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História Dejé mi amor - Capítulo 2


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Notas do Autor


Halo, docinhos!
Como estão?

Olha que o capítulo 1 do roteiro original tá rendendo, e ainda tem mais kk
Aproveitem a leitura, é isso

Capítulo 2 - Dos; en la frontera


Setembro chegara em passos de tartaruga, as tempestades e ventos violentos tomavam conta da pequena área, levantando a poeira da terra infértil e carregando a disposição daquelas pobres pessoas; os lábios secos e a garganta arranhando deixavam bem claro que nada era brincadeira, nem um mero sonho revestido de um pesadelo suado. A água não era escassa, mas era racionada de tal forma que servia apenas para o essencial – ou acreditavam que apenas não morrer de sede e tirar as partículas de sujeira do corpo muito raramente era o suficiente –, bem, se antes o direito universal era ter condições para ser feliz, eles esqueceram o significado de felicidade.

Já na segunda semana, ainda era noite, quando o vento colaborou com Katsuki, derrubando um equipamento pesado da torre de transmissão e, assim, sem muito o que pensar o plano fora posto em prática, não detinha de qualquer aspecto teórico ou estava bem formulado; para falar a verdade, ele apenas existia com algumas considerações utópicas e sonhadoras de dois jovens que mal sabiam viver, mas que ansiavam em descobrir.

E foi com esse desejo que ambos atravessaram as sombras, a vigilância a oeste estava com suas luzes apagadas, o loiro rezou para que quem comandasse não estivesse fazendo alguma atrocidade por aí – era sempre assim quando um soldado desaparecia e, como os ratos que eram, ninguém buscaria satisfação ou vingança por eles; no máximo um riso de troça pelo descuido da desobediência do toque de recolher.

O que era lutar? Poderiam dizer não, afinal?

O que era a integridade enquanto uma dose efêmera de vida ainda corria por aqueles corpos magros e sem graça?

Lembrara que na escola aprendera sobre a arte clássica, o ideal a ser alcançado era sempre a beleza, as esculturas dos museus sempre mostravam-se tão lindas e fortes, chamavam atenção, sendo, na verdade, mais charmosas que qualquer outro item exposto. Katsuki pensava que seria assim quando se tornasse um homem; sempre ouvira que era alguém belo e que ficaria ainda mais com o passar das primaveras – seja lá o que for isso.

Nos livros, a mocinha sempre se apaixonava pelo cavaleiro mais gracioso; seria assim consigo também? Ou o amor ficara do lado de fora daquela base empoeirada e desértica? , ele vira nascimentos e crianças que surgiam como um passe de mágica, mas nunca presenciara um casal a trocar palavras apaixonantes sob o céu estrelado – as bolas de hidrogênio iluminavam, de mesma forma como fazem desde o início da existência humana, eram alheias ao sofrimento, descobrira depois de uma série de reflexões inúteis.

Suspirou, tentando localizar o caminho, não havia uma estrada que sinalizasse por onde seus pés deveriam passar. Poderiam passar horas e horas andando a esmo e nunca chegariam longe o suficiente para não serem capturados de novo. A montanha que marcava a chegada da fronteira do país vizinho não despontava no horizonte. O mapa desenhado parecia imperfeito, irreal demais para servir de algo.

Depois de um tempo, a central de rádio acendeu as luzes, um som mudo ressoou pelos montes de terra árida; a conexão fora, enfim, reestabelecida, aquele pequeno mundo voltara a funcionar junto com a vigilância que acordava com olhos sonolentos e pesados, todavia, com armas em punho e uma energia que não se via desde que o primeiro tentara fugir.

O corpo alvejado fora o recado daquele dia, assinado com letras vermelhas e garrafais: “Não havia saída, a fronteira marca o fim”, essa foi a primeira regra que aprendera em sua nova vida, mais tarde aprenderia a segunda regra.

Não pense que pode, porque o mundo não é um conto de fadas”, agora não fazia muito sentido, os pequenos não sabiam o que eram estórias de fantasia, repletas de finais felizes e esperança. As mães resmungavam, tentando pausar a dose de animação e curiosidade infantil, no fundo, também esqueceram as princesas guerreiras e príncipes com poucas aparições.

Entretanto, Bakugou criou uma regra e não deixaria de cumprir até seu último suspiro: “Continue, até que seja obrigado a parar” e, exatamente por isso, ele decidiu respirar fundo e apressar o passo em linha reta, uma hora ou outra a fronteira teria que aparecer. Esgueirar-se pelas sombras se mostrou um exercício e tanto, ainda mais o com o ruivo em seu encalço que mais parecia prestes a ter um ataque cardíaco do que qualquer outra coisa.

Bom, o vento fizera seu papel e, somado com a incompetência dos soldados que decidiram tirar uma folga para o carteado no dia errado, os dois amigos conseguiram ver a primeira vegetação rasteira antes que o Sol banhasse seus rostos cansados com raios quentes.

Era setembro quando o primeiro passo para a liberdade foi dado. A tempestade tropical fora a maior cúmplice.

—Oe, continua caminhando! - Kirishima ouviu a voz brava gritando já a uns bons metros de distância, foi aí que percebeu que estava ficando para trás. Aparentemente, uma pausa para encostar-se em alguma rocha lisa se transformou em um quarto de hora facilmente, o loiro também jogara-se contra o que parecia ser gramíneas secas; como se ele próprio não fosse mais capaz de obedecer sua ordem.

E, quer saber? Pela primeira vez não precisaria fazer algo contra sua vontade, aquela prisão que um dia fora chamada de lar – seja lá o que significava tal palavra - ficou para trás, junto com as lembranças de dias que não foram felizes mas que serviram para construir o homem que era hoje – ou melhor, os homens que aqueles dois garotos barulhentos se tornaram.

Não sabiam sequer o nome do lugar que emanara daquela abertura entre as montanhas, nem se eram bem-vindos ou, quem sabe, se ao menos aquele localzinho era diferente. Todavia, o medo do dia seguinte já havia sido superado há tempos com a terrível experiência de que as alternativas sempre conteriam o pior cenário possível.

A grama seca sempre superaria um deserto infértil, foi nisso que resolveram acreditar quando ainda novos.

O vento soprou, entretanto, não era aquele ar tempestuoso que assombrava com seu gemido prolongado que ecoava pelos tímpanos, agora, como em uma saudação gentil; era uma brisa quase fria. Katsuki não sorriu ou chorou de felicidade pela realidade que voltava aos poucos e sussurrava maternalmente que tudo dera certo.

As lágrimas teimavam em descer, mesmo queimando os olhos.

O otimismo tomava as entranhas de ambos, embora ainda estivessem no primeiro passo para a felicidade que almejavam mais do que a si mesmos. E, quando o Sol retornara a oeste, com seu véu vermelho e rosado, permitiram-se dormir como a tempos a preocupação não deixava, se estavam rodeados de animais selvagens, isso não mais importava, sabiam que a aniquilação atingira boa parte da fauna com a chegada catastrófica da nova Era – a extinção chegava aos poucos, em menos de duas décadas acabou com a beleza apavorante, mas vívida –, por isso, não temiam demais, encontrariam espécimes que um dia foram domésticas, porém não grandes predadores como outrora.

O topo da cadeia alimentar residia em prédios luxuosos e riam-se depois de uma boa dose de prazer, como se aplaudissem o sofrimento de quem esquecia aos poucos o sentido de uma vida digna, embora a dignidade ganhara novo sentido em sobreviver com a honra de nunca ter traído a pátria; uma pátria que nem os considerava.

E entregaram-se aos sonhos dessa forma, descuidados, mas felizes por ser a primeira vez que poderiam fazer dessa forma em tanto tempo. Claro, a tropicalidade não ajudara muito no conforto do despertar, os raios já bronzeavam a pele antes mesmo das seis horas da manhã; ao menos essa era a hora que Katsuki achava ser.

Eijirou também parecia ter sumido, embora os poucos pertences organizados demonstrassem que logo ele voltaria, uma exploração rápida talvez? Não duvidava muito, afinal, o ruivo, apesar de ser um tanto desligado e, por vezes, bobo em alguns aspectos, de longe era o mais cuidadoso e racional – a impulsividade um tanto instintiva tinha o poder de deixar qualquer um em maus lençóis, principalmente aqueles que tinham uma linguagem menos medrosa.

Bom, mas se Kirishima não estava por perto e, certamente, seria impossível não se dar conta de alguém tão espalhafatoso quanto ele, quem era o ser que resmungava baixinho depois do que parecia ter sido uma queda? Seria um animal pesado que se machucara em alguma emboscada, ou quem sabe um pássaro com som incomum? As duas opções pareciam bem irreais, por mais que fossem as mais desejadas pelo loiro, em sua situação a última coisa que gostaria de encontrar seria um humano desconhecido.

Todavia, o mundo prefere reger suas regras com base na maior probabilidade, apresentando um homem com cabelos esverdeados vestindo uma roupa que lembra muito algum tipo de organização, fardas, como era chamada. Bakugou não conhecia outro modelo senão o dos soldados da fronteira, contudo, ambos mostravam-se totalmente divergentes, se acostumara-se com aquele padrão grosseiro e nem um pouco convidativo, as vestes do desconhecido poderiam facilmente trazer tranquilidade por causa das cores visivelmente mais leves.

Era isso, um novo tipo de manipulação mental que apresentava alguém vagamente bondoso antes do bote? Ele seria levado a um novo agrupamento com lobos que se escondiam sob a pele de cordeiros?

Já imaginava o tipo de trabalho, pela gentileza e tato que o outro mostrava com aqueles olhos arregalados – incrédulos pelo estranho visitante – poderia muito bem ser um majoritariamente feminino, o que era bom, se fosse convidado em vez de ser duramente punido, o que se mostrava como o único caminho possível.

Os homens bons ficavam com as mulheres, essa era a lei fundamental da nova vida que se obrigava a ter.

Claro, fora idiota o suficiente para acreditar na existência de qualquer fronteira, os próprios guardas difundiam a informação para fazer chacota dos ingênuos que acreditavam.

Ótima forma de se começar o dia, na verdade, a pior delas.

—Vai começar a rir da minha desgraça quando? - não conseguiu esconder o tom raivoso, não é como se quisesse de fato, embora fosse de conhecimento público que ninguém em sã consciência levantaria a voz para um oficial em serviço, nem fora dele.

Rir? Desculpa, eu não entendi a que está se referindo… - idiota, foi essa a única palavra que passar pela sua cabeça ao deparar-se com a demagogia do ser a alguns metros de distância, como se estivesse se resguardando com medo de qualquer retaliação.

Por favor, na situação em que o loiro estava muito dificilmente assustaria alguém, ainda mais um militar que embora não detivesse o melhor porte em questão de altura, certamente compensaria com sua forma física. Em caso de ataque direto sabemos muito bem quem não teria a menor chance, por mais que o estranho continuasse agindo como uma presa encurralada.

Continuariam nessa caça bilateral se os passos desconhecidos não tomasse conta do espaço denso, a relva morta denunciava todos os pés que a tocava, quase vingativa pela dor que não poderia sentir.

—Bakugou, você precisa ver a plantação estranha que tem lá perto do riacho! - Kirishima parou ao ver o amigo em choque, ele mesmo já estava em estado de alerta ao ver a figura que agora fitava ambos com curiosidade, como se desejasse perguntar a origem daqueles dois que surgiram no meio do nada. A face não espelhava qualquer sinal de hostilidade, o que fez com que o ruivo chegasse mais perto.

Diferentemente de Katsuki, ele não temia tanto a figura desconhecida, afinal, que tipo de soldado faria sua patrulha sem uma arma para lidar com os fugitivos? Mas ainda assim não baixara totalmente a guarda, não que esta mudasse em algo se estivessem realmente em apuros.

Poderiam ter continuado a caminhada pela madrugada, assim, provavelmente, nada disso estivesse acontecendo. Quem sabe não teriam desmaiado depois do tal riacho que poderia ser mostrado em outro momento, era quase certo, mas poucos quilômetros de distância das fronteiras ainda era perto demais, inclusive para alguém como ele que não entendia como as medidas funcionavam.

—Olha, eu juro que não entendo nada do que você está falando. - o esverdeado resolveu continuar o diálogo com o loiro, não ignorando totalmente a presença estranha do outro que continuava calado a olhar para si, quase desejara fazer o mesmo e mapear cada movimento do ruivo. Sim, Izuku já estava começando a ficar incomodado, mas diante de tamanha tensão essa era a última preocupação. - a menos que… vocês não são fugitivos, são?

Os dois amigos se olharam, como se buscassem alguma forma de comunicação telepática que ajudasse ambos a sair do impasse em que tinham se metido, obviamente nada disso fora alcançado, principalmente pelo olhar de confusão do ruivo ao não perceber o que os olhos vermelhos semicerrados significavam.

Raiva, cuidado, medo? Katsuki era expressivo, de fato, contudo suas feições geralmente projetavam sentimentos distintos, além de compreensão comum. Era necessário quase que um dicionário para entender os vocábulos singulares, Eijirou aprendera a ler nas entrelinhas após serem somente os dois por anos, mas sua mente pintou-se de branco ante a situação de perigo.

—E se formos, o que você vai fazer com isso? - se a afirmativa de que a melhor defesa é o ataque estiver certa, lembre-se que Bakugou resolveu testá-la, perto o suficiente para puxar o corpo do esverdeado, entretanto, sem fazê-lo de fato; suas mãos pousavam no tecido grosso da vestimenta, em um agarre que impediria o Midoriya sair do lugar sem precisar empregar força para tornar o afastamento possível.

Ele, por outro lado, não se importou em poder olhar naqueles olhos vermelhos mais de perto, na verdade, o loiro parecia diferente, um tipo que chamava atenção, bem, se não fosse o péssimo temperamento e a desconfiança excessiva poderiam ter uma conversa amistosa, assim como o ruivo parecia dar uma chance para resolver o problema que se formara sem nem ao menos perceber.

Izuku poderia muito bem ter ficado no alojamento, uma hora alguém apareceria com alguma erva para ajudar a senhorinha que ardia em febre, o remédio comum havia acabado, escasso demais para usar em qualquer urgência, mas Izuku, ao pensar que tudo era um mar de rosas, usara-o sem economia ao menor sinal de sintomas que pareciam requerer uma dose.

Talvez ser um enfermeiro jovem em uma aldeia isolada e, ainda mais, sozinho; não era uma boa ideia, contudo, resolveu arriscar. Por tudo isso é que estava assim, prestes a ser atacado por um homem sequer vira na vida, mas que o achava perigoso demais.

Logo ele, que faria de tudo para fazer qualquer um feliz. Qualquer um mesmo.

Foi aí que as palavras começaram a fazer sentido, eles eram realmente fugitivos – ora, sua fala foi só uma brincadeirinha, como quando compartilhava seu tempo com as crianças do alojamento, isso quando não estivesse dormindo aos cantos de exaustão. Todavia, sabia que o outro país tinha uma política totalmente discordante dos vizinhos, as fronteiras vigiadas eram o sinal disso, embora a montanha fizesse o papel de forma natural.

Escutara que ninguém conseguia sair, um ou outro que tocaram terras estrangeiras sumiram em pouco tempo, ou pela própria segurança ou… capturados novamente, na melhor das hipóteses. Se isso fosse verdade, entendia perfeitamente o motivo por trás do estado de alerta, até mesmo a violência contida que o loiro parecia guardar; imagine, a primeira pessoa que ele encontrara em sua liberdade recém-adquirida fora um homem vestido de soldado – porque ele era um, mas não com os mesmos ideais daqueles seres terríveis; seu país não era bom, tão miserável quanto a população do lugar de onde os outros saíram, contudo, ainda existia a possibilidade de uma vida melhor para cada um dos olhos que fitava em seu trabalho diariamente, e não era o que via nas orbes avermelhadas, desistentes, com um mero brilho opaco.

—Eu acho que não posso fazer muito, só que me sinto muito feliz em recebê-los no meu país. Incrível, não? Ok, nem tanto, mas eu posso ajudar, se vocês quiserem, obviamente. - a última parte saiu em um fio de voz, as mãos que apertavam o tecido da farda retiraram-se, e logo o loiro abandonara gradualmente a face raivosa enquanto o ruivo ia mais além ao parecer quase feliz com a boa nova.

Um sussurro foi trocado entre ambos, mas pôde ser ouvido por qualquer um dos três sem o menor trabalho: “estamos bem agora”.

 


Notas Finais


Devo continuar?
Não esqueça de deixar um comentário, fico feliz e motivada em escrever mais desse enredo maravilhoso
Obrigadinha a quem leu!
até;

Curiosidade: Embora eu não use o nome de qualquer país da realidade, tudo se passa na América Latina - por isso o título em espanhol -, não é no Brasil, só para lembrar.
Parece meio futurístico e é de fato, basta olhar para a vegetação e fauna inexistente; sem contar o clima horrível. Espero que não seja assim na realidade, mas as esperanças são sonhadoras demais, né

Espaço de monólogo da autora:
- Estou cansadíssima, revisei duas vezes ( e olha que tive que cortar o cap kkk);
- Já estou com um novo projeto, é original, um romance meio triste para falar a verdade;


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