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História Defeito Perfeito - Capítulo 12


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Notas do Autor


Demorou mas vocês já passaram por mares mais turbulentos.
Este é o penúltimo capítulo e foi extremamente estranho escrevê-lo. No entanto, sabemos que tudo que é legal às vezes vira um buruçu quando se alonga, então é melhor ficar no 8 do que ir pro 80 e derreter a sobremesa.
A parte tão importante foi estilizada levemente e me foi um mimo pra todas as vezes que sofri de amor e saudade bêbada ao som Pearl Jam.
E falando em ao som de algo, a nossa playlist continua viva e atualizadíssima:
https://youtube.com/playlist?list=PL3Gpv3ac50rT_EQNaJBsh_EvYjKpDmsC4
Sem mais delongas....

Capítulo 12 - Capítulo 12


Hinata suspirou enquanto passava as páginas do seu livro. Jane Austen realmente tinha sido de longe uma das maiores escritoras de romance da sua época. Era sempre delicioso ver como o coração humano pode se manter fiel aos seus próprios ideais, passando por cima de vários sofrimentos e algumas conquistas possivelmente impossíveis…

Malditos romances da Jane Austen.

Fechou o livro com força e o jogou ao pé da cama. Levantou o corpo e decidiu sair do quarto, na esperança de caminhar pelo quarteirão e ver algumas senhoras idosas e maravilhosas com seus cachorros.

Ao descer as escadas, trombou de frente com Hanabi.

— Oi. — a mais nova sorriu. — Fiz café, tava levando pra você. 

Hinata sorriu, pegando a caneca de café quente que a irmã segurava no espaço entre elas. Olhou rapidamente para a cozinha e viu Konohamaru sentado na mesa, tomando a própria caneca e olhando perdido para algum lugar do cômodo.

— Obrigada, Hana. — ela sorriu. — O lance tá sério, hein?

Hanabi corou e revirou os olhos.

Haviam se passado duas semanas desde o capítulo que Hinata havia carinhosamente apelidado de: “Quando a ovelha negra se tornou um novilho indefeso e quase foi devorado pelo lobo cruel” no seu livro de autobiografia.

— Eu não sei se já te falei antes, mas… Obrigada, Hina. — Hanabi disse, ainda interceptando o caminho.

— Pelo quê?

— Você fez muitas coisas por mim nessas últimas semanas. — Hanabi falou, sentindo-se envergonhada. — Ter ido à festa, ajudado com o papai ficar mais tranquilo quanto ao Kono, estar presente. Tem significado bastante pra mim.

 — Fico realmente feliz. — Hinata passou as mãos pelos ombros da mais nova e bebericou o café com a mão livre.

 — Olha, você realmente tem certeza que não quer ir acampar com a gente? — Hanabi perguntou vendo a irmã se direcionar para a cozinha.

— E ficar tendo que me convencer que vocês dois vão manter a virgindade depois disso? Eu passo. — ela brincou, passando pelo portal da cozinha e sentando-se à mesa com Konohamaru. Que estava envergonhadíssimo. — Olá, Konohamaru.

— Oi, Hinata. — ele afundou-se em si mesmo, engolindo o café.

— Do que os jovens conversam esta tarde? — Hiashi chegou a cozinha, puxando mais uma cadeira e sentando ao lado de Hinata. — Boa tarde, Konohamaru.

Konohamaru automaticamente se engasgou com a bebida e recebendo alguns tapinhas da Hanabi nas costas, conseguiu se recompor.

— B-Boa tarde, Sr. Hyuuga. — falou, ainda tentando não tossir.

— Bom, vamos chegar tarde demais se não sairmos agora. — Hanabi pegou sua mochila e puxou Konohamaru da cadeira. — Tchau, Hina. Tchau, pai.

E com um aceno dos outros componentes da família, Hanabi e Konohamaru se foram.

— Não sei se fico feliz ou desconfiado pelo fato desse menino não ser tão articulado. — Hashi falou, enquanto colocava café na própria caneca.

— Veja pelo lado positivo, provavelmente Hanabi tem 100% das palavras finais. — Hinata brincou.

— Acho que isso me preocupa. 

— Hanabi já provou publicamente não se deixará ser aproveitada. — Hinata tomou um gole do próprio café. — Lembra do filho dos Otsutsuki?

— Oh, sim… — o patriarca cerrou os olhos e fez uma cara azeda com a lembrança. — Nunca gostei dele.

— Pois, é. Nossa garotinha soube que ele estava tentando se aproveitar dela e não deixou barato. — Hinata contou. — Dois bons socos diretos e uma joelhada comprometedora para gerações futuras.

A boa do Hyuuga mais velho abriu-se em incredulidade. Esperava aquele comportamento da sua filha mais velha, que já tinha tido seu mérito em casos como aquele, mas não da sua florzinha desabrochando.

— Espero que não fique chateado porque eu a influenciei. — Hinata deu de ombros.

— Não mesmo. —  Hiashi falou pausadamente. — Fico impressionado. 

— Pai…

— Sabe, Hina… Os pais odeiam o momento quando os filhos tomam o rumo das próprias vidas. Isso nos tira de coadjuvantes e nos coloca em uma posição apenas de espectadores. — Hiashi observou Hinata o encarar plenamente. — Hanabi ainda me deixa marcar alguns gols, mas você me colocou na reserva já faz alguns anos.

— Pai, eu…

— E quando for uma mestranda, nem o jogo eu vou poder assistir. — Hiashi tomou um gole do seu café e o silêncio pairou no ar.

— Quando eu for? 

— Poxa, Hina… — o mais velho falou em um tom de brincadeira. — Não me diga que mudou de ideia. Eu já me exibi para todos meus amigos.

— Pai! — Hinata gritou, os olhos marejados. 

Ela sorriu e lançou os braços ao redor do pescoço masculino, abraçando com força a sua figura paterna, que naquele momento havia tomado um espaço ainda maior no seu peito.

*

Naruto estava jogado na cama há algumas horas. Fitava longamente o teto do quarto enquanto ouvia o som tocar pela segunda vez seu álbum favorito do Metallica.

Never opened myself this way

(Nunca me abri assim)

Life is ours, we live it our way

(A vida é nossa, nós a vivemos do nosso jeito)

All these words I don't just say

(Todas essas palavras que eu apenas não digo)

And nothing else matters

(E nada importa mais)

Virou-se de lado e bufou profundamente. Não conseguia pensar em nada atraente para se fazer naquele sábado à tarde. Sasuke, não surpreendentemente, havia engatado em algo sério com Sakura. Segundo o moreno, não houve um pedido, mas sim um acordo no qual eles iriam engatar numa monogamia restrita à eles dois. E agora, Sasuke, seu companheiro para todas as horas, já tinha uma programação pré-definida para as tarde de sábado.

Virou o corpo para o outro lado da cama e se amaldiçoou, depois de toda aquela história, a única pessoa que tinha se dado mal tinha sido ele. Lembrar da feição feita por Hinata fazia seu coração apertar desesperadamente. Os olhos miúdos, marejados, as bochechas coradas pelos motivos errados… Só queria que ela pudesse o perdoar pelas merdas que ele tinha feito, não precisava nem manterem uma amizade, somente saber que ela não estaria com tristeza ou ódio no coração bastava.

Se perguntava se ela tinha chorado em algum momento, e pensar na possibilidade só o fazia se sentir o pior crápula da face da terra.

Tateou o colchão ao seu lado a procura do aparelho celular e assim que o pegou, desbloqueou a tela, a procura de alguma atualização de algo, de alguma novidade ou lugar para ir.

Ao checar as últimas mensagens recebidas, pôde ver o ícone de Hinata ainda na tela, perto do final. Suspirou profundamente ainda olhando apenas a miniatura da foto da morena. Não poderia negar a ninguém que nos seus melhores sonhos, aquele sábado entediante seria facilmente substituído por qualquer dia ao lado dela.

Precisava urgentemente arrumar alguma forma de fazer Hinata ouvir o que ele precisava dizer.

Mas o que ele iria dizer? Explicar que era tudo um mal entendido? Que realmente ele aceitou o dinheiro do Toneri, mas não foi por nada pessoal, e sim porque queria extorquir o babaca? E que se ela quisesse, ele pagaria um contrabaixo novo pra ela com aquele dinheiro?

Sabia que isso não seria o suficiente pra que ela pudesse perdoá-lo. E sabia que não iria sossegar apenas com um “esquece isso, Naruto”. Queria poder estar com ela novamente, tê-la consigo. 

Sentiu o estômago roncar e jogou o corpo para fora da cama, arrastando-se em direção à cozinha. O celular vibrou no bolso e ele conferiu uma mensagem, de uma moça com quem costumava ficar antes de tudo isso.

Sentiu-se extremamente culpado ao ler a mensagem totalmente desconectada com o sentimento que tinha. Riu com a própria atmosfera de tristeza que o assolou, não conseguia sequer cogitar a hipótese de estar com outra moça. Só queria ficar chapado e ir dormir, depois de quem sabe chorar um pouco pelo completo idiota que ele era.

*

Kurenai observou seus alunos. 

— Bom, hoje é praticamente a última aula que teremos antes das provas se iniciarem. — começou, vendo alguns se remexerem no lugar quando citou a prova. — Como todo o assunto do nosso conteúdo programático foi abordado, tenho uma proposta diferente para a aula de hoje.

A sala se fez em alguns comentários baixos, quase ninguém gostava de “propostas diferentes” nas aulas.

— Bom, e a atividade de hoje pode ser um extra para quem precisar de alguma pontuação nas provas finais.

Os cochichos pararam e todos prestaram atenção em Kurenai, que andou até a grande lousa e começou a escrever.

— Como vocês sabem, Sociologia Urbana não é apenas sobre medidas demográficas, urbanismo e globalização. — disse a professora. — Trata-se também de entender as relações entre os seres humanos dentro disso tudo.

Alguns alunos continuavam fixos nas palavras da professora, enquanto outros conversavam entre si e mexiam em seus aparelhos celulares.

— Então hoje, eu proponho que vocês aproveitem 1 hora da minha aula para pesquisar, qualquer referência sobre o que pra vocês, pras suas gerações, é manter relações dentro de um mundo urbano.

Kurenai escreveu brevemente na lousa que era permitido utilizar a internet e buscar referências contemporâneas de músicas, filmes, livros, poesias ou até mesmo produzir seu próprio material. Andou em direção à própria mesa e sentou-se cruzando as pernas, enquanto puxava alguns papéis para ler enquanto a turma fazia a atividade.

Hinata tamborilou os dedos sobre a cadeira que estava sentada. Não sentia um pingo de vontade de fazer aquilo tudo, seria muito mais fácil entrar no banco de dados da biblioteca e ler alguma tese de doutorado publicada sobre sociologia urbana, não tinha cabeça pra procurar nada que não fosse simples.

Pegou o aparelho celular e abriu o aplicativo de músicas, zapeando entre as playlists que mantinha, na esperança de encontrar alguma música que pudesse se encaixar com a situação. Bufou.

Continuou sua busca, lembrando-se de algumas bandas que poderiam se alinhar com a ideia que queria propor. Em sua rolagem de tela entre músicas, uma lhe chamou a atenção. Pegou os fones de ouvido e deu play, deleitando-se com a música e a escolha.

— Bem, turma. — Kurenai levantou-se, conferindo o tempo no relógio. — Acho que aconteceu, e vocês?

Os alunos assentiram, alguns anotando algo no caderno, outros como Hinata, tirando os fones de ouvido.

— Quem começa? 

Um silêncio pairou sobre a sala e os estudantes entreolharam-se entre si.

Hinata suspirou profundamente e ergueu a mão direita, demonstrou uma cara de tédio e levantou-se da cadeira.

— Posso começar.

— Ótimo, Hinata. — Kurenai disse. 

— Eu escolhi trechos de uma música para isso. — Hinata disse, vendo Kurenai assentir. — Acho que ela acaba refletindo bem sobre como as relações interpessoais são cada vez mais fugazes e bem representadas em um cenário urbano. Vou começar...

“...Pilhas de telas vazias, peças intocadas de argila foram espalhadas diante de mim (...)

(...) Todos os cinco horizontes girando ao redor de sua alma, como a terra ao redor do Sol. Agora o ar que provei e respirei, se tornou diferente (...)

Hinata começou a sentir um bolo formando-se na garganta, junto com uma voz que começava a falhar enquanto lia os versos da música.

(... E agora minhas mãos amarguradas se esfolam abaixo das nuvens, do que era tudo. As imagens foram todas banhadas em preto, tatuando tudo (...)

Os olhos dela ardiam e sentia também a pele arder. Sabia que ele estava naquela sala de aula, sabia que ele estava olhando para si. Será que entendia o que tinha acontecido? Será que poderia sequer ter empatia?

(...) E os pensamentos distorcidos que giram em volta da minha cabeça. Estou girando (...) quão rápido o Sol pode se pôr? (...)

(...) Todo o amor tornou-se prejudicial, transformou meu mundo em escuridão. Tatuou tudo que vejo, tudo o que sou, tudo o que serei, sim. (...)

Os olhos estavam marejados, e a voz de Hinata estava completamente embargada. Ela podia ouvir as vozes cochichando sobre seu comportamento, mas nem com isso conseguiu controlar uma lágrima teimosa que agora escorria sobre sua bochecha.

(...) Eu sei que algum dia você terá uma vida linda, eu sei que você será uma estrela no céu de outro alguém. Mas por quê? Por quê? Por que não pode ser no meu?”

Hinata terminou sua apresentação e soluçou baixinho, puxando rapidamente a bolsa que estava pendurada do encosto da cadeira e rumando rapidamente em direção à saída da sala de aula, enquanto sentia a nuca queimar com a sensação de estar sendo observada.

— Emocionante. — Kurenai atraiu os murmúrios. — Próximo?

Naruto sentia que estava afundando na cadeira. Se abrisse a boca em qualquer momento, sabia que iria soluçar profundamente. Seus olhos estavam embaçados de lágrimas e sentia seu corpo preso à cadeira, completamente travado. Inspirou o ar com alguma dificuldade e tentou controlar as próprias lágrimas.

Arrependia-se amargamente do dia em que aceitou tudo aquilo. Estava tentando se manter positivo e pensar que talvez, sem aquela aposta, não conheceria a mulher maravilhosa que era Hinata. Tentava inútilmente amenizar seu ego de toda culpa e sentimento de traição. Podia confiar em si mesmo? 

Pegou a própria mochila e sorrateiramente saiu da sala, não tinha nenhuma condição de ouvir mais alguma palavra dita por quem quer que fosse. Caminhou rapidamente em direção ao estacionamento em frente ao prédio, destravou o carro e jogou-se no banco do motorista, debruçando-se sobre o volante e sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto.

Realmente ele era completamente estúpido. Sempre conseguia estragar todas as melhores oportunidades que tinha. Tinha prometido a si mesmo que depois de todos os vacilos antes de entrar na faculdade, nunca mais iria ser tão babaca deliberadamente.

Olha só, até nisso ele ferrou com tudo. Sentia-se lamentável.

Inspirou o ar e soltou tudo de uma vez. Ergueu-se no banco do motorista e olhou para algum ponto além do parabrisa do carro. Iria consertar tudo isso dessa vez, não iria deixar as coisas tomarem esse caminho.

Hinata. Ela não parecia imparcial, parecia querer explicações, parecia querer que ele fosse buscá-la e realmente falasse que tudo aquilo era a verdadeira mentira. E era exatamente isso o que Naruto mais queria fazer.

E era exatamente isso que ele estava obstinado a fazer. Mesmo que depois que explicasse tudo, Hinata ainda gargalhasse na sua cara e o mandasse procurar o reino perdido de Atlantis, seria algo que ele teria que fazer.

 


Notas Finais


Eddie Veder obrigada pelo particínio dessa música, seu gostoso!
E é assim que seguimos para o último capítulo, com um Naruto focadíssimo em bater a meta e depois dobrar essa meta em quantas vezes forem possíves de ser multiplo de dois.
Xero no coração de vocês. ♥ [email protected]


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