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História Delicada - Capítulo 110


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Capítulo 110 - Consequências


Fanfic / Fanfiction Delicada - Capítulo 110 - Consequências

[...] – O grito desesperado de Gabe foi a ultima coisa que escutei antes de cair na névoa negra. [...]

                                                                            Gabe

Como tudo de repente saiu do controle? As coisas começaram ruins, agora estavam péssimas. Anna passou o final de semana inteiro me ignorando, não quis conversar quando nos encontramos no parque, nem na empresa, e ainda tive que escutar um sermão da Vanessa e vê-la enxotado a Lauren do andar como se fosse um bicho perigoso, quase tive um ataque quando ela exigiu que Anna voltasse com ela para o Brasil, e por um instante eu pensei que ela tivesse aceitado, e tivemos uma briga atrás da outra, mas nada disso importava, não mais. Meu pior pesadelo virou realidade.
Maldita Lauren, eu não acredito que ela abriu a boca para contar sobre a noite no bar, e isso tudo para ferir a Anna, como pôde? Eu vi meu relacionamento se acabar no momento em que Anna não quis me escutar e me deu as costas. Meu coração saiu da boca quando notei o carro indo com toda a velocidade para cima dela, eu não sei o que aconteceu, ela pulou segundos antes do carro a acertar, mas rolou sobre o capô, bateu no vidro e foi arremessada para o lado. O cara freou, mas tornou a acelerar e fugiu dali:
- ANNA – Gritei em plenos pulmões e corri para socorre-la. Me ajoelhei ao seu lado – Anna? Anna? Você pode me ouvir? Por favor, fale comigo – Ela estava deitada de lado e fiquei com receio de toca-la, não sabia se tinha algo quebrado – Meu Deus, por favor, fale comigo meu amor, por favor.
- Anna? – Eu olhei para cima e Luke veio correndo apavorado ao ver a cena, as pessoas começavam a se formar ao nosso redor, mas ninguém se importou em ligar para uma ambulância. – Minha nossa, o que aconteceu com ela?
- Um carro a atropelou, aquele desgraçado... Veio com tudo para cima dela. – Tateei meu bolso com as mãos trêmulas, peguei meu celular. – Merda, ta descarregado. Liga pra ambulância.
- Tá – Ele pegou mais do que as pressas e discou o número. Eu não tirava meus olhos dela temendo o pior.
- Meu amor, por favor, não me deixe, por favor. – Afastei a mecha do seu cabelo e para meu desespero vi uma poça de sangue se acumulando perto da sua cabeça – Oh! Meu Deus, não, por favor, Anna, por favor, resista, por favor. Eu to aqui, não vou sair do seu lado, me perdoe por tudo.
- Eles estão a caminho, vão chegar em alguns minutos – Luke pediu que as pessoas se afastassem e parassem de fotografar. – Não acredito no que ta acontecendo.
- Anna, acorde, por favor, acorde meu amor. Esse sangue perto da cabeça que está me preocupando, e se tiver quebrado algo?
- Não, não, não vamos pensar no pior, ela deve ter se cortado, é isso.
Meu coração estava acelerado, minhas mãos tremiam e eu só conseguia pensar no pior. O que ia ser da minha vida se Anna não sobrevivesse? Não teria mais sentido viver também, não sem ela. Eu vi a cena do seu acidente passando em câmera lenta diante dos meus olhos, e não pude fazer nada. Deus, eu jamais vou me perdoar se ela não se recuperar:
- Ela está bem? – A voz da Lauren gelou meu sangue. Isso era culpa dela, se não tivesse aberto aquela boca, Anna não teria saído furiosa daquele jeito e ter ido direto para a morte certa.
- Você não tem mais nada para fazer aqui, vai embora Lauren – Respondi com frieza.
- Eu sinto muito, jamais desejei que algo assim acontecesse com ela
- Vai embora – Rugi me virando para encara-la. Soltei um suspiro de alívio quando escutei as sirenas se aproximando. – Graças a Deus, a ajuda está vindo meu amor, você vai ficar bem. – Eles pararam e com rapidez de paramédicos treinados, eles tiraram a maca e vieram socorre-la. Levou alguns minutos para prende-la na maca e a levarem para dentro da ambulância.
- Quem vai acompanhar a paciente?
- Eu vou, sou o namorado
- Tudo bem
- Espera Gabe – Lauren segurou meu braço – Deixa-os irem, Anna já está sendo cuidada, nós vamos depois no seu carro.
- Me solta Lauren – Puxei meu braço e segui ate a ambulância, esperei que eles a ajeitassem lá dentro e então subi.
- Eu encontro vocês lá – Luke falou e eu apenas acenei com a cabeça.

Eu andava de um lado para o outro naquele corredor, como se estivesse enjaulado, mas na verdade me sentia nervoso, e totalmente impotente sobre a atual situação. Eu não conseguia parar quieto e minha cabeça trabalhava a mil por hora, eu poderia desabar a qualquer momento. Eu escutei alguns passos, olhei para cima e vi Ryan se aproximando rapidamente:
- Oi, eu vim assim que escutei seu recado – Ele me abraçou e aquele gesto foi reconfortante, era tudo o que eu precisava agora – Como está a Anna?
- Eu não sei, está há mais de uma hora indo de um exame para o outro e ninguém me fala nada, eu to começando a ficar preocupado com tanta demora
- Se acalma, vai dar tudo certo, essas coisas costumam demorar, mas ela vai ficar bem – Apertou meu ombro – E como foi esse acidente?
- Foi tudo muito rápido, o cara avançou com velocidade, eu não sei o que ela tentou fazer, mas pulou, só que foi atingida do mesmo jeito. O desgraçado fugiu sem prestar socorro.
- Não se preocupe, nós vamos descobrir quem fez isso. A polícia já foi acionada, e informei ao meu pessoal para ceder as imagens das câmeras de segurança a eles – Ryan me sacudiu levemente – Fique tranquilo, nós vamos encontrar o culpado e Anna vai sair dessa.
- Eu espero que sim, eu não sei o que vou fazer se tudo der errado... A ultima coisa que fizemos foi brigar... Eu estou morrendo por dentro a cada minuto sem receber uma notícia sua, eu quero pedir perdão.
- Calma, as coisas vão se acertar, tenha fé. – Ele olhou por cima do meu ombro – E quem é aquele?
- Luke
- Sério? E o que ele faz aqui? Como ficou sabendo do acidente?
- Acho que eles dois iam almoçar juntos, ele apareceu logo depois, eu não tinha forças para brigar, eu só me importei com a Anna.
- E está certo, não é hora para discussões.
De repente o médico saiu do quarto com uma prancheta na mão:
- Os parentes de Anna Lonergan?
Eu quase corri quando ele chamou:
- Eu sou o namorado dela – Respondi com pressa, Ryan e Luke se aproximaram.
- Certo. Sou o doutor Regan, eu que estou cuidando da senhorita Lonergan.
- Prazer, sou Gabe Scott. E como ela está doutor?
- Anna está bem, por sorte não quebrou nada, mas machucou o braço e tem um corte profundo na cabeça, mas já foi tratado. Tem algumas escoriações pelo corpo devido ao trauma. Ela bateu a cabeça e por isso continua desacordada, e só quando acordar poderemos saber se está sentindo algo errado, ou se teve alguma sequela.
- Ah! Ainda bem – Respirei aliviado. Ryan tocou meu ombro.
- Confesso que ela teve muita sorte, de acordo com o que foi descrito, um carro em alta velocidade a pegou, e saiu com poucos machucados. Foi um verdadeiro milagre.
- Eu não sei se faz diferença ou não, mas eu vi que ela pulou um pouco antes do carro a acertar.
- Oh! Sério? Que corajosa. Alguns especialistas em crises, dizem que se você conseguir pular em cima do carro que vem em alta velocidade, o impacto diminui, diminuindo também as chances de um acidente mais sério. Se Anna não tivesse sido tão rápida o pior poderia ter acontecido, quebrado algo, ou na pior das hipóteses, morrido.
- Ah! Nem fale isso
- Não se preocupe, ela vai ficar bem, só que ficará de observação hoje, quero examina-la quando acordar, por isso passará a noite no hospital.
- Tudo bem, eu fico aqui com ela – De jeito nenhum sairia do lado dela. 
- Ela continua inconsciente, e com os medicamentos que administramos, continuará desacordada por mais algumas horas.
- Ok, eu posso vê-la?
- Sim, ela está no quarto, eu vou ver meus outros pacientes, mas se precisarem de mim basta me chamar.
- Sim, obrigado doutor, por tudo. – Apertei sua mão e quase fiquei de joelhos para agradecer.
- Foi um prazer, é meu trabalho cuidar de todos. – Ele mostrou um sorriso – Se me derem licença – Se afastou sumindo no corredor.
- Viu só, eu disse que ela ia ficar bem – Ryan me abraçou.
- Graças a Deus, ela não quebrou nada, está tudo bem.
- Depois de tanto tempo finalmente vou poder respirar melhor – Luke respondeu, e como antes, eu não senti vontade de brigar. – Ela vai ficar bem, isso é tão bom.
Eu me afastei do meu amigo e toquei o ombro de Luke:
- Eu vou lá ver ela – Falei me afastando dos dois e indo para o quarto. 
Abri a porta e fechei lentamente, sem tirar os olhos de Anna que estava na cama. Com passos lentos eu me aproximei da sua cama, eu respirei aliviado por não encontrar nenhum tubo preso a sua boca, e diversas máquinas apitando, havia apenas o medidor de pressão em seu dedo, e o soro ligado a seu braço. Segurei no apoio da cama e senti vontade de chorar ao vê-la tão machucada, tinha um curativo em sua cabeça, o braço estava em uma tipoia, e alguns pequenos cortes por seu rosto e em outras partes do corpo. Agora com a roupa hospitalar eu podia ver suas pernas, seus joelhos estavam machucados e pequenas marcas roxas ganhavam forma pelas coxas e canelas. Eu queria desabar, mas não podia, tinha que pensar pelo lado positivo, nada de grave aconteceu, ela estava inteira, nenhum osso foi quebrado e não teve nenhum trauma irreversível.
Estiquei a mão e toquei gentilmente seu cabelo, tomando cuidado para não encostar no machucado:
- Oi princesa, eu sei que sou a ultima pessoa que quer ver agora, mas gostando ou não eu não vou sair do seu lado, vou continuar aqui, e sabe por que? – Funguei tentando conter as lagrimas – Porque você é a pessoa mais importante do mundo para mim. Eu só quero que saiba que sinto muito, por tudo. Eu fui um completo idiota, eu acho que só não queria acreditar que tudo aquilo estava acontecendo... Eu sou um tolo, eu sei, mas eu prometo que de agora em diante tudo vai ser diferente, chega de problemas, seremos eu e você como antes. – Segurei sua mão com delicadeza e beijei.

No final do dia muitas pessoas já tinham vindo ver a Anna, mas ficaram só alguns minutos, o médico pediu que as visitas fossem controladas, eu era o único que ficava o tempo todo lá, ate mesmo Sophia concordou. Quando ela apareceu eu sabia que começaria a guerra, diria que sou um homem terrível, que tudo era minha culpa e até esperei que me jogasse para fora do quarto, mas para minha grande surpresa, ela não fez nada disso, apenas olhou para irmã, quis saber o que o médico disse, ficou até a próxima visitar chegar. Eu fiquei a todo momento esperando uma palavra amarga, o início de uma briga, mas nada aconteceu, ela pegou o celular para falar com alguém da família, e antes de sair apenas disse “você está pagando por ter sido tão cego”, e então saiu. Eu sabia que ela voltaria mais tarde para saber da irmã, mas eu não estava preocupado com isso. Anna continuava dormindo, e não dava sinais de que acordaria hoje.
Eu me mexi, e na mesma hora senti dor no pescoço, e não é de se admirar, eu havia adormecido na cadeira do quarto e estava em uma posição nada confortável. Tinha tirado o paletó e gravata, me sentei aqui para esperar ou apenas receber os visitantes, mas quando todos foram embora eu me deixei cair na exaustão. Esfreguei os olhos querendo acordar, olhei para o relógio no meu pulso e constatei que era madrugada. Bocejei, e escutei um gemido, olhei para a cama e Anna estava acordando, dei um pulo da cadeira para ficar ao seu lado:
- Oi – Falei baixo.
- Hmm – Ela apertou os olhos e os abriu com dificuldade – A luz...
- Só um minuto – Eu me afastei e fui direto ao interruptor, desliguei as luzes deixando apenas a do banheiro acesa, para o quarto não ficar coberto pela escuridão, então voltei para o seu lado. Segurei sua mão – Pronto, melhor?
- Sim... O que aconteceu? – Ela conseguiu abrir os olhos.
- Você sofreu um acidente, não se lembra?
- Sim, sim, estou lembrando agora – Ela tocou a cabeça e fez careta de dor – Minha cabeça dói.
- Deve ser por causa do machucado
- Onde estou?
- No hospital
Ela respirou fundo e abriu os olhos novamente, mas dessa vez me colocou em seu campo de visão, ficando uns segundos para me observar:
- E você está aqui?
- É claro, eu jamais deixaria você – Puxei a cadeira sentando ao seu lado, beijei a costa da sua mão – Muitas pessoas vieram te visitar hoje, e fiquei aqui o tempo todo supervisionando para ninguém te incomodar. Eu estou tão feliz em ver você acordada.
- Gabe... – Sua voz era tão fraca, e parecia embargada.
- Não diga nada, não tem que se esforçar, precisa descansar. – Acariciei seu rosto, e uma lágrima escorreu por sua bochecha. – Não chore. – Ela segurou meu braço me puxando quase sem força, então me abraçou.
- Sinto muito
- Não, você não deve pedir desculpas por nada, eu que devo. Eu fiquei tão assustado com a ideia de perder você – Senti meus olhos marejados, ainda bem que estava com o rosto escondido do dela, e pude segurar o choro.
- Ah! Gabe
- Shhh! Não diga mais nada, está tudo bem, isso é tudo o que importa. – Me afastei lentamente para olha-la nos olhos – O pesadelo já passou, ok?
- Sim – Concordou e fungou, passei os polegares limpando seu rosto. Ela tornou a se ajeitar na cama.
- Está sentindo alguma outra dor além da cabeça?
- Sim, meu corpo todo dói, meu braço principalmente.
- Você o machucou quando caiu, está imobilizado, por isso não deve mexe-lo ate o médico dizer que pode – Eu apertei o botão chamando a enfermeira.
- Gabe, eu queria...
- Eu sei o que você queria – A interrompi – Mas agora não é hora para falarmos sobre isso, deve apenas descansar e se recuperar, teremos tempo para conversar depois.
- Desculpe – Foi o que ela respondeu antes da enfermeira entrar no quarto. Eu expliquei que Anna estava sentindo dor, ela receitou algumas medicações e foi buscar.
- Ela vai ficar sonolenta com esse remédio, mas a dor vai passar logo, pela manhã o doutor virá para vê-la.
Anna tomou o comprido que a enfermeira lhe entregou e voltou a deitar, não demorou para que ficássemos sozinhos de novo. Ela apertou sua mão na minha:
- Não quer ir para sua casa? A enfermeira disse que vou dormir com esse remédio, e acordar só amanhã.
- Não, eu não vou deixar você sozinha aqui
- Mas não tem onde você dormir, e não quero que fique dolorido nessa cadeira
- Não se preocupe com isso, veja, tem um sofá ali no canto, eu durmo lá. Eu não vou sair do seu lado.
- Obrigada – Sorriu. Ah! Como eu estava sentindo falta desse sorriso. Era a luz dos meus dias. Fiquei segurando sua mão e fazendo carinho em seu cabelo ate ela pegar no sono. Quando tive certeza de que estava dormindo profundamente eu levantei da cadeira, dei um beijo em sua testa e fui me ajeitar no sofá para dormir.


                                                                                   Lauren

Eu ainda estava impressionada com tudo o que aconteceu, eu jamais imaginei que ao atravessar a rua Anna seria atropelada. Confesso que não gosto nem um pouco dela, e que está atrapalhando meus planos, mas eu jamais desejaria que isso acontecesse a ela, ou a ninguém. Uma coisa é desejar que saia do meu caminho, outra é desejar sua morte, não sou santa, mas aquilo foi de dar medo. E o modo como Gabe me tratou, com certeza estava furioso comigo, e não era por menos, acabei me deixando levar pela raiva e joguei toda a merda no ventilador, me precipitei, estava quase conseguindo tudo o que queria, eles já estavam brigados e a cada minuto mais separados, mas acabei estragando tudo, agora Gabe vai ficar grudado na Anna e minhas chances irão por água abaixo. Não, eu não desisto fácil, tenho que achar uma maneira de contornar essa situação.
Então aquela confusão teve algo, ou melhor, alguém que me chamou muita atenção. Uma mulher estava parada na porta da empresa, e ela observava toda aquela situação com um sorriso sinistro no rosto, é quase como se estivesse gostando de ver Anna jogada na rua e sangrando. Ela sumiu assim que a ambulância chegou, mas eu percebi que ela era uma das funcionárias da Lencastre, estava com o crachá pendurado na cintura, mas daquela distancia não podia ver seu nome, mas vou dar um jeito de descobrir.
Agora estava chegando no hospital, tinha de mostrar que estava arrependida pelo o que disse, e parecer uma mulher resignada, assim ganharia pontos com Gabe, e com certeza o amoleceria. Assim que cheguei o corredor que levava ao quarto da nossa acidentada, vi que tinha algumas pessoas esperando, mas alguém que eu não esperava se levantou para me receber:
- Senhora Scott – Saudei com um sorriso.
- Lauren
- Como vai?
- Bem, e você?
- Bem também, só triste pelo o que aconteceu com a Anna, foi uma tragédia.
- De fato, um acidente realmente triste, mas por sorte ela está bem e com poucas sequelas.
- Que bom. Eu gostaria de vê-la.
- Eu acho que não será possível
- Por quê?
- Gabe está controlando as visitas, e também duvido muito que a deixaria entrar, muito menos perturbar Anna com sua presença.
- Ora! Senhora Scott eu não estou entendendo sobre o que está falando, eu só quero ver como ela está, não quero perturbar ninguém.
- Então vou pedir que vá embora
- Mas... – Eu fiquei sem reação diante da sua elegante grosseria.
- Eu sei o que está tentando fazer, também sei o que quer com meu filho. Conheço mulheres como você, tão dissimuladas quanto bonitas. Gabe herdou a maldição do pai de ter se envolvido com a mulher errada, e ser perseguido ao longo da vida por isso.
- Não, está errada Margot, eu jamais...
- Para você é senhora Scott, somente meus amigos e minha família me chamam pelo nome, você não é nem um nem outro. Eu lhe darei um aviso, não se meta na relação do Gabe com a Anna, os dois se amam e pelo jogo que está jogando você não sabe o que isso, não conhece o amor, então não tente sabotar o deles. Meu filho se casará com ela, e não permitirei que uma mulher vulgar como você atrapalhe. Agora vá embora.
- Quem a senhora pensa que é para falar assim comigo?
- Eu sou uma mãe que quer a felicidade do filho. Você não é o tipo de mulher que uma mãe iria querer ser apresentada pelo filho como futura nora. Anna sim, é uma mulher em todos os sentidos, é quem sempre desejei para ser a esposa do meu filho.
Eu fiquei de boca aberta com tudo o que estava escutando. Aquela velha era completamente sem noção. Eu não queria deixar transparecer, mas aquilo me machucou mais do que gostaria. Mantive minha cabeça erguida:
- Will, acompanhe a senhorita até a saída – O primo de Gabe se levantou com cara de surpreso, mas antes que chegasse perto eu respondi.
- Não será necessário, eu conheço a saída. – Me virei e saí dali com orgulho.

Velha maldita, abusada, infernal, como ela se atreveu a me dizer aquilo? Não sou mulher para ser apresentada como futura nora, ora, é claro que sou, um homem teria muita sorte de me ter como esposa, eu sou ótima, perfeita. Rosnei de raiva, e descontei na minha fatia de bolo que espetava sem parar com o garfo. E por causa dela eu não consegui ver Gabe e ensaiar meu teatro de boa samaritana. Merda. De repente um homem se aproximou da minha mesa no café:
- Você é Lauren Weber?
Reconheci pelo seu traje de típico ciclista, que ele era um entregador:
- Sim, por quê?
- Aqui – Tirou um envelope da mochila e me entregou.
- O que é isso?
- Não sei, só mandaram entregar. – Ele deu de ombros. Eu comecei a abrir envelope me perguntando quem tinha mandado e quem sabia que eu estava aqui, mas o entregador me mostrou seu telefone e tinha uma chamada atendida em andamento.
- O que é isso?
- A pessoa que te mandou o envelope foi bem clara ao dizer que assim que entregasse eu deveria ligar.
- O que? – Perguntei franzindo a testa sem saber do que ele estava falando. Ele me empurrou o celular e o peguei levando a orelha – Alô?
- Oi Lauren – Uma voz feminina soou do outro lado.
- Quem é?
- Oh! Já esqueceu? Pensei que ficaria marcada, já que marquei sua cara.
O latejar do meu rosto me lembrou a responsável:
- Vanessa
- Bingo. Você consegue ser esperta quando quer.
- O que você quer? E como conseguiu descobrir onde eu estava?
- Ah! Lauren, hoje qualquer pessoa que saiba mexer com informática pode rastrear uma pessoa. E devo dizer que seu rastro digital é uma bagunça, um adolescente inexperiente conseguiria te rastrear.
- O que? – Arregalei os olhos.
- Mas o que eu quero é que você veja o que tem dentro do envelope. Eu espero você abrir – Olhei para o objeto na minha frente e engoli em seco antes de pegar e abrir. Minhas mãos estavam suadas, e minha respiração acelerou quando vi diversos papeis contendo informações sobre a minha vida particular. Tinha fotos minhas no trabalho, na minha casa, na rua, em todos os lugares, assim como documentos da minha faculdade, minha identidade, tudo.
- Mas o que é isso?
- Isso é você. Eu disse que não deixaria barato, avisei que teria consequências se continuasse se metendo com minhas irmãs.
- Isso aqui é a minha vida
- Exato, e eu a tenho literalmente na palma da minha mão. Não é porque estou longe que deixaria você se safar assim tão facilmente.
- Você é uma maníaca, isso é privado, você invadiu.
- Não, eu tenho permissão para buscar a vida de qualquer pessoa, principalmente aquelas que representam uma ameaça para minha família.
- O que você quer? – Minhas mãos estavam tremendo.
- Quero que se afaste da Anna, e do Gabe também, apesar de ele não estar mais nas minhas graças, minha irmã o ama e sei que logo se acertarão. Mas para tudo ficar em paz de novo você tem que sumir, e estou te dando a chance de fazer isso pacificamente.
- E se eu não quiser?
- Bom, já assistiu Gasparzinho? Então, eu serei seu Gasparzinho particular, mas pode acreditar, eu não serei camarada.
- Você é louca
- Não, superprotetora. Faça as coisas por bem Lauren, e não adianta tentar me enganar, eu vou saber cada passo que der, eu tenho olhos em todos os lugares, jamais se esconderá de mim, vou saber de tudo. Então não me force a criar um problema fictício que arruinará sua vida.
- Você não se atreveria, não chegaria a tanto
- Se me conhecesse saberia que eu nunca blefo. Esse é o preço que se paga quando se metem com a minha família, eu não tenho limites para defende-los. Se afaste Lauren e prometo que deixo você em paz.
- Eu não gosto de receber ordens
- Então não faça coisas que obrigarão as pessoas te dar ordens. – Essa garota é completamente louca, e fiquei assustada quando olhei para todos aqueles papeis – Uma última coisa, qual foi sua participação no acidente da Anna?
- O que? Eu não fiz aquilo, jamais tentaria matar alguém
- Mas poderia ter pago alguém para fazer isso
- Não, eu não teria coragem, isso é cruel demais, ate para mim.
- Hunf! Bom saber, isso facilita as coisas para você. O recado está dado, se afaste e não haverá consequências pesadas, vá contra minhas ordens e cumprirei minha promessa de reduzi-la a pó. – Dito isso com dureza ela desligou. Eu fiquei uns segundos olhando para o celular antes de devolver ao rapaz. Ele pegou e estendeu a mão.
- O que ainda faz aqui? Já entregou o que devia, não tem gorjeta.
- Hunf! Que mão de vaca – Ele se virou e saiu do local. Eu espalhei os papeis sobre a mesa e comecei a ler, queria saber se alguma informação era falsa e só queria me amedrontar, mas quanto mais eu lia mais eu constatava que essa Vanessa não estava para brincadeira. É como ela disse, não blefava. Que merda. O que eu faço agora? Se está me vigiando, então como posso chegar ate o Gabe sem que ela saiba? Arrg! Malditas Lonergan.


                                                                                               Anna

Ainda sentia meu corpo dolorido, meu braço era o maior causador disso, eu mal conseguia move-lo, mas pelo menos a dor na minha cabeça havia passado. Eu acordei quase dez horas da manhã, e fui informada que havia recebido visitas, mesmo dormindo, e Gabe ficou ali o tempo todo. Aquele gesto me emocionou, me chame de idiota, mas aquilo me amoleceu. Dormiu na cadeira, e depois foi para o sofá, e eu sabia que estava dolorido, não era a sua confortável cama ortopédica, mas encarou aquele desafio para ficar perto de mim. Eu ainda estava brava por tudo o que aconteceu antes do acidente, mas acho que já era hora de sentar e resolver as coisas. Gabe só foi embora quando Luke apareceu e eu o convenci a ir para a empresa, relutantemente ele aceitou, mas prometeu voltar no almoço.
Meu amigo estava sentado do meu lado enquanto assistíamos um programa qualquer na TV. Eu lembrei da nossa conversa um dia antes do acidente:
- Parece que eu devia ter aceitado a sua oferta de ir viajar – Sorri. Ele virou o rosto e deu um sorriso de canto.
- É, devia ter aceitado mesmo, poderia ter evitado tudo isso
- Parece que sim –
Dei de ombros – Aposto que o litoral é mais divertido que esse quarto de hospital.
- Um pouquinho –
Entortou a boca, soltei uma risada nasal.
- Obrigada por vir
- Você é minha amiga, não te deixaria sozinha, mas fico me culpando pelo o que aconteceu.
- Por quê? –
Franzi a testa sem entender seu comentário.
- Se eu tivesse chegado mais cedo, se não tivesse me atrasado com o pessoal da dança...
- Não, não –
Peguei sua mão – Isso não é culpa sua, mas sim do cara que me atropelou, saiu em disparada no sinal vermelho, poderia ter acertado qualquer um.
- Mas acertou você, e se eu estivesse lá isso não teria acontecido
- Não diga mais nada, eu estou bem, estou inteira, logo vou sair daqui
- Eu sei, e isso me deixa feliz
- A mim também, quero ir para casa, tomar banho, colocar uma roupa e deitar na minha cama quentinha.
- Aposto que se não te derem alta hoje, Gabe vai dar um jeito de trazer sua cama para cá
- Há! Há! Aposto que sim

- Sabe, ontem ele estava para deixar todo mundo louco, estava tão preocupado que quase invadiu seu quarto para saber o que o médico estava fazendo.
- Verdade?
- Sim, o cara tava maluco. Eu vi o desespero dele quando você estava desacordada na rua, parecia que estava agonizando, ele implorava para que você acordasse, que não o deixasse –
Luke olhou para a cama e depois suspirou – Aquele homem viveu mil mortes por sua causa... Eu estou com raiva por tudo o que te fez passar, mas ontem... Ele estava tão desesperado, se sentindo tão impotente por não conseguir fazer nada que tive ate pena dele.
Acho que meu coração parou de bater por uns segundos, eu não gostei de saber que Gabe estava passando um diabo por minha causa, não era assim que eu queria que ele lamentasse, não por esse motivo, mas depois de tudo... Será que eu estou disposta a perdoa-lo?


 

Gabe

Eu não gostei de voltar ao trabalho e ter de deixar Anna no hospital sozinha, tá bom, sei que Luke estava lá para lhe fazer companhia, mas eu quem deveria estar lá. Eu fazia meu trabalho sem deixar de pensar por um momento nela, fiquei grudado com o meu celular caso ela ou alguém do hospital me ligassem, mas além de receber ligações e mensagens de empresários, também recebi da Lauren, mas ignorei todas, não queria conversar com ela, sua atitude de ontem ainda não descia na garganta.
Eu estava na sala do Ryan quando Josh saiu e ficamos a sós:
- E como está a Anna?
- Bem, está sentindo dores, mas pelo menos não teve nada grave.
- Isso é muito bom. E como ela reagiu quando te viu? Tentou te expulsar?
- Não, ficou surpresa, mas não disse nada que mostrasse estar incomodada com a minha presença. Pelo contrário, ate me tratou carinhosamente, ficou preocupada que eu acordasse dolorido por dormir no sofá.
- Parece que esse acidente de certa forma ajudou vocês
- Pode-se dizer que sim, eu fiquei esperando que me rejeitasse como das outras vezes, mas não. Ficou tranquila, e isso me deixou muito feliz, é um sinal de ainda podemos nos acertar.
- É claro que sim, vocês se amam, só precisam colocar as diferenças de lado e deixar o amor prevalecer.
- Tudo o que eu mais quero é voltar a ter minha vida de maravilhas com a Anna, principalmente porque daqui a duas semanas completaremos dois meses de namoro.
- Sério? Caramba, como passa rápido.
- Pois é, o primeiro não comemoramos porque estávamos brigados, e não quero que esse seja igual.
- E qual vai ser a surpresa?
- Hmm!
- Não me diga que é um anel de noivado?!
- Há! Há! Não, na verdade eu não tinha pensando nisso, mas posso considerar.
- Há! Há! Há! Deus do céu como as coisas mudam, há alguns meses atrás você estava sentado exatamente aí me afirmando que a mulher que te prenderia não existia, e pouco tempo depois você pagou pela sua língua.
- Nunca diga nunca, já dizia minha mãe. – Sorri ao lembrar do meu passado, antes de Anna chegar, como eu era diferente. Agora aquele anjo ruivo povoava meus pensamentos e tudo o que eu queria era tê-la em meus braços. – Ryan, eu queria te pedir um favor.
- Se estiver ao meu alcance
- Eu quero que me dê uns dias de folga
- Para que?
- Eu quero viajar com a Anna, as coisas estão muito tensas por aqui, nós precisamos relaxar um pouco. Ela não poderá vir trabalhar por causa do acidente, e quero aproveitar esses dias para nos reencontrarmos.
- É um pedido bem em cima da hora, como vai ficar seu setor sem o gerente?
- Josh pode tomar conta durante esses dias
- Pode ser, se ele concordar, mas de quantos dias você está falando?
- Pelo menos quatro
- Hmm! Tudo bem, isso pode ser arranjado. – Ele se recostou em sua cadeira.
- Obrigado irmão, eu preciso muito resolver as coisas com a Anna, e sei que se ficarmos sozinhos longe de tudo isso aqui vamos nos acertar.
- Eu sou o primeiro a torcer pela sua felicidade meu amigo, e cederei esses dias para que o casal volte recuperado
- Tomara que sim – Sorri. Respirei fundo pensando na viagem, resta agora falar com Anna e convence-la a ir.   

 

Continua...



 


Notas Finais


Muito bem meus amores esse foi o capítulo de hojeee!!!

Advinha quem está tremendo nas bases??? SIIIMM, ela mesma, Lauren, agora ta sentindo o peso da ameaça da Vanessa, e o negócio vai pegar fogo rsrsrs

Podem respirar aliviadas, Anna está bem, e teve um momento muito fofo com Gabe, acho que eles precisam colocar um ponto final nessa história né? Vocês aceitariam ir nessa viagem com Gabe? Ou acham que o orgulho deve massacrar ele mais um pouco?

Ok! É tudo por hoje, vejo vocês no próximo capítulo! Bjss


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