História Demonic Angels - Capítulo 43


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original, Romance, Terror, Yaoi
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Palavras 2.028
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 43 - Sanguinem


Arrepiou-se inteiro ao sentir os beijos suaves e quentes de Cauís em suas costas nuas. Abriu os olhos, suspirando profundamente. Os braços grandes e nus de Cauís logo o abraçaram, o trazendo para mais certo. Era um momento precioso; um momento de paz. Um dos raríssimos que podia ter.

Estar perto de Cauís era sempre bom, pois talvez por conta sua presença protetora e quente, ou talvez tivesse a ver com seu poder, mas quando estava com ele não sentia medo, e nem via coisas estranhas.

Não quando estavam tão juntos depois de uma noite amor juntos.

Ele se vira, para encontrar os grandes olhos o fitando ao que poderia dizer ser horas. Não que ele tenha dito algo, mas de alguma forma, sentia que ele estava o observando dormir por boa parte da noite.

-Não dormiu?

-Acordei a algumas horas. — Respondeu. — Não quis te acordar também, resolvi esperar.

-Obrigado por ter ficado a noite inteira.

-Achei justo, considerando que...

-Vai sumir de novo? Por quanto tempo desta vez?

-Somente duas noites. — Replica simples, deixando um rastro de esperança que Conrado fazia tudo o que podia para se agarrar. — E quando eu voltar, vamos ter uma noite romântica, bastante comum e simples como qualquer um.

Conrado sorriu docemente. Ele o beija docemente. O momento é cortado quando o celular de Conrado toca. É o alarme. Está na hora de ir para o trabalho. Conrado ri baixo, desagradado com o fato de ter que ir trabalhar. Neste momento, ele queria ficar na cama com Cauís. Mas não poderia.

-Pode ir tomar banho. Vou fazer um café da manhã para você.

-Obrigado.

Trocaram outro beijo rápido e apaixonado. Cauís levanta primeiro, se veste e vai preparar um bom café da manhã para Conrado. Ele mesmo fora tomar um banho. Lavou os cabelos, e cuidou de toda a sua higiene pessoal.

Voltou para o quarto. Trocou as roupas, secou os cabelos com o secador, para não ficar doente. Ainda está frio e chuvoso, faz dias que está assim. Quando fora tomar café da manhã, Cauís já havia saído, deixado um bilhete amoroso e uma comida deliciosa e quente sobre o balcão.

Ele sorri, contente com o gesto amoroso.

Se senta e come todo o café da manhã, todo o café puro, adocicado como deseja. Depois de comer, vestiu um casaco longo e o mais quente que ele tinha. Pegou a sua bolsa, e seguiu para o trabalho. Pegou um ônibus, seguiu para o trabalho.

Quando chegou, Sky estava trancado no seu escritório. E disse lá de dentro que não queria sair, deixando num caderno anotado tudo o que Conrado deveria fazer no dia, o que não era muito, quase nada na verdade. Conrado fez as atividades, limpou o estúdio, desmarcou os compromissos do dia, limpou as câmeras e anotou e atendeu cada ligação recebida durante o dia, a tarde e do início da noite.

Durante todo o período de trabalho, Sky não havia saído do escritório nem uma vez sequer, nem mesmo para almoçar e respondeu grosseiramente quando Conrado tentou perguntar se ele estava bem. Mas ele não era tão estranho assim, considerou que estava apenas de mal humor ou que tivesse brigado com alguém, por isto, não disse mais nada e passou todo o restante do expediente.

Já havia terminado seu expediente e estava pronto para ir embora quando Sky o chama, ainda sem colocar o pé para fora do pequeno escritório. Conrado bate à porta e abre-a, entrando depois da permissão de Sky. Ele estava sentado a uma cadeira, com as pernas em cima da mesa, e bebendo um copo de vinho, um copo normal.

Conrado fecha a porta a pedido do mesmo, se aproxima e senta, também a pedido dele.

O rosto dele guarda uma expressão estranha, com um sorriso de canto escárnio, com um brilho ainda mais estranho nos olhos. Além disto, o ar na sala está estranhamente mais frio do que lá fora, e macabro, pesado de uma forma que ele não sabia explicar. No entanto, resolveu a apropriar isto ao fato da sala estar mergulhada numa escuridão assombrosa.

-Você já se deu conta de como sua beleza não é afetada em por estas cicatrizes no seu pescoço?

Conrado franze o cenho. Do que ele está falando?

-Não.... Por que está falando isto.

-Por nada. — Ele bebe todo o vinho, jogando a cabeça para trás quando o faz. Um fio de vinho escapa pelo canto dos lábios, no escuro, dando a impressão de ser sangue, assustando ainda mais a situação em si, mesmo que não soubesse direito a razão. Piscou diversas vezes, para deixar de ter a impressão de estar confundindo vinho com sangue. — Você faz um bom trabalho, mas certamente está desperdiçando o seu tempo. Acho que não percebe isto, certo?

-Eu...

Sky gargalha alta. Coloca a taça sobre a mesa. O olhar dele fria de forma diferente, assustador. Conrado se encolheu, apertou as mãos no colo. Se sentia nervoso, e muito receoso, mesmo sem saber explicar direito a razão. Nunca se sentiu desconfortável com a presença de Sky, mas neste momento, este desconforto está crescendo rápido demais.

-Me diz uma coisa, ainda sente falta de ser um modelo de verdade? Poderia ter feito tanta coisa se não tivesse dado um passo errado.

Engole em seco. Este passado era uma das partes mais desconfortáveis de sua vida, e uma que ele praticamente nunca comentava ou conversou com Sky. Ele nem deveria saber destas coisas, e mesmo assim, estava fazendo uma pergunta dessa que não dava vontade de responder. Mas pensando no respeito que tem por seu chefe, ignorando o comportamento estranho, acaba por responder.

-N-Não sei...

Ele passa a língua pelos dentes, lambe o restante do vinho dos cantos dos lábios, debruçando o tronco sutilmente para frente ao passo que o sorriso agora malicioso aumenta.

-Como vai seu namoro? — Sky questiona casualmente, mas sua maneira de falar soa tão arrogante que deixa Conrado constrangido.

-Como? — Deseja ter ouvido errado.

Sky sorri abertamente, todos dentes brancos e alinhados à mostra, escondendo algo profundamente maligno ao que Conrado, sem saber direito a razão, começa a temer.

-Me lembro de você certa vez comentando sobre um namorado e com uma boa aparência assim, duvido que esteja solteiro. Terminaram? — Continua ele, mais interessante neste assunto do que deveria.

Corando pigarra, encontrando a voz para responder.

-Não. Estamos indo bem. — Diz, tentando transparecer tranquilidade.

-É bom ouvir que conseguiram acertar suas diferenças. — Diz ele de forma estranha. — Mas mesmo... Não deve ser fácil. — Acrescenta, dando ênfase ao que diz.

-Por que está dizendo isto?

-Ora, relacionamentos são difíceis. — Argumenta, a voz entoando um deboche moderado. — Eu mesmo que o diga. Saí com diversos rapazes e algumas moças. Nunca dá certo, é muito complicado se adaptar as diferenças do outro. — Sky sorria estranhamente, batendo os dedos na mesa sem parar, como se acompanhasse o ritmo de uma música invisível.

Conrado ficava a cada segundo mais desconfortável com o comportamento dele. Havia algo errado. Sky nunca foi tão sorridente e muito menos tão presunçoso e arrogante. O comportamento dele estava diferente, havia algo errado. Ele podia sentir, embora não soubesse explicar o que era.

-Mas... — Moveu os dedos em sua direção, como limpando uma sujeira invisível do ar. O olhar ganhava agora cada vez mais ar de desdém. — Alguém como você, dono de uma beleza tão natural que invejaria qualquer mulher, sendo homossexual pode arranjar qualquer homem que quiser. Talvez até mesmo um hétero. Há tanto potencial escondido neste belo corpo coberto de desejo e luxúria desconhecidas por si mesmo.

Agora sim estava ficando preocupado. Sky não era de ter este linguajar. Muito menos de querer saber tanto da sua vida pessoal, como se fosse de tamanha relevância ele saber destas coisas nunca perguntadas antes. A relação entre eles sempre fora de mútuo respeito e de sempre mantendo o lado profissional, era estranho que agisse assim agora.

-Hm... Eu preciso ir, se não tem nada mais a me dizer...

-Tenho sim na verdade. Então fique.

Sky levanta, rodeando Conrado até parar atrás dele. Um arrepio estranho provém da espinha de Conrado quando este se debruça, roçando os lábios frios ao pé de sua orelha. Diante dele, o distraindo por alguns segundos, vê um ser esquelético, com a boca escancarada, sem olhos, apontando para atrás de Conrado num grito vazio, de uma boca sem língua. É estranho, Conrado nunca os vê tão nítida e diretamente. Para onde será que ele apontava.

-Você faz sexo com ele?

-Olha... Me desculpe, mas isto pertence a minha vida privada. Não pode...

-Por que a revolta? Você sequer o ama. Você tem medo dele, e como poderia não ter? Ele nem humano é.

A mente dele estrala, tenta se levantar e correr, mas é tarde demais. As mãos de Sky pressionam os ombros de Conrado, se transformando em garras, ainda em cima pele. Longas garras negras, as quais ele se lembra e sabe muito bem de quem são. Ele continua abaixado, sussurrando em seu ouvido. Mas a voz não soa como a de Sky agora, é muito mais grossa e um tanto mais envelhecida.

-Por que se deixar enganar por um Deus da Morte? Não sabe o que ele é? Se teme tanto a morte, por que fica perto dele? Ele não tem nada a te oferecer, a não ser a morte. Tudo o que ele toca é destruído, é o curso natural. A vida não pode se envolver com a morte, os humanos não podem se envolver com os não humanos. Você já está condenado. Quebrou as regras, vai direto para o inferno quando morrer e será meu de qualquer jeito. Por que não se entregar agora? Ao menos, do meu jeito, você não sofrerá. Não tanto...

Conrado tenta falar, mas sua boca está selada, como se algo invisível o amordaçasse. Também é incapaz de mover um dedo sequer. É o mesmo efeito de todas as outras vezes. Mas agora lhe parece tão mais pior do que as outras vezes.

Uma lágrima escorre por sua bochecha direita. Ele ainda pode ver a criatura de boca aberta com a mão apontada para atrás de Conrado, apontando para Sky, ou melhor para Pyrtos. As garras no ombro dele são ainda mais apertadas. Uma língua bifurcada e fria passa por seu pescoço, em cima das cicatrizes do acidente.

-Eu sei que você está vendo aquele Assamis. Quer a ajuda dele? Almas não podem fazer nada além de atormentar. Nem vivo nem morto, nem humano nem demônio. Uma existência dessa é pior do que qualquer inferno existente. Posso te transformar num deles, e nem é preciso tanto. Um pouco de dor agonizante e pronto... Isto vai durar para sempre.

A porta é arrombada com força atrás deles. Pyrtos faz questão de virar a cadeira para que Conrado veja Cauís surgir com uma adaga na mão que emana uma energia roxa. Pyrtos puxa Conrado pelo pescoço, o prendendo firme contra o corpo gelado com um iceberg. A visão de Conrado desparece junto de sua respiração, ele ainda não pode se mover, mas está preso em uma agonia indescritível.

-Não pode mais me deter, ceifeiro. — Pyrtos lança em Cauís uma forte luz vermelha que o lança contra a parede. As asas largas e negras se abrem e abraçam o corpo inerte de Conrado, desaparecendo em uma luz forte.

Cauís bate as costas contra esta, caindo de cara no chão. O golpe não o afetou tanto, e ele ergue em um milésimo de segundo, mas Pyrtos não está mais no ambiente e nem Conrado. Tudo o que restou foram penas negras e o corpo inerte do verdadeiro Sky lançado ao chão envolto de uma poça de sangue.

Cauís se move para fora do recinto, mas para de repente com uma dor aguda lhe ataca o peitoral. Olha para baixo, há muito sangue escorrendo de uma ferida profunda bem no meio do seu corpo. Ele toca a ferida, e vê o sangue vivo entre seus dedos. Não há dor, no entanto, um medo profundo avança em seu peito. Algo está errado, ele não deveria sangrar.



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