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História Delicate - Capítulo 26


Escrita por:


Notas do Autor


✛ Que saudades de vocês <3
✛ O que acharam de Moral of the story? Cadela 100% de Niall Horan e Ashe.
✛ Espero que gostem do capítulo :)

Capítulo 26 - Capítulo XXV - Ar gelado


Fanfic / Fanfiction Delicate - Capítulo 26 - Capítulo XXV - Ar gelado

Não posso defender minha reputação, garota
Se você não disser nada, me abrace e supere minhas limitações
Apenas fale, não deixe eles nos derrubarem


✘✘✘

Sentia suas pernas duras e tinha certeza que no momento que as esticasse formigariam até a ponta de seus pés. Estava sentada há uns trinta minutos somente naquela posição. Harry estava deitado na maca dormindo e Hannah permanecia na poltrona ao seu lado.

Depois que foi nocauteado na luta, Louis, Ramirez e Liam o ergueram até o camarim. Ele parecia zonzo e Hannah não quis encontrá-lo com a cara toda suja de sangue e com dificuldade para responder. Liam ficou com ela na arquibancada, sentados, esperando enquanto Louis e García ajudavam a limpar um pouco os ferimentos de Harry.

Aos poucos a academia estava esvaziando até que permanecesse eles mesmos e o zelador. Joseph Wayne tinha ido embora junto com sua equipe para comemorar a vitória.

Quase quarenta minutos depois Harry saiu do camarim andando de forma lenta. Hannah ouviu os passos e olhou em sua direção dando-lhe um olhar sutil de reprovação. Styles moveu seu olho para Liam, aparentemente não tão surpreso porque provavelmente já tinham contado sobre sua presença ali na academia.

Antes que pudesse pronunciar qualquer coisa, Hannah o intimou:

— Você vai no hospital ver esse nariz. — Harry abriu a boca para protestar, mas antes que pudesse fazê-lo, Lawford olhou para Louis. — Pode levá-lo no seu carro? Eu vou com Liam.

Hannah olhou para Liam e se levantou, ignorando Harry e seguindo para a saída da academia.

Ela estava irritada, mas principalmente preocupada. Suas bochechas estavam vermelhas e seus olhos inchados e avermelhados, denunciando o seu choro. Harry não discutiria se Hannah quisesse evitá-lo naquele momento, era de seu total direito.

Ao chegarem ao hospital, Tomlinson subornou os recepcionistas para que não comentassem nada com Gemma Styles no dia seguinte – por mais que estivessem todos cientes que ela veria os machucados – no entanto Harry lidaria com esse problema por si próprio.

Durante a consulta, o doutor constatou que seu nariz tinha saído do lugar e eles precisaram encaixá-lo de volta. Hannah não entrou no consultório quando o doutor colocou o nariz de Harry no lugar, mas permaneceu de braços cruzados ao lado da porta do lado de fora da sala. Ela ouviu todos os inúmeros palavrões de Harry enquanto se recuperava da dor no centro de seu rosto.

Ele saiu e olhou para Hannah. Estava com alguns esparadrapos no nariz e com a região machucada, muito provavelmente aquilo ficaria roxo. Seu supercílio também estava cortado assim como a pele próxima a maçã de seu rosto. A morena balançou a cabeça em reprovação.

— De zero a dez, o quanto você está puta comigo? — Ele suspirou, parando ao seu lado.

— Ficarei menos se você ficar de observação.

— Hannah...

— Você foi espancado na minha frente, Harry! — Ela desencostou da parede e parou de frente para o cacheado. — Que merda — praguejou baixo. — Não te vejo há quase três dias e quando eu te encontro você está em cima de um lugar que tinha me prometido que tinha abandonado!

— Eu posso explicar.

— Você mentiu para mim!

— Eu não menti.

Hannah deu uma risada fraca indignada com o comentário. Harry percebeu que não poderia tentar se explicar sem antes tentar agradá-la de alguma forma.

— Tudo bem — ele suspirou e fechou os olhos. — Eu fico aqui no hospital — olhou-a.

Hannah o olhava com a postura ereta e os olhos azuis frios. Ela estava com o rosto inchado por causa do choro e ele se sentia péssimo por ter a preocupado daquela forma. Se ele descobrisse quem tinha a levado até ali...

A morena deu uma leve assentida e se afastou, chamando uma enfermeira. Logo ela achou uma cama no quarto que, felizmente, estava vazio e pediu para que ficassem à vontade.

Eles ofereceram para Harry que fosse sedado e colocassem soro em sua veia, mas ele se recusou garantindo que estava bem.  Elise, a enfermeira, saiu da sala e Hannah a agradeceu dando um pequeno sorriso.

Harry virou-se para Hannah. Ela cruzou os braços e o olhou. Em seguida, virou as costas e olhou para a janela, que tinha a vista para o céu iluminado pelas estrelas. Eram quase onze horas da noite.

— Quando fui para Dereham, tinha esses caras que me ameaçaram. Eu fiquei com medo deles fazerem alguma coisa e pedi para que Ramirez fizesse o que fosse possível para fazê-los saírem do meu pé. — Deu uma pausa. — Meu medo não foi de me espancarem até me deixarem para morrer; eu fiquei preocupado em colocar você em risco.

— E a escolha mais inteligente era continuar lutando, Harry? — Virou-se para ele. — Por deus?

— Ramirez negociou comigo. Ele pagaria o valor que pediram e em troca eu tinha que lutar mais três vezes para ele. As apostas dobrariam esse valor e ele lucraria em cima de mim — Hannah balançou a cabeça negativamente, inconformada. — Ou eu aceitava lutar para ele ou ele cancelaria o acordo e eu teria que lidar com isso sozinho.

— Então essa foi a última luta? — Hannah afundou suas unhas na pele de seu braço tentando não surtar. — Você fez tudo isso e escondeu de mim esse tempo todo?

— Falta mais uma. E eu não queria esconder de você, mas foi preciso.

— Por quê? — Arqueou as sobrancelhas.

— Porque coisas como hoje poderiam acontecer, Hannah — Harry passou a mãos nos cabelos, sentando-se na cama. — Eu tinha a plena consciência que se você estivesse presente na plateia, eu ficaria preocupado sobre quem poderia se aproximar de você. Os caras de Dereham te conheciam, Hannah. Eles descobriram sobre você.

“Eu ficaria receoso sobre como lutar para que você não sentisse medo de mim. Eu ficaria receoso sobre qualquer dedo que eles pudessem relar em você ou que te fizesse entender os motivos os quais eu fui tão relutante de me envolver em um relacionamento.”

Hannah olhou para o chão sentindo as lágrimas brotarem novamente em seus olhos. Ela estava sentindo uma profunda tristeza e queria muito descontar isso em Harry batendo em seu rosto até terminar de quebrar seu nariz.

Sentia-se, de certa forma, traída por ele. Ele não confiou nela. Se ele tivesse sido honesto e pedido para que ela não fosse assisti-lo, ela entenderia. Hannah também morreria de medo de alguém fazer algo consigo e Harry estar distraído e nem ao menos perceber.

No entanto, ele preferiu mentir.

— Eu preciso de ar — Hannah arfou antes de soltar os braços ao lado do corpo e sair do quarto.

Harry fechou as mãos em punho e deu um soco na mesinha que ficava ao lado da cama. Sentia-se revoltado pelo conflito que criaram sobre si e Hannah. Ele descobrira quem o enviara e mandaria Ramirez pagar pessoas para ir atrás desses homens.

García não era burro de mandar mensagem para Hannah Lawford a convidando para ir na academia assistir a luta. Ele sabia que se o fizesse, Harry teria o foco da luta desviado e era possível perdê-la, como ocorreu hoje. Ramirez era ruim em algumas coisas, mas ganancioso e esperto demais para perder tanto dinheiro assim.

Provavelmente eles tinham oferecido dinheiro a Joseph Wayne caso derrotasse Harry e conseguissem o dinheiro de todas as apostas perdidas. Extorquiriam o dinheiro que Styles uma vez os impediu de ter.

Ouviu batidas na porta e virou o tronco para olhar. Louis abriu a porta.

Ele avisou que iria embora porque estava exausto, mas que tinha dito para Hannah que se precisasse voltaria para ajudá-los. Louis também contou para Harry que Hannah garantiu que ele fosse embora e que ela permaneceria a noite toda com Harry, ligando caso precisasse de apoio.

Quase uma hora se passou e Harry sentiu o cansaço lhe abater. Hannah o evitaria a noite toda, provavelmente. Deitou-se na cama e quase quinze minutos depois, estava dormindo.

Quando Hannah voltou para o quarto, ele dormia. Seu sono era pesado que ela tocou levemente com a ponta dos dedos gélidos sobre sua bochecha e ele nem se moveu.

A morena fechou os olhos e deu um pequeno beijo no canto de seus lábios, sentindo a primeira lágrima escorrer pelos seus olhos. Seu Harry estava tão machucado que ela sentia seu coração apertado caso alguma coisa mais grave tivesse acontecido com ele.

Além de reajustar o nariz, ele usava um tensor para o tornozelo devido a pequena lesão que sofrera pelas duas lutas. O médico questionou o que tinha acontecido e Hannah adivinharia que ele provavelmente mentiu dizendo que havia brigado com alguém na rua.

Hannah se afastou do corpo deitado de Harry e sentou-se na poltrona, permanecendo na mesma posição até aquele instante.

Piscou os olhos cansados e se inclinou para trás, sentindo todos seus músculos e articulações reclamarem pela mesma posição mantida por tanto tempo.

A sua cabeça estava a mil e doendo. Pediria uma aspirina mais tarde para que melhorasse. O hospital não lhe trazia boas lembranças então sabia que aquela seria uma noite perdida. Precisava procurar alguma coisa para ocupar a cabeça enquanto a madrugada ainda nem tinha começado.

Levantou-se da poltrona e puxou a manta do hospital para perto do peito de Harry, suspirando uma última vez ao olhá-lo para finalmente sair pela porta.

Andou pelos corredores até encontrar a pequena área de lazer para os internados. Era um pequeno jardim que era iluminado por alguns postes de luz branca e principalmente pela luz da lua. Havia canteiros de rosas e peônias espalhados em diversas cores. Não tinha ninguém ali, provavelmente por grande parte dos pacientes e seus acompanhantes estarem dormindo ou no quentinho dos quartos.

Abraçou o próprio corpo enquanto se encolhia do vento gelado que lhe atingiu os braços e o rosto.

— Com minha experiência posso dizer que muitos acompanhantes têm insônia por terem que ficar sentados nas poltronas, por mais que muitas sejam, de certo modo, confortáveis.

 Hannah olhou para o lado e encontrou um moço de olhos azuis, cabelos castanhos penteados para cima em um topete charmoso e de sobrancelhas grossas. Ele deu um pequeno sorriso para ela. A morena desviou o olhar do doutor e voltou-se para o gramado.

— Acho que precisava de um ar gelado para clarear os pensamentos — admitiu.

— São eles que te impedem a dormir? — Descontraído, colocou as mãos nos bolsos do jaleco. Hannah o olhou mais uma vez.

— Possuem uma parcela de culpa — admitiu.

Sem sequer disfarçar, ela desceu os olhos para o nome bordado no bolso do jaleco. Dr. Allan Bromberg.

— Me chame por Allan — adiantou-se. — Sou ortopedista aqui, mas hoje estou cumprindo plantão.

— Hannah.

— Seu dia não parece ter ido muito bem hoje, Hannah.

Ela tombou a cabeça levemente para o lado, olhando para seu rosto enquanto refletia sobre o assunto. Na realidade, ela nem parecia se esforçar para entender o que não havia ocorrido bem.

— As vezes é complicado saber lidar com as pessoas que você se importa.

— Nem me diga — ele ergueu as sobrancelhas e fitou os pés.

— Namorada? — Chutou ela. Allan a olhou e deu uma risada, voltando a olhar para baixo enquanto balançava levemente a cabeça.

— Não tenho namorada. Sou solteiro.

Lawford franziu o cenho. Ele levantou a cabeça novamente e tirou as mãos de dentro do jaleco, esticando os dedos antes de encostar os braços ao lado do corpo mais uma vez.

— Pois bem — ela quebrou o silêncio. — Estou aqui porque meu namorado decidiu entrar em uma luta e saiu estraçalhado — encolheu os ombros.

— Oh, é o garoto do nariz?

Hannah deu risada e posteriormente mordeu o lábio, assentindo algumas vezes.

— Sim, definitivamente é ele.

— Eu que coloquei o nariz do seu namorado no lugar, então. Ele sabe uma boa quantidade de palavrões.

Hannah colocou a mão na testa olhando para Allan enquanto eles riam da situação.

— Ele pode ser um pouco encrenqueiro as vezes.

— E isso te preocupa — constatou.

Hannah prendeu a respiração na garganta e apenas o fitou. Não tinha nenhuma resposta para aquilo e tampouco discutiria porque ela já tinha aceitado essa verdade há muito tempo. No entanto, era chocante como outras pessoas poderiam perceber com facilidade essa preocupação.

Parecendo perceber que pegou o ponto fraco de Hannah, Allan olhou para frente e ergueu o olhar para a luz da lua por um instante antes de fitar os pés e virar seu corpo de frente para a morena.

— Foi bom conversar um pouco e tomar um ar. Preciso voltar para o plantão. Se cuide, Hannah.

Ela acenou com a mão enquanto ele se afastava.

Hannah olhou novamente para o canteiro de rosas a sua frente e imaginou como seria se sua vida fosse regada a flores e como os lindos comerciais de margarina.

Não imaginava que algum dia poderia entrar diretamente em contato com a vida ilegal de Harry por mais que tenha separado uma briga entre ele e Vicente outrora. Era muito diferente do que havia presenciado aquela noite.

Por mais que ele insista que ela poderia ter ficado com medo, medo não era exatamente a palavra que a descrevia naquele momento.

Ela não teria receio de tocar Harry ou beijá-lo ou de ser sua namorada. Nada daquilo resumiria a pessoa que ele representava internamente para si. Porém, foi um choque perceber que as pessoas conseguiram seu número e deram um jeito de contatá-la, isso soava muito mais perigo do que ela sequer imaginava.

Seria tudo tão mais fácil se ele tivesse sido honesto sobre o que estava fazendo, sobre precisar lutar essas últimas vezes para que finalmente cumprisse sua palavra de cuidar e protegê-la.

Agora tudo parecia soar em vão.

Hannah sentiu uma mão em seu ombro e pulou de susto com o toque repentino. Virou-se rapidamente de frente para a pessoa enquanto seu coração batia acelerado. A cor de seu rosto também parecia ter sumido.

— Desculpa, não quis te assustar.

A morena respirou fundo, abaixando o olhar por um tempo. Quando ergueu o rosto novamente, Harry se aproximou e a puxou para perto de seu peito, a abraçando com força.

Ela fechou os olhos e se permitiu. Ele estava quente e seu coração estava acelerado.

— Eu fiquei preocupada com você.

— Eu sei — ele passou a mão pelos seus cabelos. — Eu sei. — Harry deu uma longa pausa. — Achei que tivesse ido embora.

— Não — ela balançou a cabeça. — Eu só não consegui dormir — admitiu e se afastou levemente para olhá-lo no rosto.

— Eu entenderia.

Hannah passou a língua pelos lábios e olhou para os lados, suspirando.

Esticou os braços e pegou nas mãos de Harry entrelaçando seus dedos. Era confortável saber exatamente como seria essa sensação e que a mão dele estaria quente perto de seus dedos gelados. Era como se ela já tivesse decorado exatamente onde eles poderiam se encaixar.

— É inegável que eu fiquei frustrada porque sempre pedi para que fosse honesto comigo. Eu não me envolveria nas coisas que você me pedisse para não o fazer e sei que temos um tempo suficiente de convivência para você saber que isso é verdade.

Harry assentiu.

Ele sabia de tudo aquilo que Hannah dissera porque ela já tinha dito coisas parecidas anteriormente, no entanto ele sabia que ela apenas repetia para que, alguma hora, ele fosse capaz de compreender.

A luta foi perdida porque ele realmente não esperava encontrar Hannah Lawford na multidão. Ele teria capacidade de derrotar Joseph Wayne. Mas não com Hannah assistindo-o disparar socos agressivos contra outra pessoa. Ele preferia machucar-se a, de alguma forma, enaltecer seu ego para provar algo para ela.

Ramirez estava puto. Todo momento em que limpava os ferimentos junto com Louis, ele xingava. Desejava a cabeça dos locais de Dereham porque eles tinha prometido deixar Hannah de fora. Não usando seu lado machista, mas Ramirez apreciava muito que mulheres ficassem de fora do seu negócio sujo, uma vez que trabalhava somente com homens.

Louis estava conformado. Parecia que ele tinha a sensação que alguma hora Hannah presenciaria aquele caos na vida de Harry e, constantemente, dizia que era melhor ter sido cedo do que tarde. Pelo menos ela poderia ter certeza se toparia tudo pelas emoções.

E ele não poderia mentir que tinha ficado assustado ao acordar e não a ver no quarto. Foi angustiante. Por alguns segundos ele acreditou que ela teria desistido dele mesmo sabendo do seu caráter protetor que a manteria no hospital mesmo que quisesse acabar com tudo somente por ter prometido que cuidaria de Harry.

— Eu juro que eu poderia terminar de quebrar seu nariz.

Harry riu fraco pela declaração de Hannah e a abraçou novamente.

De uma maneira narcisista, ele se sentia grato por Hannah ainda querer estar entre seus braços.


Notas Finais


✛ Treat people with kindness xx.


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