História Demônio disfarçado - Capítulo 5


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Categorias Amor Doce
Visualizações 52
Palavras 3.505
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo cinco


Fanfic / Fanfiction Demônio disfarçado - Capítulo 5 - Capítulo cinco

Castiel tomou seu expresso, tão negro e forte quanto o seu humor, e olhou para Camille por sobre a borda de sua xícara quando ela apareceu para o café da manhã, no dia seguinte.

Ele havia passado o restante da noite às voltas com os fantasmas do passado.

Agora, sob a luz brilhante da manhã, Camille parecia novamente à profissional impecável de sempre, o que Castiel achou profundamente irritante. A mulher que ele não havia conseguido deixar de tocar no terraço, em meio à escuridão, desaparecera, com seu cabelo livre daquele eterno coque, caindo macio sobre os seus ombros, envolta em seda, como um presente docemente perfumado, como se tudo não tivesse passado de um sonho.

Mas ele a queria, mesmo assim. Quisera-a então e ainda queria agora, como quer que ela se apresentasse.

– Nós vamos para Bora Bora – anunciou Castiel, sem preâmbulos. – Peça que o mordomo nos providencie o guarda-roupa apropriado.

Poderia ter entrado em pânico, pensou ele, com certo humor negro, se soubesse como fazê-lo. Como jamais havia experimentado algo tão confuso, Castiel apenas a observou caminhar na sua direção e disse a si mesmo que o desejo que latejava dentro dele não passava de indignação. Falta de sono. Qualquer coisa menos aquilo de que realmente se tratava.

Cami se deteve, antes de se acomodar graciosamente no assento oposto ao dele, junto à mesinha próxima à janela, onde ele havia tomado o seu café da manhã. Castiel viu uma infinidade de emoções que não conseguiu identificar atravessar o rosto dela em um único instante, antes de Cami encobri-la sob sua costumeira neutralidade.

Aquilo também o aborreceu.

– Aconteceu alguma coisa no Collins Resort que necessite de sua atenção pessoal? – perguntou ela, inabalável, como se na noite passada não tivesse soado tão mobilizada.

Como se não tivesse falado com Castiel como se ele fosse o culpado de todo o seu desespero. Como se ele não a tivesse tocado como se ela fosse frágil, até mesmo preciosa.

Do que você tem tanto medo? Ele a ouviu perguntar outra vez, sentindo-se partir em dois.

– O hotel faz parte da Collins Group – respondeu ele, em tom nada civilizado. – E por isso requer a minha atenção pessoal.

Os olhos excessivamente irônicos de Cami encontraram os dele, e se mantiveram assim por algum tempo, até baixarem novamente em direção ao tablet que ela havia pousado sobre a mesa. Sorriu quando lhe foi oferecido um chá, mas dispensou a comida e, por alguma razão, o silêncio dela pareceu uma censura a Castiel.

– Nós vamos partir esta noite – disse ele, ainda tenso, porém bem mais educado que antes. Castiel não sabia por que estava reagindo timidamente, em vez de tomá-la em seus braços e dar vazão a toda àquela tensão sexual de uma vez por todas, como teria preferido. Não importava o que ela pensava dele, ou mesmo o que ele pensava de si mesmo. – Considere isso como um presente meu pelos seus anos de serviços prestados, se achar necessário.

Algo cintilou no olhar dela novamente, e então desapareceu por trás daquele muro de calma do qual Castiel estava descobrindo gostar cada vez menos. Ele se perguntou se ela estava tendo tanta dificuldade de manter aquele verniz cortês e profissional como ele de manter as suas mãos longe dela.

Ele duvidava.

– Esse “presente” será parte integrante das minhas duas últimas semanas? – perguntou ela, em um tom leve, mas com uma expressão de aço nos olhos. – Porque é esse o tempo de que dispõe Senhor Collins, independentemente do que tenha escolhido fazer com ele.

– Você disse que queria ir para lá – lembrou Castiel, furioso por ela não aceitar o que ele estava relutando em admitir ser uma proposta de paz.

Algo no modo como ela havia lhe olhado, na noite anterior, tinha se infiltrado, fundo, na pele dele.

– É verdade – concordou ela, suavemente. – Mas eu nunca disse que queria ir para lá com você.

Ele não precisava tomar aquilo como uma ofensa, pensou Castiel. Afinal, ela só estava sendo franca. Ele já sabia o que Cami pensava a seu respeito. Não deveria estar surpreso, se era esse o nome daquele sentimento estranho.

– A vida é toda feita de compromissos – disse Castiel, com um sotaque mais pronunciado do que deveria.

– Verdade? – perguntou Cami. Os olhos dele procuraram os dela, que pareceu entre divertida e genuinamente confusa, o que só fez piorar as coisas. – Como você sabe?

Castiel afastou o restante de seu expresso e chegou à conclusão de que estava cansado, nada mais. Não havia nenhuma razão mais profunda para o que estava acontecendo. Ele não tinha conseguido dormir. Era por isso que estava tão confuso.

– Acho difícil acompanhar todas as suas acusações – disse ele, secamente. – Você acha que eu sou um sociopata, mas na noite passada disse-me também que eu tinha medo. Hoje, já sou uma pessoa não familiarizada com compromissos. Antes, eu era um Godzilla, não é verdade? – Ele ficou fascinado pelo rubor que tingiu o rosto de Cami, e igualmente intrigado pelo modo como ela ajeitou os ombros, quase que se preparando para o ataque. – Acho que captei a sua opinião, Srta. Bennett. Eu sou um monstro sem igual.

Monstro. Aquela era apenas uma palavra, disse a si mesmo, enquanto ela ecoava fundo, dentro dele, fazendo-o se lembrar daquela cidadela nas montanhas da Espanha e do prazer perverso de seu avô em seu décimo oitavo aniversário.

É apenas uma palavra. Não significa nada.

– Você é um homem que supõe que sua vontade lhe permite fazer o que bem entende – disse Camille, lentamente, como se estivesse considerando cada palavra cuidadosamente. – Você não mede as conseqüências do que faz.

Ela se serviu de um pouco de chá, olhou rapidamente para ele e então voltou a desviar o olhar.

Castiel quis tocá-la com uma fúria renovada, tamanho foi o seu desejo de sentir a pele dela contra a sua, de tomar aquela boca e torná-la sua. Deitá-la sobre a superfície lisa mais próxima e se perder dentro dela, finalmente.

Mas ele não fez nada daquilo, agarrando-se ao seu autocontrole outra vez.

– É claro que não – disse ele, friamente, como se não houvesse tensão alguma entre eles, nem desejo, ou necessidade. Estendeu a mão na direção do Financial Times, dobrado ao lado de seu prato, e disse a si mesmo que a estava dispensando como sempre fizera antes, sem pensar. – É para isso que eu lhe pago.

Aquela foi uma viagem muito longa.

Eu não queria que você fosse embora, dissera ele.

Cami não conseguia deixar de repassar aquilo em sua mente, repetidas vezes. Havia cuidado das malas, do envio das roupas apropriadas para Castiel e de sua própria apressada seleção de alguns itens. Enviara, ainda, uma série de e-mails e fizera uma série de ligações, desempenhando suas habituais tarefas.

Mas ela não conseguia tirar a noite passada de sua mente. O ar gelado, a escuridão e a mão macia dele em seu rosto. Aquela tempestade estampada no olhar dele a abalara também. E ainda abalava.

Por que aquelas poucas palavras e alguns toques a afetaram tanto? Por que tudo lhe parecia diferente, se nada aparentemente havia mudado?

Eles embarcaram em um dos jatos de Castiel em Milão, tarde da noite, e Cami se encaminhou para o quarto que costumava utilizar.

Ela se esparramou na cama e tentou não sucumbir ao turbilhão de emoções que a agitava, pensando nas duas semanas que ainda teria pela frente.

Quando acordou, algumas horas depois, eles simplesmente retomaram o trabalho, como se estivessem em um dos escritórios da Collins Group em Londres, e não em um avião, atravessando continentes. Ela permaneceu sentada ao lado dele, na área reservada aos negócios, cuidando das ligações e lidando com os diferentes detalhes referentes a cada uma delas. Atendia às diversas pessoas que ligavam, alertando-os do humor instável de Castiel e sugerindo diferentes modos de combatê-lo.

– Estou cansado dos joguinhos dele – disse Castiel, a certa altura, referindo-se a um dos membros do conselho. – Quero acabar com ele.

– É uma alternativa – falou Cami, afastando uma pilha de documentos da frente dele e substituindo-a por uma ainda maior. – Outra poderia ser simplesmente isolá-lo, como você fez com o projeto da Argentina. Com quem ele poderá seguir jogando?

Castiel a olhou por um momento, com uma expressão de aprovação no olhar que não deveria ter agradado tanto a Cami.

– Com quem, não é? – perguntou ele, suavemente.

Ela cuidava para que o café dele estivesse sempre quente e do seu gosto, e insistia para que comesse alguma coisa mais substancial, depois de certo tempo servindo-lhe uma refeição ali mesmo, quando se recusava a se afastar do trabalho durante aqueles vôos. Ao notar que a voz de Castiel assumia um tom cada vez mais irritado, sugeria calmamente que ele se retirasse para a suíte máster, a fim de recarregar as baterias. Mantinha-se sempre à frente dos planos de viagem também, assegurando-se de que não houvesse nenhum inconveniente, independente do país em que estivesse, ou do que estivesse fazendo.

Algo, porém, havia mudado naquela noite. Até mesmo o ar entre eles parecia eletrizado, carregado. A mão dela roçou a dele e ambos congelaram. Cami desviou os olhos de seu tablet e o flagrou olhando para ela, com uma expressão pensativa naqueles olhos cujo brilho ela não reconheceu, mas, efetivamente, sentiu, em seus seios, em seu ventre. Em seus membros excessivamente pesados, hoje, e na sua respiração que ela não conseguia regularizar.

Aquilo a deixou excitada e trêmula, excessivamente consciente da presença dele. Aquilo a fez querer novamente o que ela jamais poderia ter.

Já haviam se passado cerca de 17 das quase 24 horas previstas para a viagem, acrescidas ainda das paradas para reabastecer, sendo que eles trabalharam durante nove delas. Aquilo nem chegava à metade de um dia habitual de trabalho, nos padrões de Castiel. Eles fizeram uma pausa, sentando-se na área comum no avião. Cami tomou água e soube que não deveria perguntar por que ele a estava olhando com aquele novo brilho desconcertante nos olhos, como se nunca a tivesse visto antes. Como se aquela estranha conversa que mais parecera um sonho, no terraço de Milão, realmente tivesse alterado algo fundamental entre eles.

– Por que Bora Bora? – perguntou Castiel.

Cami rolou a garrafa entre as palmas.

– E por que não? – perguntou ela, levemente. – Se há algo que aprendi trabalhando com você, foi exigir o melhor em tudo.

– É verdade. – Alguns fogos espocaram entre eles e, por um momento, Cami não conseguiu desviar o seu olhar do dele. Seus lábios, então, se curvaram em uma espécie de sorriso duro, irônico e levemente divertido. – Fico deleitado em descobrir que você leva a indolência tão a sério quanto todo o restante.

– Talvez tudo o que eu queira da vida seja me sentar sob uma palmeira e olhar para o mar – disse ela, embora a simples ideia a enervasse.

– E ter tudo servido em uma bandeja de prata? – perguntou ele, com um tom de voz que ela não conseguiu decifrar.

Cami pensou nas cinzas de Dominic guardadas na lata que fazia às vezes de urna, no centro de sua estante, em Londres, e nas promessas que ela fizera a ele e a si mesma. Que o lançaria ao vento e na água. O mínimo que ela podia fazer era honrar o homem que ele poderia ter sido, caso tivesse feito escolhas diferentes, ou tivesse sido mais forte na luta contra os próprios demônios.

Ela sabia que também precisava de um encerramento. Uma cerimônia. Uma despedida definitiva.

– Mais ou menos isso – disse ela, sem cruzar o olhar com o de Castiel.

Cami, porém, sabia que ele não havia acreditado nela, a julgar pelo modo como ele se remexeu em seu assento e o jeito que afastou o cabelo da testa.

– Que debochada.

Aquilo fora uma provocação e a atingira em cheio, embora ela devesse estar imune a ele.

– Deixo este tipo de coisa para o senhor, Senhor Collins – retrucou ela.

Tudo pareceu se contrair. Não havia mais ar nem som algum. Cami experimentou uma sensação de pânico, temendo que o avião estivesse caindo, mas ao ver que Castiel não havia movido um único músculo concluiu que aquilo só estava acontecendo em sua cabeça. Ela sentiu o coração bater forte dentro do peito, e então desacelerar, sem conseguir desviar o olhar do dele, daquela boca dura que ela não podia fingir que não desejava e daquela perigosa luz nos olhos dele ao olhar-lhe.

– Isso é um desafio, Srta. Bennett? – perguntou ele, suavemente, aquela voz correndo por ela, transformando toda aquela necessidade em um desejo insistente e doce, ardendo dentro de Cami. A boca cruel dele se curvou em um sorriso duro que ela sentiu como uma carícia. – Vou me esforçar para corresponder às suas fantasias.

Cami percebeu que havia enrubescido. Será que ele sabia o que a mantinha desperta... O que a atormentava, o que ela podia ver com excessiva clareza agora... Aquela deliciosa fusão do que havia acontecido em Cádiz e no iate e o que ela imaginava que viria depois...

– Mas antes – prosseguiu Castiel, naquele tom mavioso, extremamente perigoso, estreitando o seu olhar no dela –, vamos fechar o acordo com Taiwan.

Cami se sentiu esvaziada e um pouco zonza com a mudança de fuso horário e também com os efeitos de sua própria e excessiva imaginação, quando eles, finalmente, chegaram ao que ela supôs ser Bora Bora. Poderia, contudo, ser qualquer outro lugar do mundo, tendo em vista a intensa escuridão.

O helicóptero que eles pegaram depois de chegar ao Taiti pousou em um pequeno campo de pouso, iluminado por tochas altas.

A noite estava quente e abafada.

Ela sentiu o cheiro do mar e da selva. O perfume doce das flores pairava no ar, e ela teve que conter uma arfada ao ver o brilho das estrelas que lotavam o céu, quando inclinou a cabeça para ver o helicóptero se afastar.

– Venha – ordenou-lhe Castiel, impaciente, caminhando a passos largos.

Alguns carregadores surgiram em meio à escuridão para pegar as malas, e Cami seguiu Castiel em direção a um passadiço de madeira, iluminado por mais tochas e margeado de muito verde.

Castiel se deteve diante de uma grande casa, com tetos altos e arqueados e amplas janelas abertas que se estendiam pelas paredes, exibindo venezianas puxadas e vistas desobstruídas.

E do outro lado da passagem havia água.

Nada além de água escura batendo suavemente contra a praia à distância e algumas luzes fracas. A aurora se aproximava azulando a noite negra. Cami conseguiu divisar uma montanha na ilha, do outro lado.

– Esse é o casarão – disse Castiel, aproximando-se dele, com o rosto suavizado pela suave escuridão tropical.

As luzes das tochas envolviam a ambos em um halo de luz dourada, fazendo com que eles parecessem ainda mais próximos um do outro, como se não houvesse nada mais no mundo além deles, em meio a toda aquela exuberância.

– Não sei por que alguém deixaria um lugar como este. Só mesmo não tendo imaginação alguma.

Subitamente, ele estava perto demais, embora ela não o tivesse visto se mover. Seus ombros largos e seu peito amplo a impediam de respirar, ou fazer qualquer outra coisa que não se perder no perigoso verde do olhar dele.

O pulso dela enlouqueceu. Sua boca ficou seca, e ela sentiu aquele desejo intenso latejar entre as pernas.

O olhar duro dele se chocou violentamente contra o de Cami, como se ele tivesse a intenção de prendê-la ali, com a sua força, e, com efeito, ela não conseguiu se mover.

– Não fale comigo como se eu fosse mais um daqueles investidores – disse ele, quase raivosamente. – Não espere que eu dance conforme a sua música simplesmente porque se deu ao trabalho de conversar um pouco comigo.

Ele estava certo, Cami fazia exatamente aquilo e odiou que ele o tivesse percebido com tanta clareza.

Sempre pensara que queria que ele a enxergasse, mas a verdade era que aquilo a aterrorizava. Era ela quem tinha como função decifrá-lo, não o contrário!

– Desculpe-me – mordeu ela. – Não voltarei a tecer comentários sobre a sua falta de imaginação.

Castiel silenciou. Apenas estendeu a mão e passou o polegar pelos lábios dela, testando a sua forma. Aquele não foi um toque suave de um amante, mas um gesto forte e inegavelmente sexual. Se aquilo não fosse impensável, Cami diria que ele estava marcando terreno, marcando-a com seu toque, como quem marca seu gado ou estampa um logo em um produto.

Ela deveria ter afastado a mão dele, mas em vez disso sentiu-se queimar por dentro, longa, lenta e profundamente.

Como sempre ardia e continuaria ardendo por ele.

– Acredite – disse ele, com uma voz ao mesmo tempo muito suave e muito exigente. – Minha imaginação está mais vívida a cada minuto.

Os lábios de Cami pareciam em brasa, e ela pôde sentir o toque dele por todo o seu corpo, correndo pelas suas veias, mesmo depois de ele ter baixado a mão e se afastado. O coração de Cami não parou de bater freneticamente. Sua boca ainda estava muito seca e havia um nó em sua barriga. Sentia-o por toda parte, e por um longo momento tudo o que ele fez foi olhar-lhe, impassível, com seus olhos intensos e astutos e aquela boca cruel.

Castiel se virou a fim de cumprimentar o homem sorridente que o havia abordado, de dentro do casarão. Seu olhar estava indecifrável ao se voltar novamente para ela.

Eu não queria que você fosse embora, dissera ele no terraço, em Milão. Aquela frase ainda ressoava dentro dela.

Ela queria muito que aquilo significasse alguma coisa.

Ainda podia sentir o toque dele deslizando por ela, tornando-a tão sua como se tivesse tatuado o nome dele em sua pele com a mais negra das tintas.

Você está cansada e transtornada, disse ela a si mesma, lutando contra o calor que pareceu inundar os seus olhos. Tudo será diferente pela manhã. Tem de ser.

– Você parece exausta – disse Castiel, correndo os olhos pelo rosto dela, dando-lhe a impressão de que podia ler seus pensamentos. Depois fez um meneio de cabeça, como se tivesse chegado a alguma decisão. – Frederic lhe mostrará os seus aposentos.

E então foi embora, desaparecendo em meio à noite densa, deixando-a sozinha em sua tentativa de descobrir algum sentido naquilo que estava acontecendo.

Lutando contra emoções que ela não conseguia compreender, muito menos processar, Cami seguiu Frederic obedientemente pelo casarão. O teto era alto e abobadado e as paredes, revestidas da mesma madeira escura que ela havia visto do lado de fora. Os cômodos eram arejados e espaçosos, e em vez de janelas havia espaços talhados nas paredes a fim de deixar o paraíso adentrar por todos os lados.

Havia enfeites de cores vibrantes pendurados nas paredes, sofás baixos e convidativos em tons de magenta e creme, artefatos polinésios espalhados pelas estantes embutidas e flores gloriosas sobre mesas ornamentais. Ela seguiu Frederic para fora outra vez, e então prosseguiu com ele ao longo de um caminho bem mais curto que os conduziu através de um bangalô a um píer particular. Lá, também, as paredes estavam todas abertas para a noite, permitindo que a mais suave de todas as brisas entrasse na suíte.

Tudo o que queria era se desfazer em lágrimas que, ela sabia, estavam à sua espera, e chorar até não conseguir sentir mais nada.

Com um sorriso, Frederic lhe mostrou o piso de vidro escondido por um tapete na sala de estar.

– De dia – prometeu ele –, você verá muitos peixes. Até mesmo tartarugas.

– Obrigada – sussurrou ela, reunindo forças para sorrir.

– Agora durma – disse o homem, gentilmente. – Tudo ficará melhor depois que você dormir.

Como ela queria acreditar nele.

Tudo lhe parecia excessivo incômodo. Sua própria cabeça, aquele lugar e Castiel, são claro. Principalmente. Tudo parecia impossível e doloroso. Tudo machucava e doía. Ela seguiu em direção à cama com dossel e olhou para a luz alaranjada que se insinuava por trás da montanha a distância. O dia já ia raiar.

Ela estava no paraíso, acompanhada pelo demônio, e ardia por ele como se já tivesse se apaixonado. Talvez fosse por isso que tudo havia doído tanto desde o início.

Cami secou a lágrima que rolou de seus olhos e todas as outras que se seguiram. Sentiu o seu rosto se contorcer e teve que se valer de reservas de ar que ela não sabia que tinha para conseguir respirar, enquanto lutava contra os soluços que a espreitavam e que seriam o seu fim.

Ela não podia ceder. Só precisava ser forte por mais algum tempo.

Oh, Dominic, pensou ela, ao se deitar, sem se preocupar em trocar de roupa. Queria que você pudesse ver este lugar. É ainda mais bonito do que você imaginou.

Seu último pensamento antes de adormecer foi sobre Castiel. A hipnotizante curva da boca dura e impossível. O toque da mão em meio à escuridão fria e úmida, tão quente contra a sua pele gelada. Aquele desejo insaciável que ardia cada vez mais intensamente dentro dela, a cada dia, por mais que ela tentasse negá-lo.

Um fogo que poderia destruí-la.

Ela sempre soubera disso. Aquela fora uma das principais razões de ela ter decidido deixá-lo.

 


Notas Finais


#MARATONA 02/05


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