História Delicada - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Tags Drama, Hentai, Romance, Saga
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Palavras 6.104
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Indiferença mal aceita


Fanfic / Fanfiction Delicada - Capítulo 11 - Indiferença mal aceita

[...] Eu não quero que isso se complique. [...]

                                                                                               Anna
Depois de ter dado uma geral na casa e almoçado eu me rendi ao cansaço e fui dormir.  Mas quase no final da tarde Sophia e Camila me arrastaram para fazer compras. Eu ate que queria comprar umas coisinhas para o apartamento, como alguns vasos coloridos, quadros alegres e ate papel de parede para a cozinha que parecia tão sem graça. À noite enquanto estava deitada em minha cama mexendo em meu celular recebi um e-mail, quando vi o nome Gabe Scott dei um pulo da cama sentando. Um e- mail dele. No mesmo instante eu abri:
- Boa noite senhorita Lonergan, quero apenas parabeniza- La, o cliente adorou o projeto, disse que jamais pensaria em algo tão incrível e criativo. Ele falou que tudo vai ser um grande sucesso, graças a seu esforço. Estou muito contente que em tão pouco tempo trabalhando conosco seus esforços já foram reconhecidos por um dos nossos mais valiosos clientes, espero que continue assim. Vejo você na segunda de manhã.
P.S: Me desculpe se algo que eu disse na boate a aborreceu e por isso foi embora correndo, não foi minha intenção. Tenha um bom fim de semana.
Ass.: G.

Meu coração parecia que ia saltar pela boca, eu não sabia se comemorava pelo projeto ou se ficava gastando meus fios de pensamento com as desculpas dele. Deus! Esse homem ainda vai me deixar louca. Toda vez que eu me lembro daquela noite eu fico desejando não ter virado o rosto e o beijado. Algo me diz que Gabe sabe beijar muito bem. Eu não parava de pensar nisso, eu queria muito que ele me beijasse, mas sabia que isso seria um erro, pelo menos para mim, então por que eu quero tanto beija- lo?

Quando domingo chegou eu aceitei de bom grado o convite de Jane para sair, tudo o que não queria era ficar em casa e remoendo meus pensamentos. Sophia e Camila haviam saído cedo para comprar roupas, eu não estava nem um pouco empolgada de ficar me jogando de loja em loja experimentando roupa, raramente sinto esses surtos de consumista, já Sophi, ela é campeã. Nós paramos para comprar um sorvete e continuamos andando pelas ruas movimentadas, perdi as contas de quantas vezes trombamos em alguém, meu ombro estava começando a ficar roxo, por isso assim que avistamos um parque corremos para lá:
- O que você tem Anna? Parece triste.
- Não é nada
- Como não? Seu olhar não é tristonho assim
- Hunf! Você ta começando a me conhecer –
Esbocei um sorriso que não alcançou a orelha. Só que eu não podia dizer a ela o que era que realmente estava me perturbando, então decidi contar só uma parte da verdade – É que estou sentindo falta do estúdio de bale da Madame Ruth.
- Você dança balé?
- Dançava, minha mãe nos matriculou na aula de balé quando ainda éramos crianças. Assim como também nos colocou em outras danças e aulas de instrumentos musicais.
- Nossa. Vocês pareciam bastante atarefadas.
- Há! Há! Era bem legal. Minha mãe era uma incrível dançarina, e toda sua família tem alguma ligação com a arte, e ela quis que as três filhas também fossem. Meu pai adorava orquestras e instrumentos, e colocou todos os filhos para aprender a tocar. Eu adorava flauta, violão e piano, Sophia é craque em violão, guitarra e baixo, eu sempre digo que ela tem uma queda por instrumentos com curvas acentuadas.

- Há! Há! Há! Há! Minha nossa. E quanto a sua outra irmã?
- Ah! Vanessa, ela toca piano divinamente, eu nunca cheguei à perfeição como ela, e para agradar nosso pai aprendeu tocar violino, que é o instrumento preferido dele. Você precisa ouvi- La cantar, parece ate uma sereia, ninguém consegue desviar a atenção dela, atrai todos e encanta. Fora que ela aprende tudo com rapidez e faz tudo maravilhosamente bem. Vanessa tem o hábito de fazer tudo parecer fácil, mas eu acho que isso só se aplica para ela.
- Sua irmã parece ser incrível
- É sim, ela é minha segunda mãe. Eu sempre corro para os braços dela quando estou com medo, ou se estou com algum problema basta gritar seu nome que ela vem correndo. É como se nada a afetasse, está sempre pronta para encarar desafios, ela domina o ambiente, todos prestam atenção nela, no que diz, em seus gestos, quase nunca é contrariada, tem pulso firme e não deixa ninguém passar por cima dela.
- Caramba. Sua irmã é durona, eu gostaria de conhece- La.
- Um dia quando vier nos visitar eu às apresento.
- Ótimo. Mas então, sobre sua saudade do balé, talvez eu possa te ajudar.
- Como?
- É que eu também faço aulas de dança, quer dizer, não é balé, mas sim dança de salão.
- Verdade? Que incrível, minha mãe é uma verdadeira pé de valsa, você precisa ela e meu pai dançando, a pista é só deles.
- Há! Há! Há! Há! Sua família é de artistas. Então é um estúdio de dança, tem tudo quanto é ritmo, inclusive balé.
- Onde fica?
- Não muito longe, quase todos os dias quanto saio da Lencastre eu vou para lá. É o estúdio Colored Rose. Madame Helena é uma mulher muito generosa e adora receber novos alunos, e a mensalidade não é tão caro, tenho certeza que ela amaria receber uma bailarina profissional.
- Eu não sou profissional, apenas danço por prazer.
- Melhor ainda. Se você quiser podemos ir lá agora, pegamos o ônibus e chegaremos rapidinho.
- Jura? Agora?
- Sim, vamos lá –
Jane deu um pulo do banco e me puxou pelo braço.
Nós descemos do ônibus e andamos um quarteirão. Ela me apontou o prédio que ficava na esquina, tinha três andares e parecia ser bastante espaçoso, bem no meio do edifício estava o nome do estúdio Colored Rose. Tinha diversas janelas, algumas pequenas, outras compridas, mas todas com película escura para que ninguém de fora pudesse ver os alunos dançando, a única alternativa seria entrar para verificar. Jane me arrastou para dentro e cumprimentou uma jovem que ficava na recepção, ela sorria o tempo todo e parecia ser divertida, ate seu jeito de se vestir era engraçado:
- Jane. Garota faz tempo que não te vejo
- Lógico você estava de férias. Como estão as coisas por aqui?
- Ótimas. Entraram alguns alunos novos no hip hop que são lindíssimos. Ontem eles foram dar uma espiada nas meninas do pole dance. Eu tive que enxota- los de lá.

- Há! Há! Há! Fiquei curiosa para ver. Oh! Sim, Steph essa é minha amiga Anna Lonergan, e Anna essa é Steph a recepcionista do estúdio.
- Prazer em conhece- La –
Eu estendi minha mão e ela apertou mostrando um contente sorriso.
- O prazer é meu, Anna. Mas diga, qual o motivo que as trazem aqui?
- Eu queria mostrar o estúdio para Anna, ela é bailarina, e sente falta de dançar. Ela é de outro país e se mudou para cá para trabalhar.
- Oh! Jura? De onde você é?
- Brasil

- Haaaa! Fala sério, eu não acredito – Ela deu um pulo da sua cadeira se apoiando contra a bancada quase deitando sobre. – Nós temos uma turma de dança de lambada, samba e forró.
- Verdade? – Eu fiquei surpresa que ensinassem forró aqui, pensei que nem conhecessem esse ritmo.
- Sim, é tão legal, e muito envolvente o ritmo, quando a professora coloca a música eu não consigo ficar parada.
- Há! Há! São ótimos ritmos mesmo, é impossível não dançar
- Ok! Brasileiras. Eu vim aqui mostrar o balé para Anna, e tem a turma dos adultos, vamos lá. Acho que agora só deve está a professora na sala.
– Nos despedimos de Steph e seguimos para o segundo andar e a terceira porta no final do corredor. Três das quatro paredes da sala eram cobertas de espelhos, o piso era de madeira clara e envernizado, todo o ambiente era bastante iluminado. Eu adorei. Bem no fundo da sala tinha uma mulher se alongando com uma das pernas na barra. Pelo olhar cansado em seu rosto e sua postura ela era a professora. Pelo reflexo do espelho ela nos viu entrar e se virou mostrando um sorriso.
- Olá. Posso ajuda- Las?
- Estamos apenas olhando. Minha amiga é bailarina e tem vontade de voltar a dançar.
- Ora! É mesmo? Você dança a quanto tempo?
- Desde os oito anos. Eu sempre amei balé
- E por que parou?
- Eu não estava conseguindo conciliar minha faculdade com os horários das aulas, e infelizmente tive de parar. Isso tem cinco anos.
- Cinco anos é muito tempo. Mas algo me diz que não perdeu a prática
– Ela me deu uma boa olhada de cima a baixo – Você tem corpo e porte de bailarina. Parece uma boneca, com certeza é perfeita para o balé, delicada e graciosa.
- Obrigada senhora...
- Oh! Me perdoe, eu me chamo Celine Spencer –
Ela ergueu a mão e a apertei.
- Sou Anna Lonergan
- Anna, ate seu nome é delicado.
- Há! Há! É o que dizem
- Então pretende ficar em minha turma?
- Eu não sei, passamos aqui apenas para ver, mas...
- Por que não dançamos?
- Dançar? Mas eu não tenho sapatilhas.
- Dá- se um jeito. –
Ela se afastou e foi procurar em sua bolsa um par de sapatilhas – Acho que essas vão servir – Me entregou e eu fiquei um pouco atordoada – Pegue querida. Nós faremos assim, se você mostrar que é realmente uma boa bailarina eu a aceitarei em minha turma, caso contrario você procura outra dança, certo?
- A- ah tá. – Eu me afastei da porta e dei uma olhada para Jane que apenas ergueu os dedões em aprovação. Eu sentei no chão e tirei minhas sandálias para colocar as sapatilhas. Ficaram um pouco frouxas, mas eu as apertei da melhor forma que pude. Me levantei e me preparei para a música que ela escolheria.
No final, eu acabei me inscrevendo no estúdio, a professora me elogiou de diversas maneiras, e eu amei poder dançar balé novamente, e percebi que queria continuar. Eu saí de lá em êxtase, parecia ate uma criança. Quando voltei para o apartamento invadi o quarto de Sophia para lhe contar a novidade, e a mesma também ficou interessada nas aulas, ou melhor, em outras aulas.
Na segunda de manhã meu humor havia murchado um pouco, pelo simples fato de ter de encontrar Gabe, principalmente pelo o que aconteceu sexta à noite. Eu cumprimentei Jane na recepção que já estava trabalhando a todo vapor e fui em direção ao elevador. Anna volte ao seu plano inicial, nada de se deixar envolver pelo gerente, ele é encrenca. As portas se abriram no meu andar e eu quase tive receio em ir para a minha mesa e encontrar outro post- it. Bingo. Lá estava o bendito papel sobre minha mesa, merda. “Venha a minha sala. G.” Guardei minha bolsa, peguei um bloco de notas e fui à luta. Stuart ainda não havia chegado. Dei duas batidas em sua porta e entrei. Ele estava sentado e com os olhos fixos na tela do seu computador:
- Com licença, senhor Scott.
- Entre Anna, eu estava esperando por você –
Ele largou o teclado e se virou para mim. Mexeu em sua gravata afrouxando, eu achei aquele gesto tão sexy. Deus, isso não estava ajudando. Eu devia colocar um saco plástico na cabeça dele, ou talvez imaginar o rosto do meu pai, eu jamais me sentiria atraída pelo meu próprio pai. Eu encarei meu gerente, e o filho da mãe estava me mostrando aquele sorrisinho de canto que amolecia minhas pernas, a imagem do meu pai nem chegou na minha cabeça. Desgraça de loiro bonito. Ele se levantou de sua cadeira e eu tive de me conter o impulso de pedir para que voltasse a sentar e ficasse a uma distancia segura de mim. Ele deu a volta na mesa e parou na minha frente – Você recebeu meu e- mail?
- Sim, recebi sim, me desculpe por não ter respondido, eu estava um pouco ocupada e acabei esquecendo – Mentira. Eu fiquei lendo aquele e- mail por vários minutos, principalmente a ultima parte.
- Tudo bem. O cliente vem hoje fechar contrato, e em poucos dias seu projeto terá vida e os grandes empresários ficarão deslumbrados.
- O projeto não é só meu, eu não teria conseguido sem Stuart.
- Sim, vocês parecem está se dando bem.
- Sim, sim, ele é um bom amigo e um ótimo profissional –
Gabe se recostou em sua mesa e cruzou os braços.
- Você tem planos para o almoço?
Alerta! Alerta! Impeça- o Anna, agora:
- Tenho... Err... Stuart me convidou para almoçar – Eu sei, eu sei, estou mentindo, mas não podia abrir uma brecha para ele.
- Outra vez dispensado. Está começando a virar costume.
- Eu... É que... Sinto muito senhor Scott, não era minha intenção ofende- lo... Outro dia quem sabe.

- Todos os meus convites direcionados a você terminam com essa frase “Outro dia, quem sabe” e eu sempre tento outro dia e novamente ela aparece, prolongando ainda mais esses dias.
Eu abri e fechei minha boca varias vezes tentando dizer algo, mas simplesmente fiquei muda, não sabia o que responder, ele me deixou totalmente sem ação quando disse isso. Que droga, Gabe sabia como me desestabilizar, e isso não era bom.
- Na próxima... – Foi tudo o que consegui dizer.
- Hunf! Você provavelmente recusará
- Err... Por favor, senhor Scott, foi apenas para isso que me chamou aqui? Ou tem... –
Ele deu um impulso se afastando da mesa e encaixando sua mão ao redor da minha orelha tocando levemente meu cabelo preso. Eu fiquei totalmente congelada.
- Seu cabelo é lindo, deveria usa- lo solto com mais frequência, como naquela noite na boate.
Merda! Por um momento eu pensei que ele não fosse tocar nesse assunto, mas já devia saber que nada poderia ser deixado para lá pelo grande Gabe Scott, agora eu iria morrer de vergonha:
- Naquela noite eu estava com dor de cabeça e o soltei
- Devia deixa- lo solto, é belíssimo. –
Ele parecia fascinado com meu cabelo. Então sua mão desceu segurando meu queixo me forçando a erguer o rosto. Senti borboletas no estômago e minhas mãos suarem, eu odiava aquilo, pois sabia o que significava.
- Senhor...
- Eu pedi para que me chamasse de Gabe. Enquanto dançávamos você disse meu nome, mas não pude escutar, não tem ideia do quanto fiquei imaginando ouvir você me chamar pelo nome.

Ele me imaginou pronunciando seu nome? Sério? Ah! Meu coração parecia que ia saltar pela boca. Que direito ele tinha para falar assim comigo?
- Você costuma sempre dar em cima das novas funcionárias? – Mordi minha bochecha. Que droga. Eu não acredito que disse aquilo em voz alta. Merda! Merda! Merda! Eu apenas pensei e acabei falando. O que ele vai falar agora? Provavelmente vai me mandar embora. Eu senti meu rosto esquentar.
Gabe ficou me olhando aturdido pelo o que eu acabara de dizer, com certeza não estava acostumado a falarem assim com ele, e de repente a novata acaba falando em voz alta o seu pensamento. Ele me deixou desconcertada quando esboçou um sorriso:
- Só das bonitas – Gabe falou com tanta naturalidade. Aquilo me decepcionou. Realmente sua fama sempre vem à tona quando eu penso que não passa de um boato, mas está comprovado de que é a mais pura verdade.
Afastei meu rosto de sua mão e tomei uma distancia segura entre nós dois. Olhei para o chão tentando reaver meu controle e deixar aquele sentimento amargo tomar conta de mim. Cafajeste. Eu poderia me odiar por vê- lo de um jeito carinhoso. É só uma ilusão, tudo isso:
- Anna
- O senhor tem algo a repassar para mim ou eu posso voltar e começar meu trabalho?

- A- ah... Eu... – Pela primeira vez o vi sem saber o que dizer. De fato, ele não estava acostumado a ser tratado como um simples mortal. Ainda hesitante e alternando o olhar entre mim e a sua mesa, ele se virou e pegou alguns papéis. Os entregou a mim – Eu quero que... Reveja esse projeto, o nosso cliente não gostou de alguns pontos.
- Sim senhor – Peguei com naturalidade, mas sem deixar transparecer minha angústia.
- Você ainda não estava aqui quando foi elaborado, talvez seja por isso que o cliente não tenha gostado, precisava dos seus toques.
Eu apenas esbocei um rápido sorriso e voltei para os papeis. Outra vez ele ficou sem saber o que fazer e dizer. Quando ele abriu a boca para falar, alguém bateu na porta e entrou. Olhei para trás e vi uma mulher exuberante entrando, com uma blusa de mangas compridas mostrando demais o seu decote e seus peitos grandes, uma saia lápis tão apertada que me perguntei como ela conseguia andar, principalmente em cima daqueles saltos enormes, sua maquiagem muito bem feita e ate um pouco pesada para usar durante o dia. Seus cabelos iam ate os ombros e eram tom de chocolate, contrastava com sua pele branca e os olhos negros:
- Oh desculpe, não sabia que estava ocupado
- Sim, estou
- Não, não está mais –
Eu respondi me virando para ela e depois voltei meu rosto apenas para ver Gabe de boca aberta – Fique, já estou de saída.
- Eu nunca vi você antes

- Sou nova aqui, comecei semana passada
- Ah! Sim, você é uma das novatas da publicidade –
Ela me deu uma olhada de cima a baixo, como se estivesse conferindo minhas roupas e o preço delas, usando isso para descobrir a qual classe de mulher eu pertencia. Comparada a ela, a mais pobre possível. Seu olhar foi de desdém. Ok! Ela não gostou de mim, e confesso que também não fui muito com a cara dela. Não é costume meu odiar uma pessoa de graça, mas essa em poucos segundos me fez abrir uma exceção.
- Sarah Parker é a nossa gerente financeira, trabalha conosco tem algum tempo. Sarah, esta é Anna Lonergan nossa mais nova publicitária, ela que conseguiu o contrato com Thomas Peterson.
- Jura? Ela? – Aquilo soou como uma descrença disfarçada. Rapidamente a vaca se recompôs e foi para o lado de Gabe. – Que bom.
- Obrigada, mas foi um trabalho em equipe – Eu olhei para Gabe, e o mesmo não tirava os olhos de cima de mim, nem mesmo reparou na mulher ao seu lado – Agora se me derem licença. Tenham um bom dia. – Me virei para sair, mas a égua não esperou eu sair para começar a latir.
- Oh! Gabe eu adorei nossa noite de sábado, quando iremos repetir? – Eu quase tropecei no meio do caminho, mas me segurei e agarrei com mais força as folhas contra meu corpo. Então ela era sua amante, ou melhor, uma das.
- Qualquer dia – Podia sentir seu olhar queimando nas minhas costas.
- Você foi incrível, da próxima podemos ir para o meu apartamento... – Não conseguia mais ouvir aquilo, sai praticamente correndo e fechei a porta. Homem dos infernos. Dando em cima de mim, me galanteando, tentando me seduzir para me levar para sua cama, sendo que já tinha outra mulher para esquenta- La. Eu estava com raiva dele, da tal de Sarah e de mim por estar com ciúme. Joguei os papéis sobre a mesa e bufei exasperada. Chega, aquele encantamento acabava agora, eu não vim para Nova York para viver uma história de amor, e sim para trabalhar, apenas isso. Endureça seu coração Anna, lembre- se do Vanessa sempre dizia, homens vão sempre procurar um caminho para chegar ate você, mas cabe a você fechar esses caminhos. E era isso, eu vou fechar todos esses malditos caminhos, se minha irmã não consegue mais amar ninguém, eu também consigo. Não deve ser tão difícil, eu só precisava ter força de vontade. Sentei como uma pedra na minha cadeira e abri irritada aquele computador. Stuart ficou me olhando surpreso com meu comportamento:
- Você está bem?
- Vou ficar quando parar de pensar em um certo diabo loiro
- O que?
- Não dormir bem
- Parece mais que você recebeu uma péssima noticia
- Algo assim
- Posso ajudar?
- Sim, me ajudaria muito se começasse seu trabalho. Nosso gerente nos deu esse trabalho para fazer –
Peguei os papéis e joguei a contragosto sobre sua mesa.
- To vendo que você não está muito amigável hoje, então acho melhor começar isso e tentar não te irritar mais.
- É uma boa ideia –
Stuart não tinha culpa, mas ele era homem, e nesse momento estava com ódio deles. Mais tarde meu humor iria melhorar e eu seria mais amável com ele, mas por hora, eu estava no modo megera.

 

                                                                                                           Gabe
Quando finalmente havia me livrado de Sarah pude sentar e respirar. Arg! Essa mulher às vezes era um saco, por causa do Ryan tive que leva- La em um jantar sábado a noite para que fosse meu suporte com um possível cliente. Ela não parava de me jogar indiretas e de me tocar sempre que possível. Quando o cliente foi embora eu ainda tive que aguenta- La por mais uma hora. Confesso que já tive um caso com ela, transamos apenas duas vezes e Sarah se comporta como se fosse algo importante para mim, ou que temos algo. Deus me livre me envolver com ela. Mulher pegajosa, gostosa, mas carente. Só tinha uma que me interessava, e ela saiu da minha sala como se estivesse pegando fogo. Anna cada vez mais povoando meus pensamentos, a cada minuto lá estava seu nome circulando em minha cabeça, quando fechava os olhos via seu rosto sorridente e o verde brilhante de seus olhos sob a luz escura da boate. Foi a primeira vez que a vi de cabelos soltos. Deus, ela é linda. Passei meu final de semana inteiro pensando se deveria ou não ligar para ela e convida- La para sair, mas como aconteceu hoje eu temia que me desse a mesma resposta. Anna vivia escapando de todas as minhas investidas, nenhuma mulher resistiu por tanto tempo, e hoje mais do que qualquer outro dia ela se mostrou distante, como se tivesse erguido uma barreira entre nós, uma em que não me deixaria atravessar. Ela ficou ainda mais arisca quando Sarah apareceu, eu não queria que ela fosse embora, mas sim a chata da gerente financeira, só que novamente Anna me cortou e me deixou sem ação. O que estava acontecendo com ela hoje?
Minha cabeça estava para explodir, o final de semana parecia não passar, eu estava louco para ver minha ruiva preferida, e quando finalmente a segunda chega não aconteceu nada daquilo que eu esperava, tudo desandou. Por que ela se afastou de mim quando respondia aquela sua impertinente pergunta? O que eu fiz?

Uma semana depois, as coisas estavam piores, literalmente Anna me ignorava, nada que eu tentasse a fazia me olhar com aquele jeito inocente ou ate ficar nervosa em minha presença. Nunca mais vi rubor em suas bochechas, nem sorrisinhos, pelo menos não direcionados a mim, pois como constatei, ela agia naturalmente com os outros funcionários, ria, brincava, falava abertamente e ate corava. Mas comigo...
Eu arrumava qualquer desculpa para faze- La vir ate minha sala, assim eu tinha uma nova chance de ter aquela inocente Anna de volta, só que de nada adiantava, ela botava sua máscara de pedra e me tratava de acordo com o que eu era, seu chefe. Eu não gostava do tratamento que estava recebendo, ou melhor, eu odiava, preferia mil vezes aquela garota envergonhada que me deixava bobo. Eu mandei centenas de e- mails, todos de cunho profissional e com o final de duplo sentido, mas em todas suas respostas eram praticamente monossilábicas, apenas “sim senhor” ou “não senhor”. Eu estava estressado, nunca havia gasto tanto neurônio e tempo com uma única mulher, me encontrava totalmente a disposição de Anna Lonergan. Mas ela não queria saber de mim e deixou isso bem claro com sua atitude fria. Deus, mulheres são complicadas. Eu ainda podia sentir seu pequeno corpo se movendo junto do meu naquela dança lenta, a forma como se contorcia envergonhada com meu toque, seu lábio que vivia preso entre seus dentes e a enorme vontade de morde- los. Eu estava delirando, passei todas as minhas noites pensando nela, em seu toque, sua voz doce, seu sorriso, seus olhos verdes acanhados e o modo como sempre deixava meu espírito mais leve só em escutar seu nome. Eu a quero mais que tudo, Anna tem que ser minha, isso já não era mais um jogo, mas sim uma necessidade.
Naquela manhã eu estava estressado, a sobrecarga de trabalho devido a minha promoção, as ligações e as ordens de Ryan e a indiferença de Anna estavam me levando à loucura. E agora eu estava no telefone com um de nossos fornecedores  idiotas que está tentando se dar bem em cima de mim. Eu não saí para o almoço só por causa desse problema, mandei um e- mail para Anna vir a minha sala quando voltasse antes de pegar o telefone e ligar. Agora estava brincando com um estilete enquanto andava pela sala esbravejando com o golpista. Eu empurrava e puxava a trava do estilete fazendo- o subir e descer, era um jeito de me controlar:
- Eu não quero saber, Ryan quer todo esse material entregue ate amanhã... Você teve três meses para preparar tudo e enviar, não venha querer me convencer de que o prazo foi curto... Eu não sei como você fará... Acha que estou brincando? Ryan deu uma quantia particularmente alta para que tudo fosse arranjado e enviado sem ter o menor problema, e agora você quer que compremos materiais mais baratos sem o selo de qualidade e que vai demorar pelo menos duas semanas para chegar? Só pode está de brincadeira.
Eu escutei baterem na porta e já sabia quem era. Anna colocou a cabeça dentro da sala e eu fiz sinal para que entrasse. Seu perfume invadiu o ambiente e foi o suficiente para me acalmar, quer dizer, só ate a voz esganiçada do idiota do outro lado da linha soar:
- Você vai dar seu jeito – Eu fechei o punho e senti uma dor na palma da mão, só que não dei bola – Ryan quer isso ate amanhã, se você não conseguir ele usará todos os recursos para destruí- lo. Faça o que está sendo pedido. E rápido – Desliguei o celular e quase fiz o mesmo com o estilete jogando- o na mesa, mas tentei transparecer tranquilidade, o que aquela altura me fez falhar miseravelmente. Apoiei as mãos na mesa e respirei fundo. – Me desculpe por isso.
- Não se preocupe. Está tudo bem senhor?
Eu odiava quando ela me chamava de senhor, por que simplesmente não me chamava de Gabe? Eu queria tanto escuta- La chamando meu nome:
- Não muito. Estou tendo problemas com um fornecedor trambiqueiro. Espero que agora esteja tudo resolvido – Soltei meu ar exasperado. Estou com fome e dor de cabeça, que combinação perfeita.
- Eu entendo, deve ser estressante mesmo lidar com tudo isso
Pela primeira vez em quase duas semanas ela demonstrou um pouco de preocupação comigo, e principalmente, disse uma frase com mais de duas palavras. Eu levantei meu rosto e me ajeitei:
- Aproveitou o almoço?
- Sim – Sua disposição a falar durou pouco. – Eu vi seu e- mail pelo celular e assim que cheguei vim direto para cá. O que deseja senhor Scott?
- Saber sobre o projeto que lhe passei na segunda
- Oh! Estamos quase terminando, mas... – Seus olhos baixaram para a mesa por um instante e de repente se arregalaram - Oh! Meu Deus, sua mão - Eu segui seu olhar e vi minha mesa manchada de sangue no local onde apoiei a mão, virei para ver um corte na palma. Acho que quando apertei o estilete ele estava com a lâmina para fora. Não estava sentindo dor, acho que ver Anna entorpecia meus sentidos. Ela veio às pressas ate mim e segurou minha mão entre as suas.
- Mas como você se cortou? – Analisou a profundidade do corte.
- Foi um acidente com estilete
- E o que diabos você fazia com um estilete? Por acaso não tem apontador? – Bufou irritada, o que me arrancou um sorriso. Qualquer expressão diferente da gélida a qual me submetera era melhor – Me deixe cuidar disso – Anna se afastou e abriu sua bolsa em cima da cadeira tirando de dentro um saquinho transparente com zíper. Parecia um mini kit de primeiro socorros. Ela tirou lá de dentro um pequeno frasco azul que não sabia o que era e dois chumaços de algodão. Desenroscou a tampa do frasco e despejou o líquido no algodão, deixando – os ao meu lado – Sente- se e me dê sua mão – Eu obedeci. Sentei na borda da mesa e ergui a mão, ela pôs a sua debaixo da minha – Não vai doer.
- Tudo bem – Começando pelas bordas ela começou a limpar o sangue para que não pingasse na minha roupa ou no chão, e depois com extremo cuidado começou a limpar o corte.
- É apenas soro, para desinfetar. – Disse ainda concentrada em seus cuidados. Ela jogou no lixo o algodão sujo e depois repartiu no meio o outro e voltou a limpar o líquido que ficara – Mas que ideia é essa de mexer com estilete? Aquilo é perigoso.
- Eu me distrai, estava com tanta raiva que não percebi que a lâmina estava para fora quando apertei.
- Deve prestar mais atenção. Teve sorte de que o corte não é profundo e não vai precisar de ponto – Ela pegou o outro pedaço e limpou envolta. Voltou para sua sacola e tirou de lá uma gaze e um curativo.
- Você sempre anda com um kit médico na bolsa?
Ela sorriu ainda sem me olhar enquanto tirava a capa protetora do curativo:
- Eu sou desajeitada e costumo me machucar com frequência, então preciso ter algo para me socorrer nessas horas – Colocou o adesivo sobre o machucado, não cobriu tudo, mas pelo menos boa parte – Só um curativo não vai ajudar, já que você usa muito sua mão, então preciso enrolar na gaze.
- Se você acha que é o melhor, então vá em frente – Naquela altura, eu concordaria com tudo apenas para te- La por mais tempo por perto e cuidando de mim. Finalmente ela estava agindo como antes, ate sorriu, e esse gesto dissipou toda a minha raiva. Deus, tinha como uma mulher ser mais linda?
Anna desfez a gaze e começou a enrolar em torno da minha mão. Eu estava adorando a situação, passei dias tentando chamar a atenção dela e olha só o jeito que encontrei para isso. Não segurei e comecei a rir:
- O que é tão engraçado?
- Você é uma ótima socorrista, talvez eu devesse me machucar mais para ter seus cuidados – Voltei a rir.
- Isso não tem graça Gabe, não diga besteiras.
Eu parei no mesmo instante de rir quando a escutei. Ela havia dito meu nome? De verdade? Eu a encarei totalmente fascinado, não podia acreditar que finalmente havia dito. Talvez tenha sentido meu olhar, o que a fez erguer sua cabeça:
- O que foi? Está doendo?
- Você disse meu nome
- O que? – Quando se deu conta de que havia mesmo dito corou ate o topo da cabeça. Achei lindo, estava com saudade desse tom avermelhado. – Deve ter escutado errado.
- Não, eu reconheço meu próprio nome, e você o disse.
- Eu... Não... Desculpe – Voltou ao que estava fazendo, apenas para desviar sua atenção de mim.
- Eu gostei, é bonito quando você fala.
- Por favor, Gabe... – Congelou quando novamente disse. Eu podia escuta- La me chamando por horas – Senhor Scott.
- Não, sem o senhor, continue me chamando pelo nome.
- Você é meu chefe, não seria correto.
- Eu não ligo, eu estou pedindo.
- Eu... Err... Você pode pressionar aqui? – Apontou para a ponta da gaze e eu segurei. Ela voltou a mexer em sua bolsinha e rasgou com o dente um pedaço de esparadrapo e o colocou sobre a ponta para segurar a gaze – Pronto, assim não correrá o risco do sangue escorrer. À noite você tira e limpa outra vez, se tiver uma pomada, melhor.
- Obrigado – Ela só soltou minha mão quando eu a suspendi para que se afastasse. Começou a guardar todo o seu kit de volta a sacola e pôs dentro da bolsa. Eu sabia que ela ia fugir as pressas, podia ver em suas mãos trêmulas e seu rosto corado. Quando se virou quase esbarrou em meu peito, eu estava atrás dela.
- O que está fazendo?
Com a mão enfaixada eu toquei seu rosto:
- O que houve Anna? Por que está tão distante comigo?
- O que? Eu... Err... Eu... Não sei do que está falando – Ela tentou dar um passo para longe, mas eu segurei passando meu outro braço em volta de sua cintura colando- a em meu corpo.
- Sabe sim. Você tem me tratado com indiferença durante esses dias, e eu já perdi a cabeça tentando descobrir o porquê. Então me diga Anna, por quê?
- Eu não estou entendendo. Não o trato com indiferença, mas sim como meu superior.
- E é isso o que me incomoda. Antes você era mais doce e gentil, e de uma hora para outra ergueu um muro entre nós.
- Isso é ridículo, não ergui nada
- Fale a verdade.
- É a verdade
- Então por que não me olha nos olhos quando diz?
- Eu... – Ela agarrou com força meus braços enquanto olhava de um lado para o outro tentando encontrar alguma alternativa. Mas não ia adiantar.
- O que eu fiz para chatea- La?
- Nada
- Você está assim desde o dia em que conheceu Sarah. – Eu pude sentir seu corpo ficar tenso assim que mencionei o nome da gerente, ate sua mandíbula se contraiu – Então é por causa dela.
- Que besteira. Me solte – Ela tentou se soltar, mas não deixei, ou melhor, ela não usou força suficiente para que eu libertasse, o que só me fazia entender que queria continuar ali, em meus braços.
- Você se incomodou com o que ela disse
- Não, é claro que não, eu não tenho nada a ver com o relacionamento de vocês. Gabe, por favor, me solte. Gabe. – Eu fechei meus olhos para saborear aquelas palavras.
- Meu nome fica tão lindo saindo de sua boca, e a forma como os seus lábios o pronuncia é maravilhosa. Ah! Anna...
Ela começou a respirar mais acelerado, seu peito subia e descia em ritmo desenfreado. Anna não se debateu mais, e alternava o olhar entre meus lábios e meus olhos, estava tão desejosa quanto eu que um beijo acontecesse. Eu sonhei beijar aqueles lábios vermelhos e tentadores. Eu a queria, por Deus, como eu queria. Agora, sentindo- a em meus braços meu peito latejava, minha pele formigava e tudo em que eu pensava era em te- La na minha cama para que eu amasse da maneira que se deve, como uma flor delicada merece ser tratada, com ternura e amor. Anna se tornou meu tormento e meu vício, as outras pareciam sem importância diante dela. Eu toquei seus lábios com o polegar, estava com água na boca só de pensar em beija- La:
- Eu detestei cada maldito segundo em que me tratou com desgosto, eu tentei fazer você sorrir outra vez, me olhar com timidez, mas foi tudo em vão. Eu queria aquela Anna de volta.
- Você tentou?
- Sim, diversas vezes, não notou?
- Em algumas ocasiões. – Segurei seu rosto e aproximei o meu – Não... Gabe...
- Eu desejo você Anna, eu não aguento mais me segurar – Sussurrei recostando meus lábios sobre os dela, e lentamente para não assusta- La eu me aprofundei, começando com um selinho ate nossas bocas estarem totalmente seladas. Eu esperei o momento em que ela fosse começar a me bater ou me empurrar, mas nada aconteceu, pelo contrario, ela ficou uns segundos hesitante em me corresponder, mas quando a puxei mais apertado contra mim, sua boca se abriu devagar me dando espaço para toma- La. As portas do paraíso estavam se abrindo para mim e eu não pretendia deixa- La fechar.    


 

 

Continua....

 

 


Notas Finais


Olha sóóóóó gente, o primeiro beijo. Mas calma que vai ter mais desse beijo no próximo capítulo...

To adorando escrever as agonias de Gabe, o que vcs acham? Ele merece um pouco mais de gelo? Ou mais atenção?
A pobre Anna ja não sabe mais o que precisa, uma hora quer ele e outra sabe que precisa se afastar, e agora???

Booom esse foi o capítulo de hoje!! Desculpe por ter postado tarde, de novo.
Bjssss


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