1. Spirit Fanfics >
  2. Defeito Químico >
  3. Holmes contra Holmes.

História Defeito Químico - Capítulo 35


Escrita por:


Capítulo 35 - Holmes contra Holmes.


Fanfic / Fanfiction Defeito Químico - Capítulo 35 - Holmes contra Holmes.

Houve um tempo que meu irmão foi gentil e protetor comigo, FOI!

RETALIAÇÃO

5º DIA: O emprego.

O dia começou normal, como qualquer outro, eu não havia pregado o olho, por causa de uma preocupação que estava doendo consideravelmente minha cabeça, mesmo assim fui para a cozinha e preparei o café, o chá e o achocolatado da minha Rosie, pequei uns pedaços de frango desfiado que havia deixado guardado no congelador e fiz um patê para passar nos pães, quando estava tudo pronto chamei minha família, John e Rosie já estavam prontos para sair, eles comeram rapidamente enquanto eu terminava de preparar a lancheira da minha gatinha. 

Beijei Rosie, beijei John e vi os dois saírem, sentei na minha poltrona, e não conseguia relaxar, meus músculos estavam tensos, peguei o jornal do dia que a senhora Hudson havia trazido antes mesmo de nós acordamos, e o folheie, nada de muito grave havia acontecido, um tédio total, apesar disso, o li por completo, até as páginas de entretenimento, quadrinhos e outras baboseiras.

Deitei no sofá, fechei os olhos tentando me concentrar em outras coisas, fui levado ao meu palácio mental, lá Mycroft dedilhava algo belo no piano que ficava na sala da nossa antiga casa, percebendo minha chegada ele se afastou me convidando para ficar ao seu lado, eu já sabia tocar violino, mas naquele momento Mike queria que eu sentisse uma nova satisfação com a música em teclas. Ele segurou minha mão docemente e foi me ensinando o que eram as notas em teclas brancas e negras, sustenidos e bemóis, me deu algumas partituras que ele mesmo havia composto, tocávamos juntos e ele sorria para mim, eu me perdi nesse momento até ouvi a porta e me deparar com John.

- John? Que horas são?

- Nove horas.

- Por que já chegou?

- Por que minhas férias foram antecipadas.

Como nunca fui empregado por alguém, não entendi de imediato o que significava o que John estava me dizendo, contudo, ter as férias antecipadas não era uma coisa boa? Pelo jeito não, já que John estava com uma feição entristecida, ele se sentou em sua poltrona e abaixou a cabeça apoiando nas mãos que estavam apoiadas nos joelhos, eu esperei ele endireitar sua postura para poder pergunta o que estava de fato acontecendo.

- Isso não é bom?

- Para um empregado não, minhas férias deveriam ser daqui há seis meses, porém elas foram antecipadas em seis meses, o que só pode significar uma coisa, assim que eu voltar ao São Bartolomeu, serei convidado a ir no RH receber minha carta de demissão.

- Demissão? Despedido!? Eles não podem fazer isso.

- Podem por que sou um médico contratado.

- Mas você trabalha nesse hospital desde antes da Rosie nascer.

- Por isso vou ganhar uma boa rescisão, porém não será o suficiente para manter Rosie na escola.

- Não, John, por favor, não me diga isso.

- A escola da Rosie e um pouco cara, você sabe disso.

- Pode abri uma clínica.

- Até fidelizar uma clientela, precisarei atender abaixo do preço de mercado, e mesmo assim não é garantido um bom sucesso, pode dá muito errado.

- Eu vou trabalhar.

- Você tem um emprego, é um detetive consultor, e o que te faz Sherlock Holmes, e eu não vou permitir que faça outra coisa que te deixará frustrado e infeliz.

- Mas John.

- Sherly, vamos ficar bem, com tanto que fiquemos juntos, vai estar tudo bem, eu prometo.

Apesar de John ter me dito aquilo eu o conhecia muito bem para saber que ele estava decepcionado, durante toda aquela manhã ele ficou no quarto de porta trancada, eu disse que iria buscar a Rosie, ele pediu para deixa-la com a Molly, o que significava que ele estava péssimo, dado os últimos acontecimentos com Hooper, fiz o que ele me pediu, ao deixar Rosie com sua madrinha doutora, Molly me alertou.

- John foi demitido.

- Ele está arrasado.

- Foi ele.

- O que?

- Você sabe que foi ele.

Ao chegar em casa a senhora Hudson me esperava preocupada, ela me disse que John não havia comido e estava bebendo, eu subi e o encontrei com meia garrafa de uísque digitando freneticamente, ao olhar o que ele estava fazendo percebi que emitia currículos por todos os hospitais e clínicas da cidade. Além de estar procurando um colégio mais em conta para Rosie, o que eu não iria permitir.

- John, não vou deixar que troque Rosie de colégio, e um ótimo colégio, e da melhor qualidade para a formação primária dela.

- Pode me dizer quem vai pagar esse colégio?

- Eu pago.

- Com que dinheiro?

- Meu dinheiro, sou Sherlock Holmes, eu juntei um fundo durante esses anos, eu só não sabia com o que gastar.

- E eu vou virar a sua mulherzinha de agora em diante.

- Aí John, não.

John entrou de novo no quarto e bateu com força que assustou a senhora Hudson que veio ver o que havia acontecido, liguei para Molly e disse que era melhor Rosie dormi na casa dela. Eu estava preocupado com John, ele quebrou várias coisas dentro do quarto dava pra ouvir, eu não sabia o que havia acontecido, porém Molly tinha razão, John era um excelente médico, nunca faltou, era pontual, trabalhava muito bem em equipe, todos gostavam dele, alguma coisa externa interferiu para que o dono do hospital colocasse meu médico para fora, e só Mycroft teria esse poder.

Quando a noite chegou eu bati três vezes na porta até que John a abriu, o quarto já estava arrumado, sentei na cama ao seu lado, e ele se deitou nas minhas pernas, acariciei seus cabelos finos e lisos, não disséssemos nada um ao outro, apenas ficamos ali passando um conforto mudo, John virou para me olhar e tocar meu rosto, me pediu desculpas, lhe dei um beijo casto, e ficamos ali até eu me deitar e adormecemos.

 

4º DIA: A filha.

As sete em ponto Molly me ligou dizendo que já estava saindo com Rosie para a escola, ela quis falar comigo e eu atendi minha filha, John também falou com ela e Rosie disse que ele não tivesse medo que logo arranjaria outro emprego, ele até chorou com essa afirmação de uma criança de apenas seis anos, após desligar o telefone eu senti um aperto no peito, porém decidi ignorar para não preocupar Watson.

As oito horas John saiu para fazer o mercado, ele não conseguia ficar quieto e eu achei bom ele desparecer, mesmo que fosse com algo banal como fazer compras, Harriet me ligou perguntando como estava tudo e eu tive que dar a notícia da demissão de seu irmão, ela ficou devastada, e disse que iria até nossa casa mais tarde, fiquei em dúvida se isso seria bom ou não.

Quando John chegou contei a ele sobre sua irmã, ele ficou triste, mas ela teria que saber, John não queria a festa e agora ele não queria mesmo, estava muito arrasado para festejar, eu concordei com tanto que ele não cancelasse nosso casamento, ele riu e disse nem sobre pena de morte, o que me animou.

As dez e meia John estava conversando com um amigo médico que estava indicando alguns lugares que ele poderia consegui alguma coisa, quando o telefone residencial tocou, aquilo era novidade, eu nem queria colocar um telefone fixo em casa, mas por algum motivo esdruxulo escolas não gostam de ligar para celulares aqui em Londres.

- Alô?

- E o senhor Sherlock Holmes, ou John Watson?

- Sherlock.

- Aqui e da escola da senhorita Rosamund Mary Watson, ela seria a filha de John Watson, correto?

- Sim, o que houve?

- O conselho tutelar veio até nós, e levou a sua enteada.

- O QUE?!

- Nós perguntamos a razão, três professoras foram chamadas para depor, acredito que os conselheiros não devem tarda em comparecer à sua casa, senhor Holmes, por favor avise o senhor Watson.

O telefone caiu da minha mão, eu coloquei as duas mãos na cabeça, não acreditando no que estava ouvindo, John ao ver o meu estado veio até mim assustado com a forma como eu estava me comportando, eu não sei ao certo o que estava sentindo, porém, meu rosto estava molhado, John me chamava, entretanto eu não conseguia responder, eu estava em choque.

- Meninos.

- Senhora Hudson.

- Tem dois conselheiros tutelares aqui.

C:  Quem é John Watson?

- Sou eu.

C: O senhor e o pai de Rosamund Mary Watson?

- Sim, o que aconteceu?

- Houve uma queixa de violência contra essa criança, o senhor, seu companheiro e a senhoria devem nos acompanhar agora.

- O QUE? QUE ABSURDO É ESSE?

- Calma John.

- CALMA! ELES ESTÃO DIZENDO QUE EU MACHUQUEI A MINHA FILHA. QUEM FEZ ESSA DENÚNCIA?

C: Isso é confidencial.

S: Mycroft Holmes, estou errado?

C: Levante-se senhor Holmes, precisam ir ao conselho agora, ou teremos que chamar a polícia.

S: Eu mesmo chamo.

Enquanto entravamos no carro do conselho tutelar liguei para Lestrade, John estava com muita raiva, batia a perna no chão, rangia os dentes, eu não sabia o que ele faria dentro do conselho, por estamos sendo vítimas de uma acusação caluniosa de violência John perder a cabeça agora seria a pior coisa que poderia acontecer, a situação era crítica, Lestrade me atendeu, contei tudo a ele, o inspetor ficou indignado e disse que nos encontraria lá, isso me deu esperanças.

- John calma.

- Calma.

- Shi! Você precisa se acalmar, estamos sendo acusados de violência se você perder o controle será o mesmo que comprovar isso, por favor, se acalme.

- Estão me acusando de violentar minha filha, eu não vou suportar isso.

- Confia em mim, eu vou dar um jeito, eu juro.

Chegamos ao lugar, a senhora Hudson entrou primeiro, e foi afastada de nós, os conselheiros queriam falar conosco separadamente, John estava chorando, aquilo me atingiu como um soco, eu pedi para ver a acusação, novamente me disseram que era confidencial, eu pedi um advogado, era nosso direito e mesmo aquilo sendo algo vindo da última instância do governo britânico, ainda era nosso direito ter um defensor. A verdade e que eu precisava de tempo, pois Lestrade estava a caminho, John estava junto de mim a espera de um defensor público, Lestrade chegou junto com Molly.

L: Calma que vamos dá um jeito nisso agora mesmo.

J: O que ela está fazendo aqui?

M: Eu sou perita John, eu posso comprovar que nunca houve nada de errado com a Rosie, além disso ela estava comigo, eu vim ajudar.

L: John, eu te dou a minha palavra que você vai sair daqui com a sua filha.

J: Obrigado Lestrade, obrigado Molly.

S: Vamos levar ela pra casa John, vamos levar a nossa filha.

J: Sherlock, eu não acredito que isso está mesmo acontecendo.

As quatro horas da tarde, Rosie veio no colo de Lestrade até nós, John a abraçou bem apertado, ela estava sorrindo, não fazia ideia do que havia acontecido, John se segurou ao máximo pra não chorar na frente dela, eu abracei minha gatinha aliviado, mas puto por tudo isso ter acontecido.

L: A Molly fez os exames mostrou que a Rosie não tem nenhuma marca no corpo, e uma menina feliz e saudável.

J: Obrigado.

M: Eu te devia isso, John.

H: Ah! Rosie.

R: VOVÓ.

H: Minha netinha querida.

S: Podemos ir para casa agora senhora Hudson, obrigado Lestrade.

L: Não acredito que ele fez isso.

S: Não duvide de nada que possa vir pelo homem de gelo.

Chegamos em casa e Rosie estava no colo de John, acredito que ele tenha se segurado bastante, todavia não conseguia mais, ele começou a chorar com Rosie no colo, ela não entendia por que seu pai chorava daquele jeito e começou a chora junto, eu abracei os dois, me sentia miserável, ficamos ali até nos acalmarmos, John pediu perdão a Rosie, ela não entendia o que estava acontecendo, eu lhe prometi um bolo de chocolate bem recheado mesmo em meio as lágrimas ela sorriu.

- Eu vou tomar um banho.

- Vai amor.

- Papai, o que está acontecendo?

- Nada minha preciosa, vem ajudar seu pai Sherlock na cozinha.

Fizemos o bolo, bagunçamos a cozinha, John demorou no quarto deveria está chorando, aquilo me machucava de uma forma que jamais imaginei senti, e como se facas estivessem entrando na minha carne, em diferentes partes do meu corpo me sentia retalhado. John saiu do quarto e começamos a desenhar com Rosie, depois que o bolo ficou pronto comemos, e Rosie decidiu fazer um concurso de piadas, só ela mesmo.

- O que a Lua disse ao Sol? Nossa, você é tão grande e ainda não te deixam sair à noite.

Não rimos então Rosie fez um bicão e acabamos gargalhando da carinha dela, ela compreendeu que entendemos depois e riu também. Daí foi a vez de John.

- Qual a diferença entre o penico e a panela? Se você não sabe, nunca me convide para almoçar na sua casa. Sua vez Sherlock.

- Eu não sei contar piadas.

- Ah! Por favor, papai.

Fiquei pensando, eu não contava piadas, eu não tive uma infância como a de Rosie, eu não tive amigos como meus Watsons, eu sempre fui frio e fechado, porém houve um momento da minha vida que eu fui feliz, acabei me lembrando de Mycroft.

- O Joãozinho diz ao pai: pai tenho uma notícia boa e outra ruim. O pai diz: tá bom, conte a boa primeiro. Joãozinho: passei em todas as matérias na escola. O pai: e qual a má? Joãozinho: era mentira.

- Foi boa, onde aprendeu?

- E só uma piada John.

John havia voltado a sorrir, eu não quis estragar falando do meu irmão, Rosie contou mais piadas sem graça nenhuma, mas como ela se irritava quando a gente não ria, riamos só pra ela não chorar. Depois disso jogamos cartas, dominós, e até charadas, por Rosie tudo valia a pena, as horas passaram e juntos colocamos nossa filha na cama, contamos a história de Simba o rei Leão, e eu prometi que veríamos o desenho no outro dia, assim como foi com o pequeno príncipe, ela estava feliz e nós também.

- Vamos dormi.

- Faltam 3 dias pra gente casar.

- Eh! Que foi quer desistir?

- Nunca, aconteça o que acontecer nós vamos nos casar, John.

- E assim que se fala, amor.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...