História Deltaphone - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Tags Aventura, Ficção Cientifica, Futuro, Tecnologia
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Ficção Científica, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo 06


“Algum tempo” depois…

 

As equipes de escavação no gelo já estão chegando a vinte metros de profundidade quando começa a aparecer a silhueta do que deve ser um corpo, a cratera feita com a escavação à laser tem agora 10 metros de diâmetro, quinze robôs moderníssimos trabalham no fundo dela. O gelo em torno do corpo é cortado com extrema precisão, enquanto isso mais corpos são encontrados, o mesmo procedimento é repetido para todos, e de um em um vão sendo retirados na forma de enormes cubos de gelo. Cada bloco retirado do gelo é suspenso no ar por um tipo de força eletromagnética que os conduz até a superfície, de lá são conduzidos até um tipo de plataforma, na superfície da plataforma, uma série de furos minúsculos expelem colunas de fumaça de gelo seco, o que dá a entender que seja uma espécie de sistema de refrigeração que manterá a temperatura do gelo.

            Em poucos minutos as buscas se encerram, a plataforma é coberta com uma de capota prateada de um tipo de metal que se parece com o alumínio, que, no entanto é flexível. Os robôs que trabalharam no processo entram em algo que se parece com um microônibus que se ergue no ar e automaticamente começa a se locomover sendo seguido pela plataforma.

            Mais tarde…

- Boa noite rapaz.

- Boa noite. Onde eu estou?

- Você está na recuperação.

- Eu bati com a cabeça?

- Talvez. Qual a última coisa de que você se lembra?

- De estar correndo na neve, fugindo de um homem armado, de ter levado um tiro no ombro, e…

- Não se esforce muito.

- Eu sei que me lembro de mais alguma coisa, tem a ver com a neve… Eu ouvi um estrondo… Eu fui soterrado! Houve uma avalanche e a neve caiu sobre nós, primeiro no cara, depois em mim.

- Você é o Júlio não é?

- Sim, sou eu. Eu sobrevivi! Graças a Deus! Que dia é hoje?

- Estamos no ano 3050 Júlio. Você teve de ficar algumas horas no processo de ressurreição.

- Você está brincando não é?

- Não estou. Se tivessem tirado seu corpo do gelo há uns trezentos anos atrás, com certeza você não estaria falando comigo agora. Isso porque faz trezentos anos que a medicina descobriu como reviver corpos que foram congelados ainda com vida.

            Júlio se recosta novamente na maca e fica olhando para o teto sem muitas respostas, sem muitos pensamentos. O médico sai e deixa-o sozinho, ele volta a dormir em poucos minutos. Por volta das três horas da manhã ele acorda assustado com barulho de tiros no hospital, um homem entra em seu quarto.

- Levante-se e venha comigo.

- Quem é você?

- Você não me conhece, vim te ajudar. Confie em mim.

- Me ajudar em quê? Eu não vou sair daqui.

- O senhor Isaías me mandou buscá-lo antes que instalem o chip e te conectem com o Deltaphone.

- Quê?

- Você vem ou não?

- V..v..vo..vou.

            Júlio sai com o homem, e ele o leva de carro até uma pousada bem simples. Quando entram lá, encontram mais dois homens.

- Júlio, você deve se lembrar desses dois, são Martí e Lorenzo, eu sou Davi. Somos os fiéis da Campanha Antideltista. Eu sou o hacker que você viu nos vídeos usando touca preta.

- E o que querem comigo?

- Como assim o que queremos com você? Você foi o responsável pela criação do Deltaphone!

- Não! Eu resolvi isso! Não era para existir Deltaphone! Eu destruí os estudos.

- Até os que você tinha entregado ao Jonas?

- Droga!

            Júlio segura os cabelos com força enquanto reflete no erro que cometera.

- Foi o Jonas quem criou?

- Não. O Reginald o matou.

- Meu Deus…

- Ele encontrou os documentos na casa do Jonas e os entregou à Deltaphonics que iniciou o projeto a partir de uma declaração falsificada de que você tinha cedido a tecnologia, você continua sendo o mentor. Por isso precisamos da sua ajuda.

- E como eu posso ajudar?

- Ora, sendo você o mentor, todos acreditarão no que disser, eles acreditam que você é o pai do Deltaphone, por isso te resgatamos antes que lhe conectassem com ele. A Deltaphonics queria te controlar antes que você revelasse a verdade, por isso eles te retiraram do gelo.

- Foram eles que me reavivaram?

- Foram.

- Todos acreditarão em mim… Mas todos quem?

- O mundo, Júlio. Nunca tinham encontrado seu corpo. Todos tinham esperança que você ainda estivesse no gelo e fosse ressuscitado. E agora, aqui está você!

- Minha nossa!

            Júlio, Davi, Lorenzo e Martí recebem a visita de Isaías.

- Bom dia rapazes.

- Bom dia senhor Isaías.

- Como se sente Júlio?

- Bem melhor senhor. Fiz uma besteira não foi?

- Não foi por sua causa. Já temíamos que algumas coisas não pudessem ser mudadas, o destino as comanda. Quando lhe contatamos, tínhamos uma certeza muito grande de conseguir impedir que o Deltaphone fosse criado, mas o destino quis diferente.

- E o que vocês pretendem fazer?

- Queremos invadir a central da Deltaphonics onde está o banco de dados mundial que opera os Deltaphones e transmitir uma mensagem a todos os usuários, depois desativar o sistema. Temos que fazer tudo isso o mais rápido possível porque a cada dia mais usuários estão comprando o modelo 8.

- Que mensagem será transmitida?

- Uma gravação virtual de uma reunião entre Lucian Gardner, o atual presidente da Deltaphonics, alguns banqueiros e grandes investidores.

- Que gravação é essa?

            Isaías pega um Deltaphone modelo 8, com um cabo ele conecta o aparelho a um projetor do tamanho de uma caixa de fósforos, o projetor lança a imagem na parede, é uma reunião com quinze pessoas. A exibição se inicia:

 

 

“- Senhores, na noite passada, eu tive um sonho meio esquisito, mas que me deu uma ideia brilhante, creio que todos vocês apoiarão. A última guerra em que investimos custou muito e tivemos grandes perdas financeiras. Creio que todos aqui estão de acordo que é lamentável termos que perder fortunas para evitar perder poder. Isso porque alguns políticos no mundo ainda se preocupam com essas baboseiras de equilíbrio mundial, proteção do ecossistema, direitos humanos, e várias outras ideologias pacifistas ridículas. Qual é a minha solução? Com o apoio financeiro dos senhores do mundo econômico aqui presentes, vamos criar um vírus.

- Um vírus? [Interroga um dos investidores]

- Isso, um vírus! [Prossegue Lucian] Mas para isso necessitamos de uma nova linha de aparelhos, porque o Deltaphone 7 ainda não tem capacidade para responder da forma como queremos a esse vírus, que logo explicarei aos senhores o que será. Temos de fazer uma enorme campanha para o Deltaphone 8, ele precisa vir com funções incríveis! Moderníssimas! O mundo não deverá querer comprá-lo, deverá acreditar que não poderá viver sem ele! Então, esse vírus será programado para se instalar na memória do aparelho, mas não agir diretamente sobre a mente das pessoas que estão com ele conectado ao seu cérebro, ele deve recolher informações e criar um perfil da personalidade de cada um dos indivíduos, então baseado nesse perfil, o vírus irá desenvolver ideias que introduzirá no sistema aos poucos, e então a pessoa conectada ao aparelho começará a ter inspirações.

- Tipo como acontece quando alguém faz o download mental de um livro?

- Isso! Quando alguém baixa um livro para sua mente através do sistema do Deltaphone, o que ocorre? O livro é transferido ao seu subconsciente, ela não aprende tudo num piscar de olhos, mas as informações vão brotando em sua mente aos poucos, na forma de inspirações. É isso que esse vírus deve fazer!

- E qual será a programação?

- Aí está a questão! O vírus deve ter uma programação para cada tipo de pessoa, nos países aliados, esse vírus deve atuar de forma que as pessoas defendam o nosso sistema com unhas e dentes, e que desejem com todas as suas forças que ele seja expandido para todo o mundo. Nos países não aliados, escolheremos as pessoas que nos apóiam para propagandear a favor da tecnologia Deltaphonic e as pessoas que são contra receberão ideias suicidas e até mesmo genocidas, elas causarão o caos em seus países, movidas por coisas confusas e conflitantes até que a desestabilização do país permita-nos intervir e assumir o controle.

            Um homem na mesa levanta a voz:

- Está louco senhor Lucian? A última guerra eu ainda concordei, porque foi uma manobra bem controlada. Mas usar todos, controlando suas mentes com um vírus? Não quero que meus filhos ou amigos meus, peguem em armas e saiam invadindo países!

- Preste atenção meu caro colega. Quando alguém compra um Deltaphone, precisa apresentar um comprovante de renda, essa informação agora vai para o sistema, então o sistema pode filtrar os resultados e apresentar somente os aparelhos usados por pessoas que possuem menos de um milhão de dólares, então excluiríamos dos resultados os nossos parentes, amigos, e até nos mesmos. O vírus não nos atingirá!

- E que garantia temos disso?

- Devo admitir que a ideia é boa. [diz um dos presentes]

- Dessa vez a guerra que vamos empreender será geral, por todos os lugares. Vamos filtrar os resultados do sistema e vamos colocar o mundo inteiro para se eliminar, até que sobre somente a elite financeira de cada país, então todo PIB mundial será nosso, reconstruiremos o planeta de acordo com nossa vontade!

- E como essa guerra começará? As pessoas precisarão de um bom motivo.

- Não será necessário. Todos serão obrigados a comprar a versão 8, quando 5 bilhões de pessoas, o que compreende à metade da humanidade atual, estiver conectado ao novo modelo, as pessoas farão qualquer coisa que o vírus mandar sem raciocinarem, porque ele bloqueia o julgamento, elas não serão capazes de saber se seus atos são certos ou não. O conteúdo do subconsciente delas é neutralizado pelo vírus assim que ele reuniu as informações necessárias e entrou em ação.

- Minha nossa, se o mundo soubesse disso vocês estariam fritos. [Diz um dos acionistas caindo na gargalhada]

- Mas o mundo já está conectado com a nossa rede, quem tem a mente das pessoas tem tudo.

            A gravação termina, Júlio está pálido, assombrado.

- O negócio é bem pior do que eu imaginava. Me diz uma coisa, tem como entrar no prédio da Deltaphonics sem que nos prendam ou nos matem?

- Para isso vamos usar uma arma especial. [Responde Isaías]

            Dito isso, ele pega uma caixa com um pequeno aparelho circular com um botão de ajuste e três faixas de seleção, ele retira o aparelho da caixa e mostra para Júlio.

- Esse é o ray. Todos nós usamos. É uma pequena antena embutida que emite três tipos de ondas de bloqueio.

- Como assim “ondas de bloqueio”?

- É como o nome diz, um tipo de raio, de facho de onda que bloqueia imediatamente a programação de um Deltaphone, além de fazê-lo emitir um sinal para o cérebro da pessoa, ele consegue fazer um Deltaphone emitir três tipos de sinal, por isso o botão apenas sintoniza em três faixas diferente. A de número 01 simula arrependimento, a 02 simula compaixão, a 03 afeto. Isso bloqueia qualquer ação violenta da pessoa impedindo um possível conflito.

- Como funciona?

- Enquanto o botão estiver no 00 o raio dele está desligado. É só sintonizar que ele já começa a transmitir, tem alcance de trezentos metros. Enquanto vocês estiverem com esse aparelho no bolso, estarão protegidos de qualquer pessoa que esteja conectado ao Deltaphone, ninguém que se aproximar de vocês poderá ter qualquer impulso de lhes fazer mal, mesmo que esteja sendo comandado pelo Deltaphone 8, se vocês souberem utilizar o ray. Se vocês quiserem proteger alguém, aproxime-se dele, qualquer um que estiver numa distância de menos de trezentos metros de vocês estará protegido, por incrível que pareça, até mesmo o que seria um suposto agressor será automaticamente protegido.

- É só isso que ele faz?

- Além de tudo o que o Deltaphone pode fazer.

- Como assim?

- Acha que nos reunimos em mundos virtuais porque nos conectamos ao sistema da Deltaphonics? Claro que não. Usamos a mesma tecnologia, porém muito mais moderna, sem chips, sem fios sem nada atrasado.

- E os riscos não são os mesmos?

- Não. Tudo depende da interface, a nossa é 100% segura e o código é aberto, todos sabem que ele não tem vulnerabilidades nem brechas que possam ser usadas para comandar as pessoas para objetivos destrutivos.

- Cara, isso faria sucesso!

- Júlio… Nossa empresa já vendeu mais de 2 bilhões de unidades, desde que o lançamos. Ele não alcançou tanto sucesso quanto o Deltaphone, mas creio que foi um dos motivos do mundo não ter sido dominado pela Deltaphonics ainda.

- Caramba! Quando vamos começar?

- Como você ouviu na gravação, eles vão começar a atacar quando 5 bilhões de pessoas estiverem controladas pela central, precisamos interceder antes que isso ocorra, o que deve ser em breve, já que a um mês atrás o Deltaphone 8 tinha alcançado a marca de 2,8 bilhões de unidades vendidas e hoje alcançou 4,1. [Responde Isaías]

- Precisamos correr! [Observa Júlio]

- Vá com calma rapaz, você precisa repousar. Recebeu algumas drogas que devem fazer com que esteja 100% amanhã, até seu ferimento já deve ter cicatrizado, nós temos que ir. Daqui a pouco te trarão uma refeição reforçada. Até mais meu jovem, foi uma honra te conhecer pessoalmente.

- A honra foi toda minha, senhor Isaías.

            No dia seguinte, quinze antideltistas são escalados para a missão, Isaías convoca Lorenzo, Martí, Júlio e doze outros fiéis para planejar a invasão da sede da Deltaphonics.

- Boa noite meus amigos. Estou aqui com o cronograma de nossa ação, cada um pegue sua cópia. [Diz Isaías]

            Lorenzo interrompe:

- Senhor. Estão cometendo um erro.

- Como assim Lorenzo?

- Vocês não vão conseguir impedir a Deltaphonics.

- É o que suas investigações apontam?

- Sim.

- Nos diga onde erramos e vamos nos corrigir.

- Erram por não compreenderem direito.

- Compreender o quê senhor Lorenzo?

- Compreender o Deltaphone 8, eu me conectei com ele, eu percebi todo seu potencial. Ele trará liberdade aos homens.

- Liberdade? Matando a maioria deles?

- Não, não é o sistema que vai matá-los, o sistema só está se defendendo de quem se opõem a ele, se não forem eliminados eles vão representar uma ameaça constante. Precisamos fazer o contrário, precisamos entrar para o sistema. Nosso potencial será muito maior.

- O que quer dizer? Que nós não temos potencial? Foi com a tecnologia que e Deltaphonics roubou que ela criou o Deltaphone. Já a nossa tecnologia, exclusivamente nossa, está tão aprimorada que até hoje eles não conseguem nos copiar.

- Vocês são loucos! Vocês pensam pequeno!

            Após dizer isso Lorenzo saca uma arma e atira na direção de Isaías, o primeiro tiro erra, Júlio se joga sobre Lorenzo e todos o agarram conseguindo tomar sua arma, depois amarram-no enquanto ele continua esbravejando.

- Vocês estão plantando sua própria morte! Vocês são loucos!

- Droga Lorenzo! Droga! Para quê você foi se conectar com essa merda desse aparelho? [Diz Júlio]

- Foi a melhor coisa que eu já fiz Júlio! O Deltaphone me libertou, eu sou um novo homem, eu estava completamente errado, num mundo de mentiras, hoje eu estou livre! E vocês? Vocês não têm a menor chance contra a Deltaphonics! Vocês vão morrer! [Ele solta uma gargalhada estridente] Vão morrer! Passem para o nosso lado enquanto é tempo!

- Isso é o que veremos… [Sussurra Júlio]

- Vamos lá pessoal. [Diz Isaías] Vamos invadir a Deltaphonics em três grupos de cinco pessoas, cada grupo a cada hora, um continuando o trabalho do outro como um organismo vivo. O último grupo é o de Júlio, ele vai conectar esse pendrive com a gravação no computador deles, quando o pendrive for conectado a gravação será transmitida automaticamente para todos os Deltaphones. Irei no primeiro grupo.

            O plano em ação…

            O primeiro carro parte do bunker da campanha antideltista, em poucos minutos chegam à central da Deltaphonics, os cinco primeiros antideltistas descem usando uniformes de funcionários da manutenção, por eles estarem protegidos pelo sinal dos aparelhos Ray que carregam no bolso, passam despercebidos e conseguem chegar até a sala de controle central onde é feito o monitoramento. Ao entrar na sala eles sacam suas armas e rendem todos os funcionários do local, depois trancam a porta por dentro. Enquanto aguardam a chegada do segundo grupo, desativam o sistema. Do lado de fora o sinal de alerta é disparado e uma tropa federal é chamada, a tropa demora exatamente uma hora até chegar ao local e quando chega encontra o segundo grupo da campanha disfarçado de federais.

- Como assim? Não sabíamos que outra viatura tinha sido chamada antes da nossa? [Diz o delegado]

            Martí, liderando o grupo, fala ao delegado:

- Viemos da capital, já vínhamos investigando esse movimento há muito tempo e vamos prendê-los agora.

            Martí entra no prédio e fica com os outros fiéis em frente à porta da sala de controle, enquanto aguardam, eles ficam se comunicando com os que estão dentro da sala como se estivessem negociando uma rendição. Durante esse tempo, a frente do prédio começa a encher de pessoas de várias profissões, jornalistas, políticos, juízes, advogados, professores etc., todos querendo entender o motivo da queda do sistema. Uma hora depois chega o terceiro e último grupo acompanhado de Júlio. Antes de entrarem no prédio encontram os federais.

- Senhor delegado?

- Você é o Júlio?

- Sim sou eu.

- Eu vi a notícia de que tinham lhe encontrado. Porque não procurou a imprensa, o governo? O que houve com você esses dias todos? Soube que alguém tinha lhe sequestrado.

- Bom, eu tinha sido sequestrado por esse movimento e fiquei no poder deles por um bom tempo, consegui fugir a alguns dias e quando soube que eles tinham tomado o prédio da Deltaphonics vim aqui defender meu legado. Quero negociar pessoalmente com eles. O senhor me permite entrar?

- Claro. Entre.

            Júlio entra no prédio junto com os federais e se dirige até a porta da sala de controle. Do lado de fora mesmo, ele fala aos que estão dentro.

- Eu sou o Júlio. O criador da tecnologia, desejo negociar com vocês.

- Tudo bem, mas entre sozinho. [Responde Isaías]

            Júlio entra na sala.

- Bom trabalho amigos.

            Eles ligam o pendrive ao computador central e todos os cinco bilhões de pessoas conectadas ao sistema da Deltaphonics começam a ouvir a transmissão. Após o fim da transmissão uma mensagem de Isaías e Júlio é reproduzida:

- Senhoras e senhores do mundo todo. Agora vocês conhecem os planos dessa empresa, ela sempre esteve controlando vocês, quantas atitudes consumistas vocês tomaram sem saber por quê? Quantos erros vocês podem ter cometido simplesmente porque satisfazia a vontade desses homens? Mas hoje vocês sabem a verdade. Eu, Júlio, nunca quis criar uma tecnologia que dominasse suas mentes, pelo contrário, quando soube o que aconteceria, tentei destruí-la, mas fui perseguido por isso, assim que conheci o Isaías, líder da campanha, me uni a ele para impedir que minha criação se tornasse um monstro.

            Isaías começa a falar:

- No início do terceiro milênio, Júlio tentou fugir da Deltaphonics e terminou soterrado na neve. Ele foi quem mais se opôs a isso tudo. E hoje veio lhes revelar a verdade. Destruam seus aparelhos, se livrem dessa dominação. Uma grande guerra foi evitada, um grande plano maligno foi derrotado hoje, de agora em diante a mente de vocês está livre para fazer escolhas mais positivas usando sua própria vontade, sua própria inteligência, sua própria razão. Espalhem essa mensagem a todos que não tiveram oportunidade de ouvi-la, eles não caíram na dominação, mas é bom que saibam para que nunca caiam. O mundo agora não tem mais um dono cego pela riqueza e pelo poder, mas tem homens e mulheres, ricos e pobres, trabalhadores e empresários, todos trabalhando para manter de pé um mesmo mundo, para que nenhum poder inconsequente jamais o destrua. Sejam vocês mesmos! Obrigado a todos!

            Ao terminar a transmissão eles começam a olhar para o computador da Deltaphonics e os registros de aparelhos conectados começa a cair rapidamente, bilhões são desconectados em questão de minutos. Mas o batalhão da federal entra na sala de monitoramento. Júlio e os outros fiéis da campanha temem ser o fim de todo o trabalho e perderem tudo o que fizeram, se eles prenderem todos os presentes e reativarem o sistema podem simplesmente enviar uma nova programação para os aparelhos que ainda estão conectados. Os federais se aproximam deles e o delegado fala com Júlio.

- Senhor Júlio.

- Pois não delegado.

- Obrigado por abrir nossos olhos, se não víssemos por nós mesmos a tramóia que o Lucian estava fazendo não acreditaríamos.

            Todos os federais começam a jogar seus Deltaphones no chão e a quebrá-los com o calcanhar das botas. Júlio sai junto com todos os seus amigos de dentro do prédio. O presidente da empresa, que estava conectado e ouviu tudo, a essa altura já está fugindo do país. Do lado de fora os federais levam os antideltistas até a vã deles, e todos se despedem, quando a vã está dobrando a esquina o prédio da Deltaphonics explode. O delegado impressionado olha para o pessoal na vã.

- Pé na tábua Júlio! Pé na tábua! [Grita Martí]



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