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História Delegacia 614 - Capítulo 3


Escrita por: e heairtsjoy


Notas do Autor


eu (loh) e a lua, estamos muuuito felizes com esse capítulo e já avisamos que não vamos nos responsabilizar pelas altas emoções hshuash, esperamos que gostem muito do capítulo de hoje!

capítulo betado pela sue, maravilhosa <3

boa leitura mores

Capítulo 3 - Álcool e Desejos


Fanfic / Fanfiction Delegacia 614 - Capítulo 3 - Álcool e Desejos

DELEGACIA 614

capítulo 3

 

Baekhyun andava lentamente pelo corredor três, seu olhar um pouco cansado pela noite mal dormida e sem se importar com o horário, afinal, ainda estava cedo e tudo que precisava era preencher algumas papeladas na delegacia. Talvez, daria uma volta no necrotério como o bom curioso que era, queria muito saber se Jongdae havia encontrado algo há mais na corda ensanguentada. 

Entretanto, precisava comer algo antes de começar de verdade o dia. Procurava algumas rosquinhas de chocolates para combinar com o seu café meio amargo e a cafeteria Pallet era a sua preferida para isso. O lugar havia se tornado seu “refúgio” desde quando a tinha encontrando por acaso em uma perseguição policial, e precisou voltar após prender os bandidos para tomar um café, a partir daí nunca mais a trocou. 

Toda manhã, de segunda a sexta, o ômega ia até o centro antes do trabalho, comprava seu café meio amargo, às vezes até arriscava no frapuccino com chantilly, mas só quando estava de muito bom humor. Era um ritual do qual não abria mão, um de seus momentos favoritos do dia.

Distraído escolhendo entre as rosquinhas de caramelo ou chocolate puro, não percebeu a presença de alguém muito conhecido por si, mas que nunca havia aparecido naquele estabelecimento. Mordeu os lábios ao ver outra rosquinha escondida pelo vidro, logo abrindo um sorriso.

— Bom dia, vou querer de morango com chocolate — Sorriu vendo a atendente concordar — Obrigado — Era a rosquinha que mais gostava, definitivamente era seu dia de sorte, além disso, estava entusiasmado com a noite que teria. Não era todo dia que tinha que ir a campo disfarçado. 

— Não sabia que você era tão doce pela manhã — Olhou para o lado reconhecendo Chanyeol, este que escolhia um salgado. 

“O que ele estava fazendo ali?” Perguntou-se enquanto suspirava surpreso. Nunca havia o visto em vestes tão casuais e céus… era muita sacanagem testar sua sanidade tão cedo. O alfa usava uma calça jeans clara apertada, uma blusa branca e uma jaqueta jeans por cima, o cabelo um pouco desgrenhado enquanto o rosto permanecia suave. 

— Não sabia que você ficava mais gostoso com roupas normais — Rebateu sincero, era sem papas na língua, não deixaria de provocar o maior, no entanto se arrependeu no mesmo segundo porque Chanyeol o encarou com um sorriso bonito demais para seu equilíbrio emocional. 

Desviou o olhar, estendendo a mão para a atendente e pegando os donuts. Por um motivo que não sabia explicar, ficou parado ao lado do chefe, esperando o Park receber seus salgados — Achei que você estivesse de folga hoje. 

— E estou. Meu amigo me recomendou essa cafeteria, resolvi experimentar — Ele respondeu simplista, agradecendo a atendente com um sorriso — Vai comer aqui? Podemos sentar juntos, se quiser.

— Vou, eu faço isso sempre — Falou rápido demais, nervoso, porque estava mentindo. Nunca tomava café na cafeteria, geralmente apenas comia em seu carro preto em frente a sede da polícia, era um viciado em trabalho e gostava de escutar o rádio enquanto bebericava o café quente, contudo, não queria perder a chance de ficar mais alguns segundos com o homem que tanto desejava. 

— Eu preciso começar a frequentar mais esses lugares, ficar naquela delegacia só me dá dor de cabeça — Park resmungou sentando-se de frente para si, estavam perto das janelas na parte da frente da Pallet, as cadeiras de madeiras eram rústicas e confortáveis, a visão de crianças indo para a escola era até mesmo reconfortante. 

— Sinto que eu sou um dos motivos mais frequentes para suas dores de cabeça.

— Você não imagina o quanto — O Byun riu baixinho e se ajeitou na cadeira.

— Aqui é bem calmo durante a parte da manhã, você deveria vir mais vezes, eu venho aqui todo dia — Confessou sorrindo meio bobo, não era do seu feitio, no entanto, estava com vergonha por não estar com seu tom irônico de usual, mas sim com um sorriso bobo por estar fazendo algo tão "comum" com Park Chanyeol. 

— Mais um motivo para eu começar a frequentar então... — O chefe de polícia falou e se permitiu olhá-lo, ele também o encarava, com o mesmo sorriso bobo e as covinhas. Adorava elas. 

— Como realmente vai funcionar a missão de hoje a noite? — Desviou do assunto porque não conseguiria ficar mais um segundo olhando-o sem parecer um completo idiota. Além da imensa vontade de simplesmente beijá-lo ali mesmo. Chanyeol estava começando a aparentar um perigo ao seu psicológico. 

— Iremos até a boate, vamos observar as pessoas e ver se notamos algum comportamento estranho — Ele sussurrou bebendo seu chocolate quente — Deve ter algo único para aquele merdinha frequentar de maneira tão assídua aquela… 

Prestava atenção em cada palavra que o Park dizia até um homem encapuzado entrar na loja. Era uma figura estranha, o acompanhou com o olhar, perdendo a noção do tempo e do assunto que tratava com o alfa. 

 — Byun, eu tô falando com você — O moreno estalou os dedos na frente de seus olhos, no mesmo segundo que um arrepio tomou conta de sua nuca. Seu lobo interior ativou um senso de proteção, aquele pressentimento, sua intuição, um frio congelante que tomava sua nuca e ele nunca falhava. 

— Chanyeol… — Sussurrou, a boca trêmula ao segurar a mão livre dele que estava em cima da mesa e a apertou, procurando um conforto ou segurança. Não soube dizer se era para si ou para ele — Tem algo errado. 

Sentiu o aperto ser devolvido, seus olhos nunca haviam se desgrudado do homem encapuzado que agora andava pelo corredor dois sem nem mesmo olhar para os produtos dispostos. 

— O que foi, Baekhyun? O que você está sentindo? 

— Intuição — Murmurou, voltando seu olhar para Chanyeol, encarando-o nos olhos. 

Não foi preciso mais do que cinco segundos para que o arrepio que Baekhyun sentiu fosse espalhado por todos os clientes da Pallet.

— Todo mundo pro chão agora! Isso é a porra de um assalto, entenderam? — O cretino encapuzado gritou a plenos pulmões, assustando todos e erguendo uma arma. Atirou contra a vidraça de frios, estourando um cano que fez o barulho de desespero ficar ainda pior — Deitados, inferno. 

Lentamente todos do local fizeram o que foi mandado, incluindo Baekhyun e Chanyeol, colando os rostos no chão, estando um do lado do outro. Os passos pesados se aproximaram e o Byun percebeu, pelo canto dos olhos, que o outro homem estava na frente do caixa, gritando com a atendente. 

— Enfia todo o dinheiro nessa mochila, sua ômega de merda. Anda, caralho, rápido. 

Tremeu de raiva, erguendo o rosto e notando que o ladrão estava de costas para si, tinha uma chance. Não deixaria aquele filho da puta fazer o que bem quisesse e sair impune, haviam crianças deitadas chorando, os pais aterrorizados, as funcionárias ajoelhadas de olhos fechados. Não era um deles, havia treinado para isso, podia lidar com a situação, no entanto, se amaldiçoou por ter deixado a arma no carro. Não importava, ele conseguiria, daria conta daquele brutamontes com as próprias mãos. 

Tentou levantar sorrateiramente sendo impedido no mesmo instante por um puxão em seu braço. 

— Não faz isso. Você tá sem arma — Chanyeol sussurrou o olhando, as sobrancelhas juntas em pura agonia. A repreensão estampada em seu rosto.

— Eu preciso fazer alguma coisa — Sussurrou ainda mais baixo, não querendo colocar os dois em risco. Tentou levantar mais uma vez, mas não conseguiu. A mão firme do Park puxou seu braço, os olhos dele o encontraram com preocupação e cuidado, a voz saiu sussurrada, mas conseguiu perceber, ele estava implorando. 

— Por favor, fica. 

O ar parecia fugir de seus pulmões, nem percebeu quando relaxou o corpo no chão, sem desviar os olhos do alfa. Nem ao menos soube dizer o porquê se rendeu ao pedido, se foi a necessidade na voz do Park, ou a forma que seu lobo interior se sentiu seguro quando um pedido tão sincero foi feito, sentiu que não precisava cuidar de tudo sozinho e pela primeira vez, obedeceu. 

Observou Chanyeol se levantar com rapidez, impulsionando-se com as pernas em um pulo silencioso, o ladrão que estava de costas, mal teve chance de entender o que estava acontecendo quando o Park o jogou contra as mesas. A primeira coisa que ele fez foi desarmá-lo, a arma foi tirada do assaltante com uma técnica infalível e jogada perto de Baekhyun que a pegou no mesmo instante. 

Se levantou, assistindo surpreso o ladrão tentar lutar com Chanyeol, já sabendo que ele perderia. O alfa nem precisaria tirar a arma do coldre que usava e isso fez com que o ômega sentisse um orgulho da pessoa e homem bom que o Park era, e junto a isso, a sensação de inutilidade o acertou em cheio. 

Havia deixado ele fazer tudo sozinho. Havia se deixado ser protegido por um alfa, como um ômega indefeso. Nunca tinha se permitido ser fraco, até aquele momento. 

Piscou atônito ao ouvir o choro desesperado em sua volta, balançou a cabeça tentando ignorar aqueles pensamentos e se direcionou até a atendente, a acalmando e pedindo para as pessoas se levantarem. Conseguiu ver o momento exato do terceiro soco certeiro que Chanyeol deu no queixo do bandido, que já se encontrava com o nariz ensanguentado e no chão, em um estado letárgico perto da inconsciência.  

Funcionando no automático, resgatou a mochila no chão devolvendo o dinheiro para o caixa, enquanto Chanyeol algemava o bandido encostado na parede. Lágrimas grossas estavam presas em seu olhar e Baekhyun sentia-se completamente perdido quando pegou o copo com seu café amargo e se retirou da loja, ignorando os chamados do Park.

Entrou em seu carro bruscamente, dirigindo em alta velocidade para a Delegacia 614 e mesmo que sua voz estivesse embargada, ativou o rádio na linha emergencial. 

— Mandem uma viatura para Pallet Cafeteria, o chefe parou um assalto a mão armada mesmo estando de folga — Desligou após ouvir uma confirmação de Suzen e estacionou com brusquidão no acostamento. 

As lágrimas salgadas ameaçando descer por suas bochechas quando as esfregou rudemente. “Por quê eu não fiz nada?” Se questionava, sendo muito mais duro consigo mesmo do que qualquer exame que já havia enfrentado. “Inferno”, pregava baixinho, tentando entender o que estava acontecendo consigo mesmo e porque estava deixando se desestabilizar daquela forma. 

Talvez Park Chanyeol estivesse mexendo bem mais com seu psicológico do que fazia parecer. 

 

 

Adentrou a Delegacia ainda um pouco transtornado, os olhos estavam vermelhos, porém, não chorava mais. Qualquer um que visse de fora poderia simplesmente dizer que Baekhyun estava apenas cansado, ou então não daria a mínima, ninguém parecia perceber o quanto o ômega estava confuso e perdido. Jogou o corpo na cadeira acolchoada de sua própria mesa, deixando com que a cabeça desancasse nos braços, pensando o quão idiota estava sendo por deixar seu emocional falar mais alto. 

Desde que se permitiu deixar-se levar pelos momentos com Chanyeol, sabia que perderia o controle. Estava ciente de seus próprios sentimentos e achava que poderia simplesmente ignorar as batidas aceleradas do coração ou o fato como o cheiro do maior mexia com todos os seus sentidos e não apenas com seu pau. Sabia, com toda certeza, que as coisas começariam a desandar, só não achou que seria tão rápido. Havia cedido a Chanyeol.

Cedido de uma forma que ele não julgava certa. Era seu trabalho, seu jeito e não estava gostando nenhum pouco da forma como seu lobo simplesmente havia aceitado a situação na cafeteria. Ter obedecido, por mais bobo que tenha sido, ia contra tudo que acreditava e pregava naquela delegacia. Fechou os olhos com força, completamente frustrado, querendo apenas gritar e se afastar, precisava colocar a cabeça no lugar, entretanto, toda a delegacia tinha o cheiro dele. Sobressaia sobre qualquer coisa e qualquer um, então como ele conseguiria se concentrar no que deveria fazer?

Bufou jogando o corpo para trás, encarando o teto pelo que pareceu uma eternidade, até que sentiu alguém lhe cutucar. Virou o rosto encarando Carter, que segurava um café com um sorriso tranquilo e ao mesmo tempo preocupado. 

— Péssimo dia? 

— Você nem faz ideia… — Suspirou pegando o café e sorrindo em agradecimento. 

— Todos temos pelo menos um dia assim na vida — Deu de ombros e Baekhyun concordou.

— Já teve um dia ruim?

— Trabalhamos em uma delegacia de polícia, quase todos os dias são ruins — Baekhyun riu alto — Não me leve a mal, amo o meu trabalho, mas temos que concordar que não é nada fácil. 

— É porque você não gosta de ir a campo, caso contrário não teria tantos dias ruins — Bebeu um pouco do café — Acho que ficar preso em uma mesa resolvendo burocracias e escrevendo relatórios realmente estressa qualquer um. 

— Você nem faz ideia — Carter repetiu a fala do ômega que riu — Então, quer me contar o que aconteceu ou não sabe se abrir com meros mortais?

— Acho que posso abrir uma exceção hoje — Brincou — Está muito ocupado? 

— Não, passei os relatórios para as estagiárias. Acho que elas dão conta.

— Certo — Suspirou — Você já sentiu que tudo que você batalhou para conquistar e ser estava a ponto de desmoronar? Eu sinto que tudo que fiz até hoje, tudo que consegui, o respeito, meu nome… sinto que estou me perdendo em um caminho sem volta. 

— Duvido muito disso… se importa? — Apontou para a cadeira ao lado do ruivo, que negou. Carter se sentou e encarou o corredor da delegacia, que estava consideravelmente calmo para o horário — Você é um cara forte, Byun. Você passou por muita coisa pra chegar aqui e eu duvido que isso se perca em seja qual for o caminho que escolha tomar em sua vida. 

— Eu não sei, sinto que se eu permitir o que eu realmente quero, vou perder meu orgulho. 

— Isso é sobre o Park? 

— Q-Que? N-Não, claro que-

— Eu não sou cego — Revirou os olhos claros. 

— Tá tão na cara assim? — Suspirou.

— Não é como se vocês fizessem questão de esconder — Riu da cara envergonhada do ômega — A tensão sexual que emana de vocês é de deixar qualquer um aqui nervoso. Tenho quase certeza que tá rolando uma aposta sobre isso.

— Ai que vergonha... — Baekhyun disse levando as mãos ao rosto, ouvindo a risada gostosa do estrangeiro.

— Relaxa, não tem nada de errado nisso, mas vamos focar no seu problema. Vamos por parte sim? — O ômega concordou — O que aconteceu para você chegar aqui virado no tinhoso?

— Tinhoso?

— Outro nome pra demônio, não foge do assunto — Revirou os olhos. Baekhyun suspirou enquanto repassava tudo novamente em sua cabeça.

— Resumindo… tivemos uma situação hoje, um assalto em uma cafeteria. Um cara armado — Bufou sentindo novamente a frustração tomá-lo

— Chanyeol estava lá e ele lidou com tudo sozinho, eu apenas obedeci e fiquei olhando... — Disse irritado — Eu, Byun Baekhyun, deixei que meus sentimentos comandassem e aceitei as ordens dele. Céus, eu sou um idiota.

— Agora eu entendi sua analogia sobre se perder no meio do caminho — Carter riu e depois levantou as mãos ao ver o olhar raivoso do ruivo para si — Quer uma opinião sincera, ou quer que eu minta pra você se sentir melhor?

— Vou me arrepender se pedir uma resposta sincera?

— Talvez... — O ômega revirou os olhos e fez um gesto com a mão para que o outro continuasse — O que você sente pelo Chanyeol? 

— Já comecei a me arrepender.

— É sério! Isso é o mais importante aqui… — Disse sincero e viu o coreano suspirar — Pelo visto, nem você sabe o que está sentindo e esse é o problema. Você viveu uma vida tentando provar para as pessoas do que era capaz mesmo sendo ômega e está com medo de que esses sentimentos conflituosos façam você retroceder, mas ao meu ver, isso tudo é uma besteira.

— Falou o alfa que não precisou provar nada a ninguém. 

— Todos temos nossas lutas, entenda que você já provou o que precisava, não tem mais que se esconder atrás de uma máscara de indiferença… — Deu de ombros observando o ruivo que o encarava — Você e o Park estão tendo algo, ótimo. Ele é um cara legal, além de um alfa respeitado e com objetivos de vida traçados. Ele te respeita como pessoa e já ouvi ele falar sobre como você é um dos melhores.

— Você ouviu? — O olhou com curiosidade.

— Bem, as estagiárias ouviram, mas isso não importa — Baekhyun riu baixo — Você não precisa ter medo, Byun.

— Eu não tenho medo de nada — Afirmou falando um pouco alto, talvez tentando convencer mais a si mesmo do que o amigo.

— Tem medo de se apaixonar por um alfa e isso anular tudo que já fez na sua vida — Carter disse sincero e o ômega engoliu a seco — Você é sim um dos melhores detetives, você já construiu sua carreira e sua fama, não precisou de um alfa para isso. Não é vergonha nenhuma amar.

Amava Chanyeol? 

Não sabia dizer, porém, era nítido que seus sentimentos iam muito além de um desejo insano. Se preocupava e se pegava pensando no alfa até quando estava em casa dentro de seus pijamas de coelhinho assistindo séries policiais. Levantou o olhar para o barulho no corredor da delegacia, Chanyeol surgiu em sua visão levando o bandido da cafeteria. 

Mordeu o lábio quando os olhares se encontraram, o coração acelerado no peito. Abaixou a cabeça confuso, logo sentindo uma mão em seu ombro, Carter o olhava consolador. 

— Não fique pensando tanto nisso, ninguém merece se torturar dessa forma. Deixe as coisas rolarem e veja no que dá — Disse com um sorriso — Você não vai deixar de ser o Baekhyun convencido só porque está apaixonado. 

 

— Eu não estou apaixonado.

— E eu odeio pimenta na minha comida, mas não posso fazer nada referente a isso, certo? — Riu vendo a expressão irritada do amigo — Só não se estressa com isso, aproveita o momento.

— Deveria falar sobre meus problemas com você mais vezes.

— Passo, tenho muitos relatórios e não posso deixar tudo nas mãos das estagiárias. Um homem precisa pagar suas próprias contas.

Baekhyun riu vendo o  amigo se afastar e voltou a atenção para a sala de Chanyeol, onde o mesmo falava com um dos subordinados, provavelmente passando o relatório do que havia acontecido na cafeteria. Suspirou novamente, estava fazendo muito isso nos últimos dias. Não estava apaixonado por Park Chanyeol, não podia estar, era apenas muito tesão acumulado e tudo passaria depois de uma boa foda. 

Repetiu isso para si mesmo pelo menos mais duas vezes antes de voltar sua atenção à tela de seu computador. Talvez Carter não estivesse tão errado, era só aproveitar o momento. 
 

 

Estava atrasado, e mesmo assim fazia tudo na mais absoluta calma. Era um homem tranquilo e um pouco sistemático, por isso encara o relógio preso à parede enquanto vestia o blazer que completava todo seu visual para aquela noite. Chanyeol olhava a própria imagem no espelho, sério, enquanto dobrava um pouco as mangas para só então considerar-se pronto. Suspirou pegando o relógio prata que costumava usar e seu perfume, mesmo que não o usasse no seu cotidiano, gostava de se produzir um pouco mais quando saía. 

Saiu do quarto pegando sua carteira e celular, guardando tudo nos bolsos enquanto apagava as luzes da casa, olhando mais uma vez a hora. Odiava estar atrasado, e talvez nem estivesse se não fosse pela manhã conturbada em seu dia de folga. Precisou ir para a delegacia e como o esperado, não conseguiu sair tão cedo, ao que parecia, o lugar não funcionava sem sua frequência. 

No entanto, o que realmente chamou a atenção do alfa, era Baekhyun e seu silêncio. 

Não havia trocado nenhuma palavra com o detetive desde o assalto e o mesmo se mostrava uma outra pessoa, enquanto trabalhava quieto. Não queria admitir, porém, sentia falta da língua atrevida do Byun quando estava na delegacia. Entrou no carro não demorando a dar partida, ainda pensando no quão estranho o dia tinha sido, afinal, esperava que o ômega fosse até sua sala para alfinetá-lo ou provocar, era o que estava acostumado, no entanto, o outro parecia fugir de si sempre que se aproximava. 

Não fazia o feitio do detetive. 

Apertou o volante com certa força ao se lembrar de ver Baekhyun junto a Carter na delegacia, eles pareciam íntimos daquela forma. Será que o ômega agia com o outro policial da mesma forma que agia consigo? Não controlou o rosnado na garganta, era irritante pensar nisso, mas por que? Por que sentia-se incomodado? Ambos eram solteiros, então por que o fato de Baekhyun ter outros pretendentes o irritava? 

Nem ao menos percebeu quando estava próximo a boate, observando em volta para estacionar o carro na primeira vaga disponível que tinha. O letreiro vermelho neon onde o nome da boate, DEVIL ICE, aparecia era chamativo, o pequeno diabinho do lado era uma das coisas que Chanyeol poderia facilmente chamar de perturbador. 

Não era um lugar bonito, próximo a uma ruela estreita, com pessoas esquisitas demais bebendo e fumando. Porque alguém iria querer frequentar aquele lugar? Era o que pensava enquanto trancava o carro e se dirigia para a entrada do estabelecimento. Existiam muitas outras boates por ali, então, por que aquela era, aparentemente, tão bem frequentada? Respirou fundo e foi para a recepção, onde uma beta loira digitava algo no computador após ver sua identidade, entregando-lhe uma pulseira. A mesma pulseira que sua detetive havia dito que servia como uma comanda. 

Agradeceu colocando o objeto no pulso e entrando no local lotado, que cheirava a cigarro e outras coisas que o delegado tinha certeza serem ilícitas. Olhava em volta, estudando todo o lugar, percebendo apenas uma saída nos fundos da boate, destinada aos funcionários e que provavelmente dava para a ruela que viu antes de entrar. Aquele estabelecimento era todo errado e seria um prazer poder aparecer ali qualquer dia para fechar as portas de um lugar tão hediondo. 

Não estava nem um pouco acostumado com aquilo, o som alto em sua cabeça, pessoas dançando e se esfregando umas nas outras. Os feromônios de tantos indivíduos juntos deixavam o Park nauseado, sentia-se deslocado demais, nunca fora um frequentador de boates e lugares cheios e céus, aquilo era um verdadeiro pesadelo. Driblou algumas ômegas que pareciam querer algo consigo e foi direto para o extenso bar do local, onde prateleiras com as mais variadas bebidas podiam ser vistas. 

No caminho, viu um homem de estatura baixa e cabelos ruivos, suspirou um pouco aliviado por finalmente encontrar alguém da equipe, contudo, ao se aproximar, viu que não era Baekhyun. O ômega em questão olhou para ele interessado, então tratou de murmurar um pedido de desculpas e se afastar jogando-se em uma das cadeiras do bar frustrado. 

— Me vê um Whisky, por favor! — Pediu passando as mãos pelo o rosto. Onde é que estavam Baekhyun e Smith? 

— Psiu... — Chanyeol ouviu e virou-se para o barman, confuso com o comportamento do alfa — Não está me reconhecendo chefe? — Observou os olhos azuis claros do outro e abriu a boca em choque. 

— Smith? — Perguntou chocado — O que você tá fazendo aqui? 

— Ué, trabalhando? — O alfa riu baixo, pegando uma garrafa de Whisky e servindo um copo para o chefe — Esqueceu que estamos disfarçados? Você já foi mais perspicaz.

— Cala a boca — Disse pegando o copo à sua frente — Sei que estamos disfarçados a trabalho, mas… barman? Sério? 

— Bom, não há maneira melhor de saber o segredo dos outros senão os embebedando — Smith sorriu convencido — Ficaria surpreso se soubesse quantas pessoas se abrem para os barmans em uma noite de bebedeira.

— Presumo que sim — Bebeu mais um gole da bebida, sentindo a mesma descer queimando por sua garganta — Então, se você está de barman… do que o Byun está disfarçado? 

Smith abriu ainda mais o sorriso, apontando para trás de Chanyeol, que não soube o porquê, mas sentiu todo seu sangue gelar ao se virar e olhar para onde o alfa apontava. 

Only Girl da Rihanna tocava e um grupo do que pareciam ser universitários, dançavam animadamente, todos jovens sem maiores preocupações, segurando seus copos regados de bebida alcoólica e sorrisos fáceis e dentre eles, Baekhyun. O ômega dançava de forma sensual, as mãos passavam pelo próprio corpo no ritmo da música. Ele sorria despretensiosamente, o corpo relaxado enquanto jogava a cabeça de um lado para o outro, rebolando e atraindo os olhares de várias pessoas para si. 

Chanyeol engoliu em seco, sentindo calor de repente, estava abafado demais, apertado demais. O ômega usava uma maldita calça preta apertada, ela marcava cada parte de seu corpo, a blusa branca junto ao casaco xadrez vermelho fechavam o visual do menor e a pequena choker em seu pescoço fez o pau de Chanyeol fisgar. Era incrível que o ruivo não se importava que a roupa estivesse grudada no corpo pelo suor. Que não se importava com o quão sensual e dominador estava sendo. 

Logo os olhares se cruzaram e o sorriso sincero de Byun se tornou provocador. Ele não mais dançava por sentir-se bem e sim para fazer um show.

Um show para Park Chanyeol.

Seus movimentos conseguiam ser ainda mais sensuais, mordendo os lábios com força enquanto descia até o chão, gostando da forma que o alfa não conseguia tirar os olhos de si. O pouco álcool que havia consumido antes o ajudava a ficar mais solto, sem vergonha alguma de provocar seu chefe na frente de qualquer um. 

Ali, eles não eram detetives, estavam disfarçados e Baekhyun com certeza iria se aproveitar um pouco disso. Sentiu mãos grandes em sua cintura, porém, não sentiu nada ao olhar o alfa alto e loiro que sorria sacana para si, no entanto, sorriu de volta deixando com que o corpo colasse ao do outro, voltando o olhar para Chanyeol, sorrindo ladino e desejando que fosse o Park colado em suas costas.

A mensagem havia sido dada.

— Mas chefe, do que o senhor tá disfarçado? 

— Milionário. Eu já volto — Disse deixando o copo vazio no balcão e andando até o ômega, o sangue queimando de raiva ao ver outro homem tocar o corpo que lhe pertencia. 

Baekhyun não tinha limites e ele teria que lhe colocar na linha.

O Byun não conseguia evitar o sorriso ao ver o alfa se aproximando e logo ser puxado pelo braço por Chanyeol, a brutalidade que tanto gostava. Riu ao perceber que o chefe havia enxotado o outro homem, grudando os corpos um pouco irritado, claro que isso não impediu o ômega de continuar dançando, gostando de sentir o corpo do alfa tão próximo ao seu. 

Sentir o pau duro do outro em sua bunda.  

Where have you been começou a tocar no exato momento em que Baekhyun mordeu os lábios ainda mais forte ao sentir as mãos que tanto amava lhe apertarem a cintura, seu corpo pegando fogo no ritmo da música. Sentia a respiração de Chanyeol em seu pescoço enquanto dançavam, o Park rendido aos encantos do ruivo que estava gostando demais de ver esse lado mais solto do alfa. 

— A intenção é ser discreto, Byun — O ômega quase gemeu ao ouvir a voz rouca em seu ouvido, os pelos se arrepiando, tão entregue — Coisa que você não está sendo. 

— Estamos em uma boate, chefinho — Rebolou contra a pélvis alheia, suspirando satisfeito pelo modo que deixava o Park. Virou-se de frente, dessa vez aproximando os quadris e levando suas mãos vazias até os cabelos negros emaranhados do alfa — E eu estou recolhendo informações. 

Chanyeol se aproximou, fazendo-o fechar os olhos esperando por um beijo que não chegou, ao invés disso, sentiu a respiração bater em seu pescoço e mordeu os lábios ao ouvir a voz rouca em seu ouvido — Se esfregando naquele cara? 

Lambeu o próprio lábio inferior, agora encarando o alfa nos olhos, estavam tão próximos que suas respirações se tornaram apenas uma. 

— Você deveria tentar… mas duvido que consiga, não com essas roupas — Debochou, levando os dedos ágeis até o ombro do Park, escorregando a mão para retirar o blazer pesado do corpo malhado, tendo seu feito realizado, quase babou ao ver Chanyeol com apenas uma blusa social branca — Achei que a intenção era ser discreto — Respondeu sacana, abrindo os primeiros botões da blusa e fazendo o alfa revirar os olhos com o tesão que sentia com os dedos de Baekhyun passando pelo seu corpo. 

— O que você sugere então, para eu parecer mais discreto? — Chanyeol perguntou, respirando fundo quando o Byun colou os lábios em seu pescoço, deslizando a língua arteira por sua pele e o arrepiando — O que você quer, Byun? 

— Eu sou apenas um universitário procurando diversão, você quer brincar, chefe? — Ele perguntou rente ao seu pescoço, se afastando e mordendo o lábio inferior, chegava a ser indescritível que tudo em Baekhyun fosse milimetricamente atraente.

Não conseguia se controlar, tampouco queria. Ele estava bem na sua frente, os quadris colados, se esfregando em Chanyeol, não havia nada mais importante do que ensinar boas maneiras ao Byun agora.

— Me beije — Chanyeol mandou, segurando firme a cintura do ômega, deixando que seus dedos fizessem pressão na pele branquinha, conseguia sentir o cheiro de excitação no ar, muito mais forte do que todas as outras vezes que estavam juntos. 

Baekhyun sorriu, negando, enquanto mordia os lábios vermelhos até pequenas gotinhas de sangue se fazerem presente. Chanyeol queria tomar cada uma delas na boca  — Eu não escutei direito, pode repetir?

Humpf! Não podia acreditar. Baekhyun era mesmo um filho da puta, ele queria mesmo que pedisse? 

Tcs. Tcs.  

— Hum, você acha que está no lugar certo, detetive? — Chanyeol chegou mais perto, esfregando o pau duro contra a ereção de Baekhyun, satisfeito por sentir que ele estava tão excitado quanto a si mesmo — Você é apenas um estudante, Byun. E você vai ter que me obedecer. 

Viu o olhar do ômega tremer, não esperou um segundo a mais para pegar sua mão e sair daquela multidão, se afastando para um local mais reservado perto dos banheiros, onde o colocou na parede e prensou sua coxa direita entre as pernas do Byun, exatamente onde sua ereção estava excitada, fazendo-o gemer baixinho com o contato. Levou as mãos até a bunda arrebitada e redonda, apertando-a por cima da calça preta, forçando o detetive a rebolar contra sua coxa, em um ato puramente carnal 

— Vou começar a educar você aqui mesmo. 

Sem esperar mais um segundo, juntou os lábios aos de Baekhyun, sentindo seu pau endurecer ainda mais dentro da calça quando o ômega chupou sua língua com destreza e vontade, as mãos dele não pararam quietas, arranhando sua nuca, abrindo mais um botão da camisa social e gemendo alto contra sua boca — Chanyeol, caralho… eu tô tão duro. 

— Não sabe quanto tempo eu desejei te ver assim, Baekhyun — O Park ditou, esfregando ainda mais a coxa contra a ereção dura do outro, sentindo vontade de fode-lo ali mesmo — Não aguento mais me segurar. 

— Então não se segure — O ômega confessou, mordendo os próprios lábios e apertando a ereção molhada de Park, que rosnou baixinho.

As mãos do Park em sua bunda o deixavam ainda mais quente, as coisas estavam ficando perigosas demais. Deveriam estar concentrados em outra coisa e não se entregando aos prazeres naquele canto escondido da boate, onde estavam  escondidos de olhares curiosos, a música alta abafando os gemidos sôfregos que o ômega dava ao sentir os lábios de Chanyeol maltratando a pele branca de seu pescoço. 

Poderiam ficar ali eternamente, presos no próprio mundinho de luxúria, completamente entregues ao tesão que sentiam, no entanto, estavam esquecendo um detalhe muito importante e foi só quando o alarme de incêndio soou dentro da boate, fazendo as pessoas gritarem e a música parar, que perceberam o erro que haviam cometido. Se afastaram assustados, encarando-se antes de correrem junto a multidão para tentar entender o que estava acontecendo. 

Chanyeol tirou a arma que carregava bem escondida dentro das próprias calças, procurando Smith com a visão periférica, porém não conseguia vê-lo. Xingou alto o bastante e levou seus olhos a Baekhyun, que seguia às pressas para a porta dos funcionários, que dava para a ruela. Driblava as pessoas desesperadas, que corriam para a entrada principal, a fim de chegar mais rápido até o ômega. 

Ia perguntar o que ele tinha visto para se afastar daquela forma, entretanto, as coisas aconteceram rápido demais e Chanyeol se culpou por estar se divertindo e não fazendo seu trabalho desde o início. Uma moto passava pelo espaço estreito que era aquela rua, estava em alta velocidade e tudo que o alfa pode ver foi o brilho do cano de uma arma nas mãos do homem mascarado. 

Park se jogou como pode no chão, puxando Baekhyun junto e logo os dois estavam fugindo dos tiros correndo para trás de uma das grandes caçambas de lixo. “Merda”, o mais velho praguejava, jogando a cabeça para trás frustrado, se estivesse pensando com a porra da cabeça certa, isso não teria acontecido e talvez pudessem até ter pego aquele homem. Será que ele era o assassino? O que diabos tinha acontecido?

Se levantou irritado vendo a moto sumir e chutou o lixo irritado, colocou uma das mãos na cintura, enquanto a outra pegava o celular para discar o número de Smith.

— Vamos, precisamos encontrar o Smith e descobrir que merda acabou de acontecer. 

— Chanyeol… — Ouviu a voz de Baekhyun e só então percebeu que o ômega continuava sentado com a cabeça encostada na parede. A blusa antes branca manchada de vermelho, fazendo o sangue de Chanyeol esquentar ainda mais. Se abaixou apressado, procurando qualquer vestígio de que o menor havia sido atingido — Eu to bem, ai… acho que o ferimento de outro dia pode ter aberto — Fez uma careta de dor e o alfa se permitiu respirar aliviado. 

— Temos que cuidar disso, Byun. 

— Aquele desgraçado — Gemeu irritado ao ter o corpo puxado por Chanyeol — Acha que era ele? 

— Não sei, e isso não importa agora — Suspirou frustrado, tirando os olhos do machucado do ômega apenas para olhá-lo nos olhos — Vamos cuidar disso aqui primeiro, depois a gente corre atrás do prejuízo. 

Baekhyun não soube dizer porque seu coração acelerou daquela forma. O cuidado que Chanyeol estava tendo consigo, ignorando o fato de terem praticamente deixado o assassino escapar só para focar em seu machucado antigo que ainda não tinha cicatrizado cem por cento, mordeu o lábio para controlar o sorriso idiota que com certeza daria. 

Talvez deixar que as coisas rolassem não fosse tão ruim assim, não se pudesse ter o alfa cuidando de si daquela forma. Naquele momento, não se importava nem um pouco em abaixar suas barreiras para que outra pessoa entrasse. 

Muito menos se essa pessoa fosse Park Chanyeol.


Notas Finais


e entãaao?
cadê as teorias?
e esse chanbaek que nos dá tudo que queremos? ai ai viu

O capítulo 4 sairá na próxima semana! voltamos com a programação normal, pós viagem da lolo hehe
Comentem tudo postando no twitter usando #D614fanfic , queremos mesmo estar por dentro da suas teorias rs

Até o próximo!


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