História Deltaphone - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Tags Aventura, Ficção Cientifica, Futuro, Tecnologia
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Ficção Científica, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo 05


Nos dias seguintes à sua formação, Júlio começa a procurar um estágio. Ele decide fazer uma curta viagem até uma cidade próxima onde existe um instituto público de tecnologia, o rapaz reúne todas as coisas necessárias em uma mala, sem levar roupas ou produtos de higiene, sai de casa, pega uma condução até a rodoviária onde toma o ônibus para o destino. Duas horas e meia depois, o ônibus está chegando à cidade, Júlio está desconfiado de um carro preto que seguiu o ônibus desde que ele pegou a rodovia, é lógico que pode simplesmente ser alguém seguindo o mesmo rumo, mas é estranho que o carro entre na rodoviária também. Sem preocupações ele desce, faz um lanche rápido na lanchonete da rodoviária e sai caminhando, o instituto fica a um quilômetro, então pode ir a pé que em menos de meia hora estará lá, na saída da rodoviária um homem de terno surge vindo em sua direção.

- Você que é o Júlio? [Pergunta o homem]

- Sou eu.

- Somos de uma empresa fabricante de microchips, estamos interessados no seu trabalho.

- Como vocês sabem de mim?

- Ligamos para a sua universidade, pedimos o contato de um bom aluno recém formado e nos falaram de você, tentamos te ligar, mas não conseguimos.

- Está bem. Vocês que vieram seguindo o ônibus?

- Não, nós estávamos aguardando aqui na rodoviária, o reitor disse que lhe encontraríamos aqui. Você quer uma carona?

- Não obrigado, eu quero ir primeiro em um instituto. Deixem o cartão de vocês comigo e eu entro em contato.

- Podemos te levar até lá, você recebe uma proposta deles, depois nós fazemos a nossa e você escolhe. Caso nada dê certo lá, já pode contar com a gente.

- Fechado.

            Júlio entra no carro e eles partem em direção ao instituto, mas no caminho, ele se lembra que não contou nada a respeito da viagem para o reitor, então, apressado e com medo, decide falar com o motorista.

- Por favor, o senhor pode parar na casa de um conhecido meu, é rápido, só para pegar alguns documentos, fica na próxima esquina.

            Percebendo que Júlio caiu em si e tentará fugir, o motorista vira a cabeça e olha para trás, é Reginald, o agente da CIA.

- Fica quietinho aí rapaz. [Diz o agente]

            O carona, que o abordara na rua, tira uma arma do paletó, aponta para Júlio e diz:

- Estamos vendo que você é decidido, não quer compartilhar sua descoberta de maneira alguma. Então não temos outra saída senão te pedir que nos entregue. Abra logo sua maleta e passe-a para cá.

- Mas não está aqui.

            O carona pega a maleta e revira-a inteira, o projeto realmente não está lá.

- Onde ele está? [Indaga o carona]

- Eu o queimei, aquilo não deu certo.

- Está cometendo um erro rapaz. Ninguém nos engana. Você nos entregará por bem ou por mal.

- Vocês sabem que se saírem comigo num lugar público eu posso conseguir a atenção de alguém, e quem sabe, até chamar a polícia não é?

- Sabemos. Mas também sabemos que você não tentará arriscar.

- É verdade. Então vamos combinar. Vocês me levam de volta até a minha casa. Eu pego o projeto, lhe entrego e vocês vão embora. OK?

- Nos o levaremos. Mas ao chegar lá você nos entrega e deixaremos alguém vigiando a frente da sua casa enquanto os documentos são levados à Deltaphonics para analisarem se são verdadeiros. Enquanto isso, ninguém sai da sua casa. Não tente truque algum. Você sabe que se avisar a polícia, se tentar fugir, se fizer qualquer coisa te matamos, você e sua família, e ninguém poderá fazer nada. Não se arrisque ou morrerá em vão. Entendeu?

- Entendi.

            Os homens levam Júlio de volta, a viagem de retorno dura cerca de uma hora, assim que chega em casa ele chama a mãe.

- Estamos enrascados mãe.

- Como assim?

- Querem o projeto do rádio. Colocaram uma arma na minha cabeça e disseram que se eu não entregar me matarão e matarão a senhora também.

- E porque você não dá?

- Porque eu queimei.

- Fala isso para eles!

- Já falei e não acreditaram!

- Você não está me pregando uma peça não né?

- Olha pela janela, acha que aqueles mal encarados de terno na frente de casa estão pregando uma peça também?

- Então vamos morrer?

- Não agora, eu tenho um plano, espero que dê certo.

            Júlio revira sua gaveta e pega uma pasta com alguns papéis de estudos antigos, que baixara da internet. Ele sai e entrega a pasta a um dos homens. O homem sai no carro, enquanto o outro fica de guarda. Júlio então chama sua mãe para o quintal, eles colocam uma escada no muro e chamam o vizinho.

- O que houve? [Diz o vizinho]

- Seu Osmar, precisamos da sua ajuda rápido. Olha com cuidado na frente da minha casa, aquele homem está aqui para me matar se eu não entregar a ele um projeto que eu já não tenho mais. O senhor tem carro, tire-nos daqui, por favor.

            Seu Osmar caminha até o portão da frente e confere, ao ver o homem de terno percebe que a história é verdadeira, ele retorna para o quintal e acena com a mão pedindo que os dois passem para o outro lado do muro. Júlio e sua mãe saltam utilizando a escada, em seguida entram no carro do vizinho, permanecendo abaixados no banco traseiro para não serem vistos. Os dois são levados até a rodoviária onde pegam um ônibus para a capital. Chegando ao destino, o jovem liga para Rita a partir de um telefone público.

- Rita, não diga meu nome, onde você está?

- No trabalho. É quem estou pensando?

- Sou eu. Preste bastante atenção no que direi: Fui ameaçado e tive de fugir, estou em São Paulo na casa da minha tia. Fique tranquila que ainda dará tudo certo, eu confio em você.

- Rita permanece calada, após alguns segundos ela apenas diz:

- Te amo.

- Também te amo. [Responde Júlio]

            Enquanto isso no prédio da Deltaphonics, a poucos metros da sala onde Rita trabalha, um assessor conversa com um técnico de TI.

- O chefe me disse que se eu não o encontrar, serei demitido, tomei a maior bronca porque deixei os dois fugirem.

- Vasculharam a casa atrás dos documentos?

- Claro. Já estou começando a desconfiar que realmente ele não os tenha mais.

- E o que você quer comigo?

- Você consegue rastrear os dois?

- Preciso do IMEI do celular de um deles.

- Achamos a caixa do celular dele na casa.

- Deixe-me ver.

            O assessor entrega a caixa e o técnico a revira por todos os lados.

- É amigo, se ele estiver com o mesmo celular ainda, amanhã mesmo estaremos enviando alguém atrás dele.

            Horas depois, Júlio está descendo de um avião, os dois estão embrulhados com roupas de frio assim como todos os outros passageiros. Eles pegam um táxi que segue por alguns quilômetros em meio a paisagens repletas de gelo, até que chegam à frente de uma casa bem simples, isolada no sopé de uma montanha. Os dois descem, Júlio paga a corrida com dólares, se despede do taxista e bate na porta, um homem abre e ao ver o rapaz expressa uma imensa surpresa.

- Júlio!

- Primo!

- Que bom ver um brasileiro depois de tantos anos. Eu só conseguia manter meu português intacto falando por telefone.

- Cara, eu sempre soube que a Sibéria era fria, mas não sabia que era tanto. Nos deixará congelando aqui ou nos convidará para entrar logo?

- Como não? Entrem, por favor.

            Os dois entram.

- Essa é minha mãe, dona Judite.

- Prazer dona Judite. [Diz o anfitrião]

- Mãe, esse é o William, meu primo, a senhora lembra que falei dele? Quando meu pai brigou com minha tia e os dois desfizeram a sociedade, ela pegou o dinheiro da parte dela da empresa e veio com ele para cá, o William era novinho ainda.

- Eu lembro! Então esse é o William? Vocês se falavam direto pelo computador.

- Bons tempos hein William? [Diz Júlio]

- É verdade. Diga Júlio, o que os traz até essas bandas do norte?

- Então, você se lembra da última vez que falei com você naquele grupo?

- Cara toma cuidado ao falar disso.

- Eu sei… Então, aquele cara que pedi para você e os meninos buscarem informação está atrás de mim.

- Então o negócio é sério?

- Põe sério nisso.

- Mas por quê?

- Porque fiz uma descoberta nas minhas pesquisas e eles querem os resultados.

- Querem ter poder sobre o avanço antes que outros tenham.

- É, mas isso vai além da concorrência.

- Eu sei, tem a ver com disputa, com dominação.

- A um nível assombroso.

            A mãe de Júlio, sem entender nada, comenta:

- Queria saber falar essa língua que vocês estão falando.

- Pode acreditar mãe, a senhora não iria querer.

            William, caminhando até a cozinha, convida os visitantes.

- Vamos tomar uma sopa bem quente pessoal, que está quase na hora de ir dormir.

- Você dorme cedo?

- Eu nada, fico jogando no PC até tarde da noite.

- E não me desafiará para uma partida?

- Demorou.

            Enquanto isso, Rita conversa com Jonas na Deltaphonics, em um canto da copa, cuidando para que os outros não escutem.

- Você me disse que ele saiu da cidade? [Pergunta Jonas]

- Sim, na verdade, creio que até do país, mas não comente nada sobre isso.

- Eu sei. O que você pretende fazer?

- Quanto a isso nada. Apenas orar por ele. Mas preciso fazer uma viagem.

- Você irá atrás dele?

- Não. Até por que não tem como. Pelo menos por enquanto.

- Por que não tem como?

- Escute-me. Quero que me ajude.

- Em quê?

- Segure as pontas por aqui e sustente a desculpa que darei, confirme tudo o que eu disser.

-Está bem. Mas para onde você vai?

- Não posso te falar.

- Temos que ajudá-lo.

- Eu sei… Ainda pensarei nisso.

            O gerente entra na copa para tomar café quando percebe os dois conversando.

- Do que vocês estão falando escondidos aí? [Pergunta o gerente]

- Nada. [Responde Rita]

- Nada? Você é ligeira hein garota, mal o namorado sai da cidade e você já arrasta asa para o amigo dele.

- Me respeite seu sem-vergonha. Ei! Como você sabe que o Júlio saiu da cidade?

            Embaraçado, o gerente coça a cabeça e tenta uma desculpa rápida.

- Vão ficar aí até que horas? Já encerrou o expediente!

            Ao dizer isso o homem sai apressado. Rita se vira para Jonas.

- Está vendo com o que estamos lidando?

- Vamos embora.

            No dia seguinte Rita acorda às cinco e meia da manhã, reúne alguns pertences pessoais em uma mochila, escova os dentes, lava o rosto, troca de roupa e às seis da manhã caminha até a rodoviária, compra um bilhete e se senta em um dos bancos de espera para aguardar seu ônibus que deve chegar por volta das sete da manhã. Enquanto aguarda, a jovem mexe no celular enviando mensagem para uma de suas colegas da faculdade. As sete e três o ônibus chega, Rita embarca, e em quinze minutos o veículo parte rumo ao seu destino.

            Jonas, enquanto se prepara para ir ao trabalho na Deltaphonics, recebe uma ligação.

- Oi.

- Jonas, recebi uma mensagem da Rita, ela disse que tinha algo para te falar, mas que não conseguiu entrar em contato com você, me pediu para avisar que ela está partindo para São Paulo. Ela irá se encontrar com Júlio.

- Foi isso mesmo que ela disse?

- Foi, estou com a mensagem aqui.

- Tentarei falar com ela. Obrigado.

- Não tem de quê.

            Jonas desliga, entra na agenda e disca o contato de Rita, mas a ligação cai na caixa de mensagem. Ele decide então falar ao gerente exatamente o que Rita disse para sua colega.

            Na rodoviária de São Paulo, uma viatura de polícia aguarda a chegada do ônibus em que Rita teria embarcado. Assim que o ônibus estaciona, os policiais mandam todo mundo permanecer no veículo, entram e conferem a documentação de cada um dos passageiros, sem encontrá-la um dos homens consulta o cobrador.

- Estamos procurando uma mulher de trinta e três anos chamada Rita.

- Ela comprou o bilhete, mas não embarcou. O assento dela seria o quinze. [Responde o cobrador]

            Júlio e William estão ouvindo música no último volume, como sempre, heavy metal, no micro-system, a música War, do System Of a Down. Alguém bate na porta, desconfiado, Willian confere pelo olho mágico, é um homem armado, de terno preto e óculos escuros, ele chama Júlio para ver se reconhece o sujeito, assim que o jovem olha vira-se para o amigo.

- É o agente!

            William corre até o quarto, aproveitando que o som alto não permite que o agente escute a movimentação dentro da casa, ele retorna com um fuzil na mão.

- Você tem um fuzil! [Exclama Júlio surpreso]

- Porque acha que tive de fugir para cá?

- O que faremos?

- Você não está seguro aqui, saia pela porta dos fundos que te darei cobertura.

            Júlio faz como William aconselhara e sai, ele precisa rodear a casa e sair pela frente já que não há quintal, para que ele consiga isso, seu amigo põe em prática o plano mais inconsequente, porém o único em que conseguira pensar, abre a porta e aponta o fuzil para o agente. Com a porta aberta, a música do aparelho de som começa a ecoar por toda a redondeza de tão alta que estava.

- Vamos com calma rapaz! [Exclama o agente já se afastando]

- Paradinho aí…

- Não faça besteira.

- Eu mandei você ficar parado!

            Desobedecendo a ordem, como quem não tem medo de morrer, Reginald corre em ziguezague enquanto saca a arma, assim que o agente se afasta, William começa a atirar para impedir que ele fuja, mas Reginald percebe Júlio escapando e põe-se a perseguir o rapaz. Agora William precisa tomar cuidado para não acertar o amigo, por isso ele pára de atirar e começa a correr para alcançar o agente, no entanto ele já está muito longe, e como William é gordinho não tem capacidade suficiente para alcançá-lo. Reginald começa a atirar na direção de Júlio que está a cerca de cinquenta metros de distância.

            Ao som de War, a guerra prossegue. Desarmado, Júlio tenta preservar sua vida. O som da música e dos tiros começa a fazer vibrar a neve da montanha em torno da qual a perseguição ocorre, a música que era a última da trilha selecionada pelos jovens chega ao fim, o micro-system silencia, um último tiro é ouvido ao longe…



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