História Deltaphone - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Aventura, Ficção Cientifica, Futuro, Tecnologia
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Ficção Científica, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 03


O dia seguinte é sábado, como de regra, pela manhã e pela tarde, o jovem Júlio vai para o trabalho na mercearia de seu Souza, nesse dia ele faz tudo certinho, fala muito pouco, não faz piadas, o patrão chega a estranhar a atitude do rapaz. Ao cair da noite ele retorna para casa, continua calado, sua mãe tenta puxar conversa, mas ele apenas dá respostas automáticas, em nenhum momento do dia pega no celular, que costuma colocar no modo silencioso antes de ir dormir e retira ao acordar, mas que naquele dia permaneceu em modo silencioso durante todo o dia.

- Júlio, você está muito calado hoje.

- Não é nada mãe.

- Você falou com aquele homem da Deltaphonics?

- Não falei ainda.

- Se não se apressar pode perder uma grande proposta.

- Eu sou um cientista. Eles nunca irão desistir de mim.

- Está com algum problema?

- Já falei. Não é nada.

- Tudo bem então.

            Júlio caminha para o quarto, deita na cama com as pernas para fora, retira o celular do bolso e confere as horas, já são oito da noite, há nove ligações perdidas, ele abre o registro de chamadas, sete delas são do gerente da Deltaphonics, duas das ligações, estranhamente, são de Rita. Ele retorna.

- Quis tanto meu número e quando eu te ligo você ignora? [Diz a jovem ao atender]

- Desculpe, eu deixei o celular no silencioso.

- Para que eu não ligasse?

- Claro que não, foi sem querer.

- Eu falei com o Jonas, ele disse que ninguém o procurou.

- Então por meio de quem a Deltaphonics soube de mim?

- Ele também perguntou a algumas pessoas e não ficou sabendo de ninguém.

- Estranho.

- Bota estranho nisso.

- Espera aí. Como você pode ter me ligado se eu ainda não tinha te mandado meu número?

- Eu sempre tive seu número, o Jonas me passou. Esperava que me ligasse ontem para eu fingir que não tinha, mas como não ligou decidi ligar para te avisar sobre que me pediu.

- Espertinha.

- Que nada. Agora pode me falar, porque deixou o celular no silencioso o dia inteiro?

- Você está preocupada sem motivos, não foi por sua causa.

- Claro que sei que não foi por minha causa, eu estava brincando, mas quero saber qual foi o motivo.

- Eu precisava me desintoxicar de tudo isso. Tive uma experiência muito forte.

- Que tipo?

- É melhor eu não falar.

- Olha garoto. Se estiver se fazendo de misterioso como estratégia para me conquistar não está funcionando.

- Não estou não, desculpa se passei essa impressão.

- Hum…

- Quer sair comigo?

- Talvez outro dia.

- Eu sabia…

- Assim você vê se não ignora minha ligação outra vez.

- Ah é? Era tão importante assim?

- Não foi isso que eu quis dizer.

- Não né… Tanto que guardou meu número tanto tempo.

- Eu tenho que desligar.

- Tchau.

            Com mais uma injeção de ânimo após ter falado pela primeira vez com Rita pelo telefone, algo talvez fútil, mas que fez uma grande diferença para o jovem, ele se levanta, como se a voz de sua paixonite o erguesse do desânimo. Ele religa o aparelho, a sensação é sempre esquisita ao ver os dois homens sempre no mesmo lugar, mas já está se acostumando, Júlio passa a apreciar a companhia de seus dois novos amigos, que vivem a mais de mil anos de “distância”.

- Demorou Júlio. [Comenta Lorenzo]

- É, muito trabalho, compromissos.

- Nós sabemos. O que achou do pronunciamento daquele hacker de ontem?

- Me pareceu que ele estava dizendo a verdade.

- E se ele estiver dizendo a verdade então o Deltaphone é um aparelho muito perigoso, não?

- Pode ser.

- Entenda uma coisa. Não estamos querendo te convencer de ser contra a tecnologia Deltaphonic, até porque nós também a utilizamos, queremos apenas que você assimile algumas informações importantes para que saiba quais rumos deve tomar.

- Mas porque são tão importantes as decisões que tomarei?

- Você entenderá.

- Espero.

- Quer ver mais?

- Quero.

- Sintonize no canal 33.5.

            Júlio faz como Lorenzo pediu, alguns segundos depois surge um comercial de TV.

Senhoras e senhores, estamos aqui na Sede Internacional da Deltaphonics SA, uma empresa com uma longa história, que desde o século XXI vem trazendo novidades para a casa de cada ser humano na face da terra. Essa empresa está ligada intimamente com todos os seus consumidores, nossos servidores não guardam simples informações, mas anseios e ideais. Tudo isso se deu graças a um jovem recém formado que teve uma simples ideia, procurar novos tipos de ondas de rádio que pudessem ser usadas pelo mercado. E o que ele descobriu possibilitou a criação de um aparelho que trabalha com baixíssimas frequências, o Deltaphone.

[Novamente surge na tela a imagem do aparelho com o formato da letra delta]

É a esse jovem chamado Júlio, que há séculos atrás revolucionou o setor de comunicações, a ele que devemos tudo isso. Esse jovem entrou para a história. Por causa dele temos hoje o Deltaphone, um aparelho que facilitou a vida de todos nós. E nós da Deltaphonics SA estamos comprometidos com sua segurança e comodidade, criando a cada dia novas possibilidades. Deltaphonics, mais que uma empresa, sinônimo de inovação.

            A transmissão acaba, Júlio mais uma vez não retorna para o canal onde seus amigos estão.

- Fui eu! Eu causei tudo isso! É essa minha droga de rádio que vai terminar daquele jeito? Mas eu não entendo, a Deltaphonics já existe, será que eu vou trabalhar lá? Será que eu serei dono dela? Meu Deus! Será que eu vou ficar rico? Se for isso, porque o Lorenzo e o Martí entraram em contato comigo? Será que eles não querem que eu crie o Deltaphone?

            Júlio decide mais uma vez, não voltar a falar com os dois, ele está contra a parede, tem somente duas opções, criar um aparelho sensacional e ao mesmo tempo perigoso, ficar rico e entrar para a história, ou deixar de criar por causa do mau uso que será feito dele e se virar para pagar a enorme dívida da liga de metal que conseguira, depois seguir sua vida de classe média, mas com sua consciência em paz e sua honra mantida por toda a eternidade. Repentinamente, ele arregala os olhos e exclama:

- Ah! Eu não vou passar por isso sozinho, senão ficarei louco!

            Júlio tem uma ideia, imprime os dados que o computador gerou, são vinte páginas, ele começa a ler enquanto procura novas frequências, sempre evitando o canal 11.2, mas não consegue nada. São dez e meia da noite quando termina de ler todos os dados, daria para montar um novo aparelho com aquelas informações. Ele tira uma cópia, guarda na gaveta da escrivaninha, e coloca o original na pasta que contém todos os documentos referentes ao trabalho.

- Eu sou o cara! Eu sou o cara! O sucesso que me aguarde… [Comenta Júlio consigo mesmo]

            Ele pega o celular e liga para Jonas.

- Fala parceiro! [Responde Jonas ao atender]

- Fala amigão. Você é bom em ler gráficos?

- Claro, e tem meu tio que é engenheiro, se for coisa da sua área, ele pode me dar uma mão.

- Então beleza. Posso passar na sua casa amanhã para te entregar uns papéis, quero que me ajude a decifrar uma coisa.

- É sobre aquilo que estava te deixando doidão?

- É isso sim. [Reponde Júlio rindo]

- Se quiser eu vou até aí. Caso precise me mostrar seu projeto.

- Melhor ainda.

- Estamos combinados então.

- Só mais uma coisa.

- Fala.

- Porque não me contou que tinha passado o número do meu telefone para a Rita?

- Falou Júlio, até amanhã!

            Jonas desliga o telefone deixando Júlio frustrado, no entanto, ele está animado com as decisões que irá tomar, na frente da porta do quarto, sua mãe grita, como de costume, para chamá-lo.

- Júlio! O jantar está esfriando!

            O rapaz sai todo animado, dá um beijo no rosto da mãe dizendo:

- Valeu mãezinha!

            E corre para a cozinha.

- Esse menino é bipolar… [Comenta a mãe do jovem]

            Júlio faz o prato e senta-se no sofá para jantar, a comida já está gelada, mas ele não se incomoda com isso. Sua mãe se aproxima.

- Guarde as panelas antes de ir dormir, eu já vou me deitar, está tarde.

- Está bem mãe.

- Não vá dormir depois da meia noite, tem perdido muito sono ultimamente.

- Está bem mãe…

            Júlio acorda bem disposto no domingo de manhã, ele se levanta e caminha até o banheiro, lava o rosto e escova os dentes. Já está sentindo o cheirinho do café que sua mãe está passando. Ele caminha até a padaria para comprar o pão, espera quinze minutos na fila até ser atendido, retorna para casa e coloca a sacola sobre a mesa.

- Como você sabia que eu não tinha comprado ainda? [Pergunta sua mãe]

- É domingo, eu sei que a senhora acorda um pouquinho mais tarde.

- E você acordou mais cedo hoje, aconteceu algum milagre?

- Espero que não. O Jonas virá até aqui hoje de manhã para me ajudar com o projeto.

- Mas ele não é químico?

- Não faz diferença.

- Eu acho que vocês deveriam aproveitar o domingo para ir à praia, para se distrair. Ficam enfurnados mexendo com ciência o tempo todo.

- Tudo isso passará. Assim que eu me formar e ficar rico, será só curtição.

- Você que pensa…

            A campanhia toca, Júlio atende.

- Fala parceiro! [Diz Júlio animado com a visita do amigo]

- Fala meu bróder. Vamos trabalhar?

- Agora mesmo!

            Os rapazes estão caminhando em direção ao quarto quando a mãe de Júlio indaga:

- Não vai tomar café?

- Esqueci!

            Júlio enche dois copos com café e pega alguns pães, coloca tudo em uma bandeja e segue com o amigo para o quarto. Os dois entram, Júlio fecha a porta.

- Qual é cara? [Pergunta Jonas]

- Que foi?

- Está trancando a porta. Espero que esteja pretendendo me matar, porque se for rolar uma boiolagem eu estou fora!

- Não é nada disso. Eu te falei que tinha rolado algo esquisito, é o que quero te mostrar, e você não deve contar para ninguém.

- Vamos ver o que é então.

            Júlio começa a ligar o equipamento, assim que o computador termina de iniciar ele posiciona o botão do rádio no mínimo, como estava da primeira vez, e sintoniza o aplicativo do computador no canal 11.2.

- Você vai ver o que tem acontecido comigo, espero que entenda. [Diz Júlio esfregando as mãos de ansiedade]

            Alguns minutos se passam sem que nada aconteça.

- Não estou entendendo… [Comenta Júlio]

            Os dois esperam mais alguns instantes com os olhos fixos no monitor, indignado Júlio começa a chamar:

- Franco! Lorenzo! Vocês estão aí?

            Sem entender nada, Jonas começa a desconfiar.

- Cara… você pirou de vez.

            Júlio dá um chute na escrivaninha que já começa a rachar com a segunda pancada que leva.

- Eles estavam aí! Ontem mesmo falei com os dois!

- Eles quem?

- O Franco e o Martí, eles vivem no quarto milênio.

- Você entrou para alguma seita maluca?

- Acho que estou ficando perturbado mesmo…

- Era só isso que queria me mostrar? Seja lá o que for…

            Júlio abre a gaveta da escrivaninha, retira as cópias que fizera dos dados e entrega para Jonas.

- Faz o seguinte, leva essas cópias dos dados, vê se consegue estudá-las e me diz o que acha.

- Beleza. Achei que fôssemos trabalhar um pouco.

- Isso dependeria daqueles dois idiotas aparecerem.

- Se é que existem… Você precisa sair, conversar com as pessoas, está muito envolvido nesse projeto.

- Não é nada disso!

- Vou te dar uma força.

- Como?

- Deixa comigo.

- Valeu então.

- Estou indo mano.

- A chave está na porta.

- Levanta essa cabeça cara! [Diz Jonas, já saindo do local]

            Assim que o amigo vai embora, Júlio pega a pasta que estava sobre a cama, fica olhando-a como quem buscasse resposta para alguma questão. Sua mãe aparece na porta do quarto.

- Vocês brigaram?

- Não. É que não deu certo o que eu pretendia fazer. O rádio não funcionou.

- Você conserta, eu sei. É um gênio.

- Brigado mãe.

            Ela fecha a porta e sai para deixar o rapaz sozinho. Segundos depois, o monitor do computador acende e surge Lorenzo.

- O que você pretendia fazer?

            Júlio toma um susto que o levanta da cama.

- Como vocês fazem isso? [Interroga confuso o rapaz]

- Você queria revelar-nos!

- Acha que é fácil para mim?

- Sei que é difícil. Mas precisa se conter, ou porá tudo por água abaixo! Vamos fazer o seguinte, não precisa entrar em contato conosco esse final de semana, viva sua vida normalmente, no entanto, faça o máximo possível para que os documentos que entregou para o Jonas não parem na mão de mais ninguém.

- Como vocês conseguem saber tanta coisa?

- Se possível, pegue aqueles documentos de volta. Está entendendo?

- Estou.

- Até mais Júlio.

- Até.

            Assim que o monitor se apaga, Júlio corre até o equipamento e desliga todas as tomadas para ter certeza que não tomará outro susto daquele. Em seguida ele sai do quarto caminha até a sala e se joga no sofá com um suspiro de impaciência. O celular toca.

- Rita?

- Sou eu mesma.

- Que surpresa.

- O que você está fazendo?

- Estou sentado no sofá, do lado da minha mãe.

- Não deu certo o projeto?

- Mais ou menos.

- Sinto muito.

- Como você sabe?

- Pressentimento. Você quer sair?

- Uau! Achei que teria de esperar um tempo e eu mesmo te convidar pela enésima vez, torcendo para aceitar.

- Só responde.

 - Claro.

- Que horas?

- Hoje à noite, depois das sete.

- Está marcado então.

- Mas você ligou só para isso. Decidiu assim do nada, sair comigo?

- Achei que seria legal.

- Até as sete então.

- Até.

            Após desligar, Júlio fica olhando para o celular sem conseguir entender o que aconteceu, ele percebe que sua mãe está olhando-o.

- Porque a senhora está me olhando?

- É porque eu não botava fé em você.

- Nossa que moral que eu tenho com a senhora hein…

- Eu achava que você vivia se humilhando para essa moça, mas estava errada, ela gosta de você, só faz bico doce.

- No fundo no fundo eu tenho meus predicados.

            Mais uma vez o celular toca, Júlio atende.

- Júlio! Isso é brilhante! [Diz Jonas antes mesmo que o amigo pronuncie qualquer palavra]

- Você já leu tudo?

- Li sim. Como você conseguiu fazer o aparelho manipular tantas frequências?

- Meu objetivo era que ele operasse em qualquer frequência, infelizmente descobri que não dá. Mas fiz o possível.

- Você deveria entrar em contato com o pessoal da Deltaphonics.

- Você acha?

- Claro.

- Vou pensar.

- Não pensa demais para não desistir, essa é sua chance.

- Já disse que vou pensar.

- Segunda na faculdade eu te entrego os papéis de volta.

- São apenas cópias.

- Mas se caírem em mãos erradas…

- É verdade…

- Falou parceiro.

- Falou.

            Às seis e meia da tarde, Júlio está se arrumando para encontrar-se com Rita. Assim que termina, ele pega a carteira e deixa o celular com a mãe.

- Se alguém me ligar a senhora diz que eu saí e que retornarei amanhã.

- Vai passar a noite fora?

- Não, é que se eu chegar muito tarde não vou retornar ligação de ninguém.

- Está bem. Eu nem vou atender, deixo-o tocando se alguém ligar.

- Como a senhora achar melhor. Tchau mãe.

- Tchau filho, se cuida.

            Júlio sai. A casa de Rita fica à meia hora dali, no caminho ele sente por não ter trazido o celular para ficar ouvindo música no fone de ouvido. Ele chega à casa de Rita e chama pelo nome da moça enquanto bate palma, em poucos segundos ela atende, toda arrumada, com um vestido vermelho combinando com o batom e um perfume que deixa o rapaz completamente arrebatado.

- Minha nossa! Você está… [Diz Júlio tentando buscar palavras para expressar sua admiração]

- Maravilhosa? [Observa Rita]

- Ou mais que isso!

- Vamos? Cadê a limusine?

- Deixei com o manobreiro.

            Os dois riem.

- Estava pensando em a gente comer alguma coisa naquele restaurante. [Diz Rita apontando para o outro lado da rua]

- Você costuma ir lá?

- Não. É justamente porque nunca fui lá.

- Então vamos.

            Os dois atravessam a rua e entram no restaurante, escolhem uma mesa perto da porta de entrada, sentam-se, pegam os cardápios e conferem as opções enquanto aguardam o garçom atendê-los.

- Aconteceu uma coisa estranha. [Diz Rita]

- O quê?

- Recebi uma ligação da Deltaphone.

- Deltaphonics?

- Sim.

- O que eles queriam?

- Me ofereceram uma proposta de estágio. Acho que ligaram para o Jonas também, mas ainda não falei com ele para saber.

- Está estranho o assédio dessa empresa em cima da nossa universidade. Eles sequer financiam qualquer projeto nosso.

- Pois é. Eu nem sabia que eles tinham um departamento de química.

            O garçom se aproxima.

- O que vocês vão querer?

            Júlio aponta no cardápio a sua escolha, o mesmo faz a jovem, em seguida discutem uma opção de bebida, assim que se decidem, informam o garçom que se retira em seguida.

- Você aceitou a proposta deles? [Pergunta Júlio]

- Fiquei de ir lá conversar.

- O Jonas estudou meu projeto e me aconselhou a procurá-los.

- Se você não sair perdendo não vejo nada de errado. Desde que seja você que decida tudo.

- Mesmo assim ainda tenho dúvidas.

- Você é muito cuidadoso.

- Mas pensa bem. Do nada eles decidem começar a nos procurar, como se pressentissem onde está uma oportunidade.

- Será que estão nos espionando? [Diz Rita ironicamente]

            Eles riem, o garçom se aproxima com a bandeja e começa a colocar os pratos e as bebidas sobre a mesa, assim que termina deseja aos dois uma boa refeição e sai.

- O Jonas me contou uma coisa engraçada. [Diz Rita]

- O que foi?

- Que ele foi te ajudar hoje e você ligou o monitor e ficou chamando uns caras. [Diz a jovem caindo na gargalhada]

- Eu sabia que não devia confiar naquele traíra!

- Qual é Júlio, ele é seu amigo, só comentou.

- E você que disse que não conversou com ele hoje. Na primeira oportunidade que teve, ele já me delatou.

- Eu disse que não conversei depois que a Deltaphone me ligou.

- Deltaphonics.

- Que seja! Mas o que foi que deu em você mesmo?

- Sabe quando uma coisa te acontece e você não consegue provar para ninguém?

- Não sei mesmo!

- Então deixa quieto.

            Assim que o jantar termina, os dois conversam por mais alguns minutos sobre a faculdade até o momento em que o garçom se aproxima para retirar a mesa.

- Já terminaram? [Pergunta o garçom]

- Já sim responde Júlio. Quanto deu?

- Oitenta e três.

            Júlio pega a carteira no bolso e começa a retirar as notas quando percebe Rita fazendo o mesmo.

- O que está fazendo? [Indaga o jovem]

- Vamos rachar não é?

- Claro que não.

- No dia que eu deixar um homem me bancar ou mandar em mim eu mudo de nome.

- Não está mais aqui quem falou.

            Eles pagam a conta, se levantam e saem, atravessam a rua e caminham até a porta da casa de Rita, os dois sentam-se na calçada.

- Foi legal. Tirando o coice que você me deu na frente do garçom. [Comenta Júlio]

- Está me chamando de vaca?

- Não! É que…

- Estou brincando. Eu tenho personalidade forte, coisa de leonina, me desculpe se exagerei.

- Leonina? Está mais para feminista.

- Com muito orgulho!

- Pensei que a gente demoraria mais. Não deu nem nove horas ainda.

- Eu te chamaria para entrar, mas sei como você é avançado para cima de mim então é melhor a gente chegar só até aqui.

- Não tem medo que eu te ataque na calçada também?

- E você não tem medo das minhas aulas de kung-fu?

- É mesmo?

- O pior é se eu gostar…

- Ou o melhor…

            Rita fica parada pensando em alguma coisa, Júlio observa tentando decifrar o que se passa na cabeça dela.

- Em quê você está pensando? [Indaga o rapaz]

- Em quanto tempo você vai demorar para me beijar.



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