ao contrário do que Jimin achava, então ele devia ser uma pessoa carente. Passava o dia inteiro no trabalho, não tinha a família por perto, e, até onde ele sabia, morava sozinho na parte rica da cidade. Era de se esperar que ele aceitasse cafunés, dormir abraçado, e todas as coisas que ele não poderia ter sempre que quisesse.

Aquilo não o incomodava. Jimin não pensava que estava sendo usado para receber carinho, e sim ficava contente em saber que podia dar carinho ao homem que gostava. Ou melhor, que pôde. Porque agora que haviam voltado para Seul, seria difícil que dividissem uma rotina, ou que dividissem a mesma cama por um período de tempo. Aquilo, ao contrário dos gestos de carinho, incomodava Jimin imensamente.

“Eu tenho quase certeza de que você transou, mas você não está com cara de quem transou.” Taehyung disse quando entrou na sala e viu Jimin sentado no sofá encarando o teto como se ali fosse achar todas as respostas para seus problemas. Ele se aproximou e jogou seu corpo ao lado do amigo, encarando-o por alguns segundos antes de respirar fundo e fazer a pergunta. “O que houve?”

“Eu não sei o que eu quero.” Jimin disse ainda encarando o teto. Há quanto tempo aquela mancha marrom estava lá? Será que foram eles que a colocaram lá, ou havia sido o antigo morador do apartamento? “Eu não sei o que ele quer.”

“Meu Deus, você vai para Busan para trabalhar e transar e volta filosofando.” Taehyung bufou e conseguiu arrancar uma risada fraca de Jimin, que finalmente parou de olhar para o teto para olhar para seu amigo. “O que te deixou pensativo, Chim?”

“Nunca foi só sexo para mim, mas eu me pergunto se ainda é só sexo para ele.” Jimin piscou os olhos algumas vezes e mordeu seu lábio inferior, pensando nos acontecimentos dos últimos dias. “Sei lá, eu notei uma diferença. Mínima, mas estava lá. Vai ver só foi diferente porque a gente transou em uma cama ao invés do banheiro da empresa, mas... Não sei, eu queria me dar um pouco de esperança.”

“Eu não estava lá para ver vocês dois interagindo, mas veja como ele vai se comportar a partir de agora.” Taehyung disse depois de um silêncio curto, jogando na mesa seus pensamentos. Jimin absorveu suas palavras e fez um som concordando, como se estivesse colocando sua cabeça em ordem também. “Se nada mudar, então não se dê essa esperança. Pode ser difícil, mas vai ser o melhor para você. Agora, se você sentir que ele está o mesmo Yoongi de Busan, então alimente um pouco. Ouviu bem o que eu disse? Pouco. Hoseok hyung me contou das suas choradeiras no banheiro.”

“Ok, anotado.” Jimin deu uma risada fraca e puxou Taehyung para um abraço, surpreendendo seu amigo. “Obrigado, Tae. Foi estranho passar esses dias sem você, estou acostumado demais com sua presença pela manhã.”

“Ah, Chim, não fale assim.” Taehyung abriu um largo sorriso e devolveu o abraço. “Assim você vai me fazer chorar.”

Assim como Taehyung havia o instruído, Jimin passou o resto da semana analisando como seu chefe se comportava com ele. Não havia sido nada como foi em Busan, pelo contrário, estava bem como era antes de eles irem. Às vezes ele dava uma risada triste enquanto pensava naquilo, Yoongi perguntava o que estava acontecendo, e com um simples balançar de sua cabeça, Jimin mudava de assunto e voltava a falar de trabalho. Ele se perguntava por que ainda se dava um pingo de esperança se sabia que no final quebraria a cara, não importava o que acontecesse.

Só que ele não tinha mais tempo – ou paciência – para ficar questionando o que poderia fazer para mudar, ou o que ele estava fazendo de errado. Jimin estava começando a aceitar as coisas do jeito que eram, sem nem tentar um diálogo ou tentar buscar uma resposta para as quinhentas perguntas que sempre rondavam sua cabeça. Se Yoongi queria agir diferente com ele quando eles estavam dentro de sua bolha, bem longe de Seul e Daegu, que fosse assim. Se Yoongi queria manter o deixa acontecer deles do jeito que estava, que fosse assim também. Jimin não questionaria mais, e aproveitaria a amizade – e o sexo, claro – que tinha com seu chefe.

Se Yoongi queria uma rapidinha no banheiro no final do dia ao invés de ir para um motel com uma cama confortável e uma banheira de hidromassagem, assim seria. Se Yoongi queria comprar milk-shake e sorvete para Jimin apenas para pagar de bom amigo, assim seria. Se Yoongi queria conversar sobre a vida como dois bons amigos faziam no caminho de volta para casa, assim seria. Jimin não tentaria ir contra isso e não pensaria por que eles não estavam indo contra isso quando claramente podiam dar certo.

“Você não acha que isso pode ser ruim?” Hoseok disse de cenho franzido, dando um gole em sua cerveja e colocando-a na mesa de centro novamente. Jimin suspirou e passou as mãos no rosto, sem saber mais o que fazer. “Eu estou falando numa boa, Jimin. Ok, bom para você simplesmente aceitar as coisas, mas não acha que seria melhor dar um fim ao invés de continuar?”

“Achei que você torcesse por mim!”

“E eu torço, Jimin.” Hoseok abriu um pequeno sorriso de canto e apertou uma bochecha do amigo, fazendo-o resmungar baixo. “Só que eu não posso torcer por você quando eu sei que você quer muito mais do que tem. Além do mais, o Yoongi nem é isso tudo para você se submeter a esse tipo de coisa.”

“Você só fala isso porque já está amando outra pessoa.” Jimin fez um biquinho.

“E você ama o Yoongi?”

Silêncio.

Não, claro que não.

Mas ele sentia que estava chegando bem perto disso.

Passar o sábado na casa de Hoseok e Jungkook estava sendo uma baita distração e terapia para Jimin. Mudar os ares às vezes era bom, e por mais que amasse Taehyung como se ele fosse de sua própria família, ele precisava ouvir opiniões diferentes e precisava ver rostos familiares, mas que não fossem os mesmos. Era bom ficar jogado em um sofá diferente, tomando latinha de cerveja atrás de latinha de cerveja, rindo alto de alguma piada ruim que Jungkook havia contado. Era bom lembrar que ele tinha mais pessoas em sua vida que o faziam feliz além de Yoongi, e que poderia contar com aquelas mesmas pessoas caso ele passasse por alguma dificuldade.

A casa deles era diferente durante o dia, e Jimin até deu uma risada quando andou pelo corredor e viu a porta do quarto que ele havia entrado da última vez que esteve ali. Parecia que já havia se passado tanto tempo desde então, ainda mais considerando a quantidade de coisas que já tinha acontecido. Brigas, quase relacionamentos, mais brigas, e um monte de palavras que precisavam ser ditas entre Jimin e certas pessoas que preferiam fingir que estava tudo bem.

“Olha só quem trouxe uvas para o trabalho de novo.” Jimin arqueou um pouco suas sobrancelhas quando viu Yoongi sentado em sua mesa com um potinho em mãos, a expressão satisfeita de alguém que estava conseguindo ser saudável pelo menos por um dia. Ele levou uma fruta até a boca de Jimin, que a pegou evitando ao máximo tocar os dedos de Yoongi e murmurou em aprovação. “Elas estão gostosas. O que foi, vai parar de pagar milk-shakes para mim?”

“Posso até continuar pagando seu milk-shake, mas eu meio que comecei uma dieta.” Yoongi tentou piscar um olho discretamente, mas ficou parecendo que um cílio tinha caído ali e estava o incomodando. Jimin deu uma risada e puxou uma cadeira para se sentar ao lado dele e pegar mais uvas. “É sério! Eu visitei uma nutricionista e tudo, e agora eu faço aula de pilates!”

“Pilates?” Jimin arqueou uma sobrancelha, o deboche explícito em cada ação sua. “Estou tentando te imaginar com roupas de ginástica, mas a ideia não entra na minha cabeça. Só consigo te imaginar de terno, terno e terno.”

“Você se esqueceu do pijama de estrelinhas que eu usei em Busan.” Yoongi colocou seu dedo polegar e indicador no queixo, fazendo uma pose ridícula que arrancou uma risada alta de Jimin. “Eu sou um homem de muitas vestes diferentes, Park Jimin. Exijo respeito.”

“Hm, você pode exigir respeito em outras circunstâncias, mas não agora.” Jimin disse com a voz baixa, pegando uma uva e colocando-a em sua boca com um sorriso malicioso estampando o rosto. “Por falar nisso, a gente podia conversar mais tarde, não é mesmo?”

Conversar nunca significava conversar de fato, e eles já sabiam disso. Quando Yoongi apareceu em sua sala no décimo primeiro andar depois de um dia cheio já empurrando Jimin contra a mesa e tirando seu fôlego com um beijo, o homem mais novo só conseguiu soltar uma risada fraca e corresponder ao toque, apressando-se em levar sua mão até o cinto de couro de seu chefe. Ele adorava a textura do material, o cheiro, e sabia só de olhar que aquele acessório havia sido caro assim como praticamente tudo que Yoongi possuía. 

Como Jimin podia deixar aquilo que eles tinham de lado quando ele amava ficar de joelhos na frente do seu chefe, implorando para que ele o deixasse chupa-lo? Yoongi também gostava, sabia que gostava, então como podia deixar seu chefe na mão quando ambos gostavam tanto do que faziam? Jimin gostaria de ter mais, sim, isso era fato, mas ele também amava o que já tinha.

Os dias iam passando, transformando-se em semanas, e Jimin ia levando o deixa acontecer deles da forma que devia ser. Sem se preocupar em mudar, sem se preocupar em sentar com Yoongi e ter uma conversa para ou dar um fim naquilo ou levar o que eles tinham adiante. Hoseok estava sempre ao seu lado lhe dando conselhos e mostrando sua preocupação, mas também sempre terminava seus discursos dizendo que Jimin já era grandinho e sabia bem o que devia fazer com sua vida. Taehyung ainda era mais insistente, tentando convencê-lo de que o esquema não era mais uma boa ideia, mas era apenas porque ele já conhecia seu melhor amigo há anos e sabia que podia dar opinião quando bem quisesse.

“Preciso que você marque uma viagem para Daegu, esqueci de te pedir mais cedo.” Yoongi disse ajeitando sua gravata enquanto se olhava no reflexo do espelho do banheiro. Jimin ajeitava seu colarinho e franziu o cenho. “Para o fim de semana.”

“Não vi nada marcado para você em Daegu.” Jimin parou seus movimentos e observou Yoongi pelo reflexo, sem querer encontrar seus olhos diretamente. “Será que eu deixei alguma coisa passar? Eu não–”

“São questões pessoais.” Yoongi murmurou e terminou de ajeitar sua roupa, caminhando em direção à porta sem olhar para trás. Jimin tentou impedir a carranca de se formar em seu rosto, mas não conseguiu. “Pode fazer isso por mim?”

“Claro, senhor Min.”

Yoongi soltou um suspiro e olhou para Jimin, querendo saber o que o uso daquele termo significava. Jimin não disse nada e passou por seu chefe, saindo do banheiro e caminhando em direção ao elevador como eles sempre faziam todos os dias. Yoongi já sabia que o homem o chamava de senhor Min quando estava irritado e não queria falar sobre, e odiava quando ele fazia isso. Obviamente ele gostava quando ouvia aquelas palavras e o clima não estava pesado, muito longe disso. Às vezes ele gostava de sentir como se estivesse no controle, sabendo que podia mandar e desmandar a qualquer hora. Só que ali, com Jimin claramente irritado com alguma coisa, o senhor Min não enviou ondas de prazer por seu corpo, e sim o fez questionar-se o que tinha feito de errado.

Jimin por vezes se perguntava se Yoongi não reparava, ou se preferia ignorar seu comportamento enciumado. Será que ele sabia que Jimin ia a fundo em suas notas fiscais, será que ele sabia das suspeitas de seu secretário? Não era possível que ele fosse tão desatento assim. Jimin também se questionava, tendo conversas com si mesmo dentro de sua cabeça perguntando se ele não tinha interpretado os restaurantes e flores de maneira errada. Ele não sabia como interpretaria aquilo de maneira errada, mas por que Yoongi deixaria que Jimin cuidasse tanto de sua vida se tivesse algum significado? Não fazia sentido deixar nas mãos do homem tudo que poderia relevar sua vida com outra pessoa. 

Jimin havia parado de tentar aprofundar a relação deles, mas não significava que ele havia parado de pensar na situação inteira.

“Olha, eu não sei o que eu fiz.” Yoongi respirou fundo e apertou o volante em suas mãos. Jimin escolheu focar naquela ação ao invés de focar no rosto dele. “Mas você está claramente irritado comigo, e eu acho melhor te pedir desculpas.”

“Você não precisa pedir desculpas se não sabe porque eu estou irritado.” Jimin bufou e tirou seu cinto de segurança, esticando sua mão para abrir a porta quando sentiu Yoongi o impedindo de fazer aquilo. “Me deixa ir.”

“Fala comigo,” Yoongi pediu em voz baixa, atraindo a atenção de Jimin. Era raro vê-lo daquela forma, tão... fácil de ler. Por um momento, o homem mais novo sentiu como se pudesse entender o que se passava em sua cabeça. “O que eu fiz? Foi por que eu falei de Daegu?”

“Não foi porque você falou de Daegu, foi porque–” Jimin grunhiu e colocou as mãos no rosto, esfregando seus olhos em uma tentativa de organizar seus pensamentos antes que ele falasse alguma besteira. “Não fala de trabalho logo depois da gente transar, Yoongi hyung. É muito estranho.”

“Jimin, nós não–”

“Eu sei, nós não somos nada, essa coisa que nós temos fica só no escritório, eu sei disso tudo.” Jimin balançou as mãos e sacudiu a cabeça, sem paciência para ouvir aquele discurso de novo. “Só que irrita muito você querer me lembrar disso toda vez que a gente faz alguma coisa. Às vezes eu ainda estou sem chão do orgasmo, e você já vem com um papo de marcar viagem, ou ver reunião, ou falar com gerente tal, e porra–”

“Jimin–”

“Eu tenho plena consciência de que você nunca vai querer nada comigo, não precisa se preocupar porque eu também não quero nada com você, que merda!” Jimin gritou, ouvindo sua voz morrer em poucos segundos dentro do carro. Ele estava respirando rápido, Yoongi o encarava, e o pisca-alerta estava ligado. “Não precisa ficar me lembrando disso a cada cinco segundos. Você é meu chefe, eu sei disso. Não dá para esquecer.”

“Era... Era só isso?” Yoongi engoliu em seco. “Você não quer nada comigo?”

“A única coisa que eu quero de você é manter meu emprego.” Jimin respirou fundo e fez questão de olhar no fundo dos olhos de Yoongi enquanto falava. A mentira o machucava, mas era melhor que ele fizesse aquilo antes que as coisas saíssem de seu controle. “E a merda do seu pau. Só isso.”

“Meu pau...” Yoongi fez uma cara de confusão, refletindo sobre o que havia acabado de ouvir. “Meu pau é uma merda?”

Min Yoongi!

“Certo, entendi.” Yoongi umedeceu os lábios e segurou o volante, pensando um pouco antes de continuar. “Você ainda quer minha amizade, né?”

“Sim.” Jimin rolou os olhos e colocou a mão na maçaneta da porta, pronto para sair dali a qualquer instante. Gritar tinha acabado com a pouca energia que ainda o restava, e ele queria mais do que tudo chegar em casa e tomar um banho de banheira. “Sim, Yoongi hyung, eu ainda quero sua amizade. Meu emprego, seu pau e sua amizade.”

“Tudo bem.” Yoongi respirou aliviado. Jimin conseguiu sentir seu chefe o encarando, mas estava fazendo de tudo para evitar o olhar. “Eu realmente não percebia como fazia isso, mas vou parar de falar de trabalho quando a gente acabar nosso... acordo.”

“Obrigado pela consideração.”

Jimin ainda estava com a voz dura, e não fez questão em momento algum de esconder sua irritação. Ele estava com a mão na maçaneta, fazendo o movimento com os dedos para abrir a porta, quando ouviu Yoongi sussurrar seu nome. Jimin era um homem fraco, não importava o que as outras pessoas ou ele achasse, ele ainda era fraco. Então ele parou na mesma hora e virou sua cabeça para trás, sendo surpreendido com a proximidade de seu chefe.

Foi rápido, breve, e quase não deixou um gosto em sua boca, mas aconteceu. Yoongi deixou um selinho em seus lábios e o desejou uma boa noite, apontando com a cabeça na direção da porta. Jimin assentiu e retribuiu a gentileza, saindo do carro com passos rápidos.

Quando entrou em seu apartamento, Taehyung não questionou o que havia o deixado tão irritado. Não questionou quando ouviu gritos abafados por uma almofada ou um travesseiro, e não questionou quando Jimin deixou que seu corpo ficasse na textura de uma uva passa por passar tempo demais na banheira.

Min Yoongi havia confundido sua cabeça inteira com um simples selinho

***

Demorou para Jimin descobrir, mas no décimo terceiro andar havia escadas que o levavam para a cobertura do prédio da empresa. Era um local aberto com alguns bancos e quase ninguém ia ali, nem mesmo no horário de almoço. O chão era revestido por madeira e fazia um barulho agradável quando seus sapatos sociais batiam sobre a superfície, fazendo-o se sentir como uma pessoa importante. O vento soprava forte, mas Jimin gostava da sensação de seu cabelo voando em todas as direções que a natureza desejava.

Ele queria ter descoberto aquele lugar antes, até mesmo proferiu alguns palavrões em direção à Hoseok que já sabia da existência da cobertura e nunca o contou nada. Seu passatempo favorito era correr escadaria acima assim que terminava de comer, aproveitando a brisa e olhando para os outros arranha-céus que pintavam a paisagem da cidade. Às vezes ele roubava a sobremesa do dia que era oferecida pelo restaurante da empresa e ficava sentado em um dos bancos, comendo em paz sem ninguém para atormentar seus pensamentos ou encher sua paciência.

Taehyung o acompanhava às vezes, com sua sobremesa em mãos e um olhar perdido de quem também estava pensando muito. Em momentos como aquele nenhum dos dois falava nada, o que era um alívio, porque Jimin usava a cobertura para relaxar a mente e não pensar em coisa alguma, deixando todos os seus problemas e preocupações no décimo primeiro andar – junto com o homem que trazia uvas para comer depois do almoço todos os dias, esquecendo-se completamente dos sorvetes e dos milk-shakes. 

Uma vez, em um dia que Hoseok estava com uma carranca horrorosa em seu rosto e cutucava sua comida como se ela lhe tivesse feito algum mal, Jimin encontrou Jungkook sentado em um dos bancos da cobertura, seu corpo encolhido e seus braços envolvendo suas pernas. Ele suspirou e se aproximou lentamente, sabendo que o clima pesado entre os dois só podia significar uma coisa. Jimin se perguntou como não havia percebido o que estava acontecendo antes, mas deixou todos os seus questionamentos de lado a favor de colocar um sorriso reconfortante no rosto.

“Eu não sei o que aconteceu, mas você sabe que ele te ama, não é mesmo?” Jimin se sentou ao lado de Jungkook e colocou uma mão em seu ombro, fazendo o homem mais novo soltar uma risada fraca, seu corpo se movendo junto. “O Hoseok te ama muito.”

“Eu nunca duvidaria disso.” Jungkook abriu um pequeno sorriso de canto e olhou para suas mãos, mais especificamente para uma pulseira de prata que ele sempre carregava em seu pulso. “Só é difícil ser ruim em mostrar o quanto eu o amo.”

“Ele sabe que você o ama.”

“Às vezes só saber não basta, hyung.” Jungkook entrelaçou seus dedos e suspirou, olhando para o céu nublado e fechando os olhos. “Uma demonstração de carinho às vezes é necessária, mesmo que seja o mínimo. Ainda mais com o Hoseok que ama receber atenção.”

“Foi por isso que vocês brigaram?” Jimin falou com a voz baixa.

“Eu ando meio distante esses dias, muito trabalho e pouco tempo.” Jungkook abriu os olhos e resolveu encarar os prédios que estavam longe, passando a língua nos dentes enquanto pensava. “Depois de tantos anos juntos você não precisa dizer que ama seu parceiro o tempo todo, mas se esquecer completamente de demonstrar isso pode ser ruim.”

“E ele reclamou?”

“Ele acabou ficando distante também, eu reclamei.” Jungkook suspirou e sacudiu a cabeça devagar, querendo apagar seus pensamentos mesmo que por alguns instantes. “Minha manhã não começou exatamente da melhor maneira. Mas você nos conhece, até o final do dia a gente resolve isso.”

“Não se esqueça de demonstrar seu amor, Jeon Jungkook.” Jimin bateu de leve no ombro do homem e abriu um pequeno sorriso, contente em saber que tudo se resolveria. “Menos palavras, mais ações. Você consegue.”

Jimin gostava de ver Jungkook e Hoseok no final do dia cuidando das coisas um do outro, como um verdadeiro casal fazia. Hoseok se preocupava mais em ter certeza de que Jungkook estava bem do que pensar em como ele próprio estava, o que acabava funcionando, porque, no final das contas, Jungkook também cuidava dele para garantir que tudo estava em seu devido lugar. Às vezes um simples gesto de se oferecer para carregar seus pertences já era preocupação, dedicação, carinho. Jimin também via isso acontecendo com Namjoon e Seokjin, que praticamente dançavam em volta um do outro arrumando suas coisas para ir embora, procurando pelo outro o que um deles poderia ter esquecido. Namjoon, pegou a chave de casa? Jin, colocou aquele documento na gaveta? Pequenas ações que mostravam que eles se preocupavam um com o outro.

Ele queria poder ignorar o aperto em seu peito quando reparava naquelas coisas, sentindo a presença de Yoongi ao seu lado sem fazer nada enquanto esperava pelos amigos para pegarem o elevador para ir embora.  

“Você só gosta de mim por causa dos sorvetes que eu te pagava.” Yoongi disse uma vez depois do almoço. Jimin resolveu não ir para a cobertura, escolhendo ficar na sala de seu chefe por alguns minutos antes de voltar a trabalhar. “Agora você desaparece depois que termina de comer.”

“É verdade, eu só gosto de você pelos sorvetes de graça.” Jimin disse com uma sobrancelha arqueada, um sorriso divertido em seu rosto. Yoongi rolou os olhos e fez com que ele risse. “Não é isso, é que eu descobri a cobertura recentemente e gosto de ir para lá.”

“Hm, a cobertura?” Yoongi arregalou um pouco os olhos e tirou um pedaço de sua maçã – as uvas me cansaram, palavras do próprio. “Jin hyung vai para lá às vezes.”

É, Jimin acabou vendo que Seokjin ia para lá alguns dias depois.

O sol brilhava bem no meio do céu, mas não estava quente. Jimin deixava que a vitamina D entrasse em sua pele e o nutrisse, repetindo em sua cabeça uma porção de vezes que ele era uma planta e precisava daquela energia. Ele também se perguntava o que aconteceria com a planta de plástico do hall do décimo primeiro andar se ele a colocasse ali, bem ao seu lado. Nada, era a resposta. Jimin preferia ficar pensando naquelas baboseiras do que ficar pensando em coisas que o deixariam frustrado.

Ele ouviu o som de um banco sendo arrastado, cada vez chegando mais perto de onde estava sentado. Quando Jimin abriu os olhos, Kim Seokjin estava bem ao seu lado atacando um pequeno pote de mousse e emitindo sons de aprovação a cada colherada que entrava em sua boca.

“A que devo a honra de sua presença?”

“Credo, que formal.” Seokjin deu uma risada e colocou o pote de mousse de lado, a sobremesa finalizada em questão de segundos. “A cobertura não é só sua, e além do mais, foi minha ideia colocar esses bancos aqui. Você deveria me agradecer, Park Jimin.”

“Obrigado.” Jimin se pegou rindo também. Era impossível ficar sério na presença de Kim Seokjin, ele já havia aceitado. “Mas você não veio aqui só para atacar seu mousse e admirar a vista, veio?”

“Eu vim dar um discurso chato que você provavelmente já ouviu de Hoseok, mas dessa vez com mais profundidade no assunto.” Seokjin suspirou e olhou para Jimin, que já sabia onde aquilo ia dar. Ele só não sabia se estava tão animado para conversar. “Mas eu só estou fazendo isso porque eu tenho um amigo que consegue ser mais burro do que uma porta.”

“Eu não sei se tenho permissão para chamar meu chefe de burro.”

“Ah, eu não estou aqui para falar da relação profissional de vocês naquele andar infernal, então você tem permissão, sim.” Seokjin deu uma risada e balançou a cabeça. “Quem me dera se eu tivesse vindo aqui para falar disso, Yoongi é um exemplo de homem, você já deve saber disso. Provavelmente se casaria com o trabalho se pudesse.”

“É, eu sei.” Jimin abriu um pequeno sorriso, imaginando seu chefe sentado em sua cadeira assinando contratos e falando ao telefone com seu tom de voz autoritário.

“Esse é o problema.” Seokjin suspirou, provavelmente cansado daquela situação tanto quanto Jimin estava. “As três coisas mais importantes na vida de Yoongi são o trabalho, a família e os amigos. Nessa ordem. E isso me irrita, porque se é para ter uma ordem, família e amigos deveriam vir primeiro e o resto se embolaria.”

“Não lembro de você ter mencionado amor.” Jimin murmurou, sabendo que era por aquele motivo que Seokjin tinha começado aquela conversa em primeiro lugar.

“Isso me irrita ainda mais!” Seokjin falou, seu tom de voz aumentando. Jimin queria rir, mas já não conseguia mais como antes. “Eu conheço o Yoongi há anos, desde uma época que ele dava espaço para essas coisas. Uma época muito antes de nós dois termos nossos empregos, antes mesmo de eu conhecer Namjoon.” Seokjin fez uma pausa para respirar. “Eu nem devia estar te contando isso porque a história não é minha, mas eu preciso contar para chegar aonde eu quero.”

“Continue, então.”

“Yoongi já foi completamente apaixonado por uma menina, era insano. Ele fazia de tudo por ela, e ela fazia de tudo por ele. Eles até chegaram a noivar, mas obviamente não deu certo.” Seokjin fez uma pausa e mordeu a língua, pensando se devia continuar ou não. “Ela recebeu uma proposta de emprego fora do país, e ele recebeu uma proposta imperdível aqui na cidade mesmo. A briga foi feia, eles terminaram e nunca mais se falaram. Se você o perguntar se ele sabe como ela anda, Yoongi não vai saber dizer e não vai querer saber. Desde então ele não quis mais saber de romance, de casamento, de absolutamente nada. Ele teve inúmeras pessoas caindo aos seus pés, mas ele não queria nada com ninguém porque se fosse perder outro amor por causa de emprego de novo, era melhor que o amor dele fosse o emprego.”

“Aonde você quer chegar com isso?”

“Você foi a primeira pessoa que eu vi ter alguma coisa mais sólida com ele desde então.” Seokjin disse com a voz baixa, e o silêncio que se instalou entre eles foi pesado. De repente, o estômago de Jimin começou a revirar e dar mil cambalhotas. “Eu sei que não é nada sério, não se preocupe, mas você foi o único que ele não pensou em abandonar, ou pensou em fugir. Mesmo que seja só sexo casual, ou o que quer que seja.”

“Senhor Kim, eu não–”

“Jin hyung já basta.” Seokjin o interrompeu, levantando uma mão para impedi-lo de continuar a falar. “Um passarinho me contou que você desistiu de insistir em transformar esse negócio de vocês em outra coisa, e outro passarinho me disse que você gritou na cara dele que não queria nada com ele.”

“Você conhece uns passarinhos muito fofoqueiros.” Jimin murmurou.

“Eu sei de mais coisa do que você imagina, Jimin.” Seokjin abriu um sorriso simpático que fazia os cantos de sua boca ficarem fundos, quase como covinhas no lugar errado. “Não importa o que seja esse seu negócio com o Yoongi, não desista. Não deixa do jeito que está, insiste mais um pouco. Acho que Yoongi só quer alguém que o mostre que vai ficar, não importa o que aconteça. Ele fica apavorado com relacionamentos, ainda mais relacionamentos que estão diretamente relacionados ao seu trabalho.”

“Eu não posso fazer tudo sozinho, Jin hyung.” Jimin fez uma careta, lembrando-se do quão cansado estava daquela história toda. “Eu não posso tentar puxar a corda de um lado quando o Yoongi está fazendo de tudo para puxar do outro.”

“Você o conhece.” Seokjin balançou a cabeça. “Esconde tudo o que sente atrás de mil portas de ferro, mas no fundo quer abrir todas elas para deixar alguém entrar. Acho que você tem as chaves para abrir essas portas.”

“Quantas metáforas.” Jimin bufou, arrancando uma risada fraca de Seokjin. Ele pensou mais um pouco na conversa que tiveram e encarou o homem mais velho sentado ao seu lado, organizando sua pergunta antes de dizê-la. “Você disse que eu fui a única pessoa com quem ele teve alguma coisa mais sólida depois dessa noiva dele. Isso é verdade?”

“Que eu saiba, sim.” Seokjin confirmou. “Por quê?”

“Nada,” Jimin sacudiu a cabeça e abriu um sorriso, olhando para os prédios que ele já estava se acostumando a encarar. “Só curiosidade.”

Seokjin era bom com palavras.

Talvez Jimin insistisse mais um pouco no deixa acontecer


Notas Finais


Eu ainda tô com Deixa Acontecer™ na cabeça, e eu fico toda vez que posto um capítulo.
Mas parece que esse deixa acontecer vai dar uma mudada, né.
E agora a gente sabe mais um pouco do Yoongi, eba. <3
Pra quem tem ENEM amanhã, não se esqueçam que por via das dúvidas é melhor fazer regra de três em matemática, e se der um branco em como fazer uma questão de física, só sai multiplicando todas as variáveis e torce pra dar certo. E qualquer coisa chuta B de BTS. É isso. Mentira, não me escuta, mas o negócio da regra de três é sério. Quem for fazer, espero que faça uma boa prova! <3
Espero muito muito que tenham gostado do capítulo, qualquer coisa é só gritar comigo nos comentários ou no twitter (@/yunttai)! Até semana que vem~ <3


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