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História Defeito Perfeito - Capítulo 7


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Notas do Autor


Rolou!
Consegui me animar essa semana e escrever pra postar. Pensei até que poderia adiar e escrever mais um pra não atrasar tanto os próximos, mas deixemos a vida me levar.
Gratidão demais por quem continua por aqui. ♥ Eu amei ver vocês comentando os capítulos passados e tava morrendo de saudade de responder nos comentários, vocês são extremamente incríveis.
Boa leitura, perdão pelos erros gramaticais, passaram por motivos de que passei a manhã inteira escrevendo/revisando o artigo que eu vou submeter então, o cérebro cansa, né minha filha?
Boa leitura!

Capítulo 7 - Capítulo 7


Se Naruto achou que em algum momento o estado de espírito dele só pudesse ser descrito como “puto” ele se enganou profundamente.

Ledo engano.

Bufou enquanto descia as escadas do bar que davam acesso ao terraço que ficava no primeiro andar, nunca que ele poderia estar puto. Ele estava estupidamente muito puto.

Há uns quarenta minutos atrás tinha decidido que ia atrás de uma galera que com certeza teria algumas coisas que poderiam finalmente mudar e animar sua noite. Chegando em uma das mesas do terraço viu um ou dois conhecidos da turma que estava procurando e logo notou que eles estavam em uma viagem muito mais cara e pesada do que Naruto queria e procurava.

Então, depois de tentar lidar com as insistências e falatórios loucos sobre o cosmos e filosofias políticas, finalmente conseguiu fugir do que achava ser uma das noites que menos valeram a pena na sua vida. Sua meta a curto prazo agora, definitivamente era ir pra casa e fumar todos os cigarros do maço, que estava no porta-luvas do seu carro, e se agarrar com alguma garrafa de whisky, enquanto ouvia seus melhores álbuns e tinha certeza que teria que pagar a multa de barulho no dia seguinte.

Parecendo que estava fugindo de alguém, se esgueirou pelas pessoas espremidas no local e caminhou apressadamente até a saída, repetindo em sua mente o mantra “cigarros e bom whisky”. Quando se aproximou do corredor que levava diretamente para tão por ele almejada saída, notou uma aglutinação de pessoas maior, que pareciam empenhadas em formar uma barreira.

O Uzumaki levantou os olhos tentando entender o motivo daquele aglomerado, será que tinha ocorrido algum acidente e todo mundo tava saindo? Ou pior, será que tinham chamado a polícia? Estranhou o fato de que para uma fuga desesperada, todos pareciam parados no lugar e muito animados.

Foi só quando a multidão começou a assoviar e rir olhando para um ponto fixo que ele conseguiu entender toda a situação. A multidão toda formava um semi-círculo de pessoas ao redor de uma mesa com alguém, aparentemente muito louco, dançando em cima.

O corpo feminino se movia divertidamente ao som da música. A mulher rebolava enquanto remexia os quadris de um lado para o outro, junto com os ombros. Naruto, apesar de não ver aquela dança como algo sensual, parou para admirar a desenvoltura da mulher que tinha o rosto coberto por longos cabelos.

You love it how I move you

(Você ama como eu mexo você)

You love it how I touch you

(Você ama como eu toco você)

My one, when all is said and done

(Meu amor, quando tudo estiver dito e feito)

You'll believe God is a woman

(Você vai acreditar que Deus é uma mulher)

 

Foi nesse momento que tudo pareceu um estalo na mente do rapaz. Ele reconheceu a blusa da sua acompanhante naquela noite e quando a mulher jogou o cabelo pelos ombros ele, e quase todo o bar, pode ver o rosto divertido e sorridente de Hinata Hyuuga. Ela jogava a cabeça para trás e sorria abertamente enquanto tentava dar uma continuidade a sua coreografia. De repente, Hinata achou que o um ótimo clímax da coreografia com toda certeza seria um rodopio.

Que com certeza foi a pior decisão da sua noite.

Ao rodar na mesa, Hinata bateu em cheio a testa na caixa de som que estava suspensa e apoiada na parede. Sua cabeça rodou e ela desequilibrou, naquele momento, ao ver a morena pisando cambaleante sobre a pequena mesa do bar, Naruto abriu espaço na multidão o mais rápido que pode sendo o amparo físico do corpo feminino que caía.

— Hinata? — ele chamou segurando seu corpo. — Tudo bem?. 

— Eu to ótima. — ela respondeu ainda tentando se reerguer e cambaleando. 

— Claro…

Naruto agora passava os braços pela cintura da mulher, em uma espécie de abraço pelas costas, enquanto erguia o corpo dela e a ajudava a abrir espaço a caminho da saída do local.

— Eu só preciso deitar um pouco. — ela falou com a voz embolada.

— Se você deitar agora, vai pegar no sono. — ralhou enquanto sentia o vento frio da rua bater em seu rosto.

— Até que um cochilo não seria ruim… — ela jogava a cabeça contra o peito do loiro e fechava os olhos.

— Não se você bateu a cabeça. — Naruto a direcionou até onde seu carro estava estacionado. — Olhos abertos, mulher!

Ainda segurando sua cintura, ele a virou, fazendo com que ficassem frente a frente. Em um impulso, ergueu o corpo da mulher e a sentou no capô do seu carro. Ela segurava a cabeça entre as mãos e sentia uma pontada forte na testa, tudo parecia rodar muito.

— Ei! Naruto! 

O loiro virou o corpo a procura de quem o chamava e logo pode ver Konohamaru andando em sua direção apressadamente. Ele tinha um semblante frustrado misturando com uma expressão raivosa

— Agora não, cara. — Naruto respondeu quando ele se aproximou próximo o suficiente para lhe ouvir. — Eu tô ocupado

— É só um segundo. — ele retrucou se encostando na porta traseira do carro do Uzumaki.

O mais velho retirou lentamente as mãos que estavam espalmadas na base das costas de Hinata, garantindo que ela conseguia se equilibrar sentada no capô do carro. Ela tinha uma das mãos pressionadas na testa e a outra Naruto colocou ao seu lado, como um apoio.

— Fala rápido. — o loiro encarou Konohamaru.

— Acabou tudo, já era. — o moreno parecia meio ansioso.

— Do que tá falando? 

— Ela nunca quis saber de mim. — disse em um tom de voz cabisbaixo. — Era o Tonei quem ela queria.

Naruto passou a mão pela cabeça de uma forma rude. Não bastava de frustrações pra sua noite e agora ele tinha que lidar com a desilusão amorosa de um cara que parecia estar na 3ª série.

— Olha, Konohamaru… Você gosta dessa garota? — Naruto estava irritadiço. — Ela vale todo esse sangue que você tá dando?

— Eu gosto... — abaixou a cabeça diante do olhar impaciente que recebia de Naruto. — Mas eu achei que valesse a pena um esforço pra ficar…

— Não foi isso que eu perguntei, meu rapaz. — o Uzumaki era mais alto que os dois e deu um passo à frente, cutucando o ombro esquerdo de Konohamaru. — Vale ou não?

O mais novo abriu a boca algumas vezes tentando formular uma resposta, mas acabou por não emitir nenhum som. Dizer sim ou não daquela situação lhe pareceu extremamente complicado naquele momento. Naruto olhou pelo canto do olho para Hinata, que ainda segurava a cabeça e agora balançava as pernas suspensas.

— Olha aqui… — os olhares masculinos se encontraram. — Primeiro, Toneri não é metade do homem que você é; segundo, não deixe ninguém fazer como se você não merecesse ter ou fazer o que quer.

— Mas eu…

— Vai logo chutar a bunda daquele otário. 

Naquele instante, Hinata havia sentido a cabeça rodar incessantes vezes e sem conseguir manter o equilíbrio, jogou o tronco para trás, deitando-se sobre a lataria fria do carro. Naruto se assustou ao ouvir o barulho e correu para amparar a mulher, não ia conseguir fazer nada melhor, então, decidiu jogá-la no banco de carona do carro e dirigir até a loja de conveniência do posto de gasolina mais próximo a procura de gelo para morena.

Konohamaru viu a cena de Naruto dando assistência para Hinata e achou engraçado. Quem poderia imaginar que o apático homem das cavernas de Arquitetura estaria tão atencioso com a vulnerável mulher coração de gelo de Direito? Por algum motivo aquilo o fez pensar que Naruto poderia realmente saber dar bons conselhos.

*

Hinata estava em um misto de muitas sensações. Naruto tinha a obrigado contar em ordem decrescente de 300 até 0 em voz alta, enquanto dirigia ao seu lado. Sentia o álcool abandonando seus sentidos mas sua cabeça doía com algumas pontadas agudas, o que a fazia fechar os olhos. O que era um grande problema, pois de olhos fechados, sua cabeça parecia rodar em um espiral eterno, comprometendo seu labirinto auricular e dando muita ânsia de vômito.

Naruto dirigiu por alguns metros até encontrar um posto de conveniência 24 horas, dirigiu-se ao caixa e comprou gelo e uma garrafa de água. Abriu a porta do carro e se deparou com Hinata de olhos fechados, murmurando algo em voz baixa.

— 64, 63, 62… sessenta e…

Ele tocou em seu ombro e ela abriu os olhos perolados em sua direção. — Pra cima, bonitona.

Naruto passou seu braço pelo ombro e a tirou do carro, carregando-a para uma das mesas da conveniência do posto. Hinata se deixou largar na cadeira e ele puxou uma ao seu lado, colocando gelo no ponto vermelho da testa da mulher.

— Isso é tão condescendente. — ela disse em um tom baixo.

— Você usa palavras muito sofisticadas pra alguém quando tá de porre.

— Eu não acho… — Hinata levantou os olhos em direção ao rapaz. — Por que você tá fazendo isso?

— Você bateu a cabeça. 

— Oh, pare… — ela tirou o gelo das mãos dele. — Você nem dá a mínima se eu não levantar mais.

— Claro que dou. — usou um tom de voz ofendido.

— Por que?

— Porque se isso acontecer eu vou ter que sair com mulheres que realmente se atraem por mim. 

— Claro, isso se você puder encontrar alguma. — ela resmungou erguendo o queixo. — e que goze de uma sã consciência.

— Viu? — ele tocou a ponta do seu nariz arrebitado e abriu um sorriso convencido. — Quem precisa de afeto quando se tem tanto repúdio?

A morena soltou uma espécie de grunido e resmungou algo ininteligível. Colocou o cotovelo em cima da mesa e usou a mão do mesmo braço - que estava segurando o gelo enrolado em alguma flanela do carro de Naruto -  como apoio para sua cabeça.

O Uzumaki viu a cena a sua frente e soltou uma risadinha de deboche. Ela passou alguns minutos nessa posição até que claramente começou a cochilar e cabeça pendeu da mão que a apoiava.

Naruto riu enquanto ela se arrumava na cadeira e o lançava um olhar fulminante, mantendo-se ereta e cruzando as pernas no assento.

— Porque você dá tanta trela pro Toneri? — ele perguntou quebrando o silêncio entre os dois.

— Eu odeio ele. — respondeu ríspida.

— Escolheu realmente a melhor luta. — ele riu — Tequila na garganta.

— Bom, você sabe o que eles dizem… — ela disse terminando a risada e apoiando o corpo contra o encosto da cadeira. 

Hinata, subitamente, pendeu a cabeça com os olhos fechados sobre o ombro e Naruto arrastou a sua cadeira para mais próximo, tomando o rosto feminino entre as mãos.

— Hinata! — chamou apertando suas bochechas — Olha pra mim!

Depois de mais duas vezes chamando o nome da mulher, Hinata abriu vagarosamente os olhos perolados e turvos, fitando de perto o homem à sua frente. Naruto respirou aliviado e retirou as mãos das bochechas dela, que agora pareciam adquirir uma coloração avermelhada.

Seus rostos ainda estavam consideravelmente próximos. Hinata percebeu que ele tinha a mandíbula bem contornada e achou aquele detalhe algo bonito. Subiu o olhar pelo nariz masculino e encontrou os olhos que a fitavam com atenção.

— Ei… — chamou lentamente. — seus olhos são muito azuis. 

Naruto sentiu a sensação de preocupação se esvair e abriu um sorriso.

— Parece um daqueles dias de verão que você acorda e logo pensa em tomar sol. — ela continuou e agora esboçava um sorriso gentil. — E combina com seu cabelo.

Hinata curvou o corpo em direção à Naruto, que retribuiu o gesto e apoiou os cotovelos nos joelhos. Mesmo sentados, a diferença de tamanho fazia Hinata ficar com a boca dele no seu nível dos olhos e ele pode sentir o hálito dela bater em seu queixo quando falou. — Você tem cheiro de verão, Naruto.

— E você tem cheiro de Tequila barata, Hinata. — ele retrucou vendo ela rolar os olhos e se jogar de volta na cadeira. — Essa foi a pior cantada que já lançaram pra cima de mim.

— Isso não foi uma cantada, seu energúmeno.

— Tudo bem… — ele levantou os braços em sinal de rendição. — Você é o oposto, Hinata. Parece uma daquelas noites de lua cheia, que não tem nenhuma estrela e que geralmente eu estou de bobeira. 

Ela bufou em resposta.

— E que agora, quando estiver sozinho, vou ficar pensando em que tipo de biquíni você gosta de usar quando toma sol. — sorriu malicioso e observou a expressão dela se contorcer em desgosto.

Hinata sentiu o estômago embrulhar naquele momento e por mais que quisesse responder de forma rude a provocação barata de Naruto, ao abrir a boca tudo o que conseguiu foi colocar pra fora toda a bebida, e talvez a janta, que ingeriu naquela noite.

Naruto olhou para os próprios sapatos e fez uma careta resignada porém empática com a cena dela colocando tudo o que tinha no estômago para fora. Suspirou, logo quando ele achou que ia ter material pra alimentar as fantasias que ele criou sobre Hinata usando roupas de banho.

*

Hanabi bufou pela quadragésima vez naqueles dez minutos. Batia um dos pés freneticamente enquanto rezava pelos deuses que iria matar Hinata.

— Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagens, para…

Puxou bruscamente o celular do ouvido e desligou o que deveria ser a vigésima ligação daquela noite. Onde raios sua irmã havia se metido? Elas iam voltar juntas!

— Eu não tenho a menor ideia onde ela se meteu. — choramingou para Moegi ao seu lado. 

Tentou mais uma mensagem, mas sequer eram recebidas pela irmã. No fundo do seu coração, torcia pra que Hinata estivesse sã e salva, pois ela quem queria ter o prazer de esfolar o seu rosto inteiro.

A calourada já estava acabando, mais da metade das pessoas já haviam ido pra casa e o horário de funcionamento do bar já estava chegando ao final. Hanabi estava no lado de fora do estabelecimento tentando achar algum rastro da irmã mais velha.

— Oi, charmosas. — Toneri se aproximou das moças. — Vai ter um pós festa na casa de uma menina do Diretório Acadêmico. Vamos?

— Eu tenho que estar em casa em vinte minutos. — Hanabi respondeu o olhando de forma preocupada. 

Intimamente ela esperou que ele sorrisse e dissesse “Tudo bem, gatinha. Eu te levo pra casa e ajudo você a se vingar de Hinata.” 

Mas não foi isso o que ele fez. Nem nada que parecesse algo desse tipo.

Toneri revirou olhos em sua direção e o lançou um sorriso amarelo de uma falsa condolência e empatia.

— Eu não preciso chegar antes das duas da manhã. — Moegi se pronunciou.

Que cobra maldita! Hanabi sentiu o sangue ferver e cruzou os braços, retirando o olhar da colega de turma.

— Mais uma chance, Hana. — Toneri anunciou.

— Não, pra mim não vai dar. — ela mordeu o canto interno da bochecha e inspirou profundamente tentando conter a raiva de toda aquela situação.

— É uma merda mesmo… — Moegi lançou um olhar rápido de compaixão em sua direção. — Vamos, Toneri?

— Claro. — o albino sorriu e virou as costas para Hanabi enquanto guiava Moegi com uma mão no ombro esquerdo.

A Hyuuga mais nova estava completamente lívida de ódio, frustração e raiva naquele momento. Tudo o que ela queria era quebrar o braço da primeira pessoa que lhe cruzasse o caminho. Jogou o corpo contra a parede externa do bar onde a pouco estava e sentiu os olhos arderem.

— E, aí? Se divertiu bastante? — ouviu um tom irônico na voz de Konohamaru, que saia do bar e se dirigia pra longe dela.

— Muito. — ela retrucou chorosa. — Konohamaru…?

Ele parou alguns passos à frente de onde Hanabi estava na calçada. Hanabi sentiu toda a frustração e o choro na garganta e temerosa o perguntou: — Será que você pode me dar uma carona até em casa?

*

Hinata batia as mãos no joelho no ritmo da música que ela tão bem conhecia. Depois de algumas garrafas de água e gelo na testa ela se sentia o mais próximo que podia estar de ótima depois daquela bebedeira. Sabia que não estava sóbria mas não ter a cabeça rodando em loopings eternos era uma coisa extremamente significante.

Ela riu enquanto Naruto dirigia atentamente ao seu lado.

— Quando você vai me falar da sua esquizofrenia? — ele provocou referindo-se as risadinhas que ela estava dando sozinha.

— Eu achei engraçado que a sua playlist é coincidentemente parecida com a minha. — disse enquanto passava de música no som do carro do rapaz.

Naruto sorriu de canto. Claro, coincidentemente.

Não tinha nada a ver com as informações que tinha pego com Konohamaru.

— Eu deveria fazer isso. — ela disse e apontou para o rádio.

— O que? 

— Isso!

— Tocar em uma banda? — o loiro perguntou enquanto virava o rosto para encará-la.

— Não, instalar equipamentos de som em carros. — ela ironizou. — É claro que é tocar numa banda.

— E você toca? — Naruto usou um tom de voz e um sorriso extremamente malicioso.

— Claro e muito bem se você quer saber. — ela respondeu rudemente.

— Claro que eu quero saber e quanto mais detalhes, melhor. — ele continuou e viu ela grunir em resposta. — Qual instrumento?

— Você é realmente um inconveniente nojento.

— Ei! Eu tô falando numa boa. 

Hinata cruzou os braços e ainda com uma cara emburrada o respondeu: — Contrabaixo.

— Que do caralho, Hinata! — elogiou animado e positivamente surpreso. — Então porque você não junta um pessoal e forma uma banda?

— Ah, meu pai iria adorar se eu fizesse isso. — ela disse sarcasticamente se jogando contra o encosto do banco do passageiro.

Naruto reduziu a velocidade do carro quando fez uma curva e entrou na rua de Hinata, parando o carro em frente à casa da família Hyuuga.

— Eu não consigo ver você pedindo permissão pro seu pai pra fazer alguma coisa. — o loiro disse enquanto via ela soltar o cinto de segurança. — Na verdade, não vejo você fazendo isso com ninguém.

— Então, agora você sabe dos meus segredos mais íntimos? — ela sorriu sarcástica.

— Eu tô chegando lá… — Naruto a viu rolar os olhos.

— Tudo que as pessoas sabem sobre mim é que eu sou assustadora. — Hinata falou enfatizando a última parte.

— É… — Naruto a olhou. — Eu também tenho minha culpa no cartório.

Ela olhou em sua direção e ele parecia estar sendo gentil e simplesmente querendo fazer aquela conversa acontecer. Hinata levantou uma sobrancelha de forma desconfiada. Os olhares se encontraram por alguns segundos e a desconfiança estampada em sua face se dissipou com o olhar simples que ela a ofereceu.

— Bem… — Naruto quis fazer a atmosfera ficar mais leve. — Como é seu pai? Muito durão?

— Não… — ela suspirou em seguida. — Mas ele quer que eu seja alguém que eu não sou.

— Quem?

— Hanabi. — ela soltou o nome da irmã como um suspiro apaixonado e doce.

— Ah… 

Hinata olhou para fora da janela e encarou a porta de entrada da própria casa. Agora seria o momento que iria ouvir algo parecido com: “Mas porque é tão ruim se parecer com a Hanabi? Ela é maravilhosa!”

— Olha… - Naruto começou e fez com que ela voltasse a atenção para si. — Eu sei que todo mundo curte a sua irmã, mas sem ofensas, ela não é isso tudo. 

Parecia que aquele momento tinha parado por alguns segundos. Hinata olhou fixamente para Naruto e sorriu em resposta. Seus cabelos estavam bagunçados como resultado de dirigir com as janelas abertas no meio de noite, ele a olhava sem malícia ou qualquer sombra de ironia ou sarcasmo. Os lábios masculinos, que agora Hinata notava serem cheios, emolduravam um sorriso simples.

— Sabe… — ela continuou sorrindo em sua direção. — Você não é tão desprezível quanto eu pensava.

 Ele sorriu em resposta e no segundo seguinte a viu fechar os olhos e inclinar o corpo em sua direção. Naruto reconheceria cego todos aqueles sinais, mas naquele momento o que o torturou foi poder enxergar. 

A luz da noite, uma mistura da luz da luz com as artificiais vindas da iluminação da rua, refletia em seus cabelos longos que emolduravam um rosto com as maçãs avermelhadas, os olhos cerrados, o nariz arrebitado. Os lábios de Hinata formavam um coração e pareciam extremamente macios e convidativos e como se soubesse que Naruto estava os admirando, ela mordeu levemente o lábio inferior.

Naruto bufou quando sentiu a cueca apertar debaixo do jeans. Ele não podia tê-la daquela forma, seria desleal.  Sabia que beijar aquela boca seria ter certeza de mandar o carro para o lava-jato na manhã seguinte para tirar o estrago de uma transa no banco de trás. Hinata havia bebido e mesmo que estivesse em capacidade de raciocínio e consentimento não era algo que Naruto faria, principalmente quando estava sendo pago pra sair com essa pessoa.

— É melhor deixar pra outra hora. — sua voz se fez presente, rouca e falha.

Hinata abriu os olhos e encarou Naruto com a mão no volante, olhando para a rua deserta a sua frente e com o maxilar travado. Ela sabia o que era um sinal de negação.

Era isso? Semanas de cantadas baratas, insistência profunda e um discursinho simples pra ignorar o que ela queria? Era porque ela não gosta de nenhum joguinho e assumia suas vontades tórridas de querer dar uns amassos? 

No final ela talvez espantasse todos os caras por ser direta e decidida demais. Não ligava a mínima pra um pau que viesse junto com um idiota machista. Saiu do carro batendo a porta e se dirigiu rapidamente para dentro de casa.

Naruto inspirou o ar profundamente e o soltou em seguida. Apertou a ereção por cima do jeans e se concentrou em afastar a imagem dos lábios de Hinata da sua mente e substituí-las pelos cálculos das dimensões de uma janela em uma planta baixa. Abriu o porta luvas e ansiosamente pegou um cigarro do maço que estava guardado ali.

Esperava que Konohamaru estivesse tirado aquela cara de criança que perde a bola e fosse atrás da outra Hyuuga para que seus esforços valessem a pena.

Porque ele estava completamente fodido.

 


Notas Finais


Naruto sendo o contrário de um "macho uó" e Hinata julgando o coitado, ó só! Reparação histórica, né minha filha?
Será que ele vai começar a se arrepender de ter ganhado dinheiro pra sair com Hinata?
Espero que vocês estejam curtindo aqui.
Um xero!


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