História Delicate - Capítulo 11


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Categorias Harry Styles, One Direction
Tags Harry Styles, Liana Liberato, Naiosecret, One Direction
Visualizações 90
Palavras 4.417
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


✛ Eu falo que não vou abandonar a fic e sumo por três meses, ótima promessa, Julia. Mas vocês não sabem o quão eu queria escrever e postar nessas férias, mas fiz o favor de deixar o meu notebook na rep que moro e ir pra minha cidade natal me xingando de A a Z. Enfim, espero que ainda tenham pessoas que acompanham essa fic <3

Boa leitura.

Capítulo 11 - Capítulo X - O que poderia dar errado?


Fanfic / Fanfiction Delicate - Capítulo 11 - Capítulo X - O que poderia dar errado?

 

Garoto, você me faz tomar péssimas decisões
Não, eles não vão entender o que eu vejo em você

✘✘✘

]Após frustrar-se toda a tarde à espera do seguro do carro no estacionamento da escola, Hannah chegou em casa aos fragmentos, jogando-se no sofá assim que o imóvel entrara em seu campo de visão.

Vovó Gracie havia a recebido com um sorriso terno nos lábios e perguntou se estava tudo bem e com fome. Hannah disse que estava com fome, mas que tudo já estava resolvido. Comeu alguns cookies que a mais velha preparou e subiu para seu quarto, desejando que seu corpo entrasse em contato com a água o mais rápido possível.

Após o banho, pegou seu celular e viu algumas mensagens na caixa de entrada. Ao clicar, não ficou tão surpresa assim ao constatar que era Harry Styles lhe questionando se iria acompanha-lo na festa. Hannah respondeu que não iria, mas estava agradecida pelo convite.

A tarde toda Hannah ficara na inativa, tirando um cochilo de duas horas e meia quando seu estômago começou a reclamar de fome. Espreguiçou-se, prendeu o cabelo com um elástico que estava em seu criado mudo em um coque torto e, descalça, desceu as escadas pronta para atacar a geladeira para assistir qualquer filme aleatório na Netflix, provavelmente algum de comédia.

As coisas começaram a caminhar em um rumo diferente a partir do momento que ouviu uma voz que não pertencia a nenhum dos membros que ali viviam. Eram três vozes originárias da sala de estar: duas pertencia aos seus avós e a outra…

— Hannah! — Gracie abriu um de seus sorrisos maternos, deixando as bochechas enrugadas salientes. — Seu amigo disse que veio te buscar, vocês irão sair — ela possuía um olhar de estranhamento, mas feliz pela neta.

Hannah arregalou os olhos, levantou as sobrancelhas e entreabriu os lábios, tão surpresa quanto. Harry estava de lado, lhe olhando em silêncio, provavelmente com medo da possível reação da morena.

     Vovô Simon estava com um sorriso quase parecido ao de Gracie, mas mais contido.

— Me buscar? Iremos sair? — Enrugou a testa.

— Você tinha dito que era uma ótima ideia, lembra? — Harry deu um dos seus sorrisos calorosos acompanhados das covas. Hannah respirou fundo

— Agradeço pelo convite, Harry, mas temo já ter recusado — deu um sorriso falso, fazendo com que ele passasse a língua sob os lábios para prender a risada.

Harry vestia uma camiseta xadrez vermelha de mangas que estavam dobradas até os cotovelos, uma calça jeans escura e botas. O perfume dele também havia se alastrado por toda a casa e Hannah duvidava muito que pararia de sentir tão cedo.

— Que isso, querida — Gracie balançou a cabeça, abalada pela resposta da neta. — Acho que você deveria acompanhar o Harry. Ele me disse que precisa comparecer, mas não possui muita afinidade com o pessoal, por isso te chamou. Não faça essa desfeita — uniu as sobrancelhas.

A Lawford mais nova soltou o ar pela boca, estupefata pela desculpa de Styles para convencer seus avós a convencerem a ir. Ele era inacreditável.

— Prometo te trazer cedo para casa — ele disse com o olhar pidão. A morena cruzou os braços.

Hannah ponderou. Mais uma vez, o que poderia dar errado em sair como acompanhante de Harry Styles em uma social organizada pelo grupo de atletas, não é mesmo?

Mas Harry mantinha-se ali. Sustentara sua palavra do começo do dia, tinha se esforçado a entrar na sua casa e desenvolver algum tipo de confiança em Gracie e Simon, pessoas primordiais na vida da mais nova. Aquilo havia a tocado de um jeito esquisito.

— Se eu me sentir desconfortável, vamos sair de lá, certo? — Negociou. Harry, sem pestanejar, concordou.

 — No mesmo minuto — afirmou convincentemente. Hannah mordeu o lábio inferior.

— Tudo bem — cedeu, soltando os braços ao lado do corpo. — Vou me trocar — apontou o indicador em direção ao cacheado, como se o alertasse de qualquer coisa silenciosamente.  Ele, por sua vez, ergueu as palmas para frente, em sinal de rendição enquanto tinha um sorriso de contentamento nos lábios.

⇠ ✡ ⇢

Ao chegarem ao local, Hannah pôde contestar que realmente era uma reunião entre o time de futebol e não uma festa do tipo da em que conheceu Harry ou o livrou de uma briga após a comemoração da vitória do time. De uma forma protetora, cruzou os braços na frente de seu corpo ao pararem de frente aos portões brancos. O lugar ainda não era seguro de todo.

Hannah trajava uma blusa cor caqui de mangas curtas e gola, um short curto branco acinzentado, um par de sapatos brancos e havia deixado os cabelos soltos.

Harry, por sua vez, havia apertado a campainha, dito quem era e esperava que alguém destravasse o portão do lado de dentro. Nesse meio tempo, ficara quieto observando-a. A mesma o ignorou, fingindo não perceber o olhar curioso e atento de Styles em cima de si.

O silêncio não era uma coisa que deixava o ar denso, pelo contrário, parecia um pouco necessário absorver o mesmo para que pudessem entrar em um mar de ondas sonoras em seguida.

Quando o portão abriu e os dois deram o primeiro passo para entrar, descobriram que não saberiam qual a forma que iriam se portar ali dentro. Deveriam entrar de mãos entrelaçadas? Ou, quem sabe, abraçados? Nenhuma das duas alternativas. Discretamente, Hannah andou encalço de Harry, mantendo-se perto o suficiente para não precisarem de contato físico direto.

A porta estava aberta e alguns olhares curiosos, alguns não tão surpresos, foram direcionados até o casal que adentrara. Imediatamente, Luce reconheceu a estatura baixa que procurava se isolar atrás de Harry, forçando-se a agir rapidamente.

Duval seguiu em direção aos dois e abraçou Hannah, a puxando para o lado, discretamente. Hannah se sentiu aliviada e grata pela melhor amiga estar ali presente, podendo retira-la de qualquer desconforto inicial até que se acostumasse com toda a situação.

— Me conta, o que está acontecendo entre vocês? — Especulou curiosa. Hannah umedeceu os lábios, olhando para Harry que cumprimentava os amigos, mas a checava de minuto em minuto com o olhar, vendo se estava tudo bem.

— Não está acontecendo nada, Luce — mirou o rosto da amiga, forçando um pequeno sorriso. A loira arqueou uma sobrancelha, duvidosa.

— Conta outra — revirou os olhos. — Você sabe que entre mim e Liam as coisas parecem estar fluindo, mas você... — procurou palavras antes de continuar, balançando a cabeça para os lados. — Eu não sei o que anda acontecendo entre vocês.

— Nada, Luce. Por isso que você não sabe — suspirou, olhando para Harry por alguns segundos. Ele a olhava também. Parecendo entender o recado, ele prontificou-se em se aproximar das duas. — Somos apenas amigos, é só isso. Se acontecer alguma coisa você ficará sabendo, eu prometo.

— Lucille! — Harry deu um de seus melhores sorrisos, passando o braço por cima dos ombros da loira e depositando um beijo no topo de sua cabeça. — Não sabia que tinha amarrado o Liam com um nó guiado.

— Ninguém está amarrado, Styles — Lucille o olhou de forma desdenhosa. — Os dois estão apenas se divertindo e é apenas isso. Continuamos livres, de qualquer forma.

— Duvido muito que ele vá querer amarrar o cavalo dele em outro tronco — provocou, dando-lhe leves chacoalhadas. Afastou-se de Luce e se aproximou de Hannah, repetindo o mesmo ato que desfizera em Lucille segundos atrás. — Venha, vou te apresentar a casa — e a puxou para fora da dupla, sem qualquer desculpa premeditada ou aviso, fazendo que Duval revirasse os olhos e seguisse para o canto em que estava anteriormente.

Lawford não sabia se agradecia Harry ou se preferia voltar e ficar aguentando as especulações de Lucille, o que seria mais fácil, afinal, conseguiria enrolá-la e logo ela esqueceria isso. Luce sim era território seguro, não Harry Styles.

Inicialmente, Hannah não fazia ideia de quem era o proprietário da casa na qual permanecia e isso a fazia sentir-se um pouco mal. Parecia abusivo demais. Era quase similar ao fato de um desconhecido entrasse em sua casa em uma reunião na qual chamasse apenas os seus amigos. Apesar de que não se incomodaria se um de seus amigos levasse alguém novo e que gostaria de apresentar ao seu núcleo de amigos pelo fato daquela pessoa fazer parte de sua vida.

Entretanto, esse não era seu caso com Harry e era isso que a incomodava. Não queria ser mais uma das garotas desconhecidas que Harry aparece, apresenta aos amigos para que estes nunca mais a vissem, nem se preocupando em guardar o nome da mesma, logo que nunca mais a veriam. Era estressante.

— Vai me contar por que me trouxe aqui? — Tentou. Harry a ignorou.

— Pessoal, essa é a Hannah Lawford, Hannah, esse é o pessoal. Você já sabe o nome deles, então, evitando formalidades, não dê muita bola a esses perdedores — desdenhou revirando os olhos. Houve algumas exclamações e devoluções de xingamento, fazendo com que Hannah e Harry rissem da situação.  — Vem — tornou guia-la, fazendo com que Adam intervisse.

— Ei, Styles, não vamos ataca-la — debochou.

— É Harry, a gente sabe que Hannah Lawford é território proibido — continuou Kyle.

— Fico feliz que já estejam avisados — deu um sorriso relativamente dócil e retornou ao caminho. Hannah franziu o cenho.

Território proibido? Estão avisados?

O caminho foi percorrido até a cozinha onde, aproveitando a ausência de pessoas por ali, Hannah prendeu os pés no chão, forçando-os parar por ali mesmo. Harry deu um pequeno solavanco, franzindo o cenho em estranhamento e soltando-se, virando para olhá-la.

Ela tinha vários questionamentos passando por sua cabeça, completamente inerte ao assunto que fora abordado anteriormente. Seu nome já havia sido mencionado outras vezes naquele grupo de amigos? Se sim, por quê?

Ponderara até a possível hipótese de que haviam feito um racha para ver por quanto tempo Harry conseguiria manter-se solo com uma única pessoa ou se conseguiria conquistar a “Hannah geek”, uma tarefa consideravelmente impossível aos jogadores do time de futebol. Resumindo tudo: e se ela fosse somente uma pequena pesquisa de campo para seus próprios entretenimentos?

Era estranho e quase impossível pensar que ele poderia desenvolver qualquer sentimento afetivo a si, justo por consequência de todas suas atitudes e famas passadas. Porém, no fundo, Hannah não queria admitir que, ao conhecê-lo melhor, o impossível não parecia tão impossível assim.

Harry, ainda em silêncio, continuou a encarando, a espera de qualquer resposta à sua pergunta silenciosa.

— O que eles quiseram dizer com aquilo? — Finalmente inquiriu, fazendo-o suavizar a expressão interrogativa.

— Deveria ter previsto que ficaria com a cabeça naquilo — suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Mas a verdade é que não teve finalidade nenhuma aquele diálogo, Hannah. Eles são garotos que estão no time de futebol e são adolescentes, você deveria entender — cruzou os braços e se encostou na ilha da cozinha, descontraído, porém parecia falar sério. Mas Hannah era esperta, ela não engoliria aquilo.

— Eu entendo sim, Harry. Eu entendo quando eles zombam ou te olham como se você fosse apenas mais um pedaço de carne em cima da ceia de natal dos amigos e que aquela maçã na boca do leitão é o fruto que você estaria colhendo naquele momento, e tá tudo bem se vocês se comunicarem assim. Só que o ponto é: eu não sou mais um joguinho de tabuleiro para que vocês possam mover as peças que querem na hora em que bem entenderem de jogar o dado — soltou o ar pela boca. Seu peito ora estava pesado ora parecia aliviado, não sabia ao certo.

Ele não a respondeu. Ao invés disso, se aproximou, colocando a mão em sua bochecha e trazendo o seu rosto para perto, ficando na altura suficiente para encarar suas orbes azuladas.

— Eu nunca deixaria você ser uma espécie de banco imobiliário ou a fruta misturada na comida salgada na ceia de final de ano, Hannah. Foi isso o que eles realmente quiseram dizer. Eu jamais brincaria com você e acredite em mim porque eu estou sendo sincero — colocou uma mecha do cabelo da mesma atrás da orelha e se afastou. Hannah prendeu a respiração e juntou os próprios lábios, os deixando em uma linha fina.

Seu maior medo era que acabasse se importando demais com a presença de Harry Styles em sua vida, receosa que nunca mais conseguisse expulsá-lo. E também, não havia tanta certeza que gostaria de bani-lo de toda sua existência.

Ele era apenas seu antigo parceiro de química, certo? Aquele no qual não a conhecia até encontra-lo sozinho nos fundos de uma casa em uma festa de colegial. Um que está no time de futebol e que tem a fama de badboy, briguento e que é um destinado a ser viciado em nicotina.

Mas por outro lado, ele também era aquele que foi seu acompanhante no baile e a chamou para estar naquela festa àquela noite. Que invadiu seu carro mais cedo tentando se redimir por ter sumido o dia todo e que se tornou uma pessoa agradável aos olhos de sua família.

— Harry — o chamou. O mesmo que, anteriormente, investigava a geladeira, virou o rosto em sua direção, atento a qualquer coisa seguinte. — Eu preciso ser sincera com você — juntou as mãos, as torcendo de um lado para o outro. — Eu... — antes que pudesse completar a frase, Vicente Fitzgerald adentrou a cozinha, segurando uma sacola em cada mão.

Seu primeiro olhar foi direcionado a Harry, para posteriormente parar em Hannah, fazendo-o demonstrar leve surpresa por ver que os dois estariam sozinhos e provavelmente juntos naquele local.

Hannah desviou o olhar da face do capitão do time para a face de Harry, que o encarava. Assim que a morena voltou o olhar ao primeiro, pôde contestar que Styles prestava atenção nele porque ele mantinha os olhos em si. Lawford deu um pequeno sorriso sem mostrar os dentes, como cumprimento.

— Não sabia que viria esta noite, Hannah — seu sorriso deu uma pequena vacilada. Hannah deu de ombros.

— Acabei pousando aqui, sem querer — brincou contida. Vicente riu pelo nariz, assentindo.

— Certo — ele olhou Harry de soslaio. — Tenha cuidado aonde acaba fazendo sua aterrissagem — deu um pequeno sorriso, deixando as sacolas em cima do balcão. — Podem terminar o que... Seja lá o que estavam conversando — começou a se afastar, dando alguns passos para trás. — Depois eu volto para guardar as minhas cervejas — concluiu e virou-se, finalmente andando para fora do recinto.

Lawford suspirou, passando a mão pela testa enquanto levantava o olhar de volta em direção de Harry. Ele mantinha os olhos onde Fitzgerald estava arrastando o olhar de volta para ela segundos depois.

Ela não conseguia entender direito o porquê de tanto atrito entre os dois, não tinha certeza se a história que Harry contara, dizendo que não apoiava suas atitudes, era uma estrutura de argumento boa o suficiente para sustentar todos os olhares feios. Apesar de que nem Vicente e nem Harry havia atitudes positivas cem por cento do tempo.

— Eu sei o que está pensando, nem ouse — Harry arqueou uma sobrancelha, apontando o dedo em sua direção. A mesma levantou as palmas para cima, em sinal de rendição. — Termine de dizer o que ia falar — pediu, saindo da porta da geladeira e a fechando.

— Era coisa boba — balançou a cabeça, fazendo pouco caso. Percebera que aquilo não era apropriado, pelo menos não por enquanto.

— Hannah...

Ela sorriu de forma doce, pensando que aquilo derreteria o coração de chumbo do moreno. Pelo contrário, nenhum efeito desejado foi surtido, apenas pela atitude seguinte do mesmo.

Styles se aproximou, segurando em sua cintura e a colocando em cima da ilha da cozinha, fazendo-a soltar uma leve exclamação em surpresa. Ele posicionou-se no meio das pernas dela e apoiou suas mãos no final de sua espinha, a puxando ainda mais para perto.

Hannah tinha a respiração um pouco pesada e rápida, consequência dos atos surpresos para si, fazendo que seu peito subisse e descesse de acordo com sua inalação e expiração. Não sabia o que dizer ou como proceder em um momento como aquele.

Na verdade, ela não tinha ideia do que diria segundos atrás, sendo salva por Vicente Fitzgerald, ironicamente. Só soltaria um monte de sentença sem nexo algum, igual às comparações e metáforas que havia feito anteriormente ao tabuleiro e ao leitão da ceia.

— O problema é que você ama começar as coisas, mas você não as termina, Hannah — criticou-a, balançando a cabeça de forma negativa. — Mas eu quero que saiba que, leve isso como um aviso, qualquer coisa que pensa que está começando a sentir, seja simpatia, ódio ou interesse por mim, é melhor deixar isso de lado. Eu não sou uma boa escolha assim como as consequências que se seguirão após qualquer decisão errada que você tomar. Nada que se deriva de mim torna-se algo bom. No final, tudo é podre e vazio.

A morena mordeu o lábio inferior, o sugando em seguida, pensativa. Ele havia feito aquele monólogo deprimente e ameaçador, mas ela não conseguia mais sentir medo ou receio a Harry Styles. Ele realmente havia se tornado uma zona segura imperceptivelmente.

Com as duas mãos, ela segurou o rosto dele, da mesma forma que este fizera há um tempo e olhou em seus olhos.

— Você é meio inconsistente — afirmou e fez uma pequena pausa. Ele pareceu um pouco surpreendido pela mesma. — O ponto é que você sempre problematiza as coisas, faz com que elas tomem dimensões que não são exatamente problemáticas da forma que as cita.

“Você provocou. Você me procurou, me perseguiu, invadiu minha casa e foi você que me trouxe a um lugar que eu não queria. Então você vai ter que aceitar se eu quiser permanecer ao seu lado porque não é justo você marcar presença e simultaneamente não querer estar presente — resfolegou.”

Harry abriu a boca uma vez, mas a fechou novamente. Ele não sabia o que falar para Hannah Lawford, não fazia a mínima ideia de como rebater os seus argumentos. Ele sabia que, mais tarde, iria se arrepender de tê-la arrastado para um dos encontros do time de futebol, só que não pensou que isso começaria tão cedo.

Arrepender-se-ia pelo simples fato de não ser bom o suficiente para ela, mas, ainda assim, persistir em continuar com o querer de sua presença ao seu lado constantemente. Ela estava se tornando uma droga tão viciante que a cada momento que passasse a usando seria ainda mais difícil de largar.

Styles suspirou, desviando o olhar do rosto de Hannah para o mármore da ilha. O toque de suas mãos macias ainda estava presente em seu rosto, fazendo com que isso bagunçasse levemente as palavras presentes em seu cérebro.

— Parece justo o suficiente para mim se isso trouxer consequências que magoariam você — disse por fim, levantando o olhar para seu rosto.

Hannah levantou levemente as sobrancelhas para cima, como se aquela frase houvesse realmente a afetado, como duas mãos apertando sua jugular. Passou a língua pelos lábios e abaixou o olhar, deixando suas mãos escorregarem até os ombros de Harry, respirando fundo mais uma vez antes de voltar a encará-lo.

Ela queria tanto ter a iniciativa de encostar seus lábios nos dele, senti-lo de tal forma tão íntima mais uma vez – mas ela não conseguiria. Ela não conseguiria tomar o primeiro passo como fizera da última vez. E ele percebeu isso. Ele percebeu que ela queria beijá-lo, porém, percebeu, antes de tudo, que ela não teria tal atitude.

— Por que sustenta a ideia que iria me magoar? — Ela franziu levemente o cenho.

— Eu magoei Lacey — arqueou as sobrancelhas. Hannah puxou suas mãos de volta para o seu corpo, as juntando e torcendo os pulsos, desconfortável com a afirmação.

— Eu não sou a Lacey — deu uma risada surpresa e balançou a cabeça.

Remexeu-se em cima do mármore, como um pedido silencioso para que Harry se afastasse para que seus pés pudessem tocar o chão outra vez. Ele não moveu um músculo.

— Não foi uma comparação — juntou as sobrancelhas. — O que eu quero dizer, Hannah, é que não importa o quanto eu me preocupe, no final do dia você estará decepcionada comigo, seja por alguma palavra, ação ou perceba por si só que eu não valha a pena.

Hannah fechou os lábios e travou o maxilar, suspirando. Parecia que queria engolir as palavras e precisava manter a boca fechada para que não as gorfasse para o ar. Ele comparou sim a situação consigo com a situação com Lacey.

Entretanto, o ar, inconsequente, quis escapar de sua boca, fazendo com que seus lábios se abrissem sem a permissão consciente de seu cérebro. E assim como o ar esvaiu-se, as palavras também o fizeram.

— Então eu realmente não consigo te entender claramente — o olhar irônico ainda estava presente em suas orbes. — Não consigo entender o porquê de você me puxar tanto para perto para que possa me empurrar para trás de novo. Isso é injusto, Harry. É injusto você querer que eu goste de você para que te despreze, simultaneamente — o encarou séria. Harry nunca havia a visto daquela forma. — Então eu peço para que se decida esta noite se você quer ficar por perto ou se quer realmente se ausentar.

Mais uma vez ela remexeu-se em cima do mármore, desta vez conseguindo que ele desse um passo para trás para que pudesse descer e se afastar para que tomasse um tempo entre ele e sua própria consciência. Não sabia se se isolava em um canto qualquer ou se ficava próxima à Lucille.

De qualquer forma, deixou Harry sozinho na cozinha, com as mãos apoiadas no mármore da ilha enquanto mantinha a cabeça baixa e os olhos fixos no piso. Hannah Lawford havia o encurralado e aquele era o seu ultimato.

As memórias que passavam em sua cabeça, naquele momento, não eram as mais doces de serem lembradas, como por exemplo, algumas das discussões que tivera com Lacey Baronne por motivos parecidos com àquele: a constante cobrança de presença do moreno.

⇠ ✡ ⇢

Sexta-feira, 18 de agosto de 2017. 06:56pm.

Desde o momento que acordara, o cheiro de panqueca no ar confirmava que aquele seria mais um dos seus dias cinza; independentemente de quanto mel despejava sob as panquecas, elas nunca estariam doces o suficiente; e, a cada minuto do dia que passava, esse pensamento só havia se concretizado cada vez mais.

Os cabelos loiros escuros e ondulados estavam soltos, caindo em cascatas pelo seu rosto enquanto sua expressão era impassível. As suas orbes amendoadas esverdeadas o decretava uma severa sentença.

Ela o olhou de forma séria e cruzou os braços, enquanto batia um pé no chão, a expectativa da resposta pairando no ar. Uma resposta que ele não sabia se estava pronto para respondê-la de fato.

— O que acha de sentar e conversarmos? — Sugeriu colocando o braço por cima do encosto do sofá, assumindo uma pose relaxada.

A loira uniu os lábios em uma linha fina e colocou as mãos na cintura enquanto desviava o olhar da figura de Styles sentada no sofá de forma descontraída. Ele agia daquela forma para ser poupado das brigas que ela assumia, mas nunca dava certo.

— Você, alguma vez, já foi feliz comigo? — Lacey questionou. — Harry, você nem faz ideia do tanto que esse relacionamento está me estressando. Cada semana me aparece uma coisa nova. Ora é a polícia atrás de você ora são mulheres alegando que havia beijado você, mas só descobriram que estávamos juntos momentos depois... Agora isso! — Bateu as mãos ao lado do corpo. — Daqui uns dias serei intimada a testemunhar por acharem que sou alguma cúmplice sua — o olhou de forma raivosa.

Só Lacey havia aquele olhar. Aquele olhar raivoso no qual ela estreitava os olhos e mirava diretamente para dentro de sua alma, sendo capaz de converter todas suas boas ações em pecados, fazendo-lhe duvidar até mesmo de sua própria inocência.

Porém Harry era imune daquele olhar. Ele não se afetava, pelo contrário, aquilo o deixava enfurecido. Ele detestava a forma como Lacey o desafiava somente com um olhar, o acusando silenciosamente de alguma ação – que provavelmente teria feito, mas não assumiria. Detestava a forma como ela achava que o conhecia sendo que na verdade havia lido somente o prólogo de seu livro extenso.

E era aí que começavam as piores brigas dos dois. Era aí que acabavam ofendendo um ao outro de maneira irracional até que estivessem feridos o suficiente para deixar o outro falando sozinho.

O problema de Lacey é que ela gostava de ser o centro das atenções e gostava que as coisas fossem teatrais da mesma forma em que planejava o espetáculo em sua própria cabeça e Harry não sabia seguir muito bem o roteiro. O moreno tirou o braço do apoio do sofá e colocou-se de pé.

— Agora é a parte da discussão em que você consegue, através das suas metáforas, me acusar de ser um assassino? — Ele deu uma risada desacreditada. — Santo Deus, Lacey! Eu tive sim policiais que estavam atrás de mim por causa de um racha ilegal, assim como eu fiquei com garotas na escola mesmo que supostamente eu estivesse saindo com você — gesticulava fervorosamente. — Só que, uma coisa que você não consegue colocar dentro da sua cabeça, é que nós não somos namorados. Nunca fomos.

Baronne puxou os lábios e passou a língua pelos mesmos, os umedecendo. As brigas com Harry eram excessivamente cansativas e ela não conseguia mais saber por quanto tempo conseguiria continuar a sustentar tudo aquilo. Ela o amava com todo seu coração, entretanto, ele a magoava com a mesma força.

Não podia fingir ser inocente, como se não tivesse nenhuma culpa a todos esses desentendimentos. Lacey sabia que poderia ser tão ruim quanto Harry e ás vezes continuavam juntos somente para que provassem o quão tóxicos eram.

A loira engoliu com força uma bola que desceu empelotando sua garganta, piscando algumas vezes para que não mostrasse algumas lágrimas brotando no canto de seus olhos. Com um suspiro, pegou seu molho de chaves em cima do centro de mesa da sala da casa de Harry e sua bolsa que havia colocado em um dos sofás.

Ele havia dado as costas para si e mantinha os dedos enfiados por dentro dos fios de seus cabelos.

— Só queria que soubesse que eu poderia ter te ajudado a resolver tudo isso, Harry. Sua vida não precisa continuar assim e você sabe que eu te prestaria suporte — franziu a testa. Ele virou o rosto de lado, para observá-la de soslaio.

— Não sou seu projeto de redenção, Lacey — respondeu.

Ela piscou algumas vezes, ainda um pouco perdida. Por fim, decidiu soltar o ar de seus pulmões pela boca e ir embora, dando as costas para Harry e saindo pela porta de sua sala.


Notas Finais


✛ All the love xx.


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