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História Demônio ou maldição? - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Park Jimin, esse momento é todinho seu.

Capítulo 2 - Welcome


I'm the bad guy

Duh

I'm only good at bein' bad, bad

 

_____

 

7 anos depois...

Park Jimin era um garoto gentil e curioso. Sempre interessado no bem-estar dos próximos, ele geralmente dava tudo de si para ajudar os outros, chegando até a prejudicar a si próprio em prol dos amigos. Mas infelizmente, esses favores geralmente não eram retribuídos. Desde pequeno era enganado pelos colegas, sendo usado como marionete para realizar os desejos e vontades deles.

O mundo é cruel, e não importa como você se comporte, ele sempre continuará te colocando para baixo. A injustiça serpenteia por nós como uma víbora, apenas esperando o momento certo para dar o bote e acabar com a sua satisfação de viver num lugar como o planeta Terra.

E só porque Jimin chegou numa cidade diferente, não queria dizer que a sua vida melhoraria.

- Bem-vindo. Você deve o senhor Park.

- Apenas Jimin está bom. - o menor disse, retribuindo a reverência.

- Sim senhor. Pode entrar. Deixe-me ajudá-lo com as malas. - o mordomo ofereceu.

O moreno apenas assentiu com a cabeça e entrou na casa.

Tudo estava sendo muito estranho até agora. Depois que ele pegara um metrô e uma carona de um carro preto desconhecido, tudo ao seu redor de repente mudou. A paisagem agitada da cidade de Busan foi evaporando aos poucos, se transformando lentamente em um lugar praticamente inabitado, mato e mais mato tomando conta do ambiente até chegar numa entrada relativamente simpática para uma enorme mansão.

Que raios de lugar era esse que sua mãe havia o mandado? Que tipo de casa era aquela em que passaria as férias de verão?

Ele estava muito receoso em ficar ali. Algo o dizia que não seria divertido. Nem seguro. Felizmente, o anfitrião veio falar consigo para tranquilizá-lo.

- O jantar será servido às 21 horas. Tente não atrasar. O dono odeia pessoas que se atrasam.

- Espera. Você não é o dono desta casa? - o menor perguntou incrédulo.

- Não. Eu apenas o sirvo. Mas ainda mantemos nossos laços de sangue.

- Ah. E o senhor vai jantar conosco? - o moreno perguntou, meio confuso com a resposta do homem.

- Esta noite infelizmente não será possível. Já tenho um compromisso. Quem sabe outro dia.

Jimin começou a olhar para baixo, sentindo-se nervoso e inquieto por ter que jantar sozinho com o patrão. Que tipo de pessoa seria essa que usa um de seus parentes como serviçal ou algo do gênero?

- Enfim. Acho que isso é tudo. Boa sorte e um bom jantar para vocês dois. - o Dr. Jeon desejou antes de sumir pela porta da frente. O garoto estaria sozinho a partir de agora. 

Pelo resto da noite.

Aquela mansão era mesmo enorme. Tanto do lado de dentro como o de fora. Ao mesmo tempo que tinha um ar rústico, ela parecia ter saído de uma revista de decoração. Era estranho, mas alguns cômodos assemelhavam-se àqueles de filmes de terror, nada comparado aos quartos de hóspedes, todos modernos e bem arrumados.

Jimin começou a desfazer as malas e a explorar o cômodo em que iria ficar. Era lindo e espaçoso, possuindo uma suíte apenas para si, e até mesmo um pequeno closet. Também havia uma grande televisão, porém o garoto estava mais interessado na internet. Ele precisava enviar uma mensagem para a mãe dizendo que havia chegado de viagem são e salvo. Lá não tinha sinal de qualquer operadora telefônica para que os dados móveis pudessem ser utilizados.

Pedir a senha do wi-fi durante o jantar. Anotado.

Desfeita a maior parte das duas malas que trouxera, o moreno deixou-se levar pelo conforto da cama e uns dois minutos depois, acabou adormecendo.

O cansaço da viagem o fez dormir por três horas. E quando olhou para o relógio do celular, percebeu já estar mais de cinco minutos atrasado. Preocupado, Jimin não pensou duas vezes e correu até o salão principal.

Chegando lá, ele se deparou com a mesa posta e os candelabros acesos, uma pequena variedade de comidas centradas cuidadosamente num dos cantos da mobília extensa. Lá deveria ter espaço para mais de vinte pessoas. Porém, não havia qualquer sinal do dono por ali.

- Olá? Senhor? Me desculpe pelo atraso. Prometo que não vai se repetir.

Como não foi respondido, o garoto olhou para todos os lados, aproveitando a ocasião e deixando seus olhos sondarem o ambiente exageradamente espaçoso.

Parecia que aquela sala havia acabado de sair de uma pintura barroca. Todos os tons escolhidos para a decoração eram fortes e marcantes, variando entre o vermelho, carmim e marrom. Aquilo tornava a atmosfera mais pesada e fantasmagórica, diferente dos quartos de hóspedes brancos e convidativos.

Prateleiras repletas de livros deixavam o ambiente com um aspecto intelectual apesar de tudo. Haviam tantas que até parecia ser uma mini biblioteca, possuindo inclusive diversas poltronas espalhadas entre os corredores. Mas uma em específico chamou mais a atenção do moreno. Perto da janela gigantesca e imponente, um abajur de cor vinho, aparentemente adornado com pequenas pedrinhas brilhantes estava desligado, e ao seu lado, uma única poltrona roubava todo o foco da decoração. Negra, atraente e confortável, essas eram as melhores palavras para descrevê-la. Jimin estava longe, mas sua visão pode lhe garantir que ela assemelhava-se muito a um trono medieval.

E se havia um trono, onde estaria o rei?

- Ei! Tem alguém aí? - o garoto perguntou novamente.

Como resposta, ele apenas ouviu o som de páginas sendo folheadas, indicando que ao menos havia algum sinal de vida por ali.

- Senhor? Está me ouvindo?

Então as cortinas se mexeram num passe de mágica.

Essa era a típica entrada triunfal de Jungkook, e ele a realizou com muita maestria antes de se apresentar em frente a Jimin.

O chão rangeu, livros caíram, cadeiras se mexeram e a cada movimento o moreno ficava com mais medo. Ele tentava gritar por ajuda mas a voz se recusava a sair. Ele olhava para todos os lados a procura de alguma explicação lógica e não a encontrava de jeito algum. Ele tentava fugir dali mas não conseguia sequer se mover.

A luz falhava constantemente e quando Jimin finalmente conseguiu despertar de seu transe, ele resolveu correr e ir embora daquele lugar. Porém, as portas se fecharam bruscamente antes disso acontecer, o impedindo de escapar.

Foi nesse momento que as luzes se apagaram de vez, deixando um Jimin completamente apavorado forçando a porta na frente de si. Apenas tentando fugir do inevitável. Pelo ataque de quem que fosse.

Jimin virou-se com as costas para a porta e as luzes se acenderam de imediato, revelando ele. A causa de todo o seu medo naquele momento.

Bú!

Apenas uma monossílaba infantil foi o necessário para o mais velho cair de bunda no chão, quase chorando de tanto susto.

Jungkook havia aparecido bem na sua frente, a centímetros de distância do seu rosto.

- Hahahaha! Você deveria ter visto a sua cara! Foi um dos melhores sustos que eu já dei, sério. - Jungkook ria. Gargalhava na verdade. A sua expressão era de tamanho divertimento que até amenizou todo o clima tenso da atmosfera terrorífica.

- Ei! N-não teve graça nenhuma.

- Se eu disse que teve graça é porque teve. - ele disse incisivo.

Jimin apenas acenou levemente com a cabeça, concordando com o garoto e se levantando devagar. Ele ainda estava com medo demais para dizer algo coerente.

- Então papai trouxe um garoto dessa vez... - Jungkook disse enquanto rodeava o moreno. - Só porque o último durou mais não quer dizer nada...

O Park acompanhava o olhar dele, e Jeon não estava gostando disso. Ele não queria ser analisado. Só o dono da casa poderia fazer isso.

- Quem te deu ordem pra se mexer!? - Jungkook perguntou, subitamente entrando num dos seus surtos de fúria. - Eu posso cortar a sua jugular antes mesmo de você saber o meu nome.

E para provar sua ameaça, ele trouxe uma tesoura do além e pressionou-a contra a garganta do outro.

Aquela tesoura está mesmo flutuando ou é impressão minha?

- D-d-desculpa. - o mais velho disse, extremamente confuso, surpreso e amedrontado.

O mais novo continuou o rodeando, analisando cada mínino detalhe. Desde o rostinho estampado pelo medo até as mãozinhas cobertas pelo moletom cinza. E Jimin tentou fazer o mesmo, a calma tomando conta de si enquanto ele digeria a verdade que havia criado em sua cabeça.

Ele estava sonhando. É claro! Todos aqueles acontecimentos eram apenas fruto da sua fértil imaginação. Objetos voando e uma tesoura flutuando contra a sua garganta? Tudo isso através do poder da mente? Era demais para Park Jimin. Ele apenas despertaria no dia seguinte em seu minúsculo apartamento que dividia com a mãe. Seria impossível ele estar em uma mansão demoníaca, ao lado do próprio Lúcifer disfarçado.

Mas bem que esse garoto poderia não ser fruto de sua mente perturbada. Jeon Jungkook era lindo demais para ser verdade. Ele era de uma beleza praticamente sobrenatural na visão do mais velho.

Seus cabelos negros como a noite eram belos e volumosos, quase reluzindo de tamanha maciez e brilho. Os olhos assemelhavam-se aos de um cervo, amendoados e chamativos. Porém o garoto certamente não era uma presa naquele momento. Ele possuía uma natureza predadora, sua linguagem corporal transparecendo isso com facilidade. Apesar da camada de roupas pretas, Jungkook parecia magro, mas muito bem desenvolvido para a sua idade. E foi isso que mais assustou as pessoas daquela casa. O garoto ainda era muito jovem, e seus traços infantis destoavam completamente de seu olhar sádico e mortal.

Porém, o que mais chamou atenção de Jimin foi a pele de porcelana, clara e praticamente com nenhuma marca ou imperfeição. Era isso que o tornava tão atraente para si.

- Meu nome é Jeon Jungkook. - o dono da mansão disse, jogando a cabeça para o lado na tentativa de tirar uma das franjas do olho. - É um prazer imenso conhecê-lo.

Jimin engoliu em seco, despertando de seu transe. A última frase aparentemente foi uma grande ironia.

- Eu sou Park Jimin. Vim aqui passar as férias de verão. Eu acho... - ele disse tentando manter-se num script imaginário.

- Hmm... Pena que você não vai voltar.

- O que quer dizer com isso? - o moreno questionou ainda um pouco assustado.

- Meu pai não te contou nadinha de nada mesmo, não é? - Jungkook perguntou, quase rindo.

- Contou o que?

- Nós vamos nos divertir tanto nos próximos dias. - Jeon disse, caindo na gargalhada outra vez.

O mais velho estava tão confuso e perdido naquele diálogo que simplesmente não conseguiu responder. Ele estava sem palavras.

- Por onde será que vamos começar? - Jungkook refletiu, perguntando mais a si mesmo que para o outro.

Sua guarda baixou por alguns instantes e foi neste momento que a sua mãe surgiu em mente, dando a oportunidade do menor revidar.

- Eu quero falar com a minha mãe! Agora! - Jimin ordenou, ganhando uma coragem patética através de suas próprias palavras.

- Nunca mais ouse levantar a voz pra mim! - Jungkook respondeu irado. A tesoura, que estava o tempo todo ameaçando o mais velho, foi forçada com mais afinco contra o pescoço alheio.

Aquele sensação parecia real demais para ser apenas um sonho.

- Sou eu quem manda aqui, entendido?

- Mas-

- Nada de mas! Se você vai mesmo falar com a sua querida mãezinha, a decisão vai ser minha.

Jungkook então começou a se acalmar, rodeando um pouco pelo salão e parando na mesa de refeições. Ele pegou um morango da salada e saboreou-o tranquilamente.

- Hmm. Já comi melhores. - ele disse dando de ombros.

Mais alguns segundos se passaram com Jungkook pensando numa resposta ao pedido de Jimin. Enquanto isso ele se esforçava para ficar parado, com pavor da jugular ser cortada.

- Já me decidi. Você pode falar com a sua mãe.

- Que bom! Só preciso da senha do wi-fi daqui para mandar uma mensagem. - o mais velho pediu, aproveitando a oportunidade.

- Até parece que eu vou te dar um dos bens mais preciosos dessa casa! Você vai usar o telefone residencial. Vem aqui. - Jungkook chamou, finalmente libertando Jimin da mira de sua arma.

Eles foram até um cantinho próximo da janela, onde havia uma mesinha e um telefone sem fio.

- Sinta-se a vontade.

Jimin não disse nada, apenas pegou o aparelho com as mãos trêmulas e discou o número do celular de sua mãe. Caiu na caixa postal.

Jeon deu um sorriso de canto.

- O celular dela deve estar desligado. - o menor se justificou. - Vou tentar o residencial. - felizmente, o moreno se recordava do número de casa.

- Vá em frente.

O telefone tocou longas três vezes antes da voz materna o tranquilizar imediatamente.

- Alô?

- Mãe, é você?

- Jimin!?

- Sim! Sou eu mãe! Estou com tanta saudade! - o mais velho disse extremamente contente, como se fizesse dias que não se falassem.

A mulher nada respondeu.

- Mãe, eu quero voltar para casa. Não gostei muito daqui. - declarou, mentindo um pouco.

- Mas você não pode voltar meu filho. Sinto muito. - ela disse com pesar na voz.

- Como assim? É só pegar um metrô. Eu ainda me lembro do caminho.

- Não. Você vai ter que ficar aí. Apenas obedeça eles e vai ficar tudo bem.

- Mas-

- Foi melhor para nós dois assim. Adeus Jimin.

Dito isso, a chamada se encerrou.

- Mãe? Mãe! Você não pode me deixar aqui. MÃE! - o moreno gritava a beira das lágrimas.

- Parece que a sua querida mamãe não te quer mais. - Jungkook disse nem um pouco afetado pela conversa.

- Isso não é verdade!

- Ah é? Pergunta isso pro meu pai então.

- É isso mesmo que e-eu vou fazer! - Jimin disse choroso porém determinado.

- E com a ordem de quem?

- É... Posso falar com ele Jungkookie? Por favor. - ele perguntou com uma voz meiga e chorosa.

- Você é muito ingênuo, sabia? Mas eu prefiro assim. Torna tudo mais divertido.

Um sorriso maligno se formava nos lábios dele enquanto três facas de formatos diferentes chegavam flutuando, graças ao poder da telecinese. Elas começaram a rondar Jungkook, apenas esperando suas ordens.

- Vai.

Ele apenas secou os olhos com a manga do moletom, ignorando as faças e não entendendo muito bem a proposta do mais novo.

- Tá esperando o que? Foge.

Jimin, completamente perdido nos rumos de seu suposto sonho, apenas obedeceu a ordem do mais novo e correu. Jeon deu alguns segundos de vantagem ao garoto antes de persegui-lo até o seu quarto. E propositalmente, ele conseguiu chegar lá, trancando a porta bem a tempo.

- Tenha uma boa noite e bons sonhos Jimin. Amanhã será um dia bem mais divertido, eu prometo.

 

X

 

Mais cedo naquele mesmo dia...

- Você fez o que!?

- Vendi meu filho. - a mulher disse tranquilamente enquanto dava mais um gole em seu café.

- M-mas... Como... Como você teve a coragem de-

- Tá, tá. Menos drama, ok? Ele nem era meu filho de verdade, você sabe.

- Não importa! Você criou ele Gi! Desde que era um bebê! Ele nem sequer sabe que é adotado! Imagina o que ele deve estar sofrendo neste exato momento! - a amiga indagou extremamente preocupada.

- Ai, não faça eu me arrepender. Você sabe que foi melhor assim. Nós dois ainda morreríamos por causa da dívida que aquele desgraçado nos deixou. Além disso, o cara me vendeu por um valor exorbitante e eu não pude recusar. Os empréstimos não estavam mais dando conta.

- Mas era só pedir ajuda!

- Ah é? E pra quem? Você é a minha única amiga de confiança e já te devo quase seis meses de salário. Aliás, amanhã eu te pago. - a "ex-mãe" avisou, dando uma piscadinha.

- Aish... Eu nem sequer me despedi do garoto.

- Chega de se lamentar pelo que já foi feito. - ela disse suspirando. - O fato é que eu te chamei aqui para falar sobre como eu vendi ele.

- O que quer dizer?

- Nunca vi alguém como ele. Foi uma proposta muito estranha de se negociar.

- Como assim? Ele não queria só comprar uma criança? Ou um adolescente, sei lá.

- Não. Ele foi bem mais específico. Queria um garoto jovem, entre 14 e 17 anos. E mais, procurava por um rosto gentil e simpático, alguém carismático, sabe?

- Hmmm... Será que não queria para a prostituição?

- Não. Eu perguntei a ele. Jamais venderia o Jimin para algo assim. Eu tenho coração, sabia!?

- Não parece. - a mulher apenas a respondeu com uma expressão contrariada.

- Tá, mas pra que ele queria o garoto então? - a amiga continuou.

- Eu não entendi direito. Parece que ele queria alguém para usar contra o seu próprio filho. Isso faz algum sentido pra você?

 

X

 

Não foi um sonho.

Jimin acordou completamente transtornado devido a noite anterior. Ele demorou horas e mais horas para adormecer, com muito medo de que algo pudesse acontecer caso o fizesse.

Ele martelou a conversa que tivera com a mãe enquanto chorava baixinho até tarde.

Ela havia mesmo o abandonado? Deixado ele ali com aquele garoto estranho e maldoso? E pior, o mais velho nem sabia ao certo o que Jungkook era. Ninguém fazia as coisas levitarem do nada. Nenhum humano tem essa capacidade. O que o levou a conclusão de que Jeon não era humano. Mas que tipo de criatura horrenda ele era, Jimin ainda não sabia. E preferia não saber pelo menos por enquanto.

Exausto, o moreno resolveu levantar e enfrentar a criatura que o esperava lá fora. Ele precisava. Não comeu nada desde a tarde de ontem já que o jantar havia sido uma bagunça de acontecimentos. Jimin estava fraco e cansado, se arrastando até o salão principal enquanto procurava por apoio das paredes para manter-se em pé. Sua cabeça latejava e o corpo não estava muito diferente.

Quando chegou lá, deparou-se novamente com a mesa arrumada e Jeon Jungkook sentado no trono negro que havia visto no dia anterior. O abajur estava aceso, e ele estava lendo um livro, a luz reluzindo seu rosto pálido e o deixando um pouquinho mais assustador.

- Bom dia.

- Bom dia. - Jimin disse receoso. Era estranho alguém como ele ser tão cordial.

- Sinta-se a vontade para comer o que quiser. Não quero que morra de fome. - Jungkook falou ainda imerso em seu livro.

O moreno não pensou duas vezes e sentou-se a mesa, comendo a primeira coisa que apareceu na sua frente. Que no caso era uma banana. Madura e bonita.

- Desde quando se importa comigo? Se estou bem alimentado ou não? Ontem mesmo você ameaçou me matar.

Jimin resolveu enfrentar seu medo. A coragem ia e vinha dentro dele como a maré inundando a areia na praia. Discutir sobre morte não seria um problema naquela casa. Era só enfrentá-la como um assunto banal.

- Se eu quisesse você já estaria morto. O que não é o caso. Além disso, morrer de fome é patético. Não faz meu estilo. - Jeon disse, tirando os olhos do livro pela primeira vez.

- Quando vai me matar?

- Não hoje. Você por acaso se olhou no espelho de manhã? Tá péssimo. Nem um pouco atraente para uma morte trágica.

- E quando eu vou estar atraente o suficiente?

- Seu limite de perguntas acabou por hoje. Agora cala a boca e come.

- Eu tenho um limite de perguntas?

- Não teste a minha paciência Jimin. Vai descobrir que ela é bem curta de vez em quando. Principalmente de manhã.

Ambos cessaram o diálogo e continuaram os seus afazeres. Jimin comia com afinco e Jungkook lia seu livro tranquilamente, vez ou outra mexendo a cabeça para tirar a franja da frente de seu olho.

- Sinto muito mas eu preciso mesmo fazer uma pergunta. - o menor começou, segurando o guardanapo com força.

rei apenas desceu o livro até o colo, lançando um olhar pesado para o mais novo. Felizmente, Jimin estava longe demais para poder perceber o ódio.

- O que eu, ou melhor nós, vamos fazer hoje?

- Já que perguntou, não vai ter medo da resposta. Bom, eu planejei te devolver para a sua mãe. Parece que você a ama muito, principalmente depois do que aconteceu ontem. Eu me senti muito mal mesmo pelo meu pai ter tirado te tirado desse jeito de perto dela. Então eu gostaria de pedir as mais sinceras desculpas.

- S-sério? Você faria isso por mim?

Mas é claro. Pode ir fazendo suas malas.

Então Jimin, tolo como era, largou a mesa de qualquer jeito e praticamente correu para o seu quarto de hóspedes arrumar as malas. Jungkook obviamente o seguiu, e quando o moreno estava abrindo a porta, ele a fechou bruscamente com a telecinese.

- Que?

- É sério mesmo que você acreditou nisso?

O sorriso ingênuo se desfez na hora.

- Meu Deus. Como você é estúpido. - o mais novo disse rindo pela terceira vez da sua cara.

Jimin estava arrasado por ser tão idiota. Como é que ele caiu nessa? Estava tão desesperado assim?

- Tá, já chega de rir. - ele disse para si mesmo, cessando os risos. - Eu quero pavor. Medo. Terror. Vamos lá pra fora, que tal?

E assim, Jungkook começou com a sua nova e peculiar rotina de perseguir o recém-chegado com seus objetos perfurantes. Era tão dramático o jeito que Jimin corria para salvar sua própria vida que chegava a ser cômico.

Uma faca estava quase espetando Jimin quando ele esbarrou em algo. Ou melhor, em alguém.

- Oh, me desculpe. - o menor falou, percebendo logo em seguida que aquela pessoa poderia ser a solução de todos os seus problemas.

- Tudo bem. Mas o que aconte-

- Papai! Que bom ver o senhor. - o filho disse, sanando qualquer dúvida do homem. Mas é claro, Jungkook já estava fazendo da vida do garoto um inferno. No começo era sempre assim.

- Jungkook. Já está assustando o novo hóspede?

- Ah, me poupe. Foi você quem começou tudo isso. E deixou tudo pior quando simplesmente jogou ele aqui dentro sem saber de nada. Tá achando que eu tenho paciência pra explicar?

- Tem razão. - o homem disse depois de alguns segundos pensando. - Foi um erro. Mas eu posso repará-lo. Posso contar o básico se quiser.

O mais velho estava parado ao lado de Dr. Jeon, completamente confuso como sempre. Aquela família era muito estranha e complicada.

- Faça isso. Nada do que disser vai mudar o que eu sou. - Jungkook afirmou. - Agora se me der licença, vou tomar um ar fresco.

Com isso, Jungkook saiu de casa e deixou Jimin conversar com a solução de suas dúvidas.

 

X

 

- Eu só vou contar o básico. Não quero ficar falando demais.

Ambos estavam sentados num sofá, na espécie de habitação que Dr. Jeon morava. Aquele quarto não era só onde ele dormia, mas onde vivia a maior parte de seu tempo. Era grande e espaçoso o suficiente para abrigar uma pessoa como ele.

Depois que Jungkook tomou conta da mansão, o pai só tinha aquele espaço de "privacidade". Como seu próprio filho dizia:

"Você só mora aqui porque eu te permito viver. Quando eu finalmente me cansar, jamais nos veremos novamente."

E se era isso mesmo que realmente iria acontecer, o homem esgotaria todas as suas tentativas de ajudar o garoto. Achar alguma bondade e amor pela vida humana. Era isso que o pai procurava em seu filho.

- Então, eu posso fazer algumas perguntas?

- Antes disso, permita-me resumir a história. - ele disse se acomodando melhor no sofá. - Sabe, o Jungkook nem sempre foi assim, frio e agressivo. Ele era um garoto gentil e adorável. Foi só depois desses malditos poderes surgirem que ele se tornou desse jeito. Mas mesmo assim, minha esposa não era desse jeito. Sádica.

- O que quer dizer? Ela também controlava as coisas com a mente? - Jimin perguntou, interrompendo-o.

- Sim. Ela também tinha o poder da telecinese. Só que era algo normal, se é que eu posso dizer isso. Não houve praticamente nenhuma mudança na sua personalidade ou comportamento. E bom, só depois que ela partiu que Jungkook adquiriu essas habilidades.

- Ela já... Faleceu? - o menor perguntou baixinho, apesar de saber a resposta.

- Sim. Foi trágico mas... Já ficou no passado. Não estamos aqui para falar sobre isso. Quero falar sobre o presente. Sobre o Jungkook de agora.

- Tá. Mas o que eu quero mesmo saber é: Jungkook ainda é humano ou...?

- Eu não sei de mais nada. O que me resta é ter esperança.

- E o que eu tenho a ver com isso tudo?

- Você é a minha quinta tentativa de salvá-lo. Quando percebi que eu mesmo não conseguia mais fazer nada, resolvi chamar pessoas para ajudá-lo. Desde padres até exorcistas, nada funcionou. Então comecei a usar pessoas normais para tentar resolver. Sei lá, vai que ele comece a gostar de alguém. Um amigo ou namorada poderia resolver tudo.

- E eu sou uma dessas pessoas normais?

O homem apenas confirmou com a cabeça.

- Mas a minha mãe, ela-

- Eu sei que é difícil Jimin mas... Ela... Te vendeu.

O garoto apenas arregalou os olhos, surpreso por aquela ser mesmo a verdade.

- Eu sinto muito, mas a culpa não é minha. Foi ela quem viu a oferta perdida na imensidão da internet. Nós conversamos por uma semana antes de fechar o acordo. Ela tinha plena noção do que aconteceria.

A ficha ainda não tinha caído completamente para Jimin. Ele ainda sentia como se essas fossem ser apenas férias de verão longe da mãe.

- E... O que aconteceu com as outras quatro pessoas antes de mim?

- Elas morreram Jimin. Todas as quatro. Jungkook as assassinou friamente. Uma a uma. E é isso que vai acontecer com você se não conseguir ajudá-lo a tempo. - o homem disse com tranquilidade, como se já estivesse familiarizado com esse fato. - Espero que essa sirva como uma motivação para salvar meu filho. Pense nisso: quanto mais próximo você estiver do coração de Jungkook, mais perto você estará da vida.

Talvez Dr. Jeon estivesse enganado quanto aos seus palpites. Ele não era o dono da razão naquela casa. Nunca seria. Mas quem sabe, ele estivesse um pouco certo de suas palavras. Nunca saberemos o dia de amanhã.

Quanto mais próximo você estiver do coração de Jungkook, mais perto você estará da vida. - esse era o novo mantra de Park Jimin.


Notas Finais


E aí meu povo? Quem é o favorito de vocês até agora? Jimin ou Jungkook?


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