História Demon Pact - Capítulo 134


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Notas do Autor


Olá leitoooooreeeeees!!! Como eu disse, mais um Extra, vocês já devem estar cansados né? kkkk
Bem, eu não tenho muito a dizer aqui, pretendo postar Extras enquanto ainda tiverem Pontas Soltas, Brechas, ou ideias, e eu desde o início da história queria mostrar pra vocês uma versão do Dennis se ele tivesse nascido demônio, como deveria ter sido se a avó dele não o tivesse salvo. Tem isso acho que no Temático da Lottie?
Só pra contextualizar, o Dennis não deveria nascer, deus o odeia, e por isso ele teria nascido sem alma, e como sabemos, nesse universo todo ser que não é criado por deus não possui capacidade de sentir nada além de ódio, como vários demônios no inferno. O Dennis só se salvou desse destino por que a avó dele percebeu antes e usou sua própria alma para purificá-lo durante os nove meses de gestação, permitindo que ele viesse a terra como um ser bom e puro.
Esse Extra conta exatamente o que teria acontecido ao mundo, ao Dennis, e ao Diego caso o Dennis não tivesse sido purificado, e acreditem, as consequências teriam sido catastróficas kkk
Espero que gostem dessa versão do Dennis! E desse universo alternativo!
Foi revisado, mas por ser grande, certamente passou algum erro!
Boa leitura!!

Capítulo 134 - Extra XII


Fanfic / Fanfiction Demon Pact - Capítulo 134 - Extra XII

**Odiado por Deus**

 

Era fim de tarde, o relógio em seu pulso parecia produzir o único ruído além dos seus passos constantes, trilhando aquele extenso corredor vazio, sem quadros, sem janelas, paredes cinzentas, chão de pedra, luzes fracas, era como se apenas por estar perto dele o ambiente se tornasse mais escuro, amedrontando os corações alheios. Já estava acostumado, porém, a lidar com aquele tipo de pessoa, demônios em terra, não era cristão, mas tinha que admitir, aquele tipo não era normal, a pessoa presa naquela sala, trancada a sete chaves, não era um cara comum.

Só tinham se encontrado três vezes, seu amigo David, que caminhava ao seu lado, não tinha tido tanta sorte, lhe faltava um dos olhos, e enormes cicatrizes trilhavam seu rosto, pescoço e corpo. Tinham prendido o maníaco juntos, e se não fosse pelo amigo, sem dúvidas, estaria morto, e só essa ideia lhe atormentava. Como um homem sozinho conseguia possuir o título de maior Serial Killer da história? Ele tinha simplesmente matado metade da população Norte Americana em uma noite! Como aquilo era possível? Ninguém sabia, mas em questão de oito horas todo o Sul dos Estados Unidos tinham sido dizimado, homens, mulheres, idosos, crianças, todos vítimas de um assassino brutal e sem escrúpulos.

Suas capacidades eram tão assustadoras que o mundo inteiro se mobilizou para prendê-lo. Milhares, ou melhor, milhões de mortos. Os números batiam a casa dos bilhões em apenas 18 anos de “trabalho”. Apenas com as mãos? Não, no início ele parecia ter um fetiche doentio em degolar pessoas, arrancar seus membros, ou até retirar cada órgão de seus corpos cirurgicamente, depois sua sede por sangue se tornou maior, como ninguém sabia, mas de repente as mais perigosas ogivas nucleares estavam em suas mãos, e devastaram metade da Europa, Ásia Central e América do Norte.

O mundo estava em caos, crises hídricas, doenças, de repente parecia que o apocalipse tinha começado. Tudo por causa de um único homem. Esteve investigando aquilo por anos, já teorizou organizações secretas, grupos terroristas, países extremistas, mas não, aquele ser trabalhava sozinho, matava sozinho, e atacava sem preconceitos, desde atos sangrentos  mortes rápidas nas mãos de armas químicas de destruição em massa.

E agora, finalmente, depois de 18 anos, aquilo tinha acabado. Uma operação arriscada, ele simplesmente apareceu em uma das milhares de armadilhas montadas ao redor do mundo. Dentre os únicos países ainda fora do seu alcance, estava a Inglaterra. Por quê? Chegaram à conclusão de que ele seria inglês, quase culparam num ato de desespero a coroa britânica por terrorismo, mas como se ouvisse suas acusações o assassino dizimou a todos, matou até o último membro da família real, e ainda deixou a mensagem:

“Eu não trabalho para nada além da minha loucura”.

Depois disso passaram a proteger a Inglaterra, pelo visto ele parecia ter um carinho especial por aquele país, matava pouco lá, certamente seus números eram menores nessa nação, porém grande foi o erro deles ao pensar que ele não tinha algo grande planejado.

-... Donald, está chorando? – David perguntou ao amigo, que parou tentando manter a postura.

-... Eu não acredito que deixamos ele fazer aquilo...

-Não foi nossa culpa Donald, aquele cara é louco!

-Eu sei! E exatamente por isso deveríamos ter feito algo! Talvez você não estivesse assim!

Donald sorriu e abraçou o amigo, eram como irmãos, se protegiam de tudo, e entendia a culpa que o outro sentia, ele era o principal investigador, se estivessem num filme da Marvel certamente o assassino seria seu arqui-inimigo, mas não estavam, os mortos não eram figurantes que sairiam do set de filmagem de volta aos seus lares, eles não voltariam, nenhuma vida perdida voltaria.

-Isso tudo acaba hoje amigo, ele vai pagar.

Donald se recompôs e voltou a caminhar. Finalmente aquele dia chegaria ao fim, eles não precisariam mais lutar contra aquilo. Nem sabia direito como tinham conseguido, mas o preço tinha sido alto. A devastação completa, já não existia mais Inglaterra, agora era apenas um monte de destroços do que foi uma nação histórica. Como? Eles planejaram tudo, queriam matar aquela coisa, e para isso não se importaram em lançar a maior bomba nuclear que possuíam onde ele estava, localizada nas ruínas do que um dia já foi a Alemanha, e conseguiram, ele foi atingido, como sabiam que ele estaria lá? Ele mesmo disse.

“A última execução...” foi como ele chamou, dizendo ao mundo inteiro onde estaria, o lunático foi até onde seria o histórico Muro de Berlim, e matou a sangue frio uma mulher desaparecida a quase 15 anos, dada como morta, já que sua família tinha sido completamente devastada. Sophie Redwood, magnata, vinda de uma longa linhagem de multimilionários, mas isso não importou, ele a destroçou, pedaço por pedaço, enquanto ria.

A bomba não falhou, terminou de destruir tudo, enquanto todos comemoravam que finalmente aquele infeliz estava morto. Mas não... De repente as sirenes soaram, como aquele demônio tinha conseguido implantar nada menos que Tsar bem embaixo da Inglaterra sem que ninguém visse?? Aquilo era surreal, e deveria ser impossível, mas lá estava, tudo que antes foi uma nação desaparecendo na maior explosão nuclear do mundo. Como? Ela estava desativada! Exposta num museu na Rússia! E agora, o que restava? Nada, além de pessoas lutando para sobreviver nos restos do que um dia foi o planeta terra.

Conseguiriam se salvar? Difícil, numa tentativa desesperada os governos restantes formaram cidadelas subterrâneas para fugir da radiação. O mundo, que antes possuía 7 bilhões, agora se resumia em pouco mais de 2,5 milhões de pessoas espalhadas pelo planeta. Tudo por causa dele.

Depois de uma longa caminhada ao fim chegaram à frente daquela porta, feita para segurar o maior assassino da história da humanidade. Os seguranças fortemente armados estavam prontos para qualquer coisa, e tinham plena noção de que se ele conseguisse escapar as ordens eram para disparar todas as armas possíveis, as mais fortes na face do planeta, ali. Um sacrifício necessário para mandar para o inferno aquele demônio de uma vez por todas, ele tinha sobrevivido sobrenaturalmente à explosão de uma bomba, mas não sobreviveria a tantas, pelo menos era o que esperavam.

-Senhor! – O capitão da segurança disse o cumprimentando – Tem certeza de que deseja entrar?

-Sim, preciso descobrir o porquê desse inferno...

-Mas senhor... É muito perigoso abrir essa porta.

-Tem seguranças lá dentro, certo? Ele está contido!

O homem desviou os olhos, e nessa hora tanto Donald quanto David entenderam que não, ele não estava preso, os homens que faziam a segurança além daquela porta estavam mortos, e abri-la significaria a morte para todos na melhor das possiblidades. Em seu juízo perfeito o investigador teria mandado evacuar aquele lugar e destruir tudo, mas ele ainda precisava saber por que, isso vinha atormentando sua mente desde que aquela carnificina começou, como alguém conseguia ser tão mal?

-Abra...

-Mas-...

-Apenas eu vou entrar, feche imediatamente após.

-O que?? Nós viemos juntos Ronald! – David protestou.

-Preciso que fique e garanta evacuação. Eu vou usar os comunicadores, caso algo me aconteça destrua tudo – Pediu, vendo o amigo a beira das lágrimas.

-Não! Eu não posso perder você também!

-Por favor David, eu ficarei bem.

O amigo relutou, mas acabou tendo que acatar, até por que além de seu melhor amigo, Ronald era seu superior, e ele tinha dado ordens para que fizesse, e assim foi. A porta foi aberta, dando visão à antessala onde os seguranças deveriam ficar. Sangue, para todos os lados, e a porta da sala estava aberta.

-Fechem – Mandou entrando.

David ainda quis impedir, mas as ordens eram claras e as portas fecharam, prendendo o homem ali com aquele ser, o pior humano da terra, se é que podia ser chamado de ser humano.

Já ali o homem viu os corpos mutilados dos seguranças, e sentiu vontade de chorar, eram seus amigos, como aquilo podia ter acontecido? Revoltado, no mínimo, ele entrou ao ouvir um assobio maroto dentro da sela aberta, e foi até lá. As luzes estavam apagadas, mas ele teve impressão de ter visto aqueles dois orbes vermelhos brilharem na escuridão antes de acender a luz e ver ele.

Quem visse um homem tão bonito não diria ser um assassino daquele calibre, cabelos ruivos, pele pálida, olhos vermelhos, sorriso malicioso, ele estava sentado no meio da sala, as correntes que deviam segurá-lo quebradas no chão, e suas mãos repletas de sangue fresco, seus amigos tinham sido mortos há pouco tempo.

-Você...

-Olá... Ronald – Disse baixo, sua voz era quase aveludada.

-Sabe meu nome?

-Eu sei de tudo meu caro... – Sorriu mais – Você esteve me procurando por tanto tempo... Me lembro bem da primeira vez que te vi... Seu medo... Eu te assusto?

-Desgraçado! VOCÊ DESTRUIU O MUNDO! – Perdeu a linha, queria poder agir friamente como David fazia, mas não tinha esse perfil.

-Sim, eu destruí... Foi divertido.

-... Por quê? O QUE VOCÊ GANHA COM TUDO ISSO??

-Vamos reformular a questão, ou que eu perco?

-Oi?

-O que eu perco deixando a terra viva? O que vocês ganham? Nós não somos diferentes, meu caro...

-Como? EU NUNCA MATEI INOCENTES!

-Mas matou criminosos... Certo?

-NÃO COMPARE!

-Ah claro... Eu esqueci que vocês humanos tendem a se enganar, a morte é menos culposa se feita em prol de algo que vocês acham certo... – Sorriu acusador, vendo-o fraquejar um pouco – Calma, eu não estou aqui para te acusar... Não é como se eu me importasse mesmo, todos vão morrer.

-Que?? O QUE VOCÊ ESTÁ PLANEJANDO??

-Morrer – Respondeu sucinto, vendo a feição de dúvida do outro – Acho que 38 anos é muito, não? Eu cansei disso... Cansei de viver, minha fase já acabou.

-Sua... Fase? Você considera tudo que fez uma fase?

-Óbvio! Meu amigo, querido amigo, nunca ouviu falar em... Predador e presa?

-Você se considera um predador??

-Sim, até por que, se não eu, quem impediria vocês? Não percebe, é a lei natural... Até por que você sabe que... O predador do homem é o homem.

-... Você é doente...

-Talvez, eu só... Tenho um propósito e não tenho. Eu estou além das convenções de vocês, estou além de tudo isso, eu nasci para ser aquele que vai levar a humanidade ao seu RESTART, o mundo precisa reiniciar, e vocês... Precisam recomeçar.

-E acha que a melhor forma é matar a todos??

-Óbvio, por favor, quantos não disseram a mesma coisa que eu antes e não fizeram nada? Não existe mudança sem ação... E eu fui à ação que gerou toda essa cadeia de eventos que nos trouxe até aqui, que te trouxe até mim, que nos fez estar sentados nessa sala fria esperando a morte inevitável... Mas só existe uma diferença meu caro.

-Que é?

-A morte é só um começo, de algo muito maior – Sorriu largo, completamente insano – E para mim... Ela é o início do fim de tudo.

-... Lunático...

-Não... Eu sou um demônio – Sorriu mais.

A porta da sela se fechou com força, e antes que Ronald pudesse fazer alguma coisa foi atacado, não para matar, mas com um beijo, ele não esperava aquilo, e nem gostou, tanto que empurrou agressivamente aquele maníaco para longe, vendo-o rir enquanto caia sentado.

-SEU NOJENTO!

-Ah sim, eu sou! EU QUE DEI UM FIM AO QUE NUNCA DEVERIA TER COMEÇADO! A HUMANIDADE NÃO DEVERIA EXISTIR! SÃO FRACOS! SÃO CRUEIS! SÃO PEDÓFILOS! ESTRUPADORES! LADRÕES! MENTIROSOS! EU SOU NOJENTO POR ACABAR COM VOCÊS!

-VOCÊ SE ACHA UM JUSTICEIRO??? QUEM TE DEU O DIREITO DE DIZER QUEM VIVE E QUEM MORRE????

-Eu me dei...

O ruivo sobrenaturalmente se levantou, como se fosse erguido ele nem precisou se esforçar, logo estava de pé. Isso sem dúvidas foi assustador, Ronald tentou sair, mas foi inútil, estava trancado ali.

-Ah... Bem... Acho que não começamos devidamente... Eu sou Dennis – Disse se aproximando dele, tocando seu ombro como se fossem velhos amigos – Dennis Redwood.

-... Redwood?

-Exatamente! Christensen Redwood para ser mais exato! Falando em Christensen, sabia que eles eram os únicos que podiam me matar? Eles e a família Sordis, mas eu matei ambas, então né? – Se sentou em um banco.

-... A Sophie... Ela era...

-Minha mãe!

-... Matou sua própria mãe??

-Ah sim, matei... Mas eu gostava dela – Sorriu nostálgico, quase triste – Foi por isso que viveu tanto... Eu só a matei por que ela já ia morrer de qualquer jeito... Sabe, isso me irrita, humanos vivem tão pouco.

-Viveriam mais se você não os matasse.

-Tá certo... Mas qual a diferença mesmo? A morte é inevitável... Por que é tão ruim assim adiantar a certeza?

-Por que todos têm direito de viver.

-E por que exatamente viver é bom? – Olhou para ele sério, e quando não conseguiu resposta se aproximou – Estou perguntando...

-O que?

Dennis bateu a mão ao lado da cabeça do outro, seu olhar era ameaçador e estranhamente curioso, mas havia algo além, uma pitadinha de um sentimento escondido, amargurado, era a tristeza? Aquele homem, que tinha matado bilhões, estava triste?

-Eu... Nunca fui feliz – Confessou, sem tirar os olhos dele – Eu nasci e matei meus pais... Eu nem sabia o que estava fazendo, mas depois eu entendi... Deus me odeia, então por que eu deveria amar o que ele criou? Eu sou imperfeito... Sou um erro... Eu... Não tenho alma.

Ronald não entendeu, na verdade aquilo tudo apenas o deixou ainda mais confuso, mas ele já tinha percebido que aquele homem a sua frente definitivamente não era humano, então o que era? Queria saber, queria entender, e quem sabe assim aprendesse a combater aquele inimigo misterioso.

-... Você já conversou com alguém sobre isso?

-... Ninguém nunca quis me ouvir.

-Eu quero.

Dennis arqueou a sobrancelha, mas sorriu, voltando a se sentar e sendo acompanhado pelo outro, que pelo visto era mais novo que si, tinha apenas 26, não eram idades tão distantes, mas quando tinha nascido aquela chacina já tinha começado.

-... Você... Quer me contar sobre a sua vida?

-Quero, acho que esse pode ser o marco da minha existência, um fim agradável – Se sentou confortável – Mas antes... Quero que descarregue.

-O que?

-Essa arma na sua jaqueta, pode descarregar na minha cabeça, eu sei que quer, e para te contar tudo preciso provar que estou dizendo a verdade.

-Que verdade?

-Eu não sou um humano normal.

O homem não entendeu, mas queria tanto aquilo que não se importou, sacou a arma e disparou contra a cabeça do ruivo, que ficou parado, sangrando, antes de se levantar novamente, deixando o homem estarrecido.

-Não acredito...

-Pois é, apenas eu sei como me matar, e só vou te contar depois que me ouvir, de acordo?

-... Ok...

-Ótimo... – Suspirou – Como eu disse... Eu não deveria ter nascido, eu fui concebido de um pacto entre uma humana e um demônio...

-Demônio?

-Sim, eles existem, e esse prometeu a minha... Genitora, que iria gerar dois filhos para ela, um dela e outro da minha Sophie... Mas deus não queria que eu nascesse, e quando vim ao mundo eu não tinha alma, então apenas matei a Lottie e me alimentei da sua alma, assim poderia continuar vivendo.

-... Você fez isso?

-Fiz, foi instintivo, eu precisava disso, se não morreria, todos querem viver certo? Quem dera eu tivesse morrido, devo dizer...

-O que te aconteceu depois?

-Ah... Bem...

 

{...}

 

Eu fui pego pela família Christensen, mais especificamente o marido da minha Genitora, César, me pegou. Eles tinham medo da minha existência, e me prenderam, eu não poderia sair, eu era perigoso, e enquanto estava preso eles tentavam me matar de todas as formas possíveis, todo dia um jeito diferente.

-AHHHHHHH!!! – Eu gritava de dor, até por que eu também sentia, era a única coisa real naquele inferno.

-... Maldição! MORRA DE UMA VEZ! – César gritou, enfurecido.

Ele tinha acabado de fazer um doloroso ritual em mim, agulhas, machados, sangue de demônio. Me diga, quem era mais cruel naquele momento? Eu matei sua esposa para sobreviver em um ato de quase... Inocência, e ele estava torturando uma criança dia após dia, sonhando com a sua morte, sonhando com a sua vingança, mas de quem era o erro? Eu nunca pedi para nascer, e mesmo assim eu era o pecado em forma de gente.

-Inferno... – Jogou o lixo que usava em mim num canto – Não ache que acabou, eu não vou parar até você morrer...

-Eu sei... – Tossi sangue, lágrimas escorriam pela minha face, de dor e agonia – Estarei esperando esse dia chegar.

César rosnou, mas foi interrompido por um garoto entrando. Eu tinha cinco anos naquela época, e ele sete, um garoto loiro de pele rosada e olhos azuis, eu sentia uma forte conexão com ele, e percebi que o garoto também sentia, tanto que ele correu até mim.

-PARA DE MACHUCAR ELE! – Me defendeu de seu pai.

-ELE É UM MONSTRO DIOGO! SE AFASTE DELE!

-ELE É MEU IRMÃO!

César pareceu realmente transtornado, mas eu sentia, eu e Diogo éramos iguais, ele era meu irmão, meu querido irmão, que assim como eu não deveria ter nascido, ou talvez Deus amasse mais a ele do que eu, e lhe concedeu a misericórdia, já a mim? Eu não sentia nada além do que tinha devorado daquela mulher, agonia, tristeza, desespero e medo... Mas ela também escondia em seu âmago um sentimento lindo de amor... Não um amor romântico, mas um amor materno, ela amava o filho mais velho, e consequentemente eu o amava também.

-Diogo... – Choraminguei.

-Dennis! Dennis, não chora – Me abraçou.

-MANDEI FICAR LONGE DELE!

César agarrou o filho, que se debatia tentando me tirar dali, e como era adulto e forte conseguiu, mas não antes do meu irmão fazer uma promessa: Ele algum dia me tiraria dali. Isso me deu forças para continuar, eu acreditei nele, e a cada dia que passava, com a família Christensen tentando me matar, eu me tornava mais forte, eu cresci e as correntes já não me seguravam mais com tanta força, eu conseguiria escapar, e sentia a agonia e o desespero me alimentando, eu sentia o desejo de vingança.

Dez anos se passaram, e finalmente eles descobriram uma forma, uma adaga seria capaz de me matar, feita especialmente para mim, e eu já esperava aquele inevitável fim, mas antes deles chegarem Diogo apareceu. Ele tinha crescido, se tornado um rapaz lindo de 17 anos, que quando me viu desatou a chorar.

-Dennis! Me perdoa, eu só consegui vir agora! – Chorou mais.

-Achei que tivesse me esquecido... – Disse baixo, apático, como sempre fui.

-Nunca, você é meu irmão, e não importa o que essa família diga, eu sempre vou amar você.

Diogo lutou contra aquelas correntes e conseguiu me soltar. Eu finalmente estava livre, e não sei por que, o abracei, era a primeira vez que recebia uma demonstração de afeto, algo que não era dor, e eu gostei muito. Eu sentia o amor da Lottie por aquele garoto, e eu o protegeria de tudo.

-... DIOGO! – César apareceu na porta.

-Pai! DEIXA O DENNIS EM PAZ!

-SAI DE PERTO DELE DIOGO! É UM MONSTRO! ELE MATOU SUA MÃE!

-ELE SÓ NASCEU POR QUE ELA QUIS FAZER O PACTO!

Arregalei os olhos, eu não sabia da história toda naquela época. César tinha mentido, passado quinze anos me contando que eu era fruto de um ritual para trazer o demônio para a terra, que eu não deveria ter nascido, que era o assassino da minha mãe, mas não era verdade, e isso me enfureceu, eu aceitei todos os castigos e dores por que achava que era culpado, mas que culpa eu tinha se ela que escolheu me ter??

Mentirosos, humanos eram mentirosos.

Quando menos percebi eu estava do lado de fora, sangue para todos os lados, eu tinha matado absolutamente todos os membros presentes naquela mansão da tão renomada família Christensen, com exceção de Diogo, ele estava a minha frente, com lágrimas nos olhos, sujo de sangue, mas não parecia irritado. Achei que ele fosse me trair como todos os outros, me matar, mas recebi um abraço caloroso, e um amor real, ele estava mesmo disposto a me amar mesmo depois que eu matei toda a sua família.

-Não sente raiva...?

-Sinto, mas mais deles, eles pediram por isso Dennis! Eles erraram com você! Com todos! – Me apertou mais – Eu vou cuidar de você agora irmão... Seremos felizes juntos.

Sorri pela primeira vez, e realmente acreditei nas suas palavras, seríamos verdadeiramente felizes, e nada poderia nos impedir. Pelo menos foi o que eu pensei...

Três anos se passaram, agora vivíamos em uma cidadezinha no interior, no Sul dos Estados Unidos. Diogo era ótimo para mim, e eu não me sentia vazio perto dele, eu sentia que apesar de não me importar com nada além do meu irmão, podia ser feliz, e sentia que ele também era estando ao meu lado. Até o dia que ele me apresentou uma mulher.

-Dennis, essa é Hilda.

Bonita, alta, corpo farto, olhos vermelhos. Me coloquei em posição defensiva, eu não confiava nela, ao mesmo tempo que sentia uma estranha ligação com aquela coisa.

-Ela é um demônio Diogo – Alertei.

-Eu sei – Disse num suspiro – Eu fiz um Pacto com ela Dennis.

-... Por quê? Isso vai te matar.

-É para nos proteger! Os sobreviventes dos Christensen e os Sordis estão atrás de nós! Vão tentar nos matar, eu precisava da força dela.

-Eu não sou forte o suficiente?

-É, mas eu que não quero te ver sujar suas mãos de sangue... – Suspirou triste – Promete que vai deixar tudo nas minhas mãos?

-Prometo...

Erro, grande erro. Eu percebi com o tempo que a Hilda me olhava diferente, eu não entendia, mas a via se aproximar sorrateiramente de mim e tentar me jogar contra o Diogo. Ela tentava me seduzir com gestos e palavras, e quando eu não respondi ela tomou a forma de um homem, e tentou novamente. Eu ainda não sentia nada por aquela pessoa, mas a conexão que possuíamos me instigava, me fazia querer tocar nele e ele me tocava também. Esse demônio disse que estava ali por mim, e que cuidaria de nós dois, eu não acreditava, mas se o meu irmão confiava, eu também confiaria.

Agora que penso, cometi erros demais na minha vida, que poderiam ter evitado tudo aquilo, até por que, apesar de poderoso, um ser maligno, eu sentia o que um humano um dia sentiu, eu tinha fraquezas, e dúvidas, por ainda vivia como um humano, e mesmo muito mais inteligente que todos eles, ainda desconhecia coisas até sobre mim mesmo. Um dia voltando para casa ouvi Diogo gritar, ele estava furioso e pelo visto Hilda também, quando cheguei a tempo de ouvir a conversa, vi que meu irmão tinha conseguido o impossível, ele tinha anulado seu pacto com ela, e agora destilava palavras de ofensa e ódio, e a mulher parecia furiosa.

-FIQUE LONGE DELE!

-EU O CRIEI SEU HUMANO RÍDICULO! ELE NÃO TERIA NASCIDO SEM O PACTO QUE FIZ COM A SUA MÃE!

Meus olhos novamente soltaram das órbitas, então ele era o demônio que tinha me colocado no mundo? O sentimento de ódio cresceu de uma maneira que eu nunca tinha sentido antes, era culpa dela que eu existia, por culpa dela eu passei a existir nessa desgraça de mundo! Ensandecido por ele eu ataquei a Hilda, e não sei como exatamente eu consegui, mas uma força que eu desconhecia me levou a mata-la, e não era a morte de sua casca terrena, eu devorei o seu espírito de arrogância e ambição. Aquilo doeu, eu nunca tinha sentido nada parecido, devorar a alma de um humano era completamente diferente da de um demônio, rasgava por dentro e me corrompia mais e mais.

-DENNIS!

Diogo tentou se aproximar, eu estava fora de mim, eu... Eu... Matei meu irmão. Quando vi ele estava caído no meio de uma poça de sangue. Demorou alguns minutos para que eu conseguisse organizar meus sentimentos e entender que eu estava sentindo arrependimento e desespero, eu tinha matado a única pessoa que me deu amor em toda a minha vida, que me amava de verdade e que eu também amava. Nesse momento eu finalmente senti o mundo se quebrando dentro de mim, e fora também.

Oito horas foi o suficiente para que eu matasse metade dos Estados Unidos, eu nunca tinha sentido aquela força, aquele desejo, eu queria fazer todos os humanos sofrerem o que eu sofri, e pagarem por seu egocentrismo, eu nunca teria nascido se não fosse por esse desejo cruel e ambicioso de todo ser humano, todos não prestam, todos tem que morrer. Eu era no início uma máquina de morte sem controle, tudo que eu queria era dar um fim a eles.

Logo fiquei conhecido, um serial killer altamente perigoso, todos queriam me matar, e eu queria vê-los morrer, comecei a me divertir com aquela caçada, por que eu sabia que ninguém poderia me alcançar. Até que um dia, na Inglaterra, eu conheci... Sophie Redwood.

Eu tinha 23 anos e vi aquela mulher, minha conexão com ela foi avassaladora, eu sentia, eu era filho dela, não da mulher cruel que tinha me feito nascer, mas dela! Eu era fruto dela, e a ver sofrer por causa daquela família me levou a matar absolutamente todos.

-... NÃO! ROSALIE!! – A ouvi gritar correndo até a mansão, coberta de sangue – O QUE VOCÊ FEZ???

-Eu destruí o que te faz chorar... – Disse baixo.

-... Como?

-Mamãe...

Ela arregalou mais os olhos, eu me aproximei dela e a abracei, esperando que ela me amasse também, mas não, ela tinha medo, tinha repulsa, tinha rancor, ela não me amou como Diogo. Eu poderia tê-la matado, mas em vez disso a sequestrei, ela foi dada como morta, enquanto era escondida em um lugar onde ninguém deveria a encontrar, e eu... Eu ainda matava, mas não podia deixar de observá-la, quando ela ficava triste eu sequestrava crianças para fazer companhia, com tédio comprava livros para que se distraísse, e às vezes nós conversávamos. Ela me odiava? Eu não sentia isso, mas sim medo.

-Você não devia estar matando a todos! Eles não merecem isso!

-Eles me fazem sofrer... Eu quero que eles sofram também – Respondi rancoroso – Quero que o mundo queime.

-A TERRA NÃO TEM CULPA PELAS MERDAS QUE O HOMEM FAZ!

Isso meio que despertou um sentimento estranho em mim, eu nunca tinha parado para pensar no que era a terra se não uma enorme rocha. Foi ai que eu comecei a pensar nisso, a terra era linda, tinha animais, tinha plantas, insetos, e tudo isso... Estava sofrendo por causa do humano. Eu continuava a matar, mas também estudava tudo que podia sobre nosso planeta, eu percebi o quanto amava aprender, me trazia paz.

Estudando eu entendi que a terra é um ciclo vivo, possuí suas fases, se renova, seleciona, e que todo animal possuí seu predador, mas qual era o predador do homem? Quem controlava a população para impedir que eles destruíssem esse lindo planeta? Ninguém, não havia doença que não fosse ter uma cura, e os humanos apenas aumentavam em número e sugavam mais a cada dia. Eles destruiriam tudo, e consequentemente, se destruiriam no processo.

Foi então que minha ficha caiu. O homem é o predador do homem. Ele mata, ele destrói, mas não pelos motivos certos, mas sim por suas próprias convicções e interesses. A terra precisava urgentemente de uma nova fase, de uma limpeza, de um recomeço, e qual a melhor forma... Se não matar o que a sujava? Os humanos. Eu de repente superei todo meu rancor pela humanidade, e criei uma motivação doentia, eu tinha que livrar a terra do mal, nenhum humano valia a pena ser salvo, o único que já mereceu misericórdia foi morto pelas minhas próprias mãos, e agora seriam elas que dariam um fim ao reinado do ser humano, que nunca mereceu a terra.

Foi então que comecei a matar de verdade, me apossei das maiores bombas nucleares, e destruí tudo, é fácil manipular as oportunidades quando se tem dinheiro e inteligência, sim, dinheiro, depois da morte dos Redwood fiquei com sua fortuna, que eu não usava para nada mais do que destruir tudo. E teve sucesso, de repente os humanos que lutavam entre si agora se uniam para me matar, mas já era tarde, tiveram milênios para perceber seus erros, não iriam me impedir agora.

Em 18 anos reduzi a população a um nível quase aceitável, sinceramente ainda preferia matar todos, mas algo me disse que minha fase já tinha acabado, meu momento já tinha passado...

Está na hora de por um começo ao meu fim.

 

{...}

 

-Foi assim que...  Você matou a todos...? – Donald parecia em choque.

-Exatamente... Eu sei que no fundo você sabe que eu estou certo, os humanos não valem a pena, a terra precisa desse recomeço.

-Você lançou bombas que destruíram tudo! Não só os humanos!

-A terra se cura meu caro, pode levar milhares de anos, mas ela vai se curar, vai selecionar os mais fortes e aptos à sobrevivência e vai se renovar, eu apenas permiti que ela o fizesse sem interferência do ser humano.

Donald ficou quieto, era terrível, mas ele sentia que no fim aquele homem tinha uma pontinha de razão, admitia que ele tinha sofrido muito, e por mais que o odiasse por suas atitudes brutais, pensando racionalmente, o ser humano era a praga que destruía a terra, e essa ideia vinha se tornando mais real a cada década. De repente ele percebeu como aquilo era impossível, não podia pará-lo, não podia impedi-lo, ele era uma fase, e terminaria no seu momento.

-Vejo lágrimas... – Dennis disse, vendo o investigador chorar – Pobre humano, quero dizer, eu não sinto pena alguma de você, mas também sei o que é viver iludido em uma realidade que não te pertence... Mas tudo isso vai acabar meu amigo...

Donald suspirou e desatou a chorar, Dennis se aproximou dele e ficou ali, observando suas lágrimas atentamente até que finalmente se acalmou. Nenhum dos dois soube de onde aquilo começou, mas quando se deram conta estavam se beijando, as roupas jogadas no chão, o cheiro de sexo tomando conta, era como se afundassem as suas mágoas e tristezas no corpo um do outro, e não era uma relação saudável, o investigador fazia questão de ser bruto com o ruivo, como se quisesse machuca-lo, e inebriado entre o prazer e a dor o assassino pareceu não se importar com aquilo.

Ao final daquela relação no mínimo conturbada eles se sentaram no piso sujo de sangue, ainda nus, e mesmo que aquilo não fosse nada normal, não pareciam realmente arrependidos.

-... Eu ainda quero te matar – Donald disse.

Impressionante como o investigador sentia as variações em seus sentimentos, flutuando entre ódio, pena, raiva e atração. Talvez Dennis Redwood tivesse um dom bizarro de despertar essas emoções nas pessoas, ele conseguia ser o pior ser vivo a pisar na terra em toda a história, mas na mesma moeda sabia ser profundo e demonstrar suas reais intenções no meio daquele mar de sangue. Ele estava errado em julgar que a terra não precisava do homem, e, portanto se dar o direito de mata-los? Talvez estivesse, mas mesmo que suas ações fossem erradas, a motivação parecia ser certa quando pensava que o planeta realmente não suportaria manter aquele número de pessoas egoístas, cruéis e ambiciosas, havia pessoas boas? Sim, Diogo era um exemplo claro disso, mas depois de perder a única pessoa que amou, não poderia exigir que ele desse uma chance novamente, por que sabia o quão amedrontador era amar, perder e dar uma chance para o sentimento.

-... Aqui – Dennis entregou a ele uma adaga.

-Isso ai te mata?

-Sim, mata – Disse pegando o comunicador do meio das roupas – Mande lançarem a bomba.

-Isso vai matar a todos que estão aqui...

-Um último sacrífico, todas essas vidas, em prol da minha morte, justo... Não acha? Além do que, é necessário um sacrífico para me matar.

-Sacrífico?

-Exatamente, todos que estão aqui devem morrer se quiser que eu morra também... Mande lançarem a bomba e finque essa adaga no meu coração, é a única forma.

-... Você quer mesmo morrer?

-Toda fase chega ao fim...

Donald relutou por seus amigos, mas era um sacrífico digno, principalmente por que o próprio Dennis ressaltou que se não fizesse ele sairia e mataria o resto da humanidade. Teria de o fazer, então, juntando toda a sua dor, deu ordens pelo comunicador para que lançassem as bombas.

-Ótimo... Temos cinco minutos até a aniquilação total e completa, pode fazer – Dennis mandou, olhando seriamente para o homem a sua frente, que sem pensar duas vezes atravessou seu peito com a adaga.

A dor foi excruciante, mas ele sabia que a que viria depois seria muito maior. O investigador pegou seu comunicador, e sob o olhar atento do ruivo disse para seu amigo o quanto o amava, despedindo-se dele e desejando encontra-lo em algum lugar melhor depois daquilo.

-Eu também te amo Donald... – Podia ouvi-lo chorar e isso lhe partia o coração.

-Adeus amigo...

-Ade-...

 

(...)

.

.

Quase 1000 anos depois...

.

.

Ano 3000, a radiação ainda existia e a humanidade havia aprendido a lidar com aquilo. Mil anos foi o suficiente para que se reestruturassem, apesar da população não estar nem na metade do que era antes, agora eram apenas 800 milhões em todo o mundo, isso por que demorou até terem condições de suportar e manter a vida. Dennis estava certo, a terra se renovava, novas espécies surgiam, e o homem parecia finalmente ter aprendido a conviver entre os seus, menos guerras, menos mortes, talvez aquela tão cruel e avassaladora fase tivesse vindo para o bem no final das contas, por mais que ainda fosse um tabu falar sobre as mortes.

Nada tinha restado nada daquela bagunça, da explosão que o teria finalmente matado, se não uma única adaga. Sim, uma adaga que teria sido a responsável pelo Demônio Ruivo, como era chamado pelas lendas, morrer. Sim, ele era uma lenda mil anos depois, pois ninguém sabia quem era realmente, a idade, o sexo, a aparência, ou se quer se era uma pessoa só ou uma legião de assassinos. Contos eram passados pelas gerações e pela internet creepypastas corriam soltas sobre os acontecidos e as possibilidades de que ele retornaria para terminar o que começou.

E uma em especial dizia simplesmente que “A fase se inicia quando a humanidade precisa morrer”. Ninguém sabia exatamente o que aquilo significava, o que seria o momento certo para os seres humanos morrerem, dado que as pessoas viviam muito mais depois de grandes avanços na medicina, e na verdade ninguém pensava muito nisso.

Em um museu no centro do mundo ficava exposta a adaga do Demônio Ruivo, cujas lendas diziam ser amaldiçoada, ninguém realmente acreditava naquilo, em mil anos o ser humano tinha se tornado extremamente cético, mas mal sabiam que era verdade.

-Vamos mamãe! Eu quero ver a adaga! – Um garotinho dizia, animado, era sua primeira vez ali.

-Calma amor, ela não vai fugir.

Animados chegaram até a exposição. A mulher se distraiu olhando algumas outras obras, e mandou que o filho desse uma olhada rápida para poder acompanha-la, ele já não era tão pequeno, tinha 09 anos e era muito esperto.

-Tá bom! – Concordou, parando a alguns metros da adaga, onde era permitido.

O jovem olhou para o objeto, preso em um pedestal dentro de uma caixa enorme de vidro. A placa da exposição a sua frente contava a história acerca da existência daquele objeto, sobre o demônio ruivo e todas as lendas a cerca do maior genocídio da história.

-... Interessante, não?

O garoto levou um susto ao ver um homem exatamente dentro da caixa de vidro, do lado da estátua. Ele tinha enormes olhos vermelhos, cabelos ruivos e feridas espalhadas pela pele, mas seu sorriso era calmo.

-Como entrou ai? É proibido! – O garoto alertou.

-Vocês me prenderam aqui... – Disse sem realmente se importar.

-Eu vou chamar alguém pra te ajudar!

O garoto saiu correndo, e quando voltou com dois seguranças teve a surpresa de não ter ninguém ali. Sua mãe lhe deu uma bronca, mas os homens pareciam amedrontados ao mesmo tempo que sabiam bem o que estava acontecendo, tanto que quando ficaram ali sozinhos puderam ver o ruivo surgir de novo, de trás do pedestal.

-Olá... – Sorriu simpático.

-Ignore Ruan, ele não é real – Um dos seguranças disse, tentando se manter firme – Vamos sair.

Porém Ruan ficou ali, olhando assustado, não era a primeira vez que via aquela aparição e sempre parecia que algo lhe induzia a fazer, e naquele dia não conseguiu resistir, sua arma disparou contra a cabeça do seu colega de trabalho, e depois contra a sua, levando-os a morte, enquanto o ruivo apenas observava com um enorme sorriso no rosto, por que no fim aquilo era o que melhor sabia fazer, matar, e sem dúvidas estava ansioso para poder recomeçar a sua fase, talvez mais breve do que os humanos poderiam cogitar.


Notas Finais


Espero que tenham gostado!! Obrigado por lerem!!!
Comentem o que acharam, se ainda estão aí acompanhando! O que acharam desse Dennis? Cuidado na hora de sentir pena dele hein, apesar de ter sofrido, a essência dele é puramente demoníaca, ou seja, ele é mal, MUITO mal, imagino como seria se esse Dennis se encontrasse com o Dennis do universo normal kkk Seria terrível!
Inté!!


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