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História Dejé mi amor - Capítulo 1


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Notas do Autor


halo, bolinhos!!!
se cuidando direitinho?

Sim, venho com um novo projeto, por mais que minha área seja a comédia romântica, mas eu não teria coragem de deixar esse plot no esquecimento, e tenho ciúmes demais para doar kk
É o prólogo, o capítulo 1 virá em breve, assim espero

originalmente seria um romance histórico, mas acabou por se tornar um romance distópico, mas já virou meu amorzinho
logo, logo terá a sinopse reformulada

sem estender muito, aproveitem a leitura

Capítulo 1 - Uno; en el pasado


Bakugou Katsuki, se é que ainda possuía um nome, ou melhor, se este valia alguma coisa naquele território em que os ratos dividiam suas regalias com os humanos imundos, não pela corrupção ou qualquer aspecto doentio de espírito. A referência: imundos, era de fato como as classes hierárquicas, os detentores de poder, chamavam aqueles que nada tinham a oferecer para que elas pudessem desfrutar do luxo, ou tinham, mas não é como se os créditos fossem dados ao suor de um dia exaustivo.

E talvez por isso não tivessem mais nada – tudo fora-lhe tomado pelos cervos famintos –, agora, boa parte dos que eram considerados cidadãos, vivia em meio à sujeira daquele país, em pequenos guetos e ruelas na capital, além dos locais carinhosamente chamados de alojamentos que se espalhavam pelas bordas do território, próximos à fronteira, todavia, invisíveis dos olhos de todos; nestes mal cabiam a população que antes tinha uma vida digna e, por muitas vezes, feliz. Tudo fora-lhe tirado como se rouba um cervo faminto por alimento, não existiam mais leões, é verdade, mas, a citação de que a união faz a força nunca fizera tanto sentido.

Um conjunto de cervos aproveitou-se das ideologias conflitantes e das crescentes brigas que só derrubavam o contexto de uma vida civil pacífica para colocar seu vil plano em prática. Ascenderam ao poder em uma noite de outono quente, sempre estava quente, todavia, aquela noite marcara os termômetros como seu ápice de calor, nada disso foi impasse e, quando todos acordaram no dia seguinte, os lençóis estavam bagunçados pelo agouro de que nada seria como antes.

Katsuki, como tantos, não teve a sorte de estar no seleto grupo daqueles que fizeram a revolução sozinhos, pelo contrário, viu-se empurrado para um abismo de miséria, não só ele, como também tantos outros que conhecia, agora dividia um casebre coletivo, a nova habitação das massas, onde todos encontravam-se depois de um dia exaustivo de trabalho e jogavam-se em qualquer canto com a barriga vazia, sem qualquer esperança de que um dia algo mudaria e com o esquecimento do passado áureo em que tinham o que agora não passava de delírio: liberdade e felicidade. Entretanto, Bakugou ainda permitia que tais conceitos vagueassem seus pensamentos e, assim, faria possível que voltassem a sonhar com o passado que um dia fora real, pois em seu ser ainda residia a centelha da esperança de um futuro melhor.

Tentaria; Até que lhe faltasse forças para continuar.

As minas de carvão continuavam a produzir como nunca antes, o barulho dos instrumentos de escavação eram os únicos que soavam em meio aos paredões, em outros tempos – naquele passado longínquo que ninguém teria coragem de trazer a tona – ecoaria uma infinidade de conversas e piadinhas sobre a rotina: a vizinha fofoqueira, a sogra que não parava de perturbar, enfim… as amenidades de uma vida comum.

Antes, naquela montanha rebaixada, trabalhavam mineradores, eram homens pobres, para falar a verdade; mas não eram os escravos de agora que agiam mecanicamente esperando uma morte lenta e sôfrega. Sem qualquer consciência e identidade, apenas respirando a poeira daquele terreno árido.

Outros que estavam ali sequer pensariam que um dia desempenhariam o que chamavam de trabalho pesado, vestiam ternos elegantes e iam para suas empresas que lucravam e exportavam a todo vapor; voltariam para casa em seus carros de luxo e reclamariam do cansaço na cama, com suas belas esposas hidratadas e cheirosas. Atualmente, o silêncio da exaustão perdurava, os sons ofegantes de quem fazia esforço excessivo. Engana-se quem pensa que o Sol já se punha, pelo contrário, mal havia tocado as nove horas de uma manhã quente – todo dia era quente, benefícios de um país tropical.

Contudo, ninguém esperou o tempo passar com impaciência, assim demorava mais.

Katsuki afastou os cabelos loiros da face, no processo os fios quase platinados adquiriram uma cor escura, mas não importou-se com tal fato, ninguém importava-se, era comum, estavam todos sujos pela cor escura do mineral. Suas vidas estavam manchadas, sua existência também permanecia apagada naquela fronteira, longe da capital belíssima e luminosa que aparecia em suas lembranças. Recordava-se do menininho que acordava com o canto dos pássaros e ia para uma instituição onde todos aprendiam sobre os mais diversos assuntos, era uma escola se sua lembrança não falhava, gostava dos amiguinhos e das brincadeiras nos intervalos.

Fora ali que conhecera Eijirou, que viria a ser seu melhor amigo, daqueles que estariam nos bons e maus momentos, por mais que nos últimos anos não conseguissem distinguir com tanta clareza o ruim do péssimo, embora na maior parte do tempo fosse terrível. Ambos não sorriam mais como antigamente, nem iam mais para a escola aprender sobre assuntos legais e muito menos brincariam depois de um sorvete de limão. A pracinha pequena fora substituída pelos afazeres domésticos, mais tarde pelo trabalho braçal.

Ninguém mais tinha tempo para brincar ou sorrir com o cotidiano, na verdade, ninguém possuía mais tempo, este também fora tomado e jazia nas mãos dos cervos – agora, leões famintos por mais.

Seus braços doíam, mas sabia que teria que aguentar a dor muscular para resguardar os remédios aos mais idosos, era uma obrigação de qualquer jovem cuidar de quem não possuía a mesma força, perdida em tão pouco tempo. Continuou a trabalhar, não por vontade, mas sim pelo olhar que recebia do abutre que pairava sobre todos; se um dia fora alguém de coragem, agora teria que guardar para um momento oportuno, ali era só mais um tentando não morrer de fome e evitando o ostracismo imposto aos rebeldes.

Tudo, seus sentimentos, sua coragem, sua força, foram tomados, nada disso mais lhe pertencia. Só uma coisa continuava sob seu domínio: os pensamentos e convicções de que um dia faria com que todos recuperassem o que um dia lhe fora de direito.

E sob o mesmo olhar de quem toma o pouco que lhe pertence – embora, lembrem a todo momento de que não passa de um empréstimo para que se produza aquilo que os governantes necessitam para seu bem-estar –, terminou mais um dia esquecido em algum calendário. Encontrara Kirishima em uma de suas saídas para aliviar-se, estava tão cansado quanto, com os cabelos ruivos perdendo o habitual formato peculiar; talvez, como reflexo, tenha direcionado um meio sorriso de até logo, todavia, não se prendeu nisso pois sabia que não poderia demorar mais do que poucos minutos.

Só alcançou a “liberdade” quando a lua já brilhava na noite, não havia nuvens naquele céu negro, sinal de que nem um leve sereno amenizaria a sensação térmica, em parte, agradecia, o teto da pequena morada necessitava de reparos. Caminhou para casa, ansiando por descanso, o caminho não era distante, os agrupamentos se espalharam de qualquer forma, desde que estivessem próximos o suficiente dos locais de produção; também não é como se tivesse medo dos ataques ao andar naquele breu, as mulheres temiam mais, porém estas andavam sempre em trios ou grupinhos pequenos, nunca mais do que cinco; o governo proibia.

Katsuki sempre voltava com o ruivo, um ou outro amigo quando lhe convinha, seguiam em silêncio ou com poucos monólogos, a poeira deixava a garganta seca, assim, as palavras dificilmente saiam com eloquência. Deixavam para colocar os assuntos em dia quando estavam sob a luz de uma vela que sobrara, ou simplesmente iluminados pelo luar que adentrava pelas frestas.

—Eu preciso dar um jeito de fugir daqui e chegar até a capital, não tem como simplesmente ficar esperando por algo que vai nos libertar desses filhos da puta. - o loiro tentava ao máximo não elevar o tom de sua voz e fazer com que alguém indesejado captasse seus planos, mesmo que ainda não estivessem amadurecidos e nem prontos para qualquer execução, entretanto, sabia que a melhor temporada para a fuga chegavam a toda velocidade. As tempestades violentas sempre causavam quedas de energia nas estações de comando, o que tornaria difícil que a atenção estivesse voltada para todos os quatro cantos do alojamento.

Não podia confiar em ninguém, exceto o idiota que sempre estivera ao seu lado, um dos poucos que não tentaria vender o amigo por um remédio escasso ou transferência para a capital. O único louco o suficiente para chamar de família – já não sabia onde seus pais estavam, poucos, um ou dois continuaram com sua família completa depois da redesignação de funções, infelizmente, não fora o agraciado –, e disposto a cruzar a fronteira, ir para outro país ou simplesmente atacar a capital; nada disso importava, desde que continuassem juntos.

—Estamos quase em setembro, uma ou duas semanas e teremos o auxílio de alguma tempestade, se dermos sorte um furacão capaz de desligar os equipamentos de vigília. Basta sairmos pela fronteira e nos reestabelecermos até a capital, mesmo não tendo nenhuma chance de chegar lá com vida. - Kirishima jogou-se no catre envelhecido, fora deixado para si depois que o antigo dono falecera, a única herança que um pobre velho poderia deixar para os mais jovens, além de que uma cama era sempre melhor do que o chão frio, pela madrugada a temperatura caia em alguns graus. Sentiu vontade de rir com o pessimismo de seus pensamentos, não, até a mesmo o fim mais pacífico não terminaria com coisas boas para si. - é uma missão suicida, de fato. – acompanhou a luz que passava pela fresta, as lágrimas pinicando os olhos, mas dessa vez não caíram, talvez tivessem secado ou compreendido que chorar não valia mais a pena.

Resistir também não valia a pena, mas era melhor do que simplesmente fingir-se de cego e esperar pelo fim, como o resto de seus companheiros de miséria. Tentaria até que as chances esgotassem, ou quando nada mais pudesse ser feito. Sabia que Katsuki compartilhava do mesmo pensamento, pois fora ele que secara suas lágrimas de outrora com palavras de conforto, às vezes doíam, é verdade, porém serviam para lembrar que ainda não estava só.

Assim, lutaria enquanto tivesse companhia e determinação; os dois valeriam por um exército, da mesma forma que uma centena subjugara milhões, tantos que nem era possível contar, e jogara-os para o abate a espera que os fracos e incapazes sucumbissem. Infelizmente, não seria um deles, o frágil garotinho de doze anos morrera com o primeiro grito de misericórdia.

Naquela noite ambos dormiram um sono sem sonhos, a exaustão garantiria que acordassem no dia seguinte com o mesmo cansaço crônico e, antes mesmo do Sol refrescar as peles com seu calor infernal, já estariam cambaleantes, mas em pé, prontos para fingir-se de membros daquela manada que trabalhava, trabalhava… até esquecer que tinham outras funções, embora já não soubessem quais.

Tudo mudaria em setembro, só mais um pouco.


Notas Finais


devo continuar?
comentem, façam uma autora feliz e motivada
obrigada a quem leu e a quem já favoritou, estou muito feliz

a disposição para qualquer dúvida sobre o enredo^^
até


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