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História Delicada - Capítulo 128


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Capítulo 128 - O resto de quase nada


Fanfic / Fanfiction Delicada - Capítulo 128 - O resto de quase nada

[...] – Nós saímos do quarto para deixa-lo dormir. [...]

         Ryan

Eu desabei no sofá da minha casa, estava esgotado, esses dois últimos dias foram intensos, entre reuniões e trabalhos, teve a crise do Gabe ontem e hoje pedi para alguém ficar de olho nele caso saísse de sua sala, mas parece que o único momento em que saiu foi para pegar seu almoço e voltou. Hoje pela manhã eu liguei para Will, e ele me disse que Gabe acordou calado, não disse uma palavra, nem mesmo para perguntar o que tínhamos dado para que dormisse, nada, e isso me preocupava. Eu tinha medo desse silêncio, e do que poderia vir com ele, Gabe está tão deprimido que temo que acabe entrando em depressão e isso acabaria não só com ele, mas também com todos a sua volta, inclusive eu. Peguei o celular do bolso e disquei o número da Anna. Começou a chamar, tocou, tocou, tocou e tocou, eu já estava perdendo as esperanças quando finalmente escutei sua voz:
- Ryan?
- Oi Anna, que bom falar com você
- Digo o mesmo, fiquei surpresa com sua ligação
- E eu com sua ida
- É, eu imagino – Escutei seu suspiro.
- Eu queria conversar com você, está ocupada?
- Não, você pode falar
- Ótimo. – Respirei fundo procurando as palavras certas – Eu queria entender o porquê da sua ida tão repentina.
- Acredite, não foi repentina, eu pensei por muito tempo, as coisas entre mim e Gabe não estavam boas há muito tempo, sim, tivemos aquela viagem e eu achei que tudo fosse se resolver, foram dias maravilhosos, nos reconectamos de novo, mas bastou retornar para a realidade que tudo desandou. Não podíamos viver eternamente em Laguna, o nosso sonho, tínhamos que voltar para a nossa vida, e todos os nossos problemas vieram com ela.
- Eu entendo, mas vocês tinham de ter sentado para conversar, você deveria ter falado tudo isso a ele.
- Mas eu disse
- Não, você disse quando estava com raiva, não foi uma conversa, foi uma discussão
- Ah! Eu sei, nós discutimos bastante, mas estava impossível ter uma conversa civilizada com ele, bastava tocar no nome da Lauren que ânimos se exaltavam.
- Eu posso imaginar, nunca foi um assunto divertido para se conversar. Confesso que eu nunca gostei dela, nem mesmo na época da faculdade, e também nunca entendi por que esses dois resolveram namorar, tava na cara que não se gostavam, e Gabe... Bom... Fidelidade era uma palavra que não existia em seu dicionário.
- É eu sei disso... Só um instante Ryan – Ela me pediu –
Vanessa, eu vou querer também, guarda para mim... – Ela falou em seu idioma, e não entendi nada, exceto o nome da sua irmã, a mulher mais difícil de se encontrar. Como eu queria pedir para que Anna passasse o telefone para ela e assim, pudéssemos conversar, mas isso teria de esperar, meu amigo precisava da minha ajuda. – Ryan?
- Estou aqui
- Desculpe, aqui em casa é sempre uma guerra na hora do jantar
- Não tem problema – Eu sorri imaginando sua reunião em família.
- Ryan...
- Sim?
- Como... Como ele está? – Eu notei sua relutância em perguntar.
- Está mal, e acredito que pode piorar com o passar dos dias. Ontem ele estava fora de controle, estava decidido a ir para o Brasil a sua procura para que dissesse na cara dele que não o queria mais. Com muito esforço nós conseguimos impedi-lo, mas tive que dopá-lo.
- Oh! Meu Deus...
- Anna, eu sei que você foi embora para poder colocar os pensamentos em ordem, queria ficar perto da sua família nesse momento, mas Gabe não está sabendo lidar com tudo isso, ele está desesperado, e chora sem parar, e eu nunca o vi chorar por mulher nenhuma, nem mesmo pela mãe. Ele ama você, mais do que tudo, e sei que é recíproco. Você não acha que poderiam se dar mais uma chance?
- Eu não sei, eu juro que não sei...
- Por que escreveu aquela carta ao invés de falar pessoalmente?
- Eu não conseguiria dizer, eu não suportaria ver Gabe sofrendo
- Você não seria capaz de perdoá-lo?
- Acredito que não agora, eu estou machucada, sempre que penso no que vi quando fui ao apartamento dele, eu me afasto ainda mais de ceder o perdão. Eu estaria mentindo se o aceitasse, não seria verdadeira com ele e muito menos comigo, nossa relação ia ser diferente, e eu não queria estragar minhas boas lembranças, por isso eu fui embora, para me recuperar, para tentar achar o perdão.
- Mas Anna, isso o que vocês possuem é algo muito raro, pessoas morrem sem saber o que é amar e ser amado, e o amor é sinônimo de perdão.
- Eu sei Ryan, eu sei disso tudo, mas eu simplesmente não consigo perdoá-lo. Entenda, eu amo o Gabe, ele é o amor da minha vida, mas me magoou muito. Eu implorei a ele que se afastasse da Lauren, se estamos separados não foi por falta de aviso, e isso me motivou a acabar com tudo, não foi algo que aconteceu ao acaso, ou que não notamos, ele deixou chegar a esse ponto, eu pedi várias e varias vezes, mas me ignorou, todas as nossas brigas eram pelos mesmos motivos.
- Hunf! Eu acredito em você, eu mesmo pedi a ele que se afastasse, mas o cabeça dura acreditava que poderia lidar com essa situação, que o contrato deveria ser assinado, e que os dois não falariam sobre o passado.
- É, ele acreditava que poderia lidar com ela sem ter problema, mas olha no que deu. – Ela suspirou e quase podia jurar que estava chorando – Não é fácil para mim ficar longe dele, Gabe está marcado na minha pele, mas mesmo amando-o como uma louca, eu não posso relevar tudo, muito menos impedir de me magoar. Não dá, eu não posso perdoar o Gabe, sempre que eu fecho os olhos vejo os dois na cama, e isso me mata.
- Ainda sim, você deveria ter ficado, os dois deveriam ter conversado, se dado uma chance de pouco a pouco tentar retomar o relacionamento, vocês se amam, uma hora ou outra esse amor falaria mais alto
- Nesse momento eu não tenho certeza de nada, e muito menos consigo pensar em uma solução, me afastar de tudo que me machucava foi a única decisão que tomei – Ela suspirou cansada – Ryan, eu sei que quer defender seu amigo, e deseja o melhor para ele, mas eu realmente não quero mais falar disso, estou cansada desse assunto, e acredite, eu não estou melhor do que ele.
- Tudo bem, eu não vou falar mais. – Ela não estava disposta a chegar em um ponto, e isso era muito ruim.
- Obrigada, foi muito bom conversar com você, e me desculpe por ter saído assim e desfalcado a equipe, você é o chefe do meu chefe.
- Foi uma grande perda, eu só tinha elogios sobre seu trabalho, mas eu entendo, e não se preocupe, se quiser voltar terá uma vaga para você.
- Obrigada, mas acho que vou ficar por aqui.
- De coração eu espero que você volte, mas ate lá, eu quero que fique bem e que vocês dois se acertem, é impossível que sejam felizes longe um do outro.
- Talvez... Boa noite Ryan.
- Boa noite Anna – Desliguei. Joguei a cabeça para trás soltando o ar – Merda. 
  


                                                                                                            Anna

Eu perdi o apetite depois dessa ligação, mas tive que me forçar a descer para jantar, ou então alguém subiria para saber o que tinha acontecido e não queria mentir mais, e só por isso forcei um sorriso e comi um pouco.
No outro dia eu estava sozinha em casa, todos tinham saído para trabalhar, fiquei olhando para o meu celular por vários minutos decidindo o que faria. Até que tomei coragem e o peguei, desbloqueei o número de Gabe e como eu já esperava, uma enxurrada de mensagens começou a chegar:
- Anna, por favor, vamos conversar, as coisas não aconteceram como você pensa... Por favor, me atenda, me deixe explicar, eu não sei o que aconteceu, nem como a Lauren veio parar aqui, por favor, acredite em mim, eu te amo... Anna, meu amor eu estou desesperado, fale comigo... Você estava tão linda na festa, eu vi você desde o momento que chegou, e meu coração parecia que ia saltar do meu peito, e por um momento, quando me deixou te abraçar, eu pensei que poderíamos nos acertar, que a teria em meus braços de novo. Anna, eu te amo e sinto tanto a sua falta, por favor, vamos conversar, não podemos ficar assim, essa separação só está nos machucando ainda mais, fale comigo princesa. – Havia outras, mas eu não consegui ler, as lágrimas embaçaram minha vista, larguei o celular, e me recostei na cabeceira da cama para chorar.
Eu estava tão ridícula, uma coisinha pequena e acabada, encolhida, olhando para a janela e soluçando esperando que minha alma fosse lavada. Ergui um dos joelhos e o deixei perto para apoiar meu braço, e a mão perto da boca. Eu sentia meu coração sangrar, nada estava certo, nada estava no lugar, eu queria me afastar para por os pensamentos em ordem, mas eu sofria a cada dia mais, e depois da conversa que tive com o Ryan e soube do estado de Gabe, fiquei ainda pior. Eu detestava saber que ele estava sofrendo, e por minha causa. Mas por que eu não conseguia perdoá-lo? Por quê? Eu poderia jogar tudo para o alto e ir atrás dele se conseguisse perdoar, mas não dá, algo me impedia.
- Anna? – Escutei a voz da minha irmã, e me encolhi ainda mais na cama. – Você está aqui? – Eu não respondi, não queria falar com ninguém e muito menos que eu alguém me visse.
Eu escutei a porta do meu quarto se abrindo e tentei esconder o rosto:
- Hey! Estava te procurando. Queria saber se não quer ir a doceria?
- Não estou animada para ir – Minha voz saiu fraca.
Ela não respondeu, mas escutei seus passos e logo em seguida sentou ao meu lado. Tocou meu rosto empurrando meu cabelo e foi impossível continuar me escondendo:
- O que foi? Por que está chorando?
Marie pulou na cama e se aconchegou a mim como se quisesse me confortar, eu queria parar de chorar e dizer que estava tudo bem, mas eu não podia me enganar, e nem a Vanessa. Eu tinha um nó em minha garganta, e apertei os olhos tentando suprimir tudo:
- Mana, fala comigo, o que aconteceu? – Tocou meu braço. Eu soltei um soluço não aguentando mais.
- Ah! Eu estou morrendo de saudade dele – Solucei e cobri o rosto com uma das mãos.
- Oh! Mana – Ela sentou atrás de mim e me abraçou – Não fica assim.
- Eu sinto tanta falta dele... Meu peito está doendo, eu sinto que ele não está bem
- Então por que não volta para Nova York e acaba de uma vez com essa situação?
- Porque eu não consigo perdoar ele, e eu me odeio por isso, tem algo me impedindo, algo muito forte, tudo o que eu mais queria era sair daqui e voltar correndo para ele, dizer que o amo e o perdoo, mas não dá, algo me puxa, e isso está me deixando em estado de nervos – Continuei chorando.
- Você ainda está ferida, é por isso que não consegue perdoar, seu orgulho está te impedindo, precisa de tempo para cicatrizar a ferida em seu coração, e só então vai se sentir pronta para deixar tudo para trás.
- Vanessa, eu sinto como se estivesse morrendo pouco a pouco, eu nunca pensei que um dia fosse amar tanto alguém como eu amo ele, e isso dói, uma parte de mim está faltando, isso me dá ate falta de ar.
- Fique calma, você precisa de tempo, só isso, quando tudo isso passar vocês podem ate se acertar.
- Gabe tentou vir para cá, para tirar satisfações, ele acha que eu não o amo, e Ryan o impediu, teve até que sedar ele como se fosse um animal furioso... Eu fiquei tão mal em saber disso, isso aconteceu por minha causa.
- Não...
- É por minha culpa que ele está assim – Abaixei a cabeça chorando desamparada.
- Não, ele está assim porque ama você, e também sofre com essa separação. Mana, eu ainda continuo achando que sua vinda foi muito precipitada, vocês dois se amam, Gabe é louco por você, uma hora iam se perdoar.
- Por favor, Vanessa, não me faça sofrer mais do que já estou sofrendo. – Eu soltei um suspiro que mais parecia um rugido de dor. – Está doendo... Eu só quero que passe. – Ela me puxou para seus braços para me consolar.
- Vai passar, acredite, dói no início, parece que tudo vai desmoronar e você não vai aguentar, mas depois de um tempo acaba se acostumando, e pouco a pouco a vida vai voltando ao normal e você se conforma. Eu não vou mentir, demora, mas uma hora você se recupera.
Nos deitamos, mas continuei agarrada a ela, não conseguia parar de chorar e seu consolo era o que estava me ajudando agora:
- Chora mana, pode chorar, deixa essa dor sair, vai se sentir melhor depois. Eu vou estar aqui com você – Beijou minha testa. Marie miou e se meteu entre nossas pernas – Viu?! Ate sua gatinha quer te consolar.
- Ela é louca por Gabe, também está sentindo a falta dele – Fiz carinho em sua cabeça.

Essa foi a última vez que eu chorei por ele, e isso já faz uma semana, e durante esses dias recebi apenas uma única mensagem dele que dizia:
- Se é isso o que quer, manter distância, eu respeitarei seu espaço e seu tempo. Ainda te amo. – Isso me causou uma sensação ruim, eu sabia que o perderia uma hora ou outra, e me dava um mal estar terrível só de pensar nisso.
Eu decidi que hoje iria ajudar minha mãe na doceria, ela tinha muitas entregas para fazer e precisa de ajuda. Passei em frente ao escritório do meu pai quando me chamou:
- Anna – Eu dei meia volta e apareci em sua porta.
- Sim?
- Entre, eu queria falar com você – Ele fez um gesto para que eu sentasse no sofá encostado na parede.
- Diga pai
Ele suspirou como sempre fazia quando ia começar uma conversa difícil, meu pai nunca foi de rodeios, gostava de dizer a verdade nua e crua, e também não era de demonstrar muitas emoções, mas sempre que precisava conversar com um de seus filhos, fazia um esforço para ser gentil e tomar cuidado com as palavras:
- Querida, eu acho que você me deve satisfações
- Satisfações? Sobre o que?
- Você está aqui há uns dias, disse que ganhou uma folga de tempo indeterminado, mas nós dois sabemos que isso não é verdade. Ninguém libera um funcionário por tanto tempo assim, nem mesmo por um trabalho bem feito.
Minhas mãos começaram a suar e engoli em seco:
- Não, é que...
- Você está escondendo algo, eu conheço você, conheço muito bem. Você quase não comenta sobre seu trabalho, sobre sua vida lá, e sempre que fala se refere ao passado, e nunca no futuro. E também notei que quando tocamos no nome do Gabe você fica triste, e também não recebeu nenhuma ligação dele – Eu abaixei a cabeça – Filha, desde que chegou você não sorriu uma única vez, e isso levanta suspeita porque sempre foi tão alegre, gostava de sair com seus irmãos, com seus amigos, e nada disso aconteceu, você vive cabisbaixa e trancada no quarto.
- Pai... Eu...
- Eu não te pressionei antes porque não queria que ficasse mais triste, mas acho que já está na hora de me contar a verdade – Ele ficou calado por uns segundos – Anna, por que você realmente voltou?
Mordi o lábio inferior com receio de dizer a ele e despertar sua raiva contra Gabe, e não queria que isso acontecesse:
- Princesa, você sabe que pode falar para mim, sou eu, seu pai, sempre conversamos sobre tudo – Eu o escutei levantar de sua cadeira para sentar ao meu lado e segurar minha mão – Me diga. É por causa do Gabe, não é?
Eu acenei com a cabeça:
- O que aconteceu?
- Digamos que eu e Gabe nos desencontramos, chegamos em um ponto em que nossos mundos acabaram se confrontando.
- Vocês terminaram?
- Sim
- Por quê? Você estava tão feliz.
- Eu sei, mas nós dois não estávamos sendo nós mesmos, e não dá para fingir ser o que não é para sempre, e enxergamos isso. Nossa história foi muito bonita, eu o amei de verdade, ou melhor, ainda o amo, ele me mostrou muitas coisas, me fez olhar o mundo de outra perspectiva e eu sempre vou agradecê-lo por me fazer sair da minha concha e aproveitar a vida.
- Oh! Querida – Ele me abraçou dando um beijo em minha testa – Eu sinto muito.
- Eu também – Me afastei para olhá-lo nos olhos – Mas não se preocupe comigo, eu não vou ficar muito tempo parada, pretendo encontrar um emprego por aqui, e não darei mais trabalho para vocês.
- Ora! Para com isso, sabe que não é trabalho nenhum, você é minha filha e jamais a deixarei desamparada, e esta é sua casa, não precisa de permissão ou de tempo para ficar, faça as coisas com calma, leve o seu tempo.
- Obrigada pai – Beijei sua bochecha, então coloquei os pés no sofá e recostei minha cabeça em seu colo.
- Eu não me conformo com o término dos dois
- O que? Pensei que não gostasse dele.
- Eu nunca disse isso. Você é minha filha mais nova e ele foi o primeiro homem da sua vida, é claro que eu não aceitei bem, nenhum pai aceita, mas eu via o brilho em seus olhos quando falava dele, e naquele dia que nos conhecemos eu notei o mesmo brilho nos olhos dele e tive certeza de que fora sincero quando disse que te amava. – Acariciou ao longo do meu braço.
- É...
- Eu sou homem, e apaixonado, percebemos quando outro homem fala do fundo do coração que ama uma mulher, que é verdadeiro, isso não dá para esconder, e Gabe ama você.
- Nós tivemos tantos problemas, um pior que o outro
- Relacionamento é assim mesmo, tem seus altos e baixos, e é nesses problemas que descobrimos quem é forte o suficiente para ficar.
- Eu tentei pai, eu juro que tentei, mas não consegui, eu estava cansada, não tinha mais forças para lutar, e por isso vim para cá, para me recuperar.
- Eu entendo, mas querida o amor é muito complicado, ele tem um pacote muito complexo, tem dor, tristeza, alegria, companheirismo, etc. Se você o quer então tem que aceitar tudo isso, só quem tem coragem de passar por tudo isso pode viver um imenso amor.
- Eu sei – Inspirei e expirei profundamente – Eu não sabia que o senhor entendia tão bem de amor.
- Bom eu sou casado com sua mãe, e depois de tantos anos eu tinha que aprender alguma coisa – Ele deu de ombros e sorriu, assim como eu. – Querida, eu sei que está triste e ate mesmo zangada, mas se você ama de verdade aquele rapaz então não o deixe escapar, pois no futuro pode se arrepender por ter desistido.  
- Eu sei sobre tudo isso o que está falando, mas para falar a verdade, eu não tenho cabeça para pensar no futuro, no Gabe e nem na nossa relação. – Eu não contei a ele sobre o real motivo por termos nos separado, a traição. Meu pai jamais aceitaria que eu voltasse para Nova York, muito menos deixaria Gabe chegar perto de mim, ele não perdoa traição, não é atoa que Vanessa é a filha que mais se parece com ele.
- Tudo bem, pense, se quiser ficar eu a apoiarei e não tocarei mais no assunto, mas se resolver voltar saiba que também terá meu apoio. Eu só não quero que se arrependa, os dois se amam e acredito que vale a pena lutar por esse amor.
- Eu prometo que assim que eu me recuperar voltarei a pensar nisso, com mais calma e sem tanta tristeza.
- Ok. Só quero que seja feliz, é um dos meus três tesouros – Fez carinho em meu cabelo. Ele sempre dizia que nós três éramos os tesouros e Kaio o pirata.
- Obrigada – Sorri. Eu adorava meu pai, nós sempre nos entendíamos muito bem, ele me dava força quando eu sentia que já não aguentava mais e me ajudava a seguir em frente. Ele era tudo para mim – Pai...
- Hmm?
- Não diz nada para a mamãe, mas eu sempre gostei mais do seu colo
- Há! Há! Há! – Ele riu, e sua voz grossa e charmosa encheu a sala. – Pode deixar, eu não direi nada.


Gabe

Já se passou uma semana. Uma semana em que não recebo nenhuma notícia, que enviei a última mensagem, e um pouco antes disso a última vez em que a vi. Agora eu sou esse cara insignificante sentado perto da varanda olhando a tempestade cair lá fora, era como se eu estivesse olhando para o meu próprio interior, triste, frio, tempestuoso e amedrontado. Eu me sentia vazio, melancólico, tudo o que eu via me lembrava ela, essa casa, o quarto, o banheiro, tudo, e isso dói, mas também me conforta, pois é o máximo que chegaria perto dela. Eu passei os últimos dias chorando, me lamentando por tudo o que aconteceu, me odiando por cada minuto que perdi e por ter sido enganado.
Girei o anel entre meus dedos e olhei para ele. Lembro que ela me deu de presente junto com o relógio, esse que tirei do pulso para ler a mensagem gravada embaixo:
- Com você o tempo para. Te amo. Anna. – Li em voz alta. Seus olhos nesse dia brilhavam mais que cristais no sol, seu sorriso tímido mexia com meus sentidos e o rubor em suas bochechas aquecia meu coração. Eu estava tão feliz aquele dia, e quase chorei quando ganhei esses presentes. Levei o anel aos lábios e beijei – Ah! Meu amor, eu queria que o tempo tivesse parado, ou ate mesmo voltasse, assim poderia consertar meus erros. Que falta você me faz.
Nada mais tem graça, tudo deixou de me importar, o brilho que eu via na minha vida se apagou, eu saí do modo automático para viver no modo mecânico, fazia as coisas por fazer, eu não estava mais vivendo, apenas sobrevivendo. Do que me adiantaria ter tudo isso se não tinha mais com quem compartilhar? Eu daria tudo o que tenho se isso trouxesse Anna de volta. Apertei o relógio em minha mão e a raiva que sentia ao lembrar do que aconteceu voltou para me atormentar, ela sempre estava ali, qualquer pensamento no passado a acendia, esse era um dos poucos sentimentos que me restaram.
De repente alguém bateu na porta do meu quarto:
- Gabe?
- O que? – Respondi a Will.
- Eu vou pedir comida, você quer?
- Não, estou sem fome
- Você praticamente não comeu o dia todo, mal comeu uma fruta hoje de manhã.
- Não estou com fome
- Gabe, se continuar assim vai ficar doente
- Vai embora, eu quero ficar sozinho
- Gabe...
- Vai – Falei com um pouco mais de dureza. Eu não queria ver ninguém, muito menos comer algo, havia um nó em minha garganta que não deixava passar nada. A porta se fechou e levantei da cadeira, fui em direção ao closet. Olhei entre minhas roupas e encontrei um vestido de cetim, era de dormir, um dos poucos que ela deixou. Peguei e cheirei, ainda tinha o seu perfume. Eu saí e fui direto a penteadeira, toquei a cadeira que mandei fazer especialmente para ela, já que passava bastante tempo cuidando dos cabelos e se maquiando, fazer isso em pé cansava mais que o normal, e eu sempre pensava em seu conforto. Ah! Seu cabelo, como eu o amava, tão lindo, de uma cor única, seu cachos perfeitos e alaranjados, eu adorava acordar e vê-los espalhados pela cama e ate mesmo em meu rosto, tinham um cheiro tão bom. Peguei um de seus cremes preferidos e o cheirei, engraçado, o cheiro ficava bem melhor em seus cabelos. Anna, sabia o quanto eu os amava e gostava de cuidar deles para me agradar, sempre escolhendo o produto mais cheiroso e marcante. Eu perdi tudo isso. Agora eu acordava sozinho em minha cama, sem cabelos raivosos, sem cores vibrantes sobre os travesseiros, sem cheiros doces, sem um corpo quente agarrado ao meu, sem olhinhos verdes sonolentos, e sem o sorriso preguiçoso, eu não tinha mais nada, exceto esse vestido. Olhei para ele enquanto ficava de pé – Parece que você será meu único companheiro pelas próximas noites. – Caminhei ate a cama, passei para debaixo das cobertas e apertei o vestido próximo ao meu rosto. Isso era tudo o que eu tinha, tudo o que me restava da época em que fui um homem completo, e o mais feliz dessa terra. Era só o que eu tinha, a saudade e o vestido.        

 

Continua...
 


Notas Finais


Muito bem, quem mais chorou? Além de mim... Sim, chorei, escrevi, mas senti a dor. É muito triste ver os dois se definhando assim, dá para ver de longe que nenhum está se quer perto da felicidade. O desespero que a Anna sentiu por causa da saudade, e o descaso que Gabe está tendo com a própria vida, isso dói bastante!!

Um raio de esperança para vocês, em breve eles se encontrarão, mas só vou dizer isso.

Ok! É tudo por hoje! Vejo vocês no próximo capítulo!! Bjsss


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