História Delirium - Capítulo 16


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Adolescente, Amor, Bangtan Boys, Drama, Hoseok, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Namjin, Namjoon, Paixão, Rap Monster, Romance, Seokjin, Sobrenatural, Suga, Suspense, Taehyung, Terror, Yoongi
Visualizações 122
Palavras 3.994
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, LGBT, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá meus amores! <3

Me desculpem pela demora para atualizar a fanfic, mas com a volta as aulas e meu novo em prego, tive que me habituar a nova rotina antes de conseguir escrever! Mas eu voltei, aleluia, e prometo que vou dar o máximo de mim para não atrasar os capítulos!

Obrigada por continuarem aqui comigo, amo vocês por isso e por mil coisas mais!
Boa leitura! <3

Capítulo 16 - Hidden feelings


Fanfic / Fanfiction Delirium - Capítulo 16 - Hidden feelings

“Nada pesa tanto como o coração quando está cansado.”
― Máximo Gorki


-x-

 

O mundo inteiro pareceu silenciar-se por um momento como se desejasse presenciar, sem quaisquer interrupções, aquela cena improvável.

E embora alguma parte de mim, mesmo que remota, soubesse que ficar sentada ereta e com os olhos fixos em Seokjin era a pior forma dentre todas as minhas possibilidades de tentar mascarar, ou ao menos de tentar suavizar a estranheza do que estava se passando ali, eu simplesmente não conseguia evitar; não haviam maneiras esconder meu choque.

Afinal, se ele realmente estivesse vendo Yoongi, o meu fantasma, o que aquilo poderia significar? Se agora eu já não era mais a única a vê-lo, isso significava que as histórias de Yoongi, tanto sobre a nossa conexão estabelecida no dia do acidente, quanto sobre nossos destinos precisarem da ajuda um do outro para serem reconstruídos, eram todas mentiras?

Tudo o que ele me dissera e me fizera acreditar não passava de conversa fiada?

Eu não conhecia nenhuma definição boa o suficiente para descrever-me naquele instante, e até mesmo duvidava que algum dia fosse conhecer. Eram tantos os e tão variados os sentimentos tomando forma em meu âmago, que me sentia a ponto de explodir pela confusão.

Um milhão de perguntas amontoavam-se em minha mente, impedindo-me de ter qualquer raciocínio lógico naquele instante, tanto que quase nem me importei com o fato de Jungkook e Namjoon estarem alternando olhares confusos entre mim e meu psicólogo – ambos provavelmente perguntando-se o que diabos estava acontecendo ali.

Pensei ter visto pelo canto do olho a mão do moreno ao meu lado se estender até a minha, mas se ele realmente o fez, recuou antes de fazer menção de toca-la.

― Hyung, você consegue me ver? ― Insistiu Yoongi, agora com a voz quase alarmada, irrequieto. ― Se consegue, diga alguma coisa! Eu preciso saber!

Realmente cheguei a pensar que o homem diante de mim cairia desmaiado a qualquer momento, principalmente a julgar pela cor de seu rosto, uma vez que ela praticamente desaparecera, dando lugar a uma palidez assustadora. O tom fantasmagórico de sua pele – percebi – lhe dava agora uma irônica e literal comparação com Yoongi.

Aquele pequeno detalhe certamente teria me feito rir comigo mesma – isso se eu não estivesse completamente atônita, é claro.

Em um movimento rápido e desajeitado Seokjin colocou-se de pé, fazendo com que a cadeira atrás de si caísse com um estalo alto de encontro ao piso de tábuas corridas. Os poucos fregueses do restaurante e um garoto baixinho e prestativo que limpava o chão e trazia os cardápios imediatamente voltaram seu foco para nós. Alguns com cara de reprovação, outros, de curiosidade.

Dessa vez, após inclinar-se em uma breve reverência como pedido de desculpa a todos, Namjoon reagiu também:

― Jin, está tudo bem? ― Não sei se foi seu tom de voz preocupado ou a mão de Jungkook finalmente cutucando meu braço que me arrancou de meu transe momentâneo.

Pisquei os olhos algumas vezes, forçando uma carranca confusa ao olhar para Jungkook de esguelha, dando a entender que também não tinha a menor ideia do que estava acontecendo – e só Deus sabe o quanto eu desejava não precisar entender aquilo. 

Ainda de lábios cerrados, Seokjin tratou de levantar sua cadeira e pegar de volta o sobretudo cor de pêssego que pendurara em seu encosto pouco antes de sentar-se conosco. Sua face, de repente, tornou-se quase inexpressiva. Seus olhos agora se mantinham fixos no garoto ao seu lado.

― Está tudo bem sim, eu só acabei de me lembrar que tenho alguns pacientes agendados para hoje. ― Pude perceber que embora ele fosse bom em mascarar seu rosto, sua voz entregava suas emoções, e naquele momento, concluí, ele estava no mínimo perturbado. ― Eu preciso ir. Agora.

― Mas hoje é seu dia de folga... ― Namjoon começou a protestar, mas calou-se ao perceber que seria em vão, uma vez que Seokjin já não lhe dava mais ouvidos.

Sem nos dar tempo para qualquer outra reação, o mais velho inclinou a cabeça em um sinal de despedida e partiu dali a passos rápidos. O que só serviu para tornar o clima já estranho entre nós duas vezes pior. Namjoon tossiu, claramente desconfortável.

Engoli em seco, desviando meus olhos arregalados para o prato diante de mim.

Mecanicamente peguei um pedaço de carne e levei até a boca, tentando agir como se tudo aquilo não passasse de um episódio corriqueiro do dia-a-dia, mas a simples ideia de ter Yoongi ali, ainda atrás de mim, era o suficiente para fazer meu coração errar as batidas.

― O que você está fazendo aí sentada? Vá atrás dele! ― Ordenou Yoongi, e me vi obrigada a morder a língua com força para não responder nada, uma vez que, diferente do que Seokjin aparentara, meus outros dois acompanhantes certamente não viam e muito menos ouviam meu amigo. ― Você precisa falar com ele, Yeo Jin!

Respirei fundo uma vez, e levantei-me com a maior naturalidade que foi possível naquelas circunstâncias.

Discretamente olhei na direção do garoto dos cabelos esverdeados; sua expressão era quase tão abismada quanto a de Seokjin antes de deixar o restaurante, com exceção apenas de suas bochechas infladas em um claro sinal de impaciência.

― Não vai me dizer que você também lembrou de algum compromisso em cima da hora, né? ― Jungkook indagou forçando ar de descontraído, mas havia um quê de curiosidade perceptível em sua voz.

Tanto eu, quanto Yoongi, viramos em sua direção.

― Na verdade eu só preciso ir ao banheiro. ― Tentei justificar. Procurei o olhar de Yoongi outra vez enquanto falava, para que ele entendesse que queria que me acompanhasse, mas seus olhos ainda estavam fixos em Jungkook. Pigarreei duas vezes e continuei: ― Não devo demorar.

Por sorte, enquanto marchava pesadamente em direção a parte mais afastada do restaurante que dava acesso aos banheiros, pude observar pelo canto do olho a figura de Yoongi praticamente arrastar-se em minha direção. Eu realmente não conseguiria pensar em nenhuma outra forma de chamar sua atenção caso ele não houvesse entendido meu recado.

Quando alcancei a parte dos sanitários, parei diante da porta do banheiro feminino, um tanto quanto incerta sobre aquele ser o melhor lugar para conversarmos. Mas também não era como se tivéssemos muitas outras opções – sair do restaurante não era viável naquele momento. E, certamente não causaria tanta estranheza uma mulher resmungando “sozinha” em um banheiro feminino, quanto uma mulher fazendo o mesmo em um banheiro masculino. Certo?

Suspirei pesadamente, abrindo a porta diante de mim e entrando após Yoongi ter me alcançado. Pelo reflexo do espelho na parede do banheiro, vi meu amigo hesitar uma vez antes de adentrar ao local.

― O que nós estamos fazendo parados aqui, Yeo Jin? Seokjin me viu! ― Yoongi quase dava pulos de impaciência ao falar. ― Nós precisamos ir atrás dele!

Encarei-o cética, ainda através de seu reflexo no espelho.

― Não é assim que as coisas funcionam, Yoongi! ― Exclamei em voz baixa. ― Aquele cara é meu psicólogo, caramba, você não pode esperar que eu simplesmente vá atrás dele e pergunte se ele também viu um fantasma. ― Dei ênfase à última palavra, me virando em sua direção. ― Ele vai achar que sou completamente maluca!

― Isso não é verdade, você sabe que ele me viu! A reação dele foi exatamente como a sua quando nos encontramos na sua casa. ― Teimou, batendo o pé.

― E se foi uma coincidência? Você mesmo ouviu a justificativa dele. ― Tentei retrucar. ― Como ele pode tê-lo visto se essa conexão é só nossa? Quer dizer que você esteve mentindo durante todo esse tempo?

Yoongi bufou, fuzilando-me com os olhos após a acusação. Ele agarrou suas madeixas verdes com as mãos pálidas e respirou fundo.

― Eu não estaria nesse estado se soubesse o que está acontecendo! Estou tão confuso quanto você. ― Esbravejou. ― E é exatamente por isso que devemos ir atrás dele.

A súplica em sua voz era mais do que o suficiente para me fazer amolecer e ceder, mas eu não podia aceitar aquilo. Fechei os olhos, fugindo da persuasão de seu olhar.

― Eu não posso... ― Murmurei. Abri os olhos sem conseguir encará-lo. ― Se eu for atrás de Seokjin agora, Jungkook vai acabar vindo atrás de mim também, e as coisas vão sair ainda mais do controle.

Yoongi riu, para meu espanto. Um riso amargo e carregado de escárnio, completamente oposto de sua costumeira e doce risada que fazia meu coração acelerar e me convidava a rir também.

― Penso que não é com o que Seokjin vai pensar que você está preocupada... ― Comentou casual, mas amargo. ― É com o que Jeon Jungkook vai pensar que você realmente se importa.

Inflei o peito resignada, e de todas as coisas que poderia ter dito, a única coisa que saiu de meus lábios foi:

― Ele não tem absolutamente nada a ver com isso. ― Inflei as narinas em uma inspiração profunda, e apenas por curiosidade, acrescentei: ― E desde quando você sabe o nome completo dele?

Ele mordeu a língua, como se não esperasse por aquela pergunta. Àquela altura ele provavelmente esperava que eu houvesse desistido de confrontá-lo, mas ele estava enganado.

― Bem, eu andei acompanhando você por algum tempo, então é claro que saberia o nome dele..., de qualquer forma não é isso que vem ao caso agora. ― Deu de ombros, sacudindo a cabeça minimamente. ― Não mude de assunto, Yeo Jin, nem tente disfarçar o que você sente.

Cerrei os punhos. Aquela era a primeira vez que Yoongi e eu brigávamos, e embora meu peito apertasse mais e mais a cada instante, eu não me permiti ceder.

― Você não se importa com os meus malditos sentimentos. Só quer que me sinta culpada por simplesmente não correr atrás de Seokjin e confrontá-lo como você espera! ― Grunhi entredentes. Um nó se formou em minha garganta, tornando minha fala embargada. ― Realmente acredita que eu queria estar nessa situação? Digo, acha que eu quero ser conhecida como a louca que fala com um fantasma? Às vezes eu até acho que seria melhor se você fosse só um fragmento de minha imaginação, uma invenção minha. Às vezes, só às vezes... eu queria que você não fosse real.

 Me arrependi de minhas palavras no instante em que elas saíram de minha boca, mas mesmo que eu soubesse que elas não eram verdade, e sim algo dito por impulso, não havia nada que eu pudesse fazer. Não haviam – e nunca haveriam – maneiras de voltar atrás com uma coisa dita.

Por um breve momento, tive de usar todo meu autocontrole para conter à vontade quase descontrolada de dar um tapa em meu próprio rosto, ou de simplesmente puxar meus cabelos com toda a força que fosse possível.

Os olhos negros e opacos de Yoongi se fixaram nos meus tão intensamente, que tudo ao meu redor, que não fossem aquelas írises escuras, perdeu o foco.

― Mais do que ninguém, eu me importo com o que você sente. Você é que tem sido egoísta demais para perceber. Fui quem foi deixado falando sozinho, não você! ― Aquelas palavras me atingiram como lanças pontiagudas. Recuei um passo, apoiando minhas mãos no mármore frio da pia. ― Sou eu quem deve perguntar se você realmente acredita que eu gosto de ser um maldito espírito preso na terra, sendo obrigado a ver todas as pessoas que eu amo me esquecerem só porque uma vez, uma única e maldita vez, eu quis fazer algo de bom e não ser o desgraçado de sempre!

Senti meus olhos ameaçarem transbordar as lágrimas que eu estivera lutando para conter.

Eu fora longe demais.

― Yoongi, eu...

― Não, não precisa dizer mais nada. Você tem razão, seria melhor se eu não estivesse aqui. ― Yoongi suspirou e desviou os olhos dos meus, fitando o chão aos seus pés. ― E você não é a única a imaginar outras possibilidades para o que poderia ter acontecido, sabe? Às vezes eu também me pergunto se não seria melhor ter deixado aquele carro te acertar...

Yoongi deu as costas para mim, encarando a parede diante de si ao continuar:

― Você era só uma desconhecida, afinal, uma garota qualquer que eu também acabaria esquecendo, assim como todos estão esquecendo de mim..., mas eu te salvei, Yeo Jin. ― Vi seus cabelos esverdeados movimentarem-se quando sua cabeça pendeu para frente, ao passo que seus ombros arriaram pelo peso daquela conversa. ― Eu me tornei o maluco que pulou na frente de um carro por você, mas nem mesmo agora, nem se tentar muito, eu me arrependerei da decisão que tomei.

Minha fala já havia se perdido em algum lugar, e não parecia fazer menção de dar as caras tão cedo outra vez, mas eu precisava fazer alguma coisa.

Juntando todo o resto de minha coragem, avancei na direção de Yoongi, que permaneceu parado, sem fazer a menor menção de mover um único dedo para se afastar. Foi um alívio perceber que ele não fugiria de meus braços. Mas quando minhas mãos estendidas finalmente chegaram de encontro a suas costas, o inesperado aconteceu: elas simplesmente o atravessaram, como se ele fosse um nada, como se ele fosse ar.

Puxei minhas mãos de encontro ao peito, como se uma corrente elétrica houvesse atingido-as. Yoongi virou-se para mim. Procurei o olhar dede imediato, esperando encontrar uma expressão tão horrorizada quanto a minha deveria estar, mas me deparei com um par de olhos tristes, quase decepcionados.

― Eu sabia... já está acontecendo. ― Ele sussurrou, e estendeu a mão em direção ao meu rosto, mas no lugar de seu toque, tudo o que senti foi uma corrente fria. ― Pelo visto você está se saindo muito bem sem mim.

Toquei com a ponta de meus dedos a pele de minhas bochechas onde deveria ter sentido os dele. Uma estranha sensação de angústia me acometeu.

― Do que está falando? O que está acontecendo? ― Indaguei tão baixo que cheguei a duvidar que ele tivesse me ouvido. Mas pelo modo como ele abriu um meio sorriso amargo, pude reconhecer que ouvira. ― Por que eu não consigo te tocar!?

Ele ignorou minhas perguntas.

― Talvez agora eu devesse simplesmente desaparecer, não acha? ― Sua voz, apesar de ácida, tinha um toque de embargo. Eu sabia, ou ao menos esperava, que alguma parte dele relutava em dizer aquilo. ― Isso vai evitar que eu seja um incômodo... você não precisa mais se preocupar em parecer uma louca.

Balancei a cabeça.

― Você não pode ir, não pode. Eu não queria ter dito aquilo. ― Lamentei, mordendo o lábio inferior. ― Yoongi, por favor...

Avancei mais uma vez em sua direção, ansiando por ficar frente a frente com ele e fazê-lo olhar em meus olhos para saber que eu me arrependera do que havia dito, mas antes que eu pudesse formular qualquer coisa para me expressar, ele me fez parar, e após sustentar meu olhar por mais uma vez, sem dizer absolutamente nada, ele desapareceu completamente diante de mim, deixando-me sozinha com um mar de arrependimentos se agitando em meu peito.

E embora tudo o que eu mais desejasse fosse simplesmente me deitar no chão e esperar que ele me engolisse, ou que, no mínimo, eu me misturasse ao piso velho, eu sabia que não podia fazê-lo. Jungkook e Namjoon ainda esperavam por mim lá fora, e eu já demorara mais do que o normal.

Andei até a pia, e enquanto jogava água fria em meu rosto, senti meus joelhos fraquejarem uma ou duas vezes. Alguns tremores tomaram meu corpo, ameaçando se apoderarem de mim junto com uma onda de tristeza, porém, de alguma forma que jamais conseguiria entender, consegui suprimir todos aqueles sentimentos.

Eu só precisava mascarar as coisas até chegar em casa. Eu não precisava de mais ninguém envolvido com meus fantasmas.

Mais tarde eu resolveria tudo aquilo, chamaria Yoongi, e junto com ele encontraria as respostas de que precisava.  Por ora tudo o que eu podia fazer era aguentar firme.

Encarei meu reflexo brevemente no espelho e após concluir que não parecia tão lamentável quanto acreditava que seria, saí do sanitário feminino, deixando para trás – mas não esquecida, – absolutamente toda a minha conversa com Yoongi.

Apressei o passo enquanto voltava para nossa mesa, mas fiquei um tanto quanto confusa quando me deparei apenas com um Jungkook aparentemente entediado e com o queixo apoiada nas mãos a me esperar.

Por força do hábito olhei em volta, mas não haviam nem sinais de Namjoon. O moreno, por sua vez, já notara minha presença quando me pronunciei:

― Onde é que ele...?

― Namjoon hyung disse que ia atrás de Seokjin. ― Jungkook esclareceu de imediato. ― E, bem, ele pagou a conta. Disse que sente muito por ter de sair assim.

Dei de ombros e fiz a típica expressão de quem sente muito, mas rapidamente desfiz meu muxoxo quando notei o olhar de Jungkook sobre mim. Seus olhos pareciam analisar atentamente cada traço de meu rosto, e seu maxilar cerrado indicava que havia alguma dúvida pairando ali.

Me impeli a desviar o olhar com um pigarro.

― Algum problema? ― Indaguei.

― Não, nenhum. ― Jungkook abriu um sorriso largo e esticou os braços espreguiçando-se lentamente antes de se colocar de pé. ― Vamos nessa?

― Claro. ― Assenti, tentar mascarar ao máximo meu alívio ao ouvir sua proposta. ― Não é como se tivéssemos muito mais o que fazer por aqui, de qualquer forma.

Devo admitir que não foi surpresa alguma quando Jungkook teimou em me acompanhar até em casa. Mas o que foi uma surpresa, de fato, foi eu realmente ansiar por sua companhia, e não tentar objetar em sua decisão.

Levei algum tempo para perceber que, se não fosse pelo garoto sentado ao meu lado no ônibus enquanto ouvíamos algumas músicas aleatórias no fone de ouvidos compartilhado, mesmo que sem dizer uma única palavra, eu provavelmente teria desabado no exato momento em que percebesse estar sozinha.

Sua improvável companhia até duas semanas atrás, agora acabara se tornando praticamente indispensável. E embora por vezes eu tivesse cogitado a ideia de puxar algum assunto para não parecer tão desanimada, me detive. Jungkook parecia tão imerso nas músicas que ouvíamos, que não me pareceu justo arranca-lo de sua bolha de imersão.

Por fim, quando eu menos esperava, foi ele a quebrar o silêncio de nossas vozes.

― Eu nunca teria imaginado que você e Jin hyung se conhecem, e muito menos que você é paciente dele. ― Comentou de repente, abrindo os olhos castanho-escuros e mirando-os em mim. ― É quase como se o destino quisesse que nós nos encontrássemos.

Ao passo que Jungkook riu descontraído após sua observação, meu estômago embrulhou com a simples menção daquela maldita palavra, no entanto, me esforcei para dar-lhe um sorriso.

Era invejável perceber a naturalidade com que ele se referia a ele, o destino, quando para mim, era como se falasse sobre uma espécie de sentença cruel e impiedosa. Sentença essa que, por sinal, eu acabaria sendo afetada por corromper.

Sem uma resposta minha, o outro prosseguiu:

― O que a levou até ele? ― Questionou, e embora parecesse um pouco constrangido com a própria pergunta, não desviou o olhar de mim.

― A vida. ― E a morte. Acrescentei em pensamento.― Ela que me levou até ele.

― É perfeitamente compreensível. ― Pontuou.

Uma das coisas que eu mais admirava em Jungkook era sua capacidade de compreender os momentos mais oportunos para não insistir em um assunto, e isso já havia se tornado um fato inegável.

De alguma forma, ele fora capaz de enxergar que eu não queria falar sobre aquilo, e voltou ao seu silêncio sepulcral sem reclamar, até o momento em que a condução parou diante do ponto de ônibus mais próximo de minha casa.

Jungkook desceu do ônibus logo atrás de mim, abrindo um sorriso em provocação quando o fuzilei com o olhar.

― Ainda está cedo. Não tenho medo de andar na rua sozinha a essa hora. ― Observei, apontando para o céu azul que se revelara.

― Você é sempre tão estraga prazeres assim? ― Perguntou com uma careta.

― Só com você. ―Admiti, não conseguindo conter uma risada.

Pensei tê-lo ouvido sussurrar algo como “bobinha”, mas apesar da dúvida, não pedi que repetisse ou questionei sobre.

Jungkook me pareceu estranhamente pensativo durante todo o caminho. Enquanto o observava pelo canto do olho, pude até mesmo chegar à conclusão de que aquela era uma nova face sua, um novo pedaço de seu eu que ele me permitiu conhecer.

Nós dois ainda cantarolávamos a melodia de última música que havíamos ouvido antes de deixar o ônibus quando paramos diante do portão de entrada de minha casa. Arrisquei olhar na direção de meu companheiro, que já me encarava.

― Até que o dia foi divertido, apesar de tudo. ― Jungkook riu, coçando a parte de trás da cabeça. ― Me desculpe por ter agido como um babaca hoje mais cedo.

― Tudo bem, eu é que devo me desculpar. ― Sorri, soltando as alças de minha mochila, que eu estivera segurando até então. ― E, hm, foi bem legal da sua parte ter me mostrado a sala de dança. Deveríamos ir lá mais vezes, não acha?

― Eu adoraria. ― Ele anuiu sorridente. ― Mas agora acho melhor eu ir andando. Imagino que deva estar cansada...

― É, pode ser. ― Suspirei, retribuindo seu sorriso em seguida. ― Nos vemos amanhã?

― Certamente. ― Respondeu pouco antes de acenar um tchau e virar as costas.

Estava decidida a esperar que ele se afastasse para só então entrar em casa, mas não imaginei que ele fosse dar três passos e parar, estacando na calçada como uma estátua.

Será que ele havia esquecido alguma coisa?

Ouvi um suspiro ruidoso de sua parte.

― Acho que você vai ter que me desculpar por uma coisa... ― Ele falou de surpresa, virando-se com uma lentidão quase exagerada em minha direção. Uma lentidão típica de quem ainda não tem certeza sobre o que vai ou não fazer.

Franzi o cenho, sem entender o que ele estava dizendo.

― Achei que já tivesse te desculpado. ― Retruquei, ainda confusa. ― Mas seja como for eu...

― Não é do que aconteceu antes de estou falando. ― Ele me interrompeu, sem me deixar concluir minha fala. ― É disso.

O momento seguinte em à sua fala pareceu se passar em câmera lenta, e ainda assim, rápido demais; em um ato total e completamente inesperado por mim, Jungkook retomou a proximidade entre nós, e com uma delicadeza quase extrema me puxou para si.

Seus braços envolveram meu corpo junto ao seu, e fui acolhida de encontro ao seu peito. Eu o sentia quente sob a camisa do uniforme escolar, e pude perceber claramente sua respiração descompassada se misturar com a minha própria, quase tão desregulada quanto a dele. E embora a surpresa fosse grande, não pude fazer outra coisa senão me permitir envolve-lo com meus braços também.

Seu peito inflou e desinflou em um suspiro, e quase posso jurar que senti seu nariz roçar o topo de minha cabeça ao inspirar.

Minhas pernas tremeram pela segunda vez naquele dia, mas não foi por aflição.

― É por isso que você deve me desculpar. ― Ele sussurrou, apertando-me ainda mais junto de si. ― Eu juro que tentei evitar, mas depois de vê-la daquele jeito no restaurante, tudo o que eu mais quis foi te abraçar...

Um sorriso se desenhou em meus lábios. Ele havia percebido.

Embora eu não tivesse lhe dado uma resposta, de encontro ao seu peito eu me acomodei um pouco mais.

E enquanto dentro de mim alguma voz sussurrava obrigada e praticamente implorava para que ele não me soltasse mais, outra, ainda mais baixa, chamava por outro nome.

Por outro alguém.

Por outro rapaz.


Notas Finais


E aí, o que acharam?
Todos preparados para o próximo capítulo?
Espero que sim, porque, prontos ou não, nos vemos semana que vem!

Beijinhos e um ótimo dia para vocês! <3


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