História Deltaphone - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Aventura, Ficção Cientifica, Futuro, Tecnologia
Visualizações 1
Palavras 3.843
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Ficção Científica, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo 01


Júlio está prestes a se formar no curso de engenharia eletrônica da universidade federal, ele está no quarto sentado em sua escrivaninha, onde além do objeto de estudo, está seu computador e um home theater tocando a música Aerials do System of a Down. Ele está preparando sua tese sobre ondas de rádio, o quarto mais parece uma oficina mecânica daquelas bem bagunçadas, ele espalhou trambolhos eletrônicos por todos os lados, na escrivaninha há algo bem parecido com um rádio analógico daqueles bem antigos, completamente desmontado, duas antenas compridas estão conectadas ao aparelho, uma delas é ligada a um emissor de ondas de rádio e a outra a um receptor. Além disso, vários livros se encontram sobre a cama e a mesa, abertos em capítulos diferentes, um caderno com anotações repousa sobre o colo do jovem, ele permanece absorto em suas cogitações, observando todo seu engenho.

            Esta noite Júlio está sem sono, ele está empolgado porque na noite anterior conseguira fazer seu aparelho captar e emitir quase todas as frequências de rádio existentes. Ele conseguiu com um amigo seu, que é químico, uma liga metálica raríssima, a quantidade é pouca e custou meio ano de seu salário, mas para ele valeu a pena.

            Em seu laboraquarto, o rapaz começa a derreter a liga e a fazer peças e filamentos, somente os necessários para o primeiro teste. Após soldar os novos componentes que acabara de fabricar ao chassi do aparelho, ele passa a ligar várias partes diferentes, até que por fim, fecha a caixa e liga o equipamento, colocando-o para funcionar. Conforme Júlio gira o botão de sintonia, fica de olho no ponteiro do receptor para ver se ele se move, ele continua girando e nada acontece, ainda com esperança, ele desliga o aparelho, religa e roda novamente o botão, e nada, então o jovem começa a se irritar, repete várias vezes o ato sem nenhuma necessidade, ele gira o botão completamente até o mínimo e desiste, indignado a raiva o possui, num ataque de fúria ele chuta a escrivaninha enquanto grita o pior palavrão que conseguiu imaginar, ele percebe que com o ato o ponteiro se moveu, lógico que foi por causa do chute que dera na mesa, mas um pensamento ridículo se passa em sua cabeça, ele grita o palavrão mais uma vez sem chutar nada, e percebe que estava certo, nada se moveu, começa a ficar furioso pelo dinheiro que tivera de gastar, e novamente vê o ponteiro se mexer e depois voltar ao ponto zero, tudo sem ele ter movido nada. Sem saber o que fazer, e sem reação, ele fica olhando para o ponteiro parado, esperando que se mova novamente por algum milagre, ele volta a girar o botão para ver se o fato se repete, então ele tem uma grande ideia.

- É isso! Gráficos, eu preciso de gráficos! [Exclama Júlio exaltado]

            O rapaz se senta ao computador e começa a desenvolver um aplicativo, escreve um código enorme, por mais de três horas, e finalmente, às onze da noite, termina o projeto, instala o aplicativo em seu computador, e cria algumas conexões USB entre o PC e o rádio. Já é quase meia noite quando finaliza tudo. Ele liga o rádio, move o botão para a frequência mínima, assim como estava quando o ponteiro se moveu, olha para a tela do computador, o gráfico fica ondulando por alguns instantes e pára, marca que o receptor está captando uma frequência de 2.3Hz, pelo seu conhecimento, o jovem sabe que é uma frequência baixíssima na qual nenhum aparelho de rádio conhecido funciona. Ele começa a anotar as informações quando a tela apaga e surge a imagem de dois homens conversando.

- Mas como? [Indaga Júlio consigo mesmo, sem entender o que houve] Essa joça não deveria captar sinal de televisão!

            No monitor, um dos homens fala:

- Ele está nos observando agora.

            Júlio assustado desliga o rádio.

- Qual é? Que ridículo… É só a cena de algum filme!

            Ele dá uma gargalhada percebendo como fora ingênuo. Religa o aparelho e a cena dos dois homens volta a aparecer, o jovem gira o botão para mudar a sintonia, mas a tela continua fixa na mesma imagem, ele dá uma olhada no aparelho para ver se nada pifou e volta a olhar o monitor, os homens estão conversando em voz baixa.

- Você acha que é o momento de revelar a ele? [Diz um dos homens na cena do monitor]

- Ele irá se assustar, na minha opinião devemos esperar um tempo para que ele se acostume. [Responde o outro]

            Depois de dizerem isso, os homens continuam olhando um para o outro. O rapaz sente um calafrio percorrer sua espinha, arrepiado e tremendo, ele tenta dialogar para ter certeza de que não é só a sua imaginação.

- Vocês estão falando de mim?

            Um dos homens fala com o outro sussurrando:

- Não diga nada.

            Júlio desliga tudo, corre para a cozinha, prepara um café bem forte para despertar, está com medo de ter sofrido sérias alucinações, depois de beber retorna para o quarto pensando em deitar, mas quando olha para sua aparelhagem tem uma sensação tão ruim que decide não permanecer naquele recinto, ele volta para a sala e se deita no sofá, seu desejo é dormir e esquecer que uma coisa tão esquisita se passou com ele. Uma hora depois de ter deitado ainda está acordado, é quando cai em si de que não deveria ter tomado café forte. O jovem se levanta decidido a continuar com seus testes, volta para o quarto, liga o aparelho, e para sua decepção, a mesma cena continua na tela do PC. Está confirmado que não é um filme, e dificilmente seria a imagem de alguma câmera pelo mundo. Ele fala com tom de voz firme:

- Digam o que vocês querem!

            Os dois homens olham na direção de Júlio, como se estivessem olhando para a câmera, e um deles começa a falar.

- Seu nome é Júlio não é?

- Sim, como vocês sabem? [Pergunta o rapaz]

- Vamos te guiar por uma experiência para você obter algumas informações. Mas antes de tudo, veja em seu computador que ele está marcando um canal específico, é o canal 11.2, anote-o em seu caderno para que não percamos contato com você daqui em diante. Agora, sintonize no canal 25.8, digitando na barra de busca de seu aplicativo, e assista o que está passando nele, depois retorne a transmissão para o canal 11.2.

            Júlio faz o que os homens disseram, mas quando começa a pensar no assunto, avalia que é muito esquisito que aquelas pessoas consigam escutar sua voz, já que não há nenhum microfone conectado aos equipamentos, isso leva-o a desconfiar que talvez estejam vendo-o também. O jovem dá uma olhada rápida ao seu redor, procurando algum microfone ou câmera escondidos, desconfiando que talvez seja uma brincadeira de um de seus colegas ou até a ação de algum serviço secreto, mas logo o monitor passa a exibir uma propaganda:

Este ano iremos eleger os representantes do Parlamundi, 32% deles é antideltista, 44% deltista e 24% não têm posição definida. Assista hoje, às 22hrs, o debate entre os dois candidatos mais bem cotados nas pesquisas durante estas eleições e que representam as causas deltista e antideltista. Você ainda não sabe em quem votar? Quer saber a diferença entre as duas causas? Assista logo mais ao informe que explica a diferença entre cada uma. Agora vejamos a opinião dos eleitores.

- Bom dia senhor. Me chamo Helena Kakopoulos da TV Parlamundi News, o senhor é deltista ou antideltista?

- Sou deltista claro.

- E o que o senhor acha do Deltaphone?

- É uma maravilha da tecnologia, posso fazer tudo com ele, me comunicar com meus amigos em todo o mundo, comprar, participar de reuniões virtuais, estudar. Eu amo o Deltaphone!

- Obrigado pela participação, tenha um bom dia.

            A repórter se vira para a câmera.

- Vejamos agora mais um eleitor.

            Ela caminha pela rua e aborda uma idosa.

- Bom dia senhora. Me chamo Helena Kakopoulos da TV Parlamundi News, a senhora é deltista ou antideltista?

- Sou antideltista, e acho que o mundo precisa abrir os olhos, estamos entregando nossas vidas, nossos pensamentos, nossas opiniões todas nas mãos de um aparelho! Até onde chegaremos meu Deus?

- Obrigado pela participação, tenha um bom dia.

            Mais uma vez, a repórter se vira para a câmera.

- Esse foi mais um Parlamundi News, direto das ruas de Nova York.

            Depois disso o sinal cai e a tela se apaga. Júlio clica na caixa onde deve digitar o canal 11.2 para voltar a falar com os dois homens, no entanto ele hesita. Após alguns segundos olhando para a tela do computador, tentando compreender tudo o que acontecera, o jovem se levanta, confere as horas em seu celular, uma da manhã. Ele desliga todo o equipamento, apaga as luzes do quarto e se deita, ele olha para o teto enquanto espera o sono chegar, começa a rir, sente que passou por uma brincadeira ridícula de alguém que não tem mais o que fazer.

            São oito e meia da manhã quando o rapaz acorda, seus olhos estão inchados e ardendo, ainda deitado ele olha para o lado e vê seu equipamento de rádio, o que antes lhe dava uma emoção tremenda por se tratar de uma brilhante tese de conclusão do curso superior, agora lhe traz uma sensação esquisita, desconfiança. Ele recolhe todos os papéis espalhados pela mesa, pela cadeira e até mesmo sobre a cama, alguns amassados por ter dormido em cima deles, coloca todos em uma pasta junto com seu caderno de anotações, dá uma breve revisada apenas passando os olhos nas informações mais importantes. Uma dúvida aflige seus pensamentos: “Será que fiz algo errado? O que aconteceu realmente?”

            Ao terminar de conferir suas anotações, o jovem fecha a pasta e guarda-a na gaveta da escrivaninha, em seguida levanta, se espreguiça e sai do quarto, ao vê-lo, sua mãe logo o interroga.

- Ficou até tarde trabalhando de novo filho?

- Até de madrugada. [Responde Júlio]

- Se apresse, senão chegará atrasado ao trabalho.

- Não se preocupe mãe, seu Sousa entende, ele sabe que chego atrasado por causa dos estudos.

- Está bem. O café está pronto.

- Eu só vou comer umas bolachas.

            Júlio segue até a cozinha, abre a despensa, pega um pacote de bolachas de água e sal, e apressado caminha em direção à porta.

- Só vai comer isso Júlio? Vai ficar fraco no trabalho.

- Está tudo bem mãe. Tchau.

            Júlio corre pela rua, ele trabalha em uma mercearia perto de sua casa, que pertence a um português naturalizado no Brasil chamado Souza, chegando ao local, seu patrão está com a cara emburrada, ocupando seu lugar no balcão.

- Bom dia seu Souza.

- Chegaste atrasado mais uma vez Júlio! Isso te custará meia diária do seu soldo.

- Então posso ir para casa e retornar só à tarde?

- Só se quiseres perder o emprego.

- Todo dia o senhor reclama que eu chego atrasado.

- Isso porque tu chegas atrasado todo santo dia!

- Mas é por causa da faculdade seu Souza.

- E isso não é problema meu!

            Júlio assume seu lugar no balcão, em pouco tempo uma cliente chega com o carrinho e começa a retirar as compras. Enquanto põe tudo na sacola, o jovem começa a cogitar sobre qual de seus colegas de curso está tentando lhe pregar uma peça, ele tem quase certeza de que é isso que está acontecendo, vários nomes se passam em sua cabeça, ele mal pode esperar para confrontá-los, tem de montar uma estratégia, já que se chegar cobrando explicações, dificilmente irão assumir, e também porque não pode sair acusando sem saber quem é.

- Rapaz, você está bem? [Indaga a cliente]

- Me desculpe. Por quê?

- Veja. Você colocou todas as minhas compras na sacola sem passá-las pelo caixa. Por acaso hoje é tudo de graça?

- Ai meu Deus! Me perdoe.

- Agora isso vai demorar o dobro do tempo. [Diz a moça enquanto o ajuda a retirar os produtos da sacola]

            O jovem começa a passá-los uma a um pelo leitor de códigos de barra, percebendo isso, seu Souza se aproxima.

- O que aconteceu Júlio?

- Eu estava distraído, pensando, coloquei tudo na sacola sem perceber.

- Dormiste bem filho?

- Mais ou menos.

- Vá… vá… vá… já perdeste a metade da diária, não me dê mais prejuízo, pode ir para casa.

- Eu dou conta. Prometo que prestarei mais atenção.

- Não prometa, está na cara que você está perturbado, desse jeito terminará dando minhas mercadorias todas de graça.

- Qual é seu Souza? Foi só um vacilo.

- Vacilo, vacilo… Saia desse caixa. Vá para casa. Ande!

- Está bem… Posso levar um pacote de pão-de-mel?

- Leve o que quiser.

- Valeu seu Souza!

            Júlio corre até uma das prateleiras, pega o pacote dos pãezinhos que queria, abre-o e começa a comer avidamente, já que não tomou café antes de sair de casa, a fome tinha começado a apertar. Ele acena com a mão para o patrão e toma o caminho de volta para casa, no caminho, encontra seu colega de faculdade, que lhe vendera a liga de metal.

- Fala Jonas.

- Estava indo ao seu trabalho agora mesmo Júlio.

- Saí mais cedo.

- Fez besteira de novo?

- Não, eu consegui uma folga para voltar a trabalhar no meu projeto, seu Souza é legal comigo.

- Sei…

- Mas e você? Não tem nada a me dizer?

- Eu só queria saber se a liga funcionou. Porque tenho outras substitutas.

- Ah… Eu acho que você sabe que funcionou…

- E porque eu deveria saber?

- Não sei, me diga você.

- Você está esquisito…

- Qual é? Fala sério. Você tem algo pra me dizer, não tem?

- Mas o quê?

- Sei lá, sobre dois caras, um monitor…

- Mas do que é que você está falando?

- Eu sou da TV falamundo news! O senhor é dentista ou antidentista? Essa foi boa! Hahaha!

- Júlio, você está se juntando com aquela turma do ácido?

- Deus me livre!

- Então bebeu, me deixa sentir seu hálito. [Diz Jonas aproximando o nariz da boca do amigo]

- Tá me estranhando mané!

- Então me diz o que é que está acontecendo?

            Júlio começa a pensar nas alternativas, de repente passa por sua cabeça que seu amigo sequer sabia que ele iria conectar seu equipamento a um monitor, a hipótese de que lhe pregaram uma peça começa a perder força.

- Vem até minha casa que eu quero te mostrar uma coisa. [Diz Júlio]

- O quê?

- É algo sobre meu projeto.

            Jonas aceita o convite, no entanto, os jovens dão apenas alguns passos até que Júlio pára e fica por alguns instantes calado, pensando.

- Sabe? Pensando bem, é melhor você não ir.   

- Se for para usar droga eu não iria mesmo, porque me parece que você está doidão. [Responde Jonas]

- Se liga cara. Não é nada disso.

- E o que é que você queria me mostrar?

- É que eu cheguei à conclusão de que é melhor você não saber por enquanto, até que eu entenda bem a situação.

- Você me deixou curioso.

- Logo você verá, quando eu descobrir o que é.

            Júlio está para se despedir quando hesita mais uma vez.

- Ah Jonas… mas se eu descobrir que foi tudo uma peça que um de vocês me pregou, ficarei uma fera!

- Eu hein! [Exclama Jonas completamente confuso]

            Após exclamar sua rejeição, Jonas vira as costas e vai embora sem se despedir do amigo, enquanto ri pelo ridículo do que acabara de acontecer. Júlio apressa o passo e logo chega em casa.

- Saiu mais cedo do trabalho Júlio?

- Saí mãe, seu Souza me liberou para eu voltar a trabalhar na minha tese.

- Ele é um homem muito compreensível.

            Júlio caminha direto para o quarto, entra, tranca a porta e começa a religar todo o equipamento. Ele retorna à mesma frequência em que tudo acontecera na noite passada, e novamente os dois homens esquisitos surgem.

- Que bom que voltou Júlio! [Diz um dos homens externando sua alegria ao rever o rapaz]

- Como vocês sabem meu nome?

- Deixe isso de lado. Então Júlio, eu sou Franco Martí, e esse é meu colega de trabalho Lorenzo. Estamos conectados ao seu aparelho por um tipo de onda de rádio chamada de Onda Delta. Apesar do fato de que essa onda sempre existiu, você conseguiu criar um aparelho que a transmite e capta, esse tipo de aparelho ainda não existia, foi graças ao seu conhecimento tecnológico e ao tipo de liga de metal que você utilizou nos filamentos que lhe possibilitou esse feito, e foi graças a essa descoberta que podemos estar nos comunicando com você nesse momento.

- Então eu fiz uma descoberta sensacional!

- Fez sim.

- Mas se vocês estão usando essa mesma tecnologia para falar comigo não fui eu que descobri, foram vocês. Vocês ficaram ricos com isso? Dá dinheiro?

- Calma meu rapaz. Não ficamos ricos. Você ainda precisa saber de mais coisas.

- E sobre o vídeo que assisti ontem? Do que ele estava falando?

- É o que iremos te explicar agora, mas antes disso, você precisa assistir ao próximo vídeo. Sintonize no canal 23.8, depois volte.

            Júlio faz como eles mandaram e surge na tela um homem sendo entrevistado na bancada de um telejornal.

- Estamos aqui com Alfredo Richmen, da Faculdade Particular de Tecnologia Três Fontes. Ele veio explicar os recentes rumores que têm surgido na sociedade sobre a tecnologia Deltaphonic. Boa noite senhor Alfredo, seja bem vindo ao nosso telejornal. Algumas pessoas têm falado que o Deltaphone estaria causando uma suposta escravização em massa praticada pelo setor privado. O que o senhor acha disso?

- Primeiramente boa noite a todos… Eu acho que são boatos tolos criados por alguns grupos antideltistas subversivos que estão bastante ativos esses últimos anos, não todos, mas é comum nas disputas políticas. E esses boatos surgem justamente devido às disputas políticas, tanto de um lado quanto do outro. É certo que muitos dos deputados do Parlamundi pertencem a uma parcela do setor privado que trabalha com a tecnologia Deltaphonic, mas isso não é motivo para generalizações. Creio que tivemos uma boa escolha nas últimas eleições em 3046 e certamente, agora em 3050 iremos eleger candidatos que continuarão com os mesmos projetos no aprimoramento da tecnologia Deltaphonic.

- Muito bem. Vamos então ao vivo para as ruas, com algumas perguntas do público, para o senhor responder. Já vou avisando que é bom o senhor se preparar porque irão ter deltistas e antideltistas. Vamos ao primeiro.

- Minha pergunta para o senhor Alfredo Richmen é se ele acha certo o Deltaphone recolher nosso conteúdo mental para criar interfaces mais aprazíveis de comunicação? [Pergunta o telespectador]

- Senhor Alfredo? [Diz o âncora do telejornal]

- Olha, o subconsciente é onde está a nossa personalidade, se você quer um aplicativo que se pareça com você, que te entenda, é lógico que o Deltaphone necessitará acessar essa parte da mente, e inclusive recolher conteúdo dela, eu não considero que isso seja errado. Existem várias auditorias, leis de auto-regulação, nada vai ser usado contra o usuário e eu confio que a Deltaphonics SA tem esse comprometimento. E como já dissemos muitas vezes, quem não estiver gostando do Deltaphone pode desligá-lo, ele não está escravizando ninguém, como andam dizendo por aí.

- Vamos ao próximo entrevistado. [Diz o âncora]

- Eu quero dizer ao senhor Alfredo que ele não me engana, vocês que defendem esse aparelho estão todos lucrando, e muito, eu ouvi essa explicação que ele deu agora e não me convenceu, e quero falar ao povo em todo o mundo, se livrem desse aparelho do mal, não basta desligá-lo, queimem-no e retirem o chip dele de suas cabeças, quem já colocou. Esse aparelho tem a capacidade de fazer com que vocês[…]

- Desculpem, nós cortamos o amigo aí porque os telespectadores tem que fazer perguntas e não dar opinião própria.

            Novamente o sinal cai e a tela fica escura, Júlio retorna para Franco e Lorenzo.

- Espera um pouco… É serio isso tudo que eu vi? Ano 3050? E que diabos é esse Deltaphone, tem alguma coisa a ver com a empresa Deltaphonics?

- Eu e o Franco estamos no ano 3050, esse ano é um marco da grande mudança que nosso mundo está passando. É difícil para você compreender, mas seu aparelho está captando essa onda chamada Delta, é uma onda que pode ser captada e emitida pela mente humana e que opera entre 0,5 e 3 Hertz. O Deltaphone é um aparelho que pode manipulá-la, ele é um aparelho criado pela Deltaphonics SA, que você já conhece, já que ela existe desde o seu tempo.

- E o que é Parlamundi?

- O Parlamundi é um órgão que existe desde 2920, ele é um governo global composto por mil deputados, conselhos, secretarias etc.

- Como é possível vocês no futuro estarem falando comigo? Isso ainda me parece uma brincadeira de mau gosto.

- Para ser uma brincadeira teríamos de ter contratado muitos atores, adquirido, câmeras, montado estúdios de TV. Sairia muito caro para uma mera brincadeira não acha? Todas as suas perguntas serão respondidas. Por enquanto só precisa saber que você encontrou um novo tipo de onda, chamada Onda Delta inerente ao cérebro, mas que no futuro será manipulada pela tecnologia, é essa onda que está possibilitando você se comunicar conosco. Nós temos controle sobre todo o processo graças ao fato de a dominarmos muito mais do que você. Demoramos muito para conseguir chegar nesse ponto, eu e o Franco estamos a cinco anos trabalhando em nossa empresa para conseguirmos chegar a esse experimento que estamos fazendo com você, e saiba que precisamos muito de sua ajuda, muito mesmo.

- Que empresa?

- É complicado, responderemos essa pergunta mais à frente. Só queremos garantir que você esteja disposto a nos ajudar.

- Está bem, no que eu puder ajudar eu ajudo. Até porque, pelo que eu vejo, vocês poderão me ajudar muito também, a terminar meu TCC e fazer dele um trabalho extraordinário.

- Sim, nós podemos, e vamos falar disso depois. Analise as informações que recebeu, te peço que não vá para a faculdade só por hoje e não conte a ninguém isso que você passou, quando achar conveniente volte a nos contatar nesse mesmo canal.

- Está bem. Até mais pessoal.

- Até Júlio.

            Júlio desliga tudo. Está perplexo com o que viveu nessas últimas horas, ao invés de analisar as informações que recebeu, ele começa a pensar no tanto que Franco e Lorenzo podem lhe ajudar, ele vê que pode criar o melhor TCC da história. São muitas coisas para pensar.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...