História Defeitos Perfeitos - Capítulo 4


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Categorias Naruto
Personagens Hashirama Senju, Izuna Uchiha, Madara Uchiha, Tobirama Senju
Tags Hashimada, Senju, Tobiizu, Uchiha, Yaoi
Visualizações 145
Palavras 5.205
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


GENTE, DESCULPA A DEMORA! EU PENSEI QUE JÁ TIVESSE POSTADO O CAPÍTULO, AI MINHA DEUSA, COMO EU SOU LERDA! :'D

Enfim, esse é o capítulo final da fic, mas tem um extra, que eu juro postar na próxima semana.

Mil desculpas e boa leitura!

Capítulo 4 - Capítulo O4 - Final.


A face serena de Izuna parecia fazê-lo emanar uma áurea de tranquilidade, mas que no fundo aquela tranquilidade não passava de uma máscara para esconder sua tristeza. E isto não passou despercebido diante dos olhos castanho avermelhado de Tobirama.

Ele estava se sentindo triste, estava claro em seu olhar ônix e tudo isso por sua culpa. Ver Izuna daquela forma agora estava fazendo-o sentir-se o pior dos homens. Um crápula... Deveria sentir nojo de si mesmo por tratá-lo daquela forma, e só agora que percebia o quão ridículo havia sido. Seu irmão mais velho realmente tinha razão.

– Então... O que quer falar? – Cruzou os braços, indagando-o com a voz séria e o olhar vazio. Não queria deixar transparecer a tristeza e o nervosismo. – Veio aqui rir da minha cara?

– Não. – Passou a mão nos cabelos claros, em um gesto de nervosismo. – Eu vim porque... – Suspirou pesadamente, pensando no que falar. – Na verdade nem eu mesmo sei o porquê de ter vindo.

O menor revirou os olhos, mostrando claramente que não estava com saco de ficar a noite toda esperando ele resolver falar o que quer que fosse.

– Então vá embora. Não vou ficar o resto da noite esperando você falar seja lá o que for... Passar bem! – A voz soou gélida, assim como a feição séria de seu rosto.

O menor virou-se para entrar no quarto na intenção de mostrar que não havia mais o que conversarem, querendo encerrar aquela visita impertinente, mas antes de conseguir entrar em seu quarto, seu pulso direito foi segurado com firmeza pela mão do outrem, que logo o virou para si.

Seus olhares se encontraram. Os olhos castanhos de tons rubros mergulhados na imensidão ônix dos olhos de Izuna e assim ficaram por longos segundos, presos no olhar um do outro, em um hipnotismo cheio de fascinação.

Izuna sentia-se o maior dos tolos por ainda não ter mandado aquele homem embora de sua casa definitivamente. Sentia-se um tolo por ainda sentir o coração acelerar de forma desmedida quando deixava seu olhar cruzar com o dele; por ainda sentir as pernas fraquejarem ao leve toque do outro. Era um completo tolo...

– Vai embora, Tobirama. – A voz deveria ter soado de maneira fria, mas o máximo que o Uchiha conseguiu foi falar baixo, deixando todo o pesar da tristeza que sentia no momento tomar posse de si, enquanto abaixava a cabeça, fazendo a franja cobrir-lhe os olhos entristecidos.

– Izuna, só me escuta...

– Vá embora! – O interrompeu, erguendo o rosto novamente e fitando-o com total intensidade. O cenho estava franzido e aquele olhar deixava evidente a mistura de raiva e consternação. Puxou o seu pulso, soltando-se dele e dando alguns passos para trás. – Vá embora e não toque mais em mim... Não se aproxime mais seu... Seu inescrupuloso!

O albino não falou mais nada, ficando por um momento sem reação. Era mais do que normal ele reagir daquela forma, afinal, havia sido um tirano naquela noite com ele e aquela atitude não deveria lhe surpreender.

Mas o deixou pasmo.

Foi como se o chão sob seus pés sumissem por um breve instante enquanto seus olhos estavam fixados no moreno, que passou rapidamente pela porta do quarto, fechando-a.

Permaneceu por mais alguns longos segundos mirando aquela porta, que agora parecia representar a sua situação com o Uchiha. Havia uma imensa porta trancada a qual não conseguia abrir para aproximar-se dele. E sentir aquilo fazia seu peito doer como nunca havia sentido antes... Uma dor ininteligível rasgava o seu coração de modo atroz.

E aquilo jamais havia acontecido. Nunca havia deixado seu orgulho de lado por alguém – e nunca pensou em fazer isto justamente por um Uchiha – porém, havia feito. Estava enlouquecendo! Além da grandiosa dor em seu âmago, ainda travava uma batalha interna com seus pensamentos.

Resolveu sair daquela casa em passos rápidos, ignorando os olhos curiosos dos empregados enquanto passava pela sala. Ao entrar em seu carro, que estava estacionado do outro lado da rua, fechou a porta com violência e socou o volante com toda a força que tinha naquele momento, como se aquele objeto fosse o culpado de toda a dor que se instalava em seu peito.

– Droga! – Encostou sua testa no volante, fechando os olhos com força. Levou ambas as mãos aos cabelos alvos, apertando-os com força, querendo sentir outra dor, mas nada se comparava a dor que se fazia em seu peito neste momento.

Levantou novamente a cabeça após alguns minutos, ligando o veículo e saindo dali. Não poderia ficar o resto da noite no meio da rua dentro de seu carro, e ficar ali não faria aquela dor se dissipar. Sentia-se um idiota, pois não conseguia se autocompreender. Queria odiar Izuna, mas não conseguia, pois em seu íntimo só desejava estar com ele, ao menos mais uma única vez.

Realmente estava ficando louco...

E essa loucura não se fazia apenas no Senju. Izuna estava sentado novamente na janela de seu quarto, tendo a certeza de que não conseguiria mais dormir tranquilamente naquela noite. Afinal, por que diabos ele havia ido até sua casa?

Ficou observando o carro do outrem através da janela. Seu coração palpitava, uma parte de si dizia que ele poderia ter se arrependido, porém, seu bom senso lhe fazia lembrar o ocorrido daquela manhã após a noite daquela festa, e só de pensar nisso seu estômago embrulhava de um jeito enojado.

Quando o carro finalmente saiu, permaneceu olhando para o mesmo local com os olhos vazios. Apesar de sentir-se magoado, já não conseguia mais derramar uma lágrima sequer. Não soube quanto tempo exatamente ficou encolhido naquela janela, mas quando se levantou, fechou as cortinas novamente e voltou a deitar-se em sua cama, querendo entregar-se ao sono novamente.

Talvez apenas dormindo conseguisse esquecer aquela dor.

Mesmo que por alguns instantes.

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O surgir do dia já se fazia nos céus de Oosaka, e juntamente com o sol, o estridente e irritante som do despertador do celular de Madara se fazia no recinto. Aquele barulho petulante foi mais que o suficiente para acordar Hashirama, que sem pensar duas vezes, apenas buscou o celular sobre o criado-mudo ao lado da cama, desligando-o.

– Preciso ir. – A voz do Uchiha soou sonolenta. Ele ainda continuava abraçando o maior com o rosto escondido no peitoral largo e bronzeado de Hashirama.

O Senju fazia uma leve carícia nos longos cabelos escuros do outro, tirando a franja do rosto alvo e mirando a face tão bela. Poderia passar o dia inteiro observando aquele rosto adormecido que tanto amava... Sim, o amava desde sempre. E agora tinha a certeza de que aquele sentimento era recíproco.

Aquilo o deixava realmente muito feliz. Uma felicidade plena que estava tomando conta de si, e agora não conseguia sequer tirar o seu famoso sorriso sincero dos lábios.

Seus pensamentos voltaram à superfície quando o menor fez menção de levantar-se, apoiando o corpo em ambos os cotovelos para em seguida sentar-se na cama. Madara levou a destra aos lábios e bocejou, procurando o celular sobre o criado-mudo, mas logo foi puxado novamente, sendo obrigado a deitar-se de volta.

Resmungou qualquer coisa ao sentir os braços bronzeados ao redor de sua cintura, tentando soltar-se com o questionamento de que teria que voltar logo para casa, mas Hashirama parecia ignorar aquilo, afinal, já era acostumado com o famoso mau humor matinal do Uchiha.

– Preciso ir, Hashirama. Solte-me. – Resmungou.

– E eu preciso de você. Bem aqui, comigo... – Sussurrou a ultima parte próximo a orelha de Madara, causando-lhe arrepios involuntários. Sorriu em resposta à reação do corpo do outro e mordeu-lhe levemente a orelha. Adorava provoca-lo e notar que suas carícias e provocações sempre davam certo, por mais que o outro negasse e quisesse manter aquela imparcialidade.

Virou o Uchiha para si novamente e sem cerimônias tomou-lhe os lábios em um beijo apaixonado e cheio de ardor. Madara não viu alternativa a não ser correspondê-lo, afinal, não conseguiria – e nem queria – recusar aquele adorável ósculo. Quando o beijo finalmente encerrou-se, o Uchiha tentou a todo custo levantar-se para tomar um bom banho e voltar para casa.

Saiu dos braços do maior com muito esforço e dirigiu-se ao banheiro requintado do quarto. Logo estava tomando seu banho quando o outro invadiu o banheiro, abraçando-o por trás e beijando-lhe nos ombros enquanto ambos sentiam a água morna do chuveiro cair sobre suas peles, provocando uma ótima sensação de calmaria e relaxamento.

Hashirama queria perguntar tanta coisa... Mas a principal pergunta que não saia de sua mente era: Como ambos ficariam a partir de agora. Será que agora poderiam ter algum relacionamento? Será que poderia vê-lo com frequência novamente e poder toca-lo e ama-lo sempre? Só de pensar que o outro poderia afastar-se novamente, um aperto doloroso se fazia em seu peito. Não aguentaria ficar novamente sem Madara, sem aqueles lábios desejosos, aquele corpo cálido, aquele olhar sedutor e principalmente, a presença tão imodesta do Uchiha que o fazia estranhamente feliz.

Não poderia mais ficar distante dele. Isso nunca mais!

O abraçou um pouco mais forte, escondendo seu rosto na nuca do menor. Madara estava distraído, sentindo a ótima sensação de conforto ao ter aquela água morna em contato com sua tez pálida, mas ao sentir-se ser mais abraçado pelo o outrem, virou um pouco o rosto e indagou curioso:

– O que foi?

– Não quero mais te perder, Madara. – Sussurrou em um tom de voz tão baixo que o outro teve que prestar muito atenção para entender o que foi dito.

Madara virou-se no abraço, ficando de frente a Hashirama e pensou no que poderia ser dito naquela hora. Não sabia o que falar. Além de ter sido pego de surpresa por tudo aquilo, não era bom em falar sobre sentimentalismo, por mais que gostasse de escutar os sentimentos do Senju.

– Você não vai. – A resposta soou secamente, mas logo voltou a falar. – Afinal... Nossas empresas agora vão fazer parcerias. – A voz saiu em um tom baixo. A princípio o Senju estranhou, mas rapidamente um sorriso entusiasmado se fez em seus lábios ao notar o que aquilo significava. Aquela era a forma de Madara dizer que não queria se separar dele, afinal, o Uchiha jamais diria que também não queria perder tudo o que tinham reconstruído na noite passada e aquele assunto sobre uma possível união repentina de suas empresas era a sua forma de ficarem próximos.

– Você nunca admite, não é? Uchiha orgulhoso! – Resmungou, mas o sorriso permanecia em seus lábios.

Tomou mais uma vez os lábios macios de Madara num beijo carregado de alegria e sentimentos. Após beijarem-se mais outras vezes e se amarem novamente de forma apaixonada e repleta de saudades e necessidades que sentiam um do outro, retornaram para suas rotinas, mas desta vez de uma maneira diferente, um pensando no outro e tendo consigo uma felicidade plena que a muito não sentiam.

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O relacionamento de Hashirama e Madara havia se tornado algo realmente sério. Suas empresas além de serem parceiras uma da outra, seus encontros se tornaram mais frequentes devido a toda burocracia de seus negócios.

Hashirama nunca havia gostando tanto de toda aquela burocracia, pois assim, sempre inventava milhares de desculpas para falar sobre a empresa com seu amante e tudo na maioria das vezes acabava em uma ótima noite de amor, o que irritava muito o Uchiha, mas que no fundo sabia que ele gostava, afinal, a reciprocidade de seus sentimentos agora era mais evidente e aquele amor tendia a crescer cada vez mais.

Porém, um assunto ainda os perturbava: Seus irmãos mais novos.

Tobirama e Izuna após aquela noite desastrosa em que o Senju mais novo invadiu a casa do Uchiha, nunca mais se dirigiram a palavra. Não se falavam e evitava um ao outro sempre. As trocas de olhares eram raras durante a faculdade, que era o único momento em que realmente se viam. Por mais que seus irmãos mais velhos estivessem envolvidos, a interação entre os dois parecia ser mais inexistente a cada dia.

– Tobirama, você poderia realmente me fazer este enorme favor? – Pediu quase suplicante ao mais novo, como se falasse de algo que era de suma vitalidade. – Madara não está no escritório e ele vai precisar desse documento. Preciso que você deixe na casa dele, é urgente.

– Hm... – Resmungou o albino ao ajeitar melhor o telefone contra o ouvido, fechando o notebook e levantando-se da mesinha de estudos de seu quarto. – E onde está o tal documento? – Perguntou sem muito interesse.

– Na segunda gaveta da mesa do meu escritório. É o primeiro papel que está dentro dela. Ah, e mais uma coisa! – Falou como se lembrasse de algo. – Entregue diretamente ao Izuna. É um documento muito importante, não pode ser entregue a qualquer um, ok?

Tobirama reclamou muito sobre aquilo, mas por fim confirmou que entregaria o tal documento. Hashirama sorriu quando desligou o telefone de sua sala e voltou o olhar para os orbes ônix a sua frente. Madara estava em sua sala, sentado na cadeira a frente da sua, observando bem aquela ligação.

– Agora vai ter que dar certo! Esses dois precisam se resolver.

– Eu sei. – Madara respondeu enquanto encarava o maior. – Já faz um mês em que estamos juntos e eles dois continuam nesta situação.

– Pois é... E eu sei que o Tobirama gosta do seu irmão. Ainda lembro-me daquele dia quando eu cheguei daquela festa beneficente. Ele estava arrasado, mas apesar daquele jeito, eu conheço o meu irmão. Ele não iria até a sua casa por nada, ainda mais ele sendo orgulhoso como ele é... – Suspirou por fim. Estava preocupado com o mais novo.

– Agora a única chance é que seu irmão fale com Izuna e reverta a situação que ele mesmo criou. – Cruzou os braços. Ainda não tinha conseguido esquecer o que o irmão mais novo dos Senju havia feito com Izuna, porém, sabia que ele estava arrependido, pois acreditava no que Hashirama lhe dizia a respeito do albino. Além de seu irmão, que ainda o amava, mesmo ele sendo um crápula naquela noite... Tinha muita raiva, mas sabia que a felicidade de Izuna era ao lado de Tobirama.

Virou o rosto quando o Senju aproximou-se de si, em direção a ele que se inclinava ao lado de sua cadeira, fechando os olhos e deixando-se levar por aquele beijo caloroso e intenso que recebeu repentinamente. Levou a destra até a nuca do maior e intensificou mais o ósculo, querendo por um momento breve sentir o amor que sempre tomava conta de seu ser ao estar perto e sentir os lábios de Hashirama contra os seus.

Queria que seu irmão sentisse o mesmo... Aquela sensação de alegria que há muito tempo não sentia, mas que agora se instalou em seu peito, e que fazia seu coração bater mais rápido de uma maneira tão simples e tão complexa ao mesmo tempo.

Era a sensação de felicidade e plenitude mais marcante de sua vida e por isto entregava-se totalmente naquele ósculo cheio de paixão.

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Observou mais uma vez aquela casa quando estacionou o carro do outro lado da rua. Lembrava-se da ultima vez em que esteve ali... Naquela noite na qual Izuna lhe mandou embora. Mas o pior daquela noite não havia sido isso. O pior foi ver aqueles olhos cheios de tristeza e morbidade, sabendo que era por conta de suas atitudes.

Desligou o automóvel e engoliu em seco. Tinha que entregar aquele bendito documento diretamente nas mãos de Izuna. Teria que falar com ele, olhar nos olhos dele...

Será que aquele olhar ainda está cheio de tristeza?

Olhou para o documento mais uma vez antes de sair do carro, acionando o alarme e travando-o. Andou em passos morosos até a casa, onde rapidamente foi atendido. Os empregados já estavam lhe esperando, pois havia ordens de Madara quanto a isto.

Ao passar pelo jardim e entrar na luxuosa casa, teve uma pequena surpresa. Izuna não estava sozinho como esperava encontra-lo. Havia alguns amigos do Uchiha por ali, rostos que conhecia muito bem, pois eram pessoas da faculdade.

Porém, uma pessoa em específica lhe chamou a atenção. Um rapaz que estava sentado ao lado de Izuna. Ele sorria abertamente e falava com os outros que estavam a sua frente. Havia uma pequena turma de amigos, sentados no tapete da sala com alguns notebooks, como se estivessem fazendo alguma pesquisa, e todas aquelas pessoas eram da faculdade. Eles falavam abertamente uns com os outros, parecia ser apenas uma reunião entre amigos... E Izuna estava lá, sorrindo abertamente para toda aquela gente! E o pior, aquele homem que estava sentado ao seu lado era o mesmo que vivia perseguindo-o cegamente pela a faculdade.

E ver a forma que aquele outro passava o braço pelos ombros de Izuna o deixou totalmente irritado, criando-lhe uma vontade alucinante de soca-lo até desfigurar por completo aquele rosto cínico.

Izuna sorria para seus amigos, mas quando notou a presença do Senju no recinto, seu sorriso se dissipou. Ficou um pouco tenso, sentiu uma sensação estranha apossar-se de seu corpo, e teve certeza de que se não estivesse sentado suas pernas fraquejariam. Fechou o notebook que estava usando juntamente com seu amigo e pediu licença aos demais, levantando-se e caminhando até o albino.

– Onde está o documento? – Indagou ao chegar mais perto do outrem, sem nem ao menos lhe cumprimentar, conforme mandam as cordialidades.

Tobirama percebeu claramente o olhar frio e a voz arrogante de Izuna, devolvendo aquela troca de olhares com um semblante sério e irritadiço. – Aqui está.

Ao pegar a folha, sentiu o Senju segurar seu pulso, o que lhe resultou um olhar ainda mais sério perante o albino, que parecia não intimidar-se com aqueles olhos abaçanados e frívolos diante de si. O que mais ele poderia querer de si? Já havia deixado claro que o odiava, que o desprezava, repugnava... O cenho ficou mais franzido, deixando claro a sua irritação quanto àquele ato.

– Solte-me. – Ralhou, sem nem ao menos puxar seu braço, como se aquela ordem fosse mais que o suficiente para fazê-lo soltar.

Apertou um pouco mais o pulso do moreno, e quando finalmente abriu a boca para falar algo notou que os amigos dele já estavam guardando as coisas, todos de saída. Solto o pulso dele quando a galera aproximou-se, e ficou com a expressão carrancuda na face, não demonstrando nem sequer um pouco de contentamento. Aquilo certamente o irritava.

– Pronto Izuna, guardamos as coisas e já estamos indo. – Falou uma garota qualquer dentre seus amigos, fazendo o Uchiha morder o lábio inferior. Seus amigos já estavam mesmo indo embora antes de Tobirama chegar, e não queria manda-lo ir junto com eles, pois não queria fazer um escândalo ou começar uma briga com o Senju na frente de todos. E o pior de tudo: Não queria correr o risco de descobrirem que transou com aquele inescrupuloso.

– Depois a gente se fala. – Sorriu o rapaz que estava sempre ao lado dele, um sorriso radiante e levemente sedutor, que combinava perfeitamente com os cabelos alourados e médios daquele homem, dando-lhe um charme em especial, coisa que ele parecia querer deixar claro para o Uchiha o notar.

– Ah sim... Até mais pessoal! – Ensaiou um de seus melhores sorrisos, mesmo que seu âmago não estivesse nem um pouco contente na presença do Senju. – Não vai com eles, Tobirama? – Além do tom de voz, sua face expressava algo cínico, pois sua vontade era de expulsar ele dali aos chutes.

– Ainda não terminamos de conversar. – Voltou sua atenção aos demais, rapidamente. – Até mais pessoal. – Não tentou ao menos ser simpático, e já tratou de deixar claro que queria ficar a sós com Izuna. Os amigos do Uchiha saíram após mais algumas despedidas, deixando-os finalmente a sós.

Izuna irritou-se totalmente com aquela atitude, não se intimidando ao deixar seus olhos bem fixos nos dele. A cólera que aqueles olhos demonstravam neste exato momento era pouca para a raiva que sentia. Aquele albino merecia muito mais do que uma boa surra, ele merecia algo cruel e bem doloroso... Algo que de preferência fosse mais dilacerante do que ele fez com seu coração.

– Eu não tenho mais nada para conversar com você, Tobirama! Vá embora! – Ditou após ter a certeza que seus amigos já haviam saído. Deveria ter pedido para eles terem ficado mais um pouco após o trabalho da faculdade!

– Mas eu tenho! Eu ainda tenho muito para falar com você, Uchiha Izuna, e você vai me escutar querendo ou não!

Ambas as mãos do maior seguraram com um pouco de força os ombros de Izuna, enquanto seus olhos encaravam os dele sem sentir-se amedrontado com aquela ira. Não iria fraquejar agora, não poderia! Simplesmente não poderia perdê-lo... Já havia travado inúmeras batalhas internas consigo mesmo, tentando ao máximo se convencer que aquela noite havia sido apenas uma transa acidental.

Mas a quem estava querendo enganar? Era óbvio que todos os olhares destinados a Izuna ao longo desse tempo eram mais do que ódio. E aquela noite foi apenas o estopim para esse sentimento avassalador se tornar tão eminente.

– Eu sei que você tem todos os motivos do mundo para me odiar. Que eu fui um crápula, um sacana com você naquela noite em que transamos, que eu sempre deixei claro o meu ódio mortal por todos os Uchihas, mas... – Parou por um momento, apertando um pouco mais os ombros do moreno, respirando fundo como se buscasse tais palavras para dizer o que nem ao menos sabia para dizer... Era confuso, mas era assim que estava se sentindo. – ...Mas... Simplesmente não dá mais para negar isso tudo. Eu te amo, Izuna. E acho que desde antes daquela noite... – Falou tudo aquilo sem desviar por um momento sequer os seus olhos dos dele.

Izuna não soube ao certo se seu coração naquele momento parou de bater, ou se começou a bater mais acelerado. Já estava disposto a procurar palavras e xingamentos para manda-lo embora de vez de sua casa, pensando até mesmo em chamar alguns empregados para expulsá-lo dali, mas ao ouvir aquilo o moreno pareceu sair de órbita.

– Você... Você está ficando louco? – Perguntou quase num sussurro, ainda incrédulo com tais palavras. – Você acha que... Acha que vai me levar para a cama novamente me dizendo essas coisas, é isso?! – Perguntou mais irritado, seus pensamentos agora o guiando sobre o fato de Tobirama querer mais uma vez divertir-se consigo. Aquilo era realmente imperdoável. Sabia que ele era inescrupuloso, mas não a tal ponto!

– Não! – Respondeu prontamente, apertando um pouco mais os ombros que ainda segurava com ambas as mãos, parando de aperta-los lentamente e descendo as mãos pelos braços do mesmo, como se estivesse perdendo a compostura altiva. – Você acha que eu diria que amo um Uchiha só para conseguir uma transa? Você não faz ideia do orgulho que eu praticamente estou jogando no lixo para te dizer isso, Izuna. Você não faz ideia de como... De como eu estou arrependido, droga!

O moreno o observou em silêncio por longos segundos, que pareceram séculos em total silêncio perante os dois. Estava fitando-o firmemente, sustentando o olhar dele, e aqueles olhos castanhos não pareciam estar mentindo. Mas e se estivessem? E se estivessem falando a verdade? Ou a mentira? Não saberia nunca... E estava angustiado, pois queria uma resposta. Queria muito uma resposta significativa, pois seus sentimentos ainda pulsavam em si, por mais que toda a ira ainda estivesse em seu peito, o sentimento caloroso que nutria por Tobirama ainda estava presente em seu íntimo.

– Eu... – Quebrou o silêncio num murmuro, notando que o outrem havia ficado em total silêncio para lhe escutar, então prosseguiu: - Eu queria que você estivesse falando a verdade. Eu queria tanto que aquele dia não tivesse iniciado daquela forma. Eu te odiei tanto por isso, Tobirama, tanto... Mas mesmo assim eu continuo sentindo algo que... Que eu não sei explicar! – os olhares continuavam firmes, um no outro, e assim o albino pôde notar quando uma lágrima teimosa caiu do olho direito de Izuna, que o moreno rapidamente tratou de limpá-la de sua face. – Que droga, Tobirama! Como eu posso continuar sentindo isso mesmo depois de todas aquelas palavras?! – Ao terminar de falar aquilo, virou o rosto rapidamente para um lado qualquer onde não pudesse fitar diretamente aqueles olhos.

A mão direita de Tobirama pousou suavemente no rosto alvo e entristecido do Uchiha, fazendo uma pequena carícia na face macia com o polegar. Seus lábios tocaram os dele sem aviso prévio, onde foi recebido carinhosamente pelos lábios avermelhados e doces de Izuna, dando início a um beijo lento e cálido, onde as línguas tocavam-se de uma maneira ainda um pouco reclusa.

O ósculo não se perpetuou por muito tempo, cessando minimamente, mas os lábios ainda estavam bem próximos, as respirações quentes e levemente descompassadas poderiam ser sentidas contra suas faces.

– Acredite em mim... – Sussurrou rente aos lábios finos, fitando o rosto alvo com os olhos fechados bem diante de si, sentindo uma vontade absurdamente avassaladora de tomar mais uma vez aqueles lábios. Agora tinha uma certeza: Não conseguiria mais suportar o ódio do Uchiha. Era como um paradigma que havia acabado de desfragmentar-se.

– Não fale mais nada. Apenas comprove... – Ordenou com seu típico tom Uchiha, afundando ambas as mãos nos fios platinados, puxando-o novamente para mais um ósculo, que foi bem mais intenso e luxurioso, onde nenhum dos dois deixava-se dominar entre o beijo, travando uma calorosa batalha entre as línguas fogosas.

Daria mais uma única chance para o Senju. Mas se ele fracassasse ou mostrasse exatamente o oposto, que estava realmente querendo brincar consigo, saberia muito bem como detona-lo. Estapeava-se em pensamento por ter se deixado levar por seu coração ingênuo, mas tinha que tentar mais uma vez.

Necessitava disso. Necessitava dele.

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«---»

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Beijos nada castos eram trocados naquele instante ao entrarem no quarto, onde a urgência de sentir ao outro era dominadora em cada um dos amantes. As roupas aos poucos iam sendo arrancadas dos corpos cálidos, com uma necessidade absurda de sentir a pele abrasadora nas mãos. Tocar, sentir, amar...

Tobirama observou com total afabilidade o corpo alvo, a pele macia e leitosa onde os cabelos negros caiam como uma cascata pelos ombros, contrastando a tez pálida e deixando-o ainda mais sensual. Não se fez de rogado; as mãos astutas já o tocavam com total urgência, sentindo a textura macia daquela pele e saboreando-a com seus lábios ousados, fazendo o Uchiha jogar a cabeça para trás e revirar os olhos, inerte nas profundezas do prazer proporcionado que a língua esbraseante lhe causava ao passar por todo seu peitoral sensível.

Voltou os olhos negros ao albino novamente, mordendo o lábio inferior. Num gesto rápido o empurrou para sua cama, deixando o maior sentado e tirou à franja do rosto, um gesto que não passou despercebido diante do olhar intenso de Tobirama, que observou aquele gesto tão sensual.

Logo o moreno estava ajoelhado no chão, entre suas pernas, segurando-lhe o membro em riste. A língua passeou lentamente, começando pela base até a glande, rodeando-a com sua língua audaciosa. Sugou-lhe a glande, descendo a boca para o restante do sexo do outrem, sentindo-o pulsar em sua boa enquanto a língua serpenteava todo o membro rijo.

Os olhos abaçanados pela luxúria o fitavam fixamente, observando cada mínimo detalhe da face de Tobirama que se deleitava com sua boca, afundando a mão em seus cabelos negros e ditando como queria aqueles movimentos, incitando-o a suga-lo mais rápido. Palavras desconexas e de baixo calão eram ditas a todo instante entre os gemidos prazerosos, dizendo o quanto aquele moreno era delicioso. Era isso... Delicioso, quente, sensual... A perfeita imagem da sedução.

Sentia como se a qualquer instante fosse pular no imenso e profundo abismo da insanidade, perdendo-se nos prazeres carnais. E logo o puxou pelas madeixas escuras, deixando-o sentar-se em seu colo enquanto roubava-lhe mais um ósculo dominador, buscando sentir a língua dele com urgência, cheio de desejos. Em meio ao beijo tórrido sentiu Izuna roçar suas nádegas de uma maneira tentadora em seu membro enrijecido, deixando claro o que realmente queria, ansiava. Ambos desejavam...

Aos poucos seu membro ficava cada vez mais apertado conforme ele era penetrado, deliciando-se com a perfeita sensação de estar dentro do Uchiha, o seu Uchiha. As mãos passeavam pelas costas largas e quando os movimentos ritmados finalmente iniciaram e deixaram-se levar pelo deslumbramento do prazer crescente. O moreno subia e descia cada vez mais rápido, os gemidos e sussurros eram ditos entre beijos molhados e vorazes. As mãos seguravam com firmeza a cintura delgada, o incitando a ir mais e mais contra seu falo pulsante. Era tentador, erótico.

O moreno fazia questão de gemer bem próximo a orelha do maior, fato este que o deixava ainda mais louco de desejos, o que era perfeitamente notado pelo menor, que lhe mordia e passava a língua cálida por toda a orelha do Senju, provocando-o ainda mais.

– Tobirama... – Gemeu deliciado; os olhos fechados e a face adquirida com um leve tom carmim.

A resposta que obteve foi mais elogios eróticos em meio a gemidos deleitosos. E tão logo já estava deitado na cama, sentindo o outro por cima de si, voltando a lhe penetrar com mais afinco e incontinência, acertando-lhe a todo instante o seu local mais prazeroso, fazendo-o delirar sob o corpo forte e bem definido, que enlouquecia juntamente consigo. Era isso que sentia... Sentia que sua sanidade a cada instante estava sendo dissipada, entregando-se completamente a loucura do momento.

– Ahh... Tobirama... E-eu vou... Enlouquecer...

– Então enlouqueça... – Respondeu num gemido rouco, observando a feição cheia de concupiscência do moreno, sentindo-se mais excitado apenas com aquela bela e deliciosa visão.

Em um ímpeto o orgasmo enlouquecedor veio para ambos, dominando os corpos dos amantes que sentiam cada pequena célula de seus corpos cálidos serem tomadas por uma satisfação atroz, num clímax intenso e avassalador. As respirações estavam completamente fora do compasso e os corpos suados. Ficaram por um tempo deitados, um ao lado do outro, esperando o compasso da respiração normalizar novamente, enquanto fitavam-se e deixavam que o silêncio de seus olhares falasse mais alto naquele momento.

– Não pense que me convenceu completamente, Senju. – Murmurou ainda sentindo seu peito subir e descer, assim como o dele.

– Ainda quer que eu prove algo para você, Uchiha? – Perguntou; com um sorriso lacônico nos lábios, contemplando a imagem do outrem, totalmente despido, apenas os longos fios negros espalhados pelo corpo alvo, que agora tinham marcas. Suas marcas.

– Eu vou adorar vê-lo andar na linha para me agradar... – Sorriu, mordendo o lábio inferior e indo até o peitoral do maior, ficando com o corpo parcialmente por cima do dele, sentindo as mãos grandes e ousadas passearam por suas costas, causando-lhe leves arrepios involuntários.

E apesar de falar isso entre uma brincadeira provocante, realmente exigiu que o outrem lhe provasse que realmente o amava. Muitas brigas e desentendimentos ainda se seguiram após algum tempo, típico de qualquer casal, e não apenas dos dois, mas os mais velhos também tiveram muito que se acertarem entre si.

Tiveram que aceitar as diferenças e os defeitos um do outro, pois era aquilo que os completavam. As qualidades que poderiam ser adquirida e os defeitos pessoais que fazia cada particularidade os definirem. Os defeitos nos quais os uniram e os fizeram apaixonar-se profundamente.

Os defeitos que os faziam serem perfeitos um para o outro.

Fim.


Notas Finais


Mais uma vez, desculpem a demora. Eu tinha certeza que já tivesse postado :'D
Ainda tem um extra, que eu postarei aqui próxima semana.

O que acharam desse final? O que acharam desse casal? Diz aí!

Beijos e queijos!


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