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História Delegacia 614 - Capítulo 5


Escrita por: byunirie e heairtsjoy

Notas do Autor


> LEIAM AS NOTAS FINAIS! <
Finalmente estamos de volta com o ÚLTIMO CAPÍTULO de Delegacia 614!!
Eu e a Lua estamos mais do que felizes em finalizar uma história juntas, e ver vocês tão efóricos para o final dessa fic.
Obrigada a todos vocês que nos acompanharam, Delegacia 614 não seria nada sem o carinho de cada um!

Aqui é a lua. Esperaram muito por isso? Eu tô tão feliz de podermos trazer para vocês esse capítulo maravilhoso! Estávamos tão ansiosas. Deixo aqui meu adeus por enquanto e espero que tenham gostado de acompanhar essa maravilhosa história. Amo vocês.

Obrigada Sue pela betagem e pelos surtos HAHAH.
Boa leitura amores (:

Capítulo 5 - Perigo e Liberdade


Fanfic / Fanfiction Delegacia 614 - Capítulo 5 - Perigo e Liberdade

DELEGACIA 614

capítulo 5

 

Mesmo que tentasse disfarçar, a raiva ainda estava presente por todo seu corpo, o fato de Baekhyun ter saído batendo a porta contribuía para sentir a cólera o consumindo. Não deveria ter falado uma besteira como aquela, mas como poderia deixar que o Byun fosse uma isca? Não aguentaria ver ele se machucar mais vezes apenas para provar algo que todos já sabiam. 

— Vamos pensar em uma outra forma de capturar esse assassino, colocar qualquer um de vocês em risco não é um bom plano. Vocês são meus subordinados e eu me importo com a saúde de cada um, não sou do tipo que joga vidas fora por um caso, vamos dar um jeito nisso. Só preciso que confiem em mim — Ditou, a voz soando alta e firme para fazer sua equipe compreender que aquele assunto estava encerrado. 

Não queria mais ouvir falar sobre aquilo, não queria nem cogitar, ainda mais quando Baekhyun estava se recuperando dos tiros que havia levado. Ele simplesmente não entendia. Como Baekhyun poderia ser tão alheio aos seus sentimentos?

Não podia deixar que o Byun fosse uma isca porque se importava com ele e porque esse tipo de plano nunca foi o seu preferido, não acreditava que deveria arriscar vidas para salvar outras. Se importava muito mais do que deveria, muito mais do que cogitou se importar. 

E isso estava acontecendo há mais tempo do que lembrava. Essa dor no peito quando não o encontrava, a angústia de ser desobedecido, o pavor de não saber se poderia protegê-lo dele mesmo. 

Baekhyun não tinha medo, era astuto, inteligente, corajoso, demonstrava isso todos os dias com seu característico sorriso de lado. Contudo, Chanyeol tinha medo por ele, tinha medo de perdê-lo. 

No entanto, sabia reconhecer quando havia sido um babaca. Não era nada justo pegar a parte mais sensível de Baekhyun e colocá-la em jogo, não era nada gentil expor ele daquela maneira e fazer ele obedecer por não ter outra alternativa. No entanto, também sabia que essa era a única forma de fazê-lo aceitar, mesmo que a contragosto.

Não era para ser assim. Por isso, a primeira coisa que fez ao sair da sua sala foi parar na mesa das estagiárias, uma ruiva e a outra morena, haviam sido contratadas há quase seis meses e o chefe sabia, elas desvendaram praticamente todos os segredos daquela delegacia. 

— Vocês viram o Baekhyun? — Perguntou assim que espalmou as mãos na mesa que as duas dividiam, estas que o olharam surpresas. Não queria soar rude, mas estava nervoso demais para calcular sua força. 

— Bom dia, ele foi embora há alguns minutos — Lohirie, uma linda beta ruiva de olhos claros respondeu calmamente, voltando a olhar para o computador assim que repassou a informação. 

— Ele estava uma fera, nunca vi ele daquele jeito. O que você fez, hein, chefe? — Cath, a alfa morena de olhos pretos e cabelos tão negros quanto, perguntou com um sorriso de lado deverás debochado. 

— Só falei coisas que não devia — Não precisava se explicar, mas não estava raciocinando direito — Obrigado, se o verem, me avisem. 

Recebeu respostas positivas e sem paciência saiu da delegacia, o dia mal havia começado e já havia sido ruim. Enquanto se encostava no banco do carro, pescava o telefone no bolso da calça, digitando o número que já havia decorado. 

Ansioso, ligou mais de quatro vezes, não sendo atendido em nenhuma. A caixa postal automaticamente aparecia, mostrando que o telefone havia sido desligado. Frustrado, dirigiu até o seu próprio apartamento, era a cara de Baekhyun não dar sinal nenhum quando estava com raiva. 

Aquela agonia o corrompeu durante toda a tarde, deixava algumas mensagens, depois ligava e então tentava esquecer, dizia a si mesmo que todos precisavam de um tempo e era isso que o Byun estava fazendo. 

Podia resistir a todos os treinamentos possíveis, fome e tiroteio, mas não podia aguentar aquela culpa silenciosa. Ninguém havia o avisado sobre um baixinho ruivo raivoso que seria o dono da sua preocupação e de todo o seu afeto. 

 

Chanyeol, 21:56

Eu sei que errei. Podemos conversar, por favor? 

Chanyeol, 22:13

Você pode só me xingar e eu fico quieto, ainda me parece bem com uma conversa. 

Chanyeol, 22:43

Desculpa. 

Chanyeol, 23:38

Você tem todo direito de estar com raiva, só prometa que vai tentar me escutar amanhã, por favor!

 

Baekhyun tinha razão de estar irado. Não era para menos, mas ainda assim doía, porque não queria ter dito aquelas coisas... se contentou de que no dia seguinte, talvez, ele estivesse melhor. 

Talvez, assim poderiam conversar. Talvez, ele o escutasse.

Era com isso que contava, pelo menos. 

As olheiras levemente fundas se destacavam e deixavam explícito o quanto Chanyeol havia se revirado na cama a noite inteira, havia acordado com dor de cabeça para piorar sua situação e odiava quando os dias começavam daquela forma, porque tudo parecia prestes a dar muito errado. 

Decidiu que pelo menos tentaria tomar café antes de ir trabalhar, para se manter acordado e para se acalmar. Havia ficado até tarde traçando um novo plano para descobrir a identidade do serial killer ou pelo menos ter mais alguma pista, enquanto alternava o olhar a cada cinco minutos para o próprio telefone. 

Estava inquieto, achou que aquele sentimento sumiria durante a manhã, mas se enganou. Era estranho porque não se sentia assim há muito tempo, seu lobo interior estava agitado, um aperto tomava conta de seu peito e era ensurdecedor não saber qual o motivo de aquilo estar acontecendo. 

Parou na mesma cafeteria que já fora uma vez com Baekhyun, se sentindo ainda pior por não ter obtido nenhuma resposta, ele nem sequer havia ligado o telefone de novo. Comprou um cappuccino bem forte para aguentar aquele dia que já sentia que não seria um dos melhores, mas sua única esperança era a nova missão que tinham.

Resolveu durante a madrugada que dividiria o esquadrão especial para recolherem informações novamente sobre o caso, uma dupla revistaria a boate, dessa vez com um mandado enquanto a outra interrogava mais uma vez as famílias dos primeiros ômegas a serem atacados.

Sentia um frio na barriga quando entrou na delegacia, ansiava ver o Byun, havia definido que ele seria sua dupla naquele dia porque ele era bom com pistas, além de que queria mesmo se desculpar. Todos o esperavam na sala de reunião, alguns com cara de sono e outros animados, jogou o copo de café no lixo enquanto espalmava as mãos na mesa de centro, ficando surpreso ao perceber algo. 

Baekhyun não estava lá. 

— Onde está o Byun? — Foi a primeira coisa que perguntou pouco se importando se não havia dado nem mesmo “bom dia” para alguém, estava um pouco nervoso. 

— Acho que ele não vem hoje, chefe — Johnson respondeu desviando o olhar do rosto de Chanyeol para a mesa assim que o alfa o encarou, ele parecia estar com raiva. 

— Ele nunca se atrasa — Jung completou, quase como se tentasse aliviar a barra de seu amigo. 

Chanyeol ponderou, olhando para a mesa e sentindo seu coração bater rápido. Isso não estava certo, nem um pouco correto. — Tem algo errado. Ele nunca falta. 

— Talvez ele tenha ficado bem chateado com as palavras de ontem — Kim respondeu dando de ombros enquanto Ree concordava em silêncio — Você sabe como o Baek odeia isso de menosprezar ômegas, talvez você tenha pegado um pouco pesado demais, chefe. 

— Eu sei disso — Confessou, passando a mão entre os cabelos negros, bagunçando-os. Estava inquieto, nervoso e um comichão ruim tomava conta de seu estômago, sentia que algo estava errado — O problema é que o Baekhyun nunca falta, ele já brigou com muita gente aqui dentro, mas ele não é antiprofissional. Estou tentando falar com ele desde ontem e o telefone só dá desligado. 

— Bom, não faz muito o estilo dele faltar uma missão como essa — Ree afirmou, ela era bem próxima de Baekhyun lá dentro e a mesma também possuía a testa franzida — Eu também tentei ligar para ele ontem e não obtive resposta. 

— Isso tá muito estranho — Balançou a cabeça em negativa e se tivesse acontecido algo? E se ele tivesse se embebedado até cair? E se ele tivesse sofrido um acidente? 

Baekhyun não era de agir daquela forma, não importava o quão irritado estava, ele nunca deixava de comparecer ao trabalho, já havia entendido, em anos trabalhando juntos, que a delegacia junto a grande vontade de se provar, era a maior paixão do ruivo. 

Chanyeol saiu da sala em silêncio, ouviu seu nome ser chamado pelos subordinados, no entanto, sua cabeça dava voltas e mais voltas, imaginando os mais diferentes cenários do que poderia ter acontecido. O ômega tinha todos os motivos para estar bravo consigo, contudo, sabia que o conhecia bem o suficiente para saber que aquele silêncio era incomum. 

Atravessou a delegacia a passos largos, sendo seguido pelos colegas de trabalho, adentrando a pequena sala de vigilância, onde os seguranças responsáveis pelas câmeras acabaram pulando com o susto. 

— Quero ver as filmagens de ontem a tarde — Os homens se encararam confusos o que irritou ainda mais o Park, que sentia o coração cada vez mais acelerado dentro do peito — Agora!

Logo os seguranças estavam mexendo nas filmagens do dia anterior, todos os movimentos sendo cuidadosamente observados pelo alfa, que estava de braços cruzados encarando os monitores. 

— Quero que vejam os últimos passos do Baekhyun, depois que ele saiu da delegacia — Ordenou vendo o segurança concordar. 

— Acha que algo sério aconteceu? — Jung perguntou atrás.

— Não sei — Respondeu sem desviar o olhar da tela, vendo a imagem correndo e pessoas entrando e saindo da delegacia — Quero saber que caminho ele tomou ao sair, quero saber porque diabos esse silêncio dele.

— Ali — Ree disse alto, apontando para a tela, onde podiam ver Baekhyun surgindo no alcance da câmera. O segurança logo desacelerou o vídeo, mostrando o ruivo claramente perturbado enquanto limpava as lágrimas nos olhos. 

— Para onde você foi, Baek — Chanyeol sussurrou sem desviar o olhar, observando cada detalhe daquela filmagem até que uma segunda pessoa foi captada, e a respiração de todos pararam ao ver o ômega sendo agarrado e levado para o ponto cego da câmera — Filho da puta!

— Volta a imagem, agora! — Ree gritou com os seguranças, puxando uma cadeira e se sentando com rapidez, assumindo o lugar dos betas e aproximando a câmera. 

— Dá pra saber quem é? — Alguém perguntou.

— Merda! Ele estava de máscara, o filho da puta sabia o que estava fazendo — Ree disse irritada, voltando o seu olhar para Chanyeol que parecia ter congelado enquanto continuava assistindo Baekhyun sendo sequestrado. 

— Ele veio de dentro, estava aqui dentro! — Johnson pontuou e todos ouviram o rosnado do chefe de polícia, que empurrou uma das cadeiras com agressividade contra a parede. 

— Eu quero todas as nossas unidades na rua! — Berrou vendo o beta concordar e sair correndo da sala, junto aos dois seguranças da saleta — Ree de seu jeito, mas preciso que descubra o que puder com esse vídeo! 

— Ele estava encapuzado, Chanyeol! O vídeo é um beco sem saída!

— Baekhyun sabia quem ele era — Jung comentou, atraindo a atenção dos presentes — A pessoa chamou por ele, olhem! — A garota deu play novamente no vídeo, mostrando o ponto que queria chegar. 

— E isso não nos leva a lugar nenhum — A outra disse — Ele se dava bem com todos aqui dentro, ele se viraria para qualquer um de nós.

Chanyeol fechou os olhos com força. Não conseguia controlar a dor no peito, o pânico crescente que lhe tomava a cada nova respiração. Baekhyun, seu ômega, havia sido pego e ele fora o culpado. Se não tivesse dito aquelas coisas, se não tivesse sido um babaca, Baekhyun ainda estaria ali. Estariam tentando solucionar uma forma de encontrar o serial killer. 

Passou as mãos pelos cabelos, puxando-os com força. Aquilo não podia estar acontecendo. 

Não era um homem religioso, acreditava que seu distintivo era sua religião, no entanto, enquanto se virava para os monitores se pegou pedindo aos Deuses que não deixassem que o ruivo se machucasse. Estiveram falhando durante meses e agora falhar não era uma possibilidade. 

Precisava colocar sua cabeça no lugar, não podia deixar que seu lobo tomasse o controle e cometesse uma loucura. Seja quem fosse o assassino, ele tinha seu bem mais precioso, ele não podia arriscar. Olhou as duas mulheres que esperavam por suas ordens, contudo, simplesmente não conseguia abrir a boca e fazer o seu maldito trabalho. 

A porta da pequena sala se abriu como um estrondo, Kim entrou com alguns papéis em mãos, seu rosto estava pálido e seu nervosismo era evidente. 

— Johnson contou o que houve e vocês não vão acreditar no que acabei de descobrir — Ela falou com rapidez — Lembra quando perguntou quantas vítimas iam direto aquela boate? — O alfa indicou que ela prosseguisse — Uma informação passou despercebida. Eu tomei a liberdade de ver todos os frequentadores do lugar, levou bastante tempo, mas hoje chegaram estes documentos e mais uma pessoa frequenta a Devil Ice com frequência. Ele esteve em todos os dias que as vítimas também estavam.

— Quem?

Kim entregou as folhas à Chanyeol, que pegou os pedaços do papel rapidamente, folheando cada uma delas com atenção, os olhos se arregalando ao ler o nome escrito ali. Como um flash todos os momentos em que aquele alfa esteve presente, todas às vezes que viu Baekhyun junto a ele. 

Carter.

Como pode ser tão cego? “Só pode ser alguém de dentro”, “Essa pessoa sabe o que faz, tem acesso às câmeras”, todas às vezes que Baekhyun afirmava se tratar de alguém de dentro. Céus, como pode ser passado para trás dessa forma? Ele havia enganado a todos, esteve bem abaixo do seu nariz esse tempo todo. 

Rosnou irritado, jogando os papéis no chão com força irritado. 

— Ele também não está na delegacia hoje… — Ree disse tão surpresa quanto. 

— Vamos até a casa dele — Chanyeol vociferou, virando-se para sair da sala no exato momento em que a porta se abriu novamente. 

Smith adentrava a sala descontraidamente, com seu café em mãos completamente alheio ao nervosismo que havia recaído sobre toda a delegacia. 

— É algum tipo de reunião secreta? Porque não estamos na sala do Chanyeol? — Perguntou bebendo o café e logo deu de ombros — Não importa, eu estive ligando pro Baek desde ontem, mas ele não atende. Até mesmo estive na casa do Carter, mas acho que ele se mudou — Falou com um bico.

— O que? — Jung perguntou se levantando na cadeira. 

— É, a casa tava abandonada… acho que ele não atualizou os dados dele. Não julgo, também odeio a burocracia da polícia — Suspirou bebendo novamente seu café, só então reparando no clima dentro da sala e do olhar furioso de Chanyeol — O que foi? O que eu perdi? 

— Carter sequestrou o Baekhyun — Ree disse — Ele é o nosso cara. 

— Mais rapaz… — Smith disse com os olhos arregalados. 

Chanyeol ignorou os companheiros da equipe, saindo enraivecido, passando pelas pessoas sem nem ao menos pedir desculpas e sendo seguido pelos outros detetives. Poderia facilmente matar alguém com as próprias mãos e rezava para que conseguisse ele mesmo matar aquele merda, por tudo que tinha feito e por se atrever a colocar as mãos em seu ômega. 

— Quero que descubram o novo endereço dele! Não importa o quão difícil seja, quero o novo endereço do Carter, agora! — Praticamente gritou, parando no meio da delegacia, usando a voz de alfa para chamar a atenção de todos ali dentro — Carter é o nosso serial killer — Disse observando as feições surpresas dos colegas do trabalho — Baekhyun foi sequestrado ontem a noite. Foi levado debaixo do nosso próprio nariz e eu não quero e nem vou deixar que ele se junte às estatísticas desse lunático. 

— O que precisa da gente, Chanyeol? — Um outro alfa perguntou, levantando-se do seu lugar — Todos gostamos muito do Baek e não queremos que nada aconteça a ele, como a nenhum outro ômega.

— Preciso que todos parem o que estão fazendo e foquem em achar o Baekhyun — Seu tom era sério, tentando esconder todo o nervosismo que sentia — Estamos lutando contra o tempo, não sabemos o que se passa na cabeça dele. Precisamos da localização dele, achar Carter e Baekhyun é nossa principal prioridade — Olhou para cada um de seus subordinados antes de suspirar — Dispensados. 

Todos voltaram correndo para o trabalho, determinados em encontrar e salvar a vida do colega. Chanyeol se virou para voltar a sua sala, tentar acalmar os próprios nervos, sendo seguido pela equipe especial do caso, no entanto, foram parados por uma das estagiárias. 

— Não sei se o que eu vou dizer vai servir de alguma coisa, mas… eu já vi o Carter entrando em uma casa no distrito de Gangnam — Cath disse baixinho, como se estivesse com medo por estar passando aquela informação — Eu, bem… eu estava voltando de uma noitada e o vi de relance entrando em um daquelas casas bonitas… não sei se é onde ele mora ou de alguma conquista, sabe? 

— Onde é, Cath? — Chanyeol segurou o braço da garota um pouquinho desesperado e a morena arregalou os olhos. 

— Eu sinto muito…, mas eu não sei — Ela disse com pesar nos olhos — Posso passar um ponto de referência, mas não o endereço completo… havia muitas casas ali, era tarde da noite.

— Nos diga apenas o que sabe. 

— Tinha uma pequena igreja ao lado de uma loja de conveniência — Disse se afastando do Park. — Lembro que era perto de um cruzamento… sinto muito não poder ajudar mais que isso. 

Chanyeol concordou e encarou Ree e Jung que logo concordaram e seguiram o caminho para localizarem onde era o lugar que Cath havia dito. Passou a mão pelo rosto antes de voltar para sua sala, encarando o teto por alguns minutos prometendo a qualquer entidade que o escutasse, que encontraria Baekhyun e depois disso jamais o deixaria fugir de novo.

Sentia cada pequena parte do seu corpo doer, quase como se tivesse sido atropelado por um caminhão em alta velocidade. Nem mesmo conseguia abrir os olhos, os mesmos estavam tão pesados, a cabeça latejava e para piorar não conseguia mexer os próprios braços. Era tudo muito confuso em sua cabeça, tentando forçar os olhos a se abrirem enquanto repassava os últimos acontecimentos.

Baekhyun abriu os olhos, a cabeça zunindo com aquele ato repentino, conforme olhava para todos os lados em repleto desespero. A raiva misturada ao pânico de estar sabe-se lá os Deuses onde, amarrado na cabeceira de uma cama de madeira grande, porém, muito desconfortável. Como pode ser tão estupido? Como nunca percebeu? Aquela era a primeira vez que seus instintos haviam falhado consigo. 

Virou-se na cama como as cordas permitiam, tentando arrumar uma forma de soltar, repetindo o tempo todo que aquilo não podia estar acontecendo, era um maldito pesadelo, só podia ser. Grunhiu irritado ao não conseguir se soltar, se ajeitou na cama, fechando os olhos na tentativa de controlar a respiração ofegante. 

— Calma, Baekhyun. Mantenha a porra da calma — Dizia para si mesmo, fechando os olhos e respirando algumas vezes, tentando não vomitar a última refeição, que nem sabia ao menos quando havia feito. Quanto tempo estava ali? Um dia? Dois? Não sabia dizer — Lembre-se das aulas na polícia. O que fazer?… O que fazer?...

Abriu os olhos subitamente, observando ao seu redor. Precisava estudar o lugar em que estava e só assim arrumar uma forma de fugir, precisava ser esperto, ser o Byun Baekhyun que solucionava sempre os casos mais difíceis e não o ômega amedrontado que estava sendo naquele momento. 

O quarto era pequeno e bagunçado, sujo de ponta a cabeça, a poeira acumulando nos móveis descobertos e o ruivo podia jurar que algo fedia a carniça. Continuou estudando o local, precisava arrumar meios de fuga e talvez continuasse fazendo isso se algo não tivesse chamado sua atenção. Uma parede de madeira, colagens e mais colagens com fotos suas, recortes de vários momentos que dividiu com os amigos na delegacia. 

Engoliu em seco uma vez. Velas acesas enquanto outras já haviam queimado até o final. Engoliu em seco novamente. O antigo casaco que costumava usar antes de ser promovido a detetive, uma foto sua com Chanyeol, tirada em uma das muitas premiações do chefe, contudo, algo estava errado ali. Não era o rosto do Park e sim de Carter, o grande responsável por toda aquela merda. 

Baekhyun só teve tempo de virar a cabeça, colocando tudo que podia para fora enquanto sentia as lágrimas rolarem pelo rosto. Merda. Merda. Merda. 

Limpou a boca de forma precária na blusa preta que vestia, respirando fundo e pedindo que aguentasse um pouco mais, precisava aguentar. Podia evitar olhar o altar feito para si, podia se concentrar em outra parte do quarto e manter a mente em perfeito controle, contudo, seus planos foram interrompidos pela porta do quarto sendo aberta. 

Carter entrava segurando uma bandeja, sua expressão era calma, parecia anos mais velhos do que a idade que realmente tinha. Os olhos se encontraram por um momento, o olhar desesperado do ômega para o predatório do alfa. O estrangeiro sorriu enquanto se aproximava, seus olhos com um brilho estranho, uma mesclagem doentia de admiração e selvageria. 

— Você acordou! — Ele parecia verdadeiramente feliz com aquela constatação. Baekhyun tentou se afastar quando o alfa se sentou na beirada da cama, colocando a bandeja sobre a mesma — Preparei um lanche pra você, esperava mesmo vê-lo acordado quando eu chegasse aqui. 

O ruivo não conseguiu suportar a onda de raiva que correu pelo corpo, mexendo-se com fúria sobre a cama e movendo as pernas soltas, fazendo com que a bandeja fosse de encontro ao chão. Carter arregalou os olhos com o barulho do vidro e tentou colocar as mãos no ômega, que se desvencilhou. 

— Não me toca, porra!

— Calma, Baekkie! Você pode se machucar dessa forma — O alfa dizia com uma calma assustadora, o que só fez com que Baekhyun deixasse mais e mais lágrimas caírem pelo rosto — Não precisa chorar meu amor, sabe que só quero seu bem. Vou lhe dar algo para se acalmar. 

O ômega entrou em desespero quando viu o alfa abrir a pequena gaveta empoeirada que ficava próximo à cama, pegando uma seringa com um líquido transparente. Queria gritar e empurrá-lo para longe, mas nem ao menos tinha força para isso, seu medo estava óbvio demais e Baekhyun nunca se viu tão vulnerável como naquele momento. 

— Não se preocupe, querido. É apenas um calmante, eu prometo — Ele dizia com calma, puxando o braço do detetive, mesmo que ele tentasse ao máximo se afastar. O som de seu choro era audível, porém, ninguém iria aparecer ali para salvá-lo no momento — Prontinho, vai ver que em alguns minutos vai adormecer. 

Baekhyun não respondeu, olhando para o antigo colega de trabalho se perguntando como nunca havia percebido. Estava ali na cara dele o tempo todo, na cara de todos, e ainda assim, fora passado para trás. 

— Acho que você tem algumas perguntas, não é? — Esperou por uma resposta que não veio — Tudo bem, sei que pode parecer confuso, então vou apenas contar umas coisas enquanto limpo essa bagunça tudo bem? — Apontou para o chão e o ômega não queria saber se para o vômito ou a louça quebrada. 

Puxou os pulsos com força, ignorando ardência nos braços por conta do aperto das cordas ao redor dos pulsos. Encarando Carter limpar a sujeira no chão com um sorriso perturbador no rosto. 

— Sabe, Baekhyun… eu sempre te observei de longe — O alfa olhou para o ruivo — Desde que te vi pela primeira vez, eu sempre soube que seria você. 

— Você é maluco! — Gritou, vendo o sorriso do outro aumentar.

— Pode-se dizer que sim. Você me deixa assim, sabe? — Ele falava com tranquilidade, fazendo tudo com calma, o oposto de como o ômega se encontrava, uma verdadeira maré de sentimentos conturbados — Eu o amo, Baek. Sempre amei, desde a primeira vez — Disse ao se sentar novamente. 

— Não… não… SOCORRO! —  Baekhyun gritou, olhando para todos os lados, o quarto não tinha janelas, porém, talvez desse alguma sorte. Não podia simplesmente aceitar essa loucura. 

— Eu sempre apoiei você! Sabe disso não sabe? — Carter continuou como se não tivesse um ômega preso e em pânico à sua frente e sim um amante que correspondia todos os seus sentimentos — Não consegue ver que somos feitos um para o outro? — Colocou as mãos no joelho do ruivo, que voltou a chorar assustado, observando o olhar apaixonado direcionado para si — Nenhum ômega nunca conseguiu chegar aos seus pés, acredite, eu tentava, mas nenhum deles era você…

— Não… não — Repetia baixinho, o desespero tomando conta do seu corpo ao perceber a gravidade de tudo aquilo. Carter estava desequilibrado, não era só um serial killer, mas um homem perturbado emocionalmente e capaz de fazer qualquer coisa e ele estava a sós com ele na porra de um quarto — SOCORRO!

— Não chore meu amor, estamos juntos agora — O estrangeiro se aproximou com delicadeza, ignorando que Baekhyun estivesse tentando se esquivar o máximo do seu toque. Sentiu os lábios do alfa sobre seu rosto, mais precisamente sobre as lágrimas, limpando-as com zelo e tudo que sentiu vontade foi de vomitar novamente. 

Continuou encolhido naquela cama enquanto o outro se afastava com o sorriso nos lábios. Ele afagou os cabelos acobreados do ômega, o olhar apaixonado que para o detetive era mais assustador do que tudo que já havia visto na vida. 

— Vou te deixar um pouquinho sozinho agora. Precisa descansar — Disse ao se levantar, pegando a bandeja no chão com os objetos quebrados, o quarto fedia a algum produto de limpeza com a sujeira antes do chão. 

Em minutos, estava sozinho novamente. Baekhyun gritou.

Gritou o mais alto que podia, estava apavorado, com raiva. Era uma mistura de sensações que não sabia controlar, logo os gritos se tornaram o choro copioso, desesperado com pedidos de ajuda que não seriam ouvidos. Puxava os braços com mais força, como se em um piscar de olhos as algemas pudessem abrir. 

Respirou fundo, jogando a cabeça para trás e fechou os olhos com força, não podia desistir agora, não iria. Precisava traçar um plano, precisava pensar em uma forma de sair dali. Abriu os olhos e observou em volta novamente, não tinha nada que pudesse usar e mesmo que conseguisse se soltar, tinha o andar de cima para se preocupar.  

Suspirou, sentindo o corpo relaxar. Não queria deixar o cansaço e o remédio agir, no entanto, não tinha outra escolha. Pensou nos ômegas que morreram por causa dele, pensou nos amigos da delegacia, pensou em Chanyeol.

O alfa que fazia sempre de tudo para protegê-lo, que havia magoado-o como nunca havia permitido alguém magoá-lo, mas que entendia agora. O maior receio de Park Chanyeol era aquele, que ele fosse pego e agora estava ali, pensando em como poderia escapar de toda aquela merda. Carter estava fazendo um jogo perigoso, contudo Baekhyun nunca foi muito bom com regras, mas o alfa não precisava saber disso. E antes que o sono levasse o ômega, mesmo que chorando baixinho, para o mundo dos sonhos, ele decidiu entrar no jogo do assassino.   

Abriu os olhos com uma lentidão assustadora, suas pálpebras estavam pesadas quase como se houvesse areias por cima delas, a cabeça estava doendo por ter chorado a noite toda e o pulso já continha alguns arranhões por ter tentado se soltar a força durante a madrugada, tudo em vão. 

As lágrimas já estavam secas há muito tempo e depois que acordou do sedativo, passar grande parte da noite acordado o permitiu pensar direito em um plano. Não podia simplesmente chorar e se deixar levar por suas próprias emoções, era um detetive treinado, o melhor de toda a Seul, alguém que conseguia desvendar os maiores casos e precisava se lembrar disso mesmo que fosse difícil. 

Não fazia ideia do horário, no entanto, imaginava que era cedo. O sol ainda era fraco lá fora, quase como se houvesse acabado de raiar e se esforçando ao máximo, sentou-se sob a cama, muito desconfortável porque os pulsos ainda estavam presos na cabeceira, porém, isso não o impediria de pensar. 

Se lembrou das palavras ridículas que Carter disse para si no dia anterior, a forma como os olhos dele brilhavam, como seu sorriso parecia doentio, como ele havia o acariciado. Sentia vontade de vomitar. 

Contudo, já havia se dado conta que era especial para ele, várias vezes ele havia demonstrado isso e Baekhyun usaria isso ao seu favor. Entraria no jogo dele, daria os sorrisos mais bonitos, falaria doce como antes e faria de tudo para sair daquele cativeiro com vida. 

Se Carter achava que o conhecia, estava enganado. Ninguém poderia entender o quanto o Byun levava seu trabalho a sério e agora, estavam jogando. 

Uma maldita roleta russa. Um verdadeiro tiro no escuro. 

Continuou pensativo, tentando acalmar o próprio coração, mente e corpo, precisava aguçar seus sentidos de ômega, outrora que nunca usava, mas agora se tornará necessidade. 

Fechou os olhos relaxando sob a cabeceira, sentindo o odor característico de ovos preenchendo seu nariz, com os ouvidos atentos conseguia ouvir música clássica no outro cômodo que imaginava ser a cozinha. Revirou os olhos assim que os abriu, não podia acreditar que aquele filho da puta estava tão despreocupado. 

Deixou a raiva de lado quando escutou os passos se tornarem mais altos e mais próximos, olhou diretamente para a porta como se estivesse interessado ou esperando por ele, sabia que essa postura relaxada e um olhar ansioso o deixaria com a guarda mais baixa. 

Lentamente, a porta se abriu, Carter colocou apenas o rosto para dentro, olhando-o. Continuou quieto, esperando que o alfa entrasse, sua respiração estava calma porque precisava deixá-la dessa maneira. Precisava agir como antes. 

— Fico feliz que você acordou, já estava com saudades de olhar para você — Carter pronunciou, seus olhos azuis brilharam e um sorriso preencheu seu rosto ao ter toda a atenção de Baekhyun para si. Não fez nenhum movimento quando o alfa entrou no quarto de maneira relutante, ele não fechou a porta, segurava uma bandeja com o café da manhã — Você deve estar faminto, não é? Ontem foi tão difícil e você estava tão atordoado…

Atordoado? Havia sido dopado. Quase deixou que um palavrão escapasse por sua boca, mas ao invés disso, mordeu sua bochecha por dentro com força para se lembrar que não podia de forma alguma deixar seus sentimentos se apossar de seu corpo. 

— Vou dar sua comida, ok? — O alfa perguntou e Baekhyun tornou a olhá-lo, dessa vez encarando firmemente, acompanhando-o com o olhar enquanto ele se sentava na beirada da cama, ao seu lado. 

Sentiu o estômago embrulhar quando Carter ergueu o braço segurando a colher e levando-a até sua boca, na bandeja havia ovos mexidos, suco e donuts. Forçou-se a abrir a boca e deixou-se ser alimentado por ele. Não reclamou ou tentou alguma gracinha, não percebeu o quanto estava com fome até devorar metade do prato, Carter parecia atento a qualquer movimento seu e bom, usaria isso ao seu favor. 

— Urg — Gemeu choroso ao ir mais para frente no intuito de beber a água que lhe era dada, fazendo Carter o encarar confuso — Meus pulsos estão em carne viva...

Foi nítido quando a preocupação tomou conta do rosto do alfa, este que se inclinou para checar se era verdade, fazendo os corpos ficarem absurdamente perto. 

— Eu apertei muito. Tcs. Desculpe querido, eu vou ajeitar — A voz rouca chegou aos seus ouvidos enquanto Baekhyun se mantinha imóvel, logo os dedos longos deixaram a água e comida de lado para trabalharem na corda que amarrava seus pulsos. 

Não estava mentindo, havia forçado bastante durante a noite para seus pulsos estarem daquele jeito. 

— Sabe, eu tive bastante tempo para pensar ontem — Começou a falar, respirando fundo para que ficasse calmo — Eu finalmente pude perceber todas às vezes que você esteve presente na minha vida. Quando eu me machuquei, você sempre se preocupou comigo…

Carter diminuiu o ritmo de seus movimentos, virando o rosto para olhar para o Byun, que o encarou sem medo, com um sorrisinho de canto, como antes. 

— E agora, vendo o quanto eu sou especial para você, eu consigo entender. Nós dois sofremos e somos pré-julgados, ninguém é capaz de entender, eu percebi isso quando Chanyeol me humilhou por eu ser um ômega — Continuou falando, agora Carter não prestava mais atenção na corda, os olhos estavam diretamente focados em si, o rosto sério — Você sente o mesmo sentimento, não é? De alguma forma, eu percebi que nos completamos.

Engoliu em seco, sentindo um frio subir pela sua espinha, Carter continuava sério e o encarando. Lambeu os lábios esperando uma resposta, essa que veio em segundos, ficou surpreso e quase se desfez do abraço por puro reflexo, no entanto, estava fingindo, precisava continuar. 

— Ah, Baekhyun! Como é bom ouvir você dizendo tudo isso, eu esperei tanto tempo para que você entendesse. Claro que aqueles outros ômegas foram um erro e todo mundo erra, né? Eu só não conseguia viver sem você, mas você não compreendia — Ele se afastou sorrindo alegre, levou as mãos até às duas bochechas de Baekhyun acariciando — Eu nunca mais vou fazer nada, você vai ver que eu sou perfeito para você e nunca vou deixar ninguém te humilhar. 

Sorriu deixando algumas lágrimas escaparem dos olhos, se aproximando e deixando que sua cabeça descansasse no ombro de Carter. — Obrigado por nunca ter desistido de mim. 

Ficaram uns bons minutos naquela posição, o Byun querendo vomitar a cada novo carinho em suas madeixas vermelhas, mas estava controlado, frio e calculista. 

Se remexeu inquieto na cama até ter a atenção de Carter totalmente para si, ele estava preocupado de novo. O encarou firme, cruzando as pernas em desespero. — Eu quero muito ir ao banheiro, tomar um banho quente, relaxar um pouco. Meu pulso está doendo tanto e eu não consegui dormir direito… 

Carter o encarou, seu rosto repleto de confusão, como se estivesse em dúvida da resposta que daria, mas Baekhyun não podia dar a chance de ser negado. 

— Por favor, Carter. Meu corpo todo está doendo, eu não sou um homem de mentiras e eu queria tanto poder almoçar direito com você. Não com essas roupas imundas e acorrentado… — Fez uma cara triste, olhando para o chão, sabendo que o alfa o olhava — Se você não deseja minha presença, tudo bem. 

— Não! Eu amo estar com você, querido — Carter puxou novamente seu rosto, até que o olhasse, um sorriso bobo nos lábios — Eu só não sei se você vai gostar dos cômodos da casa, é apenas algo temporário porque você merece apenas o melhor. Tudo bem para você o banheiro ser um pouco apertado? 

— Não tem problema nenhum, eu só não quero mais ficar sozinho aqui — Confessou, soando sincero aos olhos de Carter. 

— Você nunca mais estará sozinho enquanto eu estiver aqui — O alfa falou tirando uma navalha do bolso e cortando as cordas que amarravam Baekhyun na cama — A nossa nova casa é bem maior do que essa, você vai gostar. Lá você vai poder tomar banho de banheira, fazer o que…

Não conseguiu ouvir mais nenhuma palavra porque estava absorvendo que seu endereço era apenas um simples cativeiro. Estava começando a ficar nervoso. 

O restante do dia se passou com fingimentos do Byun. No banheiro, demorou mais do que o necessário no banho, se limpando com força nos lugares que havia sido tocado, fazendo a bochecha ficar vermelha. 

Seus pulsos ainda doíam, estavam cortados e a água em contato com eles fazia seu corpo arder, mas o ômega não poderia se importar menos. Vestiu uma camisa que acreditava ser do Carter, já que o cheiro dele estava impregnado de um jeito nojento por todo o tecido e vestiu a mesma calça que usava no trabalho. 

Observou que a porta do quarto estava aberta e que assim como o alfa havia dito, podia andar pela casa e foi o que fez. A passos leves, andou pelo corredor, identificando a cozinha à frente, um tipo de sala se encontrava à direita e havia uma porta trancada na frente do quarto de Baekhyun. Acreditava que era ali que Carter dormia. 

Não havia janelas e Baekhyun não conseguiu ver uma porta de saída. Sentou-se ainda apreensivo na mesa de jantar, Carter o elogiou dizendo que estava cheiroso e que agora poderiam almoçar de uma forma decente. 

Quando os olhos do alfa voltavam para o próprio prato de comida, Baekhyun tentava ver algo ao redor, qualquer coisa que pudesse lhe ajudar. Eram segundos de frustração, porque tinha sempre que voltar a olhar de forma carinhosa para o homem à sua frente. 

Durante boa parte do dia, Baekhyun continuou no quarto, este que ficava com a porta aberta. Dormiu um pouco, descansando o que não havia conseguido durante a noite, acordou quando Carter estava assustadoramente próximo de si e ainda assim Baekhyun não recuou. Ele havia ido o chamar para jantar.  

Fazia algumas perguntas, para mostrar que estava interessado, mas sua verdadeira vontade era sair daquele cativeiro. Carter só sabia falar sobre a nova casa para qual mudariam, não dizia quantos dias faltava, mas dizia que ela era bonita. 

Baekhyun apertava o próprio braço por debaixo da mesa tentando se conter, não queria mais ficar naquele lugar. Não comeu muito, alegando que não estava com fome, voltou para o seu quarto, tomando outro banho para deitar-se. 

Já estava farto da presença de Carter. Ele o olhava de uma maneira maníaca, às vezes quando percebia ele estava o encarando por vários minutos, sempre com um sorriso nos lábios. Queria poder dizer que não, mas estava com medo. 

— Eu gostei do dia de hoje, fico feliz de você ter percebido o quanto nós dois somos felizes juntos — O alfa pronunciou apoiado na porta, assustando o Byun que estava pensativo no travesseiro — Tenho certeza que com o tempo você vai se soltar ainda mais.

Acompanhou com o olhar ele se aproximando, não respondeu nada, apenas acenou positivamente com um sorriso nos lábios, desejando que ele fosse embora. 

— Boa noite, querido — Carter se abaixou, aproximando os rostos e beijando suavemente os lábios de Baekhyun que não foi capaz de se mexer — Te vejo amanhã. 

— Boa noite — Respondeu, mas assim que o outro fechou a porta e a trancou, levou as mãos até seus lábios esfregando com grosseria. Estava vivendo um verdadeiro inferno. 

Deitou a cabeça sob o travesseiro, deixando que mais lágrimas escorressem livremente. Tinha que arranjar um jeito de fugir e se ainda assim não conseguisse, o mataria. Precisava disso, faria a qualquer custo. 

Decidido a conquistar ainda mais a confiança de Carter para fazer seu plano dar certo, Baekhyun acordou cedo, já podia andar livremente pelo quarto mesmo que ele estivesse trancado, tomou um banho longo, vestindo roupas novas que haviam sido deixadas para si no armário perto da cama e arrumou o quarto que estava, da forma que conseguia. 

Queria causar uma boa impressão. Queria poder andar livremente pela casa e achar uma saída. 

Carter não demorou a abrir a porta de seu quarto, a destrancando e o encontrando sentado na cama, esperando. 

— Acordou há muito tempo, querido? — Ele perguntou sorrindo e se aproximando, um beijo suave foi deixado na testa do Byun que respirou fundo, precisava se controlar.

— Sim. Eu estou com muita fome, podemos tomar café? — Pediu com um sorriso bobo nos lábios, se levantando e puxando Carter pelas mãos, em rumo a cozinha. — Vamos, eu te ajudo a preparar. 

Se conseguisse ajudar no café poderia ganhar mais confiança, se estivesse perto dos talheres poderia tentar algo, mas antes que pudessem no entanto chegar até a pia, Carter o puxou com certa força o fazendo parar — Querido, por que você não espera no sofá? Tem algumas revistas e livros lá, vai ser bom para você — Ele completou, sério. 

— Eu prefiro ficar perto de você e ajudar na cozinha, já descansei o bastante — Tentou contradizer as palavras, sorrindo logo depois. 

— Eu aprecio o seu entusiasmo, mas vá para sala. Eu levo seu café quando estiver pronto — Carter declarou, se aproximando para deixar um beijo em sua cabeça. 

Raiva. Era o único sentimento que possuía, se sentia impotente, como se não pudesse fazer nada. 

— Tudo bem, só não esquece que eu quero dois ovos mexidos — Brincou recebendo um sorriso de Carter e foi para o sofá, pegando qualquer revista antiga de pelo menos cinco anos atrás para folhear. 

— Vou pegar torradas também — O alfa falou ao longe, enquanto Baekhyun com os olhos tentava ver qualquer saída, mas não conseguia. 

Procurava qualquer brecha para que pudesse escapar, mas não adiantava, talvez houvesse uma janela ou saída no quarto do alfa, era o que imaginava. 

Tomou o café da manhã com a comida praticamente entalada em sua garganta, estava se odiando por passar vários minutos ao lado do sequestrador, cada hora a mais pensava em quantas vidas ele havia tirado, o quanto havia se enganado com ele. E o alfa só sabia falar. 

Ele falava sobre como a casa nova era e sobre como eles viveriam felizes, mas essa não era uma realidade para Baekhyun, ele precisava escapar. Franziu o cenho ao escutar as últimas palavras ditas e finalmente focou-se na conversa — O que você disse? 

— Vamos para nossa nova casa amanhã. Você deve estar entediado de ficar aqui, não tem janelas, nem televisão. Lá você vai se sentir tranquilo, vai poder relaxar e conhecer mais sobre mim — Carter pronunciou, sorridente — Você não vai poder ver para onde estamos indo, mas é só para sua segurança. Não se preocupe, querido. Você é o meu favorito. 

O loiro se levantou, fazendo o mesmo movimento que estava acostumado nos últimos dias, o ômega não moveu um músculo, deixando que os lábios venenosos e nojentos beijassem o topo da sua cabeça. 

— Bom, então eu vou ler um pouco no quarto — Ditou, sorrindo sem mostrar os dentes e pegando o livro de capa dura da estante, voltou para o próprio cômodo e pela primeira vez fechou a porta. 

Queria ficar sozinho, queria não se sentir vigiado, estava prestes a surtar. Andou pelo quarto nervoso, passando a mão pelos fios vermelhos tentando controlar o desespero que a cada segundo parecia crescer dentro de si.

Deitou-se na cama, deixando algumas lágrimas escaparem, fungando baixinho, de raiva e desespero. Decidiu dormir pelo resto da tarde, recuperar as energias, dessa forma não precisaria ver a cara de Carter se fingisse que estava cansado. 

Não ficaria ali mais nenhuma noite, não iria para outro cativeiro, se não conseguisse fugir, então o mataria. Nem que para isso precisasse morrer junto. 

Estranhamente, estava sentado na mesa, com talheres ao seu lado, Carter terminava de cozinhar algo no fogão, algo que Baekhyun não se importava. 

Arquitetou um milhão de vezes pegar uma faca e cortar o pescoço dele, mas a arma bem visível pendurada no cinto do alfa o fez recuar. 

Ele não era burro. Sabia que Baekhyun não mudaria o comportamento do dia para noite. Também não podia simplesmente esconder a faca, porque ele havia dado apenas um par, ele perceberia. 

E Baekhyun precisava da sua maior aliada, a surpresa. 

Carter era grande, alto, alfa e o principal, era um psicopata. Já havia perdido a conta de quantas vezes acordou com ele o encarando na porta, odiava o jeito que ele puxava sua bochecha como se fosse uma coisa preciosa, odiava até o som da voz dele o tratando de maneira carinhosa como se pertencesse a ele. 

E por mais treinado que fosse, ainda era um ômega. Um ômega que havia levado dois tiros e sido dopado. Se não tivesse a surpresa como sua aliada, aquele plano não daria certo. 

Somente por isso, estava sentado na cadeira de orvalho de madeira, quieto, com as mãos arranhando o tecido jeans da própria calça, em puro nervosismo, porque já tinha decretado que isso não perduraria mais. 

A comida coreana tradicional de nada servia para si, não estava com fome, não conseguia comer. Fingia escutar as ladainhas que Carter falava, esperando uma abertura, no entanto algumas palavras puxaram sua atenção. 

— Eu realmente gosto de você, Baekhyun — O alfa começou a falar enquanto apoiava a mão no queixo para olhar o ômega, que também parou de comer — Eu sempre te admirei, esperei para estar junto com você há muito tempo, mas nunca parecia real, sabe? Você nunca prestou atenção no meu amor. 

— Se você me amava tanto porque pegou aqueles outros ômegas? — Questionou, um bolo formado na garganta, estava apreensivo pela resposta. 

— Eles não foram nada, eu queria apenas alguém parecido com você que pudesse me amar de volta. Eu não queria machucar eles, mas eles nunca cooperavam, sabe? Gritavam o tempo todo e isso me irritava. Você é diferente — O homem de cabelos loiros pronunciou se aproximando para acariciar os cabelos ruivos de Baekhyun que continuou imóvel — Deixa eu te alimentar. Vamos, abra a boca. 

Byun a abriu relutante, engolindo a comida que Carter havia colocado em sua boca com a colher, a ânsia de vomitar era forte, mas não podia fraquejar. Engoliu sorrindo fraco, o encarando nos olhos. 

Ele era um psicopata. Estava em um cemitério de desculpas esfarrapadas, era questão de tempo até ele surtar, sabia disso. Entendia muito bem o que ele queria, percebia os olhares em seu corpo, a forma como ele lambia os lábios e depois sorria, isso era o suficiente para sentir vontade de socar a cara dele. 

— O que foi querido? Por que está me olhando assim? — Ele questionou, com uma careta chorosa. 

A verdade era que Baekhyun não conseguia mais fingir, não conseguia mais pagar de bom moço, estava farto. No entanto, antes que pudesse responder, passos pesados no teto foram ouvidos tirando a atenção dos dois que olharam para cima. Então, Baekhyun viu. 

A saída. 

Quase imperceptível havia uma alça grudada no teto, estavam em um porão e havia pessoas acima deles, o coração bateu mais forte pensando no quão óbvio era, encarou Carter que levantou o dedo indicador e sinalizou que ficasse quieto. 

Porém, Baekhyun nunca facilitaria a vida dele. 

Com um movimento rápido, segurou a mão de Carter e gritou a plenos pulmões, gritou por socorro, talvez alguém escutasse. Distraído com a movimentação no teto, os passos ficaram longes e o ômega não previu o soco pesado que o alfa desferiu em seu rosto. 

Tão forte e certeiro que Baekhyun sentiu o sangue escorrer por seu nariz, seu ouvido zuniu e logo um pano foi colocado em sua via aérea, pouco a pouco suas pálpebras se fecharam, mesmo que não desejasse. 

— Devagar. É uma missão de reconhecimento, não façam tanto barulho. Equipe A pela direita. Equipe B, venham comigo — Chanyeol ordenou falando baixo enquanto conduzia as ordens para vasculhar a casa abandonada, era uma pista e se Baekhyun estivesse mesmo lá, descobririam. 

Já estavam há três dias procurando o ômega após terem descoberto que Carter era quem havia o sequestrado, invadiram a casa que o mesmo dizia morar no endereço que estava anexado à sua ficha na polícia, mas era apenas uma mentira bem construída. 

A sorte do Park foi a estagiária ter visto Carter naquele bairro, tiveram que vasculhar casa por casa até encontrarem a mais suspeita. Era velha por fora, as luzes completamente apagadas e aparentemente não havia ninguém. 

O chefe de polícia dividiu sua própria equipe em dois, não levou muitos homens para não assustar os moradores e porque sua intenção era ser discreto. Não queria e nem deveria subestimar Carter. Não quando ele o enganou um milhão de vezes bem embaixo do seu nariz. 

Dava passos cautelosos em direção a cozinha da casa, por dentro não era tão diferente, não havia móveis, o piso estava sujo e o cheiro era ruim. Também não havia luminosidade, tampouco vidros nas janelas, o mato corrompia o quintal inteiro e não havia nem sinal de qualquer ser humano. 

Os outros policiais revistaram os outros cômodos, inclusive os do segundo andar, estava entrando na área que achava ser a sala quando seu walkie talkie apitou. 

"Tudo limpo aqui em cima, chefe." — A voz de Smith se fez presente e Chanyeol suspirou, pelo visto não haviam dado sorte na última casa da vizinhança. 

"Voltem para baixo, vamos embora." — Respondeu se afastando ainda com a arma em mãos para a saída, quando desligou o ruído do aparelho pensou ter escutado algo, virou com um vinco entre as sobrancelhas refazendo o caminho até perto da lareira, atento a qualquer movimentação com a arma engatilhada. 

Não voltou a escutar mais nenhum ruído mesmo quando esperou mais de cinco minutos para finalmente sair de dentro da casa abandonada e encontrar sua equipe perto das viaturas. 

— Algum problema, chefe? — Johnson perguntou quando o Park guardou a arma no coldre. 

— Pensei ter ouvido algo, mas no final não era nada. Que inferno. Já estamos nisso há três dias — Resmungou batendo a porta do carro de maneira rude, tirando o boné para bagunçar os fios negros, estava nervoso. 

Sentia a eletricidade passando por seu corpo, seu lobo interior inquieto, dia após dia. Estava ficando estressado e frustrado, muito frustrado. 

— Nós vamos achar ele, Park. Baekhyun confia no nosso trabalho e nós confiamos na inteligência dele, vai dar certo — Rhee o confortou, chegando perto e dando um aperto em seu ombro. 

Acenou, agradecendo com um sorriso fraco — Amanhã cedinho vamos vasculhar o outro bairro. Se houver alguma pista, me avisem. 

Os outros concordaram, estavam cansados do dia intenso de buscas, das noites mal dormidas e isso era visível em qualquer um. Chanyeol entrou na viatura que dividia com Baekhyun, agora estava sozinho e dirigiu até sua casa. 

A cabeça martelava, estava com os pensamentos cheios, não conseguia entender e nem mesmo se perdoar por ter deixado tudo aquilo acontecer. Era culpa sua no final, se não houvesse humilhado o Byun na frente dos outros, ele não teria saído às pressas e sido pego. 

Como queria ele perto. Queria escutar as piadas sem graça e os flertes descarados, queria ver ele desobedecendo suas ordens, queria ser chamado de chefinho mais uma vez. 

Estava mal, completamente arruinado. Talvez nunca tenha prestado atenção no quanto Baekhyun significava em sua vida, nem tinha se dado conta desde quando estava gostando dele, não havia explicação para aquela preocupação, o aperto no peito e a angústia que o tomavam. 

A verdade é que conviver com Baekhyun havia se tornado tão fácil que Chanyeol não havia percebido quanto tempo estava perdendo. Enquanto subia pelo elevador até seu apartamento, só conseguia pensar no ruivo, em seu empenho no trabalho, na forma que ele andava, no sorriso debochado. 

Sentou-se na poltrona da sua sala de estar, tirando apenas o colete e a arma, colocando-os em cima da mesa de centro. Encarou interminavelmente o fogo crepitando na madeira, o coração apertado no peito, sem querer deixou algumas lágrimas escaparem enquanto fungava e colocava a mão no rosto para tentar tapar um pouco da vergonha que estava sentindo. 

Não conseguia mais se manter são, não conseguia dormir, não conseguia comer. Não conseguia ficar tranquilo sabendo que Baekhyun estava em qualquer lugar com Carter, um serial killer que já havia matado sete ômegas com as mesmas características do Byun. 

Limpou as bochechas, sentindo seu lobo interior inquieto, estava com uma sensação ruim, do tipo que embrulha o estômago e da vontade de vomitar. 

Lembrou-se da casa que havia revistado há vários minutos e novamente sentiu o mesmo embrulho, além de um gosto amargo. Eram poucas às vezes que sentia algo assim, podia contar nos dedos e já sabia o que aquilo significava. 

Colocou o colete e a arma de volta, descendo pela escada sem paciência para esperar o elevador, manobrou a viatura com destreza pelo estacionamento enquanto conectava o walkie talkie na linha um. 

— Estou voltando para revistar a casa abandonada de novo, não tenho nenhum motivo plausível, apenas intuição. Os policiais que estiverem por perto, fiquem em alerta caso eu precise de reforço — Ditou pelo rádio sem esperar uma resposta, deixando a linha ainda ligada enquanto dirigia em alta velocidade. 

Podia não ser nada, já havia visto a casa inteira, no entanto, aquela sensação ruim ainda estava presente e não conseguiria passar a noite sem que tirasse a prova mais uma vez.

Pensou que aquilo era exatamente o que o Byun fazia. Acreditava nos seus instintos e agora, Chanyeol também desejava que pela primeira vez, estivesse certo. 

Queria achar qualquer coisa que o levasse até Baekhyun. Estava quase implorando e nem mesmo acreditava em algum Deus para rezar. 

■ 

A cabeça latejava insistentemente, os olhos pesavam a cada nova tentativa de abrir os olhos. Sentia cada pedaço do rosto doer, principalmente o nariz. Abriu os olhos com dificuldade, a visão embaçada, tentando se orientar, enquanto olhava ao redor querendo identificar onde realmente estava. 

Sentiu uma pontada no nariz, levando a mão até o local e fazendo uma careta pela dor. Olhou a mão um pouquinho suja de sangue, “ótimo” pensou, as coisas estavam melhorando cada vez mais. Suspirou enquanto se ajeitava no chão, ainda estava na sala, porém, longe da mesa onde jantava. 

Não sabia dizer quanto tempo havia se passado desde o maldito soco que havia recebido, -era mais uma coisa na longa lista de acerto de contas com o psicopata do Carter. E como que uma maldição, ao pensar no alfa, ele surgiu no cômodo, trazendo um balde com água e um pano. Seu olhar demonstrava uma tristeza estranha e Baekhyun só tinha vontade de apagá-lo no soco. 

Não conseguia esconder a fúria que sentia no próprio rosto, estava cansado dos fingimentos, cansado de ser legal e tentar fugir de uma forma que não o colocasse em risco. Foda-se! Iria dar um jeito de sair daquele lugar, fosse por bem ou por mal. Se morresse, faria com que vissem que ele morreu tentando e não como um covarde. 

— Desculpa, Baek! — Carter disse enquanto se ajoelhava na frente do ômega — Eu não queria ter feito isso, mas você não me deu outra alternativa! — Dizia nervoso, enquanto afundava o pequeno pedaço de pano na bacia com água — Você entende não é? Ninguém pode descobrir que você está aqui. Eles nos separariam. 

Baekhyun riu. 

Continuou encarando o homem à sua frente, o nariz doendo ainda mais, contudo, não conseguia parar. Sua risada era uma mistura de histeria e raiva, deixando o alfa confuso. 

— Você é um maldito doente! — Disse entre as risadas, que iam diminuindo a medida que o ódio tomava conta — É isso que você é Carter, um maldito doente! — Aumentou o tom de voz. 

— Não, não diga isso amor — Tentou se aproximar, seu desespero era palpável. No entanto, o ômega se afastou enquanto tremia. 

Seus olhos pareciam duas fogueiras em chamas, medo e terror, tudo misturado em uma adrenalina que o ruivo sabia que poderia gerar consequências horríveis, porém não estava ligando. Para o inferno a submissão, não ficaria ali mais nem um segundo. 

Se levantou ainda tremendo, se afastando cada vez mais do alfa, ignorando a forma assustada e até mesmo preocupada que ele o olhava. Carter não possuía nenhum sentimento, era apenas um maluco que achava estar apaixonado, um maluco que merecia o pior. 

— Não me chama de amor! — Gritou enquanto tremia — Você não vai me obrigar a ficar quieto! Eu nunca vou ficar quieto, porque eu odeio você! Odeio!

— Você me ama, Baekhyun! — Carter já estava de pé, seu tom de voz também alto. 

— VOCÊ NÃO SABE O QUE É AMAR! — Sentia as lágrimas descerem por seu rosto — É um maldito de um psicopata e eu vou fazer você pagar por cada morte que você já fez na merda da sua vida. 

— Baekhyun, escuta — Tentou se aproximar novamente, segurar o ômega, que se debatia para fugir das garras do maior — Eu errei em bater em você, entrei em pânico. Isso não vai acontecer de novo. Eu não posso deixá-lo ir embora. 

O ruivo encarava o ex-colega desacreditado, Carter simplesmente não ouvia as coisas que dizia, estava preso em um conto de fadas doentio criado por ele mesmo. O alfa tentou beijá-lo, contudo, recebeu um forte tapa no rosto, Baekhyun estava cada vez mais assustado com aquilo, mas estava decidido que não pararia de lutar.

Carter parecia chocado por conta do tapa, voltou sua atenção ao ômega devagar, ambos com as respirações ofegantes. 

— É por causa dele, não é? — O ômega continuou o encarando, sem entender sobre o que o alfa poderia estar falando — Chanyeol, não é? — O nome do chefe de polícia saiu da boca do policial com desprezo — Você sabe que sou o melhor pra você. Sou o alfa perfeito, você mesmo disse uma vez. Eu nunca falaria coisas como as que Chanyeol falou, mas ainda assim, você o quer. 

— Acha mesmo que pode ser melhor do que ele? — Questionou irritado. Sabia que estava brincando com o fogo naquele momento, mas estava pouco se fudendo. Se essas fossem as armas que tinham, usaria cada uma delas a seu favor. Irritar Carter não era uma escolha boa, claro, mas trataria de mostrar o quão sujo e desprezível ele era.  

— Você sabe que sim!

— Você é um merda, Carter — Seu tom de voz era calmo. Sorriu antes de continuar — Nunca vai chegar aos pés dele. Sabe porquê? — Perguntou dando passos para cima do alfa, o olhar impiedoso, pronto para acabar com toda aquela merda — Porque você é um nada!

— Baekhyun…

— Eu nunca vou ser seu como eu sou dele! — Berrou. 

Sentiu o corpo ser jogado contra a parede tendo seu pescoço pressionado com força pelas mãos grandes do alfa. Estava apavorado, a adrenalina correndo no sangue, porém, nunca daria o gostinho a Carter de saber disso. Continuava o encarando como igual, um ômega abusado e forte que sempre fora. 

O loiro tentou forçar um beijo novamente, mas teve o lábio mordido com força pelo ruivo, que o encarou em fúria — Nunca mais encosta em mim! 

— Eu cansei de ser bonzinho — O alfa disse, apertando com ainda mais força o pescoço do ômega — Você é meu, Baekhyun. E se eu não puder te ter por bem, vai ser por mal.

Viu a verdade nos olhos de Carter, sabia, de alguma forma, que o que tinha vivenciado até ali estava longe do inferno que começaria a viver. Pedira por aquilo e precisava lidar com as consequências de sua escolha, contudo, Carter estava muito enganado se achava que ele facilitaria as coisas. 

Ia tentar se soltar novamente, porém, tudo aconteceu rápido demais. O alfa avançou contra seu corpo, seria seu fim, contudo, antes que o pior acontecesse um barulho alto se fez presente e Baekhyun não soube expressar o alívio que correu por todo seu corpo ao ver Chanyeol ali. 

Chanyeol, cujo rosto era a fúria em pessoa, enquanto segurava uma arma apontada para Carter. 

■ 

Chanyeol estava há um pouco mais de cinco metros de distância com a arma em mãos, apontada diretamente para Carter. Como ele havia chegado até ali? Olhou para a abertura no teto e percebeu que como havia pensado, aquela era a saída. 

— Chanyeol… — Chamou, apenas para ter certeza que aquilo não era algum tipo de sonho irreal, teve sua comprovação quando os olhos dele se encontraram com os seus, baixos, as olheiras fundas e um olhar tão arrependido que Baekhyun já sabia tudo que ele queria falar. 

Com a distração nos olhares um do outro, não conseguiram prever a faca de mesa que Carter segurava e ela logo foi parar na garganta de Baekhyun que suspirou em surpresa. O Park franziu o cenho e apertou a arma com mais força, contudo não se movimentou. 

Ele estava com medo, Baekhyun conseguia ver, os pés estavam travados no chão, a mão tremia e ele parecia um caco. A faca apertava sua garganta agora que Carter havia se movido para trás de si, mas nem isso era capaz de fazer o ômega ter medo, não mais.

Ele estava blefando. E se não estivesse, Chanyeol o mataria. 

— Para trás! Larga a arma, se você não fizer o que eu mando, eu juro que rasgo a garganta do Baekhyun — Carter esbravejou, segurando firmemente a faca — Você vai deixar nós dois irmos embora se não quiser que o nosso precioso Byun morra na sua frente. 

Baekhyun queria dizer que não, queria gritar para Chanyeol apenas apertar o gatilho mesmo com as consequências. Se morresse pelo menos teria lutado, seria a última vítima, eles tinham finalmente encontrado o serial killer e essa era a única chance. 

Podia ver a raiva nos olhos do Park, a forma como mudaram de cor rapidamente, a mandíbula estava travada e um vinco entre suas sobrancelhas se fazia presente. Porém, ele abaixou a arma, lentamente. 

Baekhyun sentia vontade de chorar, porque naquele momento conseguia ver o quanto era importante para Chanyeol, mais do que o trabalho ou do que qualquer regra, ele não seria capaz de o ver sofrendo. 

— Humpf. Parece que o chefe não é tão focado no trabalho quanto pensa — O alfa debochou rindo baixinho da postura do Park — Baekhyun e eu somos perfeitos um para o outro, ele merece alguém que o ame enlouquecidamente, como eu — Carter afrouxou a mão que segurava a faca, afastando um pouco da garganta de Baekhyun, distraído enquanto conversava — Nós vamos para bem longe, vamos viver uma vida perfeita e você nunca mais vai desmerecer o meu ômega. Baekhyun prefere até mesmo os meus beijos, sabia? 

Qualquer um que olhasse, podia sentir o ódio crescente de Chanyeol, a raiva enlouquecedora que o mesmo estava sentindo, mas ainda assim, ele não movia um músculo. E isso significava muito para Baekhyun. 

Carter mais uma vez sorriu em escárnio, mal notando a concentração do Byun. — Sabe, chefe. Eu não vejo a hora de provar do Baekhyun de verdade, ele deve ser delicioso durante o cio, eu tenho certeza… — Não era comum. Com grande esforço, o ômega fechou os olhos segundos antes se concentrando no seu lobo, prendendo a respiração, sentiu a energia fluir por seu corpo enquanto sabia que seus olhos haviam mudado de cor, podia sentir as presas crescendo devagar. 

Foi apenas um instante, rápido e ágil como sempre foi, Baekhyun mordeu com toda a força que pôde a mão de Carter que estava perto de seu pescoço, sentiu os dentes perfurarem a pele, o gosto do sangue em sua boca descendo pelo seu queixo e um grito. 

A faca caiu na mesma hora e a voz alucinante de Carter se fez presente no cômodo, irado com a atitude do ômega e corroído pela dor de ter a mão praticamente estraçalhada. 

Imitando a rapidez do detetive, Chanyeol ergueu a arma e disparou contra a cabeça de Carter, não dando espaço nem mesmo para suas últimas palavras, satisfeito ao saber que a última coisa que o serial killer havia visto era seu olhar tomado por ódio. Com a mira certeira apenas um tiro foi o suficiente para tomar a vida que o alfa não merecia. 

Chanyeol pela primeira vez em três dias respirou aliviado, voltando seu olhar para Baekhyun que o também o encarava. O alfa deixou que algumas lágrimas escapassem por seus olhos, estava tão arrependido a ponto de se envergonhar, deu alguns passos vacilantes não acreditando que havia realmente encontrado Baekhyun. 

— Você é uma maria mole, não é, chefinho? — Sorriu deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto livremente quando a voz melodiosa de Baekhyun ressoou pelo cômodo. Meu Deus! Estava morrendo de saudade daquela voz. 

Andou depressa até o alcançar e Baekhyun quebrou o resto da distância, ambos se abraçando com força. Chanyeol enfiou o rosto em seu pescoço aos prantos, nunca havia sentido tanto medo na vida. Se afastou o olhando, tocando-o no corpo todo, procurando algum ferimento, além do nariz machucado. — Me desculpe, eu não queria ter dito aquilo, você não é fraco. Eu juro que nunca pensei dessa forma, eu… 

Foi interrompido quando os lábios de Baekhyun colaram nos seus, um beijo longo e lento, apenas as bocas encostadas, sem malícia alguma. Nem mesmo fechou os olhos porque ainda não estava acreditando. Baekhyun se afastou mais uma vez, com um sorriso de lado, em seus olhos também havia lágrimas pequenas, mas também havia compreensão. Como se ele realmente entendesse tudo que Chanyeol queria dizer. 

— Eu sei. Eu percebi quando estava aqui que essa foi uma forma de me proteger, eu sei que você não queria falar aquilo e eu tive mais uma prova ainda agora — Ele respondeu, tão calmo que fazia o coração do Park doer — Eu te amo, Chanyeol. E eu não vou esperar que mais alguma coisa aconteça nessa nossa vida louca de caçar criminosos para te dizer isso. Eu achei que fosse forte o suficiente, mas você me pegou de jeito, sabe? 

Sorriu acompanhando o sorriso de Baekhyun, vendo o quanto ele era precioso, percebendo que não podia viver mais nenhum segundo sem o ômega, aqueles três dias haviam sido um inferno e assim como o Byun, também estava apaixonado. Há muito mais tempo do que pensava, muito mais intensamente do que achava. 

— Eu também amo você, muito mesmo, Byun Baekhyun. Eu fiquei louco durante esses três dias, nunca mais vou deixar você sair de perto de mim — Ditou, puxando o queixo bonito e delineado para perto, beijando a boca do detetive mais uma vez. 

Se separaram segundos depois, quietos e com os corações calmos por estarem juntos, por tudo ter acabado bem. — Tá bom, chefinho. Agora você pode me tirar daqui? Eu estou muito cansado. Fiquei muito tempo amarrado, meus pulsos tão doendo que nem a porra de um inferno. Esse filho da puta teve coragem de apertar aquelas cordas tão forte que eu ainda tenho dificuldade de sentir minha circulação sanguínea nos dedos. Fora a merda do meu nariz, era meu charme!

Chanyeol soltou um riso baixo, aquele era o seu Baekhyun, desbocado, mandão e irritado. Enquanto saíam do alçapão ouviram as sirenes ao longe, finalmente o reforço que havia pedido tinha chegado. Quando abaixou a arma a mando de Carter, clicou disfarçadamente no botão vermelho de seu walkie talkie, pedindo reforço policial. 

Observava Baekhyun andar devagar, massageando os pulsos, estes que estavam em carne viva, vermelhos e com sangue. Antes que pudesse se aproximar, no entanto, o ômega foi até si, o abraçando pela cintura e escondendo o rosto em seu pescoço, trazendo um sentimento de paz para Chanyeol. 

Se pudesse se sentir daquela forma todos os dias, então seria um homem de sorte. E era o que desejava. 

A claridade que entrava por entre as brechas da janela não era nenhum incômodo, no entanto, foi o suficiente para fazer com que Baekhyun se remexesse na cama. Abriu os olhos preguiçosamente, encarando o pano da cortina que se mexia por conta do vento fresco daquela manhã ensolarada. 

Não conseguiu conter o sorriso ao sentir os carinhos calmos por suas costas nuas, fechando os olhos por alguns segundos apenas continuar sentindo os arrepios gostosos, causados pelas pontas dos dedos de Chanyeol. Virou-se na cama, percebendo que o mais velho já estava acordado, o encarando da mesma forma afetuosa que já havia se acostumado. 

Aquela rotina jamais cansaria o ruivo. Rotina. Era tão estranho pensar naquilo. Fazia um pouquinho mais de seis meses que havia sido salvo por Chanyeol das garras de Carter. 

Seis meses em que haviam se declarado um para o outro e estavam tentando funcionar juntos. Não tentando, afinal, um completava o outro de formas que nunca entenderiam e nem queriam, eram perfeitos daquela forma. Tão perfeitos que não demorou nada que estivessem procurando por uma casa para dividirem. 

Tanto Baekhyun, como Chanyeol, nunca se imaginaram dividindo uma vida daquela forma, contudo, descobriram que dava certo e que a rotina de casados era tão prazerosa quanto acreditavam. O sexo era constante e ensurdecedor, os momentos de carinho após, eram ainda melhores, afinal se permitiam dormir agarrados e acordar daquela mesma forma, todos os dias. 

— Bom dia — Baekhyun sussurrou enquanto subia a mão para o rosto do maior, em carinhos calmos, fazendo o outro sorrir — Precisamos levantar.

— Hmm — Chanyeol quase ronronou, se encolhendo ainda mais nos braços do ruivo — Não quero. 

— Temos que trabalhar, sabia? — Riu baixo, nunca em sua vida imaginou que o chefe fosse uma pessoa tão manhosa pela manhã. 

— Podemos só ficar em casa hoje, o que acha? — Questionou abraçando o ômega pela cintura, puxando-o para mais próximo enquanto um sorriso sacana surgia nos lábios — Posso fazer valer a pena, sabe? 

— Nada disso — Gargalhou — Ainda estou dolorido da noite passada — Beijou os lábios do Park com calma — Mas, se quiser ficar em casa, por mim tudo bem. Dessa forma posso ser promovido e pegar o seu lugar mais rápido. 

— Ah, então é assim? — Ri empurrando o ruivo na cama e ficando por cima dele, ambos sorrindo um para o outro — Você é um verdadeiro pestinha, Byun — Mordia o pescoço clarinho do amado, descendo os lábios para a marca que o ruivo agora possuía e mostrava com tanto orgulho. 

— Sou apenas um realista, querido. 

— Se você um dia você se tornar o chefe, você vai ser mais nojento do que já é — Riu vendo a expressão indignada do ômega — A delegacia vai ser pequena demais para todo o seu ego!

— Como você é capaz de dizer algo assim? Que calúnia, Park Chanyeol! — Dizia enquanto tentava controlar a risada. Empurrou o alfa logo ficando por cima, montando-o como sabia que ele gostava. 

— Eu te conheço, Byun. Te conheço bem demais — Sorriu levando as mãos a cintura do mais novo, apertando com força — Conheço cada maniazinha, cada detalhe do seu corpo.

— Mesmo? Hmm — Gemeu ao sentir o alfa endurecendo abaixo de si — Porque não prova isso pra mim? — Sorriu ladino, tendo a cintura apertada com mais força.

— Se eu te provar isso agora, vamos acabar nos atrasando para o trabalho, sabe? E você parecia bem preocupado com isso alguns segundos atrás… — Comentou divertido. 

— Bom, acho que ninguém vai se importar se chegarmos só um pouquinho atrasados hoje…

Ambos riram antes de se entregarem aos beijos.

Estavam vivenciando os melhores momentos de suas vidas, estavam se entregando um ao outro cada vez mais, fazendo planos e sendo um casal improvável que a Delegacia 614 jamais havia visto. Muitos já imaginavam que os diversos atritos entre os dois era tesão acumulado, outros já diziam que era briga de casal, o importante era que ninguém tinha ficado surpreso quando a notícia do relacionamento começou a circular. 

A verdade era que, por mais diferentes que fossem, de alguma forma, eles tinham nascido um para o outro. E aqueles seis meses eram só o início de uma longa história de amor. 

E claro, muitas brigas com um ótimo sexo de reconciliação.


Notas Finais


Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas pela demora na atualização de Delegacia 614, assim como todas as ouras fics minhas! Se vocês me seguem no twitter, devem ter ficado por dentro do que aconteceu, mas como eu sei que muitos aqui não tem twitter, ou ainda não me seguem, vou explicar rapidinho. Minha família e eu, pegamos covid, e por conta disso, meus pais e minha sogra precisaram ficar internados, então eu (mesmo doente) precisei assumir a casa dos meus pais e ainda lidar com a doença. Foi um mês muito conturbado e eu não gosto nem de lembar, mas agora está tudo bem, meus pais e minha sogra já estão em casa, eu e meu marido também já voltamos para casa, agora só lidando com as sequelas e se cuidando cada vez mais. É sério galera, se cuidem bastante, essa "gripezinha" (como mtos adoram dizer) não é brincadeira. Vi de perto o que ela causa e não desejo isso nem pro meu pior inimigo.

O QUE ACHARAM? Deixem a gente saber de tuuudo!
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Novamente, nosso muito obrigada a todos, vocês são os leitores mais incríveis que já conhecemos e seremos eternamente gratos! Delegacia 614 é um marco em nossas vidas! <3

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