História Dédalo - Capítulo 2


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Categorias Originais
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Palavras 1.355
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - 1


Jason levantou-se da cadeira e deu mais uma volta na mesa pequena que ficava no centro da sala. Aquela era a vigésima terceira volta, se não lhe falhava a memória, desde que foi trancado na sala de interrogatório do escritório do FBI em Baltimore. A noção de tempo já havia se perdido há muito mas ele tinha a impressão de estar lá, sozinho, há umas dez horas. Sentou-se novamente na cadeira metálica parafusada ao chão, apoiou o queixo sobre a palma da mão direita e ficou fitando o vidro espelhado da janela do outro lado da sala. O magrelo agente Meerow deveria estar do outro lado, provavelmente com um balde de pipoca assistindo a sanidade do jovem ruivo ir lhe deixando aos poucos.

Mais alguns minutos se passaram antes que o suspense finalmente chegasse ao fim. A porta da sala se abriu vagarosa e, por ela, passou o irritante agente especial. Jason sorriu largamente ao vê-lo mas engoliu o sorriso assim que o outro pousou sobre a mesa um pequeno gravador cinza. O agente do FBI sentou-se na cadeira de fronte ao jovem e, sem falar nada, pressionou um botão no pequeno equipamento, empurrando-o até o centro da mesa e se debruçando sobre a mesma com os olhos cravados em seu principal suspeito.

Um ruído leve soou na sala e depois uma voz metálica e grave, alterada por um software especializado, começou:

- Você está atrasado no cronograma. - A voz soou apreensiva.

- Olha só, entrar aqui não é nada fácil, como você deve imaginar. - uma outra voz, masculina, respondeu.

- Eu acho bom você se mover logo, Fry. Não vamos ter outra oportunidade como essa. - A voz metálica respondeu.

Um silêncio de uns trinta segundos permeou os dois habitantes da sala enquanto Meerow continuava fixo, encarando Jason. Depois, o gravador continuou:

- Fry, você ainda tá aí?

- Estou. Vou estar em posição dentro de três minutos.

- É tempo demais… Os dados ficarão inutilizáveis em dois minutos e quarenta e sete segundos.

- A porta não quer abrir, Eureka. Eu estou fazendo o melhor que eu posso aqui.

- Eu não posso religar tudo o que eu desliguei, Fry… Você vai se queimar em dois minutos e trinta e um segundos e agora não há nada que eu possa fazer.

- Eu vou dar um jeito.

- Eu tenho que desligar. Boa sorte, Fry.

- Eu vou precisar, Eureka… Eu vou precisar.

Um click mecânico alertou o agente Meerow indicando o final da gravação. O moreno, magro e trajado com um terno grafite, se levantou e ajeitou a gravata. Jason arregalou os olhos e cruzou os braços, confuso.

- Eu sei que é você, senhor Gumper. Na gravação, eu digo… - O moreno caminhou até a janela, sem parar de observar o outro através do reflexo no vidro espelhado. - Se você está com o disco, eu acho bom me dizer aonde escondeu ele ou revelar a identidade do outro cara na gravação.

- O outro cara na gravação se chama Fry, Meerow. - Jason retrucou, tirando as mãos de cima da mesa e entrelaçando os dedos atrás da nuca, enquanto esticava a coluna, ainda sentado. O agente se virou, estreitando o olhar e demonstrando curiosidade. - Ele é um negão que eu conheci num baile gay, alguns meses atrás. A gente teve um lance… O cara partiu o meu coração e por isso eu tranquei ele num forno gigante. Acho que ele está morto agora, e o disco com as fotos da sua mãe deve estar derretido, não se preocupe. - O ruivo concluiu, sorrindo.

- Você acha que isso é uma piada. Não é, garoto? - O agente balançou a cabeça negativamente, com as mãos no bolso.

- E não é? - O rapaz crispou o olhar, franzindo a testa, e inclinou a cabeça levemente.

- De dez anos à perpétua. - Meerow aproximou-se da mesa e deixou o silêncio preencher o cômodo por alguns segundos. Depois, continuou. - É isso que você vai pegar por hackear e invadir um prédio federal, seu merdinha. Ou você me diz quem é o cara com você na gravação ou eu vou cuidar pessoalmente para te colocar na cela de um estuprador psicopata. O que vocês fizeram com o HD, Jason?!

O ruivo piscou devagar. Se endireitou na cadeira, olhando para os lados e depois esticou-se para alcançar um bloco de papel e uma caneta que estavam lá desde que o rapaz havia sido trancafiado. Depois ele rabiscou um número de telefone e empurrou para Meerow.

- Liga pra esse cara. O nome dele é Mack, mas eu chamo de senhor gordinho. Pede pra ele vir aqui e me trazer um hambúrguer sem picles, porque eu tou com uma fome do caralho. Aproveita e diz pra ele o número do seu distintivo, assim a gente já adianta as coisas no processo… - Ele parou e pigarreou com força, continuando. - QUE EU VOU ENFIAR NO CÚ DO FBI POR ME DEIXAR TRANCADO NESSA MERDA DE SALINHA SEM UMA ACUSAÇÃO PLAUSÍVEL!

Meerow pressionou as têmporas com os dois dedos das mãos, massageando de leve. Depois de novamente balançar a cabeça em reprovação, sentou-se e atirou o bloco de papel na direção de seu suspeito.

- Você tá bancando o idiota pra mim… Esse é o jogo, moleque? Acontece que o ip de onde partiu essa ligação aponta pro seu endereço e, coincidentemente, você é um jovenzinho com uma lista de crimes virtuais muito longa para alguém da sua idade. Não é mesmo, Eureka?

- Cara… Você é muito burro para trabalhar na divisão de ciber-terrorismo, sabia? - O ruivo se levantou, apoiando-se na mesa e se alongando na direção do agente, que pressionou o maxilar em resposta, fazendo brotar uma dobra raivosa nas bochechas lisas. - Você não se deu nem ao trabalho de puxar a minha ficha completa, seu animal? - Meerow franziu a testa, parecendo confuso. - Eu nem tenho um computador, seu filho da puta! E se eu fosse hackear um prédio do governo você jamais ia saber que fui eu! Até o codinome está errado nessa sua acusação, seu carimbadorzinho de merda…

Meerow se levantou praticamente ao mesmo tempo em que Jason se deixou cair de volta na cadeira. O agente do FBI, visivelmente abalado pelas declarações do rapaz, ficou parado alguns instantes. Jason passou a língua pelo lábio superior, enquanto aproveitava o olhar de confusão no rosto do agente Meerow.

- Sai daqui, vai até a sua mesinha, pega o telefone e chama o agente Castro, em Washington. Depois que ele terminar de te dar o esporro, você volta aqui e me solta… Pode ser?

- Castro? O que tem ele? - Meerow inqueriu, ainda mais confuso.

- Olha só Doug… Faz o que eu tou te falando e, talvez, você não perca o seu distintivo, tá legal?

Meerow se afastou da mesa vagarosamente. O rapaz sentado do outro lado lhe fitava, desafiador, apesar de seus dezoito anos. Alguma coisa não estava certa mas continuar pressionando o jovem poderia complicá-lo ainda mais, caso ele realmente conhecesse o agente especial Robert Castro. Castro era um dos oficiais responsáveis pela coordenação do departamento contra ciber-terrorista, mas ninguém sem um boa ligação na agência teria como saber disso. Douglas mordeu o lábio, instintivamente, e virou em direção à porta.

- Meerow. Fala pro Castro que se a Eureka ligar e eu não estiver lá para atender, essa porra toda pode ter sido em vão, tá? - O ruivo completou, enquanto Meerow segurava a porta entreaberta.

- Eureka é uma mulher? - O agente questionou surpreso, ainda parado à porta.

- Na volta, me traz aquele hambúrguer. - Gumper provocou, dando uma piscadinha com o olho direito. - Ah... sem picles. Não esquece… Eu sou alérgico.

Meerow apertou o trinco, raivoso. Depois, sem dizer nada, saiu da sala batendo a porta com força. Jason àquela altura já tinha um riso largo pregado à face magra e sem barba. Batucava com os dedos na borda da mesa, aguardando o retorno do pobre detetive que não o conhecia tão bem quanto imaginava.

CONTINUA...



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