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História Delicada - Capítulo 136


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Capítulo 136 - Afinal, o amor também tem sua culpa


Fanfic / Fanfiction Delicada - Capítulo 136 - Afinal, o amor também tem sua culpa

[...] para observar Gabe dormir, e ter certeza de que não teria outra crise.  [...]

                                                                                                  Gabe

Eu sentia meu corpo pesado, mas ao mesmo tempo parecia que eu tinha perdido uns 10 quilos, minha cabeça parecia estar dentro de um barco em meio a ondas pequenas, ia de um lado para o outro, mas por sorte não estava doendo. Eu me sentia anestesiado, em termos gerais. Abri os olhos lentamente para me acostumar com a claridade, sei que minha noite foi um borrão do qual não lembrava de nada, mas sabia que algo tinha acontecido. Mexi meu braço e foi então que senti algo em minha mão. Olhei para baixo e vi que era a mão de Anna, ela dormia tranquilamente ao meu lado e mãos dada comigo. Eu não me mexi, fiquei ali observando-a, como eu senti falta de acordar com essa bela vista, a única coisa que faltava era ver seu cabelo solto e espalhado por todo o travesseiro tomando conta de cada pequeno espaço. Só de tê-la ao meu lado eu me sentia o homem mais feliz da terra. Acordar, e ver seu rosto era o meu maior desejo nos dois últimos meses, eu odiava despertar nessa cama grande e sozinho, eu a queria comigo, seu lugar era ao meu lado, exatamente como está agora. Anna fazia parte da minha vida, estava gravada na minha pele, era um pedaço de mim, e eu precisava da minha outra metade de volta. Estiquei o braço, e delicadamente com a costa dos dedos acariciei seu rosto:
- Você é tão linda princesa – Sussurrei. Continuei com minha trilha de carinhos, e como de costume ela mexeu o canto da boca, depois arrebitou o nariz, puxou o ar e por fim, abriu os olhos vagarosamente. Levou alguns segundos para despertar, então olhou para mim e depois para o quarto.
- Gabe?
- Oi
Ela se apoiou nos cotovelos e levantou:
- Nossa, eu acabei dormindo aqui
- Eu não queria te acordar, estava dormindo tranquilamente
- Não, tudo bem, era cansaço – Esfregou os olhos e voltou a me observar, e parece que algo despertou dentro dela transformando seu rosto sonolento e uma ruga de preocupação – Você está bem? Sente algo?
- Não, estou bem, só com fome – Esbocei um fraco sorriso. – O que aconteceu?
- Você não lembra de nada
- Não muito, só que comecei a sentir meu corpo tremer e depois tudo ficou escuro, não lembro de mais nada.
- Você teve uma febre muito alta, estava tremendo e delirando, foi reação do remédio. Eu fiquei muito preocupada, e tive de chamar o Jaime.
- O doutor Cooper?
- Sim, eu liguei para ele e ate o acordei. Ele chegou muito rápido, medicou você e em poucos minutos começou a melhorar – Ela me mostrou uma pequena área avermelhada em meu braço – Ele aplicou o medicamento.
- Nossa, eu não lembro de nada
- Melhor assim. Eu acordei angustiada, sabia que algo estava acontecendo, e quando entrei no seu quarto e o vi em tal estado. Graças a Deus que eu estava aqui – Ela se lançou para frente, me pegando de surpresa em um abraço – Eu tive tanto medo, você não parava de tremer, estava tão quente quanto fogo.
- Eu sinto muito, nunca quis te preocupar
- Eu estava morrendo de medo de que fosse algo grave, que a infecção estava piorando, tantas coisas ruins passaram pela minha cabeça – Ela escondeu o rosto na curva do meu pescoço. Dei um beijo em seu ombro e acariciei sua costa.
- Está tudo bem, eu estou melhor
- Eu sentei aqui ao seu lado e fiquei observando-o dormir, atenta a cada movimento seu, e rezando para que tivesse um resto de noite tranquilo e sem mais problemas. Eu nem sei como consegui dormir... – A aflição em sua voz me angustiava.
- Sinto muito, não queria que passasse por isso – Dei outro beijo em seu ombro – Mas já passou, eu estou me sentindo ótimo.
- Ah! Ainda bem, eu não sei o que teria feito se não tivesse melhorado
- Está tudo bem princesa, já passou
- Quanto medo eu senti – Me agarrou com força e eu só podia consolá-la pelo susto que levou por minha causa. Sua mãozinha tocou meu rosto, se afastou do meu pescoço e para uma surpresa maior ainda, ela me beijou. Um longo e aliviado selinho. Seus lábios ainda continuavam tão macios, mas não tive tempo de prová-los como gostaria, pois o beijo acabou tão rápido quanto começou. Devagar ela se afastou de mim, como se estivesse compreendendo o que acabou de fazer. Por longos segundos ficamos apenas nos olhando, tentando entender a profundidade dessa conexão que temos, desse desejo impulsivo que nos faz esquecer de todos os problemas e correr para os braços um do outro.
- Anna...
- Eu... – A verdade a acertou em cheio, eu vi em seus olhos, ela estava cedendo e não queria isso. Eu conheço o gênio da Anna, ter me dado esse beijo significa que suas barreiras não são tão fortes como imaginava, e que também não resistiria ao meu desafio. O que era ótimo para mim. Ela se afastou mais de mim, saiu da cama – Você está com fome? Eu vou preparar o café. – Deu a volta e saiu do quarto quase correndo.
Eu soltei uma pequena risada. Anna estava tão envergonhada que nem me olhou nos olhos, aposto que estava se martirizando por ter me beijado. Mas não importa, isso significa que ela ainda me quer, continua me amando, e isso era motivo suficiente para que eu continuasse investindo. Puxei minha camisa e estava fedendo de suor. Saí da cama e fui direto para o banheiro tomar banho.
Depois de um bom e gelado banho eu desci para tomar café, e mal cheguei perto da cozinha que o cheiro de ovos exalou:
- Hmm! O cheiro está ótimo
- Eu já estou terminando – Sua voz saiu um tanto fraca. Eu sentei fiquei observando-a, por nenhum momento ela se virou, estava de costas para mim no balcão do lado.
- Você não deve ter dormido bem
- Não se preocupe, estou bem – Agora estava mais fraca ainda. Franzi a testa, pois o tom da sua voz não era de vergonha, muito menos de raiva, era diferente, mais profundo. De repente ela fungou, eu levantei e caminhei ate ela.
- Anna? – Toquei seu braço – O que você tem?
- Nada – Se encolheu tentando esconder o rosto.
- Fale comigo
- Não é nada – Eu vi quando passou a mão no rosto, então notei as lágrimas.
- É claro que é alguma coisa – Limpei uma lágrima que escorria por sua bochecha – Por que está chorando?
- Gabe, não...
- Se é por aquele beijo, me desculpe eu não quis te deixar mal
- Não, não é pelo beijo, e não precisa se desculpar, eu que te beijei
- Então o que é? Fala comigo – Segurei seus ombros e a virei de frente para mim. – Princesa, fale o que está te deixando triste.
Chama-la pelo seu apelido a deixou ainda mais triste, começou a chorar:
- É tudo culpa minha
- O que?
- Você está assim... Ontem eu fiquei com tanto medo, eu pensei que você não fosse melhorar... É culpa minha.
- Não diga isso, você não tem culpa de nada – A abracei.
- Tenho sim. – Ela agarrou o tecido da minha camisa no peito – Se eu não tivesse ido embora, se eu tivesse ficado, mesmo que eu sofresse, você jamais estaria assim.
- Não, Anna...
- Sim, é a verdade. Você está sofrendo por minha causa, porque eu fui embora, você desistiu da sua vida pouco a pouco porque eu te abandonei, e eu odeio admitir isso. É tudo culpa minha – Ela se afastou como se meus braços a queimassem, e a dor em seus olhos estava me matando por dentro – Essa culpa está me corroendo. Quando eu vi você no hospital tão debilitado, mal conseguia erguer a colher, eu me senti um lixo, a pior pessoa desse mundo.
- Não, isso não é verdade, você é incrível
- Há! Há! Eu sou tão incrível que quase fui a responsável pela sua morte – Ela rosnou batendo a mão no balcão ao lado. – Quando eu vi você daquele jeito tão mal, tão indefeso, eu me odiei.
- Por favor, não, chega, não pense mais assim – Eu estiquei minha mão tentando tocá-la, mas se afastou de mim.
- Eu não consigo, eu sou a culpada por todo o seu sofrimento. Todos esses dias que você passou mal, em todas as vezes, eu via você com dor, com febre, reclamando do incômodo que sente quando come, a sua fraqueza, a cada gemido que saía da sua boca eu me sentia cada vez pior, arrependida por ter ido e te causado tudo isso.
- Anna...
- Ver você sofrer é a pior coisa, eu preferia mil vezes está no seu lugar. Eu nunca quis isso, se por um segundo eu soubesse o que ia acontecer, eu jamais teria ido, nunca teria te deixado aqui para passar por tudo isso. Me perdoa Gabe – Ela cobriu o rosto com as mãos – Meu Deus, me perdoa, eu sou a culpada por tudo, eu quem deveria estar sofrendo.
- Não diga isso, de jeito nenhum – A puxei de volta para os meus braços – Para, não se torture mais.
- Eu estava com tanto medo, eu imaginei o pior, e nunca teria me perdoado se algo tivesse acontecido a você.
- Mas nada aconteceu, eu estou bem
- Pensou se eu não estivesse aqui? O que poderia ter acontecido a você?
- Não pense nisso, você estava e me ajudou
- Para começar, se eu não tivesse fugido feito uma covarde você nunca estaria passando por isso. Eu baguncei sua vida, não pode mais trabalhar, deixou de se alimentar, de se exercitar, até mesmo o Spike você mandou para longe.
- Não, não, pare com isso, nada disso é verdade
- É sim, eu estou morrendo de culpa, eu nunca imaginei que aceitando voltar eu ia ver você assim – Seus ombros sacudiam com os soluços – Eu nunca quis que isso acontecesse, com você não. É minha culpa, é tudo minha culpa.
- Não
- Me perdoa Gabe... Me perdoa – Ela se agarrou a mim chorando sem reservas. Eu não fazia ideia de que ela estava se sentindo assim, eu jamais a culpei por nada, e muito menos quero que se culpe.
- Eu não preciso perdoar nada, você não teve culpa alguma. Eu fiquei sim triste quando foi embora, mas não foi por isso que me afoguei em mágoa.
- Como?
- Eu desisti da vida porque magoei você, e eu achava que merecia sofrer – Segurei seu rosto e a fiz me olhar nos olhos – Eu machuquei a pessoa que mais amo nesse mundo, e não tinha perdão, por isso morrer lentamente era a melhor opção.
- Mas se eu tivesse ficado poderia ter impedido a tempo, jamais deixaria cometer tal atrocidade. Você não tem ideia do quanto me odeio... Meu Deus.
- Jamais diga isso de novo, nada de bom vem do ódio, e eu repito, você não tem culpa de nada. Eu não queria que me visse passar por isso. – Limpei as lagrimas em suas bochechas – Me desculpe por ontem, pelo medo que sentiu.
- Eu não quero mais que passe mal daquele jeito. Eu faço qualquer coisa, troco de lugar com você, mas nunca mais quero vê-lo sofrer como ontem.
- Eu prometo que ficarei bem, nada mais de sustos – Sua preocupação era tocante, mas a tristeza que morava em seus olhos me destruía. Eu não queria que chorasse por minha causa, muito menos que sofresse por algo que eu fiz. – Não chore mais. – Beijei sua têmpora passando a mão em seu cabelo.
- Você é a ultima pessoa que quero ver sofrer
- Eu sei – Levantei seu rosto para que visse o meu, e se sentisse melhor com o sorriso que eu tinha nos lábios, uma forma de provar que eu não a culpava por nada. Mas ao nossos olhos se encontrarem aquela força misteriosa nos puxou, ficamos hipnotizados, eu me perdi dentro daquelas brilhantes e chorosas esmeraldas. Não dava para negar a forte atração que sentimentos um pelo outro, Anna ate parou de soluçar e se concentrou somente em mim, esquecendo o motivo pela qual chorava. Meus polegares acariciavam seu rosto, mas isso não era suficiente para mim, eu queria beijá-la, mas não um selinho como aquele, mas um beijo de verdade. Ela engoliu em seco antes de separar os lábios e fitar os meus, eu queria tanto que dissesse para beijá-la, eu avisei que só faria isso quando me pedisse, não queria me aproveitar da sua vulnerabilidade. Só que o modo como ela olhava para minha boca, indicava o que queria, suas mãos subiram mais acima do meu peito, e para saber se eu realmente tinha seu consentimento, lentamente me aproximei. Alternava o olhar entre sua boca e seus olhos, procurando algum sinal de que recuaria, mas nada disso aconteceu. Parei a poucos milímetros, dando a ela uma última chance de recusar. Ela simplesmente ficou parada, me observando, seus dedos abriam e fechavam sobre minha camisa com ansiedade, sua respiração era curta, mas o peito subia e descia rápido. Anna ergueu a cabeça e fechou os olhos, tomei isso como um “sim”, então selei meus lábios aos dela. Comecei devagar para que não despertasse e correr o risco de me afastar, mas era tão bom sentir seu gosto, separei seus lábios encaixando os meus, era a forma tão perfeita, como um quebra cabeça bem feito. Eu pertencia aquele lugar, meu corpo estava mais leve, meu coração depois de meses finalmente estava tranquilo, eu não sentia mais nenhuma tristeza, só uma paz absoluta, e tudo se devia a Anna. Eu aprofundei nosso beijo sentindo o gostinho de menta da pasta de dente misturado com o salgado de suas lágrimas, eu queria cair sobre seus pés e gritar de felicidade, por varias semanas eu sonhei com esse beijo, desejando provar seu sabor, ou pelo menos um pouco de carinho, e agora a tenho aqui, é como um sonho, uma linda ilusão, eu tenho medo de abrir os olhos e ver que nada disso é real. Passei o braço em volta da sua cintura puxando-a para perto de mim, para me agarrar a realidade de que ela estava aqui, a mulher que tanto amo. Suas mãozinhas pousaram em meu ombro e na minha nuca, me enviando arrepios saudosos. Mas meu corpo ainda não estava pronto para aguentar todo aquele esforço, e o odiava por isso, meus pulmões estavam pedindo ar, e já sentia minhas pernas fracas, não havia me recuperado totalmente da noite passada e muito menos comi algo para repor as forças, e Anna pareceu notar, pois foi dando fim ao nosso beijo devagar.
- Me desculpe – Sussurrou.
- Não, por favor, não peça desculpas
Anna me olhou por vários segundos ate tomar uma lufada de ar:
- Vem, você precisa sentar – Segurou meu braço e me levou para a cadeira. Eu sentei sem hesitar, mas não sabia o que ela faria a respeito do beijo. – Eu vou terminar de preparar o café, vai ser rápido.
- Tudo bem – Eu a observei enquanto se movia pela cozinha, indo de um lado para o outro para preparar o café, ate trazer tudo e arrumar na mesa.
- Eu fiz panquecas e os ovos que você gosta
- Hmm! Tem bacon – Olhei com gula para o prato do outro lado.
- Sim, mas só vai poder comer depois que comer o mamão
- Mas...
- Sem mas. É isso, ou nada de bacon
Eu não acredito, ela estava pior do que a minha mãe:
- Quer saber, você é de fato a nora perfeita para a minha mãe, está agindo igual a ela
Ela não respondeu, apenas sorriu e começou a se servir. Parece que o assunto do beijo vai ficar para outra hora.   

 

                                                                                                  Anna

A carência é sempre uma péssima conselheira. Eu me deixei levar por culpa e saudade, quando Gabe me abraçou e me tranquilizou, eu senti que o mundo estava voltando ao lugar, e não resisti ao chamado de seu beijo. Fui atraída por sua boca, como inseto é atraído pela luz... Mas eu não me arrependi, muito menos me senti mal, pelo contrário, me senti muito bem, em paz, eu estava morrendo por um beijo dele. Nós não falamos sobre isso, simplesmente seguimos em frente, e isso já faz três dias. Por sorte, Gabe não passou mal nenhuma única vez desde que tomou o novo remédio, parecia melhor a cada dia, tinha mais disposição, estava mais ativo, comia porções maiores, e eu já estava planejando começar uma atividade física com ele, mas só daqui a alguns dias.
Desde que voltou do hospital, Gabe não saiu de casa, e eu iria propor um passeio a ele, apenas para distrair e respirar outros ares sem ser o de casa. Desci a escada direto para sala, e o encontrei fazendo sua atividade preferida, lendo o jornal. Sentei no sofá, ficando perto dele e chamei sua atenção:
- Gabe?
Ele abaixou o jornal para me olhar:
- Hmm?
- O que acha de darmos uma volta?
- Uma volta?
- Sim
- Para onde quer ir?
- Não sei, para o parque, para a praça, para qualquer lugar, só precisamos sair um pouco de casa, ou melhor, você precisa, eu ainda saio para ver minha irmã e meus amigos.

- Hmm! Não sei
- Ah! Vamos, precisa ver outra coisa além dessas paredes, pegar um pouco de sol, o dia está tão bonito. Já sei, nós podemos ir a aquele café que tanto gosta.
- Vai me deixar beber café hoje?
- Vou abrir uma exceção, poderá ate pedir aquele com creme
- E os bolinhos de amora?
- Está pedindo demais
- Estou negociando, você quer sair, mas isso vai lhe custar um preço, o café com creme e os bolinhos de amora.

Entortei a boca, ele tinha aquela expressão de gerente no rosto, a que lhe ajudava a abrir as portas para os melhores negócios e mostrava que era impecável no que fazia. Gabe, podia comer coisas fora da dieta, sem exageros, mas ele não sabia disso, então só estava fazendo isso para implicar:
- Tudo bem, só três bolinhos médios e nada mais.
- Fechado –
Ele esticou a mão e apertei. Mas tinha algo que eu queria muito fazer antes de sair.
- Gabe, o que acha de tirar essa barba antes de sairmos? Cresceu bastante.
- Hmm
– Ele passou a mão sobre a barba pensando no que fazer. Esboçou um sorriso torto – Tá bom, você tira?
- Tiro –
Sorri animada, eu sabia o quanto Gabe gostava da sua barba, mas já era hora de uma mudança. Fiquei de pé oferecendo minha mão para ele pegar, então subimos juntos para o quarto.
Eu coloquei uma cadeira no banheiro, ao lado da pia, preparei a espuma, peguei o barbeador, coloquei uma toalha sobre seu peito para não sujar:
- Pronto?
- Sim –
Sorriu – Por favor, não tire minha sobrancelha.
- Farei o possível –
Sorri, então peguei o pincel afundei na espuma e depois passei por toda a sua barba. Peguei o barbeador e com calma comecei raspando a lateral direita, descia sem pressa apenas observando o pelos sumindo deixando uma trilha lisa.
- Eu estou sentindo a sua alegria em fazer isso
- Eu sempre quis ver você sem barba –
Limpei o barbeador na pia, e tornei a passar.
As vezes Gabe abria os olhos e ficava me fitando, tirando minha concentração, então tapava seus olhos com a mão, o que o fazia rir. Depois de vinte minutos não restava mais nada, seu rosto estava completamente limpo, passei uma loção pós barba, a qual eu amava o cheiro. Admirei sua beleza renovada, de fato, ele ficava diferente, mais jovem e ainda mais bonito. Estava encantada, não tinha explicação para esse homem ser tão lindo:
- Terminei – Falei me afastando para que ele levantasse e se olhasse no espelho. – O que achou?
- Nossa, tem tanto tempo que não fico sem barba, me sinto ate um homem estranho
- Eu gostei. Você está sim diferente, e isso é bom
- Talvez
– Deu de ombros.
- Agora só falta cortar o cabelo
- Hmm –
Ele abriu uma das gavetas e tirou de dentro uma tesoura – Pode cortar – Entregou para mim.
- O que? Eu? – Arregalei os olhos – Não, eu sou cabeleireira, posso cortar errado.
- Eu não me importo, desde que seja você que corte
- Mas Gabe...
- Eu sei que vai ficar bom, tudo o que você faz é maravilhoso

Mordi o canto da minha boca, quase derretendo por esse comentário. Que droga, eu odiava o fato de ele sempre saber usar as palavras a seu favor. Suspirei derrotada, mas nervosa:
- Tudo bem, sente, eu vou molhar seu cabelo – Ele fez o que eu disse, e tratei de lavar seu cabelo. Ele virou a cadeira de costas para mim, tirei o excesso de água dos cabelos e coloquei uma toalha em volta do seu pescoço para que não se sujasse. Peguei o pente e desembaracei, deixando tudo alinhado. Aproximei a tesoura das primeiras mechas e respirei antes de começar. Eu pude ver o sorriso dele – Não ria, vai me deixar mais nervosa.
- Há! Há! Desculpe, vá em frente
- Palhaço –
Belisquei seu pescoço e então comecei a cortar seu cabelo. Cortar o comprimento não era tão difícil, mas sim quando começou a ficar curto e é nessa hora que um bom cabeleireiro sabe como agir. Minha mãe cortou várias vezes o cabelo do meu pai, e tentei lembrar de tudo o que ela fazia. Meu Deus, como ela fazia aquilo tão bem? Eu puxei as pontas e repiquei, sem exagerar, puxei a mecha de cima e fiz a mesma coisa.
- Está ficando bom
- Seu mentiroso, depois nós vamos a um barbeiro para ele acertar o estrago
- Há! Há! Eu não estou mentindo –
Passei o pente na lateral e cortei as pontinhas.
- Você é um homem de negócios, sua aparência é fundamental para fechar grandes acordos.
- Eu sei disso, por isso estou confiando em suas mãos
- Tirar a barba não é o mesmo que cortar o cabelo, eu to me sentindo pressionada
- Há! Há! Há! Você já passou por coisa pior
- Isso aqui é diferente – A
certei mais uma mecha – Pronto, terminei. Dá uma olhada.
Ele tirou a toalha e ficou de pé na frente do espelho:
- Qualquer estrago é culpa sua – Falei apoiando as mãos na parte de cima da cadeira.
Ele passou a mão por entre os cabelos observando meu trabalho:
- Com certeza está melhor do que antes
- Obrigada, mas de qualquer forma vamos a um barbeiro
- Há! Há! Mas está muito bom
- Gentil da sua parte, mas iremos ajeitar isso –
Eu me abaixei para pegar as mechas cortadas e jogar na lixeira. – Agora se arrume para podermos ir.
- Tudo bem, eu vou jogar uma água em mim para tirar esses fiapos que ficaram
- Ok, eu vou me vestir –
Saí do banheiro e segui para o meu quarto. Coloquei um vestido de estampa floral, solto, confortável, e perfeito para uma linda manhã de sol e brisa fresca.
Gabe saiu do quarto vestido com uma bermuda preta, e uma camisa de manga curta branca e notei que estava usando o relógio e o anel que lhe dei. Nós descemos, mas antes que ele pegasse a chave do carro, eu fui mais rápida e peguei:
- Hey!
- Hoje eu vou dirigir –
Disse cheia de graça.
- Como é? Você não tem carteira para dirigir aqui
- É claro que eu tenho. Eu transferi todo os meus dados logo depois que cheguei a Nova York pela primeira vez.
- E nunca me disse?
- Hmm! Nunca surgiu a oportunidade, e também porque demorou para chegar
- Sei. Você não vai nos matar?
- Engraçadinho, no máximo poderei arranhar seu belo carro atingindo algum ciclista abusado
- Deus nos proteja –
Ele olhou para cima. Gesticulei para irmos.
- Chega de choramingo, vamos indo – Abri a porta e fomos para o elevador. Eu estava ansiosa para dirigir seu Mercedes.
Nós chegamos ao café para o alívio de Gabe, eu nunca ri tanto, ele não parava de me olhar a cada cortada que dava entre os carros, ou o quão perto eu chegava antes de ultrapassar. Foi hilário. Homens dirigem feito loucos, passando por entre os outros veículos como se fossem os donos da rua, e estava tudo bem, diziam que dirigiam bem, mas quando uma mulher fazia isso, era taxada de louca ou perigosa. Convenhamos, podemos ser loucas, mas pelo menos nossos carros chegam ilesos em casa, já o dos homens, sempre há um arranhão novo.
Nós entramos no café e sentamos em uma mesa perto da janela, eu via como Gabe estava contente por ter saído, era bom que visse gente, amigos conversando ou pessoas com pressa para chegar a algum lugar. Uma garçonete se aproximou da nossa mesa:
- Bom dia, vocês já fizeram o pedido?
- Bom dia, não, ainda não fizemos. Eu vou querer um café com uma fatia de torta de maça –
Respondi, e ela anotou.
- E o senhor?
- Café com creme, com três bolinhos médios de amora –
Ele me olhou com um sorriso, como se quisesse dizer que estava sendo um bom menino obediente. Eu me contive para não rir.
- Muito bem, eu já vou trazer seus pedidos – Ela se virou e foi para trás do balcão.
- Eu posso ver como está ansioso para comer os bolinhos
- E tomar o café, nossa como amo eu esse lugar, aqui servem os melhores bolinhos de amora, e o café com creme deixa aquele bigode de leite.
- Há! Há! Há! Eu lembro, você sempre parecia uma criança quando vínhamos para cá.
- Porque é incrível
- Jura? Nem dá para notar –
Ergui uma sobrancelha com sarcasmos. De repente meu celular tocou na bolsa, a abri e o tirei de lá – É o Ryan – Atendi – Oi Ryan, tudo bem?
- Oi Anna, estou bem. Eu estou aqui no apartamento do Gabe, e não encontrei vocês.
- Oh! Nós resolvemos sair
- Há! Sério? Que ótimo. Onde estão?
- Em um café, aquele que o Gabe adora
- Sei qual é
- Quer se juntar a nós? Acabamos de pedir.
- Sim, eu adoraria, ainda tenho bastante tempo ate o próximo compromisso
- Ótimo, estamos te esperando então.
- Ok, chego aí em poucos minutos. Tchau.
- Tchau –
Desliguei e devolvi para a bolsa – Ryan está a caminho.
- Ah! Não, que droga.
- Por quê? –
Perguntei sem entender o motivo do seu descontentamento.
- Ryan adora os bolinhos de amora daqui, vai querer comer os meus – Falou isso como uma criança birrenta.
- Há! Há! Há! Eu não acredito nisso. Por Deus Gabe, basta ele pedir mais bolinhos
- Ryan gosta do que é dos outros
- Ora! Pare com isso, vocês são amigos, quanta birra. –
Eu não aguentei e cai na gargalhada com sua cara de indignação. Era muito bom voltar a rir em sua companhia, eu senti falta, era melhor ainda rir sabendo que ele estava bem de saúde.  


 

Continua...
 


Notas Finais


É isso aí meus amores, esse foi o capítulo de hoje!!

Prometi que teria um pouco de alegria, e olha que beijoooo... sei que todas estavam esperando por isso, claro que não foi um todo quente e sensual, mas calma, o pobre Gabe ainda não pode se esforçar, mas pelo menos, Anna não recusou e muito menos brigou por isso. Já é um avanço.
E mais um pouco de alegria, eles dois interagindo tão fofamente juntos, Gabe continua sendo um fofo apaixonado que derrete o coração de qualquer uma.

Bom gente, nossa história vai passar por pontos importantes a partir de agora, coisas inacabadas que serão resolvidas, algumas intrigas, o acerto de conta entre Anna e Gabe, entre Anna e Lauren, Ryan e Sarah, etc. Eu adoraria esticar mais, só que preciso finalizar. Mas calma, não fiquem tristes, ainda tem mais alguns capítulos, e em breve a história da Sophia, ou seja, nosso casal Gabe e Anna ainda vão continuar presentes.

Ok! É tudo por hoje, espero que tenham gostado. Bjsss! Até o próximo capítulo.


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